{"id":25873,"date":"2019-01-19T09:38:24","date_gmt":"2019-01-19T11:38:24","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25873"},"modified":"2026-02-06T13:24:54","modified_gmt":"2026-02-06T13:24:54","slug":"do-caracazo-a-crise-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/01\/19\/do-caracazo-a-crise-atual\/","title":{"rendered":"Do Caracazo \u00e0 crise atual"},"content":{"rendered":"<p><em>Desde 1999, o processo que o falecido Hugo Ch\u00e1vez e o chavismo lideraram na Venezuela foi apoiado por in\u00fameras organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, milh\u00f5es de trabalhadores e milhares de lutadores, em seu pa\u00eds e em todo o mundo, entusiasmados pelo projeto que se auto-denominou como Socialismo do S\u00e9culo XXI (Ch\u00e1vez, inclusive, chegou a se declarar \u201ctrotskista\u201d).<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>De fato, surgiu um \u201cmovimento chavista\u201d internacional que, embora nunca tivesse uma unidade organizativa formal, chegou a ser a principal corrente da esquerda mundial, no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>A atualidade \u00e9 completamente diferente daqueles momentos de gl\u00f3ria. Dentro do pa\u00eds, o governo de Nicol\u00e1s Maduro (sucessor de Ch\u00e1vez desde 2013) \u00e9 apoiado por apenas 20% dos venezuelanos, no marco de uma realidade de fome e repress\u00e3o para os trabalhadores e o povo. No mundo, uma parte importante das organiza\u00e7\u00f5es que apoiaram e defenderam o chavismo hoje se distanciam disto (outras continuam apoiando), enquanto os milh\u00f5es de trabalhadores que simpatizaram com este processo o veem como um novo engano que n\u00e3o mudou nada e acabou piorando as coisas para o povo.<\/p>\n<p>Na revista Correio Internacional n.\u00ba 14, de novembro de 2015 (pouco antes do Chavismo perder as elei\u00e7\u00f5es legislativas frente \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o de direita, em uma propor\u00e7\u00e3o de 2 para 1), diz\u00edamos que as raz\u00f5es do fracasso do projeto chavista estavam em sua raiz de classe burguesa. Por isso, nunca fez uma constru\u00e7\u00e3o socialista e nem sequer avan\u00e7ou nesse caminho. Sempre manteve intactas as bases do sistema capitalista venezuelano e atuou dentro de uma institucionalidade burguesa do Estado.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de outras correntes de esquerda que foram mudando suas posi\u00e7\u00f5es, de nossa parte, n\u00e3o \u00e9 uma conclus\u00e3o recente, mas a posi\u00e7\u00e3o que mantivemos desde o in\u00edcio do processo. Uma defini\u00e7\u00e3o que nos levou a ser, desde o in\u00edcio, oposi\u00e7\u00e3o de esquerda ao projeto chavista, em defesa dos interesses da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por isso, para entender os debates atuais (que desenvolvemos em outro artigo), nos parece necess\u00e1rio fazer uma revis\u00e3o da hist\u00f3ria venezuelana das \u00faltimas d\u00e9cadas, para entender, por um lado, o contexto do surgimento de Ch\u00e1vez e do chavismo e, por outro lado, seu verdadeiro papel nesse contexto.<\/p>\n<p><strong>O modelo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista venezuelano<\/strong><\/p>\n<p>O marco deste processo hist\u00f3rico \u00e9 que na Venezuela, ao longo do s\u00e9culo XX, se consolidou um modelo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista que temos definido como rentista, petroleiro, parasit\u00e1rio e semi-colonial.<\/p>\n<p>A economia do pa\u00eds se baseia na extra\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s (possui as maiores reservas de hidrocarbonetos da Am\u00e9rica Latina). \u00c9 um modelo rentista porque funciona ao redor da renda petroleira: uma margem de lucro superior \u00e0 das outras atividades produtivas e que depende muito menos dos investimentos burgueses. Por isso, as flutua\u00e7\u00f5es do pre\u00e7o internacional do petr\u00f3leo s\u00e3o as que determinam o plano de fundo da din\u00e2mica dos processos pol\u00edticos venezuelanos.<\/p>\n<p>Esse car\u00e1ter rentista se transforma, inevitavelmente, em parasit\u00e1rio. Quase toda a burguesia nacional vive de parasitar essa renda, atrav\u00e9s do Estado ou na atividade privada, e dela o Imperialismo tamb\u00e9m extrai lucros. Assim, se desenvolve uma tend\u00eancia a investir e produzir cada vez menos no pa\u00eds (alimentos e produtos industriais) e obt\u00ea-los atrav\u00e9s da importa\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m prov\u00e9m da importa\u00e7\u00e3o o consumo de bens de luxo da burguesia.<\/p>\n<p>Finalmente, \u00e9 semi-colonial porque parte importante da riqueza nacional \u00e9 apropriada, atrav\u00e9s de vias diferentes, pelo imperialismo (a explora\u00e7\u00e3o direta do petr\u00f3leo, o pagamento da d\u00edvida externa, as vendas de produtos, etc.).<\/p>\n<p><strong>O auge do regime de Punto Fijo<\/strong><\/p>\n<p>Sobre a base deste modelo de acumula\u00e7\u00e3o, entre 1958 e 1989, a pol\u00edtica burguesa venezuelana se baseou no regime institucional iniciado com o \u201cPacto de Punto Fijo\u201d. Foi assinado pelos principais partidos burgueses do pa\u00eds: A\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica (AD) e Partido Social Crist\u00e3o (COPEI).<\/p>\n<p>Este pacto buscava, primeiramente, acabar com a interven\u00e7\u00e3o permanente das FFAA (atrav\u00e9s de golpes e governos militares) na vida pol\u00edtica do pa\u00eds. Em segundo lugar, constituir um regime democr\u00e1tico burgu\u00eas s\u00f3lido e est\u00e1vel, baseado nas institui\u00e7\u00f5es \u201cnormais\u201d deste regime (elei\u00e7\u00f5es, presidente e Parlamento). Os resultados eleitorais seriam respeitados: a presid\u00eancia correspondia ao candidato mais votado, mas o gabinete deveria ser formado, de forma equilibrada, com ministros de todas as organiza\u00e7\u00f5es (sobre a base de um \u201cprograma m\u00ednimo comum\u201d), e assim repartir a administra\u00e7\u00e3o da parte da renda petroleira que ficava no Estado.<\/p>\n<p>Este regime burgu\u00eas foi se consolidando e alcan\u00e7ou uma estabilidade institucional que durou tr\u00eas d\u00e9cadas. As rendas da riqueza petroleira permitiram que a burguesia venezuelana discutisse seus neg\u00f3cios mais tranquilamente e, ao mesmo tempo, dar algumas concess\u00f5es aos trabalhadores e ao povo.