{"id":25443,"date":"2018-12-17T14:53:15","date_gmt":"2018-12-17T16:53:15","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25443"},"modified":"2018-12-17T14:53:15","modified_gmt":"2018-12-17T16:53:15","slug":"armas-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/12\/17\/armas-de-guerra\/","title":{"rendered":"Armas de Guerra"},"content":{"rendered":"<p>Trump sobe um degrau em sua \u201cguerra comercial\u201d contra China<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Jo\u00e3o Ricardo Soares<\/p>\n<p>No inicio de dezembro Meng Wanzhoum, principal executiva financeira da gigante tecnol\u00f3gica chinesa Huawei, \u00e9 detida no Canad\u00e1 a pedido dos Estados Unidos. Este fato converte a executiva chinesa em uma ref\u00e9m de Trump em sua \u201cguerra comercial\u201d contra a China.<\/p>\n<p>A pris\u00e3o de Meng revela os reais objetivos desta \u201cguerra\u201d que passa muito longe das bravatas sobre o d\u00e9ficit comercial norte-americano e a \u201cdesvaloriza\u00e7\u00e3o artificial\u201d da moeda chinesa<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. O \u201crei\u201d Trump fica nu, quando ataca a empresa que desbancou a Apple no mercado mundial de Smartphones, alcan\u00e7ando 16% das vendas mundiais (e 27% do mercado chin\u00eas).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a deten\u00e7\u00e3o da executiva chinesa tem um sentido de provoca\u00e7\u00e3o: ao mesmo tempo em que acertava uma \u201ctr\u00e9gua\u201d com Xi Jinping, em Bueno Aires, adiando por tr\u00eas meses o aumento de 25% nas tarifas, Meng era detida no Canad\u00e1 sob a acusa\u00e7\u00e3o de fornecer equipamentos eletr\u00f4nicos ao Ir\u00e3 com componentes norte-americanos!<\/p>\n<p>Trump, n\u00e3o negociava \u201ctr\u00e9gua\u201d alguma. Somente adequava suas armas a nova situa\u00e7\u00e3o interna dos Estados Unidos e as dificuldades de avan\u00e7ar em sua ofensiva contra a China, priorizando as tarifas como arma. Ao que parece, os efeitos das medidas do \u201csenhor tarifa\u201d n\u00e3o tem o efeito r\u00e1pido esperado.<\/p>\n<p>Ao que tudo indica as dificuldades geradas por travar v\u00e1rias guerras simult\u00e2neas resultou em um enfraquecimento pol\u00edtico de Trump: a imensa quantidade de soja e milho que se acumulam nos silos dos produtores norte-americanos, al\u00e9m de suas d\u00edvidas, em que pese os subs\u00eddios e empr\u00e9stimos ofertados pelo governo; o an\u00fancio do fechamento das f\u00e1bricas da <em>General Motors; <\/em>o processo sobre a participa\u00e7\u00e3o russa em sua elei\u00e7\u00e3o e a n\u00e3o menos importante perda da maioria na c\u00e2mara, obrigou o general a \u201cafinar\u201d suas armas.<\/p>\n<p>Antes de buscar um ref\u00e9m, o governo norte-americano j\u00e1 tinha utilizado mecanismos similares quando em setembro sancionou o Departamento de Desenvolvimento de Equipamentos (EDD em Ingl\u00eas), \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio da Defesa Chin\u00eas, pela aquisi\u00e7\u00e3o de avi\u00f5es de ca\u00e7a russo <em>Sukhoi SU-35<\/em> e sistemas de m\u00edsseis terra-ar (S-400)<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Os objetivos e as armas da Guerra<\/strong><\/p>\n<p>Se a pol\u00edtica marca os objetivos de qualquer guerra, o editor-chefe do <em>Financial Times,<\/em> Martin Wolf, se perguntava quais seriam os reais objetivos de Trump: \u201c<em>\u00c0s vezes a iniciativa parece voltada a obrigar a China a eliminar seus super\u00e1vits no com\u00e9rcio bilateral com os EUA&#8230; Outras vezes&#8230; parece ser suspender o programa \u2018Made in China 2025\u2019. Outras, ainda parece pretender deter a transfer\u00eancia for\u00e7ada de tecnologia. O primeiro prop\u00f3sito \u00e9 rid\u00edculo; o segundo \u00e9 inegoci\u00e1vel; o terceiro \u00e9 cab\u00edvel, mas dif\u00edcil de conseguir.