{"id":25319,"date":"2018-12-05T15:31:09","date_gmt":"2018-12-05T17:31:09","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25319"},"modified":"2018-12-05T15:31:09","modified_gmt":"2018-12-05T17:31:09","slug":"america-latina-e-o-imperialismo-o-fracasso-do-nacionalismo-burgues-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/12\/05\/america-latina-e-o-imperialismo-o-fracasso-do-nacionalismo-burgues-parte-1\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina e o imperialismo: o fracasso do nacionalismo burgu\u00eas (Parte 1)"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><em>Ao longo do dom\u00ednio imperialista semicolonial sobre a Am\u00e9rica Latina, surgiram movimentos nacionalistas burgueses em v\u00e1rios pa\u00edses que tentaram resistir. No entanto, por causa de suas profundas limita\u00e7\u00f5es de classe e programa, todos falharam nessa tentativa e acabaram, de diferentes maneiras, capitulando ao imperialismo<\/em>.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n<p>Esses movimentos nacionalistas burgueses s\u00e3o correntes pol\u00edticas impulsionadas por setores burgueses nos pa\u00edses coloniais e semicoloniais. Nos pa\u00edses coloniais, lutaram pela independ\u00eancia pol\u00edtica do pa\u00eds; e nos semicoloniais, tentaram resistir \u00e0 press\u00e3o imperialista e obter um maior espa\u00e7o pol\u00edtico e econ\u00f4mico [1].A grande maioria dos pa\u00edses latino-americanos j\u00e1 havia conquistado sua independ\u00eancia na primeira metade do s\u00e9culo XIX (com exce\u00e7\u00e3o de Cuba e Porto Rico), de modo que esses movimentos se enquadram no segundo tipo.<\/p>\n<p>Os exemplos mais not\u00e1veis, no passado, foram o Partido Revolucion\u00e1rio Institucional (PRI) do M\u00e9xico e o peronismo argentino. Mais recentemente, podemos caracterizar assim, todo o chavismo venezuelano.Suas origens s\u00e3o diferentes: o PRI \u00e9 o resultado da institucionaliza\u00e7\u00e3o burguesa da grande revolu\u00e7\u00e3o iniciada em 1910, que derrotou o regime de Porfirio Diaz [2]; o peronismo surgiu entre 1943 e 1946, no marco <em>das &#8220;rela\u00e7\u00f5es da burguesia argentina com o imperialismo brit\u00e2nico, j\u00e1 em retirada e o imperialismo ianque em plena ofensiva (&#8230;) Per\u00f3n capitalizou o sentimento anti-ianque de um importante setor da burguesia e o Ex\u00e9rcito que queriam resistir aos embates do imperialismo [ianque] com m\u00e9todos precisamente burgueses&#8221; <\/em>[3]. O chavismo \u00e9 um subproduto do Caracazo e foi impulsionado por um setor de segunda linha da oficialidade do Ex\u00e9rcito. [4]<\/p>\n<p><strong>A an\u00e1lise de Trotsky<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de sua origem diferente (e sua express\u00e3o na configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica espec\u00edfica de cada um), esses movimentos tinham caracter\u00edsticas comuns. Os principais foram estudados por Trotsky durante seu ex\u00edlio no M\u00e9xico, na d\u00e9cada de 1930, referindo-se ao governo do general L\u00e1zaro C\u00e1rdenas, e expressos em v\u00e1rios artigos [5].Nesses escritos, Trotsky diz que, uma vez no poder, esses movimentos <em>&#8220;aproveitam para defender-se os antagonismos entre pa\u00edses e grupos de pa\u00edses imperialistas&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Foi o caso do cardenismo e do peronismo e a disputa entre os Estados Unidos e a Inglaterra. Uma vez atenuados esses antagonismos, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e o imperialismo estadunidense imp\u00f4s sua hegemonia mundialmente, tamb\u00e9m aproveitaram as contradi\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses imperialistas, por um lado, e o bloco da URSS e os Estados oper\u00e1rios, por outro, para tentar criar seu pr\u00f3prio espa\u00e7o.Outras caracter\u00edsticas centrais s\u00e3o que tomaram certas medidas anti-imperialistas de algum peso e impulsionaram a partir do Estado, alguns ramos da produ\u00e7\u00e3o, mas nunca excederam os limites do sistema capitalista ou do estado burgu\u00eas.