{"id":25589,"date":"2018-12-29T08:38:04","date_gmt":"2018-12-29T10:38:04","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25589"},"modified":"2018-12-29T08:38:04","modified_gmt":"2018-12-29T10:38:04","slug":"o-governo-bolsonaro-e-a-situacao-dos-imigrantes-venezuelanos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/12\/29\/o-governo-bolsonaro-e-a-situacao-dos-imigrantes-venezuelanos-no-brasil\/","title":{"rendered":"O governo Bolsonaro e a situa\u00e7\u00e3o dos imigrantes Venezuelanos no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em>A situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica da Venezuela, mergulhada numa brutal crise econ\u00f4mica e social, desatou uma crise migrat\u00f3ria no continente sul-americano. Todos os dias milhares de venezuelanos deixam seu pa\u00eds fugindo da mis\u00e9ria, do desemprego e da fome. Col\u00f4mbia, Equador e o Brasil s\u00e3o uns dos principais destinos dos imigrantes venezuelanos.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Eduardo Zanata<\/p>\n<p>No Brasil, essa \u00e9 a segunda onda migrat\u00f3ria da \u00faltima d\u00e9cada. A primeira onda migrat\u00f3ria se deu logo ap\u00f3s o terremoto no Haiti em 2010. Esse pequeno pa\u00eds caribenho, que estava sob interven\u00e7\u00e3o das tropas da ONU, lideradas pelo Brasil, viu sua crise social e econ\u00f4mica se agravar consideravelmente ap\u00f3s essa trag\u00e9dia. Milhares de haitianos come\u00e7aram a buscar o Brasil, viajando de forma clandestina, atrav\u00e9s de rotas exploradas por \u201ccoiotes\u201d e chegavam, na maioria das vezes, com a roupa do corpo. O estado do Acre, principal rota de entrada dos imigrantes haitianos no Brasil, na primeira metade dessa d\u00e9cada, passou por situa\u00e7\u00f5es parecidas com que tem passado o estado de Roraima nesse momento.<\/p>\n<p>O governo Dilma tardou muito em organizar uma pol\u00edtica migrat\u00f3ria e de acolhida aos imigrantes haitianos, que em v\u00e1rios casos foram levados ao sul do pa\u00eds por empresas e latifundi\u00e1rios e colocados sob regime de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o. At\u00e9 hoje milhares de haitianos ainda n\u00e3o tiveram seu pedido de ref\u00fagio concedido. Os dados do CONARE (Comit\u00ea Nacional para os Refugiados) mostram que mais de 12 mil haitianos aguardam an\u00e1lise do pedido de ref\u00fagio, h\u00e1 processos de cinco anos atr\u00e1s esperando an\u00e1lise por esse comit\u00ea.<\/p>\n<p>A onda migrat\u00f3ria dos haitianos colocou a nu a pol\u00edtica de interven\u00e7\u00e3o brasileira no Haiti. O PT, a servi\u00e7o dos interesses das multinacionais norte-americanas, liderou uma interven\u00e7\u00e3o com objetivos \u201chumanit\u00e1rios\u201d para estabilizar o regime pol\u00edtico haitiano e garantir a superexplora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores desse pa\u00eds nas maquiladoras. No momento em que o Haiti mergulhou numa profunda crise social, agravada pelo terremoto, o estado brasileiro, com seus \u201cfins humanit\u00e1rios\u201d, deixou os haitianos jogados a sua pr\u00f3pria sorte, levando ao surgimento de uma enorme onda migrat\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>A imigra\u00e7\u00e3o venezuelana<\/strong><\/p>\n<p>Os dados do pr\u00f3prio governo federal revelam que a pol\u00edtica de Temer \u00e9 negligente com a situa\u00e7\u00e3o dos imigrantes venezuelanos e demonstram a inefic\u00e1cia da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida e da pol\u00edtica de interioriza\u00e7\u00e3o. 71 mil venezuelanos aguardam a an\u00e1lise do pedido de ref\u00fagio. Somente em 2018 mais de 50 mil venezuelanos pediram ref\u00fagio. Em 2016 foram cerca de tr\u00eas mil pedidos e em 2017 cerca de 17 mil. Desses pedidos, cerca de 55 mil foram feitos no estado de Roraima e 12 mil no estado do Amazonas. Ao todo cerca de 176 mil venezuelanos entraram no Brasil nos \u00faltimos tr\u00eas anos, mas somente 85 mil permanecem no pa\u00eds. Um contingente bastante pequeno se considerarmos que a popula\u00e7\u00e3o brasileira supera os 200 milh\u00f5es de habitantes. Hoje a migra\u00e7\u00e3o venezuelana representa menos de 1% do contingente de imigrantes do Brasil, que supera a marca de 1,2 milh\u00e3o de estrangeiros, cuja maioria reside no estado de S\u00e3o Paulo, cerca de 60%.