{"id":25869,"date":"2019-01-22T08:34:45","date_gmt":"2019-01-22T10:34:45","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25869"},"modified":"2019-01-22T08:34:45","modified_gmt":"2019-01-22T10:34:45","slug":"a-democracia-e-uma-coalizao-de-perdedores-uma-resposta-a-juan-roman-jacobo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/01\/22\/a-democracia-e-uma-coalizao-de-perdedores-uma-resposta-a-juan-roman-jacobo\/","title":{"rendered":"A democracia \u00e9 uma coaliz\u00e3o de perdedores: uma resposta a Juan Rom\u00e1n Jacobo"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><em>\u201cQuem poderia acreditar que um empregado do tribunal ou um guarda do Pal\u00e1cio de Justi\u00e7a poderia converter-se de repente em presidentes do Congresso dos ju\u00edzes de paz?\u201d<\/em><\/p>\n<p>Zaleski, general czarista citado por Le\u00f3n Trotsky em Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>Por: Roberto Herrera<\/em><\/p>\n<p>O que pensar\u00edamos de um treinador de futebol infantil que escrevesse um artigo intitulado: \u201co bullying importa\u201d e que o artigo defenda que o \u201cbullying\u201d \u00e9 importante porque Jafet Soto ganhou o campeonato nacional e obviamente ele \u00e9 um valent\u00e3o? Ter\u00edamos nos indignado e provavelmente pedir\u00edamos que tal treinador nunca voltasse a dirigir uma equipe desportiva, nem estivesse perto de nenhuma crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Se Ted Bundy tivesse escrito um artigo com o t\u00edtulo \u201cos assassinos em s\u00e9rie importam\u201d dizendo que s\u00e3o \u00fateis para aperfei\u00e7oar o sistema de justi\u00e7a, nenhum jornal teria se atrevido a publicar tal artigo; seria considerada a obra de um demente.<\/p>\n<p>Pois bem, nosso mundo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras do Natal esse \u201cpo\u00e7o de infinita sabedoria\u201d que \u00e9 a se\u00e7\u00e3o de Opini\u00e3o do jornal <em>La Naci\u00f3n S.A.<\/em> publicou um artigo intitulado: \u201cAs elites importam\u201d. O artigo est\u00e1 assinado por Gustavo Rom\u00e1n Jacobo, assessor pol\u00edtico do Supremo Tribunal Eleitoral, que posa como parte de uma \u201cjovem gera\u00e7\u00e3o de intelectuais costarriquenhos\u201d (assim como fizeram Kevin Casas y Fernando S\u00e1nchez).<\/p>\n<p>O artigo \u00e9 uma argumenta\u00e7\u00e3o \u201csobre a import\u00e2ncia das elites sociais costarriquenhas\u201d. Longe de provocar indigna\u00e7\u00e3o, como provocou a piada machista de Francisco Blanco, o artigo est\u00e1 sendo celebrado como um texto \u201cinc\u00f4modo\u201d, mas \u201cnecess\u00e1rio\u201d, \u00fatil para entender \u201co sentido necess\u00e1rio de nossa vida pol\u00edtica\u201d, segundo escreveu Leonardo Garnier.<\/p>\n<p>Creio que a \u00fanica coisa que o artigo deveria provocar \u00e9 indigna\u00e7\u00e3o. Se viv\u00eassemos na Gr\u00e9cia cl\u00e1ssica, o ostracismo seria o \u00fanico destino de Rom\u00e1n Jacobo (RJ), ou seja, o desterro por m\u00e1 conduta ou mau governo, o desterro para proteger a democracia contra os tiranos.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 o caso, vivemos na Am\u00e9rica Latina do neoliberalismo, n\u00e3o na Gr\u00e9cia cl\u00e1ssica; aqui gente como Rom\u00e1n Jacobo passa por intelectual respeit\u00e1vel e n\u00e3o por capanga dos tiranos.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os argumentos de Rom\u00e1n Jacobo?<\/strong><\/p>\n<p>O argumento de Rom\u00e1n Jacobo n\u00e3o \u00e9 novo, de fato \u00e9 bastante velho. Os \u201cmelhores\u201d devem governar e os \u201cm\u00e9dios\u201d e \u201cmed\u00edocres\u201d n\u00e3o devem governar.<\/p>\n<p>Para Rom\u00e1n Jacobo, <em>\u201co \u2018natural\u2019, o \u2018saud\u00e1vel\u2019 para uma sociedade, \u00e9 que, nas posi\u00e7\u00f5es mais proeminentes, n\u00e3o somente do governo, mas tamb\u00e9m do judici\u00e1rio, os meios de comunica\u00e7\u00e3o, o mundo cultural, o empresarial etc., estejam os melhores, e que as maiorias, os piores e \u2018os m\u00e9dios\u2019 reconhe\u00e7am essa nobreza de esp\u00edrito e n\u00e3o somente aceitem, mas que busquem a orienta\u00e7\u00e3o das elites\u201d.