{"id":26997,"date":"2019-04-04T16:21:40","date_gmt":"2019-04-04T18:21:40","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=26997"},"modified":"2019-04-04T16:21:40","modified_gmt":"2019-04-04T18:21:40","slug":"libano-por-uma-economia-justa-marchamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/04\/04\/libano-por-uma-economia-justa-marchamos\/","title":{"rendered":"L\u00edbano: Por uma economia justa, marchamos!"},"content":{"rendered":"<p><em>Sob esse slogan, centenas de mulheres se manifestaram em Beirute para o Dia Internacional da Mulher. Elas marcharam de Beshara Khoury para Mina al-Hosn em 10 de mar\u00e7o de 2019.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Hasan al-Barazili<\/p>\n<p>Al\u00e9m da reivindica\u00e7\u00e3o de melhoria nas condi\u00e7\u00f5es de vida, dois outros temas foram levantados: o fim do sistema Kafala e direitos iguais perante a lei de status pessoal.<\/p>\n<p><strong>Kafala: Escravid\u00e3o Moderna<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Sistema Kafala (Patroc\u00ednio) surgiu na d\u00e9cada de 1950 para regular a rela\u00e7\u00e3o entre empregadores e trabalhadores migrantes em muitos pa\u00edses da \u00c1sia Ocidental. Continua sendo a pr\u00e1tica rotineira nos pa\u00edses do Conselho de Coopera\u00e7\u00e3o do Golfo (GCC) do Bahrein, Kuwait, Om\u00e3, Catar, Ar\u00e1bia Saudita e Emirados \u00c1rabes Unidos (EAU), e tamb\u00e9m nos estados \u00e1rabes da Jord\u00e2nia e do L\u00edbano. O objetivo econ\u00f4mico do sistema de patroc\u00ednio era fornecer m\u00e3o-de-obra rotativa tempor\u00e1ria que pudesse ser rapidamente trazida para o pa\u00eds em expans\u00e3o econ\u00f4mica, e expulsa do pa\u00eds durante per\u00edodos menos afluentes.<\/p>\n<p>Sob o sistema Kafala, o status de imigra\u00e7\u00e3o de um trabalhador migrante \u00e9 legalmente vinculado a um empregador ou patrocinador individual (kafeel) durante o per\u00edodo de contrato. O trabalhador migrante n\u00e3o pode entrar no pa\u00eds, mudar de emprego ou deixar o pa\u00eds por qualquer raz\u00e3o sem obter primeiro permiss\u00e3o expl\u00edcita por escrito do kafeel. O trabalhador deve ser patrocinado por um kafeel para entrar no pa\u00eds de destino e permanecer vinculado a este kafeel durante toda a sua estadia. O kafeel deve reportar \u00e0s autoridades de imigra\u00e7\u00e3o se o trabalhador migrante deixar o emprego e deve garantir que o trabalhador deixe o pa\u00eds ap\u00f3s o t\u00e9rmino do contrato, incluindo o pagamento pelo voo de volta para casa.<\/p>\n<p>Muitas vezes o kafeel exerce maior controle sobre o trabalhador migrante, confiscando seu passaporte e documentos de viagem, apesar da legisla\u00e7\u00e3o em alguns pa\u00edses de destino que declara essa pr\u00e1tica ilegal. Isto situa o trabalhador migrante como completamente dependente do seu kafeel para a sua subsist\u00eancia e resid\u00eancia.<\/p>\n<p>O poder que o sistema Kafala delega ao patrocinador em rela\u00e7\u00e3o ao trabalhador migrante tem sido comparado a uma forma contempor\u00e2nea de escravid\u00e3o<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 250.000 trabalhadores migrantes dom\u00e9sticos no L\u00edbano, origin\u00e1rios principalmente da Eti\u00f3pia. Os manifestantes querem permiss\u00f5es de trabalho emitidas e renovadas pelo Estado liban\u00eas sem qualquer interfer\u00eancia de seus patr\u00f5es. Essa demanda une os direitos das mulheres e os movimentos de direitos dos trabalhadores migrantes.