<\/p>\n<p>C\u00e1rdenas nacionalizou o petr\u00f3leo em 1938; Per\u00f3n estatizou as ferrovias, a maior parte da produ\u00e7\u00e3o de eletricidade e telecomunica\u00e7\u00f5es (a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo j\u00e1 era estatal desde 1922). Trotsky chamou esse processo de &#8220;capitalismo de estado&#8221; e considerava progressivas algumas dessas a\u00e7\u00f5es. Sobre a nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo mexicano, ele escreveu que essa medida era &#8220;<em>o \u00fanico meio efetivo de salvaguardar a independ\u00eancia nacional e as condi\u00e7\u00f5es mais b\u00e1sicas da democracia (&#8230;) <\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 socialista nem comunista: \u00e9 uma medida de defesa nacional altamente progressista&#8221;.<\/em>Mas, ao n\u00e3o ultrapassarem os limites do capitalismo nacionalmente e n\u00e3o avan\u00e7arem para um combate geral contra o imperialismo (exceto por uma proposta muito ret\u00f3rica da &#8220;unidade latino-americana&#8221;), deixaram intactas, em grande medida, as bases econ\u00f4mico-sociais que o imperialismo e os setores burgueses nacionais aliados a ele usariam para contra-atacar. Per\u00f3n, por exemplo, n\u00e3o tocou em nenhum hectare dos riqu\u00edssimos latifundi\u00e1rios agropecu\u00e1rios e \u00a0promoveu o desenvolvimento de uma forte burguesia industrial que, ao final, aliou-se ao imperialismo estadunidense para derrub\u00e1-lo, em 1955.<\/p>\n<p><strong>Os regimes bonapartistas <em>sui generis<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Como forma de contrabalan\u00e7ar a press\u00e3o do imperialismo e dos setores burgueses nacionais aliados a ele, esses movimentos se apoiavam no movimento de massas, ao qual deram importantes concess\u00f5es. Mas essa mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e das massas representava um grande perigo, porque poderia transbordar e tentar avan\u00e7ar al\u00e9m das inten\u00e7\u00f5es da lideran\u00e7a nacionalista burguesa. Como Trotsky apontou, essa profunda contradi\u00e7\u00e3o surgiu do fato de que as condi\u00e7\u00f5es particulares do desenvolvimento capitalista dos pa\u00edses atrasados \u200b\u200b(com grande peso do capital imperialista) determinava <em>&#8220;uma fraqueza relativa da burguesia nacional em rela\u00e7\u00e3o ao proletariado&#8221;<\/em>. Por essa raz\u00e3o, exerceram o controle burocr\u00e1tico e totalit\u00e1rio sobre os trabalhadores e as massas (tanto no terreno pol\u00edtico quanto no sindical) para impedir sua mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o independentes.<\/p>\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o muito espec\u00edfica de elementos (press\u00e3o do imperialismo, resist\u00eancia parcial de setores da burguesia nacional, necessidade de apoiar-se nas massas e, ao mesmo tempo, control\u00e1-las ferozmente) deu origem a um novo tipo de regime burgu\u00eas que Trotsky chamou de &#8220;bonapartismo sui generis&#8221;. Trotsky usa a categoriza\u00e7\u00e3o sui generis para diferenciar esses regimes de pa\u00edses atrasados \u200b\u200bdos bonapartismos dos pa\u00edses imperialistas. Ao mesmo tempo, ele distingue duas variantes do bonapartismo em pa\u00edses atrasados: um \u00e9 o que estamos analisando (e que hoje \u00e9 chamado de &#8220;populista&#8221; ou &#8220;de esquerda&#8221;); a outra s\u00e3o as ditaduras pr\u00f3-imperialistas cl\u00e1ssicas. Sobre a primeira, ele escreve: <em>&#8220;Oscilam entre o capitalismo estrangeiro e o nacional, entre a burguesia nacional relativamente fraca e o proletariado relativamente poderoso&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 por isso que s\u00e3o regimes altamente contradit\u00f3rios: t\u00eam elementos progressivos na medida em que resistem ao imperialismo e outorgam concess\u00f5es e, ao mesmo tempo, s\u00e3o essencialmente reacion\u00e1rios porque defendem o capitalismo e o Estado burgu\u00eas e impedem o desenvolvimento da mobiliza\u00e7\u00e3o de massas com o seu controle totalit\u00e1rio. Por isso que, mesmo nos momentos de auge, reprimiram as lutas oper\u00e1rias e dirigentes oper\u00e1rios que escapavam ao seu controle e come\u00e7avam a ceder \u00e0s press\u00f5es imperialistas [6].