{"id":25278,"date":"2018-12-03T08:57:25","date_gmt":"2018-12-03T10:57:25","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25278"},"modified":"2018-12-03T08:57:25","modified_gmt":"2018-12-03T10:57:25","slug":"america-latina-o-avanco-da-dominacao-imperialista-parte-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/12\/03\/america-latina-o-avanco-da-dominacao-imperialista-parte-3\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina: o avan\u00e7o da domina\u00e7\u00e3o imperialista (Parte 3)"},"content":{"rendered":"<p><em>Nesta terceira parte do artigo, analisaremos outros aspectos da domina\u00e7\u00e3o imperialista na Am\u00e9rica Latina: o controle dos mercados financeiros e as consequ\u00eancias pol\u00edticas, como a presen\u00e7a militar direta e a ren\u00fancia \u00e0 soberania jur\u00eddica.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n<p>J\u00e1 nos referimos ao significado da d\u00edvida externa\/p\u00fablica, do seu refinanciamento e de suas novas emiss\u00f5es. No entanto, o controle do sistema financeiro-banc\u00e1rio dos pa\u00edses tamb\u00e9m \u00e9 exercido \u201cde dentro\u201d. Um controle que excede o n\u00famero de institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias estrangeiras (cuja propor\u00e7\u00e3o sobre o total de bancos aumentou) e at\u00e9 mesmo o volume de dep\u00f3sitos ou cr\u00e9ditos internos que administram. De conte\u00fado, os sistemas banc\u00e1rios dos pa\u00edses latino-americanos s\u00e3o controlados pelo capital financeiro imperialista, \u00e0s vezes muito nitidamente, e outras n\u00e3o t\u00e3o evidentes.<\/p>\n<p>Na Argentina, por exemplo, houve uma redu\u00e7\u00e3o acentuada no n\u00famero de bancos, que passou de 167 entidades em 1991 para 66 em 2010. Em 1997, os bancos p\u00fablicos totalizavam 35 (entre federais, estaduais e municipais), em 2010 havia apenas 10. Os outros foram privatizados ou fechados. Os bancos privados com capital nacional foram reduzidos de 104 para 33. Os bancos estrangeiros passaram de 31 para 21, principalmente devido a fus\u00f5es entre eles, ao mesmo tempo em que adquiriram v\u00e1rios bancos nacionais. Ou seja, passaram de 18.6% das entidades banc\u00e1rias para 32% delas [1].<\/p>\n<p>Mas, como j\u00e1 dissemos a quest\u00e3o central n\u00e3o \u00e9 o n\u00famero de institui\u00e7\u00f5es, mas <em>\u201co papel cada vez mais importante que desempenham na din\u00e2mica do mercado financeiro argentino e o papel negativo que exercem em tempos de crise financeira, como ocorreu em 2001-2002\u201d<\/em> [2] quando houve fuga de d\u00f3lares do pa\u00eds, que tinham sido depositados pelos seus clientes e eles restitu\u00edram menos de 1\/3 desses d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Um papel que vem crescendo com sua posi\u00e7\u00e3o de intermedi\u00e1rio para a venda dos t\u00edtulos da d\u00edvida externa emitidos pelo governo de Mauricio Macri desde 2015 (denominado LEBAC). Para completar o quadro, o FMI instalou um escrit\u00f3rio no pr\u00f3prio Banco Central para monitorar o acordo assinado com o governo e controlar sua pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>No Brasil, a presen\u00e7a dos bancos estrangeiros n\u00e3o aparece t\u00e3o exposta, exceto pela grande expans\u00e3o do Santander ap\u00f3s comprar o antigo Banespa (Banco do Estado de S\u00e3o Paulo). Contudo, seu peso no mercado financeiro nacional \u00e9 enorme. Durante os dois governos de Lula (2002-2010), o presidente do Banco Central foi Henrique Meirelles, com uma longa carreira nos bancos internacionais: foi presidente regional do Bank of Boston e membro do Conselho do Lloyd brit\u00e2nico. A sucessora de Lula, Dilma Rousseff, nomeou Joaquim Levi como ministro da Fazenda, economista formado na Universidade de Chicago e ex-colaborador do FMI e do Banco Central Europeu. Meirelles retornou ap\u00f3s os primeiros planos e foi at\u00e9 recentemente ministro de Finan\u00e7as do governo de Michel Temer.