{"id":26136,"date":"2019-02-14T16:13:16","date_gmt":"2019-02-14T18:13:16","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=26136"},"modified":"2019-02-14T16:13:16","modified_gmt":"2019-02-14T18:13:16","slug":"fora-o-imperialismo-da-venezuela-fora-maduro-nem-maduro-nem-guaido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/02\/14\/fora-o-imperialismo-da-venezuela-fora-maduro-nem-maduro-nem-guaido\/","title":{"rendered":"Fora o imperialismo da Venezuela! Fora Maduro! Nem Maduro nem Guaid\u00f3!"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma crise brutal na Venezuela que mais uma vez tensiona o pa\u00eds, assim como ao movimento de massas na Am\u00e9rica Latina. \u00c9 um processo complexo que exige, da esquerda revolucion\u00e1ria, respostas categ\u00f3ricas, que certamente v\u00e3o marcar uma divis\u00e3o de \u00e1guas ao n\u00edvel da esquerda mundial.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: LIT-QI<\/p>\n<p>A primeira coisa que salta aos olhos de toda a vanguarda mundial \u00e9 a profunda decomposi\u00e7\u00e3o da ditadura de Maduro e do chavismo como um regime nacionalista burgu\u00eas, que enquanto fazia declara\u00e7\u00f5es contra o imperialismo, desenvolvia uma nova burguesia -a boliburguesia-, a partir dos neg\u00f3cios que vinham junto com a administra\u00e7\u00e3o do aparato estatal (ao mesmo tempo em que aumentaram as fortunas de amplos setores da burguesia tradicional) e que levaram o pa\u00eds \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p><strong>Uma crise de grandes propor\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma crise econ\u00f4mica terr\u00edvel, com uma queda no PIB que chega a 50% nos primeiros cinco anos do governo Maduro. Uma queda que, segundo a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (CEPAL), iria aprofundar 10% em 2019, chegando a acumular 60%. Combinado com isso, uma hiperinfla\u00e7\u00e3o que atingiu quase 1.700.000% em 2018 e que amea\u00e7a atingir 10.000.000% em 2019; falta de alimentos e rem\u00e9dios, o que \u00a0torna a sobreviv\u00eancia a principal preocupa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores venezuelanos, inclusive e principalmente daqueles que t\u00eam emprego.<\/p>\n<p>A isso se agrega a maior deteriora\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica das \u00faltimas d\u00e9cadas, a maior crise hospital\u00e1ria conhecida na hist\u00f3ria do pa\u00eds com sua consequ\u00eancia de mortes (principalmente pacientes pobres), a destrui\u00e7\u00e3o das universidades p\u00fablicas, uma descomunal crise de transporte, a escassez de dinheiro em notas, a brutal deteriora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de telefonia e telecomunica\u00e7\u00f5es em geral. Em suma, a mais completa destrui\u00e7\u00e3o da mobilidade e estrutura sociais.<\/p>\n<p><strong>A ruptura das massas com o chavismo<\/strong><\/p>\n<p>As massas venezuelanas h\u00e1 muito tempo romperam com o chavismo. Isso pode ser verificado nas gigantescas manifesta\u00e7\u00f5es de rua, que agora incluem os bairros populares de Caracas, que j\u00e1 foram baluartes do chavismo, como 23 de janeiro, Petare, Catia e outros.