{"id":26661,"date":"2019-03-14T15:18:27","date_gmt":"2019-03-14T17:18:27","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=26661"},"modified":"2019-03-14T15:18:27","modified_gmt":"2019-03-14T17:18:27","slug":"devemos-nos-inspirar-na-resistencia-da-mulher-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/03\/14\/devemos-nos-inspirar-na-resistencia-da-mulher-palestina\/","title":{"rendered":"Devemos nos inspirar na resist\u00eancia da mulher palestina"},"content":{"rendered":"<p><em>As pris\u00f5es e o sangue das mulheres palestinas explicitam ao mundo que elas n\u00e3o est\u00e3o alheias \u00e0s lutas anticoloniais<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Soraya Misleh<\/p>\n<p><em>\u201cNeste Dia Internacional da Mulher, h\u00e1 48 palestinas nos c\u00e1rceres israelenses, incluindo 24 m\u00e3es, sete prisioneiras feridas e 26 doentes, al\u00e9m de uma em deten\u00e7\u00e3o administrativa, sem acusa\u00e7\u00e3o ou julgamento.<\/em>\u201d O relat\u00f3rio \u00e9 da organiza\u00e7\u00e3o palestina Addameer, em portugu\u00eas, Associa\u00e7\u00e3o de Apoio aos Prisioneiros e aos Direitos Humanos. Um chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o pela liberta\u00e7\u00e3o das presas pol\u00edticas palestinas. S\u00e3o submetidas a torturas e maus tratos sistem\u00e1ticos pelo simples fato de travarem resist\u00eancia heroica, sob os meios poss\u00edveis \u2013 escritos, poesia, pedras contra tanques, protestos, recusa a deixar sua terra. Pelo simples fato de teimarem em existir e ser palestinas, ante limpeza \u00e9tnica e coloniza\u00e7\u00e3o israelenses que j\u00e1 duram mais de 70 anos. Desde 1967, segundo o mesmo relat\u00f3rio, passaram pelos c\u00e1rceres da ocupa\u00e7\u00e3o mais de 10 mil mulheres. Uma delas, que se tornou mundialmente conhecida, \u00e9 a jovem Ahed Tamimi, considerada s\u00edmbolo da resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das pris\u00f5es, s\u00e3o submetidas a toda sorte de amea\u00e7as e agress\u00f5es pelos colonos em assentamentos ilegais na Palestina ocupada. Nem mesmo o direito \u00e0 maternidade segura lhes \u00e9 garantido. Em 2005 o Alto Comissariado para Direitos Humanos das Na\u00e7\u00f5es Unidas denunciava que, entre setembro de 2000 e dezembro de 2004,\u00a061\u00a0gestantes foram impedidas de ter seus filhos em hospitais: sua passagem foi barrada em postos de controle israelenses na Cisjord\u00e2nia, Palestina ocupada em 1967. Tiveram seus filhos ali, o que resultou na morte de 36 dos beb\u00eas. Estat\u00edstica que se mant\u00e9m. Algumas foram ainda espancadas, mesmo gr\u00e1vidas.<\/p>\n<p>Em Gaza, n\u00e3o \u00e9 assegurado sequer o direito ao pr\u00e9-natal. Metade das mulheres n\u00e3o consegue faz\u00ea-lo, diante do cerco desumano imposto por Israel h\u00e1 cerca de 12 anos. Cerca de setenta por cento delas est\u00e3o desempregadas, num quadro de grave crise humanit\u00e1ria. Contra esse bloqueio desumano e pelo direito de retorno dos milh\u00f5es de refugiados palestinos \u00e0s suas terras \u2013 80% em Gaza comp\u00f5em o universo de deslocados internamente de seus vilarejos ou cidades de origem desde 1948 \u2013, protagonizam semanalmente, ao lado dos homens, a Grande Marcha do Retorno h\u00e1 quase um ano.<\/p>\n<div id=\"attachment_26662\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/razan-final-superJumbo-1024x576-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26662\" class=\"wp-image-26662 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/razan-final-superJumbo-1024x576-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/razan-final-superJumbo-1024x576-1.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/razan-final-superJumbo-1024x576-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/razan-final-superJumbo-1024x576-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/razan-final-superJumbo-1024x576-1-150x84.