{"id":25685,"date":"2019-01-04T09:43:06","date_gmt":"2019-01-04T11:43:06","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25685"},"modified":"2019-01-04T09:43:06","modified_gmt":"2019-01-04T11:43:06","slug":"80-anos-do-assassinato-de-leon-sedov-um-exemplo-para-os-jovens-revolucionarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/01\/04\/80-anos-do-assassinato-de-leon-sedov-um-exemplo-para-os-jovens-revolucionarios\/","title":{"rendered":"80 anos do assassinato de Le\u00f3n Sedov, um exemplo para os jovens revolucion\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p><em>Este ano celebramos o octog\u00e9simo aniversario da funda\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional. Um aniversario importante n\u00e3o somente para quem se considera trotskista, mas tamb\u00e9m para todos os trabalhadores e jovens comprometidos hoje na guerra de classe contra a burguesia e, de forma mais geral, para todo o proletariado e as massas oprimidas pelo capitalismo.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Francesco Ricci<\/p>\n<p>Importante porque continua sendo v\u00e1lido aquilo que Trotsky afirmava em 1938: as lutas das massas contra o capitalismo continuam reproduzindo-se inevitavelmente nesta sociedade dividida em classes, geradas pela impossibilidade de conciliar os interesses de explorados e exploradores, prolet\u00e1rios e burgueses. Mas \u2013 acrescenta Trotsky e n\u00f3s repetimos \u2013 sem a constru\u00e7\u00e3o, ao calor destas lutas, do partido mundial da revolu\u00e7\u00e3o socialista, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel libertar a humanidade deste sistema b\u00e1rbaro. Da\u00ed a import\u00e2ncia da hist\u00f3ria da Quarta Internacional.<\/p>\n<p>Entretanto, h\u00e1 outro aniversario que cai este ano. O aniversario da morte de um grande revolucion\u00e1rio que h\u00e1 exatamente oitenta anos estava comprometido, na linha de frente, com a batalha para construir a Quarta Internacional. Este ano \u00e9 o octog\u00e9simo aniversario da morte de Le\u00f3n Sedov, filho de Trotsky, assassinado por ordem de Stalin.<\/p>\n<p><strong>\u00c0 escola da revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em 1906, quando nasce Le\u00f3n Sedov (Lev Lvovitch Sedov, conhecido como Liova), seu pai Le\u00f3n Trotsky estava preso em um c\u00e1rcere do czar pela sua participa\u00e7\u00e3o na revolu\u00e7\u00e3o russa de 1905.<\/p>\n<p>A inf\u00e2ncia de Le\u00f3n Sedov foi muito particular, foi a inf\u00e2ncia do filho de um dirigente revolucion\u00e1rio. Com seu irm\u00e3o Sergei (fuzilado por ordem de Stalin em outubro de 1937) (1) e sua m\u00e3e Natalia, seguiu seu pai no longo ex\u00edlio europeu ap\u00f3s a derrota da primeira revolu\u00e7\u00e3o russa.<\/p>\n<p>Nas p\u00e1ginas desse espl\u00eandido livro que \u00e9 <em>Minha vida<\/em>, Trotsky relata este cont\u00ednuo emigrar seu e de sua fam\u00edlia de Viena a Zurique, da Fran\u00e7a \u00e0 Espanha, aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Em maio de 1917 voltou a entrar na R\u00fassia com seu pai, que se converteu em um dos principais dirigentes do Partido Bolchevique e, com Lenin, da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro.<\/p>\n<p>A milit\u00e2ncia de Le\u00f3n Sedov come\u00e7ou muito cedo nas fileiras do Komsomol (a organiza\u00e7\u00e3o juvenil dos bolcheviques, fundada em 1918). Quando em 1923 come\u00e7ou a batalha da Oposi\u00e7\u00e3o contra a burocracia, Le\u00f3n Sedov ajudou a construir a Oposi\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o juvenil. A maioria da dire\u00e7\u00e3o do Komsomol se alinhou com Trotsky contra a burocracia. Aos 21 anos Le\u00f3n Sedov j\u00e1 era um dos principais dirigentes da Oposi\u00e7\u00e3o no Komsomol.