{"id":25124,"date":"2018-11-23T16:06:07","date_gmt":"2018-11-23T18:06:07","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25124"},"modified":"2018-11-23T16:06:07","modified_gmt":"2018-11-23T18:06:07","slug":"america-latina-o-avanco-do-dominio-imperialista-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/11\/23\/america-latina-o-avanco-do-dominio-imperialista-parte-2\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina: o avan\u00e7o do dom\u00ednio imperialista (Parte 2)"},"content":{"rendered":"<p><em>Na primeira parte deste artigo analisamos a defini\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter semicolonial dos pa\u00edses latino-americanos e expusemos o papel que a d\u00edvida externa desempenha neste sentido. Agora veremos outros aspectos desse dom\u00ednio imperialista, concentrando-nos nos pa\u00edses de maior PIB do subcontinente.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n<p>Um desses aspectos \u00e9 o controle da economia do pa\u00eds, em geral, a partir de \u201cdentro\u201d. Isto \u00e9, o peso direto que tem na produ\u00e7\u00e3o, no comercio e no setor banc\u00e1rio. Na economia dos pa\u00edses latino-americanos vemos que atuam tanto empresas e bancos imperialistas como um setor de \u201cpropriedade nacional\u201d, composto pelo Estado e pelas burguesias nacionais. A tend\u00eancia \u00e9 que, durante o s\u00e9culo XX (especialmente em sua segunda metade) e at\u00e9 agora, no s\u00e9culo XXI, o peso proporcional do setor imperialista vem sendo cada vez maior.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de um processo linear: houve per\u00edodos em que o \u201csetor nacional\u201d cresceu ao calor de algumas pol\u00edticas impulsionadas pelos movimentos nacionalistas burgueses, atrav\u00e9s de nacionaliza\u00e7\u00f5es de empresas estrangeiras ou do impulso de alguns ramos da economia e da infraestrutura, como foi o caso do PRI (Partido Revolucion\u00e1rio Institucional) no M\u00e9xico, do peronismo argentino em sua primeira etapa, ou do chavismo na Venezuela. No Brasil, houve um crescimento industrial impulsionado por Get\u00falio Vargas e por governos posteriores, inclu\u00edda a ditadura militar iniciada em 1964, mas em um contexto diferente: a associa\u00e7\u00e3o subordinada ao imperialismo estadunidense.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia \u00e0 expans\u00e3o do \u201csetor imperialista\u201d d\u00e1 um salto na d\u00e9cada de 1990, ao calor dos chamados \u201cgovernos neoliberais\u201d em muitos pa\u00edses, a \u201clibera\u00e7\u00e3o\u201d do comercio internacional e do \u201cfluxo de capitais\u201d impulsionada pelo imperialismo, e a gera\u00e7\u00e3o de \u201ccadeias de produ\u00e7\u00e3o (ou de valor) globais\u201d. Nessa d\u00e9cada, aconteceram de modo generalizado v\u00e1rios processos: a) privatiza\u00e7\u00e3o total ou parcial das grandes empresas do Estado, criadas nas d\u00e9cadas anteriores, compradas por capitais imperialistas a \u201cpre\u00e7o de banana\u201d; b) redu\u00e7\u00e3o ou elimina\u00e7\u00e3o das taxas de importa\u00e7\u00e3o; c) leis favor\u00e1veis aos \u201cinvestimentos estrangeiros\u201d e retorno de seus lucros; d) compras de grandes empresas nacionais por parte de estrangeiras (assim como o fechamento de empresas nacionais que j\u00e1 n\u00e3o podiam competir).<\/p>\n<p><strong>Argentina<\/strong><\/p>\n<p>No pa\u00eds havia um important\u00edssimo peso do Estado em sua economia. Em 1922 fundou-se YPF (Jazimentos Petrol\u00edferos Fiscais), a primeira empresa petroleira estatal da Am\u00e9rica Latina, que garantiu por d\u00e9cadas o auto abastecimento de combust\u00edveis do pa\u00eds e sua autonomia neste setor. O setor estatal d\u00e1 um salto entre 1946-1955, durante os governos de Juan Per\u00f3n, com a nacionaliza\u00e7\u00e3o das ferrovias (at\u00e9 ent\u00e3o em m\u00e3os de capitais ingleses) e da telefonia, assim como o impulso de ramos como a siderurgia, a automotiva, a aeron\u00e1utica e a aeronavega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse contexto, tamb\u00e9m crescia uma burguesia nacional, especialmente nos ramos de alimenta\u00e7\u00e3o e t\u00eaxteis\/confec\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m em \u00e1reas como a mec\u00e2nica (a empresa SIAM Di Tella possu\u00eda, na primeira metade da d\u00e9cada de 1950, o maior conglomerado industrial da Am\u00e9rica Latina, com 12.000 trabalhadores). Al\u00e9m de auto abastecer-se em alimentos, o pa\u00eds produzia seu pr\u00f3prio petr\u00f3leo e seu a\u00e7o; fabricava autom\u00f3veis, barcos e come\u00e7ava a fabricar locomotivas, trens e avi\u00f5es (anos mais tarde chegaram a desenvolver foguetes e m\u00edsseis), etc. At\u00e9 iniciou um programa aut\u00f4nomo de desenvolvimento de energia nuclear com fins pac\u00edficos [1].