{"id":26231,"date":"2019-02-26T12:00:00","date_gmt":"2019-02-26T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=26231"},"modified":"2022-10-14T23:01:13","modified_gmt":"2022-10-14T23:01:13","slug":"revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/02\/26\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o iraniana: A luta pelo poder ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Reproduzimos este artigo, publicado originalmente em 2019, por ocasi\u00e3o da onda de protestos que abala o Ir\u00e3. Reunimos este e outros textos de interesse em um especial sobre esse tema t\u00e3o candente e importante para a luta de classes mundial<\/em><\/p>\n<p><em>Ap\u00f3s a derrubada do regime do X\u00e1, o Ayatollah Khomeini e sua alian\u00e7a com o Ulama (clero xiita), os bazaaris (tradicional burguesia e pequena burguesia comercial) e a burguesia liberal despontam como os favoritos para assumir o poder. H\u00e1 dois obst\u00e1culos nesse caminho. O primeiro \u00e9 que essa alian\u00e7a abarca diferentes projetos. O segundo \u00e9 que por fora dessa alian\u00e7a as classes sociais subalternas, animadas pela esquerda, esperavam que as bandeiras da revolu\u00e7\u00e3o, em particular liberdades democr\u00e1ticas amplas e igualdade social, fossem atendidas.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: F\u00e1bio Bosco<\/p>\n<p>O Ayatollah Khomeini defendia uma teocracia baseada no conceito de Velayat-e Faqih (Guardi\u00e3o da Jurisprud\u00eancia) na qual o poder final \u00e9 do Supremo L\u00edder, necessariamente um religioso com s\u00f3lidos conhecimentos da jurisprud\u00eancia isl\u00e2mica.<\/p>\n<p>A burguesia liberal liderada pelo primeiro-ministro do governo provis\u00f3rio Mehdi Bazargan defendia uma constitui\u00e7\u00e3o ocidental inspirada na V Rep\u00fablica francesa de Charles DeGaulle, mas com um linguajar religioso. De conte\u00fado uma democracia burguesa, mas de forma uma democracia isl\u00e2mica. Ela tinha o apoio de parte importante do Ulama como os populares Ayatollahs Talekani e Shariatmadari.<\/p>\n<p>Correndo por fora da alian\u00e7a estavam as for\u00e7as de esquerda que defendiam de conte\u00fado uma rep\u00fablica popular com formula\u00e7\u00f5es diversas. E tamb\u00e9m representantes das nacionalidades oprimidas (azerbaijanos, turcomenos, curdos, balochis e \u00e1rabes) que defendiam autonomia para suas prov\u00edncias.<\/p>\n<p>A extens\u00e3o e profundidade da revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular era tamanha que qualquer alternativa, por mais forte que fosse, poderia ser derrubada em quest\u00e3o de dias. No entanto, o fator decisivo \u00e9 que tanto as for\u00e7as burguesas liberais como as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda capitularam \u00e0 lideran\u00e7a de Khomeini.<\/p>\n<p><strong>A marcha ao poder<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias da revolu\u00e7\u00e3o, Khomeini nomeou Mehdi Bazargan como primeiro-ministro provis\u00f3rio para evitar o desmantelamento ainda maior do Estado. Ao mesmo tempo foi constituindo um poder paralelo e eliminando dissidentes. \u00c0 honrosa exce\u00e7\u00e3o da pequena organiza\u00e7\u00e3o trotskysta HKS, todas as for\u00e7as pol\u00edticas, sejam burguesas ou de esquerda, apoiaram a nomea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c<em>A d\u00e9cada de comando de Khomeini foi marcada pelo crescente poder de seus seguidores e pela elimina\u00e7\u00e3o, frequentemente pela viol\u00eancia e apesar da resist\u00eancia, e pela crescente aplica\u00e7\u00e3o de controle ideol\u00f3gico e de costumes sobre a popula\u00e7\u00e3o<\/em>.\u201d<a name=\"_ednref1\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_edn1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[i]<\/a><\/p>\n<p>\u201c<em>Khomeini implantou em Teer\u00e3 um conselho revolucion\u00e1rio e um Komiteh central. O primeiro supervisionava o governo provis\u00f3rio. O \u00faltimo colocou sob suas asas os Komitehs locais e seus pasdars (guardas) que floresciam nas muitas mesquitas espalhadas em todo o pa\u00eds. Ele tamb\u00e9m expurgou dessas unidades os cl\u00e9rigos associados com outros l\u00edderes religiosos \u2013 especialmente Shariatmadari. Imediatamente ap\u00f3s a queda do X\u00e1, Khomeini estabeleceu em Teer\u00e3 um Tribunal Revolucion\u00e1rio para cuidar de todas as cortes ad hoc que surgiram em todo o pa\u00eds. E em Qom um escrit\u00f3rio central das mesquitas cuja tarefa era indicar os im\u00e3s jumehs para as capitais provinciais. Pela primeira vez, uma institui\u00e7\u00e3o religiosa central tomou o controle sobre os im\u00e3s jumehs provinciais<\/em>.