<\/p>\n<p>Se as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es fossem ganhas pelo ultradireitista Jair Bolsonaro, nada mudaria: seu principal ide\u00f3logo econ\u00f4mico \u00e9 o banqueiro Paulo Guedes (Banco Pactual), que j\u00e1 anunciou que a equipe econ\u00f4mico-financeira de um governo Bolsonaro seria Alexandre Bettamio, atual presidente executivo para Am\u00e9rica Latina do Bank of America e um representante do mais alto n\u00edvel do Banco Santander no pa\u00eds [3].<\/p>\n<p>Al\u00e9m desse dom\u00ednio dos cargos de governo, existe outro mecanismo do mercado financeiro e sua din\u00e2mica: a licita\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica. Um seleto grupo de bancos e empresas nacionais e estrangeiras s\u00e3o \u201cescolhidos\u201d pelo Banco Central para participar dos \u201cleil\u00f5es\u201d e comprar os t\u00edtulos: Banco do Brasil, Bank of America, Merry Lynch, Banco M\u00faltiplo AS, Bradesco, Banco Pactual, Credit Suisse, Santander, Caixa Econ\u00f4mica Federal, Goldman Sachs, Ita\u00fa, Renascen\u00e7a DTVM, Tuller Pebron Brasil, Corret Valores Cambio, XP Investimentos (adquirido pelo Ita\u00fa).<\/p>\n<p>Na compra desses t\u00edtulos, o Banco Central compromete-se a pagar uma taxa de juros superior \u00e0 chamada \u201ctaxa Selic\u201d (taxa de refer\u00eancia, hoje em 6,5%). Depois, vendem esses t\u00edtulos a outros bancos e especuladores pagando a taxa Selic. S\u00f3 por essa \u201ctroca de m\u00e3o\u201d, os membros do \u201cclube dos 15\u201d embolsam a diferen\u00e7a entre as taxas de juros, que depois reemprestam no mercado varejista com taxas muito mais altas. Um neg\u00f3cio redondo com altos lucros garantidos, sem qualquer risco [4].<\/p>\n<p>No caso do M\u00e9xico, desde a d\u00e9cada de 1990 existe um processo de estrangeiriza\u00e7\u00e3o dos bancos. Houve um crescimento e expans\u00e3o atrav\u00e9s de compra de institui\u00e7\u00f5es nacionais privadas do BBVA, do Citigroup, do Santander, do \u00a0HSBC e do Scotiabank [5]. Em uma confer\u00eancia realizada h\u00e1 alguns anos, Claudia Achatan, diretora do escrit\u00f3rio regional da CEPAL (Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e Caribe, que atua no \u00e2mbito da ONU), citou um estudo da OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4micos) que indica que as filiais que os bancos estrangeiros t\u00eam no M\u00e9xico s\u00e3o as que apresentam maiores taxas de lucro reportadas \u00e0s suas matrizes, dentre todas as filiais que possuem no mundo [6].<\/p>\n<p>O caso de M\u00e9xico \u00e9, de certo modo, mais profundo que o da Argentina ou do Brasil: o Banco do M\u00e9xico (que re\u00fane as fun\u00e7\u00f5es de banco emissor e \u00a0de controle monet\u00e1rio com a institui\u00e7\u00e3o estatal comercial e de cr\u00e9dito) tem \u201cautonomia\u201d, desde 1994. Isto significa <em>que \u201co Banco n\u00e3o pode ser obrigado a emprestar dinheiro ao Governo, no qual opera com independ\u00eancia or\u00e7amental e de gest\u00e3o e em que ele mesmo determina as suas pol\u00edticas e instrumentos para atingir o seu objetivo priorit\u00e1rio de manuten\u00e7\u00e3o da estabilidade de pre\u00e7os, bem como desempenhar suas outras fun\u00e7\u00f5es\u201d<\/em> [7].<\/p>\n<p>O imperialismo procura impor esse tipo de funcionamento \u201caut\u00f4nomo\u201d dos bancos centrais dos pa\u00edses latino-americanos porque lhe permite eliminar \u201cintermedi\u00e1rios\u201d (governos e parlamentos) para implementar suas pol\u00edticas. Basta dizer que o atual presidente do Banco do M\u00e9xico (nomeado por Enrique Pe\u00f1a Nieto em 2017) \u00e9 Alejandro D\u00edaz de Le\u00f3n Carrillo, formado com um mestrado em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e Privada na Escola de Administra\u00e7\u00e3o da Universidade de Yale (integrante da elite universit\u00e1ria do imperialismo norte-americano). Antes, ele havia sido Diretor Geral do Bancomext (Banco Mexicano de Com\u00e9rcio Exterior, estatal) encarregado de implementar os acordos do NAFTA. L\u00f3pez Obrador j\u00e1 anunciou que n\u00e3o modificar\u00e1 nada desta realidade: <em>\u201cEm mat\u00e9ria econ\u00f4mica, a autonomia do Banco de M\u00e9xico ser\u00e1 respeitada; o novo presidente manter\u00e1 disciplina financeira e fiscal; os compromissos contra\u00eddos com empresas e bancos nacionais e estrangeiros ser\u00e3o reconhecidos.