\u201d<\/em><\/p>\n<p>E a continua\u00e7\u00e3o acrescenta: <em>\u201c&#8230; se ele quisesse reequilibrar as rela\u00e7\u00f5es com a China [&#8230;] n\u00e3o teria atacado seus pr\u00f3prios aliados. Teria, em vez disso, confrontado a China com uma poderosa coaliz\u00e3o mundial&#8230;\u201d.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>A proposi\u00e7\u00e3o de Wolf: em vez de mirar os carros europeus, Washington deve formar uma alian\u00e7a para enfrentar Pequim. Assim, uma semana depois da visita do presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Jean Claude Juncker a Casablanca, e do anunciado \u201ccessar fogo\u201d com Europa, os EUA aceleram o passo declarando o aumento de tarifas \u00e0s importa\u00e7\u00f5es \u201cchinesas\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p><strong>A \u201cfrente ampla\u201d contra a China<\/strong><\/p>\n<p>O seman\u00e1rio <em>The Economist<\/em> tem dedicado muitas p\u00e1ginas ao tema, no final de outubro publica um n\u00famero especial, <em>China v America, <\/em>conclamando uma ampla coaliz\u00e3o das \u201cdemocracias\u201d contra China. Em editorial afirma:<\/p>\n<p><em>\u201cMr Trump e sua administra\u00e7\u00e3o tem feito tr\u00eas coisas corretas [&#8230;] A primeira \u00e9 que Am\u00e9rica necessita ser forte. [estaria correto ent\u00e3o] endurecer as regras sobre aquisi\u00e7\u00f5es [de tecnologia], para dar mais peso \u00e0 seguran\u00e7a nacional&#8230;\u201d <\/em><\/p>\n<p><em>\u201cTrump tamb\u00e9m estaria certo sobre a necessidade dos EUA em redefinir as expectativas sobre o comportamento chin\u00eas. O sistema comercial atual n\u00e3o impede que as empresas estatais da China ofusquem a linha entre os interesses comerciais e os interesses nacionais&#8230;\u201d <\/em><\/p>\n<p><em>\u201cTerceiro, a habilidade \u00fanica do Sr. Trump de demonstrar seu desrespeito pela sabedoria convencional parece ter sido eficaz. Ele n\u00e3o \u00e9 sutil ou consistente, mas, como no caso do com\u00e9rcio canadense e mexicano&#8230; foi poss\u00edvel conduzir a uma negocia\u00e7\u00e3o. Mas com a China n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o f\u00e1cil&#8230; no futuro pr\u00f3ximo, Trump necessitar\u00e1 uma estrat\u00e9gia, n\u00e3o somente t\u00e1ticas. A estrat\u00e9gia deve deixar espa\u00e7o para a China erguer-se pacificamente &#8211; o que inevitavelmente tamb\u00e9m deve permitir \u00e0 China ampliar sua influ\u00eancia.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cE a estrat\u00e9gia americana deve incluir um ativo que a separa claramente de China: alian\u00e7as. No com\u00e9rcio, por exemplo, Trump deve trabalhar com a UE e Jap\u00e3o para pressionar as mudan\u00e7as em China&#8230; alian\u00e7as s\u00e3o a principal fonte de prote\u00e7\u00e3o de Am\u00e9rica&#8230;\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><strong>[6]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>As duas influentes publica\u00e7\u00f5es vinculadas ao capital financeiro defendem uma pol\u00edtica de alian\u00e7as suficiente ampla para que China tenha o seu \u201cquinh\u00e3o\u201d no mercado mundial, mas dentro do estreito limite marcado pelo imperialismo. N\u00e3o sem antes alertar que \u201cdeter a transfer\u00eancia for\u00e7ada de tecnologia\u201d ainda que considere cab\u00edvel [\u00e9] \u201cdif\u00edcil de conseguir\u201d. Talvez este seja o centro dos objetivos da ofensiva norte-americana, tal qual deixa entrever Wolf.<\/p>\n<p>O entusi\u00e1stico apoio dos porta-vozes do grande capital financeiro europeu a Trump e sua ofensiva contra China, talvez nos diga que n\u00e3o estamos diante de um \u201clouco\u201d que quer explodir a \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>As linhas abaixo tentar\u00e3o explicar os interesses em jogo, que em nossa opini\u00e3o v\u00e3o muito al\u00e9m dos \u201cinteresses protecionistas\u201d da potencia norte-americana.