{"id":26794,"date":"2019-03-21T11:38:44","date_gmt":"2019-03-21T13:38:44","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=26794"},"modified":"2019-03-21T11:38:44","modified_gmt":"2019-03-21T13:38:44","slug":"a-questao-das-mulheres-o-marxismo-e-a-luta-contra-as-opressoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/03\/21\/a-questao-das-mulheres-o-marxismo-e-a-luta-contra-as-opressoes\/","title":{"rendered":"A quest\u00e3o das mulheres: o marxismo e a luta contra as opress\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><em>O governo Jair Bolsonaro \u2013 populista de extrema direita \u2013, machista, racista e lgbtf\u00f3bico, refor\u00e7a a import\u00e2ncia das bandeiras democr\u00e1ticas de luta contra as opress\u00f5es como parte da luta pelo socialismo. Ele se assemelha, nesse quesito, a outros governos de direita no mundo, os quais reivindica, como o de Donald Trump, nos EUA.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/a-questao-das-mulheres-o-marxismo-e-a-luta-contra-as-opressoes\/#sdendnote1sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><sup>i<\/sup><\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Mari\u00facha Fontana<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, no Brasil e no mundo, h\u00e1 um grande ascenso das lutas das mulheres e de outros setores oprimidos como parte da luta mais geral dos trabalhadores. Nessa luta contra as opress\u00f5es, podem e devem golpear juntos no que houver acordo todos os que enfrentam as pol\u00edticas conservadoras e de extrema direita.<\/p>\n<p>No entanto, mesmo golpeando juntos, diferentes estrat\u00e9gias obrigam os oprimidos da classe trabalhadora a marcharem separados dos capitalistas, ou seja, com independ\u00eancia de classe. Isso porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acabar com as desigualdades de forma verdadeira sob o capitalismo, ou seja, at\u00e9 o final, perante \u00e0 vida e n\u00e3o s\u00f3 no papel. Na verdade, a rigor, sequer no papel o sistema capitalista garante de maneira definitiva e generalizada os direitos democr\u00e1ticos das mulheres, dos negros, das LGBTs, das nacionalidades oprimidas, dos ind\u00edgenas, dos refugiados etc.<\/p>\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do marxismo, de independ\u00eancia de classe, de se postular na vanguarda de tais lutas de maneira revolucion\u00e1ria, combinando-as com a luta pelo socialismo, presente em todos os textos de Marx, Lenin e Trotsky sobre essa quest\u00e3o, \u00e9 oposta \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o da social-democracia, do stalinismo e da esquerda p\u00f3s-moderna.<\/p>\n<p>Para Marx, n\u00e3o pode ser livre quem oprime outro<em>.<\/em><\/p>\n<p>Toda a elabora\u00e7\u00e3o a que Lenin \u2013 j\u00e1 sob o imperialismo \u2013 se refere como \u201cas quest\u00f5es da democracia\u201d, com particular \u00eanfase na quest\u00e3o das nacionalidades oprimidas, diz respeito ao conjunto das reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. Polemizando com Karl Radek em 1915, ele diz:<\/p>\n<p>O caso \u00e9 que Parabellum [Radek], em nome da revolu\u00e7\u00e3o socialista, recha\u00e7a com desprezo todo programa revolucion\u00e1rio consequente na esfera da democracia. [\u2026] \u00c9 absurdo opor a revolu\u00e7\u00e3o socialista e a luta revolucion\u00e1ria contra o capitalismo a um dos problemas da democracia, nesse caso ao problema nacional. Devemos combinar a luta revolucion\u00e1ria contra o capitalismo com um programa e uma t\u00e1tica revolucion\u00e1rias para o conjunto das reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas: rep\u00fablica, mil\u00edcia, elei\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios pelo povo, igualdade jur\u00eddica das mulheres, direito das na\u00e7\u00f5es \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o etc. Enquanto existir capitalismo todas essas reivindica\u00e7\u00f5es s\u00f3 podem ser realizadas de maneira excepcional, incompleta e desvirtuada.