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es presidenciais e tamb\u00e9m nas elei\u00e7\u00f5es municipais seguintes, mesmo com todo o absurdo controle da ditadura chavista, a absten\u00e7\u00e3o foi majorit\u00e1ria, mostrando a raiva das massas e a desconfian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o, tanto com a ditadura do Maduro quanto com a oposi\u00e7\u00e3o burguesa, que se encontrava dividida fortemente desacreditada por sua p\u00e9ssima condu\u00e7\u00e3o e trai\u00e7\u00e3o das expectativas das massas nos processos de mobiliza\u00e7\u00e3o anteriores como o de 2017. Enquanto a juventude e as massas nas ruas exigiam Fora Maduro (perdendo vidas por isso), eles conduziram ao beco sem sa\u00edda de negocia\u00e7\u00f5es e elei\u00e7\u00f5es fraudulentas.<\/p>\n<p>Desde meados de 2018 estava presente uma inquieta\u00e7\u00e3o entre os trabalhadores (principalmente das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e empresas estatais) pela defesa de suas reivindica\u00e7\u00f5es atacadas e cerceadas pela ditadura e contra sal\u00e1rios de fome. Isso come\u00e7ava a se expressar em um aumento das lutas sindicais, com m\u00faltiplas greves e a\u00e7\u00f5es de rua. Isso podia evoluir para uma explos\u00e3o popular sem controle, um novo <em>caracazo<\/em>, agora contra a ditadura chavista, e tamb\u00e9m se colocava a perspectiva de uma greve geral.<\/p>\n<p><strong>A direita e o imperialismo interv\u00eam<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Nesse contexto, a direita e o imperialismo norte-americano entraram em a\u00e7\u00e3o, com Trump articulando diretamente a autoproclama\u00e7\u00e3o de Guaid\u00f3 como um &#8220;governo&#8221; paralelo na Venezuela.<\/p>\n<p>Existe comprova\u00e7\u00e3o de uma prepara\u00e7\u00e3o conjunta de Trump com os governos latino americanos e europeus para lan\u00e7ar Gauid\u00f3, o que explica o imediato reconhecimento deste como um &#8220;novo governo&#8221; pela maioria dos governos imperialistas e latino-americanos.<\/p>\n<p>Mais tarde veio o sequestro, por parte de Trump, da renda petroleira venezuelana, proveniente da venda de PDVSA aos EUA, que pretendem que passe a ser controlada por Guaid\u00f3. O bloqueio de ativos da PDVSA nos EUA atingiram 7bilh\u00f5es de d\u00f3lares e tamb\u00e9m foram bloqueados mais 11 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de exporta\u00e7\u00f5es futuras j\u00e1 contratadas, que s\u00f3 poder\u00e3o ser mobilizados atrav\u00e9s de contas controladas por Guaid\u00f3. Al\u00e9m disso, outros conflitos s\u00e3o esperados se este come\u00e7a a nomear funcion\u00e1rios dessas empresas tanto nos EUA (CITGO-filial da PDVSA nos EUA) como na PDVSA da Venezuela, isso n\u00e3o acontece ainda, mas \u00e9 iminente. O Reino Unido tamb\u00e9m se recusou a autorizar Maduro a mobilizar 1.200 toneladas de ouro que se encontram naquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Isto se complementa com a amea\u00e7a de interven\u00e7\u00e3o militar direta do imperialismo, expressa por Trump e Guaid\u00f3. A interven\u00e7\u00e3o militar n\u00e3o se concretizou, mas \u00e9 um fato que faz parte das &#8220;hip\u00f3teses&#8221; que o imperialismo embaralha. Em declara\u00e7\u00f5es anteriores, Guaid\u00f3 disse que n\u00e3o estava fora de quest\u00e3o autorizar uma interven\u00e7\u00e3o militar, o que confirma que \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o que est\u00e1 na mesa, mesmo que n\u00e3o seja a primeira.