<\/p>\n<p><strong>O caso ZTE e a ind\u00fastria chinesa de semicondutores<\/strong><\/p>\n<p>Em fevereiro deste ano as ag\u00eancias de intelig\u00eancia dos Estados Unidos desaconselharam o uso de celulares Huawey e ZTE por quest\u00f5es de seguran\u00e7a nacional. Em meados de Abril, o governo Trump proibia que empresas norte-americanas realizassem neg\u00f3cios com as empresas da ZTE durante sete anos. O motivo? Vender equipamentos para Ir\u00e3 e Coreia do Norte! Justificativa pouco criativa.<\/p>\n<p>Em dez de maio a ZTE anuncia o \u201cfechamento de suas principais atividades operativas\u201d ao mesmo tempo em que suspende os neg\u00f3cios de suas a\u00e7\u00f5es na bolsa de Hong-Kong<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Isso ocorre por um simples motivo, a empresa norte-americana Qualcomm, a qual muito falaremos a frente, \u00e9 a principal fornecedora de semicondutores para a ZTE.<\/p>\n<p>Bastou tr\u00eas semanas sem o fornecimento de Chips pela Qualcomm para que uma das grandes empresas chinesas de telecomunica\u00e7\u00f5es fechasse as portas.<\/p>\n<p>Ao final de maio, Trump se fanfarreia de que por sua obra e gra\u00e7a as san\u00e7\u00f5es s\u00e3o anuladas, n\u00e3o sem antes a ZTE pagar uma penaliza\u00e7\u00e3o de US$2,90 bilh\u00f5es aos cofres estadunidenses. Despois disso a empresa chinesa voltava a receber os chips da Qualcomm. O recado estava dado e a coisa e o neg\u00f3cio \u00e9 s\u00e9rio.<\/p>\n<p>O mercado mundial de semicondutores funciona sobre a base de grandes oligop\u00f3lios com as norte-americanas no topo da cadeia alimentar. Pela divis\u00e3o mundial do trabalho, o desenvolvimento dos chips avan\u00e7ados, seu desenho, assim como sua fabrica\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma atividade exclusiva de um punhado de empresas. O quadro abaixo da uma ideia de como funciona o neg\u00f3cio:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/JR.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-25444 size-full\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/JR.jpg\" alt=\"\" width=\"801\" height=\"757\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/JR.jpg 801w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/JR-300x284.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/JR-768x726.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/JR-150x142.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/JR-696x658.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 801px) 100vw, 801px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Estados Unidos e Coreia do Sul s\u00e3o os principais exportadores de microprocessadores e equipamentos relacionados. Segundo o <em>Economist<\/em>, a lista das 15 maiores empresas de semicondutores n\u00e3o inclui uma \u00fanica chinesa. E sobre a import\u00e2ncia do controle desta tecnologia acrescenta: \u201c&#8230;carros se tornam computadores sobre rodas. Bancos s\u00e3o computadores movimentando dinheiro. Ex\u00e9rcitos lutam tanto com sil\u00edcio como com a\u00e7o.\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>Segundo o MacKinsey, um instituto de estudos da economia mundial vinculado ao imperialismo norte-americano, o investimento em pesquisa e desenvolvimento das empresas chinesas equivale a US$5 bilh\u00f5es anuais, o insuspeito instituto afirma que uma \u00fanica empresa l\u00edder do ramo gasta mais do que toda ind\u00fastria chinesa de semicondutores.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> Mas ent\u00e3o qual seria a raz\u00e3o da histeria?