{"id":26877,"date":"2019-03-27T11:48:57","date_gmt":"2019-03-27T13:48:57","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=26877"},"modified":"2019-03-27T11:48:57","modified_gmt":"2019-03-27T13:48:57","slug":"a-barbarie-imperialista-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/03\/27\/a-barbarie-imperialista-na-africa\/","title":{"rendered":"A barb\u00e1rie imperialista na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O ciclone Idai pode deixar um milhar de mortos<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>O ciclone\u00a0Idai no sudoeste africano at\u00e9 agora j\u00e1 causou 446 mortos s\u00f3 em Mo\u00e7ambique, a estimativa do presidente Filipe Nyusi \u00e9 de que cerca de 1.000 pessoas\u00a0est\u00e3o mortas mas ainda n\u00e3o foi confirmada. Cerca dois milh\u00f5es de pessoas foram afetadas, mais de 100 mil desabrigados, e 90 mil alunos sem escola.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Marina Peres e Am\u00e9rico Gomes<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Idai.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-26878 alignleft\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Idai-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Idai-212x300.jpg 212w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Idai-724x1024.jpg 724w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Idai-768x1086.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Idai-150x212.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Idai-300x424.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Idai-696x984.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Idai.jpg 984w\" sizes=\"auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em Mo\u00e7ambique uma vasta regi\u00e3o continua inundada, mais de 2 mil quil\u00f4metros, entre os rios Pungue e Buzi . O governo estima que 100 mil pessoas precisam ser resgatadas e que outras 600 mil foram atingidas por enchentes, deslizamentos e desabamentos. Uma faixa de 100 quil\u00f4metros de comprimento est\u00e1 totalmente alagada segundo o minist\u00e9rio do Meio Ambiente, em Beira, o distrito mais afetado. Em B\u00fazi, Chibabava, Muanza, Mossurize e Sussundenga, distritos vizinhos a Beira, milhares de mo\u00e7ambicanos continuam nos telhados das poucas moradias que permaneceram em p\u00e9 ou nas copas das \u00e1rvores que resistiram \u00e0 for\u00e7a dos rios B\u00fazi e Pungu\u00e9, que desde s\u00e1bado transbordaram e provocaram inunda\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os ve\u00edculos ficaram muitos dias sem circular. A rede telef\u00f4nica foi interrompida. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 eletricidade. Quanto \u00e0 sa\u00fade, o caos \u00e9 completo. H\u00e1 casos de diarreia, risco de c\u00f3lera e febre tifoide. H\u00e1 protestos por \u00e1gua, comida, abrigo e rem\u00e9dios.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s destruir Beira, a segunda maior cidade de Mo\u00e7ambique, com ventos de mais de 177 km\/h, seguidos de chuvas torrenciais, o ciclone seguiu para os pa\u00edses vizinhos Zimb\u00e1bue e Malawi.<\/p>\n<p>No Zimb\u00e1bue cerca de 200 pessoas, incluindo 30 estudantes, seguem desaparecidas. \u00a0Os sobreviventes continuam sendo buscados entre os escombros.<\/p>\n<p>O Idai j\u00e1 \u00e9 considerado a pior tempestade tropical a atingir a regi\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas e pode ser uma das piores a ter atingido o sudeste do hemisf\u00e9rio sul, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/2019-03-21t135402z_1551320165_rc181cde99c0_rtrmadp_3_africa-cyclone.