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/razan-final-superJumbo-1024x576-1-696x392.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-26662\" class=\"wp-caption-text\">Razan Ashraf Najjar, ativista e param\u00e9dica voluntaria do minist\u00e9rio da sa\u00fade da palestina na faixa de gaza. Assassinada em gaza por militares israelenses.<\/p><\/div>\n<p>Entre as v\u00edtimas de franco-atiradores israelenses, a palestina Amal al-Taramsi, de 44 anos de idade. Ela foi atingida na cabe\u00e7a em 11 de janeiro de 2019, a primeira v\u00edtima fatal do ano, nas m\u00e3os da ocupa\u00e7\u00e3o criminosa. Em meados de 2018, outras duas mulheres foram assassinadas em meio \u00e0 Grande Marcha do Retorno: Razan al-Najjar, uma param\u00e9dica de 21 anos que cuidava dos feridos nas manifesta\u00e7\u00f5es, e Wesal al-Sheikh Khalil, uma estudante de apenas 14 anos.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o dos franco-atiradores serve como den\u00fancia da limpeza \u00e9tnica perpetrada pelo Estado de Israel h\u00e1 mais de 70 anos, desde que foi institu\u00eddo mediante os cad\u00e1veres violentados e a expuls\u00e3o de milhares de outras mulheres. Em 1948, as paramil\u00edcias sionistas confirmaram a abomin\u00e1vel tradi\u00e7\u00e3o colonial de usar os corpos femininos a seus planos. Estupros foram intensamente utilizados nas documentadas 31 aldeias palestinas em que houve massacres e depois serviram como propaganda para a expuls\u00e3o nas demais. Ao final, 800 mil palestinos se tornaram refugiados e cerca de 500 vilarejos e cidades foram esvaziados e destru\u00eddos violentamente.<\/p>\n<p>Feminismo anticolonial<\/p>\n<p>As pris\u00f5es e o sangue das mulheres palestinas explicitam ao mundo que elas n\u00e3o est\u00e3o alheias \u00e0s lutas anticoloniais. N\u00e3o s\u00e3o submissas por natureza, uma massa absolutamente uniforme escondida atr\u00e1s de v\u00e9us que lhe s\u00e3o impostos, como geralmente a m\u00eddia hegem\u00f4nica as apresenta \u2013 e parte do movimento feminista no \u201cOcidente\u201d corrobora, ao fundar-se em estere\u00f3tipos.<\/p>\n<p>Sob o manto de que tais mulheres precisam ser salvas de sua sociedade e cultura natais, acaba por servir \u00e0 domina\u00e7\u00e3o colonial. Um feminismo\u00a0liberal que n\u00e3o enxerga a rela\u00e7\u00e3o entre explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o de g\u00eanero. Que enxerga necessariamente um s\u00edmbolo da opress\u00e3o no v\u00e9u isl\u00e2mico (que apenas mu\u00e7ulmanas usam \u2013 e nem todas). O problema n\u00e3o \u00e9 seu uso, mas sua imposi\u00e7\u00e3o. Um movimento de mulheres protagonizado na Fran\u00e7a nos \u00faltimos anos pelo direito de utilizar o v\u00e9u em espa\u00e7os p\u00fablicos, mediante lei proibit\u00f3ria, \u00e9 exemplar.<\/p>\n<p>A ideologia que permeia essas a\u00e7\u00f5es contrap\u00f5e um \u201cocidente\u201d de civilizados e pac\u00edficos a um \u201coriente\u201d de b\u00e1rbaros e violentos por natureza, como denuncia o intelectual palestino Edward Said (1935-2003) em sua obra \u201cOrientalismo \u2013 O Oriente como inven\u00e7\u00e3o do Ocidente\u201d.<\/p>\n<p><strong><em>&#8216;De acordo com essa representa\u00e7\u00e3o, como povos atrasados, n\u00e3o podem se autogovernar, devem ser temidos e, portanto, controlados. Ou seja, colonizados.&#8217;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Vis\u00e3o discriminat\u00f3ria que o atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, faz coro, com sua ret\u00f3rica xenof\u00f3bica e pr\u00f3-Israel. Nas redes sociais, em 6 de janeiro \u00faltimo, ele chegou ao c\u00famulo de postar um v\u00eddeo de apedrejamento de uma mulher mu\u00e7ulmana, sem qualquer contextualiza\u00e7\u00e3o ou informa\u00e7\u00e3o sobre em que local se dava a ocorr\u00eancia abomin\u00e1vel.