<\/p>\n<p>Por dia, em Roraima, s\u00e3o feitos cerca de 200 a 300 pedidos de ref\u00fagio e mais 200 a 300 pedidos de resid\u00eancia provis\u00f3ria somente de imigrantes venezuelanos. H\u00e1 uma diferen\u00e7a importante sobre esses dois modos de pedido de perman\u00eancia no Brasil. O pedido de resid\u00eancia provis\u00f3ria, no caso espec\u00edfico dos venezuelanos, foi facilitado pela portaria interministerial n\u00ba 9, de 14 de mar\u00e7o de 2018, que na pr\u00e1tica estendeu os crit\u00e9rios de resid\u00eancia firmados pelos pa\u00edses do MERCOSUL (que ainda n\u00e3o abarcam a Venezuela, apesar de ser um pa\u00eds membro) para os imigrantes venezuelanos. Essa portaria regulamenta um dos dispositivos da lei n\u00ba 13.445, de 24 de maio de 2017 (lei de imigra\u00e7\u00e3o), e permite a perman\u00eancia por dois anos do imigrante estrangeiro. No entanto, aqueles que entram com pedido de resid\u00eancia provis\u00f3ria est\u00e3o mais sujeitos a serem \u201cdevolvidos\u201d ao seu pa\u00eds de origem. Em teoria, a Uni\u00e3o n\u00e3o poderia cometer tal arbitrariedade, mas os direitos legais de perman\u00eancia no Brasil daqueles que pedem resid\u00eancia provis\u00f3ria s\u00e3o mais fr\u00e1geis do que o ref\u00fagio.<\/p>\n<p>O instituto do ref\u00fagio por sua vez oferece mais garantias legais contra processos de extradi\u00e7\u00e3o, mas sua atual regulamenta\u00e7\u00e3o imp\u00f5e alguns limites. Por exemplo, aquele que pediu ou teve deferido o seu pedido de ref\u00fagio no Brasil n\u00e3o pode sair do pa\u00eds, pois corre o risco de perder imediatamente a condi\u00e7\u00e3o de refugiado. Mas o maior empecilho nesse momento para concess\u00e3o de ref\u00fagio \u00e9 a pol\u00edtica deliberada de Temer de dificultar o acesso dos imigrantes venezuelanos a esse procedimento. Atualmente, esperam an\u00e1lise mais de 130 mil pedidos de ref\u00fagio, no entanto o CONARE consegue analisar de forma individual entre 200 e 400 por m\u00eas. Com esse ritmo os processos t\u00eam tardado mais de dois anos at\u00e9 serem analisados.<\/p>\n<p>A lei n\u00ba 9.474, de 22 de julho de 1997 (estatuto do refugiado), prev\u00ea o reconhecimento do ref\u00fagio em tr\u00eas ocasi\u00f5es: I \u2013 devido a fundados temores de persegui\u00e7\u00e3o por motivos de ra\u00e7a, religi\u00e3o, nacionalidade, grupo social ou opini\u00f5es pol\u00edticas encontre-se fora de seu pa\u00eds de nacionalidade e n\u00e3o possa ou n\u00e3o queira acolher-se \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de tal pa\u00eds; II \u2013 n\u00e3o tendo nacionalidade e estando fora do pa\u00eds onde antes teve sua resid\u00eancia habitual, n\u00e3o possa ou n\u00e3o queira regressar a ele, em fun\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias descritas no inciso anterior; III \u2013 devido \u00e0 grave e generalizada viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos, \u00e9 obrigado a deixar seu pa\u00eds de nacionalidade para buscar ref\u00fagio em outro pa\u00eds. O CONARE at\u00e9 hoje n\u00e3o reconheceu o grave processo de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos na Venezuela, apesar de ter entrado na pauta das reuni\u00f5es desse comit\u00ea e de ser uma reivindica\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os federais como a DPU (Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o). O reconhecimento de quadro grave de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos na Venezuela permitiria fazer a concess\u00e3o de ref\u00fagio aos imigrantes venezuelanos\u00a0<em>prima face<\/em>, sem a necessidade de entrevista e de forma coletivizada, facilitando o acesso dos imigrantes aos direitos sociais assegurados pela lei de imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de Temer \u00e9 empurrar os imigrantes venezuelanos para entrarem com pedido de resid\u00eancia provis\u00f3ria, que tem o seu processo de an\u00e1lise e concess\u00e3o