{"id":25701,"date":"2019-01-07T11:10:42","date_gmt":"2019-01-07T13:10:42","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25701"},"modified":"2019-01-07T11:10:42","modified_gmt":"2019-01-07T13:10:42","slug":"declaracao-da-lit-qi-na-europa-coletes-amarelos-primeiras-licoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/01\/07\/declaracao-da-lit-qi-na-europa-coletes-amarelos-primeiras-licoes\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o da LIT-QI na Europa: Coletes Amarelos, primeiras li\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><em>1\/ Nem a mais selvagem repress\u00e3o, nem as concess\u00f5es de Macron conseguiram acabar com o movimento dos coletes amarelos<\/em>.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O an\u00fancio governamental do aumento da taxa dos combust\u00edveis foi somente a gota d\u2019\u00e1gua que transbordou o copo da c\u00f3lera popular. Foi o estopim de <strong>um protesto espont\u00e2neo, explosivo, expandido por todo o pa\u00eds e apoiado massivamente pela popula\u00e7\u00e3o.<\/strong> O que come\u00e7ou como uma rebeli\u00e3o contra o aumento do imposto dos combust\u00edveis se transformou em uma escalada de lutas e manifesta\u00e7\u00f5es radicalizadas e brutalmente reprimidas e em uma ampla lista de reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>2\/ Estas reivindica\u00e7\u00f5es, pouco articuladas e algumas escassamente definidas, incluem <strong>reclama\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais<\/strong> como o aumento geral de sal\u00e1rios e sua indexa\u00e7\u00e3o, a melhoria das aposentadorias e dos servi\u00e7os p\u00fablicos ou a restaura\u00e7\u00e3o do imposto sobre as grandes fortunas. Incorporam <strong>exig\u00eancias pol\u00edticas contra a V Rep\u00fablica<\/strong>, vista pelos coletes amarelos como uma m\u00e1quina antidemocr\u00e1tica que engana a vontade popular. \u00c9 o caso da exig\u00eancia de limita\u00e7\u00e3o da remunera\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos, a supress\u00e3o do Senado ou o mais recente \u201creferendo de iniciativa cidad\u00e3\u201d (RIC). E, com certeza, em um lugar destacado, a <strong>demiss\u00e3o de Macron.<\/strong><\/p>\n<p>3\/ \u00c9 um movimento profundo que faz frente a um longo processo de degrada\u00e7\u00e3o social que afeta amplas faixas da popula\u00e7\u00e3o francesa. Tem <strong>sua for\u00e7a principal no interior, fora de Paris, e est\u00e1 composto, principalmente, por trabalhadores com baixos sal\u00e1rios e precarizados<\/strong>, em sua maioria de pequenas empresas e setores n\u00e3o sindicalizados, junto com aposentados e setores pauperizados da pequena burguesia. Conta com uma forte presen\u00e7a feminina. Antes das f\u00e9rias acad\u00eamicas natalinas se incorporaram \u00e0 luta os estudantes secundaristas dos distritos e bairros populares. Diferente de 1968, o movimento n\u00e3o arraigou at\u00e9 o momento, na universidade (apesar de in\u00edcios de luta em dezembro) e tamb\u00e9m n\u00e3o se estendeu nas f\u00e1bricas, pelo freio criminal da burocracia sindical, c\u00famplice de Macron. Tamb\u00e9m n\u00e3o se fez forte nos sub\u00farbios das grandes cidades.<\/p>\n<p>4\/ Uma das caracter\u00edsticas do movimento, que explica a for\u00e7a com que surgiu, \u00e9 <strong>a falta de controle por parte dos aparatos pol\u00edticos e sindicais <\/strong>e a tend\u00eancia de assumir as coisas diretamente em suas m\u00e3os, unida \u00e0 sua resist\u00eancia em delegar a representantes que n\u00e3o controlam e a fazer negocia\u00e7\u00f5es ardilosas por cima , ao estilo das da burocracia sindical.