<\/p>\n<p>A postagem era acompanhada do seguinte texto, reproduzido literalmente: \u201c<em>Debaixo da lei Sharia, mulher \u00e9 morta \u00e0 pedradas por v\u00e1rias covardes mu\u00e7ulmanos. \u00c9 com esta cultura que querem invadir o Ocidente e nos submeter \u00e0 este tipo de aberra\u00e7\u00e3o.\u00a0Um dos maiores absurdos que acontecem no Planeta. Contra essa viol\u00eancia as esquerdistas feministas n\u00e3o se levantam?<\/em>\u201d. A postagem exemplifica bem o orientalismo descrito por Said.<\/p>\n<p>Contra tal caricatura, na Palestina e no mundo \u00e1rabe como um todo, insurge-se o chamado \u201cfeminismo anticolonial\u201d, que trava a luta contra a opress\u00e3o machista e a coloniza\u00e7\u00e3o simultaneamente. Considera a emancipa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero insepar\u00e1vel da liberta\u00e7\u00e3o da Palestina. Critica e desconstr\u00f3i as representa\u00e7\u00f5es orientalistas, reducionistas e generalistas, e preenche o v\u00e1cuo de um movimento que desvia o olhar para as rela\u00e7\u00f5es de poder que s\u00e3o fundantes \u00e0 opress\u00e3o de g\u00eanero. Parte da desconstru\u00e7\u00e3o proposta pelo feminismo anticolonial \u2013 que se coaduna com vertentes como os feminismos antirracista e isl\u00e2mico \u2013 \u00e9 resgatar o protagonismo das mulheres \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanas na Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Como aponta a feminista eg\u00edpcia Nawal El Saadawi, em \u201cA face oculta de Eva \u2013 As mulheres do mundo \u00e1rabe\u201d, foram elas pioneiras nos protestos contra os primeiros assentamentos sionistas ao final do s\u00e9culo XIX \u2013 a servi\u00e7o da coloniza\u00e7\u00e3o de terras e conquista do trabalho, que integravam o projeto sionista de limpeza \u00e9tnica para constitui\u00e7\u00e3o de um estado exclusivamente judeu na Palestina (Israel). J\u00e1 em 1903, per\u00edodo que marca o come\u00e7o da segunda onda de imigra\u00e7\u00e3o sionista, criaram uma associa\u00e7\u00e3o de mulheres.<\/p>\n<p>Nos anos 1920, sua atua\u00e7\u00e3o se fortaleceu e formaram v\u00e1rios comit\u00eas populares para articular protestos e demais a\u00e7\u00f5es de desobedi\u00eancia civil, bem como garantir aux\u00edlio a feridos em manifesta\u00e7\u00f5es. Em 1921, constitu\u00edram a primeira Uni\u00e3o de Mulheres \u00c1rabes-Palestinas, que organizou protestos contra o mandato brit\u00e2nico, a coloniza\u00e7\u00e3o sionista e a Declara\u00e7\u00e3o Balfour \u2013 em que a Inglaterra garantia a constitui\u00e7\u00e3o de um lar nacional judeu em terras palestinas.<\/p>\n<div id=\"attachment_26663\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/palestinian-women-protest-ap-img-1024x645-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26663\" class=\"wp-image-26663 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/palestinian-women-protest-ap-img-1024x645-3.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"645\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-26663\" class=\"wp-caption-text\">Mulheres palestinas protestando em Gaza<\/p><\/div>\n<p>Em agosto de 1929, participaram de manifesta\u00e7\u00e3o reprimida violentamente pela Gr\u00e3-Bretanha. Entre os 116 participantes mortos, nove eram mulheres. Muitas outras foram feridas, presas ou espancadas. No mesmo ano, aconteceu entre 26 e 29 de outubro o primeiro Congresso de Mulheres \u00c1rabes em Jerusal\u00e9m, com o objetivo central de organizar o movimento de mulheres face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no terreno, com o aumento da coloniza\u00e7\u00e3o sionista.