{"id":25557,"date":"2018-12-22T20:52:19","date_gmt":"2018-12-22T22:52:19","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25557"},"modified":"2018-12-22T20:52:19","modified_gmt":"2018-12-22T22:52:19","slug":"basta-de-austeridade-para-os-trabalhadores-e-preciso-um-dia-nacional-de-luta-para-unificar-greves-e-protestos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/12\/22\/basta-de-austeridade-para-os-trabalhadores-e-preciso-um-dia-nacional-de-luta-para-unificar-greves-e-protestos\/","title":{"rendered":"Basta de austeridade para os trabalhadores! \u00c9 preciso um dia nacional de luta para unificar greves e\u00a0protestos!"},"content":{"rendered":"<p><em>Vivemos um momento atravessado por diversas greves no pa\u00eds. Estivadores, enfermeiros, bombeiros, transportes (CP, Metro Porto, Soflusa), trabalhadores da Petrogal, ju\u00edzes, magistrados, guardas prisionais, etc. est\u00e3o ou estiveram recentemente em greve, configurando o ano de 2018 um dos anos com mais greves da \u00faltima d\u00e9cada. A grande maioria dessas greves \u00e9 contra contratos prec\u00e1rios, por reconhecimento de carreiras, aumentos salariais e contra os congelamentos e a exclus\u00e3o da contrata\u00e7\u00e3o coletiva de dezenas de milhares de trabalhadores.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Em Luta<\/p>\n<p>Estas greves expressam, em primeiro lugar, que a austeridade continua para os trabalhadores. Ao contr\u00e1rio do que referem Costa, BE e PCP, este Governo da Geringon\u00e7a n\u00e3o virou a p\u00e1gina e continuou a pol\u00edtica de Passos\/Portas, da Troika e da Uni\u00e3o Europeia de cortar nos servi\u00e7os p\u00fablicos (que s\u00e3o, de facto, sal\u00e1rio indireto dos trabalhadores), de explorar cada vez mais os trabalhadores (baixos sal\u00e1rios, hor\u00e1rios cada vez mais exaustivos), de manter alt\u00edssimos impostos sobre os trabalhadores e de pagar com dinheiro p\u00fablico os lucros das grandes empresas privadas e da banca. Ou seja, tal como nos tempos da Troika, s\u00e3o os trabalhadores e o Z\u00e9 Povinho que continuam a pagar e a carregar \u00e0s costas os cada vez mais ricos.<\/p>\n<p>Mas a esta onda de greves juntam-se v\u00e1rios outros protestos: s\u00e3o as lutas contra os despejos, produto da lei das rendas de Cristas e da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria impar\u00e1vel provocada pelo turismo; s\u00e3o as lutas contra o racismo, na lei da nacionalidade, na educa\u00e7\u00e3o, etc.; s\u00e3o as lutas contra a discrimina\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia f\u00edsica e sexual contra as mulheres, em que as institui\u00e7\u00f5es do Estado, como a Justi\u00e7a ou a Pol\u00edcia, protegem e desculpabilizam o agressor, em vez de apoiarem e protegerem as v\u00edtimas; s\u00e3o as lutas contra a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e as barbaridades ambientais, como a das celuloses do Tejo, em que o lucro de privados se imp\u00f5e sobre o bem das comunidades e a sua subsist\u00eancia.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda um sentimento de que a austeridade aprofundou a incapacidade e insufici\u00eancia do aparelho do Estado na resposta \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de cat\u00e1strofe e\/ou situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, como mostram os inc\u00eandios do ano passado, o aluimento em Borba ou, recentemente, a queda do helic\u00f3ptero do INEM. A promiscuidade entre o p\u00fablico e o privado continua a ser a nota dominante.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 fundamental unificar todas estas lutas, que tocam v\u00e1rias realidades espec\u00edficas, mas mostram que a austeridade n\u00e3o acabou para os trabalhadores e para os mais pobres, nem nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, nem na habita\u00e7\u00e3o, nem nos servi\u00e7os p\u00fablicos, nem na falta de capacidade de resposta do Estado \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o. Por isso, \u00e9 preciso um dia nacional de luta, que unifique todos estes protestos a uma s\u00f3 voz!<\/p>\n<p>Em Fran\u00e7a, os trabalhadores sa\u00edram \u00e0 rua contra a subida de impostos sobre os combust\u00edveis, mas acima de tudo contra a progressiva degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida. A luta em Fran\u00e7a, tal como a luta dos estivadores em Portugal, mostrou que, quando os trabalhadores lutam, podem avan\u00e7ar nas suas conquistas, mas que, para isso, \u00e9 preciso uma luta intransigente e n\u00e3o apenas manifesta\u00e7\u00f5es ou protestos de circunst\u00e2ncia e calend\u00e1rio. Os trabalhadores precisam de lutar para ganharem e est\u00e3o fartos de jogar apenas para o empate, como a maioria dos sindicatos e partidos parlamentares que sustentam o Governo parecem querer.