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1970, se deram os \u201canos dourados\u201d do regime e da burguesia tradicional venezuelana. Especialmente, a partir de 1973, quando o pre\u00e7o do petr\u00f3leo duplicou em poucas semanas e depois continuou subindo. As grandes companhias petrol\u00edferas internacionais ganharam fortunas enquanto os pa\u00edses exportadores recebiam importantes receitas adicionais em d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Em 1974, Carlos Andr\u00e9s P\u00e9rez (AD) assume a presid\u00eancia. Com essas altas rendas, P\u00e9rez e a burguesia venezuelana conseguiram se dar muitos luxos. Em 1975, a ind\u00fastria do ferro \u00e9 nacionalizada. Em 1976, a ind\u00fastria do petr\u00f3leo, e se cria a PDVSA (Petr\u00f3leos da Venezuela) como monop\u00f3lio estatal. S\u00e3o constru\u00eddas estradas, represas e centrais el\u00e9tricas, bairros de moradias populares&#8230; H\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o de pleno emprego e os trabalhadores, com suas lutas e reivindica\u00e7\u00f5es, conseguem importantes conquistas econ\u00f4micas. Ao mesmo tempo, a burguesia e os setores m\u00e9dios do pa\u00eds viviam uma \u201cfesta das importa\u00e7\u00f5es\u201d de carros de luxo, eletrodom\u00e9sticos e bens de luxo. Neste marco, como uma espada que depois seria muito perigosa, a d\u00edvida nacional interna e externa se multiplicou doze vezes.<\/p>\n<p><strong>O \u201cfim da festa\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Mas a festa terminaria: o pre\u00e7o do petr\u00f3leo no mercado mundial congelou no final dos anos 70, depois come\u00e7ou uma queda e, com isso, caiu a renda do pa\u00eds. P\u00e9rez terminou seu mandato em 1979, e deixou como heran\u00e7a uma pesada d\u00edvida p\u00fablica, um Estado gigantesco e um regime cada vez mais corrupto.<\/p>\n<p>O cumprimento da d\u00edvida p\u00fablica tornava-se cada vez mais pesado e isso obrigava os diferentes governos a fazer ajustes permanentes, ordenados pelo FMI. As condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e das massas se deterioravam cada vez mais: crescia o desemprego, o poder de compra dos sal\u00e1rios diminu\u00eda, diminu\u00edam ou desapareciam as conquistas e os benef\u00edcios sociais da d\u00e9cada anterior. A bronca das massas se acumulava e eram mais frequentes as greves de diferentes sindicatos, as manifesta\u00e7\u00f5es estudantis, e os protestos populares em v\u00e1rias cidades. Em 1987, houve uma importante greve geral. Os sucessivos governos estavam cada vez mais fracos.<\/p>\n<p><strong>O Caracazo<\/strong><\/p>\n<p>A A\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica (AD) era considerada \u201co partido do povo\u201d, com uma hist\u00f3ria de luta contra as ditaduras e de apoio \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o cubana. Era um partido de massas, que dirigia o movimento sindical (controlava a Central dos Trabalhadores da Venezuela &#8211; CTV). Neste marco, Carlos Andr\u00e9s P\u00e9rez, ap\u00f3s um amplo triunfo eleitoral, assume novamente a presid\u00eancia no in\u00edcio de 1989. Os trabalhadores e as massas tinham a esperan\u00e7a de que se repetissem os \u201canos dourados\u201d de seu governo anterior.<\/p>\n<p>Mas essas esperan\u00e7as duraram muito pouco. Poucos dias depois, com as reservas internacionais esgotadas, um monstruoso d\u00e9ficit fiscal, desabastecimento generalizado e servi\u00e7os p\u00fablicos deteriorados, P\u00e9rez lan\u00e7ou um brutal \u201cpacote\u201d econ\u00f4mico contra os trabalhadores e o povo: duplica\u00e7\u00e3o do valor do d\u00f3lar (o que disparou um grande aumento\u00a0 geral dos pre\u00e7os), aumento dos juros banc\u00e1rios, aumento de 80% nos pre\u00e7os da gasolina e de 40% em todos os servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A resposta oper\u00e1ria e popular n\u00e3o tardou. O \u201cvapor acumulado\u201d durante v\u00e1rios anos estourou no final de fevereiro de 1989 em uma grande insurrei\u00e7\u00e3o contra as medidas, em Caracas e em v\u00e1rias cidades do interior. Centenas de milhares de pessoas das favelas sa\u00edram \u00e0s ruas para protestar e saquear lojas, e se enfrentaram com barricadas, pedras e armas contra a dur\u00edssima repress\u00e3o ordenada pelo governo. Centenas de pessoas morreram, a maioria nos enfrentamentos entre os manifestantes e as for\u00e7as repressivas. A repress\u00e3o foi violent\u00edssima, com assassinatos, tortura e pris\u00f5es arbitr\u00e1rias.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, enquanto a pol\u00edcia praticamente se \u201cdissolvia\u201d, houveram in\u00fameros epis\u00f3dios de divis\u00e3o nas FFAA, com setores (especialmente de sub-oficiais e da tropa) que se negavam a reprimir ou participavam diretamente dos saques.<\/p>\n<p>O Caracazo foi uma insurrei\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular que marcou um novo curso na hist\u00f3ria da Venezuela: colocou em crise todas as institui\u00e7\u00f5es do poder, que foram incapazes de frear a rebeli\u00e3o, e por isso feriu a morte o Regime de Punto Fijo. Neste marco, como elemento fundamental, o \u00faltimo pilar e central do Estado burgu\u00eas (as for\u00e7as armadas e de repress\u00e3o) estava quebrado.<\/p>\n<p>Com suas bases econ\u00f4micas debilitadas ao extremo; corro\u00eddas pela corrup\u00e7\u00e3o e pelo desgaste de suas institui\u00e7\u00f5es de governo; com os partidos burgueses, a esquerda reformista e a burocracia sindical atacados e quase sem apoio popular, o regime de Punto Fijo come\u00e7ava sua agonia. Como resultado atrasado, P\u00e9rez renunciaria em 1993, em meio a novas mobiliza\u00e7\u00f5es populares e depois de um julgamento pol\u00edtico por corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A ascens\u00e3o de Ch\u00e1vez<\/strong><\/p>\n<p>A partir da\u00ed, seguiram-se anos de convuls\u00f5es sociais, com governos cada vez mais fracos e uma insatisfa\u00e7\u00e3o crescente das massas. Em 1994, \u00e9 eleito como presidente o velho pol\u00edtico burgu\u00eas Rafael Caldera, com apenas 25% de apoio eleitoral e suspeitas de fraude sobre o dirigente sindical das sider\u00fargicas de Guayana, Andres Vel\u00e1squez. Uma medida importante de seu governo foi a chamada \u201cabertura petroleira\u201d que quebrava o monop\u00f3lio estadual da PDVSA pela via das \u201cempresas mistas\u201d e das concess\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o \u00e0s companhias estrangeiras.