<\/em><\/p>\n<p>O tema \u00e9 velho e batido como uma can\u00e7\u00e3o de Luis Miguel. As elites aristocr\u00e1ticas dos melhores ou dos mais inteligentes (segundo o caso) e do outro lado as classes perigosas, a multid\u00e3o, a ral\u00e9, os descamisados, os \u201ccabecita negra\u201d (trabalhadores de cabelos e pele escura), a arquibancada sem cobertura.<\/p>\n<p>O artigo \u00e9 muito expressivo porque Rom\u00e1n Jacobo, suponho que sem querer, nos conta a g\u00eanese pessoal e social de seu artigo: os plebeus lhe d\u00e3o medo. O povo lhe d\u00e1 medo. Um taxista lhe deu medo.<\/p>\n<p>Nosso \u201crefinado\u201d cientista pol\u00edtico reagiu assustado pelos argumentos pol\u00edticos bruscos e toscos de um taxista, de um pequeno transportador arruinado pela crise social que as elites t\u00e3o queridas por Rom\u00e1n Jacobo produziram. Pelo visto o que aconteceu foi que RJ pegou um t\u00e1xi e, durante a conversa, o chofer o cutucou: <em>\u201cN\u00e3o, se a Costa Rica \u00e9 pura vida, o problema \u00e9 que os pol\u00edticos roubam tudo\u201d(\u2026) \u201cTemos ficado adormecidos, mas quando o povo se levantar, este pa\u00eds vai mudar\u201d.<\/em><\/p>\n<p>E o nosso cientista pol\u00edtico dessa conversa\u00e7\u00e3o, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que o melhor que podemos fazer \u00e9 restringir a democracia e sermos governados de maneira aristocr\u00e1tica. Isto \u00e9, se RJ tivesse pegado uma <em>limousine<\/em> ou o helic\u00f3ptero de Juan Carlos Bola\u00f1os, nos teria poupado de suas tolices e provavelmente n\u00e3o teria se inteirado de que h\u00e1 muito mal-estar social nas ruas.<\/p>\n<p><strong>Os instintos de classe<\/strong><\/p>\n<p>A \u00fanica coisa que RJ faz \u00e9 atuar inconscientemente segundo seu instinto de classe. Aos privilegiados sempre d\u00e1 medo ou ficam incomodados quando um plebeu eleva a voz. Se o taxista tivesse ficado calado, nada teria passado pela mente de RJ.<\/p>\n<p>Nosso cientista pol\u00edtico passou do medo \u00e0 racionaliza\u00e7\u00e3o. Seu medo da plebe se transformou em um artigo que repete os lugares comuns do <em>\u201cmainstream\u201d<\/em> da ci\u00eancia pol\u00edtica norte-americana e de toda a filosofia pol\u00edtica aristocr\u00e1tica, de Hutcheson a Hamilton.<\/p>\n<p>Depois das revolu\u00e7\u00f5es inglesa e francesas, as elites norte-americanas herdaram o problema de: O que fazer com a democracia? O que fazer com esse mont\u00e3o de agricultores e milicianos que realmente acreditavam que tinham conquistado uma Rep\u00fablica de iguais, na qual podiam autogovernar-se sem os des\u00edgnios do Rei? E a resposta foi simples: \u00e9 preciso faz\u00ea-los entender que as palavras dos panfletos revolucion\u00e1rios e das constitui\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o verdade. Que n\u00e3o podem governar nem governar-se diretamente, que uma aristocracia governar\u00e1 &#8211; o governo dos \u201cmelhores\u201d &#8211; e que este governo pode atuar contra a opini\u00e3o p\u00fablica, contra os resultados eleitorais e eventualmente contra a Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta atitude antidemocr\u00e1tica era poss\u00edvel sempre e quando as \u201cmassas ignorantes\u201d de agricultores iletrados, assim como consentiram com a atua\u00e7\u00e3o das elites, consentiam tamb\u00e9m que tudo fora \u201cem seu interesse\u201d, \u201cem seu benef\u00edcio\u201d.<\/p>\n<p>Essa foi provavelmente a grande contribui\u00e7\u00e3o de Hamilton \u00e0 teoria pol\u00edtica conservadora. RJ somente repete os argumentos de Hamilton, sem gra\u00e7a e aparentando originalidade.