{"id":26874,"date":"2019-03-27T12:08:53","date_gmt":"2019-03-27T14:08:53","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=26874"},"modified":"2019-03-27T12:08:53","modified_gmt":"2019-03-27T14:08:53","slug":"resenha-historica-da-iii-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/03\/27\/resenha-historica-da-iii-internacional\/","title":{"rendered":"Resenha hist\u00f3rica da III Internacional"},"content":{"rendered":"<p><em>Mathius Rakosi foi encarregado pelo Partido Bolchevique de fazer uma resenha hist\u00f3rica dos Congressos da Internacional Comunista para ser publicada no Anu\u00e1rio do Trabalhador de 1923. A mesma, que reproduzimos aqui, foi escrita na v\u00e9spera do IV Congresso. Foi reproduzida em 1934, na primeira edi\u00e7\u00e3o dos Quatro Primeiros Congressos da Internacional Comunista, publicada na Fran\u00e7a pela Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda Internacional e na primeira edi\u00e7\u00e3o em espanhol, feita em 1973, em Buenos Aires, pela Editorial Pluma.<\/em><\/p>\n<p><strong>A III INTERNACIONAL COMUNISTA<\/strong><\/p>\n<p><em>A Segunda Internacional devia atuar em momentos da guerra imperialista e estava intelectualmente preparada para faz\u00ea-lo. De antem\u00e3o, o car\u00e1ter da guerra havia sido analisado com grande precis\u00e3o. Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, os congressos internacionais tinham decidido realizar uma luta mais en\u00e9rgica e ao mesmo tempo exemplar contra a guerra: a greve geral internacional.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Mathius Rakosi<\/p>\n<p>Quando a guerra estourou, aconteceu o contr\u00e1rio. A II Internacional n\u00e3o conseguiu sequer fazer um protesto. Em vez de declarar a greve geral ou a luta contra a guerra imperialista, os l\u00edderes social-democratas correram para apoiar sua pr\u00f3pria burguesia, sob o pretexto da defesa nacional. Todos foram devorados pelo oportunismo e pelo chauvinismo, devido aos seus mil la\u00e7os com a burguesia.Naturalmente, a II Internacional n\u00e3o poderia se comportar de maneira diferente dos partidos que a compunham. As frases revolucion\u00e1rias s\u00f3 conseguiam esconder a realidade, desde que n\u00e3o se exigisse coer\u00eancia entre o que se dizia e o que se fazia.<\/p>\n<p>Por isso que o in\u00edcio da guerra mundial marca o colapso da Segunda Internacional.Por causa disso, o movimento oper\u00e1rio internacional esteve privado de sua dire\u00e7\u00e3o precisamente no momento de maior confus\u00e3o intelectual e moral. Os poucos homens que n\u00e3o perderam a cabe\u00e7a, mesmo em meio \u00e0 onda de oportunismo e chauvinismo, que em agosto de 1914, parecia ter se apoderado de todos os c\u00e9rebros, imediatamente tentaram fazer com que os oper\u00e1rios entendessem esse fato. Foram, sobretudo os bolcheviques russos os que, no curso de sua implac\u00e1vel luta contra o czarismo, em particular durante os anos de 1905-1906, j\u00e1 haviam aprendido a distinguir entre palavras e atos revolucion\u00e1rios e haviam constitu\u00eddo uma ala esquerda no seio da Segunda Internacional, cuja a\u00e7\u00e3o criticavam.<\/p>\n<p>Na primeira edi\u00e7\u00e3o de seu \u00f3rg\u00e3o central, publicado em 1\u00ba de novembro de 1914, o camarada L\u00eanin escreveu:<em>&#8220;A Segunda Internacional morreu, vencida pelo oportunismo. Abaixo o oportunismo e viva a III Internacional, liberta dos renegados e tamb\u00e9m dos oportunistas!<\/em><em>\u00a0<\/em><em>&#8220;A Segunda Internacional realizou um trabalho \u00fatil de organiza\u00e7\u00e3o das massas prolet\u00e1rias durante o longo &#8220;per\u00edodo de paz&#8221; da pior escravid\u00e3o capitalista durante o \u00faltimo ter\u00e7o do s\u00e9culo XIX e o in\u00edcio do s\u00e9culo XX. A tarefa da Terceira Internacional ser\u00e1 preparar o proletariado para a luta revolucion\u00e1ria contra os governos capitalistas, para a guerra civil contra a burguesia de todos os pa\u00edses, em vista da tomada dos poderes p\u00fablicos e da vit\u00f3ria do socialismo&#8221;.<\/em>Algumas semanas depois, o camarada Zinoviev escreveu sobre &#8220;a consigna da social-democracia revolucion\u00e1ria&#8221;:<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>&#8220;Precisamos levantar a bandeira da guerra civil. A Internacional adotar\u00e1 essa consigna e ser\u00e1 digna de seu nome, ou vegetar\u00e1 miseravelmente. Nosso dever \u00e9 nos preparar para batalhas futuras e habituar a n\u00f3s mesmos e a todo o movimento oper\u00e1rio a essa ideia. Ou morreremos ou ganharemos sob a bandeira da guerra civil&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>A difus\u00e3o deste tipo de ideias enfrentava imensas dificuldades. A burguesia de todos os pa\u00edses, auxiliada por seus social- patriotas para esse fim, usava todos os meios para impedir que essas ideias penetrassem nas massas.A primeira tentativa de reconstituir uma Internacional revolucion\u00e1ria ocorreu no in\u00edcio de setembro de 1915 em Zimmerwald, na Su\u00ed\u00e7a. Por iniciativa dos socialistas italianos, foram convidadas <em>&#8220;todas as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias que permaneceram fi\u00e9is ao princ\u00edpio da luta de classes e da solidariedade internacional&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Delegados da Alemanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, B\u00e1lc\u00e3s, Su\u00e9cia, Noruega, Pol\u00f4nia, R\u00fassia, Holanda e Su\u00ed\u00e7a estavam presentes. Todas as tend\u00eancias estavam representadas, desde os reformistas pacifistas at\u00e9 os marxistas revolucion\u00e1rios. A Confer\u00eancia adoptou um manifesto condenando a guerra imperialista e recomendando o exemplo de todos aqueles que foram perseguidos por terem tentado despertar o esp\u00edrito revolucion\u00e1rio na classe oper\u00e1ria. Embora confuso, esse manifesto marcou um grande passo a frente. O grupo chamado Esquerda de Zimmerwald emitiu uma resolu\u00e7\u00e3o muito mais n\u00edtida.<\/p>\n<p>Essa resolu\u00e7\u00e3o continha a seguinte passagem<em>: &#8220;Rejei\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos de guerra, distanciamento dos ministros socialistas dos governos burgueses, necessidade de desmascarar o car\u00e1ter imperialista da guerra na tribuna parlamentar, nas colunas da imprensa legal e, se necess\u00e1rio, ilegal, organiza\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es contra os governos, propaganda nas trincheiras em favor da solidariedade internacional, prote\u00e7\u00e3o das greves econ\u00f4micas tentando transform\u00e1-las em greves pol\u00edticas, guerra civil e n\u00e3o paz social\u201d.<\/em>A rejei\u00e7\u00e3o desta resolu\u00e7\u00e3o por parte da Confer\u00eancia evidencia suficientemente o estado de esp\u00edrito de seus participantes. A Confer\u00eancia nomeou uma &#8220;Comiss\u00e3o Socialista Internacional&#8221;. Apesar da declara\u00e7\u00e3o formal da maioria da Confer\u00eancia, no sentido de se recusar a criar uma Terceira Internacional, a Comiss\u00e3o se converteu, por sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Oficina Socialista Internacional (\u00f3rg\u00e3o executivo da Segunda Internacional), no ponto de reuni\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o e da organiza\u00e7\u00e3o da nova Internacional.A Confer\u00eancia de Zimmerwald foi seguida pela Confer\u00eancia de Kienthal em abril de 1916.