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/a-questao-das-mulheres-o-marxismo-e-a-luta-contra-as-opressoes\/#sdendnote2sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>ii<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Lenin se apoiava nas elabora\u00e7\u00f5es de Marx sobre a quest\u00e3o da Irlanda em 1689\/1870<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/a-questao-das-mulheres-o-marxismo-e-a-luta-contra-as-opressoes\/#sdendnote3sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>iii<\/sup><\/a>, quando este chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que a revolu\u00e7\u00e3o social na Inglaterra era imposs\u00edvel sem a liberta\u00e7\u00e3o nacional da Irlanda, que dividia irremediavelmente a classe oper\u00e1ria naquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Trotsky dizia que a contribui\u00e7\u00e3o de Lenin acerca da quest\u00e3o nacional \u00e9 uma das maiores contribui\u00e7\u00f5es marxistas depois de Marx.<\/p>\n<p>A elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de Lenin sobre as opress\u00f5es se constitui num crit\u00e9rio, numa orienta\u00e7\u00e3o geral. Na verdade, num conjunto de premissas e orienta\u00e7\u00f5es gerais a serem observadas. N\u00e3o se constitui num dogma ou numa formula\u00e7\u00e3o n\u00e3o dial\u00e9tica. S\u00e3o crit\u00e9rios que emanam do programa da revolu\u00e7\u00e3o socialista, que, por sua vez, baseia-se nas necessidades hist\u00f3ricas de classe do proletariado. N\u00e3o s\u00e3o meras constata\u00e7\u00f5es circunstanciais ou ocasionais, que podem se diluir num empirista \u201ccaso a caso\u201d. S\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es gerais que ligam e subordinam a an\u00e1lise dos casos particulares \u00e0 universalidade da an\u00e1lise te\u00f3rica da sociedade burguesa e ao programa mundial da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a famosa an\u00e1lise concreta da realidade concreta n\u00e3o \u00e9 taticismo, empirismo e superficialidade. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 an\u00e1lise das particularidades e especificidades, mas jamais isoladas da totalidade e da universalidade do programa revolucion\u00e1rio. Por isso, o materialismo hist\u00f3rico n\u00e3o \u00e9 uma metodologia do mero \u201ccaso a caso\u201d. Se fosse, seria empirismo. Gustavo Machado desenvolve mais profundamente essa rela\u00e7\u00e3o entre a an\u00e1lise dos casos particulares e das t\u00e1ticas com a teoria e o programa, no livro Marx e a Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Lenin, partindo de Marx, deixa uma s\u00e9rie de li\u00e7\u00f5es sobre como tratar, \u00e0 maneira revolucion\u00e1ria e n\u00e3o \u00e0 moda reformista, como ele gostava de enfatizar, essas quest\u00f5es democr\u00e1ticas. Elas foram aplicadas pelos bolcheviques na Revolu\u00e7\u00e3o Russa, adotadas pela III Internacional Comunista, defendidas posteriormente por Trotsky e por James P. Cannon, dirigente do SWP norte americano.<\/p>\n<p>Foram, igualmente, desvirtuadas e negadas pelo stalinismo que, como em tantas outras quest\u00f5es, manchou o nome do socialismo. Na verdade, um dos maiores embustes da hist\u00f3ria \u00e9 associar stalinismo a leninismo, igualando contrarrevolu\u00e7\u00e3o a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em boa medida, o desastre dos discursos p\u00f3s-modernos, que no presente negam a exist\u00eancia das classes sociais ou as dissolvem numa pluralidade de sujeitos policlassistas, os sujeitos de mudan\u00e7as (que n\u00e3o v\u00e3o al\u00e9m do sistema capitalista), n\u00e3o deixam de ser tamb\u00e9m uma rea\u00e7\u00e3o ao que foi a trag\u00e9dia da pol\u00edtica stalinista sobre a quest\u00e3o das opress\u00f5es (das nacionalidades, da emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres, dos negros, das LGBTs etc.).<\/p>\n<p>\u00c9 importante ver que Lenin deu um salto nestas elabora\u00e7\u00f5es a partir de 1914 e da bancarrota da II Internacional. Com a fal\u00eancia da social-democracia, Lenin voltou a estudar Hegel e a dial\u00e9tica. Estudos que foram sistematizados nos seus <em>Cadernos Filos\u00f3ficos<\/em>. Logo depois, escreveu o livro <em>Imperialismo, fase superior do capitalismo<\/em> (1916).