{"id":27137,"date":"2019-04-12T14:51:03","date_gmt":"2019-04-12T16:51:03","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=27137"},"modified":"2019-04-12T14:51:03","modified_gmt":"2019-04-12T16:51:03","slug":"rio-de-janeiro-descaso-dos-governos-provoca-dez-mortes-em-temporal-na-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/04\/12\/rio-de-janeiro-descaso-dos-governos-provoca-dez-mortes-em-temporal-na-cidade\/","title":{"rendered":"Rio de Janeiro: Descaso dos governos provoca dez mortes em temporal na cidade"},"content":{"rendered":"<p><em>At\u00e9 o momento, foram registradas dez v\u00edtimas fatais ap\u00f3s o temporal que atingiu a cidade do Rio de Janeiro na noite desta segunda-feira, 8 de abril. S\u00e3o elas:<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Dyrlei Santos, do Rio de Janeiro (RJ) &#8211; PSTU Brasil<\/p>\n<p><strong>Leme, na Zona Sul<\/strong><\/p>\n<p>J\u00falia Neves Ach\u00e9, de apenas 6 anos (morreu ao lado da v\u00f3 e do motorista do t\u00e1xi, soterrados)<\/p>\n<p>Lucia Xavier Sannento Neves (av\u00f3 de J\u00falia, que a levara em uma festa de anivers\u00e1rio)<\/p>\n<p>Marcelo Tavares Marcelino (taxista que transportava L\u00faca Xavier e sua neta J\u00falia)<\/p>\n<p><strong>Morra da Babil\u00f4nia, comunidade da Zona Sul<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>As irm\u00e3s Doralice e Gerlaine do Nascimento, de 55 e 53 anos respectivamente (soterradas na pr\u00f3pira casa)<\/p>\n<p>Gilson Cesar Serqueiro dos Santos (vizinho, morreu tentado ajudar as irm\u00e3s)<\/p>\n<p><strong>Favela de Antares (bairro de Santa Cruz), na Zona Oeste<\/strong><\/p>\n<p>Reginaldo da Silva morreu afogado (tentando salvar m\u00f3veis da sua casa)<\/p>\n<p><strong>G\u00e1vea, na Zona Sul<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>Guilherme Nascimento de Pontes, 30 anos (depois de cair de uma moto, foi arrastado pelas \u00e1guas e encontrado debaixo de um carro)<\/p>\n<p><strong>Santa Cruz (comunidade do Cesar\u00e3o), na Zona Oeste<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>Leandro Ramos Pereira, de 40 anos (eletrocutado em casa)<\/p>\n<p><strong>Jardim Maravilha (bairro de Campo Grande), na Zona Oeste<\/strong><\/p>\n<p>Um homem recolhido de uma enchente, ainda n\u00e3o identificado.<\/p>\n<p>Dez vidas perdidas. Dez mortes absurdas.<\/p>\n<p>Mortes que poderiam ter sido evitadas. N\u00e3o fossem a irresponsabilidade e o descaso com que as autoridades p\u00fablicas tratam a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora da cidade e do estado. Em especial a prefeitura do Rio na pessoa do prefeito Marcelo Crivella (PRB), mas n\u00e3o s\u00f3 ele.<\/p>\n<p>Irresponsabilidade e descaso que atingem principalmente trabalhadores e o povo mais pobre das periferias e comunidades.<\/p>\n<p>O Rio registrou, nas \u00faltimas 24 horas, a pior chuva dos \u00faltimos 22 anos, segundo dados do Sistema Alerta Rio, da prefeitura. Uma chuva mais forte do que ocorreu nos dias 6 e 7 de fevereiro, quando sete pessoas morreram, fez com que o munic\u00edpio entrasse em \u201cest\u00e1gio de crise\u201d \u2013 o mais alto em uma escala de tr\u00eas, segundo o Alerta Rio. O Rio entrou em est\u00e1gio de crise \u00e0s 20h55 de segunda-feira.<\/p>\n<p>Na Zona Sul da cidade, ficam alguns dos bairros mais afetados pelo forte temporal. At\u00e9 barco os bombeiros tiveram que usar para resgatar crian\u00e7as no Jardim Bot\u00e2nico. Mas tamb\u00e9m na Zona Oeste muitas localidades foram atingidas.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o foi para que as pessoas n\u00e3o sa\u00edssem de onde estavam (casa, local de trabalho, escolas etc.) evitando deslocamentos pela cidade que estava com o tr\u00e2nsito ca\u00f3tico.<\/p>\n<p>Ainda no in\u00edcio da manh\u00e3, a prefeitura e o governo do estado determinaram a suspens\u00e3o das aulas nas escolas das redes p\u00fablicas. Escolas privadas e universidades p\u00fablicas e particulares, tamb\u00e9m suspenderam o dia letivo. Mas nas escolas da rede municipal a prefeitura determinou inicialmente a perman\u00eancia de professores e funcion\u00e1rios dentro das unidades mesmo sem alunos.