<\/p>\n<p>Os coletes amarelos <strong>desconfiam profundamente do emaranhado institucional da V Rep\u00fablica. Desconfiam dos partidos pol\u00edticos <\/strong>que mentem v\u00e1rias vezes e lhes dizem que a alternativa \u00e9 votar neles nas elei\u00e7\u00f5es seguintes. <strong>N\u00e3o se sentem representados pela burocracia sindical, <\/strong>que se dedicou a arruinar a luta do movimento oper\u00e1rio durante d\u00e9cadas e tem sido o c\u00famplice necess\u00e1rio dos ataques neoliberais contra os direitos sociais e trabalhistas. O movimento dos coletes amarelos mostra o <strong>desgaste e a crise dos mecanismos de domina\u00e7\u00e3o da democracia burguesa. <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o esperaram as elei\u00e7\u00f5es para ir \u00e0 luta e n\u00e3o duvidaram em assumir de maneira resoluta os <strong>m\u00e9todos de a\u00e7\u00e3o direta<\/strong>, diante dos m\u00e9todos derrotistas da burocracia sindical e \u00e0 submiss\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es. E resistiram \u00e0 <strong>viol\u00eancia policial<\/strong>, esgotando amplamente seu dispositivo durante dois fins de semana no pr\u00f3prio centro de Paris.<\/p>\n<p>5\/ A mobiliza\u00e7\u00e3o conseguiu <strong>romper a resist\u00eancia de Macron, obrigando-o a desistir publicamente de seus planos <\/strong>e a renunciar de seu solene compromisso de n\u00e3o ceder \u00e0 press\u00e3o social.<\/p>\n<p>As concess\u00f5es, ainda que parciais e algumas at\u00e9 enganosas (como o aumento de 100 \u20ac do sal\u00e1rio m\u00ednimo) <strong>quebraram a imagem de onipot\u00eancia do poder <\/strong>e deram confian\u00e7a ao movimento, que comprovou que \u201ca luta vale a pena\u201d. Os coletes amarelos conseguiram em um m\u00eas o que a mobiliza\u00e7\u00e3o controlada pela burocracia sindical n\u00e3o conseguia em muitos anos.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma das li\u00e7\u00f5es importantes da luta para os explorados e oprimidos: <strong>se \u00e9 firme, consequente e massiva, se se baseia na vontade da base e n\u00e3o se deixa manipular nem desarmar pela burocracia, os trabalhadores ganham e \u201ca luta vale a pena\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>6\/ O movimento dos coletes amarelos delineia os <strong>primeiros sinais de uma profunda mudan\u00e7a<\/strong>. Mostra que a situa\u00e7\u00e3o de crise que vive atualmente o capitalismo, marcada por uma profunda e crescente polariza\u00e7\u00e3o social, est\u00e1 repleta, tamb\u00e9m na Europa, da <strong>possibilidade de mudan\u00e7as abruptas que incluem a irrup\u00e7\u00e3o violenta de massas na cena pol\u00edtica. <\/strong>Na Fran\u00e7a, ap\u00f3s a derrota da reforma trabalhista e a dos ferrovi\u00e1rios, ambas provocadas pela trai\u00e7\u00e3o da burocracia sindical, ningu\u00e9m esperava que o an\u00fancio do aumento dos impostos dos combust\u00edveis levasse \u00e0 atual explos\u00e3o social.<\/p>\n<p>7\/ As caracter\u00edsticas do movimento nos indicam tamb\u00e9m que <strong>n\u00e3o estamos diante de mais um protesto social<\/strong>, mas sim diante de um movimento que se enfrenta abertamente com o poder pol\u00edtico e questiona globalmente o regime e at\u00e9 o pr\u00f3prio sistema. Um movimento que <strong>enra\u00edza nas camadas mais fundas <\/strong>da sociedade, e sofre, ao mesmo tempo, uma dupla car\u00eancia: a de um programa coerente para construir um novo regime pol\u00edtico e social e a de uma dire\u00e7\u00e3o, inclusive minorit\u00e1ria, que lhe ajude a avan\u00e7ar neste caminho.<\/p>\n<p>8\/ O movimento dos coletes amarelos <strong>reflete a fal\u00eancia hist\u00f3rica dos aparatos sindicais tradicionais do movimento oper\u00e1rio assim como a da esquerda pol\u00edtica<\/strong>, inclu\u00eddo o novo reformismo de La France Insoumise, surgido da bancarrota do velho partido socialista e estalinista.<\/p>\n<p>A <strong>burocracia sindical tem sido (em paralelo com a brutalidade policial) o principal muro de conten\u00e7\u00e3o <\/strong>do poder burgu\u00eas ante o movimento dos coletes amarelos. Quanto ao aparato dirigente da <strong>La<\/strong> <strong>France Insoumise<\/strong>\u00a0(muitos dos quais participam no movimento) limita seu horizonte no marco institucional parlamentar e seu objetivo \u00faltimo n\u00e3o vai al\u00e9m de capitalizar eleitoralmente a mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o deveria parecer estranho nestas circunstancias que, em suas aspira\u00e7\u00f5es a uma mudan\u00e7a radical, os coletes amarelos tenham reivindicado, no esp\u00edrito dos \u201csans-culottes\u201d, a grande <strong>revolu\u00e7\u00e3o francesa de 1789-94<\/strong>\u00a0e que n\u00e3o tenham levantado a bandeira vermelha e cantado a Internacional, e sim A Marselhesa e a bandeira tricolor (que o imperialismo franc\u00eas tantas vezes empapou de sangue de oper\u00e1rios e povos colonizados).