{"id":26073,"date":"2019-02-08T07:55:23","date_gmt":"2019-02-08T09:55:23","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=26073"},"modified":"2019-02-08T07:55:23","modified_gmt":"2019-02-08T09:55:23","slug":"polemica-o-pts-e-seus-fantasmas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/02\/08\/polemica-o-pts-e-seus-fantasmas\/","title":{"rendered":"Pol\u00eamica: o PTS e seus fantasmas"},"content":{"rendered":"<p><em>O Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS), um dos membros da Frente de Esquerda dos Trabalhadores (FIT), publica uma nota intitulada \u201cA crise do Movimento ao Socialismo (MAS), li\u00e7\u00f5es para o presente\u201d em sua revista Ideas de Izquierda Nro. 45<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Ricardo Garc\u00eda<\/p>\n<p>Trata-se da en\u00e9sima ocasi\u00e3o que esta corrente, surgida de uma ruptura com o MAS e a LIT em 1988, tenta explicar a explos\u00e3o do partido em 1992\u00a0 que, como eles mesmos exp\u00f5em, chegou a ter quase dez mil militantes e forte inser\u00e7\u00e3o na classe oper\u00e1ria argentina.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o do PTS constr\u00f3i um relato, incorporando alguns elementos corretos. Mas a servi\u00e7o de sustentar um conceito global falso: que o MAS desapareceu \u201cvarrido pelos acontecimentos\u201d, pelas elabora\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e as hip\u00f3teses nacionais e internacionais equivocadas de Moreno e as pol\u00edticas que geraram.<\/p>\n<p>As coisas n\u00e3o foram bem assim. O MAS desapareceu, mas por motivos diferentes. Vamos aos fatos, suas conclus\u00f5es e nossa opini\u00e3o sobre qual \u00e9 o motivo pelo qual o PTS precisa \u201capertar os parafusos\u201d em seu balan\u00e7o do MAS.<\/p>\n<p><strong>O MAS era parte de uma constru\u00e7\u00e3o internacional, a LIT-QI<\/strong><\/p>\n<p>O PTS oculta que o MAS, que explodiu, era parte da Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional, que n\u00e3o explodiu, e sim, ap\u00f3s uma crise, foi capaz de manter-se como a principal corrente trotskista da Am\u00e9rica Latina e uma das principais do mundo.<\/p>\n<p>O PTS analisa o MAS desligado da LIT. N\u00e3o leva em conta a concep\u00e7\u00e3o de Nahuel Moreno (que era a mesma de Trotsky) sobre a constru\u00e7\u00e3o de partidos nacionais como parte indissol\u00favel da constru\u00e7\u00e3o de uma internacional.<\/p>\n<p>Essa forma de ver as coisas \u00e9 produto de seu nacional trotskismo e sua concep\u00e7\u00e3o de \u201cpartido m\u00e3e\u201d, a partir da qual tentam construir uma corrente internacional \u201cexportando\u201d o modelo do PTS argentino, com \u201cembaixadores\u201d que viajam pelo mundo. Uma educa\u00e7\u00e3o p\u00e9ssima para sua milit\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Esta an\u00e1lise nacionalista, exige ocultar que a LIT levou adiante, com muitas dificuldades, um combate contra os desvios da dire\u00e7\u00e3o que dirigiu o MAS a partir da morte de Moreno. E que depois enfrentou a luta fracional entre duas alas dessa dire\u00e7\u00e3o \u2013 ambas opostas ao projeto hist\u00f3rico da LIT e do morenismo \u2013 quando elas se enredaram em uma disputa fracional pelo controle do partido que foi, definitivamente, o verdadeiro motivo da explos\u00e3o do MAS.<\/p>\n<p><strong>O MAS<\/strong><\/p>\n<p>O MAS nasceu em 1982, com cerca de 600 militantes, por interm\u00e9dio da funda\u00e7\u00e3o da LIT \u2013 QI. Em poucos anos conseguiu uma influencia muito grande nas f\u00e1bricas e estruturas oper\u00e1rias.