<\/p>\n<p>O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil divulgaram ter recebido mais de 2 mil chamados de ocorr\u00eancias. Quase o dobro da m\u00e9dia di\u00e1ria normal.<\/p>\n<p>De acordo com a Light, somente na noite dessa segunda-feira, cerca 80 mil usu\u00e1rios foram afetados em seu fornecimento de energia el\u00e9trica. Durante a ter\u00e7a-feira (9), Dez mil resid\u00eancias e estabelecimentos ainda permaneciam sem luz.<\/p>\n<p>Segundo a concession\u00e1ria do servi\u00e7o p\u00fablico, o corte no fornecimento \u00e9 ocasionado principalmente devido \u00e0 queda de \u00e1rvores sobre a rede e deslizamentos de terra. Novamente, assim como em fevereiro, quedas de barreira interditaram o Alto da Boa Vista e a Avenida Niemeyer (onde mais um trecho da ciclovia Tim Maia desabou).<\/p>\n<p><strong>Novamente problemas com as sirenes<\/strong><\/p>\n<p>As sirenes, tidas como principal instrumento da fr\u00e1gil pol\u00edtica de preven\u00e7\u00e3o da prefeitura, novamente n\u00e3o funcionaram como deveriam.<\/p>\n<p>Moradores do Morro da Babil\u00f4nia, e de outras comunidades tamb\u00e9m, denunciaram que as sirenes da Defesa Civil n\u00e3o tocaram para avisar da entrada no est\u00e1gio de crise e do risco iminente de deslizamentos.<\/p>\n<p>Realmente poderia ter sido evitado, como disse Ingrid Ara\u00fajo, filha e sobrinha das v\u00edtimas do deslizamento no Morro da Babil\u00f4nia, no Leme, na Zona Sul do Rio. Agora Ingrid pede justi\u00e7a para sua e para outras fam\u00edlias que moram em \u00e1rea de risco e que, segundo ela, s\u00e3o tratadas com descaso.<\/p>\n<p>Segundo Crivella, as sirenes n\u00e3o foram acionadas no Morro da Babil\u00f4nia porque choveu exatos 39 mil\u00edmetros em uma hora \u2013 um pouco abaixo do \u00edndice de 45 mil\u00edmetros! O pr\u00f3prio prefeito teve de admitir que houve falha de planejamento e que os \u00f3rg\u00e3os da prefeitura n\u00e3o foram prudentes com rela\u00e7\u00e3o aos protocolos para diminuir impacto das chuvas nas \u00e1reas mais atingidas.<\/p>\n<p>Parece que somente depois de mais esta trag\u00e9dia \u00e9 que Crivella entendeu a necessidade de ter reboques, pessoal da conserva\u00e7\u00e3o, da Rio \u00c1guas e da Comlurb de plant\u00e3o nas \u00e1reas mais cr\u00edticas.<\/p>\n<p>Contudo, apresentou como solu\u00e7\u00e3o imediata apenas medidas pontuais, como a revis\u00e3o do \u00edndice m\u00ednimo de chuva para o acionamento das sirenes, e que pretende negociar com o Jockey Club um espa\u00e7o para a constru\u00e7\u00e3o de galerias pluviom\u00e9tricas na regi\u00e3o do Jardim Bot\u00e2nico.<\/p>\n<p>Enquanto isso, \u00f3rg\u00e3os essenciais nestas situa\u00e7\u00f5es, como a Secretaria de Conserva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o possuem pessoal suficiente para prevenir ou atender as ocorr\u00eancias. Pois a prefeitura n\u00e3o tem funcion\u00e1rios pr\u00f3prios, j\u00e1 que os servi\u00e7os s\u00e3o terceirizados para seis empresas privadas. Pasmem, os trabalhadores terceirizados somente s\u00e3o mobilizados no momento das ocorr\u00eancias. O que provoca atrasos ou mesmo impossibilidade de atendimento.<\/p>\n<p><strong>A dif\u00edcil volta para casa<\/strong><\/p>\n<p>Chuva forte. Ruas alagadas. Vias interditadas. Tr\u00e2nsito totalmente parado.<\/p>\n<p>O temporal provocou desde bloqueios parciais de vias importantes da cidade, por causa de alagamentos, at\u00e9 deslizamentos de terra, e que resultaram em v\u00edtimas fatais.<\/p>\n<p>O retorno para casa na noite de segunda-feira (8) foi complicado para os trabalhadores cariocas. Teve gente que mesmo saindo do trabalho entre 17 e 18 horas, somente conseguiu chegar em sua resid\u00eancia por volta de meia-noite. Ap\u00f3s seis longas e angustiantes horas de uma verdadeira epopeia.