<\/p>\n<p>9\/ O papel da burocracia sindical tem sido criminoso, em particular o da CGT, devido a sua especial responsabilidade. Desde o principio seu objetivo tem sido <strong>isolar os coletes amarelos e impedir a qualquer pre\u00e7o sua unifica\u00e7\u00e3o com os oper\u00e1rios das f\u00e1bricas e o movimento oper\u00e1rio organizado<\/strong>. Por seu lado, a burocracia estudantil n\u00e3o se comportou melhor.<\/p>\n<p>As burocracias sindicais <strong>come\u00e7aram apresentando os coletes amarelos como um movimento reacion\u00e1rio vinculado \u00e0 extrema direita e a setores patronais.<\/strong> Depois, apesar de que o curso dos acontecimentos lhes impediu sustentar esta inf\u00e2mia, mantiveram a mesma pol\u00edtica de isolamento e desprest\u00edgio para eles e de apoio a Macron.<\/p>\n<p>Quando Macron se encontrava completamente esmagado, as burocracias acudiram \u00e0 sua chamada de aux\u00edlio, apresentando-se a umas pretensas \u201cnegocia\u00e7\u00f5es\u201d nas costas do movimento e subscrevendo no dia 6 de dezembro um <strong>indecente comunicado intersindical no qual legitimavam Macron, aprovavam a selvagem repress\u00e3o governamental e denunciavam a leg\u00edtima viol\u00eancia defensiva dos coletes amarelos.<\/strong> Mais tarde, a dire\u00e7\u00e3o nacional da CGT convocou um \u201cdia de luta\u201d, l\u00f3gico que sem greve, no dia 14 de dezembro, contrapondo-se \u00e0 convocat\u00f3ria dos coletes amarelos do dia seguinte. O dia de luta foi, como era de se esperar, um completo fracasso, mas a dire\u00e7\u00e3o do sindicato deixou claro mais uma vez sua oposi\u00e7\u00e3o aos coletes amarelos.<\/p>\n<p>A infame pol\u00edtica de trai\u00e7\u00e3o das burocracias sindicais provocou um forte rep\u00fadio e resist\u00eancia na base e em diferentes se\u00e7\u00f5es da CGT, que chamaram a unir-se aos coletes amarelos. Chegou a hora de <strong>reconstruir sobre novas bases o <\/strong>movimento<strong> sindical franc\u00eas, <\/strong>apoiando-se nestes setores da CGT, em uma maioria de Solidaires (que se negou a assinar o miser\u00e1vel comunicado intersindical de 6 de dezembro e finalmente chamou a participar no \u201cato V\u201d de 15 de dezembro) e na oposi\u00e7\u00e3o surgida em outras centrais.<\/p>\n<p>10\/ O movimento dos coletes amarelos <strong>deixou sem argumento todos aqueles que o apresentaram como uma cria\u00e7\u00e3o da extrema direita<\/strong>. Sua composi\u00e7\u00e3o, as reivindica\u00e7\u00f5es sociais e democr\u00e1ticas que foram assumindo, sua resist\u00eancia em delegar sua representa\u00e7\u00e3o, seu funcionamento democr\u00e1tico de base, seus enfrentamentos com as for\u00e7as policiais, impedem qualquer identifica\u00e7\u00e3o com a extrema direita.<\/p>\n<p>O Rassemblement National de\u00a0<strong>Marine Le Pen, com certeza, busca influir\u00a0<\/strong>no movimento, ao mesmo tempo canaliz\u00e1-lo (boicotou, por exemplo, o Ato V de 15 de dezembro), com o objetivo de capitaliz\u00e1-lo eleitoralmente. \u00c9 uma batalha em curso que deve ser travada e cujos resultados v\u00e3o depender da influencia que ganharem os setores do movimento oper\u00e1rio e juvenil que se somarem \u00e0 luta.<\/p>\n<p>11\/ O movimento dos coletes amarelos enfrenta <strong>v\u00e1rios limites fundamentais<\/strong>. O primeiro deles \u00e9 <strong>a n\u00e3o conflu\u00eancia com os oper\u00e1rios das f\u00e1bricas e outros setores sindicalizados.<\/strong> Sem esta conflu\u00eancia n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel paralisar o pa\u00eds, incorporando por sua vez a juventude e os sub\u00farbios das grandes cidades. E se n\u00e3o se paralisa o pa\u00eds com uma <strong>greve geral<\/strong> indefinida e reconduz\u00edvel, n\u00e3o se pode derrubar Macron, come\u00e7ar a conseguir reivindica\u00e7\u00f5es substanciais e abrir uma via para uma mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria da sociedade.