<\/p>\n<p>O que caracterizou esta segunda confer\u00eancia foi o fato de que a ideia da luta revolucion\u00e1ria internacional contra a guerra e, consequentemente, a necessidade de uma nova Internacional, ocuparam, cada vez mais, um primeiro plano. A influ\u00eancia da &#8220;esquerda zimmerwaldiana&#8221; aumentou. Trabalhou-se com esmero. Folhetos e panfletos foram impressos e enviados para diferentes pa\u00edses em meio \u00e0s maiores dificuldades. Foram realizadas pequenas entrevistas e confer\u00eancias que continuaram a espalhar a id\u00e9ia da luta de classes revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Quando a revolu\u00e7\u00e3o eclodiu na R\u00fassia, os elementos mais ativos da &#8220;esquerda zimmerwaldiana&#8221; retornaram ao pa\u00eds. \u00c9 assim que o centro da luta pela Terceira Internacional se mudou para a R\u00fassia. Zinoviev estava certo quando escrevia:<em>&#8220;Desde seu nascimento, a III Internacional uniu seu destino ao da Revolu\u00e7\u00e3o russa. Na medida em que triunfou, a consigna &#8220;Pela III Internacional&#8221; se imp\u00f4s. E na medida em que a Revolu\u00e7\u00e3o Russa foi se fortalecendo, o mesmo aconteceu com a situa\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista em todo o mundo&#8221;.<\/em>Durante as manifesta\u00e7\u00f5es de 1\u00ba de maio de 1917, uma das principais consignas das massas prolet\u00e1rias foi a organiza\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista.<\/p>\n<p>Esse desejo tornou-se mais imperativo quando o proletariado russo conquistou o poder e quando, na luta contra o imperialismo mundial, a Segunda Internacional &#8211; como no caso da guerra mundial \u2013 se colocou ao lado da burguesia. Alguns meses ap\u00f3s a queda dos poderes centrais, o Partido Comunista da R\u00fassia tomou a iniciativa de fundar a Terceira Internacional. As revolu\u00e7\u00f5es que se seguiram \u00e0 guerra demonstraram a fal\u00eancia da teoria da &#8220;defesa nacional&#8221; e seus defensores, os social-democratas.<\/p>\n<p>Uma poderosa onda revolucion\u00e1ria sacudiu a classe trabalhadora de todos os pa\u00edses. Na Europa Central aconteceram insurrei\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias em todos os lugares. O terreno n\u00e3o s\u00f3 estava maduro o bastante para a constitui\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista, como tinha se tornado uma necessidade para a prepara\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o das lutas revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>O PRIMEIRO CONGRESSO. MAR\u00c7O DE 1919<\/strong><\/p>\n<p>Em 24 de janeiro de 1919, a Central do Partido Comunista da R\u00fassia, assim como os departamentos de rela\u00e7\u00f5es exteriores dos partidos comunistas polon\u00eas, h\u00fangaro, alem\u00e3o, austr\u00edaco, let\u00e3o e os comit\u00eas centrais do partido comunista finland\u00eas, da federa\u00e7\u00e3o socialista dos balc\u00e3s e do partido socialista oper\u00e1rio norteamericano, lan\u00e7aram o seguinte chamado:<em>&#8220;Os partidos e organiza\u00e7\u00f5es abaixo assinados consideram a reuni\u00e3o do primeiro congresso da nova Internacional revolucion\u00e1ria como uma necessidade imperiosa. Durante a guerra e a revolu\u00e7\u00e3o, ficou evidente n\u00e3o s\u00f3 a fal\u00eancia total dos antigos partidos socialistas e social-democratas e com eles da Segunda Internacional, mas tamb\u00e9m a incapacidade dos elementos centristas da velha social democracia para a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. <\/em><\/p>\n<p><em>Ao mesmo tempo, os contornos de uma verdadeira Internacional revolucion\u00e1ria s\u00e3o visivelmente delineados\u201d.<\/em>O chamado descreve em doze pontos o objetivo, a t\u00e1tica e o comportamento dos partidos &#8220;socialistas&#8221;. Considerando que a \u00e9poca atual significa a decomposi\u00e7\u00e3o e o colapso do sistema capitalista, que por sua vez significa o colapso da cultura europeia, se n\u00e3o se acaba com o capitalismo, a tarefa do proletariado consiste na conquista imediata dos poderes p\u00fablicos. Essa conquista do poder p\u00fablico implica a aniquila\u00e7\u00e3o do aparato estatal burgu\u00eas e a organiza\u00e7\u00e3o do aparato do Estado prolet\u00e1rio.<\/p>\n<p>O novo aparato deve incorporar a ditadura da classe oper\u00e1ria e servir de instrumento para a opress\u00e3o sistem\u00e1tica e a expropria\u00e7\u00e3o da classe exploradora. O tipo de Estado prolet\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 a democracia burguesa, essa m\u00e1scara por tr\u00e1s da qual a domina\u00e7\u00e3o da oligarquia financeira est\u00e1 escondida, mas a democracia prolet\u00e1ria na forma dos sovietes (Conselhos). Para garantir a expropria\u00e7\u00e3o da terra e dos meios de produ\u00e7\u00e3o que devem passar para as m\u00e3os de todo o povo, ser\u00e1 necess\u00e1rio desarmar a burguesia e armar a classe trabalhadora. O principal m\u00e9todo de luta \u00e9 a a\u00e7\u00e3o das massas revolucion\u00e1rias at\u00e9 chegar \u00e0 insurrei\u00e7\u00e3o armada contra o Estado burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 atitude dos socialistas, tr\u00eas grupos devem ser considerados. Contra os social-patriotas que lutam ao lado da burguesia, teremos que lutar sem piedade. Os elementos revolucion\u00e1rios de centro devem ser divididos e seus l\u00edderes criticados incessantemente e desmascarados. Num certo per\u00edodo de desenvolvimento, se imp\u00f5e uma separa\u00e7\u00e3o org\u00e2nica com os centristas. Um terceiro grupo composto de elementos revolucion\u00e1rios do movimento oper\u00e1rio deve ser constitu\u00eddo. Em seguida, seguiu-se uma enumera\u00e7\u00e3o de trinta e nove partidos e organiza\u00e7\u00f5es convidadas para o primeiro congresso.