<\/p>\n<p>Uma variante disso \u00e9 o disfarce da interven\u00e7\u00e3o militar na forma de &#8220;ajuda humanit\u00e1ria&#8221;, j\u00e1 usada in\u00fameras vezes pelo imperialismo, inclusive no Haiti com a ajuda do governo petista de Lula. Atualmente o governo de Duque na Col\u00f4mbia e Bolsonaro no Brasil emprestam seus territ\u00f3rios para a abertura de &#8220;corredores humanit\u00e1rios&#8221; atrav\u00e9s dos quais a suposta &#8220;ajuda&#8221; entraria na Venezuela. Em 12 de fevereiro, na marcha convocada para a comemora\u00e7\u00e3o do dia da juventude, Guaid\u00f3 fez declara\u00e7\u00f5es afirmando que <em>&#8220;no dia 23 de fevereiro, a ajuda humanit\u00e1ria entrar\u00e1 no pa\u00eds sim ou sim<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p><strong>Os aliados internacionais de Maduro e iniciativas de di\u00e1logo<\/strong><\/p>\n<p>O apoio internacional de Maduro se limita quase \u00e0 R\u00fassia e \u00e0 China, que obt\u00eam importantes vantagens econ\u00f4micas, avan\u00e7ando sobre o petr\u00f3leo e os minerais venezuelanos. Ele tamb\u00e9m tem apoio de Cuba, Bol\u00edvia, Nicar\u00e1gua e Turquia.<\/p>\n<p>Recentemente, circularam not\u00edcias sobre \u00a0ajudas econ\u00f4micas da R\u00fassia \u00e0 PDVSA, que permitiria que continuasse operando, embora com dificuldades por um per\u00edodo de tempo, mitigando o impacto do sequestro da renda e do bloqueio de ativos e contas por parte dos EUA.<\/p>\n<p>Putin, aparentemente, tamb\u00e9m est\u00e1 disposto a ajudar Maduro militarmente. H\u00e1 not\u00edcias de centenas de mercen\u00e1rios russos que teriam sido enviados \u00e0 Venezuela para ajudar Maduro. No entanto, al\u00e9m do apoio diplom\u00e1tico e financeiro fornecido, n\u00e3o h\u00e1 certeza desse apoio militar, mas h\u00e1 rumores da presen\u00e7a de paramilitares russos no pa\u00eds h\u00e1 algum tempo. Fala-se tamb\u00e9m da presen\u00e7a de militantes do Hezbollah no pa\u00eds. A oposi\u00e7\u00e3o burguesa sempre divulga essa not\u00edcia, tentando aumentar o desprest\u00edgio do governo, assim como falam sobre agentes cubanos que comandam os quart\u00e9is venezuelanos.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma iniciativa de media\u00e7\u00e3o dos governos do Uruguai, do M\u00e9xico e do Papa Francisco que apontam para uma retirada de Maduro atrav\u00e9s da antecipa\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es na Venezuela.<\/p>\n<p><strong>Um governo muito fraco e pressionado<\/strong><\/p>\n<p>A ditadura venezuelana est\u00e1 na defensiva, tendo que enfrentar as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de um lado e a press\u00e3o do imperialismo do outro.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, Maduro est\u00e1 disposto a resistir, apoiado essencialmente na c\u00fapula das For\u00e7as Armadas. Mas j\u00e1 existem n\u00edtidos sinais de crise no aparato militar, e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever at\u00e9 quando Maduro vai se manter no poder.<\/p>\n<p>\u00c9 importante notar que a c\u00fapula das for\u00e7as Armadas venezuelanas \u00e9 o n\u00facleo principal da boliburguesia. A c\u00fapula das For\u00e7as Armadas, al\u00e9m de possuir diretamente empresas importantes, ainda controla diretamente o tr\u00e1fico de alimentos, rem\u00e9dios, petr\u00f3leo e moeda. Eles s\u00e3o bilion\u00e1rios em um pa\u00eds miser\u00e1vel. N\u00e3o por coincid\u00eancia, existem atualmente 2.000 generais na Venezuela, mais de sete vezes o n\u00famero de generais brasileiros. Esse \u00e9 o n\u00facleo da boliburguesia, que tem muito a perder no caso de uma queda da ditadura de Maduro. \u00c9 por isso que eles resistem.