<\/p>\n<p><strong>O principal colaborador de Trotsky no ex\u00edlio<\/strong><\/p>\n<p>Em novembro de 1927, dez anos depois da revolu\u00e7\u00e3o que havia conduzido \u00e0 vit\u00f3ria, junto com Lenin, Trotsky foi expulso do partido e deportado para Alm\u00e1-At\u00e1 (hoje Almaty, no Cazaquist\u00e3o). Dado que os colaboradores de Trotsky foram impedidos de segui-lo, Le\u00f3n Sedov decidiu deixar sua mulher e seu filho rec\u00e9m-nascido para seguir seu pai ajudando-o como secret\u00e1rio. Trabalho que continuou inclusive quando Trotsky foi exilado na Turquia, em 1929.<\/p>\n<p>Em pouco tempo converteu-se em um colaborador imprescind\u00edvel para Trotsky. De fato, era Le\u00f3n Sedov quem mantinha os contatos clandestinos com os membros da Oposi\u00e7\u00e3o. E foi tamb\u00e9m Le\u00f3n Sedov quem idealizou e dirigiu aquele instrumento de batalha indispens\u00e1vel que foi o <em>Boletim da Oposi\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>No texto dedicado ao seu filho assassinado, Trotsky escreve que \u201csem meu filho n\u00e3o teria podido levar a cabo nem sequer a metade desse trabalho\u201d. E est\u00e1 se referindo n\u00e3o apenas \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da batalha pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m \u00e0quilo que define como \u201cnosso trabalho liter\u00e1rio comum\u201d. Foi somente gra\u00e7as ao trabalho de investiga\u00e7\u00e3o de Le\u00f3n Sedov que Trotsky, privado de seu arquivo, pode escrever sua obra-prima, a <em>Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/em>. E outra obra fundamental, <em>A Revolu\u00e7\u00e3o Tra\u00edda \u2013 <\/em>continua Trotsky \u2013 \u201ccont\u00e9m muitas p\u00e1ginas que eu escrevi baseado em algumas linhas das cartas de meu filho e das cita\u00e7\u00f5es que me mandava, extra\u00eddas de jornais sovi\u00e9ticos aos quais n\u00e3o tinha acesso\u201d. Por isso Trotsky conclui: \u201co nome do meu filho deveria, com raz\u00e3o, figurar ao lado do meu em quase todos os livros que escrevi a partir de 1928\u201d. (2)<\/p>\n<p><strong>Contra as mentiras dos Processos de Moscou<\/strong><\/p>\n<p>Desde 1931 at\u00e9 sua morte, Le\u00f3n Sedov foi membro do Secretariado da organiza\u00e7\u00e3o internacional dirigida por Trotsky. Isto \u00e9, daquela que se constituiu primeiro como fra\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista e depois, a partir de 1933, quando gra\u00e7as \u00e0 pol\u00edtica dos estalinistas, Hitler chega ao poder na Alemanha, destruindo o KPD (Partido Comunista da Alemanha), se converteu no embri\u00e3o da nova Internacional, a Quarta, cujo congresso de funda\u00e7\u00e3o se organizaria, na clandestinidade, na periferia de Paris em setembro de 1938.<\/p>\n<p>Naqueles anos Le\u00f3n Sedov (que viveu primeiro em Berlim e depois, a partir de 1933, em Paris) foi um dos principais dirigentes da campanha contra os Processos de Moscou. Para derrubar as grotescas acusa\u00e7\u00f5es de \u201ccompl\u00f4 com a Gestapo\u201d que os estalinistas lan\u00e7avam contra Trotsky, Kamenev, Zinoviev e a todos os principais dirigentes da revolu\u00e7\u00e3o russa, Le\u00f3n Sedov escreveu seu texto mais importante: o <em>Livro Vermelho sobre o Processo de Moscou.<\/em> O livro mostrou-se t\u00e3o eficaz para demonstrar a falsidade das acusa\u00e7\u00f5es que valeu a Le\u00f3n Sedov entrar na lista dos principais inimigos de Stalin. (3)<\/p>\n<p>Incans\u00e1vel, Le\u00f3n Sedov foi tamb\u00e9m o organizador da Comiss\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o sobre os Processos de Moscou, que incluiu figuras como Alfred Rosmer (j\u00e1 dirigente da Internacional Comunista), intelectuais militantes como Victor Serge, Jean Giono e Andr\u00e9 Breton.