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-26880 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/2019-03-21t135402z_1551320165_rc181cde99c0_rtrmadp_3_africa-cyclone.jpg\" alt=\"\" width=\"4422\" height=\"2838\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>As responsabilidades das multinacionais e dos pa\u00edses imperialistas na \u00c1frica austral<\/strong><\/p>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o europeia na \u00c1frica, no final do s\u00e9culo XIX, no extremo sul oriental, era disputada pela coroa brit\u00e2nica e o imp\u00e9rio alem\u00e3o. A coroa portuguesa, em Mo\u00e7ambique, j\u00e1 cumpria um papel coadjuvante, colocando suas for\u00e7as a servi\u00e7o dos brit\u00e2nicos e de tamp\u00e3o contra a expans\u00e3o germ\u00e2nica.<\/p>\n<p>Os danos causados pelo imperialismo a esta regi\u00e3o do ponto de vista da explora\u00e7\u00e3o das riquezas naturais e superexplora\u00e7\u00e3o dos povos s\u00e3o a base da mis\u00e9ria em que se encontram as popula\u00e7\u00f5es destas comunidades.<\/p>\n<p>Trag\u00e9dias como estas ocorrem em outros pa\u00edses como nos Estados Unidos, s\u00f3 que eles est\u00e3o melhor preparados para enfrent\u00e1-las. Mesmo a\u00ed vemos que os trabalhadores mais pobres s\u00e3o os que mais sofrem, mas n\u00e3o nestas propor\u00e7\u00f5es, pois esses pa\u00edses t\u00eam muito mais dinheiro, e muito mais estruturas para poderem responder a estes desastres naturais.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com rela\u00e7\u00e3o ao passado. Os governos dos pa\u00edses imperialistas e as dire\u00e7\u00f5es das empresas multinacionais que mais contribuem para o aquecimento global devem responder pelos estragos causados ao planeta, sobretudo quando atingem os pa\u00edses que menos fizeram por isso, como Mo\u00e7ambique. As empresas que controlam 66% do com\u00e9rcio mundial criam novas formas de divis\u00e3o de trabalho e produ\u00e7\u00e3o que al\u00e9m de destru\u00edrem o ambiente global inviabilizam qualquer forma de preven\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p><strong>Explora\u00e7\u00e3o nacional<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, na \u00c1frica estas multinacionais ganham muito com a explora\u00e7\u00e3o desenfreada dos recursos naturais. Concretamente em Mo\u00e7ambique, h\u00e1 enorme potencial energ\u00e9tico, por exemplo, carv\u00e3o mineral, cujas reservas s\u00e3o estimadas em mais de 20 bilh\u00f5es de toneladas, e de g\u00e1s natural, estimada a 277 trilh\u00f5es de p\u00e9s c\u00fabicos, recursos h\u00eddricos cujo potencial \u00e9 de 18.000 MW. Tudo isso possivelmente poderia proporcionar condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para a satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas das suas necessidades dom\u00e9sticas, mas tamb\u00e9m da regi\u00e3o Austral.<\/p>\n<p>Mas o baixo n\u00edvel industrial, a escassez de m\u00e3o-de-obra qualificada e a gan\u00e2ncia das transnacionais fazem com que estas explorem estas riquezas somente visando ter lucros criando um impacto negativo sobre a vida das comunidades locais, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e o meio ambiente. N\u00e3o h\u00e1 um projeto de uso sustent\u00e1vel e perspectivado para a produ\u00e7\u00e3o de tais recursos. Al\u00e9m disso, estas multinacionais s\u00e3o vinculadas ao sistema de corrup\u00e7\u00e3o nacional e a verdadeira ind\u00fastria de subornos que existe no pa\u00eds. Os sal\u00e1rios dos trabalhadores s\u00e3o miser\u00e1veis, para se dizer o m\u00ednimo, e suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho absolutamente prec\u00e1rias.<\/p>\n<p>S\u00e3o elas que ganham milhares de d\u00f3lares e euros em Mo\u00e7ambique da mesma maneira que s\u00e3o as multinacionais norte-americanas e chinesas que ganham lucros inimagin\u00e1veis no Zimb\u00e1bue, ambas vinculadas a burocracias burguesas ligadas a aparatos militares, totalmente corruptas e violentas.