<\/p>\n<p>O desmonte desse \u201cEstado empres\u00e1rio\u201d come\u00e7a j\u00e1 com os governos posteriores ao golpe de 1955 que derruba o governo peronista. O de Arturo Frondizi, por exemplo, quebra o monop\u00f3lio petroleiro de YPF e come\u00e7a um processo de redu\u00e7\u00e3o da rede ferrovi\u00e1ria, a servi\u00e7o das grandes empresas automotivas internacionais. A ditadura militar iniciada em 1976 reduziu abruptamente as taxas de importa\u00e7\u00e3o e condenou ao fechamento numerosas empresas nacionais. N\u00e3o privatizou as empresas estatais, mas come\u00e7ou a min\u00e1-las por dentro (j\u00e1 vimos o caso de YPF e seu endividamento), enquanto \u201cterceirizava\u201d numerosas \u00e1reas destas empresas.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 o governo de Carlos Menem (do pr\u00f3prio partido peronista!), nos primeiros anos da d\u00e9cada de 1990, que d\u00e1 o golpe de miseric\u00f3rdia ao modelo de \u201cautonomia relativa\u201d impulsionada pelo primeiro peronismo. Privatizam-se a YPF, Aerol\u00edneas Argentinas, Entel (telefonia) e Somisa (siderurgia), a Caja de Ahorro y Seguro e o Banco Hipotec\u00e1rio, a pre\u00e7os muito abaixo de seu valor real, pagos em grande parte por pap\u00e9is desvalorizados da d\u00edvida externa. Do complexo industrial estatal de C\u00f3rdoba (que fabricava motos, ve\u00edculos utilit\u00e1rios e avi\u00f5es) s\u00f3 sobrevive o setor de avi\u00f5es que \u00e9 entregue \u00e0 estadunidense Lockheed Aircraft. A rede ferrovi\u00e1ria \u00e9 concessionada (e \u00e9 reduzida ainda mais).\u00a0 Os governos kirchneristas (2003-2015) reestatizaram empresas como a YPF e Aerol\u00edneas, e retomaram os trens de passageiros da Grande Buenos Aires, mas receberam empresas muito mais deterioradas e de menor valor de capital que as que foram privatizadas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, ind\u00fastrias que eram tradicionais basti\u00f5es da burguesia nacional, como a alimenta\u00e7\u00e3o, passam para m\u00e3os de empresas imperialistas: Terrabussi \u00e9 comprada pela estadunidense Kraft Foods; a francesa Danone cresce atrav\u00e9s de compras e associa\u00e7\u00f5es, e assim por diante. A consequ\u00eancia de todo esse processo (e sua continuidade at\u00e9 agora) \u00e9 que em 2011, das 500 maiores empresas do pa\u00eds, pouco mais de 1\/3 eram de capital nacional ou do Estado [2].<\/p>\n<p>Esses 2\/3 de grandes empresas estrangeiras cresceram 50% nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, e j\u00e1 controlavam de modo direto 1\/3 do PIB [3]. Mas seu peso real na economia \u00e9 na realidade muito superior ao que pode supor desta porcentagem, porque controlam setores chave da economia, nos quais submetem os setores da burguesia nacional. Por exemplo, as ind\u00fastrias automotivas s\u00e3o 100% estrangeiras e delas dependem as autope\u00e7as (parte das quais s\u00e3o de capital nacional). Por outro lado, nessas duas d\u00e9cadas seu peso no comercio exterior cresceu de 41,7% a 57% [4].<\/p>\n<p><strong>Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Esta din\u00e2mica de avan\u00e7o profundo do dom\u00ednio imperialista \u201ca partir de dentro\u201d das economias tamb\u00e9m se d\u00e1, nitidamente, no Brasil. Existiu um avan\u00e7o da industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds (e do setor nacional dentro dele) no per\u00edodo 1941-1991. O Brasil (antes uma semicol\u00f4nia inglesa) passa a ser uma \u201csemicol\u00f4nia privilegiada\u201d dos Estados Unidos, e substitui a Argentina (que havia sido a semicol\u00f4nia privilegiada da Gr\u00e3 Bretanha) como o pa\u00eds economicamente mais poderoso da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1941, Get\u00falio Vargas assina os Acordos de Washington (1941-1942) com o governo de Franklin Delano Roosevelt. Neles, em troca de sua entrada no campo militar dos Aliados contra o Eixo, na Segunda Guerra ( a Argentina permanecia neutra), Washington financiaria a constru\u00e7\u00e3o da CSN (Companhia Sider\u00fargica Nacional), a empresa de minera\u00e7\u00e3o Vale do Rio Doce e outras empresas b\u00e1sicas de infraestrutura [5].