<\/p>\n<p><strong>A Quarta Internacional, a obsess\u00e3o de Stalin<\/strong><\/p>\n<p>Muitos cr\u00edticos, de ontem e de hoje, tentam reduzir a Quarta Internacional a um projeto irrealiz\u00e1vel, uma \u201cutopia\u201d de Trotsky. Este tem sido o julgamento, por exemplo, de importantes bi\u00f3grafos de Trotsky como Isaac Deutscher mas tamb\u00e9m Pierre Brou\u00e9. (4) Mas Stalin tinha evidentemente outra opini\u00e3o e, mais, via em Trotsky e na Quarta Internacional seu principal inimigo e da burocracia da qual era o principal expoente. Stalin estava convencido de que somente a Quarta Internacional poderia dirigir novas revolu\u00e7\u00f5es socialistas vitoriosas e, rompendo o isolamento da R\u00fassia sovi\u00e9tica, abrir o caminho para essa revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica necess\u00e1ria para derrotar a casta burocr\u00e1tica e desbloquear a transi\u00e7\u00e3o para o socialismo.<\/p>\n<p>Por isso o verdadeiro alvo dos Processos de Moscou eram Trotsky e a organiza\u00e7\u00e3o que estava preparando: a Quarta Internacional. Por isso Stalin enviou agentes para que se infiltrassem nas organiza\u00e7\u00f5es trotskistas, mandou assassinar Erwin Wolf, secret\u00e1rio de Trotsky, na Espanha em 1937, mandou sequestrar e assassinar Rudolf Klement, organizador da confer\u00eancia de funda\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional, cujo corpo foi encontrado decapitado no Sena em 26 de agosto de 1938, na semana anterior \u00e0 assembleia de funda\u00e7\u00e3o. E nos limitamos aqui somente a alguns exemplos de uma lista de centenas de dirigentes trotskistas assassinados em todo o mundo.<\/p>\n<p>Os agentes de Stalin infiltraram-se em todas as organiza\u00e7\u00f5es trotskistas, para reunir informa\u00e7\u00e3o ou para tentar destru\u00ed-las, espalhando cal\u00fanias e tentando provocar cis\u00f5es artificialmente (um m\u00e9todo empregado ainda hoje, contra as organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, pelos aparatos repressivos dos estados \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d de todo mundo).<\/p>\n<p>A GPU (5) conseguiu, em varias ocasi\u00f5es, infiltrar-se nos n\u00edveis mais altos da Organiza\u00e7\u00e3o trotskista (usamos esta express\u00e3o para indicar as diferentes estruturas antecessoras da Quarta Internacional). Um caso impactante \u00e9 o dos irm\u00e3os lituanos Ruvin e Abraham Sobolevicius, que chegaram a fazer parte em 1932 do Secretariado internacional, coordenado a partir de Berlim por Le\u00f3n Sedov. Gra\u00e7as a esta posi\u00e7\u00e3o os espi\u00f5es de Stalin conseguiram provocar uma cis\u00e3o na Oposi\u00e7\u00e3o alem\u00e3, devolvendo uma parte desta ao KPD estalinista (6). Mas o caso mais conhecido \u00e9 certamente o de Ram\u00f3n Mercader, que havia se comprometido com Sylvia Ageloff (militante trotskista estadunidense) para ganhar com o tempo a confian\u00e7a de Trotsky e assim poder entrar em sua casa no M\u00e9xico para destro\u00e7ar com golpes de piolet, em agosto de 1940, aquele c\u00e9rebro que tanto preocupava a burocracia.<\/p>\n<p>Dois anos antes de conseguir assassinar Trotsky, ap\u00f3s v\u00e1rias tentativas falidas, a GPU conseguiu colocar um agente para Le\u00f3n Sedov, Zborowsky.<\/p>\n<p><strong>Zborowsky prepara a armadilha<\/strong><\/p>\n<p>Em uma carta ao pai de 6 de agosto de 1937 Le\u00f3n Sedov escreve: \u201cDurante minha aus\u00eancia<a name=\"_ftnref1\"><\/a> [por alguns dias de descans ser\u00e1 Etienne, com quem tenho uma rela\u00e7\u00e3o muito estreita, quem me substituir\u00e1 (\u2026). Etienne merece confian\u00e7a plena em qualquer aspecto\u2019. (7)<\/p>\n<p>Etienne \u00e9 Mark Grigorevich Zborowsky, pseud\u00f4nimo Mordka, ucraniano, ex membro do PC polaco, desde 1932 agente da GPU, integrado nas fileiras trotskistas em 1934. Como se v\u00ea por esta carta, tinha conseguido ganhar a confian\u00e7a plena de Le\u00f3n Sedov e converter-se em seu principal colaborador. Justamente quando Le\u00f3n Sedov escrevia a seu pai, Zborowsky enviava um informe a Moscou no qual dizia ter fotografado o material do arquivo de Le\u00f3n Sedov e, concretamente, ter-se apoderado da agenda com os endere\u00e7os dos contatos da rede clandestina dos trotskistas. (8)<\/p>\n<p>Os informes de Etienne chegavam diretamente ao escrit\u00f3rio de Stalin, que acompanhava pessoalmente esta atividade de infiltra\u00e7\u00e3o \u00e0 qual outorgava a m\u00e1xima import\u00e2ncia.