<\/p>\n<p><strong>Sinais de crise nas For\u00e7as Armadas e tamb\u00e9m no aparato paramilitar<\/strong><\/p>\n<p>Mas h\u00e1 n\u00edtidos sinais de crise. J\u00e1 houve deser\u00e7\u00f5es importantes, como a do adido militar venezuelano nos EUA e, recentemente, um general de avia\u00e7\u00e3o. Existem centenas de oficiais na pris\u00e3o, assim como deser\u00e7\u00f5es das tropas, principalmente na Guarda Nacional Bolivariana (GNB). Nos \u00faltimos meses, houve uma tentativa de revolta em uma base militar secund\u00e1ria. Maduro continua tendo capacidade repressiva, mas \u00e9 not\u00f3ria a fragilidade da ditadura, cada vez fica mais dif\u00edcil para os comandos antimotins passar de uma atitude passiva para reativa, o que \u00e9 um s\u00edmbolo da crise e come\u00e7am a refletir sinais de impot\u00eancia.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es continua existindo, mas n\u00e3o consegue sufocar os atos nem acabar com os protestos. N\u00e3o \u00e9 que o governo n\u00e3o reprime com for\u00e7a, mas cada vez \u00e9 mais dif\u00edcil faz\u00ea-lo e cada vez \u00a0essa repress\u00e3o tem menor efeito na dissuas\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es e protestos.<\/p>\n<p>H\u00e1 hist\u00f3rias de soldados que n\u00e3o querem atirar em seus parentes e vizinhos que participam das manifesta\u00e7\u00f5es.\u00a0Sua fraqueza pol\u00edtica e falta de apoio popular tornam imposs\u00edvel deter Guaid\u00f3, que permanece livre n\u00e3o por causa de uma posi\u00e7\u00e3o &#8220;democr\u00e1tica&#8221; de Maduro, mas por causa dessa debilidade.<\/p>\n<p>Os &#8220;coletivos&#8221;, grupos paramilitares utilizados pelo chavismo para reprimir as mobiliza\u00e7\u00f5es nos bairros populares, tamb\u00e9m mostram sintomas de crise. Muitos mudaram de lado passando a apoiar as mobiliza\u00e7\u00f5es. Outros se tornaram gangues comuns, que se vendem ao maior lance aproveitando-se de seu armamento pesado. Outros continuam apoiando o governo, geralmente em troca de bons pagamentos. Mas hoje os coletivos n\u00e3o conseguem mais dar garantias totais para a repress\u00e3o do governo nos bairros populares como nos anos anteriores.<\/p>\n<p>O governo, atrav\u00e9s dos seus servi\u00e7os policiais e de intelig\u00eancia, continua amea\u00e7ando e detendo l\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o e dirigentes pol\u00edticos e sindicais, mas isso n\u00e3o consegue frear os protestos dos trabalhadores e as manifesta\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas, ao contr\u00e1rio tendem a aumentar tamb\u00e9m em resposta \u00e0 repress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A press\u00e3o imperialista e a pol\u00edtica da oposi\u00e7\u00e3o burguesa<\/strong><\/p>\n<p>O imperialismo pressiona duramente Maduro e est\u00e1 avan\u00e7ando. Com a manobra da autoproclama\u00e7\u00e3o de Guaid\u00f3, conseguiu estabelecer um ponto de apoio vis\u00edvel, uma tentativa de duplo poder burgu\u00eas na Venezuela entre Maduro e Guaid\u00f3.<\/p>\n<p>Maduro controla o pa\u00eds, apoiado pelas For\u00e7as Armadas. Guaid\u00f3 n\u00e3o controla o pa\u00eds nem as suas for\u00e7as armadas, n\u00e3o tem poder efetivo no pa\u00eds (por isso n\u00e3o \u00e9 um verdadeiro duplo poder burgu\u00eas), mas \u00e9 apoiado diretamente pela maioria dos pa\u00edses imperialistas e os governos da Am\u00e9rica Latina. Come\u00e7a com a autoriza\u00e7\u00e3o imperialista para controlar parte da renda petroleira, nomeia diplomatas nos pa\u00edses que o apoiam e estes s\u00e3o reconhecidos por esses governos. Nos \u00faltimos dias, seu &#8220;embaixador&#8221; no Brasil apresentou credenciais a Bolsonaro, al\u00e9m de receber financiamento direto do imperialismo.