{"id":2748,"date":"2013-08-13T21:14:18","date_gmt":"2013-08-13T21:14:18","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2013\/08\/13\/protestos-e-greve-geral-na-tunisia\/"},"modified":"2013-08-13T21:14:18","modified_gmt":"2013-08-13T21:14:18","slug":"protestos-e-greve-geral-na-tunisia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2013\/08\/13\/protestos-e-greve-geral-na-tunisia\/","title":{"rendered":"Protestos e greve geral na Tun\u00edsia"},"content":{"rendered":"\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"138\" hspace=\"6\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/UGTT.jpg\" vspace=\"4\" width=\"240\" \/><strong>Protestos tomam as ruas da Tunisia.<\/strong> No &uacute;ltima dia 06 de agosto, mais de 150 mil pessoas tomaram as ruas em protesto pela morte de dois ativistas, Chokri Belaid de 58 anos, assassinado no dia 06 de fevereiro, e Mohamed Brahmi, morto a tiros no dia 25 de julho na frente de sua casa no sub&uacute;rbio de Tunis.<\/span><\/span><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">O assassinato de Brahmi foi o estopim para manifestantes tomarem as ruas, tanto em Tunis quanto em Sidi Bouzid, sua cidade natal. Mas estas manifesta&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m de repudiarem tais barb&aacute;ries tamb&eacute;m questionam e pedem a queda da Assembleia Constituinte e do governo.<\/span><\/p>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Um dos l&iacute;deres da Frente Popular, Brahmi integrava o polo da organiza&ccedil;&atilde;o mais associada ao nacionalismo do que ao da luta independente da classe trabalhadora. Junto com o tamb&eacute;m nacionalista Belaid, &nbsp;representavam uma fra&ccedil;&atilde;o minorit&aacute;ria da frente, cuja dire&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria &eacute; do Partido dos Trabalhadores da Tun&iacute;sia, influenciada pelos mao&iacute;stas.<\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A Frente Popular constitui hoje o terceiro principal campo pol&iacute;tico da Tun&iacute;sia. Ele se encontra atr&aacute;s do bloco Islamista, dirigido pelo partido Ennahda, que hoje ocupa o governo, e o bloco secular, dirigido pelo Nida Tunsi e o Partido Republicano, partidos da oposi&ccedil;&atilde;o burguesa cuja composi&ccedil;&atilde;o incluem ex-apoiadores do ditador deposto Ben Ali. Ambos os grupos, hegemonizados pela burguesia, tentam colocar como principal eixo pol&iacute;tico do pa&iacute;s, n&atilde;o a disputa entre trabalhadores e patr&otilde;es, mas entre &ldquo;seculares&rdquo; e &ldquo;islamistas&rdquo;.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A trajet&oacute;ria da luta de classes na Tunisia, com a exist&ecirc;ncia de um forte movimento sindical e correntes de esquerda com implanta&ccedil;&atilde;o nas bases sindicais, coloca&nbsp; a possibilidade de que o povo tunisino n&atilde;o caia na armadilha de um debate sobre costumes sociais, focando assim nos verdadeiros problemas dos trabalhadores; o desemprego, os baixos sal&aacute;rios, e as terr&iacute;veis condi&ccedil;&otilde;es sociais do pa&iacute;s. A maioria das correntes de esquerda participa da Frente Popular, mas esta, embora tenha peso importante na realidade pol&iacute;tica, n&atilde;o consegue dar uma resposta de independ&ecirc;ncia de classe, por ter em sua composi&ccedil;&atilde;o partidos burgueses como o partido Baath.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Greve geral<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\tNo dia 26 de julho, um dia ap&oacute;s a morte de Brahmi, a central UGTT (Uni&atilde;o Geral dos Trabalhadores da Tun&iacute;sia), convocou uma greve geral com as palavras de ordem de &quot;Greve geral contra o terrorismo, viol&ecirc;ncia e assassinatos.&quot; <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Esta &eacute; a segunda mobiliza&ccedil;&atilde;o nacional nesta escala desde a revolu&ccedil;&atilde;o de 2011. A primeira foi convocada um dia ap&oacute;s o assassinato do opositor de esquerda Chokri Belaid em fevereiro deste ano.