<\/p>\n<p>Antes disso, numa tentativa de responder a esta situa\u00e7\u00e3o de crise institucional global, o coronel Hugo Ch\u00e1vez junto com um grupo de jovens oficiais (que haviam participado da repress\u00e3o ao Caracazo) liderou uma tentativa de golpe militar, em fevereiro de 1992 O golpe foi derrotado e Ch\u00e1vez foi preso e condenado a 20 anos de pris\u00e3o. Mas, da pris\u00e3o, ele come\u00e7ou a ganhar prest\u00edgio entre os setores oper\u00e1rios e populares, porque aparecia como oposto ao \u201csistema\u201d.<\/p>\n<p>Em 1994, por demanda popular, Caldera libertou Ch\u00e1vez, que come\u00e7ou a formar sua pr\u00f3pria corrente pol\u00edtica (o MBR &#8211; Movimento Bolivariano Revolucion\u00e1rio), e come\u00e7ou sua jornada para a candidatura presidencial. Foi eleito em dezembro de 1998 com 56,24% dos votos. Assume em fevereiro de 1999 e, em seu discurso, convoca um plebiscito para formar uma Assembl\u00e9ia Constituinte com o objetivo de recompor as estruturas quebradas do Estado. O \u201csim\u201d obteve 73% dos votos, e depois os \u201cbolivarianos\u201d conseguiram a ampla maioria dos deputados constituintes. A Assembl\u00e9ia modifica a Constitui\u00e7\u00e3o e reforma todas as institui\u00e7\u00f5es: nasce o termo V Rep\u00fablica e o pa\u00eds muda seu nome para o de Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela. O MBR \u00e9 transformado em MVR (Movimento V Rep\u00fablica).<\/p>\n<p>Em 2000, s\u00e3o realizadas novas elei\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s uma greve petroleira fortemente reprimida pelo governo. O mercado petroleiro estava em alta. Ch\u00e1vez \u00e9 reeleito, agora para um mandato de 6 anos.<\/p>\n<p>J\u00e1 nesse momento come\u00e7am os debates na esquerda. Em um material anterior escrevemos:<\/p>\n<p>\u201cPara a maioria das correntes de esquerda que reivindicam o chavismo, seu triunfo eleitoral e seu posterior governo s\u00e3o o produto direto do Caracazo e do ascenso que o continuou, ou seja, sua genu\u00edna e progressiva express\u00e3o pol\u00edtica. Para n\u00f3s, ao contr\u00e1rio, sendo um sub-produto do \u2018Caracazo\u2019 e do ascenso, o chavismo \u00e9 um movimento da segunda linha da oficialidade militar, que se montou sobre o ascenso para fre\u00e1-lo ou, pelo menos control\u00e1-lo, para que n\u00e3o transbordasse para a revolu\u00e7\u00e3o socialista e, essencialmente, para fechar os rachas das FFAA e assim reconstruir plenamente o Estado burgu\u00eas\u201d(1).<\/p>\n<p>A esses elementos, cabe agregar tamb\u00e9m as aspira\u00e7\u00f5es desse setor da oficialidade das for\u00e7as armadas que acompanharam Ch\u00e1vez: como havia ocorrido outras vezes no passado venezuelano, queriam controlar o Estado para usufruir da renda petroleira e se transformar em burguesia (acompanhados de outros setores burgueses menores ou que perderam espa\u00e7o, que tinham a mesma aspira\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><strong>As contradi\u00e7\u00f5es com o imperialismo<\/strong><\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o houvesse contradi\u00e7\u00f5es com o imperialismo estadunidense. Fundamentalmente durante o per\u00edodo de George W. Bush e seu projeto do Novo S\u00e9culo Americano, cujo eixo central era obter o dom\u00ednio dos recursos naturais no mundo (especialmente o petr\u00f3leo) e o uso de m\u00e9todos agressivos para isso.<\/p>\n<p>Ch\u00e1vez pagava pontualmente a d\u00edvida externa e nunca prop\u00f4s reverter a abertura petroleira feita por Caldera. Al\u00e9m disso, abastecia regularmente os EUA com petr\u00f3leo. Mas tentou um controle maior do Estado sobre a PDVSA, com uma maior participa\u00e7\u00e3o fiscal para melhorar a arrecada\u00e7\u00e3o e defendia a OPEP (Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo) como um \u201ccartel regulador\u201d dos pre\u00e7os. O governo Bush n\u00e3o aceitava esta pol\u00edtica e organizou o golpe de Estado de abril de 2002, o lockout de dezembro do mesmo ano, aliado com os setores burgueses substitu\u00eddos pelo chavismo.<\/p>\n<p><strong>O golpe de 2002 e o contra-golpe popular<\/strong><\/p>\n<p>Neste marco, 2002 foi um ano decisivo. \u00c9 conformada uma alian\u00e7a golpista formada pela federa\u00e7\u00e3o patronal venezuelana Fedec\u00e1maras, os burocratas da CTV, a alta burocracia estatal da PDVSA, os militares ligados \u00e0s antigas oligarquias, os dirigentes da AD e da COPEI, a alta hierarquia da Igreja Cat\u00f3lica e os donos os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o, como Gustavo Cisneros; todos articulados pelo embaixador estadunidense, Charles Shapiro.<\/p>\n<p>Esta alian\u00e7a convoca uma greve geral a partir de 9 de abril. No dia 11, realiza uma marcha at\u00e9 o Pal\u00e1cio Presidencial de Miraflores, apoiado pela pol\u00edcia de Caracas. H\u00e1 enfrentamentos com grupos e ativistas bolivarianos e morrem 15 pessoas. Ch\u00e1vez \u00e9 acusado de \u201ccrimes contra a humanidade\u201d e detido por militares golpistas. A m\u00eddia anuncia a sua ren\u00fancia.<\/p>\n<p>Pedro Carmona da Fedec\u00e1maras \u00e9 nomeado presidente e se forma um novo governo que dissolve a Assembleia Nacional, o Tribunal Superior de Justi\u00e7a e o Conselho Nacional Eleitoral, e destitui prefeitos e governadores. Depois do golpe, \u00e9 lan\u00e7ada uma dura repress\u00e3o: for\u00e7as golpistas apoiadas por grupos para-militares \u201cca\u00e7am\u201d militantes chavistas, dirigentes sindicais e comunit\u00e1rios. Nessa noite v\u00e1rias mortes s\u00e3o produzidas.