<\/p>\n<p>RJ disse: <em>\u201c\u00e9 poss\u00edvel ser um milion\u00e1rio estabelecido num escrit\u00f3rio oval e encarnar o caipira \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em> A refer\u00eancia \u00e9 claramente a Donald Trump. Mas\u2026 Hamilton \u00e9 o Trump do s\u00e9culo XVIII, toda a campanha e as atitudes de Trump lembram justamente Hamilton. No fundo, Trump e RJ compartilham ideias pol\u00edticas: o \u00f3dio pela democracia e o \u00f3dio pelos plebeus, o pavor que causa essa ideia de que os \u201cperdedores\u201d possam usar a democracia para conquistar o poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, o que mais odeias est\u00e1 dentro de ti mesmo. \u201c<em>O sonho populista do povo governando diretamente \u00e9 a utopia da barb\u00e1rie\u201d, <\/em>uma frase que poderia ser assinada igualmente por Trump ou por Hamilton.<\/p>\n<p><strong>O \u00f3dio de classe: as v\u00edtimas<\/strong><\/p>\n<p>Um dos tra\u00e7os centrais dos argumentos aristocr\u00e1ticos \u00e9 sua completa falta de empatia com os que sofrem. A Rainha Maria Antonieta dizendo: \u201cque comam brioches\u201d frente \u00e0 fome do povo parisiense ficou como o gesto aristocr\u00e1tico por excel\u00eancia.<\/p>\n<p>Nosso cientista pol\u00edtico \u00e9 incapaz de sentir empatia pela frustra\u00e7\u00e3o de um trabalhador que viveu os \u00faltimos anos sabendo que seu meio de vida ser\u00e1 destru\u00eddo pela a\u00e7\u00e3o conjunta de uma transnacional voraz e irrespons\u00e1vel e de um governo complacente com os ricos e \u201cos vencedores\u201d da economia global. Considera que sua dor \u00e9 um \u201cdiscurso vitimizante\u201d; n\u00e3o lhe deu um brioche, mas provavelmente lhe sugeriu uma sess\u00e3o de \u201c<em>coaching\u201d<\/em> para reinventar-se.<\/p>\n<p>Que algu\u00e9m n\u00e3o sinta empatia por um taxista especificamente posso compreender. Muitas vezes s\u00e3o rudes e grosseiros. O que n\u00e3o posso compreender \u00e9 a absoluta falta de empatia de Rom\u00e1n Jacobo pelas v\u00edtimas do neoliberalismo.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito dos discursos \u201cpopulistas\u201d, diz RJ: <em>\u201cesse discurso vitimista, que diz ao cidad\u00e3o que \u00e9 um santo e um<\/em> <em>g\u00eanio governado por uns corruptos incompetentes (que, entretanto, sistematicamente elege por sabe Deus qual curiosa raz\u00e3o)\u201d, <\/em>mais adiante: <em>\u201cEsse eterno combust\u00edvel do populismo que diz \u00e0s pessoas que (por alguma sorte de direito natural, porque o bem-estar, a felicidade e a riqueza brotam das \u00e1rvores ou caem do c\u00e9u), sua vida seria maravilhosa se n\u00e3o fosse por esses patifes que, a partir do governo e dos poderes factuais, \u2018manipulam os fios\u2019\u201d.<\/em><\/p>\n<p>RJ n\u00e3o escreve na Gr\u00e9cia cl\u00e1ssica, escreve na Costa Rica do ano 2018, submetida a 35 anos de neoliberalismo. A primeira coisa que deveria ser perguntada a RJ \u00e9: H\u00e1 v\u00edtimas? A tese de RJ \u00e9 que o populismo se alimenta de um discurso vitimista, mas o ponto central \u00e9 responder: Nestes 35 anos de deteriora\u00e7\u00e3o aberta da esfera p\u00fablica existiram v\u00edtimas entre os cidad\u00e3os e a sociedade? N\u00f3s, que odiamos as elites que nos governaram, temos raz\u00e3o para sentir que as v\u00edtimas sofridas foram sacrificadas injustamente e que a sociedade e as elites h\u00e3o de arcar com isso? \u00c9 \u201cpopulista\u201d pedir repara\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas do neoliberalismo costarriquenho?<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o muito frios e contundentes: H\u00e1 v\u00edtimas, e muitas. E se algu\u00e9m quiser considerar-se \u201cum intelectual\u201d a primeira coisa que deve fazer \u00e9 colocar-se ao lado das v\u00edtimas, mas RJ \u00e9 incapaz disso.