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que parte das lutas e greves em curso t\u00eam sa\u00eddo por fora dos sindicatos tradicionais. \u00c9 preciso que as centrais sindicais e a esquerda deixem de atacar as mobiliza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o cumprem os seus calend\u00e1rios e apoiem as lutas justas dos trabalhadores por direitos. \u00c9 preciso que a CGTP e a UGT, bem como os respetivos sindicatos, chamem a um grande dia nacional de luta, para unificar todos os protestos e greves em curso; n\u00e3o para conseguir negociar migalhas com o Governo, mas para reganhar dignidade no trabalho e a justi\u00e7a social mais b\u00e1sica, que a austeridade e anos de ataques nos v\u00eam roubando.<\/p>\n<p>Porque, em Fran\u00e7a como em Portugal, a austeridade n\u00e3o acabou, o protesto de 21 de dezembro prop\u00f5e-se a parar o pa\u00eds, \u00e0 semelhan\u00e7a do que t\u00eam feito os Coletes Amarelos em Fran\u00e7a. Pode ser um passo no sentido de contestar a falta de mudan\u00e7a e as injusti\u00e7as de um pa\u00eds que n\u00e3o mudou. Por\u00e9m, a convocat\u00f3ria do dia 21 n\u00e3o expressa as reivindica\u00e7\u00f5es mais profundas das greves em curso. Isso mostra-nos que o protesto n\u00e3o tem como centro o combate \u00e0 precariedade, \u00e0 explora\u00e7\u00e3o brutal dos sal\u00e1rios e dos hor\u00e1rios, \u00e0 falta de carreiras e sal\u00e1rios dignos. Por isso, mant\u00e9m-se a necessidade de um dia nacional de lutas que unifique as greves em curso com a revolta popular da maioria da popula\u00e7\u00e3o, que continua a pagar a fatura da austeridade.<\/p>\n<p>Sabemos que a direita e a extrema-direita procuram aproveitar o falhan\u00e7o da Geringon\u00e7a para ganhar espa\u00e7o. Nesse sentido, \u00e9 preciso relembrar que a direita n\u00e3o tem qualquer autoridade para criticar o atual Governo, uma vez que entregou o pa\u00eds ao FMI\/Troika\/UE, vendendo as empresas nacionais, os servi\u00e7os p\u00fablicos e os direitos dos trabalhadores por tuta e meia. PSD, CDS e PS t\u00eam responsabilidades diretas no estado a que cheg\u00e1mos. Mas a nossa mem\u00f3ria \u00e9 suficientemente longa para sabermos que o modelo de baixos sal\u00e1rios, mis\u00e9ria permanente e pobreza extrema j\u00e1 vem de mais longe e foi o modelo tamb\u00e9m de Salazar, que tinha as contas \u201cequilibradas\u201d \u00e0 custa de esmagar os trabalhadores e os povos das ex-col\u00f3nias, de utilizar a Pol\u00edcia, a repress\u00e3o e o medo para governar contra o povo.<\/p>\n<p>Por outro lado, sabemos tamb\u00e9m que o BE e o PCP n\u00e3o s\u00e3o uma alternativa ao atual estado do pa\u00eds. Um dia dizem-se com os estivadores, no dia seguinte votam o Or\u00e7amento do Governo que mandou reprimir e furar a paralisa\u00e7\u00e3o em nome dos lucros da Autoeuropa e dos patr\u00f5es da estiva. Dizem-se a favor de contar o tempo dos professores, mas votaram o OE que n\u00e3o o prev\u00ea. Dizem que este n\u00e3o seria o seu Or\u00e7amento, mas querem convencer os trabalhadores a contentarem-se com o que a Geringon\u00e7a acha aceit\u00e1vel dar e n\u00e3o com o que os trabalhadores necessitam e exigem. Ou seja, escolheram o lado do Governo contra os trabalhadores. Por isso, sabemos que do BE e PCP n\u00e3o vir\u00e1 a alternativa para uma austeridade que n\u00e3o acabou. Pelo contr\u00e1rio, j\u00e1 come\u00e7aram a chantagem inaceit\u00e1vel sobre os trabalhadores de que ou \u00e9 a Geringon\u00e7a ou \u00e9 a direita. N\u00f3s recusamos essa chantagem e dizemos que \u00e9 preciso um caminho alternativo para os trabalhadores.<\/p>\n<p>Sabemos que foi a revolu\u00e7\u00e3o de Abril de 1974 que abriu o caminho aos direitos dos trabalhadores que conquist\u00e1mos, bem como \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o social que tanto reivindicamos. Sabemos que estes retrocedem dia ap\u00f3s dia sob os governos da direita e do PS. Sabemos que a Geringon\u00e7a n\u00e3o p\u00f4s fim a este retrocesso.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 preciso unificar todas as lutas em curso numa s\u00f3 e construir uma alternativa dos trabalhadores ao Governo, independente da Geringon\u00e7a e de qualquer tipo de direita. \u00c9 preciso retomar a luta dos trabalhadores e do povo por um novo 25 de Abril que v\u00e1 at\u00e9 ao fim por uma sociedade sem explora\u00e7\u00e3o nem opress\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos um momento atravessado por diversas greves no pa\u00eds. Estivadores, enfermeiros, bombeiros, transportes (CP, Metro Porto, Soflusa), trabalhadores da Petrogal, ju\u00edzes, magistrados, guardas prisionais, etc. est\u00e3o ou estiveram recentemente em greve, configurando o ano de 2018 um dos anos com mais greves da \u00faltima d\u00e9cada. 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