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A paralisa&ccedil;&atilde;o dirigida pela UGTT teve grande ades&atilde;o nas empresas, com&eacute;rcios, na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e at&eacute; na empresa a&eacute;rea nacional Tunisair. Nas prov&iacute;ncias, a greve geral teve grande ades&atilde;o em Sidi Bouzid, cidade natal de <\/span><\/span><span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Chokri Belaid<\/span><\/span> e ber&ccedil;o da revolu&ccedil;&atilde;o em 2011 .<\/p>\n<p>\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Na p&aacute;gina do Facebook da UGTT, h&aacute; mensagens de repudio &agrave; repress&atilde;o aos manifestantes durante o protesto no funeral de Brahmi. A pol&iacute;cia atacou, com g&aacute;s de pimenta e bombas de g&aacute;s lacrimog&ecirc;nio, jovens e trabalhadores que protestavam em frente a Assembl&eacute;ia Nacional Constituinte. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A luta contra a viol&ecirc;ncia policial, desde o inicio da revolu&ccedil;&atilde;o, &eacute; um dos principais eixos pol&iacute;ticos que tem mobilizado os trabalhadores e a juventude. Ela &eacute; na verdade um recorte que unifica todas as lutas no mundo &aacute;rabe. Da Tun&iacute;sia ao Egito, &agrave; L&iacute;bia, &agrave; S&iacute;ria, o &oacute;dio &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o e &agrave; viol&ecirc;ncia dos aparatos repressivos une os povos em revolu&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Classe oper&aacute;ria em luta<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Uma caracter&iacute;stica marcante da Tun&iacute;sia em rela&ccedil;&atilde;o aos outros pa&iacute;ses da primavera &aacute;rabe &eacute; a organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores. Desde o in&iacute;cio das manifesta&ccedil;&otilde;es em 2011, a central UGTT se posicionou a favor da revolu&ccedil;&atilde;o, construindo-a ativamente.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\tA UGTT &eacute; a maior central sindical do mundo &aacute;rabe. Durante a revolu&ccedil;&atilde;o de janeiro de 2011, ap&oacute;s press&atilde;o da base, ela abriu suas sedes e organizou junto com a juventude os protestos nas principais cidades do pa&iacute;s que culminaram com a queda do ditador Ben Ali.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A UGTT, por&eacute;m, possui uma s&eacute;rie de debilidades que acabam afetando sua capacidade de apresentar aos trabalhadores tunisianos uma pol&iacute;tica independente de classe. Al&eacute;m de um s&eacute;rio deficit de democracia interna, a organiza&ccedil;&atilde;o possui pouqu&iacute;ssimos canais de intera&ccedil;&atilde;o com a juventude. Soma-se a isto a perigosa rela&ccedil;&atilde;o direta da dire&ccedil;&atilde;o da central com o partido Nida Tunsi e o resto da oposi&ccedil;&atilde;o burguesa de inclina&ccedil;&atilde;o secular.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Mesmo assim, a entrada em cena da UGTT &eacute; fundamental para qualquer vit&oacute;ria dos trabalhadores tunisinanos. &Eacute; dentro dela que est&atilde;o n&atilde;o apenas os apoiadores da &ldquo;oposi&ccedil;&atilde;o secular&rdquo;, mas tamb&eacute;m os lutadores da classe trabalhadora que t&ecirc;m constru&iacute;do, ativamente, as lutas di&aacute;rias da revolu&ccedil;&atilde;o na base. H&aacute; tamb&eacute;m grupos trotskistas que atuam dentro da UGTT, como a Liga da Esquerda Oper&aacute;ria.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Crise no Governo<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\tTentando se localizar frente &agrave; crise que balan&ccedil;a seu governo, Rached Ghannouchi, l&iacute;der do partido Ennahda, disse em um comunicado ap&oacute;s a morte de Brahmi que &quot;aqueles por tr&aacute;s deste crime querem levar o pa&iacute;s para a guerra civil e interromper o processo de transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica.&quot; Ele chamou o assassinato de uma &quot;cat&aacute;strofe&quot; para a Tun&iacute;sia, e a Presid&ecirc;ncia, no dia seguinte decretou um dia de luto nacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A posi&ccedil;&atilde;o de Ghannouchi, por&eacute;m, pouco impressiona os trabalhadores e a juventude em luta. Na verdade, a grande maioria dos manifestantes o acusa pelos crimes. Por a&ccedil;&atilde;o ou omiss&atilde;o, o governo Ghannouchi est&aacute; sendo responsabilizado pela morte dos lideres da Frente Popular.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Ghannouchi e os islamistas, que dirigem um governo neoliberal, fracassaram na sua promessa de atender &agrave;s demandas da revolu&ccedil;&atilde;o. Em junho de 2013 seu governo fechou um acordo com o FMI avan&ccedil;ando ainda mais a liberaliza&ccedil;&atilde;o da economia. A pol&iacute;tica do governo, que tem aumentado o endividamento internacional do pa&iacute;s enquanto fecha acordos de com&eacute;rcio priorit&aacute;rios com a Uni&atilde;o Europeia, em nada interessa aos trabalhadores do pa&iacute;s.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">N&atilde;o por acaso, a tens&atilde;o pol&iacute;tica vem aumentando na Tun&iacute;sia, com o lan&ccedil;amento de sua pr&oacute;pria vers&atilde;o do movimento Tamarod (rebeli&atilde;o), que no Egito levou &agrave; derrubada do presidente islamita Mohammed Mursi no 3 de julho. H&aacute;, como no Egito, um risco da polariza&ccedil;&atilde;o entre seculares e islamista acabar por obscurecer a luta anti-capitalista das massas. Mas a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia da UGTT e o fato de haver uma forte tradi&ccedil;&atilde;o e implanta&ccedil;&atilde;o de correntes de esquerda poderia ser um apoio &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma alternativa de classe na Tunisia. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Soma-se a isto o fato de que na Tun&iacute;sia, ao contrario do Egito, o ex&eacute;rcito sempre teve um papel secund&aacute;rio na pol&iacute;tica. Durante o governo Ben Ali, a pol&iacute;cia e o servi&ccedil;o secreto, inclusive, eram entidades muito mais poderosas que as for&ccedil;as armadas. A possibilidade dos trabalhadores, organizados de forma independente, ditarem a derrubada de Ghannouchi, implica na possibilidade do processo tunisiano resultar em alternativas pol&iacute;ticas muito mais avan&ccedil;adas que a do Egito. Contra isso joga o fato de que as maiores correntes na Frente Popular apoiam um governo de Salva&ccedil;&atilde;o Nacional, que inclua a oposi&ccedil;&atilde;o secular burguesa no pa&iacute;s.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Lutas e greves d&atilde;o a t&ocirc;nica na Tunisia<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\tAs greves tornaram-se comuns na Tun&iacute;sia desde a revolu&ccedil;&atilde;o de 2011. No primeiro semestre de 2013 o n&uacute;mero de dias parados devido &agrave;s greves aumentaram 37% em rela&ccedil;&atilde;o a 2012, e oper&aacute;rios de 215 empresas estiveram com os bra&ccedil;os cruzados neste ano, de acordo com o Minist&eacute;rio dos Assuntos Sociais da Tunisia.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\tEm janeiro os trabalhadores do transporte de combust&iacute;veis do pa&iacute;s entraram em greve por dois dias. As reivindica&ccedil;&otilde;es eram por aumento de sal&aacute;rio, f&eacute;rias anuais remuneradas, redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho de 48 para 40 horas semanais, melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dado o alto risco de acidentes, e readmiss&atilde;o de um trabalhador membro do sindicato que foi demitido na luta da categoria.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\tEm mar&ccedil;o os motoristas de taxi da cidade entraram em greve por um dia na capital Tunis, por conta do aumento da gasolina. O detalhe &eacute; que o transporte p&uacute;blico em Tunis &eacute; quase inexistente e os taxis s&atilde;o um dos principais meios de transporte na cidade.