<\/p>\n<p>O pa\u00eds no qual RJ escreve tem 220 mil pessoas subalimentadas (entre 2015 e 2017), isto \u00e9, que padecem de fome f\u00edsica; tem 229 mil pessoas desempregadas (entre 9% e 10% da popula\u00e7\u00e3o com mais de 10 anos); 1.142.069 pessoas pobres, 21,1% dos lares. De cada 10 trabalhadores, quatro t\u00eam algum direito trabalhista violado. Segundo o \u00faltimo Informe do Estado da Regi\u00e3o (2016), Costa Rica \u00e9 hoje em dia mais desigual que El Salvador, Nicar\u00e1gua ou Panam\u00e1.<\/p>\n<p>Para conseguir esses n\u00fameros, milhares de pessoas e vidas foram sacrificadas no altar da \u201cdemocracia de mercado\u201d. RJ nem pensa em ter simpatia por elas. S\u00e3o \u201cressentidos\u201d, \u201cperdedores\u201d que devem \u201cbuscar a orienta\u00e7\u00e3o dos melhores\u201d. A verdade \u00e9 que t\u00eam sido \u201cos melhores economistas\u201d os que levaram a este genoc\u00eddio social.<\/p>\n<p><strong>Democracia dos ricos<\/strong><\/p>\n<p>Para RJ, a principal amea\u00e7a \u00e0 democracia \u00e9 a atitude das elites pol\u00edticas, demasiado tentadas pelo pecado populista. Mas a verdade categ\u00f3rica \u00e9 que n\u00e3o. A principal amea\u00e7a \u00e0 democracia \u00e9 a desigualdade. A concentra\u00e7\u00e3o do poder, prest\u00edgio, dinheiro e for\u00e7a que as elites sociais e pol\u00edticas realizaram.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 democracia onde h\u00e1 plutocracia (o governo dos ricos). A plutocracia n\u00e3o \u00e9 mais que a \u201croubocracia\u201d (o governo dos ladr\u00f5es).<\/p>\n<p>Ou \u00e9 falso o sentimento popular de que o sistema pol\u00edtico serve para enriquecer-se? Que a democracia foi sequestrada pelos banqueiros e seus pol\u00edticos remunerados? Existiram ou n\u00e3o os piores esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos 20 anos? Com o resultado de que ningu\u00e9m da elite social foi julgado e condenado.<\/p>\n<p>Os ladr\u00f5es de salgadinhos, atum e bicicletas recebem todo o peso da lei. Enquanto Miguel \u00c1ngel Rodr\u00edguez, Rafael \u00c1ngel Calder\u00f3n, Oscar Arias, Jos\u00e9 Mar\u00eda Figueres, Gloria Benjarano, V\u00edctor Morales Zapata e Roberto Dobles passeiam pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, d\u00e3o entrevistas em hor\u00e1rio nobre, recebem pr\u00eamios das universidades, d\u00e3o confer\u00eancias no exterior impunemente como se fossem pessoas dignas de admirar, como se fossem \u201cmelhores\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que o sentimento de ofensa pela impunidade, este sentimento de \u00f3dio de classe, \u00e9 um sentimento que floresce nestas condi\u00e7\u00f5es de desigualdade econ\u00f4mica e social.<\/p>\n<p>Nos anos 1970, o economista alem\u00e3o Jan Pen, desenhou uma demonstra\u00e7\u00e3o que chamou metaforicamente de \u201ca marcha dos an\u00f5es e alguns gigantes\u201d, e que \u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o dos investimentos se eles se transformassem no tamanho f\u00edsico das pessoas. Os dados s\u00e3o impressionantes: se transform\u00e1ssemos os investimentos em tamanho, a maioria de n\u00f3s seria de pessoas pequenas ou de estatura normal. Enquanto que o 1% mais rico ou o 0,1% mais rico teriam o tamanho de arranha-c\u00e9us ou de montanhas. Como funcionar\u00e1 a democracia entre milh\u00f5es que medem um metro e uma pessoa que mede 6 quil\u00f4metros? Nem sequer poderiam escutar-se. N\u00e3o h\u00e1 democracia com semelhante concentra\u00e7\u00e3o de dinheiro e poder. As elites sociais e pol\u00edticas deste pa\u00eds nos \u00faltimos 35 anos n\u00e3o fizeram nada mais que concentrar no topo da pir\u00e2mide social todo o dinheiro, a educa\u00e7\u00e3o, a riqueza e o poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O governo de Carlos Alvarado \u00e9 um exemplo disso, tem entre seus ministros as pessoas mais ricas, todas com doutorados europeus, e \u00e9 um governo impopular, que governa para os ricos e para os grandes empres\u00e1rios, que n\u00e3o usa argumentos e sim a for\u00e7a (a aprova\u00e7\u00e3o do plano fiscal deixou um preso pol\u00edtico e 15 acusados), porque \u201cas multid\u00f5es\u201d n\u00e3o sabem que lhes conv\u00e9m e que se pode usar a for\u00e7a contra eles \u201cpara seu pr\u00f3prio bem\u201d. Assim, temos raz\u00f5es de sobra para estarmos ressentidos.