(9) Etienne, como se descobriria mais adiante, ter\u00e1 um papel fundamental no assassinato de Erwin Wolf e estar\u00e1 entre os organizadores dos assassinatos de Rudolf Klement e de Ignace Reiss ( dirigente da GPU que passou para as fileiras dos trotskistas). Mas os resultados mais importantes de sua atividade ser\u00e3o a organiza\u00e7\u00e3o do assassinato de L\u00e9on Sedov e sua participa\u00e7\u00e3o como delegado russo na conferencia de funda\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional. Ser\u00e1 ele nestes meses quem propiciar\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o entre a j\u00e1 citada Sylvia Ageloff e Jacques Mornard, pseud\u00f4nimo Jacques Mercader, outro agente de Stalin, o assassino de Trotsky.<\/p>\n<p><strong>O assassinato na cl\u00ednica da GPU<\/strong><\/p>\n<p>Em 9 de fevereiro de 1938 Le\u00f3n Sedov est\u00e1 mal: um ataque de apendicite. Zborowsky o convence a internar-se na cl\u00ednica Mirabeau, na rua Narcisse-Diaz, no distrito XVI de Paris, e para manter em segredo \u201cpor motivos de seguran\u00e7a\u201d o lugar de sua hospitaliza\u00e7\u00e3o. A opera\u00e7\u00e3o de apendicite transcorre sem problemas, por\u00e9m durante a noite de 13 para 14 de fevereiro Le\u00f3n Sedov sente-se mal. \u00c9 novamente operado no dia 15 e no dia 16 morre. Tinha apenas 32 anos (10).<\/p>\n<p>O laudo m\u00e9dico oficial fala de \u201ccomplica\u00e7\u00f5es p\u00f3s operat\u00f3rias\u201d.\u00a0Trotsky n\u00e3o acredita na vers\u00e3o oficial. Sabe que Le\u00f3n Sedov era um dos objetivos principais da burocracia estalinista. Quando recebe informa\u00e7\u00f5es sobre a possibilidade de que Zborowsky seja um infiltrado, pede a Klement que indague. Mas tamb\u00e9m Klement, como vimos, ser\u00e1 assassinado poucos meses depois.<\/p>\n<p>Durante anos n\u00e3o se descobriram provas de que a morte de L\u00e9on Sedov se devesse a um homic\u00eddio. Mas Trotsky n\u00e3o tinha se equivocado: mais tarde, de fato, se descobriria que o doutor Boris Girmunsky, diretor da cl\u00ednica e anestesista da opera\u00e7\u00e3o, era agente da GPU e que a cl\u00ednica parisiense havia sido comprada por seis milh\u00f5es de francos introduzidos pela pol\u00edcia de Stalin (11). A cl\u00ednica \u00e0 qual Zborowsky havia insistido em acompanhar L\u00e9on Sedov era uma estrutura controlada pela GPU. No que diz respeito a Zborowsky, transferiu-se pouco tempo depois aos Estados Unidos, onde continuou trabalhando para os servi\u00e7os secretos de Stalin. Preso pelo FBI em 1955, confessou no tribunal que havia sido agente da GPU. Isto n\u00e3o o impediu de fazer carreira acad\u00eamica nos Estados Unidos como antrop\u00f3logo. Morreu em 1990, aos 82 anos.<\/p>\n<p><strong>Um exemplo para os revolucion\u00e1rios de hoje<\/strong><\/p>\n<p>No texto no qual recorda o filho assassinado, provavelmente o texto mais dif\u00edcil que teve que escrever em sua vida, Trotsky escreve: \u201cComo aut\u00eantico revolucion\u00e1rio, Le\u00f3n Sedov atribu\u00eda um valor \u00e0 vida somente na medida em que est\u00e1 a servi\u00e7o da luta do proletariado pela sua pr\u00f3pria liberta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>De nossa parte queremos encerrar esta homenagem a Le\u00f3n Sedov repetindo as palavras empregadas por Trotsky: \u201cOs acontecimentos grandiosos e amea\u00e7adores que pesam