{"id":25613,"date":"2018-12-31T08:38:29","date_gmt":"2018-12-31T10:38:29","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25613"},"modified":"2018-12-31T08:38:29","modified_gmt":"2018-12-31T10:38:29","slug":"mulheres-lutas-polemicas-e-o-futuro-da-disputa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/12\/31\/mulheres-lutas-polemicas-e-o-futuro-da-disputa\/","title":{"rendered":"Mulheres: lutas, pol\u00eamicas e o futuro da disputa"},"content":{"rendered":"<p><em>Se olharmos apenas 2018, n\u00f3s mulheres lutamos muito. N\u00e3o podemos dizer que ficamos quietas, nem que lutamos sozinhas, muitos jovens e homens nos acompanharam e gritaram ao nosso lado nas ruas argentinas e do mundo. Mas a sensa\u00e7\u00e3o de muitas \u00e9 de que n\u00e3o conseguimos ganhar, o balan\u00e7o necess\u00e1rio que todos os dezembros nos imp\u00f5em, tem que servir para tirar as melhores conclus\u00f5es de uma luta que apenas come\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Lorena C\u00e1ceres<\/p>\n<p><strong>Greves, marchas e vig\u00edlias<\/strong><\/p>\n<p>Era fevereiro e n\u00e3o havia tempo nas assembleias de mulheres para que todas pudessem falar, se sentia forte a prepara\u00e7\u00e3o do 8M e o sabor que as jornadas de dezembro de 2017 haviam deixado nos dizia que a luta era claramente contra Macri, sua reforma trabalhista e todo seu plano de ajuste.<\/p>\n<p>Em todo o mundo se gritava Greve de mulheres, n\u00f3s diz\u00edamos Greve Geral, as trabalhadoras em luta deviam encabe\u00e7ar a mobiliza\u00e7\u00e3o de dezenas de milhares. Para desviar esse ascenso, essa luta oper\u00e1ria que se enchia de mulheres trabalhadoras, Macri colocou em vota\u00e7\u00e3o o aborto legal no Congresso, e n\u00f3s fomos com mais for\u00e7a \u00e0s ruas. Tudo come\u00e7ou a colorir-se de verde, as mais jovens nos ensinaram como as coisas devem ser feitas e lutando contra tudo se colocaram \u00e0 frente, ocuparam escolas e universidades, encheram os bairros e locais de trabalho de len\u00e7os verdes.<\/p>\n<p>Aos milh\u00f5es nas ruas fizemos vig\u00edlia at\u00e9 o dia seguinte no Congresso em 13 de junho e 8 de agosto. \u00c0s centenas fizemos filas para pedir \u201cdesligamento\u201d da Igreja Cat\u00f3lica ao grito de \u201cIgreja, Estado, assunto separado!\u201d Continuamos lutando contra quem quisesse nos tirar direitos em nome da \u201cvida\u201d enquanto colocam um len\u00e7o azul no pesco\u00e7o e impedem que at\u00e9 a limitada lei de educa\u00e7\u00e3o sexual integral seja aplicada.<\/p>\n<p>Mobilizamos todo o pa\u00eds contra os feminic\u00eddios, travestic\u00eddios e transfeminic\u00eddios, porque longe de ser realidade o \u201cNem uma a menos!\u201d, cada vez s\u00e3o mais e o or\u00e7amento para 2019 s\u00f3 prev\u00ea $11\/ano por mulher para combater a viol\u00eancia machista. Explodimos de raiva quando absolveram os feminicidas de Luc\u00eda e fomos novamente \u00e0s ruas exigindo justi\u00e7a e denunciando o car\u00e1ter patronal e machista da decis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Hipocrisia e ataques do Governo<\/strong><\/p>\n<p>A vontade de lutar e o corpo foram pra rua, mas \u00e9 importante ver porque n\u00e3o conseguimos ir mais longe.<\/p>\n<p>Macri quer, a pedido do FMI, aplicar uma reforma trabalhista que vai tirar a vida das trabalhadoras, que afundar\u00e1 mais as fam\u00edlias na mis\u00e9ria. \u201cO feminista menos pensado\u201d como foi chamado por alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o, reprime e persegue as que lutam, como Milagro Sala ou Moira Mill\u00e1n. Corta o or\u00e7amento para a educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, servi\u00e7os sociais e subs\u00eddios, nos empurra \u00e0 fome e ainda que a primeira dama tire fotos com as mulheres poderosas que vieram ao G20, nada fazem por n\u00f3s ou nossas fam\u00edlias, pelo contrario.<\/p>\n<p>N\u00f3s que fomos \u00e0 luta pelos direitos das mulheres devemos enfrentar aos ju\u00edzes e ao sistema judicial corrupto, patronal e mis\u00f3gino, que por exemplo processa Higui, mas protege Rodrigo Eguillor por ser filho do poder. Ao parlamento, que ainda que alguns membros posem de progressistas, recha\u00e7a a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, vota o or\u00e7amento e a reforma da previd\u00eancia.\u00a0 \u00c0 Igreja Cat\u00f3lica e \u00e0s igrejas que querem manter nossa submiss\u00e3o e continuar recebendo subs\u00eddios astron\u00f4micos.\u00a0 \u00c0 maldita pol\u00edcia e \u00e0s redes de tr\u00e1fico que levam nossas meninas. Ao FMI e a todos os governos que s\u00f3 protegem o lucro empresarial \u00e0 custa de nossas vidas.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Continuar a luta e ir mais adiante<\/strong><\/p>\n<p>Por isso acreditamos que n\u00e3o foi suficiente o que fizemos, que ainda que lutemos juntas, devemos debater como faz\u00ea-lo. As organiza\u00e7\u00f5es de mulheres que se colocaram \u00e0 cabe\u00e7a destas lutas (Nem uma a menos, Campanha nacional pelo Direito ao Aborto, etc) depositaram confian\u00e7a nos acordos parlamentares, se negaram a impulsionar uma forte Greve Geral para impor o aborto legal. E nos chamam a votar bem no ano que vem, enquanto fazem campanha eleitoral para recompor arestas espalhadas do peronismo. Acreditam tanto nos votos e esvaziam as lutas, que a pr\u00f3pria Cristina Kirchner chamou os \u201clen\u00e7os verdes e azuis\u201d para conviver no interior do peronismo.<\/p>\n<p>A partir de Luta Mulher e do PSTU propomos desde o primeiro momento que a classe oper\u00e1ria \u00e9 quem deve colocar-se \u00e0 frente da luta, que longe de greves femininas, precisamos parar o pa\u00eds todo, por nossos direitos. Que n\u00e3o dev\u00edamos ter nenhuma confian\u00e7a no parlamento e que t\u00ednhamos que pressionar com luta mais radicalizada. As centrais oper\u00e1rias, nas que muitas refer\u00eancias fazem parte dos movimentos feministas, voltaram a nos deixar sozinhas em 2018.<\/p>\n<p>Em 2019 iremos mais adiante, vamos nos organizar em nossos locais de trabalho, estudo e bairro para que a luta n\u00e3o seja apenas uma manifesta\u00e7\u00e3o em datas determinadas. Que seja uma grande Greve Geral e um Plano de Luta de todas e todos trabalhadores. O pr\u00f3ximo 8 de Mar\u00e7o dever\u00e1 ter este car\u00e1ter e teremos que lutar para que assim seja.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se olharmos apenas 2018, n\u00f3s mulheres lutamos muito. N\u00e3o podemos dizer que ficamos quietas, nem que lutamos sozinhas, muitos jovens e homens nos acompanharam e gritaram ao nosso lado nas ruas argentinas e do mundo. 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