<\/p>\n<p>O ressentimento \u00e9 maior porque hoje em dia a Costa Rica \u00e9 um pa\u00eds mais rico, mais produtivo, mais escolarizado e com maior participa\u00e7\u00e3o feminina no trabalho remunerado do que h\u00e1 35 anos. Os de baixo cumpriram a tarefa de sobra, e, entretanto a riqueza, o prest\u00edgio e o poder pol\u00edtico se concentram no topo social.<\/p>\n<p>RJ se utiliza das \u201cteorias da conspira\u00e7\u00e3o\u201d, da ideia de que <em>\u201cos patifes (\u2026) a partir do governo e dos poderes factuais, \u2018manipulam os fios\u2019\u201d.<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o creio nas teorias da conspira\u00e7\u00e3o, sobretudo porque isso que RJ descreve n\u00e3o \u00e9 uma teoria da conspira\u00e7\u00e3o, mas sim a descri\u00e7\u00e3o precisa de como funciona o sistema mundial, nada mais que isso, \u00e9 p\u00fablico e not\u00f3rio, conhecido e publicado. Ou o esc\u00e2ndalo da Odebrecht \u00e9 uma mentira conspirat\u00f3ria? Os Panam\u00e1 Papers s\u00e3o uma teoria conspirat\u00f3ria? O esc\u00e2ndalo de Cambridge Analytics? O assassinato de Jamal Khashoggi? A atividade da CIA para derrubar Jacobo Arbenz ou Salvador Allende?<\/p>\n<p>Todas estas hist\u00f3rias s\u00e3o certezas, conhecidas, publicitadas e confirmadas. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de fazer uma grande investiga\u00e7\u00e3o para conhec\u00ea-las, basta ler o jornal ou buscar no Google.<\/p>\n<p>Os ricos, os governantes, \u201cos melhores\u201d podem driblar e manipular as leis, as elei\u00e7\u00f5es e o Estado de Direito. Isso n\u00e3o \u00e9 uma teoria da conspira\u00e7\u00e3o, s\u00e3o as not\u00edcias de todos os dias. O estranho \u00e9 que toleremos, o depreci\u00e1vel \u00e9 que \u201cintelectuais\u201d considerem esses fatos como mentalidade conspirat\u00f3ria e ressentimento.<\/p>\n<p>Quem s\u00e3o os melhores sob o capitalismo?<\/p>\n<p>A esta altura RJ me dir\u00e1 que estou confundindo \u201cos ricos e poderosos\u201d com os melhores e que n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. Mas o problema \u00e9 que, sob o capitalismo, trata-se do mesmo sim. Os privilegiados consideram a si mesmos com \u201cvirtudes superiores\u201d, consideram-se os \u201cmelhores\u201d.<\/p>\n<p>O argumento de RJ \u00e9 igual a todos os argumentos aristocr\u00e1ticos depois das revolu\u00e7\u00f5es inglesa, francesa e russa; tem uma falha fundamental, que \u00e9 nunca dizer: os \u201cmelhores\u201d em qu\u00ea? E sobretudo: quem designa \u201cos melhores\u201d?<\/p>\n<p>A maior parte do tempo, \u201cos melhores\u201d, \u201cos vencedores\u201d se designam entre eles mesmos. Pelo visto RJ se considera \u201cdos melhores\u201d e eu me pergunto: quem o designou? O sangue, o ber\u00e7o, a Universidade, o Estado?<\/p>\n<p>Como nas m\u00faltiplas Comiss\u00f5es de Not\u00e1veis que temos tido, algu\u00e9m se pergunta: S\u00e3o not\u00e1veis em qu\u00ea? E sobretudo: com que crit\u00e9rio se designa esta notabilidade? \u201cNot\u00e1veis\u201d \u00e9, na realidade, um eufemismo para referir-se \u00e0 casta pol\u00edtica e aos tecnocratas.<\/p>\n<p>Assim como a casta pol\u00edtica nomeia a si mesma \u201cnot\u00e1vel\u201d, parece ser que ningu\u00e9m nomeou os \u201cmelhores\u201d designados por RJ; eles que se autodesignaram.<\/p>\n<p>Os governantes e os ricos se intitulam como \u201cos melhores\u201d. A elite social sempre se considera \u201ca melhor\u201d e sempre considera que n\u00f3s, \u201cos perdedores\u201d, dever\u00edamos estar agradecidos com o p\u00e3o e o circo.