<\/p>\n<p>\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o completamente diferente, nesse sentido, do enorme descr\u00e9dito da oposi\u00e7\u00e3o burguesa que existia at\u00e9 um m\u00eas atr\u00e1s. Agora, existe um &#8220;governo&#8221; de Guaid\u00f3, que tamb\u00e9m se transforma em refer\u00eancia para as massas venezuelanas que enfrentam Maduro<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o de um novo governo coloca a oposi\u00e7\u00e3o burguesa em uma situa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter mais volta (se n\u00e3o forem a fundo na sua pol\u00edtica correm o risco de um grande descr\u00e9dito como dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica), por isso, prevemos cen\u00e1rios decisivos para a crise pol\u00edtica que compromete seriamente o governo em suas pretens\u00f5es de continuidade. O imperialismo (com seu apoio \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o burguesa venezuelana) vai pressionar at\u00e9 o final para uma ruptura nas For\u00e7as Armadas venezuelanas, para derrubar Maduro sem necessidade de uma interven\u00e7\u00e3o militar estrangeira ou de uma explos\u00e3o popular. Esta \u00e9 realmente a sua principal pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o imperialismo mant\u00e9m em cima da mesa, como op\u00e7\u00e3o, a amea\u00e7a de interven\u00e7\u00e3o militar aberta ou disfar\u00e7ada de &#8220;ajuda humanit\u00e1ria&#8221;, em caso de n\u00e3o conseguir a queda imediata de Maduro.<\/p>\n<p>Uma explos\u00e3o popular pode escapar do controle do imperialismo. Essa nunca foi a pol\u00edtica do imperialismo, nem antes nem agora. Al\u00e9m do efeito cascata que uma queda de um ditador como Maduro, atrav\u00e9s de um levante popular genu\u00edno, pode causar no ascenso da luta de classes no continente.<\/p>\n<p>Uma interven\u00e7\u00e3o militar direta pode provocar uma polariza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds e no continente, podendo gerar uma guerra civil com consequ\u00eancias imprevis\u00edveis.<\/p>\n<p>Por este motivo, o imperialismo pressiona por uma divis\u00e3o nas For\u00e7as Armadas venezuelanas para conseguir a queda de Maduro e a posse efetiva de Guaid\u00f3 como presidente. Eles n\u00e3o querem que as massas venezuelanas derrubem Maduro.<\/p>\n<p><strong>A pol\u00eamica com a esquerda reformista<\/strong><\/p>\n<p>O cen\u00e1rio venezuelano \u00e9, portanto, complexo. A culpa pela atual situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds \u00e9 categoricamente do chavismo e da atual ditadura de Maduro.<\/p>\n<p>A esquerda reformista latino-americana tamb\u00e9m tem sua responsabilidade pela inexist\u00eancia de uma alternativa independente dos trabalhadores contra Maduro.<\/p>\n<p>A alternativa levantada desde o in\u00edcio do processo era a polariza\u00e7\u00e3o entre o chavismo e o imperialismo, ignorando que s\u00e3o duas alternativas burguesas. \u00c9 por isso que uma alternativa independente dos trabalhadores na Venezuela n\u00e3o foi constru\u00edda, e isso abriu espa\u00e7o agora para que seja a direita pr\u00f3-imperialista que esteja capitalizando a crise do Chavismo.<\/p>\n<p>Pior ainda. Na consci\u00eancia das massas, o chavismo \u00e9 identificado como &#8220;esquerda&#8221; como &#8220;socialista&#8221; por responsabilidade da esquerda reformista, e assim a crise da ditadura burguesia e corrupta de Maduro est\u00e1 sendo capitalizado pela direita como uma &#8220;crise do socialismo\u201d.<\/p>\n<p>N\u00f3s, da Liga Internacional dos Trabalhadores, recha\u00e7amos essas falsas alternativas. N\u00f3s lutamos diretamente contra o chavismo desde o seu nascimento, mostrando como se tratava de um nacionalismo burgu\u00eas, que nunca teve nada de socialista, e que tamb\u00e9m n\u00e3o rompia com o imperialismo.