\u201d [<\/em>8].<\/p>\n<p>Em alguns pa\u00edses, as coisas est\u00e3o ainda mais avan\u00e7adas, porque adotaram diretamente como moeda o d\u00f3lar: El Salvador, Panam\u00e1 e Equador. J\u00e1 \u00e9 um elemento de tipo colonial, porque esses pa\u00edses renunciaram completamente a qualquer soberania financeira ou pol\u00edtica monet\u00e1ria pr\u00f3pria (mesmo que seja muito limitada, como naqueles que preservam sua pr\u00f3pria moeda).<\/p>\n<p><strong>Ren\u00fancia \u00e0 soberania jur\u00eddica<\/strong><\/p>\n<p>A soberania jur\u00eddica \u00e9 o poder de um Estado para ter seu pr\u00f3prio sistema judicial regido por sua pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o e para resolver dentro desse contexto institucional os processos que se originam em eventos que ocorrerem em seu territ\u00f3rio. Uma col\u00f4nia n\u00e3o tem soberania judicial porque os dois elementos do sistema (tribunais e legisla\u00e7\u00e3o) s\u00e3o determinados pela metr\u00f3pole.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, os pa\u00edses latino-americanos renunciaram permanentemente \u00e0 sua soberania jur\u00eddica, em v\u00e1rios casos. Ou seja, as diferen\u00e7as ou processos que surgem s\u00e3o resolvidas em tribunais estrangeiros, especialmente em Nova York, porque existem cl\u00e1usulas espec\u00edficas sobre esse ponto.<\/p>\n<p>O primeiro caso \u00e9 o dos t\u00edtulos da d\u00edvida externa. Vejamos um exemplo: em 2004, o governo argentino de N\u00e9stor Kirchner negociou com a maioria dos credores uma redu\u00e7\u00e3o do valor nominal dos t\u00edtulos [9]. Um pequeno setor, os chamados \u201cfundos abutres\u201d (que representava 1% do total da d\u00edvida nominal), recusaram-se a entrar nesse acordo: tinham comprado seus t\u00edtulos no mercado (a um pre\u00e7o muito menor que o nominal) e queriam obter um lucro especulativo maior. Portanto, eles utilizaram a cl\u00e1usula espec\u00edfica e recorreram aos tribunais de Nova York para exigir um pagamento maior. Finalmente, ap\u00f3s um longo processo, o juiz Thomas Griesa decidiu em favor dos \u201cabutres\u201d [10]. Essa decis\u00e3o custou \u00e0 Argentina 5.4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares [11].<\/p>\n<p>As mesmas condi\u00e7\u00f5es aplicam-se no caso de muitas privatiza\u00e7\u00f5es de empresas estatais que passam para as m\u00e3os de empresas imperialistas: <em>\u201cPor exemplo, todas as privatiza\u00e7\u00f5es incluem cl\u00e1usulas de cess\u00e3o de soberania jur\u00eddica; ou seja, os lit\u00edgios envolvendo empresas privatizadas, mesmo com o pr\u00f3prio Estado nacional, s\u00e3o resolvidos nos tribunais de Nova York\u201d<\/em> [12]. Finalmente, todos os tratados de livre com\u00e9rcio nos quais o imperialismo norte-americano participa cont\u00eam cl\u00e1usulas similares. \u00c9 o caso do NAFTA (agora mantido no novo tratado com M\u00e9xico) e do CAFTA-RD [13].<\/p>\n<p><strong>A presen\u00e7a militar norte-americana<\/strong><\/p>\n<p>Outro aspecto muito importante desse processo que estamos analisando \u00e9 a crescente presen\u00e7a permanente de tropas norte-americanas na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>No processo de constitui\u00e7\u00e3o da OEA (Organiza\u00e7\u00e3o de Estados Americanos) foi assinado o TIAR (Tratado Interamericano de Assist\u00eancia Rec\u00edproca) no Rio de Janeiro (1947), que propunha uma a\u00e7\u00e3o militar comum e solid\u00e1ria dos pa\u00edses americanos contra \u201cagress\u00f5es externas\u201d. O tratado foi frequentemente invocado pelos EUA durante