<\/p>\n<p>Embora Ch\u00e1vez nunca tenha assinado sua ren\u00fancia, o aparato do chavismo estava derrotado e se rendeu sem lutar. Por isso, no in\u00edcio, as massas n\u00e3o reagiram. Mas, depois, entraram com toda a sua for\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o. No dia 12 pela noite, come\u00e7aram as mobiliza\u00e7\u00f5es em Caracas, e no dia 13, elas se espalharam por todo o pa\u00eds. Os oper\u00e1rios metal\u00fargicos de Guayana tomaram as f\u00e1bricas, os trabalhadores de Carabobo e os petroleiros de Puerto La Cruz se prepararam para resistir. Come\u00e7aram a cercar os quart\u00e9is para pedir armas. Em v\u00e1rios deles, os soldados realizaram assembleias para discutir e se definiram contra os golpistas.<\/p>\n<p>Em Caracas, milhares de pessoas descem novamente dos bairros pobres dos morros, como no \u201cCaracazo\u201d, tomam as ruas e montam barricadas para se enfrentar com a pol\u00edcia. Os enfrentamentos s\u00e3o generalizados. As avenidas s\u00e3o fechadas com barricadas de madeira e queima de pneus, as redes de televis\u00e3o s\u00e3o fechadas e \u00e9 exigido que se transmita\u00a0 \u201ca verdade\u201d. Na lideran\u00e7a est\u00e3o os l\u00edderes comunit\u00e1rios dos c\u00edrculos bolivarianos, que se multiplicam cada vez mais. Novamente, uma insurrei\u00e7\u00e3o popular toma Caracas e come\u00e7a a derrotar o golpe. Cada vez mais h\u00e1 setores militares anti-golpistas que come\u00e7am a marchar para Caracas: o comando da Guarda de Honra (tr\u00eas mil homens) retoma parte do Pal\u00e1cio Presidencial.<\/p>\n<p>\u201cO ch\u00e3o ca\u00eda\u201d para Carmona e seu governo golpista: anuncia que vai convocar a Assembleia Nacional em car\u00e1ter extraordin\u00e1rio. Era tarde: o golpe havia sido derrotado pelas massas (n\u00e3o pelo aparato chavista). Carmona tenta fugir, mas \u00e9 detido no pr\u00f3prio pal\u00e1cio presidencial. Para conter as massas insurretas, a burguesia n\u00e3o tem outra alternativa a n\u00e3o ser trazer Ch\u00e1vez de volta, com a tarefa de recompor o Estado (2).<\/p>\n<p><strong>O lockout patronal<\/strong><\/p>\n<p>Depois de derrotar o golpe, o imperialismo, a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de direita e a patronal fazem uma novo esfor\u00e7o conspirativo contra o governo, atrav\u00e9s do lockout patronal realizado entre dezembro de 2002 e fevereiro de 2003, que buscava paralisar a produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e assim afogar o governo de Ch\u00e1vez \u201cpela fome\u201d. Parte central deste plano foi a paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o petroleira para cortar o oxig\u00eanio da economia do pa\u00eds. Este lockout contava com a colabora\u00e7\u00e3o de grande parte do quadro de gerentes e engenheiros da PDVSA, que utilizaram a sabotagem e destrui\u00e7\u00e3o dos controles autom\u00e1ticos. O produto deixou de ser bombeado para seus destinos e os dep\u00f3sitos e as esta\u00e7\u00f5es de bombeamento amea\u00e7avam explodir.<\/p>\n<p>N\u00e3o conseguiram porque se enfrentaram com os oper\u00e1rios e t\u00e9cnicos das opera\u00e7\u00f5es de po\u00e7os, tanques de dep\u00f3sitos, refinarias e embarques, aos quais se somou a rea\u00e7\u00e3o popular. Juntos, come\u00e7aram a tomar os dep\u00f3sitos de gasolina, os tanques e as refinarias. No Estado de Carabobo, os oper\u00e1rios tomaram o dep\u00f3sito de gasolina de Yagua e o colocaram para funcionar manualmente. O mesmo aconteceu em Carenero e Guatire. Os petroleiros reconquistaram as refinarias de El Palito e de Puerto La Cruz, e as reativaram. Eles mantiveram as plantas em opera\u00e7\u00e3o, democraticamente, com a elei\u00e7\u00e3o de novos supervisores.<\/p>\n<p>Houve tamb\u00e9m lockout em outros setores: diminu\u00edram o hor\u00e1rio e as opera\u00e7\u00f5es dos bancos; as escolas privadas, o com\u00e9rcio e as ind\u00fastrias fechavam suas portas. Alguns setores mais radicais come\u00e7aram a realizar alguns atentados terroristas, destruir m\u00e1quinas e instala\u00e7\u00f5es e roubar materiais.<\/p>\n<p>Mas a resist\u00eancia come\u00e7ou a crescer. Em Caracas, a popula\u00e7\u00e3o se organizou nos bairros para uma distribui\u00e7\u00e3o justa de gasolina e g\u00e1s, o rein\u00edcio das aulas e a defesa contra os ataques da direita e da sua pol\u00edcia. Foram montados com\u00e9rcios comunit\u00e1rios onde se repartiam alimentos gratuitos ou se vendiam a pre\u00e7os mais baixos. Uma multid\u00e3o cercou um canal privado de TV em uma zona residencial de classe m\u00e9dia alta, e o obrigou a transmitir um comunicado assinado por mais de 100 organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, pol\u00edticas e sindicais, exigindo, entre outras coisas, o controle social dos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os metal\u00fargicos de Guayana, diante da amea\u00e7a de que as f\u00e1bricas ficassem paralisadas pela falta de g\u00e1s nos fornos, decidiram viajar em mais de 15 \u00f4nibus para Anaco e tomaram as portas da PDVSA-GAS para exigir sua reativa\u00e7\u00e3o. A Parmalat foi tomada pela popula\u00e7\u00e3o que exigia sua reabertura. A cervejaria Polar e a Coca-Cola, em Valencia, foram tomadas pela Guarda Nacional e foram confiscados milhares de litros de \u00e1gua mineral, malte e refrigerantes. Apesar de anunciarem que tomariam medias legais, estas empresas foram obrigadas a reabrir suas f\u00e1bricas. Setores da classe m\u00e9dia e da pr\u00f3pria burguesia (prejudicados pelas perdas que come\u00e7avam a ter) come\u00e7aram a defender o fim da \u201cparalisa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A press\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e do povo obrigou o governo a endurecer suas posi\u00e7\u00f5es: suspendeu a venda da moeda, estabeleceu o controle de c\u00e2mbio e pre\u00e7o, e despediu cerca de cinco mil sabotadores da PDVSA (entre executivos e diretores). Finalmente, o lockout foi destru\u00eddo e acabou em fevereiro de 2003. Esse resultado significou um amplo triunfo dos trabalhadores e do povo, e uma nova derrota da alian\u00e7a imperialista-burguesia de direita.<\/p>\n<p>Apesar da pol\u00edtica de Ch\u00e1vez e da c\u00fapula chavista, em todo o processo os trabalhadores haviam avan\u00e7ado em sua consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s dos c\u00edrculos bolivarianos que enfrentaram o golpe, e as mobiliza\u00e7\u00f5es e as experi\u00eancias de controle oper\u00e1rio que quebraram o lockout patronal. Os militantes da LIT-QI na Venezuela (hoje agrupados na UST \u2013 Unidade Socialista dos Trabalhadores) tem o orgulho de ter estado na linha de frente dessas lutas.