<\/p>\n<p>Os argumentos aristocr\u00e1ticos antigos eram melhores. Algu\u00e9m era um \u201cGrande da Espanha\u201d pelo sangue ou pela espada, nasceu \u201cGrande\u201d ou o Rei o nomeou \u201cGrande\u201d.<\/p>\n<p>Mas RJ \u00e9 melhor em qu\u00ea? \u00c9 \u00f3bvio que n\u00e3o \u00e9 o melhor fazendo esportes, \u00e9 imposs\u00edvel que RJ ganhe em uma prova atl\u00e9tica de Andrea Vargas ou de Nery Brenes.<\/p>\n<p>Tampouco \u00e9 melhor construindo casas, fazendo sorvetes, recolhendo o lixo da cidade ou limpando o coc\u00f4 das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>H\u00e1 pessoas excelentes que recolhem lixo, limpam a merda das crian\u00e7as e dos idosos, constroem casas, removem montanhas, produzem eletricidade. RJ jamais os consideraria \u201cos melhores\u201d, para eles esses s\u00e3o \u201cral\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>Verdade seja dita, eu nunca deixaria minha filha sob os cuidados de RJ, quem cuidou dela foi uma imigrante nicaraguense; tampouco deixaria que constru\u00edsse minha casa, isso o faz um oper\u00e1rio de manuten\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o deixaria que recolhesse o lixo do meu bairro, porque obviamente n\u00e3o tem o que se requer para levar adiante tarefas sociais t\u00e3o importantes como a constru\u00e7\u00e3o de casas, o cuidado das crian\u00e7as ou a coleta de lixo.<\/p>\n<p>E exatamente pelas mesmas raz\u00f5es, n\u00e3o quero que dirija o pa\u00eds ou que aqueles que dirigem o pa\u00eds o levem a s\u00e9rio. Porque n\u00e3o ele tem ideia de como faz\u00ea-lo, porque n\u00e3o \u00e9 o melhor para faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Creio firmemente que s\u00e3o os professores os melhores para dirigir o sistema educacional do ensino p\u00fablico, s\u00e3o os oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o os que deveriam dirigir o MOPT, os lixeiros seriam os mais indicados para a gest\u00e3o municipal. Justamente porque j\u00e1 o fazem, fazem todos os dias e t\u00eam que lidar e resolver todos os dias as confus\u00f5es e ocorr\u00eancias que os \u201cg\u00eanios\u201d e tecnocratas como RJ nos causam.<\/p>\n<p>Normalmente, para pessoas como RJ, \u201cos melhores\u201d quer dizer \u201cos mais escolarizados\u201d. Isso \u00e9 tudo.<\/p>\n<p>RJ \u00e9 um porta-voz da elite social que carece de riqueza, n\u00e3o \u00e9 um oligarca, n\u00e3o \u00e9 Rodolfo Jim\u00e9nez ou Ram\u00f3n Mendiola, tampouco poderia identificar-se com os descamisados e a ral\u00e9, ele n\u00e3o pode ser como Carmen Lyra. Portanto, tem que buscar e justificar o seu lugar na elite. A ideia \u00e9 que ele pertence aos \u201cmelhores\u201d porque \u00e9 mais escolarizado.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma ideia nova, Rodrigo Facio e Roberto Brenes Mesen j\u00e1 a haviam sustentado em nosso pa\u00eds. A ideia de que quem deve governar \u00e9 uma elite intelectual da classe m\u00e9dia. Nada de novo sob o sol.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho nada contra a escolariza\u00e7\u00e3o. Isso me parece bom. Lutei toda minha vida pela educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, gratuita e de qualidade. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel esconder um fato real, material: a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o contribui para a igualdade social, n\u00e3o sob o capitalismo. A educa\u00e7\u00e3o sob o capitalismo refor\u00e7a a desigualdade social.<\/p>\n<p>Sistematicamente, como tend\u00eancia, as pessoas mais ricas alcan\u00e7am os melhores resultados, v\u00e3o aos melhores col\u00e9gios, conseguem os melhores trabalhos. Nos distritos e cant\u00f5es mais pobres h\u00e1 piores resultados de desempenho escolar e de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria. Onde RJ diz \u201cos melhores\u201d deveria dizer \u201cos privilegiados\u201d. V\u00e3o me dizer que h\u00e1 ricos que n\u00e3o s\u00e3o \u201cos melhores\u201d. Mas \u00e9 justamente sob o capitalismo que os ricos n\u00e3o precisam demonstrar que s\u00e3o \u201cos melhores\u201d para que fa\u00e7am seu trabalho.