<\/p>\n<p><strong>Algo se move&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sendo a ind\u00fastria chinesa dependente da alta tecnologia desenvolvida pelos oligop\u00f3lios norte-americanos e europeus, tudo indica que algo est\u00e1 se movendo nesse terreno.<\/p>\n<p>No que concerne ao produto final, os smartphones, as empresas chinesas avan\u00e7am no mercado mundial, a Huawey, APPO e a BBK Eletronics (Vivo) det\u00e9m 43% do mercado mundial de smartphones.<\/p>\n<p>A Huaway se converteu na segunda maior fabricante mundial de celulares ultrapassando o duop\u00f3lio Apple-Samsumg e desbancando a norte-americana Apple. A coreana ainda mantem o primeiro posto.<\/p>\n<p>Mas o que nos interessa \u00e9 o fato de que diferente da ZTE a Hauwey tem uma caracter\u00edstica que foge a regra: desenvolve e fabrica seus pr\u00f3prios microprocessadores por meio de uma subsidiaria <em>HiSilicon<\/em>.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>Com um faturamento anual de US$92 bilh\u00f5es (2017) ainda n\u00e3o compete com as oligop\u00f3lios imperialistas no desenvolvimento de chips de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, mas entrou em terreno que lhe abre as portas para isso: hoje \u00e9 uma das principais fabricantes de equipamentos para a tecnologia 5G da internet, cuja velocidade \u00e9 cem vezes mais r\u00e1pida do que a 4G.<\/p>\n<p>No futuro pr\u00f3ximo, para que o seu smartphone fique cem vezes mais r\u00e1pido, toda infraestrutura de telecomunica\u00e7\u00f5es deve ser reequipada. Mas o seu celular \u00e9 o \u00faltimo elo desta cadeia. As opera\u00e7\u00f5es do sistema banc\u00e1rio mundial, ganha velocidade cem vezes superior e exigir\u00e1 computadores a altura e o desenvolvimento de carros aut\u00f4nomos depende da massifica\u00e7\u00e3o da rede 5G.<\/p>\n<p>Poderia uma empresa chinesa entrar neste clube? Se a concorr\u00eancia entre os monop\u00f3lios dependesse exclusivamente da capacidade de produzir, talvez sim, mas por exig\u00eancia dos EUA, a Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia e o mesm\u00edssimo Jap\u00e3o romperam contratos de fornecimento de equipamentos com a Huawey.<\/p>\n<p><strong>Fus\u00f5es\/Aquisi\u00e7\u00f5es: vetos m\u00fatuos <\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 agora a China tem acesso a alta tecnologia pela via de dois mecanismos. A troca de tecnologia por mais valia, atrav\u00e9s da exig\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o do capital chin\u00eas nas multinacionais que produzem no solo do pa\u00eds (<em>joinventures<\/em>).<\/p>\n<p>Em seguida se multiplicaram as aquisi\u00e7\u00f5es de empresas e\/ou fus\u00f5es disfar\u00e7adas de aquisi\u00e7\u00f5es, como um mecanismo mais r\u00e1pido e mais eficiente<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> que est\u00e1 sob o ataque de Trump.<\/p>\n<p>A c\u00fapula Trump-Xi em Buenos Aires n\u00e3o estava somente pendente do anunciado, e, tampouco a pris\u00e3o de Meng foi uma coincid\u00eancia de datas. Entre estes dois fatos h\u00e1 um terceiro pouco divulgado: o veto chin\u00eas a fus\u00e3o da norte-americana Qualcomm com a holandesa NXP.<\/p>\n<p>Segundo a imprensa especializada a Qualcomm ocupa o primeiro lugar no desenvolvimento de chips de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, incluindo a tecnologia 5G. Com a compra da Holandesa <em>NXP Semiconductors<\/em>, a nova empresa seria um oligop\u00f3lio no desenvolvimento de chips para autom\u00f3veis.<\/p>\n<p>A imprensa divulgou o caso da seguinte forma: \u201cA transa\u00e7\u00e3o, a maior j\u00e1 anunciada no setor, exigiu a aprova\u00e7\u00e3o de at\u00e9 nove mercados diferentes nos quais ambas as empresas operam. Tinha oito aceites e apenas Pequim estava desaparecida, com a Qualcomm aguardando uma espada de D\u00eamocles para assinar o contrato com a NXP, que marcou o prazo para obter as permiss\u00f5es nesta quinta-feira ao meio-dia. Em um movimento cl\u00e1ssico por parte das autoridades chinesas, o regulador n\u00e3o emitiu qualquer declara\u00e7\u00e3o sobre o assunto: n\u00e3o rejeitou o acordo, simplesmente deixou o prazo acabar, em um exemplo claro de como Pequim pode manobrar al\u00e9m da imposi\u00e7\u00e3o de tarifas.