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a grande greve geral de 1986, com a consigna de <em>\u201cMorat\u00f3ria do pagamento da d\u00edvida externa\u201d<\/em>, Alfons\u00edn acusava o MAS: <em>\u201cA democracia n\u00e3o interessa a esses setores trotskista, desejam acelerar as contradi\u00e7\u00f5es com o prop\u00f3sito de continuar buscando carne de canh\u00e3o que sirva a seus interesses esp\u00farios de tomar o poder\u201d<\/em> <a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote1sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>1<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O MAS tinha um peso eleitoral ultraminorit\u00e1rio. O jornal Clar\u00edn no seu editorial: <em>\u201cO MAS n\u00e3o produz p\u00e2nico pelo n\u00famero de votos que arrasta, e sim pelas estruturas sindicais que conseguiu controlar,\u2026\u201d<\/em> \u00c2mbito financeiro, em um di\u00e1logo com um grande empres\u00e1rio:<em> \u201c\u20262.000 estabelecimentos de mais de 150 trabalhadores cada um na Capital, a Grande Buenos Aires, Santa F\u00e9 e C\u00f3rdoba tem hoje sindicalistas \u2013 n\u00e3o todos, mas tem \u2013 do MAS\u2026\u201d<\/em><a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote2sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>2<\/sup><\/a>. Os jornais se alarmavam pelo avan\u00e7o de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria sobre as f\u00e1bricas e estabelecimentos, que era justamente a orienta\u00e7\u00e3o do MAS.<\/p>\n<p>O Balan\u00e7o do II Congresso do MAS de 1988 dizia: <em>\u201cEstamos em 66 das 122 empresas industriais e da constru\u00e7\u00e3o com mais de 500 oper\u00e1rios de todo o pa\u00eds(\u2026).\u201d<\/em> E <em>\u201cEstamos nas 10 maiores f\u00e1bricas da Grande Buenos Aires, com 17.200 trabalhadores (\u2026)somos codire\u00e7\u00e3o nas 10, dominando se\u00e7\u00f5es e entre 20% e 40% do Corpo de Delegados\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Durante esses anos houve erros \u2013 os veremos \u2013 mas foram erros no marco de uma constru\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, socialista, revolucion\u00e1ria e internacionalista.<\/p>\n<p><strong>Crise<\/strong><\/p>\n<p>Moreno faleceu em janeiro de 1987. O Congresso de 1988, o primeiro depois da morte de Moreno, representou uma mudan\u00e7a de rumo, o in\u00edcio de um desvio acelerado de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa, que culminou na crise dos anos 90.<\/p>\n<p>A\u00ed se inicia a segunda etapa do MAS, a de seu desvio. A partir desse momento, domina a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa e o eleitoralismo, e se abre um curso que amea\u00e7ou o car\u00e1ter revolucion\u00e1rio do partido.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o que sucedeu a Moreno, e que assumiu a dire\u00e7\u00e3o da LIT, fracassou. Respondeu mal \u00e0 queda do governo de Alfons\u00edn e aos acontecimentos internacionais que levaram \u00e0 explos\u00e3o da ex URSS. E se afastou conscientemente da classe oper\u00e1ria industrial como centro de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A nova dire\u00e7\u00e3o do MAS errou, e isso levou a uma crise. <strong>Mas isso n\u00e3o condenava o MAS \u00e0 explos\u00e3o e desaparecimento.<\/strong> Em 1990 abriu-se na LIT e no MAS um debate sobre esses erros, que foram reconhecidos. Houve uma mudan\u00e7a na dire\u00e7\u00e3o da LIT. A partir de seus organismos houve uma luta contra esse curso errado.<\/p>\n<p><strong>A explos\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Mas a dire\u00e7\u00e3o que sucedeu Moreno <em>\u201cAo inv\u00e9s de iniciar um processo de profundo estudo e reflex\u00e3o sobre os erros e desvios cometidos, iniciou, no marco de uma grande confus\u00e3o pol\u00edtica, uma luta infernal, fracional, de disputa pela dire\u00e7\u00e3o, com m\u00e9todos alheios \u00e0 nossa tradi\u00e7\u00e3o, em torno a balan\u00e7o e responsabilidades, assim como sobre as corre\u00e7\u00f5es que era necess\u00e1rio fazer, e essa disputa fracional se estendeu ao conjunto da LIT.<\/em><\/p>\n<p><em>Este processo, em sua din\u00e2mica, levou \u00e0 explos\u00e3o do MAS, que se expressou em v\u00e1rias rupturas, de diferentes tamanhos, tanto a n\u00edvel do MAS como da maioria dos partidos da LIT.