<\/p>\n<p>Junto com isso, estivemos ao lado das massas venezuelanas, na linha de frente na batalha contra o golpe imperialista em 2002 e contra a greve petroleira e o lockout patronal de 2002 &#8211; 2003 (impulsionado pelas principais sindicatos da burguesia venezuelana e o imperialismo) que tentaram depor Ch\u00e1vez. A mobiliza\u00e7\u00e3o das massas derrotou as duas tentativas imperialistas.<\/p>\n<p><strong>Como revolucion\u00e1rios, devemos estar do lado das massas para derrotar a ditadura e enfrentar as pretens\u00f5es imperialistas<\/strong>.<\/p>\n<p>Hoje, as gigantescas mobiliza\u00e7\u00f5es na Venezuela n\u00e3o s\u00e3o contra o imperialismo, mas contra o governo.<\/p>\n<p>As massas venezuelanas defendem o Fora Maduro; e agora os bairros populares de Caracas, que foram a base central da luta contra o golpe e outras iniciativas imperialistas, fazem parte da mobiliza\u00e7\u00e3o contra Maduro.<\/p>\n<p>A evidente contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 que a dire\u00e7\u00e3o dessas mobiliza\u00e7\u00f5es \u00e9 Guaid\u00f3, o fantoche imperialista que quer negociar a transi\u00e7\u00e3o com Maduro e que n\u00e3o \u00e9 mais que o cartucho para ser queimado durante a crise pol\u00edtica e dita transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste contexto, manifestamos que \u00a0nossa localiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 participar nas manifesta\u00e7\u00f5es contra Maduro, posicionando-nos categoricamente pelo Fora Maduro e contra a interven\u00e7\u00e3o imperialista. Queremos que as massas venezuelanas, e n\u00e3o o imperialismo, derrubem Maduro.<\/p>\n<p>Nossa pol\u00edtica se concentra em dois eixos: &#8220;Fora de Maduro&#8221; e &#8220;Fora do imperialismo da Venezuela&#8221;.<\/p>\n<p>Somos contra a posi\u00e7\u00e3o dos reformistas, como o PT brasileiro, que se posicionam contra o imperialismo, mas defendem politicamente a Maduro.<\/p>\n<p>Por outro lado, a interfer\u00eancia imperialista j\u00e1 existe, com o &#8220;governo autoproclamado de Guaid\u00f3 &#8221; e o sequestro do renda petroleira. Isso exige de n\u00f3s uma resposta de acordo com a nossa tradi\u00e7\u00e3o program\u00e1tica, de rep\u00fadio a toda a\u00e7\u00e3o imperialista.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m somos contra aqueles que se posicionam contra Maduro e ignoram a interven\u00e7\u00e3o imperialista, colocando-se objetivamente em uma unidade de a\u00e7\u00e3o com Trump e Guaid\u00f3.<\/p>\n<p>Somos parte das lutas e das mobiliza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores venezuelanos em suas mobiliza\u00e7\u00f5es contra Maduro, e lutamos contra a dire\u00e7\u00e3o pr\u00f3-imperialista dessas mobiliza\u00e7\u00f5es. Defendemos Fora Maduro! e defendemos Fora\u00a0 imperialismo da Venezuela! Fora Guaid\u00f3!<\/p>\n<p>Chamamos \u00e0s bases das for\u00e7as armadas venezuelanas para romper com a ditadura e juntar-se \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio impulsionar a partir da base os organismos de luta que est\u00e3o surgindo para a coordena\u00e7\u00e3o das mobiliza\u00e7\u00f5es salariais, agora diretamente para organizar a luta pela derrubada de Maduro.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio construir a partir da base uma greve geral que derrube Maduro e aponte uma alternativa independente dos trabalhadores, contra a ditadura e tamb\u00e9m contra Guaid\u00f3-Trump. Chamamos a Intersetorial dos Trabalhadores da Venezuela (ITV), como o mais progressivo que tem avan\u00e7ando na reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento, para estar na vanguarda desse processo.