<\/p>\n<p><strong>Ch\u00e1vez concilia com os golpistas e os sabotadores<\/strong><\/p>\n<p>Todo o processo de 2002 e do in\u00edcio de 2003 deixou uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as muito favor\u00e1vel aos trabalhadores e \u00e0s massas frente aos seus inimigos, aprofundando ainda mais o que j\u00e1 se dava desde o Caracazo. Nesse sentido, essa situa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel tamb\u00e9m o era para o governo chavista, como express\u00e3o distorcida do processo revolucion\u00e1rio. Estavam dadas as condi\u00e7\u00f5es para dar um golpe liquidador \u00e0 contra-revolu\u00e7\u00e3o e avan\u00e7ar em um processo verdadeiramente socialista.<\/p>\n<p>Mas Ch\u00e1vez e o chavismo fizeram o contr\u00e1rio. Primeiro, procuraram desmobilizar os trabalhadores e as massas. Derrotado o golpe de abril de 2002, depois de voltar ao Pal\u00e1cio de Miraflores, Ch\u00e1vez declarou: \u201cCalma, est\u00e1 tudo bem, voltem para suas casas, tudo est\u00e1 sob controle&#8230;, os C\u00edrculos Bolivarianos, por favor, eu n\u00e3o os quero com armas, esta \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica\u201d. Depois de quebrar o lockout, em 2003, se dedicou a desmontar a organiza\u00e7\u00e3o de trabalhadores que havia recuperado e posto em funcionamento as refinarias e f\u00e1bricas sob controle oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>Isto se deu especialmente na PDVSA, onde substituiu os comit\u00eas surgidos da luta por gerentes e supervisores do aparato chavista, para assim coloc\u00e1-lo \u00e0 servi\u00e7o da nascente \u201cburguesia bolivariana\u201d. Um document\u00e1rio muito interessante (feito por uma equipe de cineastas franceses) mostra os diferentes momentos desta hist\u00f3ria, com reportagens muito v\u00edvidas para os seus protagonistas (3). Ao mesmo tempo, conciliou com os golpistas: o \u00fanico preso foi Pedro Carmona, que depois \u201cfugiu\u201d para a embaixada da Col\u00f4mbia. Os demais (nem os golpistas ativos nem os que estavam por tr\u00e1s) n\u00e3o sofreram nenhuma puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O imperialismo e a burguesia tradicional aprenderam com as derrotas de 2002-2003 e passaram a defender outra t\u00e1tica, com o mesmo objetivo estrat\u00e9gico de defender seus interesses. Deixaram de lado sua pol\u00edtica golpista e passaram \u00e0 \u201cconviv\u00eancia\u201d com os governos chavistas. Ao mesmo tempo, o imperialismo apoiava a oposi\u00e7\u00e3o de direita para capitalizar eleitoralmente o inevit\u00e1vel desgaste dos governos chavistas e reconquistar o governo mais tarde. Ou seja, enquadraram sua pol\u00edtica na t\u00e1tica que temos denominado de \u201crea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d e que analisamos no artigo de debate com a esquerda.<\/p>\n<p>Nesse marco, nos anos seguintes, aproveitaram a ponte que o governo lhes dava para fazer neg\u00f3cios muito bons. Aconteceu assim com o grupo Cisneros (dono dos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o e de in\u00fameras empresas), o grupo de bebidas e alimentos Polar-Mendoza (fez in\u00fameros acordos para abastecer as Miss\u00f5es) e as companhias petrol\u00edferas estadounidenses (como Chevron, Exxon e Texaco), que aumentaram sua inser\u00e7\u00e3o no setor gra\u00e7as ao aprofundamento da \u201cabertura petroleira\u201d impulsionada pelo governo. A nascente boliburgues\u00eda inclusive come\u00e7ou a fazer investimentos em empresas e propriedades nos EUA (como a forma\u00e7\u00e3o da petroleira CITGO por parte da PDVSA).<\/p>\n<p><strong>A manobra do plebiscito (2004)<\/strong><\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de t\u00e1tica do imperialismo e da burguesia tradicional venezuelana se expressou no impulso de uma peti\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o de um \u201cplebiscito revogat\u00f3rio\u201d (mecanismo previsto pela Constitui\u00e7\u00e3o chavista). Apesar da intensa propaganda, o dinheiro investido, as press\u00f5es sobre os trabalhadores por suas empresas para que assinassem e as falsifica\u00e7\u00f5es de assinaturas, n\u00e3o conseguiram o n\u00famero exigido pela Constitui\u00e7\u00e3o. No entanto, Ch\u00e1vez finalmente aceitou realizar o referendo.<\/p>\n<p>Por que se deu essa concord\u00e2ncia entre o imperialismo e a oposi\u00e7\u00e3o burguesa, por um lado, e o governo chavista, por outro? Porque, al\u00e9m de suas fric\u00e7\u00f5es e enfrentamentos, ambos os setores tinham um objetivo comum: retirar os trabalhadores e as massas das ruas, da auto-organiza\u00e7\u00e3o e da luta, e coloc\u00e1-los no terreno das elei\u00e7\u00f5es e das institui\u00e7\u00f5es normais da burguesia. Nesse contexto, Ch\u00e1vez calculou corretamente que ele ganharia a vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para convencer o povo venezuelano que n\u00e3o apoiava a realiza\u00e7\u00e3o do plebiscito, Ch\u00e1vez o comparou com uma luta popular, do s\u00e9culo XIX, e disse que se tratava de uma \u201cnova batalha de Santa In\u00eas\u201d (4). De fato, Ch\u00e1vez ganhou o referendo com uma margem de 18 pontos (59 contra 41%). Mas, por tr\u00e1s desta vit\u00f3ria eleitoral se escondia um objetivo muito mais profundo: o chavismo utilizou este processo para esterilizar os c\u00edrculos bolivarianos formados na luta para transform\u00e1-los em \u201ccomit\u00eas eleitorais\u201d controlados por quadros designado pelo governo. O processo revolucion\u00e1rio nascido com o Caracazo come\u00e7ava a ser \u201ccongelado\u201d e submetido ao controle f\u00e9rreo do aparato chavista.<\/p>\n<p>O verdadeiro curso que adotava o chavismo tornou-se evidente pouco depois das elei\u00e7\u00f5es: Ch\u00e1vez assinou um acordo de 5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares com a Texaco-Mobil e com a Exxon para que sondassem e explorassem os campos petrol\u00edferos e gas\u00edferos na Faixa do Orinoco.