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 importante destacar que a metodologia usada pela maioria dos dirigentes para dirimir as diferen\u00e7as pol\u00edticas e disputar a dire\u00e7\u00e3o do partido (o que inclui as fra\u00e7\u00f5es secretas, cal\u00fanias e at\u00e9 agress\u00f5es f\u00edsicas) apesar de n\u00e3o serem a causa da crise do partido, foram determinantes para sua destrui\u00e7\u00e3o\u201d<\/em> <a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote3sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>3<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ambas as fra\u00e7\u00f5es em que se dividiu a dire\u00e7\u00e3o argentina, tiveram um curso de ruptura com o morenismo, que se expressou em sua ruptura com a LIT e seu projeto. Uma delas, que deu origem ao MST, e seu desprendimento posterior IS, rompeu com a LIT em 1992, desviando-se do morenismo. A outra, que continuou no MAS, logo se dividiu no que \u00e9 hoje o Nuevo MAS e outras correntes que fazem parte, por exemplo, da Frente Dar\u00edo Santill\u00e1n, renegaram o morenismo, e sa\u00edram da LIT em 1997. Um setor dela, saiu em 1994 e depois se reintegrou \u00e0 LIT<a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote4sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>4<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ambas capitularam ao chavismo. E fazem parte de partidos amplos \u201canticapitalistas\u201d, como o PSOL brasileiro (ao qual curiosamente o PTS tamb\u00e9m reivindica). Isto \u00e9, romperam com a concep\u00e7\u00e3o do trostkismo ortodoxo do qual o morenismo sempre se reivindicou, de enfrentamento \u00e0s correntes nacionalistas burguesas e ao reformismo.<\/p>\n<p>A LIT teve as reservas para enfrentar seus erros e desvios do MAS. Ap\u00f3s uma longa crise conseguiu iniciar sua reconstru\u00e7\u00e3o. A dire\u00e7\u00e3o do MAS que sobreviveu a Moreno n\u00e3o, e por isso o MAS desapareceu.<\/p>\n<p><strong>Havia erros em Moreno?<\/strong><\/p>\n<p>Isto n\u00e3o significa negar que houve erros na arma\u00e7\u00e3o de nossa corrente na vida de Moreno, assim como em sua pol\u00edtica. Uma corrente revolucion\u00e1ria se constr\u00f3i aprendendo de seus erros, corrigindo-os.<\/p>\n<p>Todos os partidos revolucion\u00e1rios sofrem press\u00f5es dos \u201cacontecimentos hist\u00f3ricos\u201d. E \u00e0s vezes respondem de maneira equivocada. A capacidade de um partido e sua dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o reside em sua infalibilidade, e sim na forma em que avalia esses erros, em como reconhece e modifica. Esse era um dos grandes m\u00e9ritos de Moreno, que sempre zombou dos dirigentes que se acreditavam \u201cinfal\u00edveis\u201d e contou a hist\u00f3ria de nossa corrente a partir de seus desvios e erros, assim como das corre\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A LIT vem retomando uma profunda elabora\u00e7\u00e3o program\u00e1tica, e alguns deles s\u00e3o evidentes<a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote5sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>5<\/sup><\/a>. Por exemplo, a forma\u00e7\u00e3o da Frente del Pueblo em 1985, com o PC, foi um erro. Pelo seu programa e porque alian\u00e7as eleitorais com o reformismo s\u00e3o somente excepcionais e sua generaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 alheia ao leninismo.<\/p>\n<p>Sobretudo em momentos em que o PC da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica iniciava a restaura\u00e7\u00e3o capitalista (coisa que em 1985 ningu\u00e9m viu, mas que agora \u00e9 conhecida).<\/p>\n<p>Por seu lado, a utiliza\u00e7\u00e3o da consigna da Assembleia Constituinte como central para enfrentar o regime pol\u00edtico, tal como figura no texto<em> \u201c1982, come\u00e7a a revolu\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, foi um erro. Enfrenta-se o regime impulsionando a constru\u00e7\u00e3o de organismos de auto-organiza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular para substitu\u00ed-lo<a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote6sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>6<\/sup><\/a>\u00a0. Esse erro teve sua incid\u00eancia na resposta \u00e0 crise e queda de Alfons\u00edn em 1989. A LIT, a partir das revolu\u00e7\u00f5es de 2001 na Argentina e 2003 na Bol\u00edvia, revalorizou essa consigna e sua utiliza\u00e7\u00e3o ante processos revolucion\u00e1rios, criticando a utiliza\u00e7\u00e3o que fazem dela, por exemplo o PO, o PTS e o Nuevo MAS na Argentina, que a utilizaram em 2001 como consigna de poder, quando se trata de uma consigna de car\u00e1ter democr\u00e1tico. \u00c9 sintom\u00e1tico que o PTS n\u00e3o localize esse erro em sua cr\u00edtica, porque junto com todo o centrismo, continuam reivindicando-o.