<\/p>\n<p>A tarefa do congresso consiste na <em>&#8220;cria\u00e7\u00e3o de um organismo de combate encarregado de coordenar e dirigir o movimento da Internacional Comunista e de realizar a subordina\u00e7\u00e3o dos interesses do movimento dos diferentes pa\u00edses aos interesses gerais da Revolu\u00e7\u00e3o internacional&#8221;<\/em>. O primeiro congresso aconteceu em mar\u00e7o de 1919. Nessa \u00e9poca a R\u00fassia dos sovietes estava totalmente bloqueada, cercada por todos os lados pelas fronteiras militares, de modo que apenas um pequeno n\u00famero de delegados chegou ao congresso, em meio \u00e0s maiores dificuldades. No que diz respeito \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o desse congresso, o camarada Zinoviev (em seu informe para o segundo congresso) escreve o seguinte:<em>&#8220;O movimento comunista, nos diversos pa\u00edses da Europa e Am\u00e9rica, estava apenas come\u00e7ando. <\/em><\/p>\n<p><em>A tarefa do primeiro Congresso foi levantar a bandeira comunista e proclamar a ideia\u00a0da Internacional Comunista. Mas nem a situa\u00e7\u00e3o geral dos partidos comunistas nos diferentes pa\u00edses, nem o n\u00famero de delegados ao primeiro Congresso permitiram discutir em profundidade os problemas pr\u00e1ticos da organiza\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista\u201d. <\/em>O congresso ouviu os informes dos delegados sobre a situa\u00e7\u00e3o do movimento em seu pa\u00eds, aprovou resolu\u00e7\u00f5es sobre as diretrizes da Internacional Comunista, sobre a democracia burguesa e a ditadura do proletariado, sobre a posi\u00e7\u00e3o diante das correntes socialistas, sobre a situa\u00e7\u00e3o internacional. Todos estavam escritas no mesmo tom da convocat\u00f3ria para a cria\u00e7\u00e3o. A cria\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista foi decidida por unanimidade, exceto cinco absten\u00e7\u00f5es. A tarefa da constitui\u00e7\u00e3o definitiva ficou a cargo do Segundo Congresso, cuja dire\u00e7\u00e3o foi confiada a um Comit\u00ea Executivo, no qual os partidos russo, alem\u00e3o, h\u00fangaro, a Federa\u00e7\u00e3o balc\u00e2nica, su\u00ed\u00e7o e escandinavo deveriam estar representados.<\/p>\n<p>No final do congresso, um manifesto foi escrito dirigido ao proletariado de todo o mundo.Durante o primeiro ano, o Comit\u00ea Executivo da Internacional Comunista teve que fazer um trabalho muito dif\u00edcil. Quase totalmente isolado da Europa Ocidental, teve que permanecer meses sem jornais, privado da presen\u00e7a da maioria de seus membros que n\u00e3o podiam ir por causa do bloqueio. No entanto, n\u00e3o deixou de adotar uma posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a todos os problemas importantes, precisamente no primeiro ano ap\u00f3s a guerra, em que faltava tanta elucida\u00e7\u00e3o. Os apelos e escritos do Comit\u00ea Executivo tinham um valor muito grande.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista deu um objetivo e uma dire\u00e7\u00e3o \u00e0s massas trabalhadoras que se opuseram \u00e0 pol\u00edtica da Segunda Internacional. Houve um afluxo real de oper\u00e1rios revolucion\u00e1rios para a Internacional Comunista. Em mar\u00e7o de 1919, o partido socialista italiano enviou sua ades\u00e3o; em maio, o partido oper\u00e1rio noruegu\u00eas e o partido socialista b\u00falgaro o fizeram; em junho o partido socialista de esquerda sueco, o partido socialista comunista h\u00fangaro, etc. Simultaneamente, a Segunda Internacional rapidamente perdia seus efetivos, porque os partidos mais importantes estavam abandonando-a. Embora no momento de sua funda\u00e7\u00e3o a Internacional Comunista fosse uma bandeira mais que um ex\u00e9rcito, no curso de seu primeiro ano de exist\u00eancia reuniu n\u00e3o apenas um ex\u00e9rcito em torno de sua bandeira, mas infligiu s\u00e9rias derrotas a seu advers\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>O SEGUNDO CONGRESSO. JULHO DE 1920<\/strong><\/p>\n<p>Com o progresso da Internacional Comunista, surgiram novos problemas. Os partidos que acabavam de se juntar a ela n\u00e3o estavam suficientemente formados. Ainda n\u00e3o havia nitidez suficiente sobre o partido, o papel dos comunistas nos sindicatos e sua atitude em rela\u00e7\u00e3o ao problema do parlamentarismo e outros problemas. A tarefa do II Congresso consistia em estabelecer as diretrizes.<\/p>\n<p>Chegaram delegados de todos os pa\u00edses. O congresso foi inaugurado em Petrogrado em 17 de julho de 1920, em meio \u00e0s aclama\u00e7\u00f5es dos oper\u00e1rios russos e da aten\u00e7\u00e3o de todo o mundo prolet\u00e1rio. Resolu\u00e7\u00f5es da Internacional Comunista foram adotadas, resolu\u00e7\u00f5es em que a no\u00e7\u00e3o da ditadura do proletariado e do poder dos soviets foi explicada com base na experi\u00eancia pr\u00e1tica, bem como as condi\u00e7\u00f5es de execu\u00e7\u00e3o dessa consigna nos diferentes pa\u00edses. Os meios de fortalecer o movimento comunista foram considerados. Resolu\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foram adotadas sobre o papel do partido na revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria. O partido comunista deve constituir a vanguarda, o setor mais consciente e revolucion\u00e1rio da classe oper\u00e1ria. Deve ser formado com base no princ\u00edpio da centraliza\u00e7\u00e3o e constituir, em todas as organiza\u00e7\u00f5es, n\u00facleos sujeitos \u00e0 disciplina partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>No que diz respeito aos sindicatos, <em>&#8220;os comunistas devem entrar neles para transform\u00e1-los em forma\u00e7\u00f5es de combate contra o capitalismo e escolas comunistas&#8221;.<\/em> A sa\u00edda dos comunistas dos sindicatos resultaria que as massas remanescentes ficariam nas m\u00e3os dos l\u00edderes oportunistas que colaboram com a burguesia. Outras resolu\u00e7\u00f5es foram aprovadas sobre o problema dos conselhos de oper\u00e1rios e conselhos de f\u00e1brica, sobre o parlamentarismo, sobre a quest\u00e3o agr\u00e1ria e colonial. Finalmente, os estatutos da Internacional Comunista foram aprovados.Grandes debates foram realizados sobre o problema do papel do partido, sobre a atividade dos comunistas nos sindicatos e a participa\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es. Os oportunistas atacaram violentamente as 21 condi\u00e7\u00f5es de ades\u00e3o \u00e0 Internacional Comunista.<\/p>\n<p>O combate heroico do proletariado russo, a fal\u00eancia da burguesia e de sua aliada, a Segunda Internacional, as consignas e as convocat\u00f3rias revolucion\u00e1rias da Internacional Comunista arrastaram uma massa de dirigentes for\u00e7ados a ceder \u00e0 press\u00e3o das massas oper\u00e1rias. Eles permaneciam fi\u00e9is de corpo e alma \u00e0 Segunda Internacional e s\u00f3 entraram na Internacional Comunista para n\u00e3o perder sua influ\u00eancia sobre as massas. Mesmo se a Internacional Comunista fosse uma organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 poderosa e experiente nesse momento, a entrada desses elementos oportunistas teria arriscado que penetrasse, dentro da Internacional Comunista, o esp\u00edrito da Segunda Internacional.<\/p>\n<p>Mas a Internacional Comunista, sendo composta de partidos ainda em processo de forma\u00e7\u00e3o, tinha a necessidade urgente de se afastar desses elementos. Isto explica as 21 condi\u00e7\u00f5es de ades\u00e3o.Essas condi\u00e7\u00f5es exigem de cada partido que deseje aderir \u00e0 Internacional Comunista que toda sua propaganda e agita\u00e7\u00e3o tenham um car\u00e1ter comunista. A imprensa deve ser totalmente submetida ao comit\u00ea central do partido. Os reformistas devem ser removidos de todas as posi\u00e7\u00f5es de responsabilidade. O partido deve possuir um aparato ilegal e fazer uma propaganda sistem\u00e1tica no ex\u00e9rcito e no campo.Deve levar a cabo uma luta en\u00e9rgica contra os reformistas e os centristas. Nos sindicatos, deve lutar contra a Internacional sindical de Amsterd\u00e3.