sobre n\u00f3s precisar\u00e3o de homens deste tipo\u201d. (12)<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>(1) Sobre Sergei, irm\u00e3o de Le\u00f3n Sedov, pode-se ler, em franc\u00eas: J.J. Marie,\u00a0<em>Le fils oubli\u00e9 de Trotsky\u00a0<\/em>(Editions du Seuil, 2012). Sergei, que nunca participou na pol\u00edtica, foi preso pela pol\u00edcia de Stalin em 1936 e deportado para o campo de trabalhos for\u00e7ados de Vorkut\u00e1, onde foi fuzilado (secretamente) em 29 de outubro de 1937. Foi acusado de ter organizado um atentado na f\u00e1brica onde trabalhava: quando na realidade houve um acidente por um vazamento de g\u00e1s. Sua aut\u00eantica culpa (aos olhos de Stalin) era ser filho de Trotsky.<\/p>\n<p>(2) Em L. Trotsky, \u201cLev Sedov, figlio, amico, combattente. Dedicato alla giovent\u00f9 proletaria\u201d (20 de fevereiro de 1938), edi\u00e7\u00e3o italiana a cargo de Paolo Casciola, em\u00a0<em>Cuadernos Pietro Tresso<\/em>, n. 9, janeiro de 1998.<\/p>\n<p>(3) O \u00a0<em>Livro vermelho sobre o Processo de Moscou<\/em>\u00a0pode ser lido em marxists.org em v\u00e1rias l\u00ednguas, entre elas traduzido para o espanhol, neste link:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/sedov\/1936\/librorojo-1936.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/sedov\/1936\/librorojo-1936.pdf<\/a><\/p>\n<p>Outros textos de Le\u00f3n Sedov foram publicados em italiano, em: Lev Sedov,\u00a0<em>Stalinismo e opposizione di sinistra: scritti 1930-1937<\/em>, Prospettiva edizioni, 1999.<\/p>\n<p>(4) A biografia de Trotsky (em tr\u00eas volumes) escrita por I. Deutscher, publicada nos anos cinquenta-sessenta (e traduzida para v\u00e1rias l\u00ednguas), foi durante dec\u00eanios a \u00fanica biografia de Trotsky isenta de cal\u00fanias estalinistas. Desgra\u00e7adamente, o m\u00e9rito de ter reconstru\u00eddo a verdade dos fatos se combinou com os preconceitos e as concep\u00e7\u00f5es fundamentalmente antitrotskistas de Deutscher (ainda que tivesse sido em sua juventude militante do movimento trotskista). Todo o terceiro volume (<em>O profeta no exilio<\/em>) dedica-se a demostrar a suposta inconsist\u00eancia do movimento trotskista, fazendo uma caricatura dos debates e de suas pol\u00eamicas internas, banalizando discuss\u00f5es te\u00f3ricas cuja import\u00e2ncia, evidentemente, escapava a Deutscher. As p\u00e1ginas reservadas a conferencia de funda\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional em 1938 s\u00e3o uma sucess\u00e3o de \u201cpequena reuni\u00e3o\u201d, \u201cpouco mais que uma ilus\u00e3o\u201d, etc. Em um dado momento, o pr\u00f3prio autor coloca em contradi\u00e7\u00e3o sua tese, preconcebida, com a realidade e se pergunta como \u00e9 poss\u00edvel que Stalin dedicasse suas principais energias a tentar destruir o movimento trotskista, dado que se tratava (segundo Deutscher, mas evidentemente n\u00e3o segundo Stalin) de pequenos grupos sem import\u00e2ncia reunidos em torno de um pat\u00e9tico velhinho exiliado no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Superior sem d\u00favida \u00e9 a biografia escrita por P. Brou\u00e9,\u00a0<em>Trotsky\u00a0<\/em>(Fayard, 1998). Entretanto, tamb\u00e9m aqui a funda\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional (que Trotsky, ainda que tivesse sido o principal dirigente da revolu\u00e7\u00e3o russa com Lenin, considerava o mais importante que havia feito em sua vida) fica reduzida a uma tentativa falida, de tal maneira que Brou\u00e9 lhe dedica uma d\u00fazia de p\u00e1ginas em um livro de quase mil p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>(5) Utilizamos neste artigo, como fazia Trotsky, a sigla GPU para designar a pol\u00edcia pol\u00edtica russa dos tempos de Stalin, indigna herdeira da Checa (1917-1922) fundada pelos bolcheviques nos tempos de Lenin e Trotsky. Na realidade este organismo, desde 1934, foi renomeado NKVD, mais tarde NKGB, mais adiante MVD e, desde 1954, KGB.