<\/p>\n<p>12\/ O segundo limite \u00e9 a debilidade na organiza\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o do movimento. Tem tido \u00eaxito em fazer fracassar as manobras do Governo para criar uma representa\u00e7\u00e3o falsa e artificial e levar a cabo negocia\u00e7\u00f5es ardilosas. Mas <strong>precisa avan\u00e7ar substancialmente na sua organiza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e coordena\u00e7\u00e3o<\/strong>. Uma organiza\u00e7\u00e3o baseada em assembleias e controlada por elas, delegados e delegadas com mandato imperativo e revog\u00e1veis a qualquer momento, constituindo a base de uma coordena\u00e7\u00e3o em escala local, departamental e nacional. O chamado da assembleia de Commercy a uma \u201cassembleia de assembleias\u201d \u00e9 uma iniciativa que vai neste caminho necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>A conflu\u00eancia com os oper\u00e1rios das f\u00e1bricas e outros setores do movimento oper\u00e1rio organizado e a juventude dos col\u00e9gios e universidades, se avan\u00e7ar, tamb\u00e9m obrigar\u00e1 a dar novos passos na organiza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de quem vai se incorporando \u00e0 luta e na coordena\u00e7\u00e3o da luta comum.<\/p>\n<p>13\/ O terceiro limite \u00e9 o programa, o que n\u00e3o se deve estranhar dado o car\u00e1ter espont\u00e2neo do movimento, sua heterogeneidade e o fato de que esteja composto, em grande medida, por setores at\u00e9 agora desorganizados, sem experi\u00eancia sindical ou pol\u00edtica pr\u00e9via. Com certeza, desde a reivindica\u00e7\u00e3o inicial contra o aumento das taxas sobre o combust\u00edvel at\u00e9 o momento atual, o progresso tem sido muito not\u00e1vel, ao incorporar todo um quadro de exig\u00eancias econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas. Entretanto, <strong>o movimento encontra-se longe de ter um programa articulado e coerente e menos ainda uma perspectiva estrat\u00e9gica.<\/strong><\/p>\n<p>As conquistas econ\u00f4micas e sociais somente podem ser parciais e ef\u00eameras enquanto n\u00e3o se expropriam os bancos e as grandes empresas, se coloquem sob o controle do povo trabalhador e comece uma planifica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica da economia. Tamb\u00e9m parece evidente que nenhuma reivindica\u00e7\u00e3o substancial poder\u00e1 ser conseguida sem antes derrubar Macron. E tudo isso nos leva ao <strong>problema do poder pol\u00edtico. <\/strong>A solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 em novas elei\u00e7\u00f5es no marco da V Rep\u00fablica para eleger outro presidente diferente de Macron? O que e quem colocamos no lugar de Macron e os seus? Como podemos garantir que seja a classe oper\u00e1ria e o povo trabalhador quem controle as r\u00e9deas do poder e que se avance de maneira firme no cumprimento das reivindica\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>14\/ O <strong>Referendo de Iniciativa Cidad\u00e3 (RIC)<\/strong>, que tomou for\u00e7a nos \u00faltimos tempos, \u00e9 visto por setores dos coletes amarelos como a grande alavanca para garantir o cumprimento da vontade popular. \u00c9 verdade que se hoje existisse essa possibilidade legal, um referendo popular poderia restabelecer, por exemplo, o imposto sobre as grandes fortunas ou inclusive expulsar Macron da poltrona presidencial. Por outro lado, forneceria elementos democratizantes frente ao bonapartismo da V Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m devemos estar conscientes de que o RIC, no quadro da V Rep\u00fablica e da institucionalidade burguesa, n\u00e3o \u00e9 garantia de que se imponha a vontade popular, como mostram os casos da Su\u00ed\u00e7a ou It\u00e1lia, pois o poder continua nas m\u00e3os do capital financeiro, dos aparatos do Estado e gestores pol\u00edticos a seu servi\u00e7o. <strong>Agora, al\u00e9m disso, existe o risco de que Macron e seu governo utilizem a armadilha de umas \u201cnegocia\u00e7\u00f5es\u201d sobre o RIC <\/strong>(j\u00e1 sugeridas pelo ministro Bruno Le Maire) para eliminar a reivindica\u00e7\u00e3o de Fora Macron e dividir e neutralizar o movimento.