\u201d<a name=\"_ednref2\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_edn2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[ii]<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ir\u00e3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-26234 size-full alignleft\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ir\u00e3.jpg\" alt=\"\" width=\"310\" height=\"163\" \/><\/a><\/p>\n<p>Entre os primeiros setores revolucion\u00e1rios a terem seus direitos desrespeitados foram as mulheres. A participa\u00e7\u00e3o das mulheres na revolu\u00e7\u00e3o, seja nas guerrilhas dos anos 1971-1976 seja nas mobiliza\u00e7\u00f5es de rua e greves de 1978-1979, foi marcante. Em muitas marchas, as mulheres iam \u00e0 frente para desmoralizar as for\u00e7as de repress\u00e3o do X\u00e1. Isso n\u00e3o impediu o \u201cpoder\u201d paralelo do Ayatollah Khomeini de tornar compuls\u00f3rio o uso do hijab (v\u00e9u) nos primeiros dias p\u00f3s- revolu\u00e7\u00e3o. A rea\u00e7\u00e3o veio atrav\u00e9s de uma manifesta\u00e7\u00e3o de 8 de mar\u00e7o em Teer\u00e3 com a participa\u00e7\u00e3o de cem mil mulheres. Mesmo assim, a a\u00e7\u00e3o cotidiana das for\u00e7as, inclusive as mil\u00edcias ligadas \u00e0 Khomeini, acabou prevalecendo sobre o direito das mulheres. Neste caso houve mais um erro das for\u00e7as de esquerda que n\u00e3o jogaram seu peso para defender o direito democr\u00e1tico das mulheres, facilitando a ofensiva de Khomeini. Posteriormente, novos ataques contra os direitos das mulheres ser\u00e3o consolidados com a nova Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A disputa nos shoras, conselhos oper\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Outro setor revolucion\u00e1rio estrat\u00e9gico eram os trabalhadores organizados em shoras.<\/p>\n<p>\u201c<em>Os shoras, ou conselhos de f\u00e1brica, eram uma forma particular de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores que surgiu na ind\u00fastria iraniana em seguida \u00e0 queda da ditadura do X\u00e1 em 1979. Eles eram organiza\u00e7\u00f5es de base cujo comit\u00ea executivo eleito representava todos os empregados de uma f\u00e1brica incluindo os administrativos independentemente de sua fun\u00e7\u00e3o, qualifica\u00e7\u00e3o ou g\u00eanero.<\/em><\/p>\n<p><em>Seu principal objetivo era conquistar o controle oper\u00e1rio. Este objetivo ofensivo dos shoras por controle \u00e9 o que os diferencia de delegados sindicais e tamb\u00e9m do sindicalismo que luta uma batalha pol\u00edtica para mudar a estrutura social atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o. Os shoras n\u00e3o tinham um objetivo pol\u00edtico claro. Diferente dos comit\u00eas de f\u00e1brica da revolu\u00e7\u00e3o russa de 1917, os shoras n\u00e3o foram influenciados por tend\u00eancias pol\u00edticas de esquerda externas e n\u00e3o atuaram como um meio para mudan\u00e7a social. Eles se restringiam a exigir controle oper\u00e1rio e a transforma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de poder na arena da produ\u00e7\u00e3o<\/em>.\u201d<a name=\"_ednref3\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_edn3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[iii]<\/a><\/p>\n<p>De fevereiro at\u00e9 agosto de 1979, os shoras proliferaram. Na maioria das f\u00e1bricas, os patr\u00f5es ou os gerentes fugiram deixando o caminho livre para os trabalhadores que desenvolveram um forte sentimento de posse da f\u00e1brica como parte da riqueza da popula\u00e7\u00e3o. Neste per\u00edodo o governo foi obrigado a nacionalizar 483 unidades de produ\u00e7\u00e3o. As v\u00e1rias greves giravam em torno a sal\u00e1rio e emprego mas havia tamb\u00e9m reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas como puni\u00e7\u00e3o para agentes da SAVAK e capitalistas, e exig\u00eancias de demiss\u00e3o de gerentes. \u00c0 