<\/p>\n<p>Somos contra aqueles que defendem Maduro, assim como somos contra aqueles que pressionam por uma &#8220;sa\u00edda negociada&#8221; com Maduro. N\u00f3s queremos que as massas derrubem Maduro.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos manifestamos, al\u00e9m disso, contra a &#8220;ajuda humanit\u00e1ria&#8221; do imperialismo, que seria uma interven\u00e7\u00e3o imperialista militar disfar\u00e7ada.<\/p>\n<p>No caso de se concretizar uma interven\u00e7\u00e3o militar imperialista, estaremos na linha de frente do combate contra ela. Embora esta n\u00e3o seja a pol\u00edtica priorit\u00e1ria do imperialismo, \u00e9 uma possibilidade. N\u00f3s n\u00e3o dizemos que esta agress\u00e3o militar j\u00e1 est\u00e1 acontecendo, mas pode acontecer.<\/p>\n<p>Nesse caso, quando isso acontecer (se acontecer), nos posicionaremos categoricamente contra a interven\u00e7\u00e3o militar imperialista, no campo militar de Maduro, sem lhe dar qualquer apoio pol\u00edtico. E, como parte disso, vamos exigir que Maduro distribua armas ao povo para resistir \u00e0 invas\u00e3o imperialista e que exproprie as multinacionais petrol\u00edferas que continuam operando na Venezuela.<\/p>\n<p><strong>Que as massas venezuelanas e, n\u00e3o o imperialismo dos EUA, derrubem Maduro!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fora o imperialismo da Venezuela!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fora Maduro!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Guaid\u00f3 \u00e9 um lacaio do imperialismo! Fora Guaid\u00f3!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Todo o apoio para as manifesta\u00e7\u00f5es contra Maduro! Nenhuma confian\u00e7a na dire\u00e7\u00e3o de Guaid\u00f3!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por um greve geral que derrube Maduro!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pela expropria\u00e7\u00e3o das empresas imperialistas e da boliburgues\u00eda, sob o controle dos trabalhadores!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pela estatiza\u00e7\u00e3o das empresas imperialistas e pelo confisco das fortunas da boliburguesia!<\/strong><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma crise brutal na Venezuela que mais uma vez tensiona o pa\u00eds, assim como ao movimento de massas na Am\u00e9rica Latina. \u00c9 um processo complexo que exige, da esquerda revolucion\u00e1ria, respostas categ\u00f3ricas, que certamente v\u00e3o marcar uma divis\u00e3o de \u00e1guas ao n\u00edvel da esquerda mundial.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":26137,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3610,167],"tags":[7074,6762,7075,7076,7077,6998,7078,3611],"class_list":["post-26136","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-declaracao-lit-qi","category-venezuela","tag-ajuda-humanitaria-venezuela","tag-boliburguesia","tag-declaracao-lit-qi-venezuela","tag-fora-gauido","tag-fora-imperialismo","tag-fora-maduro","tag-intervencao-imperialista-venezuela","tag-lit-qi"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Protestos-Venezuela.jpg","categories_names":["Declara\u00e7\u00f5es","Venezuela"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26136"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26136\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26137"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}