<\/p>\n<p>15\/ A partir de uma perspectiva estrat\u00e9gica, a \u00fanica garantia de uma mudan\u00e7a verdadeira \u00e9 que o poder passe para as m\u00e3os de um Governo dos Trabalhadores surgido de novas institui\u00e7\u00f5es, isto \u00e9, de uma rede de assembleias e comit\u00eas populares organizados nos locais de trabalho e vida do povo.<\/p>\n<p>Avan\u00e7ar na organiza\u00e7\u00e3o e na coordena\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do movimento dos coletes amarelos assim como em sua conflu\u00eancia com os oper\u00e1rios das f\u00e1bricas e outros setores sindicalizados e a juventude escolarizada, n\u00e3o somente \u00e9 necess\u00e1rio para derrotar Macron como tamb\u00e9m para criar as bases de um novo poder verdadeiramente democr\u00e1tico e popular.<\/p>\n<p>16\/ Todos esse limites mencionados poderiam se resumir em um : <strong>o atraso na forma\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria alternativa <\/strong>que, a partir do seio dos coletes amarelos, do movimento oper\u00e1rio e da juventude, oriente estrategicamente o movimento para superar os ditos limites e avan\u00e7ar no caminho do poder.<\/p>\n<p>Assinalamos antes o papel da <strong>burocracia sindical <\/strong>como o principal muro de conten\u00e7\u00e3o contra o movimento dos coletes amarelos e tamb\u00e9m mencionamos o papel de <strong>La<\/strong>\u00a0<strong>France Insoumise<\/strong>, que n\u00e3o oferece uma alternativa real porque n\u00e3o chama a base sindical para a rebeli\u00e3o contra a burocracia, n\u00e3o questiona a institucionalidade burguesa, n\u00e3o pretende expropriar o grande capital nem romper com a Europa do capital (a UE e o euro). Enquanto boa parte da <strong>extrema esquerda <\/strong>francesa, a principio recha\u00e7ou o movimento, em meio a suspeitas de que estava manipulado pela ultradireita (foi, por exemplo, a posi\u00e7\u00e3o oficial inicial do NPA, ainda que n\u00e3o a de seus porta-vozes Poutou e Besancenot, que manifestaram sua simpatia). Depois, em geral, manteve-se distanciada, numa mescla de adapta\u00e7\u00e3o ao quadro da esquerda oficial e de elitismo intelectual. Em nossa opini\u00e3o, se algu\u00e9m defendeu desde o principio de forma coerente uma posi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria na Fran\u00e7a, foi a <strong>Tend\u00eancia Claire do NPA<\/strong>.<\/p>\n<p>17\/ Se o movimento dos coletes amarelos reflete uma necessidade, \u00e9 antes de tudo a de dar passos na <strong>constru\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que, para isso, tem que ser internacional<\/strong>, porque n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para a crise na Fran\u00e7a se n\u00e3o for no marco da luta para <strong>romper com a Uni\u00e3o Europeia e dinamit\u00e1-la e construir os Estados Unidos Socialistas da Europa<\/strong>. O papel da Fran\u00e7a nesta batalha \u00e9 decisivo.<\/p>\n<p>18\/ O movimento dos coletes amarelos surgiu das entranhas da sociedade francesa, respondendo a uma <strong>crise profunda do capitalismo franc\u00eas<\/strong>. Um capitalismo imperialista em decad\u00eancia no centro de uma Europa capitalista em declive. Um capitalismo que pretende desempenhar um papel como grande pot\u00eancia imperialista que n\u00e3o corresponde, entretanto, com sua for\u00e7a econ\u00f4mica real. Um capitalismo que, para consegui-lo, se aferra ao imperialismo alem\u00e3o e \u00e0 UE e sobrecarrega duramente sua classe oper\u00e1ria e seu povo.<\/p>\n<p>Mas os coletes amarelos levantaram-se e colocaram contra a parede o presidente dos ricos. Fizeram Macron, cuja maior bandeira era que jamais cederia \u00e0s press\u00f5es das ruas, retroceder. A um ano e meio de sua elei\u00e7\u00e3o, a grande esperan\u00e7a do capitalismo franc\u00eas e europeu, <strong>Macron, teve que ceder e foi duramente golpeado e deslegitimado. E com ele a V Rep\u00fablica francesa. <\/strong><\/p>\n<p>O lugar central da Fran\u00e7a faz com que o movimento dos coletes amarelos <strong>impacte com for\u00e7a a crise da UE<\/strong>, ao mesmo tempo em que <strong>estimula o movimento oper\u00e1rio e popular do continente \u00e0 luta massiva e \u00e0 a\u00e7\u00e3o direta.