\u201d<\/p>\n<p>A Broadcom \u00e9 um dos maiores fabricantes de semicondutores, mas n\u00e3o tem o mesmo peso da Qualcomm na \u00e1rea de pesquisa. Sendo uma empresa nascida nos EUA, sua sede foi transferida para Cingapura e \u00e9 governado pelas leis daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>A aquisi\u00e7\u00e3o da Qualcomm pela Broadcom resultaria na terceira maior fabricante de chips do mundo, atr\u00e1s da Intel e da Samsung. Mas, uma empresa cuja jurisdi\u00e7\u00e3o n\u00e3o estaria sobre absoluto controle dos EUA.<\/p>\n<p>Ainda que o comprador n\u00e3o fosse da China, o Comit\u00ea de Investimentos Estrangeiros dos Estados Unidos (CIFUS) vetou a compra afirmando que daria \u201cespa\u00e7o a uma maior presen\u00e7a chinesa na tecnologia 5G&#8221;.<\/p>\n<p>Trump foi categ\u00f3rico, a Broadcom, deve abandonar todo plano de compra da Qualcomm \u201ce qualquer outra fus\u00e3o equivalente\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Algumas publica\u00e7\u00f5es sugerem que o fim das san\u00e7\u00f5es a ZTE est\u00e1 profundamente relacionado com fato de que dois ter\u00e7os das exporta\u00e7\u00f5es da Qualcomm se dirige a China. Em um artigo sugestivo, \u201cEUA n\u00e3o deter\u00e3o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico chin\u00eas\u201d James Kynge editor de mercados emergentes do FT, agrega que as pe\u00e7as fabricadas e vendidas por empresas norte-americanas na China totalizaram cerca de US$250 bilh\u00f5es no ano passado, quase duas vezes mais que os US$130 bilh\u00f5es em produtos importados dos EUA.<\/p>\n<p>Isso indicaria as limita\u00e7\u00f5es das tarifas como arma de guerra para deter o acesso das empresas chinesas \u00e0 tecnologia de ponta, por isso al\u00e9m das tarifas a utiliza\u00e7\u00e3o de outros mecanismos, como a proibi\u00e7\u00e3o de compras de empresas, boicote a compra de equipamentos, e&#8230; um ref\u00e9m.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/p>\n<p><strong>Poder de mercado e pre\u00e7os de monop\u00f3lios<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cA crescente riqueza e poder econ\u00f4micos das grandes empresas [&#8230;] t\u00eam gerado preocupa\u00e7\u00e3o sobre o excesso de concentra\u00e7\u00e3o e poder de mercado nas m\u00e3os de poucos. Em especial, nas economias avan\u00e7adas, o aumento do poder de mercado das corpora\u00e7\u00f5es tem sido apontado como o motivo para o baixo investimento apesar do aumento dos lucros das empresas, o decl\u00ednio do dinamismo dos neg\u00f3cios, a fraca produtividade e a queda da parcela da renda paga aos trabalhadores.\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><strong>[13]<\/strong><\/a> <\/em><\/p>\n<p>O paragrafo acima sobre o crescimento exponencial dos monop\u00f3lios n\u00e3o \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o do trabalho de L\u00eanin sobre o Imperialismo. \u00c9 um informe do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, que nos explica como os pre\u00e7os monop\u00f3licos geram superlucros.<\/p>\n<p>Para manterem-se no topo da cadeia produtiva, os monop\u00f3lios devem vincular a capacidade de inova\u00e7\u00e3o e pesquisa e cobrar rendas monop\u00f3licas derivadas da propriedade intelectual, assim como pre\u00e7os ditados artificialmente.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o menos importante \u00e9 a forma que assume a concorr\u00eancia: elimina\u00e7\u00e3o dos concorrentes por meio de estrangulamento tecnol\u00f3gico e financeiro<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> uma das chaves para manter os superlucros.