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\tA Medina, a cidade velha, no cora&ccedil;&atilde;o do centro de Tunis, &eacute; uma &aacute;rea hist&oacute;rica de lojas e restaurantes onde os produtos e lembran&ccedil;as da Tun&iacute;sia tradicional s&atilde;o vendidos. Este lugar hist&oacute;rico e tur&iacute;stico do pa&iacute;s tamb&eacute;m foi palco de uma greve contra a corrup&ccedil;&atilde;o em junho. Agentes de turismo recebem propinas de um cartel de lojistas para levarem os turistas a determinadas lojas, fazendo com que outros fiquem sem vender.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\tNas lojas que estiveram fechadas no protesto lia-se cartazes dizendo: &quot;A gloriosa revolu&ccedil;&atilde;o de 14 de janeiro foi provocada pela igualdade, a dignidade e o direito de ganhar a vida&quot;, e &quot;N&atilde;o &agrave; injusti&ccedil;a, n&atilde;o ao empobrecimento&quot;.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\tNo dia 13 de junho desempregados na cidade de Metlaoui, localizado na sul da Tun&iacute;sia, em Gafsa, protestaram contra o desemprego na regi&atilde;o. Os manifestantes bloquearam a sa&iacute;da de um comboio de transporte de fosfato. Gafsa &eacute; o centro de produ&ccedil;&atilde;o de fosfato, um dos principais componentes dos recursos naturais da Tun&iacute;sia e que gira a economia no pa&iacute;s.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\tGafsa &eacute; conhecida pela revolta que aconteceu em 2008 em circunst&acirc;ncias semelhantes. Durante as greves de 2008 em Gafsa, no m&iacute;nimo, tr&ecirc;s pessoas morreram, dezenas ficaram feridas e centenas foram presos. Os protestos em Gafsa foram o estopim para uma s&eacute;rie de eventos que antecederam a revolu&ccedil;&atilde;o que derrubou o ex-presidente Zine el-Abidine Ben Ali, em janeiro de 2011.<\/p>\n<p>\tO tema do direito de greve ainda &eacute; tido como pol&ecirc;mico durante a constru&ccedil;&atilde;o do texto da nova constitui&ccedil;&atilde;o. Os partidos ligados ao governo e &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o burguesa defendem que haja direito de greve mas obrigam o funcionamento de servi&ccedil;os p&uacute;blicos e essenciais, limitando de fato este direito.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Por um governo dos trabalhadores!<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\tA crise aberta na Tun&iacute;sia com a morte de Mohamad Brahmi abre a possibilidade real de uma derrubada do governo. O exemplo do povo eg&iacute;pcio coloca a derrubada de Ghannouchi na ordem do dia.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Por&eacute;m, a pol&iacute;tica proposta por setores majorit&aacute;rios da Frente Popular, por um governo de &ldquo;Salva&ccedil;&atilde;o Nacional&rdquo;, que inclua a oposi&ccedil;&atilde;o secular burguesa como o Partido Republicano e o Nadia Tunis, em nada interessa aos trabalhadores. O eixo da esquerda socialista n&atilde;o pode ser o de seculares contra isl&acirc;micos, mas de trabalhadores contra os patr&otilde;es.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A alian&ccedil;a, composta pelos setores da esquerda eg&iacute;pcia e da dire&ccedil;&atilde;o da EFITU (a central sindical independente que surgiu em meio a revolu&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia na pra&ccedil;a Tahrir) com os militares e a oposi&ccedil;&atilde;o secular anti-Mursi tem impedido a forma&ccedil;&atilde;o de uma alternativa independente para os trabalhadores naquele pa&iacute;s. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Na Tunisia, &nbsp;&eacute; importante exigir que a UGTT, assim como os setores de esquerda hoje na Frente Popular, tenham como pol&iacute;tica n&atilde;o assumir uma alian&ccedil;a com os apoiadores do antigo regime de Ben Ali e partidos burgueses, mas a luta por uma alternativa de classe. Ser&atilde;o apenas os trabalhadores e seus organismos de classe&nbsp; que conseguir&atilde;o avan&ccedil;ar nos interesses da revolu&ccedil;&atilde;o. Caso contr&aacute;rio, se ter&aacute; perdido, novamente, uma enorme oportunidade.<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Protestos tomam as ruas da Tunisia. 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