<\/strong><\/p>\n<p>19\/ O discurso de fim de ano de Macron mostra que n\u00e3o est\u00e1 disposto a jogar a toalha e que vai usar todas as armas ao seu alcance para reverter a situa\u00e7\u00e3o. Por isso reivindicou suas contrarreformas (trabalhista, ferrovi\u00e1rias,\u2026) e prometeu continuar empreendendo nestes pr\u00f3ximos meses seus planos contra o seguro desemprego, a reforma da previd\u00eancia e a da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Para ganhar \u00e9 necess\u00e1rio colocar em marcha um <strong>plano de a\u00e7\u00e3o conjunta entre os coletes amarelos, os setores sindicais combativos que os apoiam e a juventude estudantil. <\/strong>Um plano que, indo mais al\u00e9m dos \u201cAtos\u201d dos s\u00e1bados, defina uma plataforma com as reivindica\u00e7\u00f5es mais sentidas e organize um plano de mobiliza\u00e7\u00e3o com greves, manifesta\u00e7\u00f5es massivas e bloqueios, at\u00e9 tirar Macron.<\/p>\n<p>Nestas primeiras semanas e meses de 2019 vamos ver como avan\u00e7amos neste caminho: se o movimento consegue autodefender-se da repress\u00e3o, se evita as armadilhas de Macron e seu governo e as tentativas de institucionaliz\u00e1-lo, se consegue avan\u00e7ar em sua organiza\u00e7\u00e3o e em seu programa, se avan\u00e7a a conflu\u00eancia com os oper\u00e1rios das f\u00e1bricas, setores do movimento oper\u00e1rio organizado e a juventude estudantil, que anunciou mobiliza\u00e7\u00f5es ap\u00f3s o rein\u00edcio das aulas. Vamos ver se, no calor desta batalha, vai se configurando um embri\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e uma alternativa sindical \u00e0 burocracia.<\/p>\n<p>Da nossa parte, vamos <strong>difundir e apoiar em nossos pa\u00edses a luta dos coletes amarelos, <\/strong>porque seu triunfo \u00e9 tamb\u00e9m o da classe oper\u00e1ria e dos povos da Europa, o nosso.<\/p>\n<p><strong>\u00a04 de janeiro de 2019<\/strong><\/p>\n<p><strong>PdAC (Partito di Alternativa Comunista \u2013 Italia)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Corriente Roja (Estado Espanhol)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em Luta (Portugal)<\/strong><\/p>\n<p><strong>LCT &#8211; Liga Comunista dos Trabalhadores (Belgica)<\/strong><\/p>\n<p><strong>ISL &#8211; Liga Socialista Internacional (Gr\u00e3 Betranha)<\/strong><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1\/ Nem a mais selvagem repress\u00e3o, nem as concess\u00f5es de Macron conseguiram acabar com o movimento dos coletes amarelos.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":25702,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[1177,3610,3512,3677,3542,3558,218,140],"tags":[4907,3609,3611,151],"class_list":["post-25701","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-belgica","category-declaracao-lit-qi","category-estado-espanhol","category-europa-mundo","category-franca","category-gra-bretanha","category-italia","category-portugal","tag-coletes-amarelos","tag-declaracao-lit-qi","tag-lit-qi","tag-macron"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/x80117328_TOPSHOTA-demonstrator-holds-a-french-flag-among-christmas-trees-during-a-protest-of-Yell.jpg.pagespeed.ic_.6lY52My8d-.jpg","categories_names":["B\u00e9lgica","Declara\u00e7\u00f5es","Estado Espanhol","Europa","Fran\u00e7a","Gr\u00e3-Bretanha","It\u00e1lia","Portugal"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25701","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25701"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25701\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25702"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25701"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25701"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25701"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}