<\/p>\n<p>As mais de 300 participantes concordaram em chamar o boicote a produtos brit\u00e2nicos e estabelecer um centro de informa\u00e7\u00e3o ao mundo sobre o que estava ocorrendo na Palestina, bem como em promover novos protestos. A confer\u00eancia aprovou o envio de uma delega\u00e7\u00e3o formada por 14 mulheres para entrega ao Alto Comissariado Brit\u00e2nico de suas demandas: o cancelamento da Declara\u00e7\u00e3o Balfour, o impedimento da imigra\u00e7\u00e3o sionista e a substitui\u00e7\u00e3o de um procurador-geral judeu por seu conhecido racismo. Ap\u00f3s a reuni\u00e3o, as 14 mulheres se somaram a outras 100 em uma carreata pelas ruas de Jerusal\u00e9m, com parada em frente a embaixadas estrangeiras.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada seguinte, a luta se ampliou. Em abril de 1933, mulheres de diversas partes da Palestina marcharam em Jerusal\u00e9m contra a visita aos lugares sagrados pelo general brit\u00e2nico Edmund Allenby. Na revolu\u00e7\u00e3o de 1936-1939 contra o mandato brit\u00e2nico e a coloniza\u00e7\u00e3o sionista, as mulheres tamb\u00e9m se destacaram. Em 4 de maio de 1936, 600 estudantes realizaram uma confer\u00eancia em Jerusal\u00e9m e protagonizaram uma greve que durou seis meses.<\/p>\n<p>Em outras partes da Palestina, organizaram grandes marchas e comit\u00eas populares. Al\u00e9m de promoverem protestos, recolhiam fundos para assist\u00eancia \u00e0s fam\u00edlias dos mortos e prisioneiros e auxiliavam no transporte de insumos b\u00e1sicos e armas. Nas aldeias, lutavam lado a lado com os homens para defender suas terras. Uma delas \u00e9 Fatma Ghazal, morta em combate no dia 26 de junho de 1936.<\/p>\n<p>Outro nome que merece destaque na hist\u00f3ria palestina \u00e9 o de Fatma Khaskiyyeh Abu Dayyeh. Entre 1936 e 1939, ela esteve no comando do local de armazenagem das armas dos revolucion\u00e1rios e em 1948, durante a nakba (cat\u00e1strofe palestina, representada pela cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel), chefiou um grupo misto de 100 combatentes. Tamb\u00e9m se formaram no per\u00edodo brigadas exclusivas de mulheres, que se colocaram na linha de frente contra a expropria\u00e7\u00e3o de suas terras. Entre elas, \u201cZahrat Al-Uqhuwan\u201d (o cris\u00e2ntemo), fundada em 1947 pelas irm\u00e3s Nariman e Moheeba Khorsheed.<\/p>\n<p>J\u00e1 diante da consolida\u00e7\u00e3o do projeto sionista, em 1965, foi criada a Uni\u00e3o Geral das Mulheres Palestinas, atrelada \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP). No in\u00edcio seu papel ainda era, contudo, limitado, reservado \u00e0 assist\u00eancia social e aos cuidados com a sa\u00fade. Mas a pol\u00edtica n\u00e3o foi deixada de lado. Ao final dos anos 1960 e in\u00edcio dos 1970, diversas delas partiram para a a\u00e7\u00e3o direta, diante da omiss\u00e3o internacional \u00e0 viola\u00e7\u00e3o cotidiana de direitos humanos e a expans\u00e3o israelense, que em 1967 resultou na ocupa\u00e7\u00e3o por parte dessa pot\u00eancia b\u00e9lica de toda a Palestina hist\u00f3rica. A mais conhecida em todo o mundo \u00e9 Leila Khaled, da Frente Popular pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina.<\/p>\n<div id=\"attachment_26664\" style=\"width: 720px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/leila_0-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26664\" class=\"wp-image-26664 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/leila_0-1.jpg\" alt=\"\" width=\"710\" height=\"1012\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-26664\" class=\"wp-caption-text\">Leila Khaled, militante da Frente Popular para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina<\/p><\/div>\n<p>Nas intifadas (levantes) de 1987-1993 e 2000-2004, novamente as mulheres foram \u00e0s ruas. Na primeira, as que viviam nas \u00e1reas rurais assumiram papel central, mas as que residiam na regi\u00e3o urbana tamb\u00e9m marcaram presen\u00e7a. Para se ter uma ideia, um ter\u00e7o das baixas era da parcela feminina. O n\u00famero de mulheres detidas passou de centenas do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970 para milhares nos anos 1980.