<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>O surgimento de novos setores burgueses<\/strong><\/p>\n<p>Com base no controle do Estado burgu\u00eas, com esses regimes com forte interven\u00e7\u00e3o na economia, emergem novas burguesias nacionais ou se desenvolvem setores fr\u00e1geis preexistentes, a partir de parasitar e usufruir &#8220;seu&#8221; Estado. Algumas dessas acumula\u00e7\u00f5es capitalistas s\u00e3o muito grandes.<\/p>\n<p>No caso dos governos de Juan Per\u00f3n na Argentina (1946-1955), surge um setor chamado &#8220;<em>burguesia cupera<\/em>&#8221; porque se enriquecia pela concess\u00e3o de cotas de importa\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas e insumos (como o a\u00e7o) outorgadas pelo governo, a pre\u00e7os subsidiados, e sua posterior revenda no mercado a pre\u00e7os muito mais elevados. Juan Duarte, cunhado de Per\u00f3n, foi um expoente desta burguesia parasita. Outros burgueses aproveitaram esses ganhos para fortalecer e capitalizar empresas j\u00e1 existentes. Foi o caso da fam\u00edlia Di Tella, que, como j\u00e1 mencionamos, se tornou dona do principal conglomerado industrial da Am\u00e9rica Latina naquela d\u00e9cada (fabricava autom\u00f3veis, refrigeradores, m\u00e1quinas eletromec\u00e2nicas, tubos etc.).<\/p>\n<p>Outro exemplo posterior foi o da &#8220;boliburgues\u00eda&#8221; (&#8220;burguesia bolivariana&#8221;) que surgiu com o chavismo venezuelano a partir de 1999. Um de seus maiores expoentes \u00e9 Diosdado Cabello, oficial militar aposentado e alto l\u00edder do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Suas propriedades incluem bancos, v\u00e1rias ind\u00fastrias e participa\u00e7\u00e3o como acionista em empresas de servi\u00e7os. \u00c9 considerado o segundo conglomerado financeiro nacional, somente atr\u00e1s do tradicional grupo Polar-Mendoza [7].<\/p>\n<p><strong>Uma mudan\u00e7a profunda<\/strong><\/p>\n<p>Como resultado do fim do &#8220;boom econ\u00f4mico do p\u00f3s-guerra&#8221; [8] e da profunda crise da economia mundial que derivou, na d\u00e9cada seguinte come\u00e7aram ocorrer mudan\u00e7as importantes no contexto econ\u00f4mico e pol\u00edtico mundial.<\/p>\n<p>Para enfrentar esta crise, o imperialismo promoveu uma modifica\u00e7\u00e3o profunda do modelo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista em vigor durante o <em>boom<\/em> (baseado em uma pol\u00edtica keynesiana) [9]. Foi uma ofensiva recolonizadora, de privatiza\u00e7\u00f5es de empresas estatais, &#8220;aberturas&#8221; e &#8220;liberaliza\u00e7\u00f5es&#8221; de economias nacionais semifechadas, ataques \u00e0s conquistas oper\u00e1rias, constru\u00e7\u00e3o de cadeias mundiais de acumula\u00e7\u00e3o de valor, aumento da financeiriza\u00e7\u00e3o da economia, etc. Em outras palavras se reduziram muit\u00edssimo as margens pol\u00edticas e econ\u00f4micas para as experi\u00eancias nacionalistas burguesas.<\/p>\n<p>Isso explica a evolu\u00e7\u00e3o de muitos desses movimentos: alguns desapareceram, como o APRA peruano, enquanto a maioria se adaptou como um partido &#8220;normal&#8221; dos regimes democr\u00e1ticos burgueses e acabou aplicando as mesmas pol\u00edticas em favor do imperialismo que anteriormente criticavam. Foi o caso, por exemplo, dos governos peronistas de Carlos Menem na Argentina (1989-1999) e os de V\u00edctor Paz Estenssoro (1985-1989) e Gonzalo S\u00e1nchez de Lozada (1993-1997) do MNR boliviano. Embora com diferen\u00e7as no regime pol\u00edtico dominante no pa\u00eds, tamb\u00e9m foi o caso dos diferentes governos do PRI mexicano desde os anos 80.<\/p>\n<p><strong>O &#8220;grande garrote&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Durante grande parte do s\u00e9culo XX, a pol\u00edtica do imperialismo estadunidense em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica Latina foi a do big stick (o \u201cgrande garrote\u201d) formulada pelo Presidente Theodore Roosevelt em 1901. Ou seja, o &#8220;direito&#8221; imperialista de intervir militarmente em outros pa\u00edses e\/ou apoiar golpes de Estado para defender ou impor seus interesses. A lista \u00e9 muito longa e come\u00e7a no in\u00edcio do s\u00e9culo, com numerosas invas\u00f5es dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e do Caribe.