<\/p>\n<p>O partido deve ser severamente centralizado e adotar o nome de partido comunista (se\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista). Todas os partidos que perten\u00e7am \u00e0 Internacional Comunista ou que queiram entrar devem, dentro de um per\u00edodo de quatro meses ap\u00f3s o Segundo Congresso, examinar essas condi\u00e7\u00f5es em um congresso extraordin\u00e1rio e excluir do partido todos os membros que as rejeitarem.O congresso terminou em 7 de agosto. Em setembro, o Partido Social Democrata da Checoslov\u00e1quia dividiu-se: uma esmagadora maioria adotou as 21 condi\u00e7\u00f5es e tornou-se, pouco depois, um partido comunista. No m\u00eas de outubro, no congresso de La Haya, a maioria do Partido Social-Democrata Independente da Alemanha votou pela ades\u00e3o \u00e0 Internacional Comunista. Em dezembro, aconteceu a fus\u00e3o da esquerda do partido independente e K.P.D. (Grupo espartaquista) e um grande partido comunista unificado da Alemanha surgiu dessa fus\u00e3o. No final de dezembro, a grande maioria do Partido Socialista Franc\u00eas aderiu \u00e0 Internacional Comunista.<\/p>\n<p>No m\u00eas de janeiro de 1921, houve uma divis\u00e3o no partido socialista italiano, que aderiu \u00e0 Internacional Comunista, mas cuja maioria reformista rejeitou as 21 condi\u00e7\u00f5es. Em todos os pa\u00edses do mundo onde existiam organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, o mesmo processo aconteceu: os comunistas se separaram dos reformistas e se constitu\u00edram como uma se\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista.Paralelamente ao progresso e fortalecimento da Internacional Comunista, ocorria a decomposi\u00e7\u00e3o da Segunda Internacional. Toda uma s\u00e9rie de partidos que surgiu da Segunda Internacional, mas se recusaram a entrar na Internacional Comunista, constitu\u00edram uma &#8220;Uni\u00e3o Internacional dos Partidos Socialistas&#8221;, comumente chamada de Internacional 2 e 1\/2, porque, em todos os problemas, oscilava entre a II e a III Internacional.<\/p>\n<p><strong>O TERCEIRO CONGRESSO. JUNHO DE 1921<\/strong><\/p>\n<p>O Terceiro Congresso da Internacional Comunista, que se reuniu em junho de 1921, teve que resolver novas tarefas. Estas foram determinadas em parte pelo fato de que a Internacional Comunista j\u00e1 inclu\u00eda mais de cinquenta se\u00e7\u00f5es, entre as quais havia grandes partidos de massa dos mais importantes pa\u00edses europeus, o que levou ao surgimento de problemas de t\u00e1tica e organiza\u00e7\u00e3o, mas, sobretudo devido ao fato de que o desenvolvimento da Revolu\u00e7\u00e3o e o colapso do capitalismo sofriam certo atraso que n\u00e3o se havia podido prever na \u00e9poca do Primeiro e Segundo Congressos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a derrubada dos governos da Europa central, a onda revolucion\u00e1ria era monstruosamente forte e se teve a impress\u00e3o de que as revolu\u00e7\u00f5es burguesas seriam imediatamente seguidas pelas revolu\u00e7\u00f5es prolet\u00e1rias. Na Hungria e na Baviera, o proletariado conseguiu tomar o poder por algum tempo. Mesmo ap\u00f3s a derrota das rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas da Hungria e da Baviera, a esperan\u00e7a de uma vit\u00f3ria r\u00e1pida da classe oper\u00e1ria n\u00e3o havia desaparecido. Lembre-se do tempo em que o Ex\u00e9rcito Vermelho estava ante Vars\u00f3via e todo o proletariado se preparava febrilmente para novas lutas.Mas a burguesia demonstrou uma maior capacidade de resist\u00eancia do que se acreditava. Sua for\u00e7a consistia, acima de tudo, em que os social- traidores que durante a guerra lutaram t\u00e3o heroicamente contra o proletariado se revelaram, mesmo depois da guerra, como os melhores defensores do capitalismo vacilante.<\/p>\n<p>Em todos os pa\u00edses onde a burguesia n\u00e3o podia mais ser a dona da situa\u00e7\u00e3o, passou o poder para os social-democratas. Foram &#8220;governos social-democratas&#8221;, com Noske e Elbert na Alemanha, Renner e Otto Bauer na \u00c1ustria, com Tusar na Tchecoslov\u00e1quia, com Bohm e Garami na Hungria, que manejavam os assuntos da burguesia durante o per\u00edodo revolucion\u00e1rio e afogaram em sangue as tentativas de liberta\u00e7\u00e3o do proletariado.A aparente prosperidade que se seguiu imediatamente \u00e0 guerra, ao permitir que os capitalistas ocupassem os soldados desmobilizados, tamb\u00e9m constitu\u00eda um obst\u00e1culo para a Revolu\u00e7\u00e3o. A burguesia conseguiu acalmar os trabalhadores sem trabalho, fornecendo subs\u00eddios. A isto se acrescentou um importante fen\u00f4meno psicol\u00f3gico: o cansa\u00e7o das grandes massas da classe oper\u00e1ria que acabavam de sair dos sofrimentos e priva\u00e7\u00f5es sofridas durante os quatro anos de guerra imperialista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os partidos comunistas a quem correspondia a tarefa de dirigir e coordenar a luta do proletariado ainda estavam em processo de forma\u00e7\u00e3o e frequentemente adotavam falsos m\u00e9todos de combate.Todas essas circunst\u00e2ncias permitiram \u00e0 burguesia reagrupar lentamente suas for\u00e7as, conquistar sua seguran\u00e7a e retomar uma parte das posi\u00e7\u00f5es perdidas. Quando a burguesia j\u00e1 n\u00e3o precisou mais deles, separou os socialistas do governo em todos os pa\u00edses em que participavam, e os capitalistas reassumiram a administra\u00e7\u00e3o de seus neg\u00f3cios. Criaram organiza\u00e7\u00f5es militares ilegais, armaram o setor consciente da burguesia e atacaram a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica tamb\u00e9m passou por profundas transforma\u00e7\u00f5es. Na primavera de 1920, uma crise surgiu no Jap\u00e3o e na Am\u00e9rica do Norte, que gradualmente se espalhou para todas as na\u00e7\u00f5es industriais. O consumo diminuiu rapidamente, a produ\u00e7\u00e3o diminuiu, milh\u00f5es de trabalhadores foram demitidos. Os mercados declinaram rapidamente e se reduziu a produ\u00e7\u00e3o. As lutas defensivas dos trabalhadores assumiram grandes dimens\u00f5es, mas acabaram em derrotas, o que fortaleceu a situa\u00e7\u00e3o da burguesia.Essa era a situa\u00e7\u00e3o quando come\u00e7ou o III Congresso da Internacional Comunista. O Congresso examinou primeiro a situa\u00e7\u00e3o da economia mundial e depois abordou o problema das t\u00e1ticas necess\u00e1rias para a nova situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A burguesia se fortalecia, assim como seus servidores, os social-democratas. A era das vit\u00f3rias f\u00e1ceis conquistadas pela Internacional Comunista no decorrer dos anos imediatamente posteriores \u00e0 guerra acabou. Enquanto novas batalhas revolucion\u00e1rias eram esperadas, havia que reconstruir e fortalecer nossas organiza\u00e7\u00f5es e conquistar as posi\u00e7\u00f5es dos reformistas atrav\u00e9s de um trabalho tenaz dentro das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias. A ocupa\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas na It\u00e1lia, a greve de dezembro na Checoslov\u00e1quia, a insurrei\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o na Alemanha, mostraram que os partidos comunistas, mesmo quando lutavam manifestamente pelos interesses de todo o proletariado, n\u00e3o podiam derrotar as for\u00e7as unidas da burguesia e da social-democracia, quando n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o contavam com as simpatias das grandes massas, mas tamb\u00e9m n\u00e3o contavam com essas massas dentro de suas organiza\u00e7\u00f5es, arrancando-as das outras organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por isso o Congresso lan\u00e7ou a seguinte consigna: <em>&#8220;Ir \u00e0s massas!