<\/p>\n<p>\u00c9 o que a Uni\u00e3o Europeia e os Estados Unidos tentam resolver com o chamado problema chin\u00eas, vide o informe da C\u00e2mara de Comercio UE-China: <em>\u201cCom o apoio de enormes fundos de investimento respaldados pelos governos tanto em n\u00edvel central como provincial e local, China corre o risco de criar um <strong>excesso de capacidade que poderia reduzir as margens de lucro e o desenvolvimento tecnol\u00f3gico da ind\u00fastria global<\/strong>\u201d.<\/em> Quer dizer acabar com os pre\u00e7os monopolistas.<\/p>\n<p>O articulista que comenta o informe acrescenta: <em>\u201cUma chuva de milh\u00f5es de semicondutores chineses inundando o mercado como j\u00e1 ocorreu com os pain\u00e9is solares ou com as l\u00e2mpadas LED atropelaria os concorrentes de outros pa\u00edses.\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><strong>[15]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>No mesmo sentido o informe do Comit\u00ea de Com\u00e9rcio e Manufatura da Casa Branca afirma: <em>\u201cAs empresas chinesas tamb\u00e9m se beneficiam de pol\u00edticas preferenciais que levam ao excesso de capacidade subsidiada no mercado interno da China, o que <strong>deprime os pre\u00e7os mundiais e empurra os rivais estrangeiros para fora dos mercados mundiais<\/strong>.\u201d<\/em><a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><em><strong>[16]<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n<p>A quebra dos pre\u00e7os de monop\u00f3lio administrados artificialmente no caso dos pain\u00e9is solares e l\u00e2mpadas Leds pela perda de controle da tecnologia, integram a esfera da m\u00e9dia tecnologia.<\/p>\n<p>Mas a quebra dos pre\u00e7os dos Smartsphones de alta gama \u00e9 o resultado da entrada das empresas chinesas na produ\u00e7\u00e3o de chips, indicando a possibilidade de estas invadirem a nova rodada de superlucros vinculados a Intelig\u00eancia Artificial<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>, internet 5G, etc., significaria entrar em uma festa a qual n\u00e3o foram convidadas, restrita ao clube dos oligop\u00f3lios imperialistas. E os EUA n\u00e3o est\u00e3o dispostos a permitir.<\/p>\n<p><strong>E se houvesse uma conclus\u00e3o&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>A divis\u00e3o mundial do trabalho iniciada nas d\u00e9cadas de 80-90 conhecida como \u201cGlobaliza\u00e7\u00e3o\u201d foi assentada na incorpora\u00e7\u00e3o da China e sua gigantesca classe oper\u00e1ria no mercado mundial pela m\u00e3o dos EUA e suas multinacionais. A base deste per\u00edodo expansivo do capitalismo tamb\u00e9m ficou conhecida como <em>Chim\u00e9rica<\/em>. A crise aberta em 2007-2008 tudo indica que provocou uma crise na \u201cGlobaliza\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, uma crise da divis\u00e3o mundial do trabalho e do equil\u00edbrio do sistema de Estados na qual foi baseada cuja express\u00e3o mais alta \u00e9 a <em>Chim\u00e9rica<\/em>.<\/p>\n<p>No capitalismo a tecnologia n\u00e3o brota somente dos c\u00e9rebros humanos, ela \u00e9 um monop\u00f3lio das empresas encravadas nos Estados imperialistas, e pe\u00e7a essencial da divis\u00e3o mundial do trabalho \u2013 a fonte dos superlucros.<\/p>\n<p>Os EUA devem submeter completamente as pretens\u00f5es das empresas chinesas<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Erguer tarifas provavelmente n\u00e3o ser\u00e1 suficiente, na medida em que sem quebrar o poder financeiro do Estado, concentrado nos bancos estatais, a base para a alta taxa de investimento em pesquisa e um mercado interno que garante economia de escala dificilmente pode impedir a concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a raiz da profunda disputa que deve marcar os pr\u00f3ximos tempos da luta entre as classes e fra\u00e7\u00f5es de classe, tanto a escala dos pa\u00edses como entre os pa\u00edses. Neste marco a \u201cguerra comercial\u201d pode durar e (tamb\u00e9m agravar-se) porque o problema n\u00e3o \u00e9 o d\u00e9ficit comercial dos EUA.