<\/p>\n<p>Seus principais textos sobre as quest\u00f5es democr\u00e1ticas e a quest\u00e3o nacional s\u00e3o de 1915, 1916 e 1917. Ele combateu os oportunistas Oto Bauer e Karl Kautsky, mas tamb\u00e9m polemizou com Radek e Rosa Luxemburgo que, a partir da quest\u00e3o polonesa, defendiam uma vis\u00e3o sect\u00e1ria sobre as nacionalidades oprimidas. Trotsky, nesse momento, teve uma posi\u00e7\u00e3o centrista e ecl\u00e9tica no debate, que ele superou quando se tornou bolchevique. A partir de ent\u00e3o, e ainda mais depois da morte de Lenin, Trotsky defendeu e aplicou essas orienta\u00e7\u00f5es gerais na quest\u00e3o das nacionalidades oprimidas \u2013 o caso da Ucr\u00e2nia em 1939 \u2013, das mulheres na luta pela revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no interior da URSS stalinista e em rela\u00e7\u00e3o aos negros nos EUA.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 casual, que um dos \u00faltimos combates de Lenin, j\u00e1 muito doente, tenha sido contra o tratamento de Stalin dado \u00e0s nacionalidades oprimidas, naquele momento \u00e0 Ge\u00f3rgia. Isso ficou expresso em seu testamento, que ficou conhecido como <em>O Di\u00e1rio das Secret\u00e1rias.<\/em> Lenin \u00e9 o oposto do stalinismo na orienta\u00e7\u00e3o sobre as quest\u00f5es democr\u00e1ticas e, de todos os revolucion\u00e1rios marxistas, \u00e9 a maior refer\u00eancia sobre esse tem\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>As principais li\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es gerais marxistas sistematizadas por Lenin<br \/>\n<\/strong>Sistematizando esquematicamente, poder\u00edamos elencar as seguintes li\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es gerais:<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o se deve opor a luta pelo socialismo a nenhuma das quest\u00f5es da democracia, ou seja, a classe oper\u00e1ria deve propor-se a resolv\u00ea-las como parte da luta pelo socialismo, combinando-as com as tarefas socialistas. Trotsky diria, num momento, que as tarefas democr\u00e1ticas se entrela\u00e7am com as demais tarefas na luta pelo socialismo.<\/p>\n<p>\u2013 O capitalismo n\u00e3o \u00e9 capaz de resolver nenhuma destas quest\u00f5es democr\u00e1ticas, a n\u00e3o ser de forma excepcional, incompleta, parcial, desvirtuada e provis\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u2013 A luta contra as opress\u00f5es est\u00e1 condicionada e subordinada \u00e0 quest\u00e3o de classe. Assim, est\u00e1 subordinada aos interesses da revolu\u00e7\u00e3o socialista nacional e internacional. Muitas vezes, essa \u201csubordina\u00e7\u00e3o\u201d teve uma leitura economicista (especialmente pelo stalinismo), entendida como subordina\u00e7\u00e3o a reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas da classe, sem import\u00e2ncia, relegando, assim, as tarefas democr\u00e1ticas para um futuro indeterminado. N\u00e3o \u00e9 essa a vis\u00e3o de Lenin, que sempre combateu o economicismo.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 preciso combater as opress\u00f5es para unir a classe no interesse da revolu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode ser livre quem oprime outro, dizia Marx. Nesse sentido, Lenin tem a compreens\u00e3o de que a classe est\u00e1 dividida pelas opress\u00f5es e s\u00f3 a luta contra as mesmas, realizada com independ\u00eancia de classe, pode uni-la. \u00c9 o inverso da compreens\u00e3o do stalinismo, que v\u00ea na luta contra as opress\u00f5es a divis\u00e3o da classe, orientando os oprimidos a se submeterem \u00e0 opress\u00e3o para manter a classe unida, ou enxergando a luta contra a opress\u00e3o como algo reacion\u00e1rio, ou, quando a toma, o faz defendendo a concilia\u00e7\u00e3o de classes.<\/p>\n<p>\u2013 A defesa e a luta por quest\u00f5es democr\u00e1ticas e em defesa dos oprimidos devem ser tomadas com independ\u00eancia de classe, em separa\u00e7\u00e3o completa da burguesia. No m\u00e1ximo, \u00e9 poss\u00edvel e pode ser desej\u00e1vel golpear juntos, realizar unidade na a\u00e7\u00e3o. A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 marchar separados e golpear juntos (unidade de a\u00e7\u00e3o epis\u00f3dica), mas sempre tomar as demandas democr\u00e1ticas com total independ\u00eancia de classe. Tamb\u00e9m \u00e9 o oposto do stalinismo (e da social-democracia) quando estes prop\u00f5em sempre vincular o movimento oper\u00e1rio a algum campo burgu\u00eas de colabora\u00e7\u00e3o de classes: frentes anti-imperialistas, frentes femininas, frentes populares, frentes amplas.