exce\u00e7\u00e3o da rede de shoras da prov\u00edncia de Gilan (junto ao mar C\u00e1spio) e dos petroleiros, a luta se dava por f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, a resist\u00eancia dos petroleiros em manter a greve por suas reivindica\u00e7\u00f5es for\u00e7ou Khomeini a recorrer a amea\u00e7as atrav\u00e9s da imprensa:<\/p>\n<p>\u201c<em>Qualquer desobedi\u00eancia ou sabotagem na implementa\u00e7\u00e3o dos planos do governo provis\u00f3rio ser\u00e1 vista como oposi\u00e7\u00e3o contra a genu\u00edna revolu\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica. Os provocadores e agentes ser\u00e3o apresentados ao povo como elementos contra-revolucion\u00e1rios de forma a que a na\u00e7\u00e3o decida sobre eles, da mesma forma que fez com a contra-revolu\u00e7\u00e3o do X\u00e1.<\/em>\u201d (jornal Ettelaat, 15\/03\/1979).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esta amea\u00e7a, o governo conseguiu que grevistas retomassem o trabalho em pelo menos 118 f\u00e1bricas.<\/p>\n<p>\u201c<em>Durante este per\u00edodo (fevereiro a agosto de 1979), os trabalhadores controlavam as f\u00e1bricas. O governo Bazargan expressou logo expressou oposi\u00e7\u00e3o direta aos shoras, dizendo que o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o eliminou suas tarefas. At\u00e9 o fim deste per\u00edodo, Bazargan reintroduziu o sistema de um gerente nomeando gerentes profissionais liberais. Este per\u00edodo termina com a primeira extensiva onda de repress\u00e3o em agosto de 1979 vinda principalmente do clero dirigente. Organiza\u00e7\u00f5es de esquerda foram atacadas e suas sedes saqueadas. O governo baniu jornais progressistas, monopolizou a m\u00eddia oficial e lan\u00e7ou extensivos ataques militares no Curdist\u00e3o. Estes eventos foram seguidos de crescentes ataques contra o movimento sindical e pela exclus\u00e3o de shoras e trabalhadores dissidentes.<\/em><\/p>\n<p><em>A liquida\u00e7\u00e3o dos shoras independentes foi acelerada ap\u00f3s a segunda onda de supress\u00e3o simult\u00e2nea ao fechamento de universidades. Entre os shoras fechados est\u00e3o: F\u00e1brica de Produ\u00e7\u00e3o de Ferramentas, Left-Track, Pompiran e Kompidro em Tabriz; Uni\u00e3o dos Shoras de Trabalhadores de Gilan (representando 300 mil trabalhadores); Uni\u00e3o dos Shoras de Trabalhadores de Teer\u00e3 Oeste; todos os shoras de petroleiros em Ahwaz e de Ferrovi\u00e1rios. A Khane-i Kargar (Casa Sindical), anteriormente uma sede para assembl\u00e9ias oper\u00e1rias, se tornou um centro dos shoras ligadas ao Partido Republicano Isl\u00e2mico e Associa\u00e7\u00f5es Isl\u00e2micas<\/em>.\u201d<a name=\"_ednref4\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_edn4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[iv]<\/a><\/p>\n<p>Em meados de 1982 os shoras foram formalmente proibidos.<\/p>\n<p>Sobre o papel das for\u00e7as de esquerda quanto aos shoras, Asef Bayat escreve:<\/p>\n<p>\u201c<em>Havia uma tend\u00eancia entre a maioria dos grupos de esquerda a desprezar os shoras como uma atividade espont\u00e2nea da classe trabalhadora, ainda que seu surgimento tenha maravilhado a esquerda porque criava um terreno para justificar a relev\u00e2ncia e ret\u00f3rica da esquerda. Para esses grupos, teoricamente, o conceito de shora dificilmente ia al\u00e9m de cita\u00e7\u00f5es a-hist\u00f3ricas de Lenin para quem o papel pol\u00edtico de tais organiza\u00e7\u00f5es, para enfrentar o Estado burgu\u00eas, era da mais alta relev\u00e2ncia. A esquerda tradicional via os shoras em termos de seu papel de oposi\u00e7\u00e3o vis-a-vis os empregadores ou o governo, um papel que qualquer organiza\u00e7\u00e3o radical dos trabalhadores, incluindo sindicatos, poderia cumprir sob determinadas circunst\u00e2ncias. Pouca aten\u00e7\u00e3o foi dada ao mais significativo e distinto car\u00e1ter da shora como uma organiza\u00e7\u00e3o para controle oper\u00e1rio que busca questionar a divis\u00e3o de trabalho na produ\u00e7\u00e3o (a divis\u00e3o entre gerenciamento e execu\u00e7\u00e3o). Os grupos de esquerda definiam o sucesso ou fracasso dos shoras pela sua milit\u00e2ncia e os classificavam em tr\u00eas tipos: shoras amarelos liderados por trabalhadores pro-Khomeini ou isl\u00e2micos