&#8221;<\/em>Na Europa Ocidental, os partidos comunistas devem fazer todo o poss\u00edvel para obrigar os sindicatos e os partidos que se apoiam na classe trabalhadora a uma a\u00e7\u00e3o conjunta a favor dos interesses imediatos da classe, preparando-a para a possibilidade de trai\u00e7\u00e3o por parte dos partidos n\u00e3o comunistas.Imediatamente houve certa oposi\u00e7\u00e3o &#8220;esquerdista&#8221; a essa t\u00e1tica. O KAPD (Partido Comunista dos Trabalhadores da Alemanha) acreditava que estava enfrentando um abandono da luta revolucion\u00e1ria e acusou a Internacional Comunista de tentar, no campo pol\u00edtico, a mesma retra\u00e7\u00e3o que o poder dos sovietes se viu for\u00e7ado a fazer no campo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Alguns bons camaradas n\u00e3o entenderam a princ\u00edpio a necessidade dessa t\u00e1tica.Paralelamente aos problemas t\u00e1ticos, os problemas de organiza\u00e7\u00e3o foram os mais debatidos. Em vista da conquista dos sindicatos, o Bir\u00f4 sindical, organizado pelo Segundo Congresso, em colabora\u00e7\u00e3o com os sindicatos que se juntaram no intervalo dos dois congressos, constituiu a Internacional Sindical Vermelha. Tamb\u00e9m foi discutido o problema Internacional da Juventude e do movimento de mulheres, bem como o trabalho nas cooperativas e nas Uni\u00f5es desportivas de trabalhadores.<\/p>\n<p>O Congresso ouviu um relat\u00f3rio sobre a R\u00fassia dos sovietes e aprovou por unanimidade a t\u00e1tica empregada.Grandes debates foram realizados sobre o relat\u00f3rio referente \u00e0 atividade do Comit\u00ea Executivo. Alguns camaradas n\u00e3o aprovaram a pol\u00edtica do Comit\u00ea Executivo no problema italiano, no caso Levi [1] e na quest\u00e3o do KAPD. Mas o Congresso aprovou em todos esses pontos a atividade do Comit\u00ea Executivo. Os eventos apenas confirmaram o acerto dessas decis\u00f5es.<\/p>\n<p>O Congresso terminou no dia 12 de agosto com a discuss\u00e3o da quest\u00e3o do Oriente. Os meses que se seguiram foram relativamente calmos e deram aos diferentes partidos comunistas a possibilidade de executar as decis\u00f5es do Terceiro Congresso. As organiza\u00e7\u00f5es foram submetidas a um exame rigoroso e melhoraram a rela\u00e7\u00e3o entre as diferentes se\u00e7\u00f5es e o Comit\u00ea Executivo. Durante seus tr\u00eas anos de exist\u00eancia, a III Internacional tornou-se uma organiza\u00e7\u00e3o verdadeiramente global. A Segunda Internacional, por exemplo, n\u00e3o teve nenhum partido em pa\u00edses como Fran\u00e7a e It\u00e1lia. Por outro lado, n\u00e3o havia praticamente nenhum pa\u00eds onde a fra\u00e7\u00e3o mais consciente do proletariado, sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a ou cor, n\u00e3o se tornasse um setor da Internacional Comunista. Esta compreende cerca de sessenta se\u00e7\u00f5es, com um total de cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de membros, que t\u00eam setecentos \u00f3rg\u00e3os de imprensa.<\/p>\n<p>A conquista de novas massas e novas posi\u00e7\u00f5es continua com sucesso. O Congresso dos Trabalhadores do Extremo Oriente, que se reuniu em Moscou em janeiro de 1922, estabeleceu a vincula\u00e7\u00e3o entre a classe trabalhadora chinesa e japonesa com a Internacional Comunista.<\/p>\n<p><strong>A FRENTE \u00daNICA<\/strong><\/p>\n<p>O III Congresso se re\u00fane em um momento em que houve uma grande depress\u00e3o no seio da classe oper\u00e1ria. As derrotas sofridas desencorajavam o proletariado. Esta situa\u00e7\u00e3o piorou ainda mais ap\u00f3s o congresso. Na Inglaterra, na Am\u00e9rica, na It\u00e1lia e em pa\u00edses neutros, os oper\u00e1rios sofrem com o desemprego permanente. A classe perdeu as conquistas obtidas nos \u00faltimos anos. A jornada de trabalho foi prolongada, o padr\u00e3o de vida dos oper\u00e1rios caiu para um n\u00edvel mais baixo do que antes da guerra.<\/p>\n<p>Embora em pa\u00edses como Alemanha, \u00c1ustria, Pol\u00f4nia, o desemprego n\u00e3o seja t\u00e3o grande, a mis\u00e9ria da classe n\u00e3o \u00e9 menos severa, dada a constante diminui\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios reais causada pelo cont\u00ednuo decl\u00ednio no valor de compra do dinheiro, o que torna imposs\u00edvel aos trabalhadores satisfazer suas necessidades ainda mais elementares.Esta situa\u00e7\u00e3o era intoler\u00e1vel. Sob a press\u00e3o da crescente mis\u00e9ria, as massas come\u00e7aram a procurar um rem\u00e9dio para sua situa\u00e7\u00e3o. Entenderam que os m\u00e9todos antigos eram inadequados para obter alguma coisa. As greves fracassavam e, quando foram bem sucedidas, as vantagens obtidas logo eram anuladas pela desvaloriza\u00e7\u00e3o do dinheiro.<\/p>\n<p>As massas observaram que a classe oper\u00e1ria estava dividida em v\u00e1rios partidos que lutavam entre si, enquanto a classe capitalista se dedicava a uma ofensiva \u00fanica contra ela. Em meio a essa situa\u00e7\u00e3o, se imp\u00f4s a solu\u00e7\u00e3o de unificar as for\u00e7as dispersas do proletariado para opor-se ao ataque do capitalismo.Como esta unifica\u00e7\u00e3o das for\u00e7as do proletariado devia ser realizada? As massas oper\u00e1rias n\u00e3o tinham uma ideia muito eficaz sobre isso. De qualquer forma, o fato de que em toda parte havia um movimento nessa dire\u00e7\u00e3o era prova de sua profundidade e necessidade. Mostrava que as massas estavam inconscientemente se distanciando das pol\u00edticas reformistas da Segunda Internacional e da International sindical em Amsterd\u00e3, e que depois de tantos erros e derrotas, estavam finalmente determinadas a seguir o caminho da unifica\u00e7\u00e3o das for\u00e7as do proletariado.<\/p>\n<p>Isso significava, ao mesmo tempo, uma mudan\u00e7a na aprecia\u00e7\u00e3o do papel dos partidos comunistas e da Internacional Comunista. Durante os anos de 1918 e 1919, o proletariado foi derrotado porque sua vanguarda, o partido comunista, representava mais uma tend\u00eancia do que uma organiza\u00e7\u00e3o capaz de assumir a lideran\u00e7a da luta de classes. A experi\u00eancia da derrota obrigou os comunistas a criar, por meio de divis\u00f5es e a forma\u00e7\u00e3o de partidos independentes, as organiza\u00e7\u00f5es de combate necess\u00e1rias.Esse per\u00edodo de divis\u00f5es coincidiu com o momento em que a grande onda revolucion\u00e1ria estava em processo de retra\u00e7\u00e3o e a contraofensiva do capitalismo come\u00e7ou.