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica agressiva foi aplicada especialmente contra governos e regimes que tinham fric\u00e7\u00f5es e resistiam (mesmo parcialmente) \u00e0 domina\u00e7\u00e3o imperialista. Por outro lado, acentuou-se ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, no quadro da doutrina da &#8220;luta contra o comunismo&#8221;. H\u00e1 o exemplo dos golpes contra os governos de Jacobo Arbenz, na Guatemala (1954); de Juan Per\u00f3n, na Argentina (1955); de Jo\u00e3o Goulart, no Brasil (1964); Salvador Allende, no Chile (1973), etc. Eles eram a express\u00e3o na Am\u00e9rica Latina de uma pol\u00edtica mundial, como mostra o golpe sangrento organizado pela CIA contra Sukarno, na Indon\u00e9sia (1964) ou a escalada da interven\u00e7\u00e3o na Guerra do Vietn\u00e3, a partir de 1964.<\/p>\n<p>No caso do Vietn\u00e3, realizou um esfor\u00e7o militar muito forte e usou m\u00e9todos de grande crueldade: assassinar todos os habitantes de uma aldeia ou queimar com napalm (f\u00f3sforo l\u00edquido) os campos de cultivo e os que neles estavam. Mas nada disso impediu a pesada derrota, que j\u00e1 no final de 1973 era irrevers\u00edvel. Uma derrota que ficou simbolizada nas imagens do voo apressado dos helic\u00f3pteros estadunidenses (que levavam oficiais e funcion\u00e1rios), e no desespero de seus agentes do Vietn\u00e3 do Sul (que n\u00e3o foram contemplados na evacua\u00e7\u00e3o) e se penduravam nos helic\u00f3pteros para tentar fugir. Foi a primeira derrota militar do imperialismo estadunidense e teve um impacto muito grande na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as da luta de classes no mundo, pois corroeu a capacidade de a\u00e7\u00e3o do polo imperialista.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>A rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>A derrota no Vietn\u00e3 limitou a capacidade de interven\u00e7\u00e3o militar direta do imperialismo dos Estados Unidos (e do imperialismo em geral). A chamada &#8220;s\u00edndrome do Vietn\u00e3&#8221; era a dificuldade do imperialismo em intervir militarmente no mundo (como aconteceu permanentemente no passado) por causa do medo de que essa interven\u00e7\u00e3o resultasse em uma guerra longa e custosa como no Vietn\u00e3. Embora com algum atraso, esse medo tamb\u00e9m se estendeu \u00e0 pol\u00edtica de promover golpes que derivavam em ditaduras militares aut\u00f3ctones [10].<\/p>\n<p>A partir de 1976, o novo presidente James &#8220;Jimmy&#8221; Carter foi quem come\u00e7ou a aplicar a pol\u00edtica de &#8220;rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica&#8221;, elaborada por seu assessor de Seguran\u00e7a, Zbigniew Brzezinski. Ele era muito consciente das condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis \u200b\u200bdo mundo e que, portanto, o aspecto militar tinha que ficar em segundo plano e se colocar a servi\u00e7o de uma nova t\u00e1tica central. De acordo com sua vis\u00e3o: <em>&#8220;Ganhar n\u00e3o significa mais a capacidade de derrotar um advers\u00e1rio militarmente &#8230; Mas \u00e9 a capacidade de prevalecer contra esse advers\u00e1rio em uma luta paciente de longo prazo&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significava que o imperialismo tivesse se tornado &#8220;pacifista&#8221; ou &#8220;humanit\u00e1rio&#8221;, mas que a situa\u00e7\u00e3o o obrigava a limitar sua a\u00e7\u00e3o militar e a usar outros mecanismos t\u00e1ticos (pactos, negocia\u00e7\u00f5es, elei\u00e7\u00f5es burguesas) que permitissem frear e desviar os processos revolucion\u00e1rios e avan\u00e7ar em seus objetivos mais estrat\u00e9gicos. Usando a imagem daquele animal de carga que pode avan\u00e7ar atrav\u00e9s de golpes ou de uma cenoura pendurada em sua frente, o uso do &#8220;garrote&#8221; foi limitado e foi posto a servi\u00e7o da &#8220;cenoura&#8221;. Para isso, ele teve a colabora\u00e7\u00e3o do aparato stalinista e sua pol\u00edtica (a &#8220;coexist\u00eancia pac\u00edfica&#8221;) e as lideran\u00e7as trai\u00e7oeiras.