<\/p>\n<p><strong>Os anos de ouro do chavismo<\/strong><\/p>\n<p>Como vimos, entre 2003 e 2004, o Chavismo conseguiu desmontar os processos de controle oper\u00e1rio e \u201cdomesticar\u201d os comit\u00eas bolivarianos. Ao mesmo tempo, levantou uma ponte para o imperialismo e a burguesia tradicional. Havia alcan\u00e7ado seus objetivos (frear a revolu\u00e7\u00e3o e negociar um espa\u00e7o maior para um novo setor da burguesia venezuelana) e se consolidou no poder.<\/p>\n<p>Contraditoriamente, foram abertos aqueles que foram seus \u201canos dourados\u201d: a alta permanente do pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo nos mercados internacionais (superou a barreira dos 100 e chegou a ser cotado em 140), permitiu um grande crescimento da renda petroleira que ficava no Estado e assim \u201clubrificou\u201d sua rela\u00e7\u00e3o com todos os setores sociais.<\/p>\n<p>O aumento da renda petroleira impulsionou um crescimento anual do PIB de 12%, e, com essa base, era poss\u00edvel outorgar neg\u00f3cios ao imperialismo e \u00e0 burguesia tradicional, pagar a d\u00edvida externa (inclusive antecipadamente em alguns casos), criar sua pr\u00f3pria boliburguesia\u00a0 e fazer concess\u00f5es \u00e0s massas com maiores investimentos na \u00e1rea social (com programas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o de casas populares e microempresas).<\/p>\n<p>Eram \u201cmedidas assistenciais\u201d que n\u00e3o quebravam nenhum crit\u00e9rio capitalista nem mudavam a estrutura socioecon\u00f4mica (inclusive eram recomendadas pelos organismos da ONU). Mas significaram uma melhoria real na vida de extrema pobreza de setores da popula\u00e7\u00e3o que, por exemplo, tinham acesso pela primeira vez \u00e0 aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Por isso, as organiza\u00e7\u00f5es sociais respons\u00e1veis por essas pol\u00edticas (as Miss\u00f5es) se implantaram profundamente nos bairros mais pobres. O chavismo refor\u00e7ava sua base eleitoral a\u00ed e fortalecia seu apoio de massas, o que permitiu que Ch\u00e1vez ganhasse todas as elei\u00e7\u00f5es em que ele se apresentou.<\/p>\n<p>Inclusive foi poss\u00edvel nacionalizar algumas empresas, como a companhia telef\u00f4nica CANTV, Eletricidade de Caracas e Sidor (Sider\u00fargica Orinoco). Essas medidas, embora possam ser consideradas \u201cprogressivas\u201d, n\u00e3o t\u00eam nem um pouco de \u201csocialistas\u201d j\u00e1 que foram feitas segundo as regras capitalistas aceitas (compra do pacote acion\u00e1rio).<\/p>\n<p>Apoiado nesta bonan\u00e7a, foi um per\u00edodo em que o chavismo \u201cenvermelhou\u201d o seu discurso: deixou de se referenciar no peronismo argentino e passou a dizer que estava construindo o \u201co socialismo do s\u00e9culo XXI\u201d. Em janeiro de 2007, Ch\u00e1vez inclusive declarou que era partid\u00e1rio de Trotsky e da revolu\u00e7\u00e3o permanente. Tratava-se, como temos visto, de \u201cpropaganda enganosa\u201d, mas aumentou seu apoio na esquerda mundial por parte de muitas correntes provenientes do trotskismo que acreditavam (ou escolheram acreditar) nesta propaganda.<\/p>\n<p><strong>Acentua-se o bonapartismo<\/strong><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que \u201cenvermelhava\u201d o seu discurso, o chavismo acentuava as caracter\u00edsticas bonapartistas do regime.<\/p>\n<p>Vejamos dois elementos.<\/p>\n<p>A primeira foi a forma\u00e7\u00e3o do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) em 2007, como partido oficial do regime. Podemos defini-lo como um \u201cpartido-regime\u201d, uma ferramenta pol\u00edtica t\u00edpica do bonapartismo sui generis. Atrav\u00e9s deste partido, desde o aparato do Estado, Ch\u00e1vez e o chavismo poderiam exercer um controle muito mais f\u00e9rreo sobre o movimento de massas e, ao mesmo tempo, disciplinas verticalmente, nesta estrutura, todos os quadros do movimento chavista (todas as organiza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o faziam parte do MVR, mas que apoiavam o governo foram obrigadas a entrar e se dissolver no PSUV). Este tipo de partido n\u00e3o era nenhuma novidade hist\u00f3rica: repetia essencialmente o que tinham feito o PRI mexicano, o peronismo argentino ou os partidos do nacionalismo \u00e1rabe.<\/p>\n<p>Outra terreno em que o chavismo avan\u00e7ou nesta pol\u00edtica bonapartista foram os sindicatos. A rela\u00e7\u00e3o do governo com os trabalhadores assalariados (especialmente com o movimento oper\u00e1rio industrial) sempre foi muito mais cr\u00edtica do que com os setores populares. Isto se deve a v\u00e1rias raz\u00f5es: a maioria dos oper\u00e1rios industriais trabalham em empresas privadas e n\u00e3o no aparato do Estado (a exce\u00e7\u00e3o mais importante era a PDVSA e, mais tarde, a Sidor). Apesar do governo outorgar algumas concess\u00f5es (como maior estabilidade nos contratos trabalhistas ou a elei\u00e7\u00e3o dos delegados de preven\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e acidentes), o n\u00edvel salarial geral sempre foi muito baixo e as condi\u00e7\u00f5es de trabalho p\u00e9ssimas. Por isso que apesar da maioria dos oper\u00e1rios industriais e trabalhadores assalariados simpatizasse com Ch\u00e1vez e votasse nele, o fazia com uma atitude muito mais aut\u00f4noma e desenvolvia lutas por suas pr\u00f3prias reivindica\u00e7\u00f5es (sal\u00e1rios, contratos coletivos, condi\u00e7\u00f5es de trabalho, etc.) independentes do aparato chavista.<\/p>\n<p>No marco de todo o processo, a antiga burocracia sindical da CTV vivia uma crise aguda e havia se dado um riqu\u00edssimo processo de reorganiza\u00e7\u00e3o \u201cpor baixo\u201d, expressado, nesses anos, na funda\u00e7\u00e3o da UNT (Uni\u00e3o Nacional de Trabalhadores), com a conflu\u00eancia de v\u00e1rios componentes: de chavistas \u201cpuros\u201d e rupturas da CTV at\u00e9 setores liderados por dirigentes provenientes do trotskismo. O chavismo impediu a consolida\u00e7\u00e3o de uma UNT independente ou democr\u00e1tica. Primeiro a dividiu para formar sua pr\u00f3pria central sindical (a FSB), depois foi obrigando os sindicatos a entrar nela e lhes imp\u00f4s dirigentes subordinados. Recordemos que, em 2007, Ch\u00e1vez havia feito um discurso atacando duramente a \u201cautonomia sindical\u201d. Como corol\u00e1rio disso, durante dois anos, o governo de Maduro suspendeu as elei\u00e7\u00f5es nos sindicatos porque sabe que, se fossem feitas, os dirigentes chavistas seriam removidos e substitu\u00eddos por dirigentes opositores mais combativos como \u00e9 o caso da federa\u00e7\u00e3o nacional de trabalhadores petroleiros.