{"id":25521,"date":"2018-12-20T09:59:07","date_gmt":"2018-12-20T11:59:07","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25521"},"modified":"2018-12-20T09:59:07","modified_gmt":"2018-12-20T11:59:07","slug":"africa-do-sul-trabalhadores-lancam-o-seu-partido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/12\/20\/africa-do-sul-trabalhadores-lancam-o-seu-partido\/","title":{"rendered":"\u00c1frica do Sul: Trabalhadores lan\u00e7am o seu partido"},"content":{"rendered":"<p><em>Nos dias 14 e 15 de dezembro foi realizado, em Johanesburgo, o pr\u00e9 lan\u00e7amento do Partido Socialista Revolucion\u00e1rio dos Trabalhadores. Estiveram presentes por volta de mil delegados representando os nove estados da Federa\u00e7\u00e3o. O novo partido nasce apoiado pelo movimento sindical mais combativo do pa\u00eds representado pelo NUMSA e outros sindicatos, e tamb\u00e9m por parte importante da central sindical independente, SAFTU.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Cesar Quiximba<\/p>\n<p><strong>As raz\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o de um novo partido no pa\u00eds:<\/strong><\/p>\n<p>Depois de 25 anos de governo do CNA (Congresso Nacional Africano) apoiado pela Cosatu (Congress of South African Trade Unions &#8211; central sindical) e pelo Partido Comunista da \u00c1frica do Sul, os trabalhadores ao lan\u00e7arem o seu partido marcam definitivamente a ruptura com o partido que teve como sua principal express\u00e3o: Nelson Mandela.<\/p>\n<p>Este governo tripartite (CNA + COSATU + PC) tem\u00a0 25 anos de concilia\u00e7\u00e3o com a burguesia nacional e imperialista, chegando ao extremo de ser co-autor do Massacre de Marikhana que resultou na morte de 34 trabalhadores. Como se n\u00e3o bastasse o assassinato, os que sobreviveram muitos foram processados e presos.<\/p>\n<p>No plano econ\u00f4mico, o CNA, COSATU e PC seguiram com o favorecimento ao capital estrangeiro tal qual na \u00e9poca do Apartheid. Hoje a classe trabalhadora, ao inv\u00e9s de superar a mis\u00e9ria do apartheid, vive em condi\u00e7\u00f5es miser\u00e1veis e segundo a pesquisa do pr\u00f3prio governo a desnutri\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 quase igual ao \u00faltimo per\u00edodo do apartheid.<\/p>\n<p>Ao fundar o Workers Party a classe trabalhadora, sem d\u00favidas, est\u00e1 promovendo um acerto de contas com o CNA, Cosatu e PCdaAS<\/p>\n<p><strong>O clima do congresso: <\/strong><\/p>\n<p>Na chegada das delega\u00e7\u00f5es percebia-se as caras e os corpos que se mostravam cansados. O cansa\u00e7o da viagem era real, mas o verdadeiro cansa\u00e7o era da vida sofrida neste rico pa\u00eds produtor de ouro, diamante e outros minerais, al\u00e9m de um parque industrial diversificado. A \u00c1frica do Sul \u00e9 o segundo pa\u00eds mais importante do continente, s\u00f3 perde para a Nig\u00e9ria petroleira.<\/p>\n<p>Os rostos cansados, o olhar distante e triste era o que marcava os delegados. Trabalhadores, moradores das favelas, desempregados e alguns poucos jovens carregavam no rosto o ar da falta de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>O Congresso come\u00e7ou e j\u00e1 nas primeiras falas os delegados se manifestam. Cantam, dan\u00e7am e extravasam suas esperan\u00e7as. Muitos delegados n\u00e3o falam ingl\u00eas, os setores mais pobres da sociedade, por\u00e9m falam pelos menos tr\u00eas outras l\u00ednguas locais. Mesmo assim, aquele que n\u00e3o entendesse a l\u00edngua entendia a anima\u00e7\u00e3o e a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Das v\u00e1rias m\u00fasicas cantadas e dan\u00e7adas, escolhemos esta em sesotho com sua respectiva tradu\u00e7\u00e3o, por expressar o clima dos delegados:<\/p>\n<p><em>For a long time;\u00a0<\/em><em>We gave our sweat<\/em><\/p>\n<p><em>or power to you;\u00a0<\/em><em>\u00a0<\/em><em>For a long time<\/em><\/p>\n<p><em>We gave our blood to you;\u00a0<\/em><em>\u00a0<\/em><em>Now it is time for us as worker<\/em><\/p>\n<p><em>To stand up;\u00a0<\/em><em>To give leadership to the revolution<\/em><\/p>\n<p>Por muito tempo; N\u00f3s demos nosso suor<\/p>\n<p>ou poder para voc\u00ea; Por muito tempo<\/p>\n<p>N\u00f3s demos nosso sangue para voc\u00ea; Agora \u00e9 hora de n\u00f3s, como trabalhadores<\/p>\n<p>Levantar-se; Para dar lideran\u00e7a \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Velhos militantes contavam que este era um momento hist\u00f3rico, pois a classe trabalhadora que sempre correu atr\u00e1s do nacionalismo burgu\u00eas ou dos partidos da democracia burguesa como o CNA \u00a0agora tomava a decis\u00e3o de construir seu partido revolucion\u00e1rio. Outro militante dizia que desde 1921 quando foi fundado o Partido Comunista, ainda na \u00e9poca \u00e1urea da III Internacional, nunca mais a classe trabalhadora havia constru\u00eddo uma organiza\u00e7\u00e3o que se reivindicasse revolucion\u00e1ria e com composi\u00e7\u00e3o de massas.