{"id":25845,"date":"2019-01-17T16:05:36","date_gmt":"2019-01-17T18:05:36","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25845"},"modified":"2019-01-17T16:05:36","modified_gmt":"2019-01-17T18:05:36","slug":"o-que-sao-os-sindicatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/01\/17\/o-que-sao-os-sindicatos\/","title":{"rendered":"O que s\u00e3o os sindicatos?"},"content":{"rendered":"<p><em>Os sindicatos s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores que t\u00eam como objetivo lutar por reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas \u201ccotidianas\u201d como o limite da jornada de trabalho, o aumento do sal\u00e1rio, a estabilidade no emprego, etc. Mas nem todos os sindicatos cumprem com esse objetivo. Alguns defendem os interesses dos patr\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Fernando Graco<\/p>\n<p>Sob o ponto de vista da organiza\u00e7\u00e3o, existem v\u00e1rios tipos de sindicatos: sindicato de empresa, onde s\u00f3 podem se organizar os trabalhadores de uma mesma empresa, sindicato de ind\u00fastria que permitem que se organizem trabalhadores de todo um setor econ\u00f4mico, e pode incluir v\u00e1rias empresas, federa\u00e7\u00f5es que agrupam v\u00e1rios sindicatos de empresas com ind\u00fastrias de um mesmo ramo e as centrais sindicais que podem agrupar trabalhadores de distintos ramos da produ\u00e7\u00e3o organizados em sindicatos de empresa, de ind\u00fastria e federa\u00e7\u00f5es. As centrais sindicais tamb\u00e9m podem incluir organiza\u00e7\u00f5es estudantis, camponesas e demais setores populares, a pesar de n\u00e3o serem muito comuns. Uma \u00e9 a Central Oper\u00e1ria Boliviana (COB), outra a Central Sindical e Popular (CSP -Conlutas) do Brasil. Na Col\u00f4mbia nenhuma tem essa caracter\u00edstica.<\/p>\n<p><strong>Sindicatos classistas e sindicatos conciliadores<\/strong><\/p>\n<p>Sob o ponto de vista pol\u00edtico, os sindicatos podem ser classificados como classistas ou conciliadores. Os primeiros t\u00eam como princ\u00edpio geral a defesa dos interesses dos trabalhadores mediante o princ\u00edpio da independ\u00eancia de classe, os segundos a defesa dos interesses dos patr\u00f5es atrav\u00e9s da pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o. Os sindicatos classistas em geral devem defender princ\u00edpios, ou seja algumas premissas que n\u00e3o se negociam, nem se modificam; que s\u00e3o permanentes. Estes s\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>Independ\u00eancia dos patr\u00f5es e dos governos<\/strong>. Isto deve se expressar na sustenta\u00e7\u00e3o de uma posi\u00e7\u00e3o permanente contra os governos e os patr\u00f5es porque os interesses deles s\u00e3o opostos aos da classe oper\u00e1ria. Enquanto para os patr\u00f5es e para os governos o interesse primordial \u00e9 o lucro sustentado pela propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o (f\u00e1bricas e grandes extens\u00f5es de terra), o interesse mais importante dos trabalhadores \u00e9 conseguir o maior rendimento poss\u00edvel atrav\u00e9s do seu sal\u00e1rio. Ou seja, disputar uma parte do lucro. Por isso os interesses destas duas classes sociais s\u00e3o inconcili\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Anti-imperialismo<\/strong>. Este princ\u00edpio \u00e9 muito importante porque hoje o imperialismo domina atrav\u00e9s das multinacionais, as institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que imp\u00f5em planos e leis contra os trabalhadores, saqueiam os recursos naturais e interv\u00e9m, em muitos casos, militarmente.