<\/p>\n<p>Ao longo de toda essa trajet\u00f3ria, elas se destacaram tamb\u00e9m em outras trincheiras de luta, como no campo das palavras. No \u00e2mbito cultural, entre as que merecem ser lembradas encontra-se Fadwa Touqan, que nasceu em 1917 na cidade de Nablus, na Cisjord\u00e2nia, e faleceu em 2003.<\/p>\n<p><strong><em>&#8216;Nas palavras de Moshe Dayan, chefe do ex\u00e9rcito israelense em 1967, seus versos eram mais subversivos do que dez atentados.&#8217;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>As mulheres s\u00e3o as que mais sofrem em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia humanit\u00e1ria, conflitos armados e frente \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o da Palestina e limpeza \u00e9tnica. Mas n\u00e3o se intimidam. Representando quase metade da popula\u00e7\u00e3o total de 3,9 milh\u00f5es nos territ\u00f3rios palestinos ocupados militarmente em 1967 (1,8 milh\u00e3o), est\u00e3o reunidas em diversas organiza\u00e7\u00f5es, por educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, trabalho, contra a ocupa\u00e7\u00e3o e o sexismo. Ali, assim como nos campos de refugiados, em que s\u00e3o milhares, na di\u00e1spora ou onde hoje \u00e9 Israel, desafiam o projeto sionista.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria palestina de resist\u00eancia \u00e9 repleta de nomes de hero\u00ednas, que se recusaram e se recusam a permanecer em sil\u00eancio e inertes at\u00e9 que a Palestina seja livre. Para al\u00e9m dos nomes registrados na hist\u00f3ria, h\u00e1 milhares an\u00f4nimas. Nawal El-Saadawi, em \u201cA face oculta de Eva\u201d, conclui: \u201cA extensa lista de m\u00e1rtires serviria para encher as p\u00e1ginas de todo um cap\u00edtulo. Seus feitos intr\u00e9pidos um dia ser\u00e3o admirados pelas futuras gera\u00e7\u00f5es\u201d. Neste 8 de mar\u00e7o, diante de um Brasil em que \u00e9 end\u00eamico o feminic\u00eddio ante a explora\u00e7\u00e3o capitalista, fica o chamado a todas e todos que acreditam em um mundo justo inspirar-se em sua longa trajet\u00f3ria de bravura e resist\u00eancia. Somos todas palestinas.<\/p>\n<p>Artigo publicado originalmente em: <a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/mundo\/devemos-nos-inspirar-na-resistencia-da-mulher-palestina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cartacapital.com.br\/mundo\/devemos-nos-inspirar-na-resistencia-da-mulher-palestina\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pris\u00f5es e o sangue das mulheres palestinas explicitam ao mundo que elas n\u00e3o est\u00e3o alheias \u00e0s lutas anticoloniais<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":71934,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[1825,3493,228],"tags":[7212,7213,260],"class_list":["post-26661","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-8m-2019","category-mulheres","category-palestina","tag-mulher-palestina","tag-polemicas-8m-2019","tag-soraya-misleh"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/gaza1-2.jpg","categories_names":["8M 2019","Mulheres","Palestina"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26661","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26661"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26661\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71934"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}