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o enfrentar a \u00e1gua pela cintura ou perigosas enxurradas, as pessoas buscaram se refugiar em locais seguros, como lojas, bares e esta\u00e7\u00f5es de Metr\u00f4 e BRT. Sem saber quanto tempo teriam de esperar ou o que fazer para chegar em casa, somente contando com a ajuda e solidariedade de desconhecidos que como eles sofriam a mesma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Motoqueiros e pedestres auxiliando pessoas que estavam ilhadas dentro de \u00f4nibus ou em cima de carros; lojistas, donos e atendentes de bares abrindo seu com\u00e9rcio para que gente se refugiasse ali, trabalhadores comuns emprestando seu celular para que outros fizessem liga\u00e7\u00f5es para familiares etc.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o podem contar com os agentes p\u00fablicos, os trabalhadores do Rio de Janeiro j\u00e1 sabem que s\u00f3 podem contar com a solidariedade comum entre eles. Pois, se depender de seus governantes, suas vidas, as de seus familiares, vizinhos e colegas de trabalho estar\u00e3o em risco.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o \u00e9 de que a chuva perca for\u00e7a. Mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma garantia de que n\u00e3o volte a chover forte ao longo da semana. Felizmente nesta ter\u00e7a-feira (9) Metr\u00f4, trens e BRT funcionavam dentro da normalidade e o tr\u00e2nsito flu\u00eda apesar dos transtornos, e a maioria conseguiu chegar em seu lar sem maiores problemas.<\/p>\n<p><strong>Impeachment ou ren\u00fancia<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de n\u00e3o ter vontade pol\u00edtica para resolver esta situa\u00e7\u00e3o, Crivella tenta \u201cdividir\u201d a responsabilidade com outros. Por exemplo, reclama da falta de recursos e apoio atrav\u00e9s do pacto federativo para viabilizar projetos que possam amenizar os problemas causados pelas fortes chuvas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m culpou a Companhia de Estado de \u00c1gua e Esgoto (Cedae) de jogar dejetos e assim provocar alagamentos no sistema pluvial da cidade (com certeza defende a privatiza\u00e7\u00e3o da empresa).<\/p>\n<p>A Cedae respondeu que o prefeito mente ao afirmar tal coisa j\u00e1 que, de acordo com a companhia, as redes de abastecimento de \u00e1gua e de coleta de esgoto da Cedae n\u00e3o t\u00eam nenhuma rela\u00e7\u00e3o com o sistema de drenagem de \u00e1guas das chuvas, que s\u00e3o de compet\u00eancia exclusiva do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>J\u00e1 o governador Wilson Witzel (PSL), como fez na ocasi\u00e3o da trag\u00e9dia de fevereiro, prefere se omitir a assumir as responsabilidades do governo estadual.<\/p>\n<p>Por isso o PSTU prop\u00f5e um programa emergencial:<\/p>\n<p>\u2013 Executar j\u00e1 um plano de obras p\u00fablicas para prevenir novos deslizamentos, limpeza e canaliza\u00e7\u00e3o de rios e c\u00f3rregos e obras de escoamentos das chuvas.<\/p>\n<p>\u2013 Construir moradias populares com investimento maci\u00e7o em saneamento b\u00e1sico em quantidade suficiente para combater o d\u00e9ficit habitacional e a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, garantindo moradias dignas, seguras e gratuitas para os trabalhadores.<\/p>\n<p>\u2013 Abrir os hot\u00e9is das regi\u00f5es em que haja desabrigados para acolh\u00ea-los enquanto n\u00e3o tiverem uma moradia segura.<\/p>\n<p>\u2013 Repudiar a criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza. Os moradores das \u00e1reas de risco n\u00e3o s\u00e3o os respons\u00e1veis pelos deslizamentos e nem moram em despenhadeiros porque gostam. Com um sal\u00e1rio m\u00ednimo de fome, \u00e9 imposs\u00edvel morar em local digno e seguro.<\/p>\n<p>\u2013 Que os pol\u00edticos respons\u00e1veis pela aplica\u00e7\u00e3o das verbas na preven\u00e7\u00e3o de acidentes naturais, coletas de lixo e saneamento b\u00e1sico que n\u00e3o o fizeram devem ser responsabilizados pela trag\u00e9dia e presos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 o momento, foram registradas dez v\u00edtimas fatais ap\u00f3s o temporal que atingiu a cidade do Rio de Janeiro na noite desta segunda-feira, 8 de abril. 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