fan\u00e1ticos; shoras genu\u00ednos eleitos diretamente pelos trabalhadores que poderia ou n\u00e3o servir aos interesses dos trabalhadores de base (se n\u00e3o o fizessem eram vistos como ignorantes); e por final os shoras revolucion\u00e1rios cujos membros eram simpatizantes das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda. A tend\u00eancia pol\u00edtica dos integrantes de um shora se transformou ent\u00e3o no crit\u00e9rio para seu sucesso ou fracasso. Sua extens\u00e3o e profundidade, \u00e1reas e em que condi\u00e7\u00f5es exercia controle se tornaram irrelevantes. Al\u00e9m de tudo tal vis\u00e3o era incapaz de explicar o antagonismo entre os shoras amarelos e os gerentes liberais<\/em>.\u201d<a name=\"_ednref5\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_edn5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[v]<\/a><\/p>\n<p>Mais uma vez, a maioria das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda fracassou em colocar seus melhores esfor\u00e7os para disputar os shoras.<\/p>\n<p><strong>O conflito sobre a nova Constitui\u00e7\u00e3o e a tomada da Embaixada<\/strong><\/p>\n<p>O debate sobre a nova constitui\u00e7\u00e3o foi antecedido por um plebiscito sobre monarquia ou Rep\u00fablica Isl\u00e2mica. O primeiro-ministro Bazargan queria introduzir uma terceira op\u00e7\u00e3o: Rep\u00fablica Isl\u00e2mica Democr\u00e1tica, mas o Ayatollah Khomeini n\u00e3o permitiu. Frente a isso, uma ala mais radical da burguesia liberal (Frente Democr\u00e1tica Nacional liderada pelo neto de Mossadeq \u2013 Hedayatollah Matin-Daftari), os fedayins e o Partido Democr\u00e1tico do Curdist\u00e3o boicotaram o plebiscito. Mesmo assim no dia 1 de abril, 20 dos 21 milh\u00f5es aptos a votar participaram e 99% votou pela rep\u00fablica isl\u00e2mica.<\/p>\n<p>Em seguida foram convocadas elei\u00e7\u00f5es de um conselho de especialistas para agosto. Parte da burguesia liberal (a velha Frente Nacional e a Frente Democr\u00e1tica Nacional) e v\u00e1rios grupos de esquerda e das nacionalidades oprimidas boicotaram as elei\u00e7\u00f5es. O partido de Khomeini, o Partido Republicano Isl\u00e2mico venceu as elei\u00e7\u00f5es e de quebra n\u00e3o permitiu que o l\u00edder do Partido Democr\u00e1tico do Curdist\u00e3o Iraniano \u2013 Abdol Rahman Qasemlu fosse empossado.<\/p>\n<p>\u201c<em>O conselho de especialistas eleito escreveu uma constitui\u00e7\u00e3o muito mais favor\u00e1vel ao clero e potencialmente autorit\u00e1ria que a primeira vers\u00e3o (elaborada pelo governo provis\u00f3rio). Ela incluiu o conceito de Velayat-e Faqih que outorga poderes inimagin\u00e1veis para Khomeini. O artigo 4 diz que o faqih tem autoridade divina para governar e responde apenas a Deus. Outros artigos listam seus poderes que incluem o controle do ex\u00e9rcito e do Pasdaran (mil\u00edcias criadas por Khomeini em mar\u00e7o de 1979 a partir das mil\u00edcias formadas pelo Komitehs regionais), o direito de vetar candidatos \u00e0 presid\u00eancia e a demitir o presidente se a alta corte ou o majles (parlamento)\u00a0 o declararem incompetente. O poder do Majles (parlamento) \u00e9 limitado pelo Conselho de Guardi\u00e3es que pode vetar qualquer legisla\u00e7\u00e3o se julgar esta incompat\u00edvel com o Isl\u00e3 ou com a constitui\u00e7\u00e3o. O Conselho de Guardi\u00e3es tem 12 integrantes, seis ulama indicados pelo Faqih e outros seis selecionados pelo Majles a partir de uma lista preparada pelo consleho judicial supremo cuja maioria de membros eram indicados pelo Faqih. Baseado em sua interpreta\u00e7\u00e3o da sharia (lei isl\u00e2mica) o conselho judicial supremo prepara as leis sobre todos os temas judiciais e elege, demite, promove e descomissiona todos os ju\u00edzes. Khomeini foi eleito Faqih perp\u00e9tuo<\/em>.\u201d<a name=\"_ednref6\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_edn6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[vi]<\/a><\/p>\n<p>Foram mantidos os Majles e o presidente eleitos por voto popular e inseridos genericamente v\u00e1rios direitos sociais como o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e secund\u00e1ria gratuitas, sa\u00fade, moradia digna, aposentadoria, aux\u00edlio-desemprego, combate \u00e0 pobreza, liberdade de express\u00e3o, imprensa, organiza\u00e7\u00e3o, manifesta\u00e7\u00e3o, religi\u00e3o, direito de n\u00e3o ser vigiado, contra pris\u00e3o arbitr\u00e1ria direito de ser levado ante um juiz em at\u00e9 24h.