<\/p>\n<p>(6) Os irm\u00e3os Sobolevicius confessaram anos depois, em 1957, em um processo nos Estados Unidos, que trabalhavam para a GPU desde 1927 (ver J. Van Heijenoort,\u00a0<em>In esilio con Trotsky<\/em>, edizione italiana: Feltrinelli, 1980)<\/p>\n<p>(7) Ver J.J. Marie,\u00a0<em>Trotsky\u00a0<\/em>(Editions Payot, 2006, p. 454 da edi\u00e7\u00e3o em franc\u00eas).<\/p>\n<p>(8) Ver J.J. Marie,\u00a0<em>Trotsky<\/em>, p. 495. Sobre o mesmo tema, tamb\u00e9m de Marie, pode-se ler \u201cSur la mort de L\u00e9on Sedov\u201d em\u00a0<em>Cahiers du Mouvement Ouvrier<\/em>, n. 6, 1999 e o dossi\u00ea \u201cLes deux rapports de Zborowsky (Etienne) au Nkvd des 11 et 19 fevrier 1938 \u00e0 propos de L\u00e9on Sedov\u201d em n. 7 (1999) da mesma revista.\u00a0 Este e outros n\u00fameros da revista, dirigida por Marie, podem ser lidos em web:\u00a0<a href=\"https:\/\/cahiersdumouvementouvrier.org\/les-cahiers\/telecharger\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cahiersdumouvementouvrier.org\/les-cahiers\/telecharger\/<\/a><\/p>\n<p>(9) Ver os artigos de S. Weissman, \u201cMark \u2018Etienne\u2019 Zborowsky: Portrait of Deception\u201d publicados em dois n\u00fameros de\u00a0<em>Critique: Journal of Socialist Theory<\/em>, vol. 39, n. 4, 2011 e vol. 43, n. 2, 2015.<\/p>\n<p>(10) Para aprofundar na figura de Le\u00f3n Sedov aconselhamos, al\u00e9m do texto de Trotsky citado aqui na nota 2, a leitura de sua biografia escrita por P. Brou\u00e9:\u00a0<em>L\u00e9on Sedov, fils de Trotsky, victime de Staline<\/em>\u00a0(Les Editions Ouvri\u00e8res, 1993) e, do mesmo autor, o artigo: \u201cLjova le Fiston\u201d, em\u00a0<em>Cahiers Leon Trotsky<\/em>, n. 13. Recordamos que todos os n\u00fameros desta magn\u00edfica revista (em franc\u00eas) dedicada \u00e0 historia do trotskismo, dirigida por Brou\u00e9, pode ser baixada da internet a partir deste link: www.marxists.org\/francais\/clt\/<\/p>\n<p>(11) De acordo com a reconstru\u00e7\u00e3o por J.J. Marie em \u201cLe faisceau de mensonges et de trucages du Gu\u00e9p\u00e9ou\u201d, publicado em\u00a0<em>Cahiers du Mouvement Ouvrier<\/em>, n. 6, 1999.<\/p>\n<p>(12) L. Trotsky, \u201cLev Sedov, figlio, amico, combattente. Dedicato alla giovent\u00f9 proletaria\u201d (ver nota 2).<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este ano celebramos o octog\u00e9simo aniversario da funda\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional. Um aniversario importante n\u00e3o somente para quem se considera trotskista, mas tamb\u00e9m para todos os trabalhadores e jovens comprometidos hoje na guerra de classe contra a burguesia e, de forma mais geral, para todo o proletariado e as massas oprimidas pelo capitalismo.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":25686,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8],"tags":[46,6914,6915,1439,6459],"class_list":["post-25685","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia","tag-francesco-ricci","tag-leon-sedov","tag-quarta-internacional","tag-stalin","tag-v"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/a-mug-shot-of-sergei-lvovich-sedov-1908-1937-museum-russian-state-film-and-photo-archive-krasnogorsk-P8EMN3.jpg","categories_names":["Hist\u00f3ria"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25685","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25685"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25685\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25686"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25685"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25685"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25685"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}