<\/p>\n<p>Ainda que os social-democratas n\u00e3o tivessem sido capazes de usar habilmente essa circunst\u00e2ncia, o descontentamento contra os &#8220;divisionistas&#8221; dentro das massas, que n\u00e3o compreendiam a necessidade de tal t\u00e1tica, teria sido o mesmo. As massas tamb\u00e9m n\u00e3o haviam entendido bem a tentativa de revolta dos comunistas quando estes, diante de toda a classe trabalhadora, justamente por serem sua fra\u00e7\u00e3o mais l\u00facida, exigiram o uso de m\u00e9todos de combate mais en\u00e9rgicos. A greve de dezembro na Checoslov\u00e1quia e a a\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o na Alemanha deviam fracassar, mesmo que tivessem sido melhor conduzidas, porque as grandes massas n\u00e3o entendiam a necessidade de tal m\u00e9todo de combate. Mas a press\u00e3o da mis\u00e9ria logo fez com que se visse a necessidade do que antes consideravam como <em>putschs<\/em>. O trabalho que os comunistas, na \u00e9poca da depress\u00e3o, haviam feito sozinhos, ao pre\u00e7o de imensos sacrif\u00edcios, come\u00e7ava a dar frutos.Al\u00e9m disso, deve-se acrescentar o fato de que, na luta, os oper\u00e1rios n\u00e3o levam mais em conta as fronteiras partid\u00e1rias atrav\u00e9s das quais os social-democratas tentam distanci\u00e1-los dos comunistas.<\/p>\n<p>Os partid\u00e1rios de Amsterd\u00e3, os da Segunda Internacional e da Internacional 2 e 1\/2 tentam explorar a nova corrente provocando um movimento em favor da unidade, contra os comunistas. Mas j\u00e1 havia passado o tempo quando tais manobras eram poss\u00edveis porque os social-democratas tinham em suas m\u00e3os todas as organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores e toda a imprensa oper\u00e1ria. O Comit\u00ea Executivo da Internacional Comunista desmascarou esse plano e iniciou uma campanha <em>&#8220;pela unidade do proletariado mundial, contra a uni\u00e3o com os social- traidores&#8221;<\/em>. No que diz respeito ao problema de ajudar os necessitados e os trabalhadores iugoslavos e espanh\u00f3is, abordou a Internacional de Amsterd\u00e3, no in\u00edcio, sem qualquer sucesso.<\/p>\n<p>Mas quando os contornos da nova onda se tornaram mais entend\u00edveis e vis\u00edveis, o Comit\u00ea Executivo, ap\u00f3s longas discuss\u00f5es, adotou uma posi\u00e7\u00e3o sobre o problema.Nas &#8220;Resolu\u00e7\u00f5es sobre a frente \u00fanica dos oper\u00e1rios e sobre as rela\u00e7\u00f5es com os oper\u00e1rios pertencentes \u00e0 II Internacional, \u00e0 Internacional 2 e 1\/2, \u00e0 Internacional sindical de Amsterd\u00e3 e \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es anarcossindicalistas&#8221;, analisou a situa\u00e7\u00e3o e forneceu um objetivo preciso para os esfor\u00e7os elementares, a fim de alcan\u00e7ar a organiza\u00e7\u00e3o da frente \u00fanica.<em>&#8220;A frente \u00fanica n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a uni\u00e3o de todos os oper\u00e1rios determinados a lutar contra o capitalismo.&#8221;<\/em> Os comunistas devem apoiar essa consigna da maior unidade poss\u00edvel de todas as organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores em todas as a\u00e7\u00f5es contra o capitalismo.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes da Segunda Internacional, como os da Internacional 2 e 1\/2 e da Internacional sindical de Amsterd\u00e3, tra\u00edram as massas oper\u00e1rias em todos os problemas pr\u00e1ticos da luta contra o capitalismo. Desta vez eles tamb\u00e9m preferir\u00e3o unidade com a burguesia em vez de unidade com o proletariado. O dever da Internacional Comunista e suas diferentes se\u00e7\u00f5es \u00e9 persuadir as massas oper\u00e1rias sobre a hipocrisia dos social-traidores, que se revelam como destruidores da unidade da classe oper\u00e1ria. Com esse objetivo, a independ\u00eancia absoluta, a plena liberdade de cr\u00edtica s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es essenciais dos partidos comunistas.<\/p>\n<p>As resolu\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m insistem nos perigos que podem surgir durante a execu\u00e7\u00e3o dessa t\u00e1tica em lugares onde os partidos comunistas ainda n\u00e3o t\u00eam a necess\u00e1ria transpar\u00eancia ideol\u00f3gica e a indispens\u00e1vel homogeneidade.As resolu\u00e7\u00f5es foram adotadas em meados de dezembro. Para alcan\u00e7ar a decis\u00e3o final, uma sess\u00e3o ampliada do Comit\u00ea Executivo foi convocada em Moscou no in\u00edcio de fevereiro. Em uma convocat\u00f3ria de 1\u00ba de janeiro de 1922 sobre a frente \u00fanica prolet\u00e1ria, o Comit\u00ea Executivo demonstrou a necessidade de uma luta comum em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 confer\u00eancia de Washington e a ofensiva geral do capitalismo contra a classe oper\u00e1ria. As resolu\u00e7\u00f5es e a convoca\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Executivo foram rapidamente divulgados em todos os pa\u00edses, provocaram longas discuss\u00f5es dos comunistas e seus advers\u00e1rios e ajudaram a explicar o problema da frente \u00fanica.<\/p>\n<p>Os social traidores reagiram, entendendo que estavam diante de um problema que os for\u00e7aria a se desmascarar. Mas a sua indigna\u00e7\u00e3o perante esta &#8220;nova manobra comunista&#8221; n\u00e3o conseguiu anular nas massas a impress\u00e3o de que os comunistas, at\u00e9 ent\u00e3o chamados &#8220;divisores&#8221;, eram, na realidade, os verdadeiros partid\u00e1rios da unidade do proletariado. A sess\u00e3o do Comit\u00ea Executivo ampliado, logo se reuniu, devido \u00e0 greve dos ferrovi\u00e1rios alem\u00e3es, no final de fevereiro. Na verdade, foi um pequeno congresso composto por mais de cem delegados representando trinta e seis pa\u00edses. A ordem do dia foi bastante densa: inclu\u00eda as rela\u00e7\u00f5es dos partidos dos pa\u00edses mais importantes, as tarefas dos comunistas nos sindicatos, o problema da luta contra os perigos da guerra, o problema da nova pol\u00edtica econ\u00f4mica da R\u00fassia dos sovietes, e da luta contra a mis\u00e9ria da juventude oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Mas o principal problema era o da frente \u00fanica e o da participa\u00e7\u00e3o na confer\u00eancia conjunta proposta pela International 2 e 1\/2.Os camaradas franceses e italianos pronunciaram-se contra a unidade tal como era apresentada pelas resolu\u00e7\u00f5es do Comit\u00ea Executivo. Os camaradas franceses expressaram o receio de que as massas trabalhadoras francesas n\u00e3o compreendessem o significado de uma a\u00e7\u00e3o comum dos comunistas com os dissidentes. Declararam-se a favor da frente \u00fanica dos oper\u00e1rios revolucion\u00e1rios e declararam que a atividade dos comunistas na Fran\u00e7a tendia a realizar, em torno dos problemas da jornada de oito horas e do imposto sobre sal\u00e1rios, o bloco de oper\u00e1rios revolucion\u00e1rios. O partido franc\u00eas ainda era muito jovem e incapaz de manobrar, e n\u00e3o se sentia capaz de realizar uma a\u00e7\u00e3o conjunta com os socialistas dissidentes e os sindicatos reformistas de onde acabava de se separar.Os delegados italianos declararam-se a favor da unidade sindical, mas se opuseram \u00e0 unidade pol\u00edtica com os socialistas.