<\/p>\n<p>Por outro lado, \u00e9 fato que Moreno e a LIT n\u00e3o conseguiram identificar a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo na China a partir de 1978 e na ex URSS a partir de 1985. \u00c9 verdade que a informa\u00e7\u00e3o era quase nula, mas o erro teve consequ\u00eancias pol\u00edticas importantes. As sucessivas rupturas da LIT negaram-se a reconhecer a restaura\u00e7\u00e3o e elaborar a respeito<a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote7sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>7<\/sup><\/a>. Ou, como no caso de alguns dirigentes<a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote8sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>8<\/sup><\/a>, tiraram a conclus\u00e3o de que o trotskismo havia fracassado. A LIT desenvolveu h\u00e1 anos uma an\u00e1lise sobre os acontecimentos do Leste, e isso lhe permitiu uma compreens\u00e3o global desses processos, sua sequencia, significado e consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o do MAS que substituiu Moreno revisou o trotskismo ortodoxo, isto \u00e9 o morenismo, justamente apoiando-se em alguns de seus erros. Por exemplo, construindo Izquierda Unida em 1989 junto com o PC, ou na forma que utilizou a consigna da Assembleia Constituinte em 1989 diante da crise do governo de Alfons\u00edn.<\/p>\n<p>Entretanto, repetimos, essa foi a raz\u00e3o da crise, mas n\u00e3o da explos\u00e3o. <strong>O MAS desapareceu pela forma como a dire\u00e7\u00e3o reagiu aos erros, fracionou-se pelo controle do partido, rompeu com o projeto de Moreno e da LIT, e rompeu com a pr\u00f3pria LIT.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os falsos \u201cmotivos\u201d da explos\u00e3o para o PTS<\/strong><\/p>\n<p>O PTS nos diz que a explos\u00e3o aconteceu devido \u00e0 \u201cTeoria da Revolu\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica\u201d e sobre as revolu\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX, a hip\u00f3teses erradas sobre a vanguarda, \u00e0 ruptura com o peronismo e o desenvolvimento da situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, e ao eleitoralismo do MAS.<\/p>\n<p>Sobre as quest\u00f5es te\u00f3ricas j\u00e1 polemizamos muito, e continuaremos fazendo<a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote9sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>9<\/sup><\/a>. Em nossa opini\u00e3o, a vis\u00e3o do PTS \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do programa de transi\u00e7\u00e3o e seu m\u00e9todo.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s hip\u00f3teses abertas a partir da queda da ditadura, em nossa opini\u00e3o se constataram no central. 2001 \u00e9 prova disso. Faremos esta pol\u00eamica em um material \u00e0 parte.<\/p>\n<p>Quanto ao eleitoralismo, \u00e9 verdade que houve erros no MAS na vida de Moreno, e que ap\u00f3s sua morte o MAS teve um desvio eleitoralista. Isso foi combatido pela LIT, e continuamos elaborando sobre o tema. Mas isso n\u00e3o foi a causa da explos\u00e3o e desaparecimento do MAS.<\/p>\n<p><strong>Os motivos dos balan\u00e7os recorrentes<\/strong><\/p>\n<p>Qual \u00e9 o motivo dessa obsess\u00e3o por explicar v\u00e1rias vezes a explos\u00e3o de uma corrente com a qual romperam h\u00e1 mais de 30 anos? Opinamos que h\u00e1 tr\u00eas motivos.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, denigrem o MAS para evitar a explica\u00e7\u00e3o de um fato: o PTS e o PO, que s\u00e3o hoje os maiores partidos de esquerda, com mais de um milh\u00e3o de votos e muitos deputados, n\u00e3o conseguiram nem a d\u00e9cima parte da implanta\u00e7\u00e3o na classe oper\u00e1ria que tinha o velho MAS. E isso, levando em conta que os acontecimentos de 2001 abriram uma nova realidade, que deu mais condi\u00e7\u00f5es para construir partidos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, continuam lutando contra o \u201cmorenismo\u201d, porque t\u00eam que lutar contra a Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional e suas se\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O PSTU do Brasil \u00e9 o principal partido trotskista do pa\u00eds, e com maior implanta\u00e7\u00e3o na classe oper\u00e1ria do mundo. Dirige a CSP-Conlutas, uma central sindical com extens\u00e3o nacional e cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de trabalhadores na base, que por sua vez constru\u00edram a Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas, a principal tentativa de coordena\u00e7\u00e3o sindical revolucion\u00e1ria mundial. O pequeno grupo do PTS no Brasil, o MTR, \u00e9 uma das dezenas de correntes internas minorit\u00e1rias dessa Central.<\/p>\n<p>Na Argentina, nosso pequeno partido, o PSTU-A, posicionou-se \u00e0 esquerda do conjunto das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda do pa\u00eds. Levantamos a consigna de Fora Macri, quando o PTS e demais correntes se negavam. E tivemos uma forte identifica\u00e7\u00e3o com as principais a\u00e7\u00f5es diretas independentes de nossa classe, em 14 e 18 de dezembro de 2017, raz\u00e3o pela qual temos um dirigente partid\u00e1rio petroleiro preso h\u00e1 meses; e outro dirigente de nosso partido e da GM de Ros\u00e1rio perseguido pela justi\u00e7a h\u00e1 um ano.<\/p>\n<p>Polemiza falsificando a hist\u00f3ria do velho MAS, porque est\u00e1 polemizando com uma corrente trotskista, a LIT-QI, que \u00e9 cr\u00edtica pela esquerda, a partir de um ponto de vista revolucion\u00e1rio e internacionalista, da pol\u00edtica e da a\u00e7\u00e3o que desenvolvem as vertentes nacional-trotskistas e centristas que fazem parte da FIT.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, h\u00e1 mais uma raz\u00e3o, talvez a mais importante.<\/p>\n<p>O PTS assinala erros de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa e nas participa\u00e7\u00f5es eleitorais do velho MAS. Concordamos em parte com essa cr\u00edtica.<\/p>\n<p>No entanto, a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa do velho MAS ap\u00f3s a morte de Nahuel Moreno, quando o que eram erros inevit\u00e1veis dentro de uma constru\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria se constitu\u00edram no centro da a\u00e7\u00e3o do partido, n\u00e3o chegou nem aos p\u00e9s da atual adapta\u00e7\u00e3o da FIT.<\/p>\n<p>Nunca se apresentaram leis em comum com os principais partidos burgueses, como ocorreu com a Lei de Jardins de Inf\u00e2ncia em CABA (ver bem), o 2&#215;1 ou o projeto sobre o aborto, nem se posou em fotos fraternas com deputadas mulheres em nome da \u201csororidade\u201d \u2013 isto \u00e9, da concilia\u00e7\u00e3o de classes -, deputadas que dias antes e dias depois votaram as piores leis contra nossa classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Nunca, a participa\u00e7\u00e3o nas lutas e nos processos de organiza\u00e7\u00e3o estiveram a servi\u00e7o de uma estrat\u00e9gia eleitoral na medida em que \u00a0faz a FIT agora. O \u201clute e vote\u201d, que o PTS confere ao MAS e que como vimos \u00e9 falso at\u00e9 a morte de Moreno, \u00e9 a marca distintiva dos partidos da FIT.<\/p>\n<p>Nunca se esteve t\u00e3o longe do tipo de candidatos oper\u00e1rios que eram a norma no leninismo<a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote10sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>10<\/sup><\/a>, apresentando companheiros muito respeit\u00e1veis, mas com um perfil bastante distante da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Sobretudo quando o PTS tem dirigentes oper\u00e1rios para apresentar como seus principais candidatos. Nunca entendemos porque, depois de anos de candidatos como Montes, Godoy, Hermosilla, os Del Ca\u00f1o, Bregman, Castillo, passaram a ser suas figuras estelares.