<\/p>\n<p>Nestes \u201canos dourados\u201d, o chavismo tentava \u201cmediar\u201d a maioria desses conflitos entre oper\u00e1rios e patr\u00f5es (nunca apoiava os oper\u00e1rios nessas lutas). Mas, em outros, aplicava uma dur\u00edssima repress\u00e3o aos ativistas que os dirigiam. Uma lista muito incompleta inclui a repress\u00e3o da greve petroleira de 2000; a dur\u00edssima repress\u00e3o da Guarda Nacional aos trabalhadores de Sanitarios Maracay (2007); o assassinato dos dirigentes sindicais Richard Gallardo, Luis Hern\u00e1ndez e Carlos Requena (dirigentes sindicais do Estado de Aragua e militantes da organiza\u00e7\u00e3o que hoje se chama PSL) em 2008 e o assassinato de dois trabalhadores da f\u00e1brica Mitsubishi pela for\u00e7a policial, em 2009. Os repressores nunca foram punidos nem os assassinatos investigados. J\u00e1 naqueles anos come\u00e7aram a aparecer os primeiros grupos armados de militantes chavistas.<\/p>\n<p>Esta avan\u00e7ada bonapartista quis se coroar com a reforma constitucional que impulsionou em 2007. O texto outorgava poderes absolutos a Ch\u00e1vez: introduzia a possibilidade de sua reelei\u00e7\u00e3o presidencial indefinida (enquanto esse direito era negado aos governadores ou prefeitos); dava-lhe o poder de modificar, segundo sua vontade, a divis\u00e3o pol\u00edtico-administrativa do pa\u00eds, criando novos Estados ou fundindo outros (muito \u00fatil para eliminar governantes que perturbarem). Finalmente, outorgava poder constitucional ao controle do regime sobre o movimento oper\u00e1rio (eliminando de fato os sindicatos independentes e seus dirigentes leg\u00edtimos) atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o dos chamados Conselhos Trabalhistas, tal como denunciou nesse momento o dirigente sindical Orlando Chirino (5) .<\/p>\n<p>A reforma foi recha\u00e7ada pela maioria dos eleitores (foi a \u00fanica derrota eleitoral do chavismo na vida de Ch\u00e1vez). Al\u00e9m desse recuo, desde 1999, o Chavismo j\u00e1 estava construindo um regime do tipo bonapartista sui generis (uma categoria criada por Trotsky na d\u00e9cada de 1930 e que analisamos em outro artigo desta revista).<\/p>\n<p><strong>Come\u00e7a a decad\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Temos dito que o modelo da acumula\u00e7\u00e3o capitalista semi-colonial da Venezuela \u00e9 baseado na renda petroleira, e que o chavismo aprofundou isso. Sua din\u00e2mica e sua evolu\u00e7\u00e3o, portanto, devem ser analisadas com o plano de fundo dos pre\u00e7os internacionais do barril de petr\u00f3leo (e, portanto, com a fra\u00e7\u00e3o da renda petrol\u00edfera que fica no pa\u00eds e no Estado).<\/p>\n<p>Entre 1999 e 2008, este pre\u00e7o seguiu uma din\u00e2mica ascendente constante passando de menos de 25 d\u00f3lares para um pico de quase 140 d\u00f3lares. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que esse per\u00edodo coincida com seus \u201canos dourados\u201d. A crise econ\u00f4mica internacional que come\u00e7ou em 2007-2008 abriu um per\u00edodo de queda do seu pre\u00e7o (com algumas recupera\u00e7\u00f5es menores no meio) at\u00e9 chegar em um piso de 40 d\u00f3lares em 2016. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que comece a\u00ed a sua decad\u00eancia.<\/p>\n<p>Com a queda abrupta da renda petroleira, o PIB venezuelano acumula uma queda de cerca de 30% e esta crise profunda do modelo rentista agudiza todas as contradi\u00e7\u00f5es. Por um lado, torna muito mais duros os enfrentamentos da boliburguesia com os outros setores burgueses que querem retomar o controle do Estado para garantir seus neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Por outro lado, como elemento fundamental, confronta o regime com as massas, a quem n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o podem dar mais concess\u00f5es, mas condena elas a uma exist\u00eancia cada vez mais miser\u00e1vel e, se protestam, as reprime com dureza. Por isso, elas rompem majoritariamente com o chavismo e come\u00e7am a se mobilizar contra o governo Maduro. O pr\u00f3prio aparato pol\u00edtico chavista come\u00e7a a se separar.<\/p>\n<p>Esse processo pode ter se acelerado com a morte de Ch\u00e1vez e a nomea\u00e7\u00e3o de Nicol\u00e1s Maduro (com muito menos prest\u00edgio e habilidade pol\u00edtica) como seu sucessor. Mas as bases do fracasso e das ra\u00edzes de classe que o originaram j\u00e1 estavam em desenvolvimento: ter congelado a revolu\u00e7\u00e3o e ter se limitado a um t\u00edmido projeto burgu\u00eas que n\u00e3o mudou nada da estrutura socioecon\u00f4mica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Essa ruptura dos trabalhadores e das massas com o chavismo come\u00e7ou a se expressar no triunfo ajustado de Maduro sobre Henrique Capriles (figura com a qual a oposi\u00e7\u00e3o burguesa de direita havia renovado sua cara), no final de 2012. E se expressou com muito mais clareza nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de 2015: os candidatos chavistas foram derrotados pelos da MUD (a Mesa de Unidade Democr\u00e1tica) em uma propor\u00e7\u00e3o de 2 a 1.<\/p>\n<p>A farsa da recente elei\u00e7\u00e3o para a Assembleia Constituinte mostrou que o governo Maduro hoje s\u00f3 tem o apoio de 20% da popula\u00e7\u00e3o. O restante o recha\u00e7a. Baseado nesta minoria, no apoio da c\u00fapula das for\u00e7as armadas (intimamente relacionadas com a boliburguesia) e no seu controle do aparato de Estado, o regime vai se transformando em uma ditadura antidemocr\u00e1tica e repressiva.