<\/p>\n<p>Expressaram seu temor de que as massas n\u00e3o entendessem o significado de uma a\u00e7\u00e3o comum dos diferentes partidos oper\u00e1rios e que o verdadeiro campo onde a frente \u00fanica seria poss\u00edvel era o sindicato, onde os comunistas e os socialistas est\u00e3o unidos.Todos os outros delegados presentes na confer\u00eancia expressaram um temor diferente. Apesar das in\u00fameras trai\u00e7\u00f5es, os l\u00edderes reformistas conseguiram manter sua influ\u00eancia sobre a maioria das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias at\u00e9 agora. Nunca teremos sucesso em ganhar os oper\u00e1rios se continuarmos repetindo que eles s\u00e3o traidores. Agora, em um momento em que a vontade de lutar reina nas massas, \u00e9 uma quest\u00e3o de demonstrar a eles que os social-democratas n\u00e3o querem lutar n\u00e3o apenas pelo socialismo, mas tamb\u00e9m pelas demandas mais imediatas da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora n\u00e3o conseguimos desmascar\u00e1-los, em primeiro lugar, porque n\u00e3o cont\u00e1vamos com os meios necess\u00e1rios para faz\u00ea-lo e tamb\u00e9m porque a situa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica n\u00e3o existe, a atmosfera gra\u00e7as \u00e0 qual os trabalhadores entendem as trai\u00e7\u00f5es a que est\u00e3o sujeitos. Finalmente, tamb\u00e9m n\u00e3o temos oportunidade de desmascar\u00e1-las. Portanto, recusando-se a lutar com os reformistas, uma vez que nunca enfrentar\u00e3o seriamente a burguesia de que s\u00e3o seus servidores, teremos a aprova\u00e7\u00e3o dos camaradas que j\u00e1 conhecem esse problema, mas n\u00e3o convenceremos um s\u00f3 dos oper\u00e1rios que ainda continuam fi\u00e9is aos reformistas. Pelo contr\u00e1rio, recusando-se a realizar uma luta comum, num momento em que as massas trabalhadoras o desejam, os comunistas d\u00e3o aos social-traidores a possibilidade de apresent\u00e1-los como sabotadores da unidade do proletariado. Mas se participarmos da luta, as massas logo poder\u00e3o distinguir aqueles que realmente defendem a luta contra a burguesia e aqueles que n\u00e3o a querem.<\/p>\n<p>Nossos camaradas, que no in\u00edcio observar\u00e3o com desagrado como nos sentamos \u00e0 mesma mesa com os reformistas, compreender\u00e3o, no decorrer das negocia\u00e7\u00f5es, que a\u00ed tamb\u00e9m realizamos um trabalho revolucion\u00e1rio.Depois que o Comit\u00ea Executivo ampliado aprovou por unanimidade de votos &#8211; exceto os dos camaradas franceses, italianos e espanh\u00f3is &#8211; as diretrizes contidas nas resolu\u00e7\u00f5es, as tr\u00eas delega\u00e7\u00f5es advers\u00e1rias da frente \u00fanica prepararam uma declara\u00e7\u00e3o prometendo cumpri-la.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea Executivo ampliado decidiu aceitar o convite da Internacional de Viena para participar de uma confer\u00eancia internacional, propondo convidar n\u00e3o apenas a Internacional Comunista, mas tamb\u00e9m a Internacional Vermelha, a Internacional sindical de Amsterd\u00e3, \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es anarco-sindicalistas e as organiza\u00e7\u00f5es sindicais independentes, para colocar na ordem do dia da confer\u00eancia, junto \u00e0 luta contra a ofensiva do capitalismo e contra a rea\u00e7\u00e3o, o problema da luta contra as novas guerras imperialistas, o da restaura\u00e7\u00e3o da R\u00fassia dos sovietes, o das repara\u00e7\u00f5es do Tratado de Versalhes.Depois de ter tratado tamb\u00e9m outros problemas (o da imprensa comunista, o da oposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do Partido Comunista Russo, etc.), e tendo elegido o presidente do Comit\u00ea Executivo, a confer\u00eancia terminou em 4 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>A CONFER\u00caNCIA PRELIMINAR DAS TR\u00caS INTERNACIONAIS<\/strong><\/p>\n<p>Em 2 de abril, realizou-se a primeira sess\u00e3o das delega\u00e7\u00f5es das tr\u00eas Internacionais, compostas cada uma com dez membros. Os representantes da Segunda Internacional imediatamente tentaram sabotar a confer\u00eancia e destruir o germe da frente \u00fanica. Colocaram condi\u00e7\u00f5es para a Internacional Comunista, exigiram &#8220;garantias&#8221; contra as t\u00e1ticas dos &#8220;n\u00facleos&#8221; e discutiram o problema da Ge\u00f3rgia e dos social-revolucion\u00e1rios. Dessa atitude resultou uma situa\u00e7\u00e3o tal que se temia que a confer\u00eancia terminasse ali mesmo. Gra\u00e7as \u00e0 atitude firme dos delegados da Internacional Comunista, que exigiram a frente \u00fanica sem condi\u00e7\u00f5es, os delegados da Internacional de Viena adotaram sua posi\u00e7\u00e3o, for\u00e7ando os delegados da Segunda Internacional a recuar. Ap\u00f3s quatro dias de negocia\u00e7\u00f5es, decidiu-se convocar, o mais breve poss\u00edvel, uma confer\u00eancia geral.<\/p>\n<p>Uma comiss\u00e3o composta por tr\u00eas membros de cada Comit\u00ea Executivo foi nomeada, encarregada de sua prepara\u00e7\u00e3o.Enquanto esperava-se a reuni\u00e3o desta confer\u00eancia geral, se decidiu organizar manifesta\u00e7\u00f5es comuns de todos os partidos que aderiram \u00e0s tr\u00eas Internacionais no dia 20 de abril seguinte e nos locais onde n\u00e3o fosse tecnicamente poss\u00edvel, no dia 1\u00ba de maio, com as seguintes consignas: <em>Pela jornada de oito horas; pela luta contra o desemprego, causada pela pol\u00edtica de repara\u00e7\u00f5es das pot\u00eancias capitalistas; pela a\u00e7\u00e3o unida do proletariado contra a ofensiva capitalista; pela Revolu\u00e7\u00e3o Russa, pela R\u00fassia que tem fome, pela retomada das rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas com a R\u00fassia; pelo restabelecimento da frente \u00fanica prolet\u00e1ria nacional e internacional.<\/em><\/p>\n<p>A comiss\u00e3o organizadora foi encarregada de mediar entre os representantes da Internacional sindical de Amsterd\u00e3 e os da Internacional Vermelha. Os delegados da Internacional Comunista divulgaram uma declara\u00e7\u00e3o na qual afirmava que o processo aos social- revolucion\u00e1rios se faria publicamente e que senten\u00e7as de morte n\u00e3o seriam proferidas.A resolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m afirmou que a confer\u00eancia geral n\u00e3o poderia ser realizada em abril porque a Segunda Internacional a rejeitou sob diferentes pretextos. Esta \u00faltima tamb\u00e9m se recusou a inscrever o problema do Tratado de Versalhes e sua revis\u00e3o na agenda da confer\u00eancia.