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Agrade\u00e7o a Marcos Margarido e Felipe Alegria pelas observa\u00e7\u00f5es criticas ao rascunho deste artigo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Sobre a fal\u00e1cia do d\u00e9ficit comercial norte-americano ver o texto de A. Shaikh. I. Weber. The U.S.-China Trade Balance and the Theory of Free Trade: Debunking the Currency Manipulation Argument<strong>. M<\/strong>ay 2018. Working Paper 05\/2018. Department of Economics.The New School for Social Research. O manifesto da \u201cGuerra comercial\u201d pode ser lido na representa\u00e7\u00e3o dos EUA contra China na OMC:<em> China\u2019s trade-disruptive economic model. <\/em><em>Comunication from the United States.<\/em> OMC General Council, 26-27 July 2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> As san\u00e7\u00f5es aplicadas implicam que a empresa encarregada de equipar o Ex\u00e9rcito Chin\u00eas n\u00e3o poder\u00e1 exportar para os Estados Unidos e as poss\u00edveis propriedades que tenha em territ\u00f3rio norte-americano e contas banc\u00e1rias assim como transa\u00e7\u00f5es financeiras podem ser embargadas. <em>Wall Street Journal<\/em>, 21\/09\/2018<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>Financial Times<\/em>(ESP,11\/07\/2018)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Valor.2018-08-08.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> China v America., p.11 The Economist, 20\/10\/2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> A ZTE tem uma cotiza\u00e7\u00e3o em bolsa de 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e 75 mil empregados. Al\u00e9m de Smartphones fabrica equipamentos de telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> <em>A guerra do chip<\/em>. The Economist.02\/12\/2018 (ESP). O artigo n\u00e3o diz os crit\u00e9rios os quais se utiliza para essa classifica\u00e7\u00e3o das empresas, e tampouco cita a fonte. Um dado aparentemente conflitante \u00e9 fornecido por James Kynge, editor de mercados emergentes do FT, em 24\/08 afirma que a empresa chinesa <em>HiSilicon<\/em> \u00e9 a \u201cs\u00e9tima maior empresa mundial em projetos de chips\u201d. Talvez, a classifica\u00e7\u00e3o desvincule o desenvolvimento tecnol\u00f3gico de sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Existem outras cifras vinculadas ao tema. Algumas publica\u00e7\u00f5es afirmam que o programa <em>Made in China 2025<\/em> tem como objetivo destinar US$150 bilh\u00f5es (2014) para o financiamento da ind\u00fastria de microchips. Quer dizer metade de todo o or\u00e7amento para o programa. FT, 23\/09\/2018. The Economist, 02\/12\/2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> FT,24\/08\/2018<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Em agosto deste ano Trump assinou a Lei Federal de Moderniza\u00e7\u00e3o da Analise de Risco do Investimento Externo (<em>Foreign Investment Risk Review Modernization Act<\/em> -FIRRMA)aprovada no congresso por Republicanos e Democratas. O investimento exterior e no interior dos EUA, passa a utilizar novos crit\u00e9rios dando um peso maior \u00e0s agencias de intelig\u00eancias nas aprova\u00e7\u00f5es das transa\u00e7\u00f5es. Desde ent\u00e3o os investimentos chineses nos EUA despencaram de US$46 bilh\u00f5es em 2016 para 2,1 bilh\u00f5es. Valor, 14\/08\/2018<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> A revista de tecnologia do <em>Massachusetts Institute