<\/p>\n<p>Sob press\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es convocadas pelos Mujahedins e Fedayins em frente ao local onde se reunia a Assembl\u00e9ia de Especialistas, foram inclu\u00eddos na constitui\u00e7\u00e3o conselhos regionais e locais para auxiliar governadores e prefeitos na administra\u00e7\u00e3o denominados shoras.<\/p>\n<p>\u201c<em>A mudan\u00e7a completa da primeira vers\u00e3o feita por Bazargan trouxe consterna\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas entre grupos laicos mas tamb\u00e9m com o governo provis\u00f3rio e Shariatmadari que sempre manteve fortes reservas sobre o conceito de Velayat \u2013e Faqih feito por Khomeini. Bazargan e sete membros do governo provis\u00f3rio enviaram uma peti\u00e7\u00e3o \u00e0 Khomeini pedindo que ele dissolvesse a Assembl\u00e9ia de Especialistas pois a constitui\u00e7\u00e3o proposta violava a soberania popular e colocava em risco a na\u00e7\u00e3o devido ao clericalismo, transformava o Ulama em uma \u2018classe dominante\u2019 e minava a religi\u00e3o pois as futuras gera\u00e7\u00f5es colocariam a culpa de todos os problemas no Isl\u00e3. Reclamando que as a\u00e7\u00f5es da Assembl\u00e9ia dos Especialistas constitu\u00edam \u201cuma revolu\u00e7\u00e3o contra a revolu\u00e7\u00e3o\u201d eles amea\u00e7avam ir a p\u00fablico com sua vers\u00e3o original de constitui\u00e7\u00e3o. \u00c9 totalmente poss\u00edvel que se o pa\u00eds pudesse escolher, a vers\u00e3o de Bazargan seria a escolhida<\/em>.\u201d<a name=\"_ednref7\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_edn7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[vii]<\/a><\/p>\n<div id=\"attachment_26235\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ir\u00e3-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26235\" class=\"size-medium wp-image-26235\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ir\u00e3-1-300x189.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"189\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-26235\" class=\"wp-caption-text\">Ref\u00e9ns da embaixada norte-americana<\/p><\/div>\n<p>Em meio a esta crise, o governo Carter aceita o ingresso do X\u00e1 Reza Pahlevi nos Estados Unidos para tratamento m\u00e9dico. No dia 4 de novembro, um grupo de 400 estudantes invade a embaixada americana. Eles alegam que, a exemplo de 1953, os Estados Unidos preparavam um golpe para tornar o X\u00e1 novamente o soberano do pa\u00eds. Na busca de retomar rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas regulares com os Estados Unidos, o governo provis\u00f3rio exigiu a retirada imediata dos estudantes. Mas Khomeini apoiou os estudantes e aproveitou para desprestigiar Bazargan e o governo provis\u00f3rio publicando memorandos da embaixada que continham negocia\u00e7\u00f5es entre o governo provis\u00f3rio e os americanos (\u00e9 claro que os memorandos com negocia\u00e7\u00f5es entre o Ulama e os americanos n\u00e3o foram divulgados).<\/p>\n<p>A maioria da esquerda apoiou Khomeini nesta empreitada. Bazargan renunciou ao governo provis\u00f3rio e Khomeini, em meio a um sentimento generalizado de unidade nacional, convocou um referendo sobre a proposta de constitui\u00e7\u00e3o para dias 2 e 3 de dezembro de 1979. A Frente Nacional, os mujahedins fedayins, e v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es curdas e azerbaijanas boicotaram o referendo. Somente 16 milh\u00f5es votaram, uma redu\u00e7\u00e3o de 17% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vota\u00e7\u00e3o anterior. A absten\u00e7\u00e3o foi particularmente grande nas prov\u00edncias das nacionalidades oprimidas.<\/p>\n<p><strong>A luta das nacionalidades oprimidas<\/strong><\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o contra a nova constitui\u00e7\u00e3o, antes e ap\u00f3s o referendo, foi particularmente grande no Azerbaij\u00e3o. O Ayatollah Shariatmadari emitiu uma fatwa contra a constitui\u00e7\u00e3o e o Partido Republicano Popular Isl\u00e2mico (MPRP) liderou um levante em Tabriz com a tomada do centro de r\u00e1dio e TV. Khomeini prometeu mais autonomia para a prov\u00edncia e enviou as mil\u00edcias Pasdaran que ocuparam as sedes do MPRP, executaram alguns participantes dos protestos e dissolveram o partido.