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es de 20 de abril e 1 do maio seguinte, nas quais grandes massas oper\u00e1rias participaram, demonstraram que o proletariado estava determinado a lutar em comum pelas consignas que haviam sido lan\u00e7adas. A Segunda Internacional e seus partidos tratam, hoje como ontem, de sabotar a frente \u00fanica por todos os meios. Recusam-se a organizar manifesta\u00e7\u00f5es comuns, atrasam a execu\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es tomadas e, assim, contribuem para serem desmascarados diante das massas.A tarefa da Internacional Comunista e de suas se\u00e7\u00f5es nacionais \u00e9 demonstrar por sua a\u00e7\u00e3o que a luta contra a ofensiva capitalista e contra o capitalismo em geral s\u00f3 pode ter sucesso sob a dire\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista.Como esperado, a Segunda Internacional e a Internacional de Viena boicotaram a Comiss\u00e3o dos Nove. Depois que conseguiram impedir a reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o durante a confer\u00eancia de G\u00eanova para que a burguesia n\u00e3o fosse perturbada em suas delibera\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia dos sovietes, realizou-se a primeira sess\u00e3o, que tamb\u00e9m foi a \u00faltima, 23 de maio em Berlim.<\/p>\n<p>Em 21 de maio, houve uma reuni\u00e3o do partido trabalhista brit\u00e2nico, do partido oper\u00e1rio belga e do partido socialista franc\u00eas, durante o qual foi decidido convocar uma confer\u00eancia geral de todos os partidos socialistas, com exce\u00e7\u00e3o dos comunistas. Era evidente que a Segunda Internacional e a 2 e 1\/2 tinham voltado ao seu projeto de uma frente \u00fanica contra os comunistas. Apesar disso, a Internacional Comunista fez todo o poss\u00edvel para permitir a reuni\u00e3o de um congresso internacional de todos os pa\u00edses socialistas. Para alcan\u00e7ar os objetivos da unidade, isto \u00e9, a luta contra a ofensiva do capital, contra os baixos sal\u00e1rios e contra o desemprego, declarou-se disposto a eliminar da agenda do Congresso o problema da ajuda \u00e0 R\u00fassia dos sovietes, j\u00e1 adotada na plataforma comum.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, exigiu uma resposta precisa ao problema de saber se a Segunda Internacional aceitava ou n\u00e3o o congresso oper\u00e1rio mundial. Confrontada dessa maneira, a Segunda Internacional revelou-se como advers\u00e1ria da frente \u00fanica, bem como sua benevolente auxiliar, a Internacional de Viena. A Comiss\u00e3o dos Nove se dissolveu.A Internacional Comunista convocou ent\u00e3o uma nova sess\u00e3o do Comit\u00ea Executivo ampliado, que se reuniu em 7 de junho, com a participa\u00e7\u00e3o de sessenta delegados representando 27 pa\u00edses. A confer\u00eancia discutiu o problema da t\u00e1tica a ser seguida, ap\u00f3s os ensinamentos da primeira etapa da luta em favor da frente \u00fanica, e a t\u00e1tica dos partidos cuja pol\u00edtica n\u00e3o correspondia com a pol\u00edtica geral da Internacional Comunista, e finalmente a posi\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista no que diz respeito ao processo dos social- revolucion\u00e1rios e a convocat\u00f3ria do congresso mundial.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 t\u00e1tica da frente \u00fanica, a confer\u00eancia observou que, apesar do fracasso da Comiss\u00e3o dos Nove, os postulados pol\u00edticos e econ\u00f4micos da t\u00e1tica da frente \u00fanica subsistiam como antes e que, como consequ\u00eancia, a t\u00e1tica das v\u00e1rias se\u00e7\u00f5es da Internacional Comunista deveria consistir em estabelecer a unidade da frente contra a ofensiva do capital. A confer\u00eancia discutiu em detalhes a situa\u00e7\u00e3o dos partidos franc\u00eas, italiano e noruegu\u00eas que n\u00e3o haviam executado a t\u00e1tica da frente \u00fanica ou o fizeram parcialmente e com hesita\u00e7\u00e3o e expressou o desejo de que essa t\u00e1tica fosse aplicada igualmente nesses pa\u00edses. No que diz respeito ao partido franc\u00eas, dado que a exist\u00eancia de uma importante direita oportunista dificultou sua atividade e seu desenvolvimento, o Comit\u00ea Executivo declarou que a melhor maneira de remediar a situa\u00e7\u00e3o era promover a uni\u00e3o do centro e da esquerda contra a direita.<\/p>\n<p>A confer\u00eancia tamb\u00e9m analisou a situa\u00e7\u00e3o do Partido Comunista da Checoslov\u00e1quia em que os sintomas de uma crise pr\u00f3xima eram evidentes. Concluiu-se que os motivos eram certa passividade da dire\u00e7\u00e3o do partido e instru\u00e7\u00f5es foram dadas para faz\u00ea-los desaparecer. No que diz respeito ao processo dos social- revolucion\u00e1rios, constatou-se que a Segunda Internacional e a Internacional de Viena tinham lan\u00e7ado uma campanha contra a Internacional Comunista e a R\u00fassia dos Sovietes e que se tratava de um assunto que interessava \u00e0 R\u00fassia dos sovietes, prel\u00fadio da Revolu\u00e7\u00e3o Mundial, e \u00e0 Internacional Comunista, j\u00e1 que esta \u00faltima devia participar ativamente no processo, enviando acusadores, defensores, testemunhas e especialistas.<\/p>\n<p><strong>O QUARTO CONGRESSO. <\/strong><strong>NOVEMBRO DE 1922<\/strong><\/p>\n<p>O Quarto Congresso Mundial foi realizado em 7 de novembro de 1922, o quinto anivers\u00e1rio da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria, com a seguinte agenda:1.Informe do Executivo; 2. T\u00e1tica da Internacional Comunista; 3. Programa da Internacional Comunista e das se\u00e7\u00f5es alem\u00e3, francesa, italiana, checoslovaca, b\u00falgara, norueguesa, norte-americana e japonesa; 4. Quest\u00e3o Agr\u00e1ria; 5. Quest\u00e3o sindical; 6. Educa\u00e7\u00e3o; 7. quest\u00e3o juvenil; 8. A quest\u00e3o do Oriente.O principal trabalho do IV Congresso se concentrar\u00e1 no ponto 3. Em vista da prepara\u00e7\u00e3o de um programa da Internacional Comunista, uma comiss\u00e3o foi imediatamente nomeada e tamb\u00e9m foi encarregada de colaborar na elabora\u00e7\u00e3o dos programas das diferentes se\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A confer\u00eancia demonstrou o desenvolvimento e fortalecimento do movimento comunista em todos os pa\u00edses. Um dos melhores sintomas foi o crescente nervosismo dos partid\u00e1rios de Amsterd\u00e3, que observavam com medo o progresso da influ\u00eancia dos comunistas nos sindicatos. Muitos sinais indicam que, no momento, eles est\u00e3o dispostos a remover os comunistas dos sindicatos de todos os pa\u00edses e que, para conseguir isso, n\u00e3o recuar\u00e3o mesmo diante da divis\u00e3o do movimento sindical. Portanto, a principal tarefa da Internacional Comunista nos sindicatos ser\u00e1 desmascarar essa manobra e se opor a que os partid\u00e1rios de Amsterd\u00e3 enfraque\u00e7am o proletariado, destruindo os sindicatos.<\/p>\n<p>Nota:<\/p>\n<p>[1] O Congresso considerou que a t\u00e1tica da Carta Aberta (primeiro antecessor da Frente \u00danica Oper\u00e1ria), conduzida por Levi e abandonada pelo partido alem\u00e3o, estava correta. Mas ele aprovou a expuls\u00e3o de Levi por ter atacado publicamente o partido.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Nea Vieira<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mathius Rakosi foi encarregado pelo Partido Bolchevique de fazer uma resenha hist\u00f3rica dos Congressos da Internacional Comunista para ser publicada no Anu\u00e1rio do Trabalhador de 1923. A mesma, que reproduzimos aqui, foi escrita na v\u00e9spera do IV Congresso. 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