muito mais c\u00e9lere do que o ref\u00fagio. A insistente recusa em colocar em pauta no CONARE o reconhecimento de quadro grave de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos na Venezuela e a edi\u00e7\u00e3o da portaria n\u00ba 85 de 21 de junho de 2018 pelo Minist\u00e9rio do Trabalho s\u00e3o parte dessa pol\u00edtica. A portaria n\u00ba85\/2018 do Minist\u00e9rio do Trabalho \u00e9 um enorme ataque aos direitos trabalhistas dos imigrantes venezuelanos. Essa portaria modifica o processo de emiss\u00e3o de carteira de trabalho, permitindo que somente os refugiados com visto de resid\u00eancia deferido possam obter o documento.<\/p>\n<p>A Superintend\u00eancia Regional do Trabalho de Roraima (SRT-RR) emitiu 14.311 carteiras de trabalho para os venezuelanos, no per\u00edodo de setembro de 2017 a julho de 2018. Apenas nos meses de janeiro a julho deste ano, a quantidade de emiss\u00f5es chegou a 11.547 carteiras, n\u00famero que supera o montante de documentos emitidos no ano passado para todos os estrangeiros no estado de Roraima. Esses dados revelam que boa parte dos imigrantes venezuelanos est\u00e1 no pa\u00eds ainda sem carteira de trabalho. Como os pedidos de ref\u00fagio t\u00eam demorado cerca de dois anos at\u00e9 serem deferidos, os imigrantes venezuelanos ficam todo esse tempo sem a possibilidade de emprego formal e s\u00e3o empurrados ao trabalho informal, sem direitos trabalhistas e muito mais expostos ao trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Temer empurra os imigrantes venezuelanos a pedirem a resid\u00eancia provis\u00f3ria, pois sob esse instituto fica mais f\u00e1cil se \u201clivrar dos imigrantes\u201d, que s\u00f3 poder\u00e3o requerer resid\u00eancia definitiva ao final dos dois anos de resid\u00eancia provis\u00f3ria, com a condi\u00e7\u00e3o de que provem que tenham capacidade financeira para se sustentar. Num quadro de desemprego massivo no Brasil e tendo em vista a xenofobia que infelizmente tem ganhado for\u00e7a em alguns setores da sociedade brasileira, provavelmente muitos imigrantes venezuelanos estar\u00e3o na informalidade ou desempregados e n\u00e3o v\u00e3o conseguir se adequar aos crit\u00e9rios para conseguir o visto de resid\u00eancia definitivo. Esse movimento do governo Temer de dificultar a concess\u00e3o do ref\u00fagio tamb\u00e9m visa garantir a cria\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito industrial de reserva, bastante precarizado, que possa ser usado para chantagear o conjunto da classe trabalhadora, principalmente dos estados de Roraima e Amazonas, a aceitar piores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de sal\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Opera\u00e7\u00e3o Acolhida e o processo de interioriza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, sob o comando do Ex\u00e9rcito, iniciada em mar\u00e7o de 2018 pelo governo Temer, \u00e9 extremamente limitada diante do fluxo migrat\u00f3rio de venezuelanos. Essa iniciativa \u00e9 resultado muito mais da necessidade do governo Temer de mostrar \u201calgum servi\u00e7o\u201d, diante da press\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os como a ACNUR (Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados), o MPF (Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal) e a DPU (Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o) e da pr\u00f3pria sociedade, do que de fato de resolver o problema.<\/p>\n<p>Hoje, 13 abrigos est\u00e3o operando, sendo dois em Pacaraima (RR) e o resto em Boa Vista (RR). Cada abrigo tem capacidade para 500 pessoas, 5700 est\u00e3o acolhidos nesses abrigos atualmente. Cerca de 500 membros das For\u00e7as Armadas est\u00e3o alocados para essa opera\u00e7\u00e3o e, em conv\u00eanio com a ACNUR e algumas ONG\u2019s, gerenciam esses abrigos que envolvem tamb\u00e9m outros \u00f3rg\u00e3os governamentais no processo de acolhida. O processo de orienta\u00e7\u00e3o sobre os direitos e os procedimentos para entrar com pedido de resid\u00eancia ou ref\u00fagio no Brasil \u00e9 praticamente todo feito por ONG\u2019s e pela ACNUR.