<\/p>\n<p>O mesmo tipo de tratamento ser\u00e1 dado para as demais nacionalidades oprimidas como os \u00e1rabes, os balochis, os turcomenos e, particularmente, os curdos que estavam em rebeli\u00e3o desde abril de 1979 e cuja prov\u00edncia \u00e9 invadida pelo Pasdaran em 1982. Todas as \u00e1reas s\u00e3o retomadas e o partido democr\u00e1tico curdo tem que se refugiar no Iraque em 1984.<\/p>\n<p><strong>A ascens\u00e3o e queda de Bani-Sadr<\/strong><\/p>\n<p>Em janeiro s\u00e3o realizadas as elei\u00e7\u00f5es presidenciais que s\u00e3o vencidas por Bani Sadr com 10,7 milh\u00f5es de votos. Em segundo lugar ficou o Almirante Madani da Frente Nacional. Em terceiro o candidato do Partido Republicano Isl\u00e2mico do Ayatollah Khomeini que fora apoiado tamb\u00e9m pelo Tudeh (partido comunista).<\/p>\n<p>Em abril de 1980, o Conselho Revolucion\u00e1rio Isl\u00e2mico, a pedido de Khomeini, d\u00e1 um ultimato para todas as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda deixarem as universidades. Suas mil\u00edcias invadem as universidades e expulsam ou executam os estudantes de esquerda. Bani Sadr anunciou o in\u00edcio de uma revolu\u00e7\u00e3o cultural fortalecendo a repress\u00e3o sobre os estudantes.<\/p>\n<p>No mesmo m\u00eas, o governo americano faz uma tentativa fracassada de resgatar os ref\u00e9ns mantidos dentro da embaixada americana, o que fortalece mais uma vez Khomeini e seus aliados.<\/p>\n<p>Em junho e julho ocorrem expurgos e execu\u00e7\u00f5es de oficiais das for\u00e7as armadas e funcion\u00e1rios p\u00fablicos. A mil\u00edcia Hezbollah, tamb\u00e9m aliada de Khomeini, ataca a sede do partido Frente Nacional e fecha seu jornal.<\/p>\n<p>Em 22 de setembro de 1980, o governo iraquiano liderado por Sadam Hussein invade o Ir\u00e3 sob alega\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o iraniana em seus assuntos internos. Na verdade, Sadam Hussein nunca aceitou as fronteiras estabelecidas no estrat\u00e9gico Rio Shatt El-Arab em 1975 e ainda apostava que a popula\u00e7\u00e3o do Cuzist\u00e3o, rica em petr\u00f3leo e em sua maioria \u00e1rabes, iria apoi\u00e1-lo, o que n\u00e3o aconteceu. Ao contr\u00e1rio, Khomeini aproveitou a guerra para explorar o sentimento de unidade nacional e eliminar todas as dissid\u00eancias restantes.<\/p>\n<p>Neste momento o mais importante era se livrar do popular presidente eleito Bani-Sadr. Bani-Sadr era cr\u00edtico de uma s\u00e9rie de pol\u00edticas de Khomeini e seus aliados, tais como:<\/p>\n<ol>\n<li>O acordo com os Estados Unidos sobre os ref\u00e9ns na embaixada americana, que foi muito favor\u00e1vel aos americanos (mas que abriu as portas para a venda clandestina de armas americanas para o Ir\u00e3 durante a guerra contra o Iraque);<\/li>\n<li>O apoio ao Hezbollah quando este invadiu um ato na qual Bani-Sadr era orador.<\/li>\n<li>O apoio ao primeiro-ministro Rajai acusado por Bani-Sadr de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, tortura e censura.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Finalmente, em 21 de julho o parlamento vota seu impeachment que \u00e9 confirmado por Khomeini no dia seguinte. No dia 28 de julho Bani-Sadr foge para a Fran\u00e7a em um v\u00f4o clandestino da pr\u00f3pria for\u00e7a a\u00e9rea iraniana, ajudado pelos Mojahedins.<\/p>\n<p><strong>A elimina\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de esquerda<\/strong><\/p>\n<p>Os Mujahedins se lan\u00e7aram \u00e0 luta armada contra o regime. Desde 1979 os Mujahedins s\u00e3o alvos de ataques de apoiadores de Khomeini que os chamavam de hip\u00f3critas. O Hezbollah j\u00e1 havia atacado e fechado sua sede ainda em 1979. Em um ato contra o impeachment de Bani-Sadr em junho de 1981, o Hezbollah assassinou militantes mujahedins presentes.<\/p>\n<p>Sua a\u00e7\u00e3o militar mais importante foi a explos\u00e3o de uma bomba no local de uma confer\u00eancia do Partido Republicano Isl\u00e2mico que matou mais de 70 pessoas entre as quais o Ayatollah Behesti, quatro ministros e 25 deputados. Em outras opera\u00e7\u00f5es morreram o presidente Rajai, o primeiro-ministro Bahonar e o chefe da pol\u00edcia. Mas o levante popular esperado pelos Mujahedins n\u00e3o ocorreu e milhares de seus militantes foram executados.