<\/p>\n<p>O grande problema \u00e9 que o rosto feio da realidade atual do chavismo, a decep\u00e7\u00e3o de grandes setores de massas pela estafa que sofreram suas esperan\u00e7as e suas lutas, e a desmoraliza\u00e7\u00e3o na qual ficou a maioria da esquerda venezuelana que o apoiou, tem feito com que seja a velha direita camuflada com novos rostos que capitalize uma parte importante desse descontentamento e que os trabalhadores organizados ainda n\u00e3o tenham entrado claramente em cena. A responsabilidade desta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 do pr\u00f3prio chavismo, n\u00e3o s\u00f3 pela estafa que protagonizou mas porque, com sua a\u00e7\u00e3o repressiva, deu \u00e0 direita as bandeiras da defesa das liberdades democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Neste marco muito dif\u00edcil, \u00e9 necess\u00e1rio insistir em uma pol\u00edtica para que sejam os trabalhadores e as massas com suas pr\u00f3prias bandeiras, reivindica\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00e3o e m\u00e9todos, os que levem adiante uma grande luta nacional para derrubar o governo de Maduro e o regime bonapartista que o chavismo construiu. S\u00f3 assim poder\u00e3o ser conseguidas as liberdades democr\u00e1ticas e solucionar os grav\u00edssimos problemas que os afetam (como a fome e a mis\u00e9ria ou a feroz repress\u00e3o). Ou seja, avan\u00e7ar no caminho de um governo oper\u00e1rio e popular que inicie a constru\u00e7\u00e3o do verdadeiro socialismo e n\u00e3o a farsa burguesa (hoje tr\u00e1gica) que o chavismo levou adiante.<\/p>\n<p>Na Venezuela e no mundo, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio que as organiza\u00e7\u00f5es que o apoiaram honestamente, e os muitos ativistas e trabalhadores que simpatizaram com ele realizem um balan\u00e7o profundo deste fracasso para n\u00e3o cair em novas frustra\u00e7\u00f5es e derrotas.<\/p>\n<p>Venezuela despu\u00e9s de Ch\u00e1vez: un balance necesario, Alejandro Iturbe (Org.). San Pablo: Ediciones Marxismo Vivo, San Pablo, 2013.<\/p>\n<p>Para ver imagens de todo o processo e, especialmente, a profunda diferen\u00e7a entre a atitude do aparato chavista e a das massas, recomendamos ver os v\u00eddeos \u201cGolpe de Estado en Venezuela, abril 2002, llegada del Presidente Hugo Ch\u00e1vez, golpistas huyen\u201d em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ELU1U2e7oPk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ELU1U2e7oPk<\/a><\/p>\n<p>E \u201cLa revoluci\u00f3n no ser\u00e1 televisada\u201d em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Cko8R2ZSEzE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Cko8R2ZSEzE<\/a><\/p>\n<p>Ver \u201cNuestro petr\u00f3leo y otros cuentos\u201d (cuja exibi\u00e7\u00e3o hoje est\u00e1 proibida no pa\u00eds) em\u00a0 <a href=\"http:\/\/www.soberania.org\/Articulos\/articulo_6072.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.soberania.org\/Articulos\/articulo_6072.htm<\/a>, e no livro \u201cLuta oper\u00e1ria e participa\u00e7\u00e3o popular na Venezuela: estudo sobre a resist\u00eancia dos trabalhadores \u2013 O paro petroleiro de dezembro de 2002\u201d, de Fernando Damasceno.<\/p>\n<p>Esta batalha ocorreu em 9 e 10 de setembro de 1859. Durante a Revolu\u00e7\u00e3o Federal (1859-1863), Ezequiel Zamora dirigiu um levante de camponeses pobres e ex-escravos contra os fazendeiros e latifundi\u00e1rios. Na batalha, Zamora fingiu fugir para levar as tropas inimigas para um terreno mais favor\u00e1vel para ele, e ali os aniquilou.<\/p>\n<p>Quem tiver interesse em conhecer mais sobre este tema, recomendamos ler o artigo \u201cEl car\u00e1cter de la reforma propuesta por Ch\u00e1vez: \u00bfsocialista o burguesa bonapartista? Na: revista Marxismo Vivo n.\u00b0 16 (2008), ou no livro j\u00e1 citado Venezuela despu\u00e9s de Ch\u00e1vez\u2026<\/p>\n<p>O texto, as fotos e a primeira parte das ep\u00edgrafes das p\u00e1ginas 2-11. A se\u00e7\u00e3o \u00e9 HIST\u00d3RIA<\/p>\n<p>1)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Rafael Caldera (um dos impulsionadores do Pacto de Punto Fijo) foi duas vezes presidente da Venezuela. A foto \u00e9 da transmiss\u00e3o da presid\u00eancia \u00e0 Hugo Ch\u00e1vez (1999).<\/p>\n<p>2)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Carlos Andr\u00e9s P\u00e9rez foi duas vezes presidente da Venezuela. Na primeira (d\u00e9cada de 1970) viveu uma \u201c\u00e9poca de ouro\u201d petroleira; na segunda, decretou o brutal pacote de ajuste que originou o Caracazo (1989).<\/p>\n<p>3)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Imagens do Caracazo, nos bairros da capital venezuelana.<\/p>\n<p>4)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A repress\u00e3o no Caracazo provocou centenas de mortes.<\/p>\n<p>Em 1992, o ent\u00e3o jovem coronel Hugo Ch\u00e1vez liderou uma tentativa de golpe contra o governo de Carlos Andr\u00e9s P\u00e9rez.<\/p>\n<p>Artigo publicado na revista\u00a0<em>Correio Internacional<\/em>\u00a0n.\u00b0 18, outubro de 2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1999, o processo que o falecido Hugo Ch\u00e1vez e o chavismo lideraram na Venezuela foi apoiado por in\u00fameras organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, milh\u00f5es de trabalhadores e milhares de lutadores, em seu pa\u00eds e em todo o mundo, entusiasmados pelo projeto que se auto-denominou como Socialismo do S\u00e9culo XXI (Ch\u00e1vez, inclusive, chegou a se declarar \u201ctrotskista\u201d).<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":25874,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"Alejandro Iturbe","footnotes":""},"categories":[167,4280],"tags":[1551,6975,5616,6976,9432,629,5617,4043],"class_list":["post-25873","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-venezuela","category-revista-correio-internacional","tag-alejandro-iturbe","tag-caracazo","tag-chavez","tag-chavismo","tag-ci28","tag-maduro","tag-pdvsa-venezuela","tag-psuv-venezuela"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/el_caracazo_2.jpg","categories_names":["Correio Internacional","Venezuela"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":"Alejandro Iturbe","tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25873"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25873\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82161,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25873\/revisions\/82161"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25874"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}