<\/p>\n<p><strong>Derrubar o regime dos generais<\/strong><\/p>\n<p>Neste momento de dor pela morte de nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s na \u00c1frica negra, temos que ter muita solidariedade e companheirismo de classe e ver como podemos ajud\u00e1-los. Mas n\u00e3o podemos esquecer quem s\u00e3o os verdadeiros respons\u00e1veis por estas trag\u00e9dias, para realizar as verdadeiras transforma\u00e7\u00f5es para que n\u00e3o se repitam.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora n\u00e3o pode confiar em nenhum dos bandos militares que governam o Zimb\u00e1bue ou Mo\u00e7ambique, ambos que v\u00eam de organiza\u00e7\u00f5es com origens na luta armada anticolonial, como Uni\u00e3o Nacional Africana do Zimb\u00e1bue \u2013 Frente Patri\u00f3tica (ZANU-PF) e Frelimo, Frente de Liberta\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique, hoje pa\u00edses governados por generais-burocratas-burgueses como Emerson \u201cCrocodilo\u201d Mnangagwa. e \u00a0Filipe Jacinto Nyusi que dirigem regimes bonapartistas e antidemocr\u00e1ticos.<\/p>\n<p><strong>Construir uma sa\u00edda para os trabalhadores da \u00c1frica austral.<\/strong><\/p>\n<p>Os trabalhadores devem\u00a0construir seu\u00a0pr\u00f3prio caminho, com suas organiza\u00e7\u00f5es e seu processo de mobiliza\u00e7\u00e3o, para defender suas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio\u00a0ter solidariedade com nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s trabalhadores, mas n\u00e3o manifestar\u00a0nenhum apoio aos governos de Mnangagwa\u00a0e Nyusi e exigir\u00a0elei\u00e7\u00f5es livres, j\u00e1,\u00a0para novos governos, e uma\u00a0assembleia constituinte, com a cria\u00e7\u00e3o de novos partidos da classe trabalhadora,\u00a0que possa formar novas institui\u00e7\u00f5es e\u00a0nacionalizar a terra, expropriando as propriedades das quadrilhas governantes, em uma real reforma agr\u00e1ria, assim como\u00a0a\u00a0nacionaliza\u00e7\u00e3o de toda a ind\u00fastria de minera\u00e7\u00e3o, sob o controle dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Somente um governo dos trabalhadores e do povo pobre pode assegurar que os recursos naturais n\u00e3o-renov\u00e1veis sejam explorados e usados de forma racional, e estabele\u00e7a regras legislativas que regulem as atividades industriais a servi\u00e7o da comunidade e garantam o desenvolvimento socioecon\u00f4mico do pa\u00eds. Ao mesmo tempo que preservem o meio ambiente e garantam que as futuras gera\u00e7\u00f5es usufruam destes recursos, possam satisfazer as suas necessidades e continuar a desenvolver o pa\u00eds, tendo em conta o melhoramento de infraestruturas, desenvolvimento do capital humano e combate \u00e0 pobreza.<\/p>\n<p>Continuar a luta anticolonial \u00e9 exigir repara\u00e7\u00f5es por parte das multinacionais e das ind\u00fastrias capitalistas. Assim como o imperialismo alem\u00e3o na Nam\u00edbia e Tanz\u00e2nia, o imperialismo ingl\u00eas deve repara\u00e7\u00f5es ao Zimb\u00e1bue e, juntamente com o portugu\u00eas, a Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>Indeniza\u00e7\u00f5es por danos causados ao povo e ao ambiente, pela viol\u00eancia aplicada contra os povos; pela devolu\u00e7\u00e3o das obras de arte; das terras ocupadas; e pelas mat\u00e9rias primas usurpadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ciclone Idai pode deixar um milhar de mortos O ciclone\u00a0Idai no sudoeste africano at\u00e9 agora j\u00e1 causou 446 mortos s\u00f3 em Mo\u00e7ambique, a estimativa do presidente Filipe Nyusi \u00e9 de que cerca de 1.000 pessoas\u00a0est\u00e3o mortas mas ainda n\u00e3o foi confirmada. 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