<\/p>\n<p>A emo\u00e7\u00e3o tomou conta do plen\u00e1rio. Era f\u00e1cil encontrar pessoas emocionadas. Para aqueles que j\u00e1 n\u00e3o acreditam na classe trabalhadora e s\u00f3 v\u00eaem o parlamento como sa\u00edda, seguramente, se sentiriam deslocados neste congresso.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Africa-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-25523 size-full\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Africa-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Programa e Estatuto:<\/strong><\/p>\n<p>O esbo\u00e7o de programa e Estatuto foram apresentados no Pr\u00e9 Lan\u00e7amento do Workers Party. Estes documentos dever\u00e3o ser discutidos e votados no Congresso Fundacional, em mar\u00e7o de 2019.<\/p>\n<p>Os textos s\u00e3o longos e optamos por apresentar o pre\u00e2mbulo dos Estatutos a serem votados.<\/p>\n<p><em>Observando a hist\u00f3ria de todas as sociedades at\u00e9 agora vemos que tem sido uma hist\u00f3ria de lutas de classes;<\/em><em>Reconhecendo que vivemos na \u00e9poca do imperialismo e na decad\u00eancia e nos \u00faltimos dias do capitalismo mundial;<\/em><em>Consciente de que o sistema capitalista sul-africano e o Estado foram impostos a partir do exterior e continuam a ser sustentados pelo imperialismo;<\/em><em>Consciente de nossa experi\u00eancia hist\u00f3rica e atual da natureza brutal e totalizante do colonialismo e como os negros em geral e os africanos em particular t\u00eam sido historicamente despossu\u00eddos, oprimidos, dominados e marginalizados racialmente pela supremacia branca na \u00c1frica do Sul;<\/em><\/p>\n<p><em>Aprendemos com a experi\u00eancia de todas as antigas col\u00f4nias imperialistas e com a experi\u00eancia de 1994 que \u00e9 imposs\u00edvel resolver a quest\u00e3o nacional, de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe na \u00c1frica do Sul e no resto do mundo p\u00f3s-colonial sem simultaneamente derrotar o capitalismo e o imperialismo e estabelecer o socialismo; <\/em><\/p>\n<p><em>N\u00f3s, o Partido Socialista dos Trabalhadores Revolucion\u00e1rios, damos a n\u00f3s mesmos este Estatuto, guiado pelo Marxismo-Leninismo, como uma ferramenta revolucion\u00e1ria em nossas lutas para educar, mobilizar e organizar a classe trabalhadora em nosso Partido e em sua miss\u00e3o hist\u00f3rica de derrotar o imperialismo e o capitalismo e estabelecer uma \u00c1frica do Sul Socialista, uma \u00c1frica e um Mundo, como um prel\u00fadio para avan\u00e7ar para uma sociedade verdadeiramente livre e sem classes: por uma \u00c1frica do Sul Comunista, uma \u00c1frica e um Mundo Comunista.<\/em><\/p>\n<p><strong>O diamante foi achado. Resta cuid\u00e1-lo, preservar e lapidar<\/strong><\/p>\n<p>Em um pa\u00eds onde o sonho de todo trabalhador \u00e9 encontrar um diamante gigante nos trabalhos de minera\u00e7\u00e3o artesanal, a par\u00e1bola do diamante do Workers Party foi lembrada por alguns ativistas.<\/p>\n<p>Para eles, o diamante foi encontrado. E o diamante \u00e9 o Workers Party. \u00c9 preciso preservar e cuidar desse diamante, mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m lapidar. E lapidar significa, entre outras tarefas, ampliar a democracia interna, dar vida aos n\u00facleos de base, eleger os dirigentes, aprofundar o programa anticapitalista e discutir o socialismo e suas experi\u00eancias. O modelo socialista a ser seguido se traduz na discuss\u00e3o, por exemplo, se o modelo chavista deve ser seguido ou n\u00e3o. Um importante dirigente, no plen\u00e1rio, afirmou que o modelo a ser seguido n\u00e3o \u00e9 o do PT brasileiro, mas o modelo chavista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos dias 14 e 15 de dezembro foi realizado, em Johanesburgo, o pr\u00e9 lan\u00e7amento do Partido Socialista Revolucion\u00e1rio dos Trabalhadores. Estiveram presentes por volta de mil delegados representando os nove estados da Federa\u00e7\u00e3o. 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