a \u201cguerra fria\u201d e a \u201cluta contra o comunismo\u201d. Por exemplo, Cuba foi exclu\u00edda ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de 1959. De fato, este Tratado eclodiu em 1982, durante a guerra de Malvinas entre Argentina e Gr\u00e3-Bretanha, j\u00e1 que o governo argentino exigiu sua aplica\u00e7\u00e3o, mas o governo de Ronald Reagan recusou este pedido argumentando que Argentina era o agressor e deu seu apoio a Gr\u00e3-Bretanha. Nesse momento apareceu por completo o car\u00e1ter do TIAR: s\u00f3 poderia ser aplicado se estivesse a servi\u00e7o do imperialismo.<\/p>\n<p>Paralelamente ao TIAR e ap\u00f3s a sua eclos\u00e3o, os EUA foi construindo uma rede de bases militares na Am\u00e9rica Latina. Atualmente, o pa\u00eds do norte possui bases militares permanentes nos seguintes pa\u00edses da regi\u00e3o (por ordem alfab\u00e9tica): Col\u00f4mbia, Equador, El Salvador, Honduras, M\u00e9xico, Panam\u00e1, Paraguai e Peru [14]. A eles, devemos acrescentar a de Guant\u00e1namo (Cuba) e a de Porto Rico (pa\u00eds que tem o status de \u201cEstado Associado Livre\u201d com os EUA). E tamb\u00e9m existe uma base militar brit\u00e2nica nas Ilhas Malvinas (usurpadas da Argentina).<\/p>\n<p>Mas a presen\u00e7a militar n\u00e3o se limita \u00e0s bases. Tamb\u00e9m se expressa nas opera\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas de \u201ctreinamento\u201d que s\u00e3o realizadas em diferentes pa\u00edses, sejam bilaterais ou m\u00faltiplos, com tropas de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es; no patrulhamento conjunto da costa centro-americana; nas opera\u00e7\u00f5es com a DEA norte-americana, camuflada como \u201cluta contra o narcotr\u00e1fico\u201d, etc. Tanto as bases permanentes como estas opera\u00e7\u00f5es s\u00e3o supervisionadas pelo Comando Sul, uma divis\u00e3o do Pent\u00e1gono (sede do Departamento de Defesa dos EUA). Devemos incluir tamb\u00e9m a assessoria permanente e a venda de tecnologia repressiva que de modo crescente realizam o Estado e as empresas israelenses aos governos latino-americanos.<\/p>\n<p>Esta presen\u00e7a militar est\u00e1 crescendo. Por exemplo, a Argentina n\u00e3o possui bases militares norte-americanos de car\u00e1ter permanente, mas nos \u00faltimos meses, o governo de Mauricio Macri solicitou a presen\u00e7a de oficiais e tropas desse pa\u00eds <em>\u201cpara instruir soldados, policiais e agentes de pol\u00edcia\u201d <\/em>[15]. Um pequeno contingente dessas tropas foi instalado na regi\u00e3o da Patag\u00f4nia. Essa situa\u00e7\u00e3o transgride a legisla\u00e7\u00e3o argentina, pois exigiria autoriza\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional (algo que o governo Macri n\u00e3o fez).<\/p>\n<p>O caso do Haiti merece considera\u00e7\u00e3o especial. Entre 2004 e 2017, tropas de v\u00e1rios pa\u00edses (camufladas como \u201cmiss\u00e3o de paz\u201d da ONU &#8211; Minustah) invadiram e ocuparam militarmente o pa\u00eds, criando uma situa\u00e7\u00e3o colonial ao servi\u00e7o do imperialismo ianque. O principal contingente dessas tropas (e o comando da Minustah) esteve a cargo do Brasil, mas tamb\u00e9m participaram tropas de v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos (Argentina, Bol\u00edvia, Chile, Equador, Guatemala, Peru, Paraguai e Uruguai). Este \u00e9 um dos epis\u00f3dios mais vergonhoso da hist\u00f3ria latino-americana.<\/p>\n<p><strong>Algumas conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>No passado, para defender seus interesses na Am\u00e9rica Latina, quando os considerava amea\u00e7ados, o imperialismo norte-americano n\u00e3o hesitou em recorrer a golpes de Estado sangrentos e invas\u00f5es militares (a chamada pol\u00edtica do \u201cgrande porrete\u201d). A lista de eventos originados nesta pol\u00edtica \u00e9 muita longa. Mas depois de sua derrota na Guerra do Vietn\u00e3 (1963-1975) viu-se for\u00e7ado a mudar de t\u00e1ticas pol\u00edticas e passar a utilizar outros m\u00e9todos: pactos, negocia\u00e7\u00f5es, e institui\u00e7\u00f5es da democracia burguesa. Usando a imagem do burro que pode avan\u00e7ar na dire\u00e7\u00e3o que se quer atrav\u00e9s do porrete ou de uma cenoura colocada a sua frente, ele priorizou a cenoura (diplomacia) sobre o garrote.