<\/p>\n<p>J\u00e1 dizia Goethe: <em>\u201cO dinheiro \u00e9 o bem supremo, logo \u00e9 bom o seu possuidor; o dinheiro me evita, ademais, a mol\u00e9stia de ser desonesto, logo se presume que sou honesto; sou est\u00fapido, mas o dinheiro \u00e9 o verdadeiro esp\u00edrito de todas as coisas, como poderia carecer de engenho seu possuidor? Ele pode, ademais, comprar pessoas engenhosas, e n\u00e3o \u00e9 quem tem o poder sobre as pessoas inteligentes mais talentoso que o talentoso? \u00c9 que eu n\u00e3o o possuo, que mediante o dinheiro posso tudo o que o cora\u00e7\u00e3o humano anseia, todos os poderes humanos? Acaso meu dinheiro n\u00e3o transforma todas as minhas car\u00eancias em seu contr\u00e1rio?\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><strong>Em defesa de Carmen Lyra<\/strong><\/p>\n<p>Gostaria de assinalar um \u00faltimo assunto. \u00c9 sobre Carmen Lyra. RJ disse: <em>\u201cPor exemplo, assim como \u00e9 poss\u00edvel ser uma l\u00edder oper\u00e1ria, como Mar\u00eda Isabel Carvajal e, claramente, pertencer a essa minoria seleta que em um tempo e lugar da hist\u00f3ria eleva o padr\u00e3o e exerce, com seu trabalho e exemplaridade p\u00fablica, uma influ\u00eancia not\u00e1vel na sociedade\u201d.<\/em><\/p>\n<p>E esta \u00e9 de longe a passagem mais infame que esse pretenso aristocrata escreveu.<\/p>\n<p>A primeira confus\u00e3o \u00e9 que Carmen Lyra n\u00e3o era uma dirigente oper\u00e1ria, era uma intelectual que vinculou sua vida \u00e0 luta da classe oper\u00e1ria pelo socialismo e isso \u00e9 muito diferente.<\/p>\n<p>Carmen Lyra j\u00e1 era uma intelectual e uma escritora importante quando o Partido Comunista da Costa Rica foi fundado em 1931; ela renunciou a esse lugar social privilegiado como \u201cmulher de letras\u201d para aventurar-se com um grupo de rapazes, um grupo de \u201cperdedores\u201d que jamais dariam aulas na universidade, que foram expulsos de seus trabalhos no magist\u00e9rio, da \u201cral\u00e9\u201d, que ganhavam a vida consertando sapatos ou fabricando garrafas, de presos e exilados que n\u00e3o tinham onde cair mortos. Com essa gente depreciada e \u201cmed\u00edocre\u201d ela construiu o primeiro partido oper\u00e1rio deste pa\u00eds. O partido dos \u201cmedianos e med\u00edocres\u201d, o partido que mais contribuiu para a democracia social e pol\u00edtica na primeira parte do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>No PCCR, Carmen Lyra defendeu, junto com Manuel Mora, que os candidatos do partido deveriam ser oper\u00e1rios, n\u00e3o \u201cintelectuais\u201d. A \u201cral\u00e9\u201d deveria eleger \u201ca ral\u00e9\u201d. Os trabalhadores deveriam ser representados por trabalhadores. O povo deve autogovernar-se. \u201cN\u00e3o mais salvadores supremos, nem C\u00e9sar, nem Burgu\u00eas, nem Deus\u201d, diz a letra da Internacional, can\u00e7\u00e3o que tantas vezes a voz de \u201cChabela\u201d entoou. E ainda hoje os socialistas a entoamos, can\u00e7\u00e3o escrita por um oper\u00e1rio que aprendeu a ler aos 14 anos, outro \u201cperdedor\u201d.<\/p>\n<p>Quando ingressou no PCCR, Carmen Lyra deixou de escrever romances e usou toda sua intelig\u00eancia para desenvolver o jornal <em>Trabajo<\/em> e depois a <em>Radio Ecos del 56<\/em>. E por isso foi odiada por todos os membros da elite pol\u00edtica e econ\u00f4mica da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Por isso ela se converteu em uma v\u00edtima da elite social e pol\u00edtica que dirigia o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Carmen Lyra lutou contra a ditadura dos Tinoco. \u00a0Roberto Brenes Meses, um dos primeiros defensores do \u201cgoverno dos melhores\u201d, foi o ministro da Educa\u00e7\u00e3o da ditadura. Carmen Lyra foi a \u00fanica que se op\u00f4s ao acordo entre Manuel Mora e a Igreja, n\u00e3o foi escutada, nem sequer por seu pr\u00f3prio partido.