<\/p>\n<p>\u00c9 importante notar que a situa\u00e7\u00e3o aberta ao imperialismo com a derrota no Vietn\u00e3 foi aprofundada pelas revolu\u00e7\u00f5es que em 1979 \u00a0que derrubaram o X\u00e1 do Ir\u00e3 e Anast\u00e1cio Somoza, na Nicar\u00e1gua. Esta \u00faltima abriu um processo revolucion\u00e1rio na Am\u00e9rica Central como um todo &#8211; considerado pelo imperialismo ianque como seu &#8220;quintal&#8221; &#8211; onde a pol\u00edtica de rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica seria muito \u00fatil, como foi demonstrado nos acordos de Contadora, Esquipulas e Chapultepec. Tamb\u00e9m para evitar que a luta contra as ditaduras do continente (desenvolvida nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980) se transformasse em um processo de revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica triunfante (uma pol\u00edtica que teve sucesso no Chile, com a sa\u00edda da ditadura de Pinochet na d\u00e9cada 1980). Se n\u00e3o podia evitar esse triunfo da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, como aconteceu com a queda da ditadura argentina em 1982, servia para impedir que se aprofundasse a revolu\u00e7\u00e3o [11].<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>[1] Ver artigo \u201cPasado y Presente del Nacionalismo Burgu\u00e9s\u201d en revista\u00a0<em>Marxismo Vivo<\/em>\u00a0n.\u00b0 10, San Pablo, Brasil (2004).<\/p>\n<p>[2] Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre este processo, ver:\u00a0<u><a href=\"https:\/\/lahistoriamexicana.mx\/siglo-xx\/revolucion-mexicana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/lahistoriamexicana.mx\/siglo-xx\/revolucion-mexicana<\/a><\/u><\/p>\n<p>[3] GONZ\u00c1LEZ, Ernesto;\u00a0<em>\u00bfQu\u00e9 es y qu\u00e9 fue el peronismo?<\/em>\u00a0Buenos Aires, Argentina: Ediciones Pluma (1973).<\/p>\n<p>[4] Para uma an\u00e1lise global do chavismo e do processo que lhe deu origem, ver el libro\u00a0<em>Venezuela despu\u00e9s de Ch\u00e1vez: un balance necesario.\u00a0<\/em>San Pablo, Brasil: Ediciones Marxismo Vivo (2013).<\/p>\n<p>[5] TROTSKY, Le\u00f3n.\u00a0<em>Escritos Latinoamericanos<\/em>. Buenos Aires, Argentina: CEIP (1999).<\/p>\n<p>[6] Ver artigo \u201cPasado y Presente del Nacionalismo Burgu\u00e9s\u201d, j\u00e1 citado.<\/p>\n<p>[7] Ver artigo \u201cLa boliburgues\u00eda: un nuevo sector burgu\u00e9s\u201d, en:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/mundo\/latinoamerica\/venezuela\/la-boliburguesia-un-nuevo-sector-burgues\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/mundo\/latinoamerica\/venezuela\/la-boliburguesia-un-nuevo-sector-burgues\/<\/a><\/p>\n<p>[8] y [9] Para uma an\u00e1lise mais detalhada do\u00a0<em>boom<\/em>\u00a0econ\u00f4mico do posguerra e da pol\u00edtica econ\u00f4mica keynesiana, ver o cap\u00edtulo V do livro\u00a0<em>O sistema financeiro e a crise econ\u00f4mica mundial<\/em>. Iturbe, Alejandro. San Pablo, Brasil: Editora Sundermann (2009).<\/p>\n<p>[10] Ver:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/lit-ci-y-partidos\/publicaciones\/correo-internacional\/la-reaccion-democratica-del-sindrome-de-vietnam-al-sindrome-de-irak\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/lit-ci-y-partidos\/publicaciones\/correo-internacional\/la-reaccion-democratica-del-sindrome-de-vietnam-al-sindrome-de-irak\/<\/a><\/p>\n<p>[11] \u00cddem.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Nea Vieira<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Ao longo do dom\u00ednio imperialista semicolonial sobre a Am\u00e9rica Latina, surgiram movimentos nacionalistas burgueses em v\u00e1rios pa\u00edses que tentaram resistir. No entanto, por causa de suas profundas limita\u00e7\u00f5es de classe e programa, todos falharam nessa tentativa e acabaram, de diferentes maneiras, capitulando ao imperialismo.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":25320,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[5620],"tags":[1551,6737,6799],"class_list":["post-25319","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-latina","tag-alejandro-iturbe","tag-america-latina-e-imperialismo","tag-nacionalismo-burgues"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/expropiacion-petrolera-scaled.jpg","categories_names":["Am\u00e9rica Latina"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25319","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25319"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25319\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25320"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25319"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25319"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}