<\/p>\n<p>Isto significa que, para defender seus interesses, operou com diferentes tipos de governos burgueses nos pa\u00edses latino-americanos. Alguns se diziam de \u201cdireita\u201d, outros de \u201cesquerda\u201d. Alguns destes \u00faltimos, inclusive exerceram alguma resist\u00eancia (vamos analisar no pr\u00f3ximo artigo desta s\u00e9rie). Mas todos acabaram indo na dire\u00e7\u00e3o que o imperialismo queria e aceitando o aprofundamento do dom\u00ednio imperialista.<\/p>\n<p>Um aprofundamento que leva ao surgimento de caracter\u00edsticas coloniais: presen\u00e7a militar permanente, ren\u00fancia da soberania jur\u00eddica, supervis\u00e3o r\u00edgida da pol\u00edtica econ\u00f4mica e monet\u00e1ria, etc. \u00c9 por isso que alguns autores falam de um \u201cprocesso de recoloniza\u00e7\u00e3o\u201d ou de uma situa\u00e7\u00e3o \u201cneocolonial\u201d.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que os governos e os regimes pol\u00edticos dos pa\u00edses latino-americanos n\u00e3o s\u00e3o mais express\u00e3o da \u201cindepend\u00eancia pol\u00edtica nacional\u201d \u00e0 qual Lenin se referia, e tendem, cada vez mais, a expressar institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, jur\u00eddicas e militares completamente subordinadas ao imperialismo. Al\u00e9m da categoria com a qual denominamos essa situa\u00e7\u00e3o (e o grau de avan\u00e7o que se tenha dado em cada pa\u00eds), existe uma contradi\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica entre os interesses e necessidades dos trabalhadores e dos povos dos pa\u00edses latino-americanos e desses governos e regimes (sejam autorit\u00e1rios ou eleitos pelo voto). Algo que se expressa, de forma combinada, tanto em suas crises como nas lutas populares contra eles. No \u00faltimo artigo desta s\u00e9rie, vamos desenvolver o programa que os socialistas revolucion\u00e1rios apresentam para resolver esta contradi\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>[1] Dados extra\u00eddos do site do Banco Central da Rep\u00fablica Argentina (BCRA) em <a href=\"http:\/\/www.bcra.gov.ar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.bcra.gov.ar\/<\/a><\/p>\n<p>[2] BURACHIK, Gustavo Mart\u00edn. &#8220;A estrangeiriza\u00e7\u00e3o das grandes empresas na Argentina&#8221;, <em>Problemas de Desenvolvimento vol. 41 n\u00ba 160<\/em>, M\u00e9xico, janeiro-mar\u00e7o de 2010, em: <a href=\"http:\/\/www.scielo.org.mx\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0301-70362010000100006\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.scielo.org.mx\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0301-70362010000100006<\/a><\/p>\n<p>[3] <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2018\/10\/bolsonaro-ja-busca-executivos-do-setor-privado-para-governo-e-estatais.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2018\/10\/bolsonaro-ja-busca-executivos-do-setor-privado-para-governo-e-estatais.shtml<\/a><\/p>\n<p>[4] Extra\u00eddo do Jornal Opini\u00e3o Socialista 561 sobre dados, em <a href=\"http:\/\/www.tesouro.fazenda.gov.br\/dealers\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.tesouro.fazenda.gov.br\/dealers<\/a><\/p>\n<p>[5] Dados retirados do artigo &#8220;Os bancos estrangeiros no M\u00e9xico&#8221; de Javier Gonz\u00e1lez e Pablo Pe\u00f1a, publicado em <em>Estudos Econ\u00f4micos CNBV, vol. 1, 2012,<\/em> em <a href=\"https:\/\/www.cnbv.gob.mx\/CNBV\/Estudios-de-la-CNBV\/Estudios%20de%20investigacion\/Banca_extranjera_en_M%C3%A9xico.