<\/p>\n<p><strong>Anticapitalismo<\/strong>. A exist\u00eancia de mis\u00e9ria, o desemprego e todos os males das sociedades s\u00e3o produto da desigualdade que o sistema capitalista imp\u00f5e para que uns poucos acumulem riqueza, explorando e espoliando a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o. Por isso \u00e9 preciso combater esse sistema e lutar por outro onde se coletivize a propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o e seja abolido o lucro, para que a riqueza seja distribu\u00edda equitativamente.<\/p>\n<p><strong>A democracia oper\u00e1ria.<\/strong> A democracia oper\u00e1ria ou sindical \u00e9 a que deve reger o funcionamento dos sindicatos. Que as bases sejam as que decidam sobre os principais problemas da organiza\u00e7\u00e3o como medidas e planos de luta, assim como sobre as negocia\u00e7\u00f5es com patr\u00f5es e governos.<\/p>\n<p><strong>Politiza\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Se n\u00f3s trabalhadores n\u00e3o nos politizamos elaborando posi\u00e7\u00f5es sobre os principais problemas do pa\u00eds e do mundo, os patr\u00f5es atrav\u00e9s dos seus partidos ou dos partidos conciliadores, e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o que dominam, doutrinam e acabam nos utilizando, buscando nosso apoio para que governem contra n\u00f3s mesmos. Um aspecto da politiza\u00e7\u00e3o \u00e9 lutar para construir um partido dos pr\u00f3prios trabalhadores e participar nas elei\u00e7\u00f5es burguesas com candidatos pr\u00f3prios, n\u00e3o para obter privil\u00e9gios, mas sim para utilizar o mandato como canal para fazer den\u00fancias e organizar a luta.<\/p>\n<p><strong>Solidariedade de classe<\/strong>. N\u00f3s trabalhadores somos a imensa maioria e possuimos como aliados a outros setores, como os camponeses pobres e os demais setores populares, mas os patr\u00f5es e seus agentes (a burocracia) procuram nos convencer sutilmente para que n\u00e3o sejamos solid\u00e1rios com outros setores e povos. Utilizam a ideologia de que cada um deve pensar em si mesmo para \u201cprogredir\u201d. Assim nos mant\u00e9m divididos, nos maltratam e nos derrotam. Por isso sempre devemos ser solid\u00e1rios com toda luta oper\u00e1ria, de setores populares ou povos, a n\u00edvel nacional e internacional, como parte do combate ao individualismo.<\/p>\n<p><strong>O internacionalismo<\/strong>. Do princ\u00edpio da solidariedade, se desprende o internacionalismo prolet\u00e1rio. A classe oper\u00e1ria \u00e9 uma s\u00f3 classe social a n\u00edvel internacional e devemos lutar contra a classe capitalista que tamb\u00e9m \u00e9 outra classe internacional. Essa \u00e9 a raz\u00e3o do internacionalismo prolet\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Dignidade de classe<\/strong>. A defesa da dignidade da classe trabalhadora pode se traduzir em hostilidade contra a classe inimiga, a classe capitalista odeia a classe oper\u00e1ria. Si isso n\u00e3o fosse verdade, os capitalistas n\u00e3o nos explorariam, e n\u00e3o seriam impiedosos ao nos colocar na rua, desempregados, sem trabalho, sem sa\u00fade nem educa\u00e7\u00e3o. Na guerra, e a luta de classes \u00e9 uma guerra, o prop\u00f3sito hostil contra o inimigo \u00e9 indispens\u00e1vel. N\u00f3s trabalhadores devemos assumir uma atitude hostil contra o sistema de explora\u00e7\u00e3o e de opress\u00e3o a que somos submetidos, e os capitalistas s\u00e3o os defensores desse sistema. Sem essa atitude estamos entregando nossa dignidade.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Vitor Jambo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os sindicatos s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores que t\u00eam como objetivo lutar por reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas \u201ccotidianas\u201d como o limite da jornada de trabalho, o aumento do sal\u00e1rio, a estabilidade no emprego, etc. Mas nem todos os sindicatos cumprem com esse objetivo. 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