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 errada a vis\u00e3o de certos setores que, mesmo colocando-se no campo da revolu\u00e7\u00e3o socialista em palavras, afirmam que o proletariado deixou de ser o sujeito social da revolu\u00e7\u00e3o e teria sido substitu\u00eddo por novos sujeitos. Essa \u00e9 uma das controv\u00e9rsias mais importantes nos movimentos de luta contra as opress\u00f5es, sobre quem \u00e9 o sujeito social da emancipa\u00e7\u00e3o dos oprimidos. As mulheres, as LGBTs, os negros de conjunto formam um grupo policlassista. J\u00e1 a classe oper\u00e1ria \u00e9 formada por homens, mulheres, negros, n\u00e3o negros, LGBTs etc. Para as marxistas, a liberta\u00e7\u00e3o completa dos oprimidos n\u00e3o pode acontecer sem a revolu\u00e7\u00e3o socialista, e o sujeito social de tal revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 o proletariado (o que inclui homens, mulheres, negros, LGBTs, imigrantes da classe trabalhadora).<\/p>\n<p>\u2013 Todas essas quest\u00f5es possuem uma dimens\u00e3o pol\u00edtica (jur\u00eddica) e outra econ\u00f4mica, ou seja, est\u00e3o condicionadas pelas rela\u00e7\u00f5es sociais, estruturais e classistas do sistema capitalista. Por isso, est\u00e3o colocadas antes, durante e depois da tomada do poder. N\u00e3o existem etapas obrigat\u00f3rias. O fato de poderem ser realizadas de maneira completa apenas no socialismo n\u00e3o permite que os revolucion\u00e1rios as secundarizem. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel lutar de maneira consequente pela revolu\u00e7\u00e3o socialista sem articular uma s\u00e9rie de batalhas e sem defender tais quest\u00f5es, dizia Lenin. Ele considerava que qualquer quest\u00e3o democr\u00e1tica podia ser o estopim, o motor de um processo revolucion\u00e1rio e mesmo de uma revolu\u00e7\u00e3o. Por isso, combatia o economicismo. A classe oper\u00e1ria devia colocar-se \u00e0 frente, \u00e0 cabe\u00e7a, na vanguarda de tais lutas e n\u00e3o as deixar nas m\u00e3os da burguesia ou da pequena burguesia.<\/p>\n<p>\u2013 Essas lutas devem ser levadas a maneira revolucion\u00e1ria, n\u00e3o reformista, ou seja, articuladas com a luta em dire\u00e7\u00e3o ao poder oper\u00e1rio e popular e ao socialismo \u2013 \u00e0 ditadura do proletariado \u2013 e n\u00e3o nos limites do capitalismo e da democracia burguesa.<\/p>\n<p>\u2013 Nessa luta \u00e9 preciso, mesmo no interior da classe, diferenciar a pol\u00edtica e o discurso para o setor oprimido do discurso para o setor opressor. Assim como na quest\u00e3o da autodetermina\u00e7\u00e3o das nacionalidades, \u00e9 necess\u00e1rio diferenciar as tarefas concretas dos revolucion\u00e1rios da na\u00e7\u00e3o opressora e os das na\u00e7\u00f5es oprimidas. Como dizia Lenin,<\/p>\n<p>Em oposi\u00e7\u00e3o a esta utopia pequeno-burguesa, oportunista, o programa da social-democracia deve postular a divis\u00e3o das na\u00e7\u00f5es em opressoras e oprimidas como um fato essencial, fundamental e inevit\u00e1vel sob o imperialismo. O proletariado das na\u00e7\u00f5es opressoras n\u00e3o pode limitar-se a pronunciar frases gerais, estereotipadas, contra as anexa\u00e7\u00f5es e pela igualdade de direitos das na\u00e7\u00f5es em geral, frases que qualquer burgu\u00eas pacifista repete. O proletariado n\u00e3o pode silenciar o problema, particularmente \u201cdesagrad\u00e1vel\u201d para a burguesia imperialista, relativo \u00e0s fronteiras de um Estado baseado na opress\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>O proletariado n\u00e3o pode deixar de lutar contra a manuten\u00e7\u00e3o pela for\u00e7a das na\u00e7\u00f5es oprimidas dentro das fronteiras de um Estado determinado, e isso equivale justamente a lutar pelo direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o. Deve exigir a liberdade de separa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das col\u00f4nias e na\u00e7\u00f5es que a \u201csua\u201d na\u00e7\u00e3o oprime. Em caso contr\u00e1rio, o internacionalismo do proletariado ser\u00e1 vazio e de palavra; nem a confian\u00e7a, nem a solidariedade de classe entre os oper\u00e1rios da na\u00e7\u00e3o oprimida e opressora seriam poss\u00edveis[\u2026]; Por outra parte, os socialistas das na\u00e7\u00f5es oprimidas devem defender e p\u00f4r em pr\u00e1tica com um afinco especial a unidade completa e incondicional, incluindo nisso a unidade organizativa, dos oper\u00e1rios da na\u00e7\u00e3o oprimida com os da na\u00e7\u00e3o opressora. Sem isso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel defender a pol\u00edtica independente do proletariado e a sua solidariedade de classe com o proletariado de outros pa\u00edses, em vista de todos os enganos, trai\u00e7\u00f5es e fraudes da burguesia.