<\/p>\n<p>Diante de um fluxo migrat\u00f3rio di\u00e1rio de cerca de 500 imigrantes, a capacidade da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida \u00e9 muito insuficiente. Al\u00e9m do mais, como foi registrado pela caravana da CSP-Conlutas que visitou Roraima para prestar apoio aos imigrantes venezuelanos, n\u00e3o \u00e9 incomum casos de humilha\u00e7\u00f5es sofridas pelos venezuelanos dentro dos abrigos da Opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra iniciativa da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida \u00e9 o processo de interioriza\u00e7\u00e3o, que at\u00e9 dezembro de 2018 tinha alcan\u00e7ado somente 3271 imigrantes. Al\u00e9m de ser irris\u00f3ria, para o tamanho do fluxo migrat\u00f3rio, esse tipo de iniciativa serve muito mais para mostrar alguma \u201ca\u00e7\u00e3o governamental\u201d do que para resolver o problema.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso encarar os fatos e ter a clareza que a situa\u00e7\u00e3o da Venezuela n\u00e3o d\u00e1 sinais de que se resolver\u00e1 de forma r\u00e1pida. Isso significa que o fluxo migrat\u00f3rio venezuelano tende a aumentar nos pr\u00f3ximos anos, podendo inclusive evoluir de forma muito r\u00e1pida, diante da enorme instabilidade pol\u00edtica venezuelana. Boa parte desses imigrantes vai criar la\u00e7os sociais, com o tempo, e tendem a permanecer no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O estado de Roraima, principal porta de entrada para os imigrantes venezuelanos, tem uma popula\u00e7\u00e3o pequena e uma economia pequena e pouco diversificada. Sem um aporte decisivo do governo federal para ampliar a oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos, desenvolver a economia e melhorar a infraestrutura das cidades de Roraima e do Amazonas para garantir os direitos sociais b\u00e1sicos aos imigrantes venezuelanos, a situa\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o tende a se agravar.<\/p>\n<p>Milhares de imigrantes venezuelanos vivem nas ruas, trabalham na informalidade muitas vezes por um prato de comida, n\u00e3o t\u00eam acesso frequente a banheiros e a insumos b\u00e1sicos para higiene pessoal e sofrem todo tipo de humilha\u00e7\u00e3o e de discrimina\u00e7\u00e3o de cunho xenof\u00f3bico e racista, que vem sendo alimentada na popula\u00e7\u00e3o pelos pol\u00edticos do estado. A exemplo do interventor nomeado por Temer e governador eleito do estado de Roraima Antonio Denarium (PSL), do mesmo partido do presidente eleito Jair Bolsonaro, que j\u00e1 disse publicamente que \u201cos refugiados s\u00e3o a esc\u00f3ria do mundo\u201d.<\/p>\n<p><strong>O que esperar do governo Bolsonaro sobre a pol\u00edtica migrat\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p>Bolsonaro e seu ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Ernesto Ara\u00fajo, representam um retrocesso para a t\u00edmida pol\u00edtica migrat\u00f3ria brasileira e tendem a atacar alguns avan\u00e7os conquistados com a nova lei de imigra\u00e7\u00e3o. Bolsonaro, entre outras barbaridades, j\u00e1 disse que pretendia fechar a fronteira do Brasil com a Venezuela, revelou sua inten\u00e7\u00e3o de criar um campo de refugiados para os venezuelanos e, assim, exclu\u00ed-los do conv\u00edvio e da inser\u00e7\u00e3o na sociedade brasileira. Recentemente, Ernesto Ara\u00fajo j\u00e1 adiantou que vai retirar o Brasil do pacto global de migra\u00e7\u00e3o, que foi aprovado por 163 pa\u00edses membros da ONU na primeira quinzena de dezembro de 2018. E Ant\u00f4nio Denarium (PSL), o governador eleito de Roraima, que se elegeu com um discurso contr\u00e1rio aos imigrantes venezuelanos, j\u00e1 disse que quer impor limite de entrada na fronteira e estabelecer crit\u00e9rios para a entrada de imigrantes e refugiados.