<\/p>\n<p>\u201c<em>Nos 28 meses entre fevereiro de 1979 e junho de 1980, as cortes revolucion\u00e1rias executaram 497 oponentes pol\u00edticos como \u2018contra-revolucion\u00e1rios\u2019 e \u2018cultivadores da corrup\u00e7\u00e3o sobre a Terra\u2019<\/em>.\u201d<a name=\"_ednref8\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_edn8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[viii]<\/a>\u00a0A maioria destes eram apoiadores do velho regime.<\/p>\n<p>\u201c<em>Nos pr\u00f3ximos quatro anos de junho de 1981 a junho de 1985 as cortes revolucion\u00e1rias executaram mais de oito mil oponentes. Embora seu alvo fosse principalmente os Mujahedins, eles tamb\u00e9m perseguiram outros e at\u00e9 mesmo quem se opunha aos Mujahedin. As v\u00edtimas incluem os Fedayins e curdos bem como o Tudeh, a Frente Nacional, e apoiadores de Shariatmadari. Muitos, incluindo Shariatmadari, apoiadores de Bazargan e l\u00edderes do Tudeh, foram obrigados a aparecer na televis\u00e3o e revisar suas opini\u00f5es. Ent\u00e3o os n\u00fameros de execu\u00e7\u00f5es daqueles que participaram na revolu\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito maiores que entre os apoiadores do X\u00e1.\u201d<a name=\"_ednref9\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_edn9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>[ix]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>\u201cFinalmente um \u00faltimo derramamento de sangue em 1988, imediatamente ap\u00f3s Khomeini aceitar o cessar-fogo mediado pela ONU e terminar com a guerra. (\u2026) Em quatro semanas, cortes especiais instaladas nas principais pris\u00f5es enforcaram mais de 2.800 prisioneiros. A Anistia Internacional os descreveu como \u2018prisioneiros de consci\u00eancia. Ex-Mujahedins foram executados por suspeita de nutrir simpatias secretas pela organiza\u00e7\u00e3o. Esquerdistas foram executados por \u2018apostasia\u2019, por virar as costas a Deus, ao Profeta, ao Alcor\u00e3o e \u00e0 rep\u00fablica isl\u00e2mica<\/em>.\u201d<a name=\"_ednref10\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_edn10\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[x]<\/a><\/p>\n<p><strong>Os ventos de uma nova revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>As principais condi\u00e7\u00f5es que levaram \u00e0 poderosa revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular de 1979 n\u00e3o foram resolvidas.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o e a falta de liberdades democr\u00e1ticas continuaram, e a desigualdade social aumentou particularmente ap\u00f3s uma s\u00e9rie de privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>V\u00e1rios protestos ocorreram desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Em julho de 1979 houve seis dias de protestos estudantis por liberdades democr\u00e1ticas violentamente reprimidos.<\/p>\n<p>Em junho de 2009, ocorreram os maiores protestos dentro do Ir\u00e3 desde a revolu\u00e7\u00e3o de 1979. Os manifestantes protestavam contra a fraude eleitoral. As manifesta\u00e7\u00f5es continuaram at\u00e9 2010. Este movimento foi denominado de \u201crevolu\u00e7\u00e3o verde\u201d.<\/p>\n<p>Em fevereiro 2011 come\u00e7aram novos protestos nas cidades de Teer\u00e3, Shiraz, Isfahan, Mashhad e Kermanshah (Curdist\u00e3o). Em abril houve protestos em Ahwas, uma regi\u00e3o de maioria \u00e1rabe com uma grande produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2017 protestos come\u00e7aram em Mashhad por quest\u00f5es econ\u00f4micas. Nos dias seguintes houve protestos em v\u00e1rias cidades e o movimento passou a combinar reivindica\u00e7\u00f5es por liberdades democr\u00e1ticas e por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o com o imperialismo norte-americano tem seus momentos de colabora\u00e7\u00e3o como a devolu\u00e7\u00e3o dos ref\u00e9ns na embaixada, a compra de armas durante a guerra contra o Iraque, o apoio ao governo t\u00edtere no Afeganist\u00e3o e no Iraque e o acordo nuclear. Mas tem seus momentos de tens\u00e3o como as san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas em 1979, 1987, 2006 e agora em 2018 sob o governo Trump.