of Technology <\/em>(MIT) ressalta o fato de que a ind\u00fastria de semicondutores chinesa est\u00e1 muito atr\u00e1s da estadunidense, em que pese ter conseguido avan\u00e7os importantes. Ao comentar o desenvolvimento de \u201cThinker\u201d, um chips vinculado a tecnologia da Intelig\u00eancia Artificial: \u201cThinker adapta seus requisitos a cada situa\u00e7\u00e3o, uma das caracter\u00edsticas chave para executar algoritmos de IA em qualquer dispositivo de consumo\u201d. <a href=\"https:\/\/www.technologyreview.es\/s\/9953\/cualquier-aparato-se-vuelve-inteligente-con-este-chip-hecho-en-china\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.technologyreview.es\/s\/9953\/cualquier-aparato-se-vuelve-inteligente-con-este-chip-hecho-en-china<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/pt\/News\/Articles\/2018\/06\/07\/blog-the-rise-of-corporate-giants\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.imf.org\/pt\/News\/Articles\/2018\/06\/07\/blog-the-rise-of-corporate-giants<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Pl\u00ednio de Arruda S. J\u00fanior. www.teoriaerevolucao.pstu.org.br\/crise-economica-mundial-tendencias-divisao-internacional-do-trabalho\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> <a href=\"https:\/\/elpais.com\/autor\/xavier_fontdegloria_fernandez\/a\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Xavier Fontdegl\u00f2ria<\/a>. EL PAIS, 21\/05\/2018<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> <em>How China\u2019s Economic Aggression Threatens the Technologies and Intellectual Property of the United States and the World<\/em>. White House Office of Trade and Manufacturing Policy,June 2018. No mesmo sentido a representa\u00e7\u00e3o dos EUA contra a China na OMC, explica o excesso de capacidade mundial em varios ramos industriais, e a queda dos pre\u00e7os de forma \u201cartificial\u201d pelos subsidios dos bancos estatais ao investimento. <em>China\u2019s trade-disruptive economic model. Comunication from the United States.<\/em> OMC General Council, 26-27 July 2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> https:\/\/www.technologyreview.es\/s\/9777\/la-nueva-carrera-de-los-chips-de-silicio-se-libra-en-el-cuadrilatero-de-la-inteligencia<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> As concess\u00f5es de Xi Jimping at\u00e9 agora foram cosm\u00e9ticas e n\u00e3o atinge as \u201cjoias da coroa\u201d: abriu m\u00e3o da exig\u00eancia das Joinventures para autom\u00f3veis a combust\u00e3o, mas manteve para os carros el\u00e9tricos; retirou todo imposto cobrado na remessa de lucros das multinacionais. Mas mantem intacto o financiamento do Estado para o desenvolvimento de alta tecnologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trump sobe um degrau em sua \u201cguerra comercial\u201d contra China[1]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":25446,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[365,3519],"tags":[6152,6644,6840,690,20,5915],"class_list":["post-25443","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-china","category-eua","tag-guerra-comercial","tag-guerra-comercial-eua-china","tag-meng-wanzhoum","tag-ricardo-ayala","tag-trump","tag-xi-jinping"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/trumpxi.jpg","categories_names":["China","Estados Unidos"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25443","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25443"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25443\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25446"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25443"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25443"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25443"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}