<\/p>\n<p>H\u00e1 essencialmente tr\u00eas grandes retrocessos que podem ser operados a depender das medidas que poder\u00e3o ser adotadas pelo governo Bolsonaro. A primeira \u00e9 de que a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida se converta num processo de cria\u00e7\u00e3o de campo de refugiados. A segunda \u00e9 que Bolsonaro aplique uma pol\u00edtica de extradi\u00e7\u00e3o e devolu\u00e7\u00e3o dos imigrantes venezuelanos, que pode ser mais ou menos disfar\u00e7ada. E a terceira e mais fact\u00edvel \u00e9 que a fr\u00e1gil e limitada legisla\u00e7\u00e3o, baseada em portarias ministeriais, que hoje regulam o processo migrat\u00f3rio sejam revogadas ou alteradas dificultando as condi\u00e7\u00f5es de resid\u00eancia e ref\u00fagio aos imigrantes venezuelanos e tentando for\u00e7\u00e1-los a sair do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o de Ernesto Ara\u00fajo de que vai retirar o Brasil do pacto migrat\u00f3rio global, obedecendo aos ditames de Trump, que impulsiona o boicote a esse pacto, demonstram que a perspectiva de Bolsonaro \u00e9 de aplicar uma pol\u00edtica parecida com a de Trump, que procura criminalizar os imigrantes e organizar uma pol\u00edtica de extradi\u00e7\u00e3o em massa. O pacto migrat\u00f3rio global, apesar de ser muito limitado e n\u00e3o passar de uma mera carta de inten\u00e7\u00f5es, que nenhum pa\u00eds \u00e9 obrigado a cumprir, prop\u00f5e algumas garantias aos imigrantes e refugiados, como por exemplo a impossibilidade da extradi\u00e7\u00e3o em massa.<\/p>\n<p><strong>Unir a classe trabalhadora brasileira e os imigrantes venezuelanos<\/strong><\/p>\n<p>Marx e Engels no famoso Manifesto Comunista respondiam da seguinte forma as acusa\u00e7\u00f5es de que os comunistas queriam abolir a p\u00e1tria: \u201c<em>Os oper\u00e1rios n\u00e3o t\u00eam p\u00e1tria. N\u00e3o se lhes pode tirar aquilo que n\u00e3o possuem<\/em>\u201d. A verdade \u00e9 que os trabalhadores e trabalhadoras venezuelanos que migram para o Brasil s\u00e3o nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Sofrem do mesmo mal que os trabalhadores brasileiros sofrem: os baixos sal\u00e1rios, a falta de servi\u00e7os p\u00fablicos, o racismo, a fome, a viol\u00eancia urbana, o desemprego, etc. E sobretudo t\u00eam os mesmos inimigos: os governos burgueses de plant\u00e3o, as grandes multinacionais e o imperialismo.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m pode ser livre onde algu\u00e9m \u00e9 oprimido e, por esse motivo, a classe trabalhadora brasileira deve buscar a unidade com os imigrantes venezuelanos para enfrentar as tentativas de retirar os direitos dos trabalhadores e refugiados. Bolsonaro \u00e9 um inimigo dos trabalhadores brasileiros e de todos os povos oprimidos e explorados do mundo, sua pol\u00edtica de subservi\u00eancia ao imperialismo norte-americano fortalece a ofensiva pol\u00edtica e social de Trump contra os trabalhadores de todo o continente americano. \u00c9 preciso que a luta pelos direitos dos imigrantes seja assumida pelo conjunto do movimento popular e sindical brasileiro. Combater de forma veemente todo tipo de ideologia e pr\u00e1tica xenof\u00f3bica e racista \u00e9 uma premissa para conseguir a unidade da classe trabalhadora contra os patr\u00f5es e os governos burgueses. Como disse Marx e Engels no Manifesto: \u201c<em>trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!<\/em>\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica da Venezuela, mergulhada numa brutal crise econ\u00f4mica e social, desatou uma crise migrat\u00f3ria no continente sul-americano. Todos os dias milhares de venezuelanos deixam seu pa\u00eds fugindo da mis\u00e9ria, do desemprego e da fome. Col\u00f4mbia, Equador e o Brasil s\u00e3o uns dos principais destinos dos imigrantes venezuelanos.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":25590,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[121,3970],"tags":[470,129,6882,4399,168],"class_list":["post-25589","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-imigrantes","tag-bolsonaro","tag-brasil-2","tag-eduardo-zanata","tag-imigrantes","tag-venezuela-2"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/venezuela-imigrantes.jpg","categories_names":["Brasil","Imigrantes"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25589"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25589\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25590"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}