<\/p>\n<p>O PTS polemiza com o MAS para desviar a cr\u00edtica que o melhor da vanguarda oper\u00e1ria, juvenil e popular faz contra a FIT e seus partidos: seu brutal eleitoralismo e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que o PTS n\u00e3o tenha uma crise por isto. N\u00e3o tem uma verdadeira internacional, com crit\u00e9rios leninistas \u2013 isto \u00e9, uma internacional que n\u00e3o exista ao redor de um \u201cpartido m\u00e3e\u201d -, que possa enfrentar esse afastamento do trotskismo por parte do PTS. Nem at\u00e9 agora surgiram (que n\u00f3s saibamos) setores em seu seio com reservas trotskistas que iniciem um combate contra esses desvios. Se for assim, seu curso ser\u00e1 irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote1anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1<\/a>\u00a0Diario La Naci\u00f3n \u2013 18\/1\/86.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote2anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2<\/a>\u00a0Ver artigo \u201cO MAS na mira\u201d \u2013 Correio Internacional mar\u00e7o 1986 \u2013 Arquivo Le\u00f3n Trotsky.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote3anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">3<\/a>\u00a0Ver Balan\u00e7o de Atividades do XIII Congresso da LIT, julho de 2018, publicado em Edi\u00e7\u00f5es Marxismo Vivo, S\u00e3o Paulo, 2018.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote4anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">4<\/a>\u00a0O PST colombiano, e setores dos partidos argentino, espanhol, etc. que formaram o CITO (Centro Internacional de Trotskismo ortodoxo) se mantiveram nos marcos do trotskismo ortodoxo, e se reintegraram \u00e0 LIT em 2006.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote5anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">5<\/a>\u00a0Idem nota 3.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote6anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">6<\/a>\u00a0Essa formula\u00e7\u00e3o foi contraria \u00e0s pr\u00f3prias elabora\u00e7\u00f5es de Moreno. Tanto em\u00a0<em>Revoluci\u00f3n y contrarrevoluci\u00f3n en Portugal\u00a0<\/em>(1975), como em\u00a0<em>Actualizaci\u00f3n del programa de Transici\u00f3n\u00a0<\/em>(1982), insiste em que o desenvolvimento desses organismos \u00e9 o centro da pol\u00edtica em situa\u00e7\u00f5es revolucionarias, como a que vivia a Argentina.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote7anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">7<\/a>\u00a0Igual ao PO e o PTS, que continuam falando de um \u201cprocesso\u201d, como se n\u00e3o fossem ainda estados capitalistas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote8anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">8<\/a>\u00a0Ver \u201c<em>Despu\u00e9s del Stalinismo<\/em>\u201d, Andr\u00e9s Romero.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote9anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">9<\/a>\u00a0Ver \u00faltima nota em http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-con-el-pts-la-crisis-del-mas-de-los-80-parte-1\/.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pstu.com.ar\/polemica-el-pts-y-sus-fantasmas\/#sdfootnote10anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10<\/a>\u00a0Ver\u00a0<em>El Partido Comunista y el Parlamentarismo<\/em>\u00a0(Resolu\u00e7\u00e3o do segundo congresso da\u00a0 III Internacional em 1920).<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS), um dos membros da Frente de Esquerda dos Trabalhadores (FIT), publica uma nota intitulada \u201cA crise do Movimento ao Socialismo (MAS), li\u00e7\u00f5es para o presente\u201d em sua revista Ideas de Izquierda Nro. 45<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":26074,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[49],"tags":[7051,3611,7052,7053,1449,5607],"class_list":["post-26073","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-polemica","tag-crise-mas-argentina","tag-lit-qi","tag-mas-argentina","tag-moeno","tag-pts","tag-ricardo-garcia"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/moreno-30-fin.jpg","categories_names":["Pol\u00eamica"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26073","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26073"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26073\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26074"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26073"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26073"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}