<\/p>\n<p><strong>Nenhum direito de passar nacionalidade<\/strong><\/p>\n<p>A lei de status pessoal \u00e9 discriminat\u00f3ria contra a mulher libanesa. Afirma que os homens libaneses t\u00eam o direito de estender os direitos de nacionalidade para sua esposa e filhos. O mesmo direito n\u00e3o \u00e9 garantido para as mulheres libanesas. Essa lei data de 1925, atualizada em 1960.<\/p>\n<p>Os problemas que as mulheres libanesas casadas com homens estrangeiros enfrentam como resultado da discrimina\u00e7\u00e3o contra elas na lei da nacionalidade s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>A autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia \u00e9 exigida para maridos e filhos;<\/li>\n<li>Dificuldade em obter autoriza\u00e7\u00f5es de resid\u00eancia;<\/li>\n<li>Maridos sendo for\u00e7ados a ter emprego fict\u00edcio no caso dos palestinos, pois s\u00e3o proibidos de possuir propriedades.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O problema de obter uma permiss\u00e3o de resid\u00eancia \u00e9 um pesadelo n\u00e3o s\u00f3 para aqueles com renda limitada, mas tamb\u00e9m para as mulheres de classes acima da m\u00e9dia, que expressam sua frustra\u00e7\u00e3o com o tempo gasto com essa quest\u00e3o e sua ansiedade sobre os prazos. Existem \u00e1reas limitadas para o trabalho. A situa\u00e7\u00e3o atual impede que os homens estrangeiros exer\u00e7am um grande n\u00famero de empregos, especialmente profiss\u00f5es liberais, como medicina, direito, engenharia e farm\u00e1cia<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a>.<\/p>\n<p>Entre 4 milh\u00f5es de habitantes, 77.400 moradores s\u00e3o prejudicados de acordo com a Dra. Fahima Charafeddine, uma soci\u00f3loga libanesa. Ela realizou um estudo para o PNUD sobre todos os casamentos entre mulheres libanesas e homens n\u00e3o-libaneses de 1995 a 2008. O estudo mostra que cerca de 18.000 casamentos foram celebrados. 87,5% deles eram casais mu\u00e7ulmanos (51,5% sunitas, 33,6% xiitas) e 12,5% crist\u00e3os. Os maridos eram 74,7% \u00e1rabes (21,7% palestinos, 22% s\u00edrios, 8% eg\u00edpcios, 7,8% iraquianos, 5,2% americanos e 3,5% jordanianos).<\/p>\n<p>Para a taxa de fecundidade libanesa de 2,3%, esses 18 mil casamentos resultaram em 41.400 crian\u00e7as. Apesar de terem nascido de m\u00e3es libanesas, n\u00e3o possuem direitos de nacionalidade<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>.<\/p>\n<p>Em todo o mundo, 25 pa\u00edses n\u00e3o garantem o direito \u00e0 mulher transmitir o direito \u00e0 sua nacionalidade<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>.<\/p>\n<p>As manifestantes querem total igualdade perante a lei. Elas querem que as mulheres libanesas tenham direito a passar os direitos nacionais para seus maridos e filhos, da mesma forma que os homens libaneses t\u00eam.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.ilo.org\/dyn\/migpractice\/docs\/132\/PB2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ilo.org\/dyn\/migpractice\/docs\/132\/PB2.pdf<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> https:\/\/www.undp.org\/content\/dam\/lebanon\/docs\/CrisisPreventionRecovery\/SupplementArticles\/17Supp\/PEACE%20BUILDING%2017%20ENG%20p15.pdf<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.undp.org.lb\/communication\/publications\/downloads\/mujaz_en.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.undp.org.lb\/communication\/publications\/downloads\/mujaz_en.pdf<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.refworld.org\/pdfid\/5aa10fd94.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.refworld.org\/pdfid\/5aa10fd94.pdf<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sob esse slogan, centenas de mulheres se manifestaram em Beirute para o Dia Internacional da Mulher. 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