<\/p>\n<p>O \u201cgoverno de fato\u201d de Figueres, Cardona e Mart\u00e9n a expulsou do pa\u00eds, metralhou o avi\u00e3o que a levou ao ex\u00edlio e lhe proibiu morrer na Costa Rica, obrigando-a a morrer longe de sua terra e de seus entes queridos, os trabalhadores de sua p\u00e1tria.<\/p>\n<p>Carmen Lyra combateu com sua palavra, com suas ideias e, se tivesse a for\u00e7a, com as armas a todos aqueles que defendiam o \u201cgoverno dos melhores\u201d. Lutou contra Brenes Mesen e tamb\u00e9m contra Rodrigo Facio e Alberto Mart\u00e9n. Essa \u00e9 a hist\u00f3ria de Carmen Lyra. Que RJ a coloque como exemplo de elitismo e aristocracia \u00e9 um dos piores insultos que li em minha vida, \u00e9 uma cusparada sobre sua mem\u00f3ria, uma demonstra\u00e7\u00e3o de superficialidade, ignor\u00e2ncia e vulgaridade, digna das elites que dirigiram este pa\u00eds e digna de seus tinteiros remunerados.<\/p>\n<p>A resposta que provavelmente Carmen Lyra daria aos RJ de sua \u00e9poca \u00e9 que identificar os \u00eaxitos de um pa\u00eds com sua elite pol\u00edtica \u00e9 uma completa idiotice. A democracia pol\u00edtica foi defendida em 7 de novembro de 1889 pela pe\u00e3ozada ignorante, os direitos trabalhistas foram conquistados n\u00e3o pelo pacto Mora-Calder\u00f3n, e sim pela a\u00e7\u00e3o de milhares de grevistas que em 1934 derrotaram a United Fruits e o governo de Ricardo Jim\u00e9nez, a paz foi conquistada porque os de \u201cbaixo\u201d estavam fartos das fraudes, dos golpes de estado e das aventuras militares dos caudilhos figueristas e calderonistas. A neutraliza\u00e7\u00e3o do carbono ser\u00e1 conquistada n\u00e3o por Carlos Alvarado, e sim pelos milhares de camponeses e ecologistas que t\u00eam defendido as matas e os mares da voracidade extrativista dos \u201cmelhores\u201d. Essa \u00e9 a realidade.<\/p>\n<p>Esperanza Aguirre, ministra espanhola do Partido Popular, m\u00faltiplas vezes eleita e m\u00faltiplas vezes imputada, tentando ser depreciativa disse: \u201ca democracia n\u00e3o pode ser uma coalis\u00e3o de perdedores\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 de longe a melhor defini\u00e7\u00e3o de democracia. A democracia ali onde foi conquistada \u00e9 um momento onde os perdedores, que n\u00e3o tivemos poder, prest\u00edgio, dinheiro, beleza, educa\u00e7\u00e3o, nos juntamos para governar e governamos.<\/p>\n<p>Essa ideia sempre encheu de pavor os privilegiados e essa ideia, esse fantasma, que n\u00e3o \u00e9 mais que o fantasma da democracia e do comunismo, foi o que um belo dia antes do Natal assustou Juan Rom\u00e1n Jacobo.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Nea Vieira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u201cQuem poderia acreditar que um empregado do tribunal ou um guarda do Pal\u00e1cio de Justi\u00e7a poderia converter-se de repente em presidentes do Congresso dos ju\u00edzes de paz?\u201d Zaleski, general czarista citado por Le\u00f3n Trotsky em Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":25872,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[287,49],"tags":[6973,6974,4185],"class_list":["post-25869","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-costa-rica","category-polemica","tag-as-elites-importam","tag-gustavo-roman-jacobo","tag-roberto-herrera"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/istockphoto-1053855568-1024x1024-1.jpg","categories_names":["Costa Rica","Pol\u00eamica"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25869","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25869"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25869\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25872"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}