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/a-questao-das-mulheres-o-marxismo-e-a-luta-contra-as-opressoes\/#sdendnote4sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>iv<\/sup><\/a><\/p>\n<p>\u2013 Todas essas quest\u00f5es precisam estar subordinadas aos interesses de classe do proletariado, n\u00e3o apenas no aspecto nacional, mas do fim do sistema capitalista-imperialista mundial, do internacionalismo prolet\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel levar adiante quaisquer dessas lutas pelo fim de toda opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o, de forma consequente, sem enfrentar a estrat\u00e9gia e os projetos burgueses liberais, reformistas, p\u00f3s-modernos, feministas, racialistas ou sect\u00e1rios, porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acabar com as opress\u00f5es sob o capitalismo.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/a-questao-das-mulheres-o-marxismo-e-a-luta-contra-as-opressoes\/#sdendnote1anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">i<\/a> Este texto foi publicado tamb\u00e9m como pref\u00e1cio ao livro \u201cCombater o Machismo para Unir a Classe\u201d, de Mari\u00facha Fontana, editora Sundermann, mar\u00e7o de 2019.<\/p>\n<p><sup>[1][1]<\/sup> <a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/a-questao-das-mulheres-o-marxismo-e-a-luta-contra-as-opressoes\/#sdendnote2anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ii<\/a> \u201cO proletariado revolucion\u00e1rio e o direito das na\u00e7\u00f5es \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o\u201d (1915). Em: <em>Obras Completas<\/em>, tomo XXVII.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/a-questao-das-mulheres-o-marxismo-e-a-luta-contra-as-opressoes\/#sdendnote3anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">iii<\/a> Cartas de Marx a Luis Kugelmann (29 de novembro de 1869 e mar\u00e7o de 1870); Carta de Marx a Engels [sobre o colonialismo] (10 de dezembro de 1869); Carta de Marx a Sigfrido Meyer e Augusto Vogt (abril de 1870).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/a-questao-das-mulheres-o-marxismo-e-a-luta-contra-as-opressoes\/#sdendnote4anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">iv<\/a> LENIN, V. I. \u201cA Revolu\u00e7\u00e3o Socialista e o Direito das Na\u00e7\u00f5es \u00e0 Autodetermina\u00e7\u00e3o\u201d (Teses), janeiro-fevereiro de 1916.<\/p>\n<p>Artigo publicado em: https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/a-questao-das-mulheres-o-marxismo-e-a-luta-contra-as-opressoes\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo Jair Bolsonaro \u2013 populista de extrema direita \u2013, machista, racista e lgbtf\u00f3bico, refor\u00e7a a import\u00e2ncia das bandeiras democr\u00e1ticas de luta contra as opress\u00f5es como parte da luta pelo socialismo. Ele se assemelha, nesse quesito, a outros governos de direita no mundo, os quais reivindica, como o de Donald Trump, nos EUA.i<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":72043,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[1825,729,238,3493,3923,10],"tags":[2184,48,2866,756,58,3494,3924,4921,7086,3573,1382],"class_list":["post-26794","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-8m-2019","category-8m-2021","category-lgbt","category-mulheres","category-opressao","category-teoria","tag-8m-2021","tag-lenin-2","tag-lgbt","tag-mariucha-fontana","tag-marx","tag-mulheres","tag-opressoes","tag-questao-nacional","tag-teoria-8m-2019","tag-teoria-e-revolucao","tag-trotsky"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Opressoes-1.png","categories_names":["8M 2019","8M 2021","LGBT","Mulheres","Opress\u00e3o","TEORIA"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26794"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26794\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72043"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}