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que somente a classe trabalhadora e os setores oprimidos t\u00eam o interesse em arrancar liberdades democr\u00e1ticas, um n\u00edvel de vida digno e de ter uma posi\u00e7\u00e3o anti-imperialista coerente.<\/p>\n<p>A grande debilidade \u00e9 a aus\u00eancia de uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que ter\u00e1 de ser forjada no calor das lutas que vir\u00e3o.<\/p>\n<p><a name=\"_edn1\"><\/a>Leia o primeiro artigo da s\u00e9rie: <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/mundo\/oriente-medio-mundo\/ira\/aqui-e-a-voz-de-teera-a-voz-do-verdadeiro-ira-a-voz-da-revolucao\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/mundo\/oriente-medio-mundo\/ira\/aqui-e-a-voz-de-teera-a-voz-do-verdadeiro-ira-a-voz-da-revolucao\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_ednref1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[i]<\/a> Keddie, Nikki, \u201cModern Iran \u2013 Roots and Results of Revolution\u201d, Yale University, 2003<\/p>\n<p><a name=\"_edn2\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_ednref2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[ii]<\/a> Abrahamian, Ervand, \u201cHistory of Modern Iran\u201d, Cambridge University Press, 2008<\/p>\n<p><a name=\"_edn3\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_ednref3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[iii]<\/a> Bayat, Asef, \u201cWorkers and Revolution in Iran: A Third World Experience of Workers\u2019 Control\u201d, Zed Books, 1987<\/p>\n<p><a name=\"_edn4\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_ednref4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[iv]<\/a> dem<\/p>\n<p><a name=\"_edn5\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_ednref5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[v]<\/a> Idem<\/p>\n<p><a name=\"_edn6\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_ednref6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[vi]<\/a> Keddie, Nikki, \u201cModern Iran \u2013 Roots and Results of Revolution\u201d, Yale University, 2003<\/p>\n<p><a name=\"_edn7\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_ednref7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[vii]<\/a> Abrahamian, Ervand, \u201cHistory of Modern Iran\u201d, Cambridge University Press, 2008<\/p>\n<p><a name=\"_edn8\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_ednref8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[viii]<\/a> idem<\/p>\n<p><a name=\"_edn9\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_ednref9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[ix]<\/a> idem<\/p>\n<p><a name=\"_edn10\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/revolucao-iraniana-a-luta-pelo-poder-apos-a-revolucao\/#_ednref10\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[x]<\/a> idem<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reproduzimos este artigo, publicado originalmente em 2019, por ocasi\u00e3o da onda de protestos que abala o Ir\u00e3. Reunimos este e outros textos de interesse em um especial sobre esse tema t\u00e3o candente e importante para a luta de classes mundial Ap\u00f3s a derrubada do regime do X\u00e1, o Ayatollah Khomeini e sua alian\u00e7a com o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":26233,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4695,8397],"tags":[7079,180,7126,7127,7128,7129,7081],"class_list":["post-26231","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ira","category-especial-ira","tag-ayatollah-khomeini","tag-fabio-bosco","tag-hijad","tag-mulheres-e-revolucao-iraniana","tag-revolucao-iraniana","tag-shora-conselho-de-fabrica","tag-xa-reza-pahlevi"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/womenlead-xlarge.jpg","categories_names":["Especial Ir\u00e3","Ir\u00e3"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26231"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26231\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":74981,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26231\/revisions\/74981"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}