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cnbv.gob.mx\/CNBV\/Estudios-de-la-CNBV\/Estudios%20de%20investigacion\/Banca_extranjera_en_M%C3%A9xico.pdf<\/a><\/p>\n<p>[6]<a href=\"http:\/\/www.jornada.com.mx\/2006\/08\/24\/index.php?section=economia&amp;article=026n1eco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.jornada.com.mx\/2006\/08\/24\/index.php?section=economia&amp;article=026n1eco<\/a><\/p>\n<p>[7] <a href=\"http:\/\/www.anterior.banxico.org.mx\/preguntas-frecuentes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.anterior.banxico.org.mx\/preguntas-frecuentes\/<\/a><\/p>\n<p>[8] <a href=\"https:\/\/lopezobrador.org.mx\/2018\/07\/02\/palabras-amlo-con-motivo-del-triunfo-electoral-del-1-de-julio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/lopezobrador.org.mx\/2018\/07\/02\/palabras-amlo-con-motivo-del-triunfo-electoral-del-1-de-julio\/<\/a><\/p>\n<p>[9] Uma an\u00e1lise do significado profundo dessa redu\u00e7\u00e3o no valor nominal da d\u00edvida externa da Argentina ser\u00e1 feita no pr\u00f3ximo artigo desta s\u00e9rie.<\/p>\n<p>[10] <a href=\"https:\/\/www.lanacion.com.ar\/1717132-el-fallo-del-juez-thomas-griesa-la-situacion-de-la-argentina-y-las-consecuencias-para-el-mundo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.lanacion.com.ar\/1717132-el-fallo-del-juez-thomas-griesa-la-situacion-de-la-argentina-y-las-consecuencias-para-el-mundo<\/a><\/p>\n<p>[11] <a href=\"https:\/\/negocios.elpais.com.uy\/noticias\/griesa-fallo-ordeno-argentina-pague-us-acreedores.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/negocios.elpais.com.uy\/noticias\/griesa-fallo-ordeno-argentina-pague-us-acreedores.html<\/a><\/p>\n<p>[12] PETRAS, James; <em>Am\u00e9rica Latina: imperialismo, recoloniza\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia<\/em>, p. 48, em: <a href=\"https:\/\/books.google.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/books.google.com.br<\/a><\/p>\n<p>[13] D\u00c1VALOS, Pablo; &#8220;Os Acordos de Livre Com\u00e9rcio e a Privatiza\u00e7\u00e3o da Soberania Pol\u00edtica&#8221;, em: <a href=\"https:\/\/www.alainet.org\/es\/active\/25505\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.alainet.org\/es\/active\/25505<\/a><\/p>\n<p>[14] Os dados extra\u00eddos de <a href=\"https:\/\/www.hispantv.com\/noticias\/ee-uu-\/368879\/bases-militares-amenaza-paises-latinos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.hispantv.com\/noticias\/ee-uu-\/368879\/bases-militares-amenaza-paises-latinos<\/a> e <a href=\"https:\/\/distintaslatitudes.net\/bases-militares-de-estados-unidos-en-america-latina\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/distintaslatitudes.net\/bases-militares-de-estados-unidos-en-america-latina<\/a><\/p>\n<p>[15] <a href=\"https:\/\/www.hispantv.com\/noticias\/argentina\/382462\/tropas-estados-unidos-orden-macri-controversia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.hispantv.com\/noticias\/argentina\/382462\/tropas-estados-unidos-orden-macri-controversia<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Rosangela Botelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta terceira parte do artigo, analisaremos outros aspectos da domina\u00e7\u00e3o imperialista na Am\u00e9rica Latina: o controle dos mercados financeiros e as consequ\u00eancias pol\u00edticas, como a presen\u00e7a militar direta e a ren\u00fancia \u00e0 soberania jur\u00eddica.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":25280,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[5620],"tags":[1551,6780,6721,6092,6781],"class_list":["post-25278","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-latina","tag-alejandro-iturbe","tag-bases-americanas-america-latina","tag-imperialismo-e-america-latina","tag-recolonizacao","tag-soberania"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/lagarde-trump.jpg","categories_names":["Am\u00e9rica Latina"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25278"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25278\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25280"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}