<\/p>\n<p>A industrializa\u00e7\u00e3o d\u00e1 um salto a partir de 1955 com o governo de Juscelino Kubitschek, quando se instalam as filiais de muitas empresas imperialistas, especialmente automotivas, e se consolida com a ditadura militar iniciada em 1964. A Petrobr\u00e1s (a maior empresa do Brasil), por exemplo, foi fundada em 1953 e consolidou o monop\u00f3lio estatal na \u00e1rea nessa d\u00e9cada. Havia uma \u201cdivis\u00e3o de trabalho\u201d: as empresas imperialistas controlavam os setores de maior valor agregado da ind\u00fastria, o Estado fornecia infraestrutura e energia, e a burguesia nacional ocupava os espa\u00e7os de fornecedor de pe\u00e7as e de abastecimento do mercado interno nas ind\u00fastrias leves.<\/p>\n<p>Esta din\u00e2mica de crescimento linear termina na d\u00e9cada de 1990: a restaura\u00e7\u00e3o capitalista havia transformado a China na \u201cf\u00e1brica do mundo\u201d e a economia brasileira come\u00e7ou um processo de reconvers\u00e3o de sua estrutura econ\u00f4mica mais adequada \u00e0 nova divis\u00e3o internacional do trabalho. O pa\u00eds continuava sendo o principal centro industrial do imperialismo na Am\u00e9rica Latina (e plataforma continental de exporta\u00e7\u00f5es deste setor), mas com uma tend\u00eancia a adaptar-se \u00e0s \u201cdisposi\u00e7\u00f5es gerais da lei\u201d para o subcontinente: a exporta\u00e7\u00e3o de alimentos, energia e mat\u00e9rias primas (especialmente minerais).<\/p>\n<p>Coube aos governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) dar v\u00e1rios golpes nesta dire\u00e7\u00e3o. Em 1997, privatizou-se a Companhia Vale do Rio Doce (hoje s\u00f3 Vale). \u00c9 uma das maiores empresas de minera\u00e7\u00e3o do mundo: \u00e9 a maior produtora de min\u00e9rio de ferro, mas tamb\u00e9m explora outros minerais como n\u00edquel e alum\u00ednio. Opera em 14 Estados brasileiros, possui usinas hidroel\u00e9tricas, 2.500 km de vias f\u00e9rreas pr\u00f3prias e o controle de nove terminais portu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Sua privatiza\u00e7\u00e3o coincidiu com a grande expans\u00e3o da demanda da China por min\u00e9rio de ferro. Hoje, suas a\u00e7\u00f5es (e seus fabulosos lucros) s\u00e3o cotizadas nas bolsas de Nova York, Paris, Hong Kong e S\u00e3o Paulo [6]. Ao mesmo tempo a privatizada Vale demonstrou desprezar totalmente as consequ\u00eancias e os desastres ambientais que provoca sua explora\u00e7\u00e3o desenfreada [7].<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi privatizada a Embraer (Empresa Brasileira de Aeron\u00e1utica). Nascida a partir de 1953, d\u00e1 um salto em 1969 como empresa mista vinculada ao Minist\u00e9rio da Aeron\u00e1utica, at\u00e9 transformar-se na principal fabricante de avi\u00f5es da Am\u00e9rica Latina. A empresa \u00e9 privatizada totalmente e reestruturada em 1995. Seu capital est\u00e1 completamente aberto e suas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o cotizadas na bolsa de S\u00e3o Paulo, ainda que o Estado conservou uma \u201ca\u00e7\u00e3o de ouro\u201d com direito a veto em suas decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Nestes anos recebeu forte apoio de cr\u00e9dito do estatal BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social). Neste ano, a empresa anunciou um acordo para realizar uma <em>joint-venture\u00a0<\/em>(associa\u00e7\u00e3o) com a estadunidense Boeing que, de fato, passaria a ter seu controle.<\/p>\n<p>A Petrobr\u00e1s nunca foi formalmente privatizada. Mas, em 1997 perde o monop\u00f3lio da explora\u00e7\u00e3o petroleira, com a concess\u00e3o de \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o a empresas estrangeiras, processo que foi se ampliando atrav\u00e9s de sucessivos \u201cleil\u00f5es\u201d, especialmente durante os governos do PT (2002-2016).\u00a0 Tamb\u00e9m foi abrindo seu capital de a\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de sucessivas \u201ccapitaliza\u00e7\u00f5es\u201d, com vendas em diferentes bolsas do mundo (o \u00faltimo foi em 2010). Atualmente, o capital da Petrobr\u00e1s se comp\u00f5e de 40% em m\u00e3os do Estado brasileiro, 40% cotadas em bolsas estrangeiras e 20% na bolsa de S\u00e3o Paulo [8].<\/p>\n<p>O Estado brasileiro mant\u00e9m em seu poder mais de 50% das a\u00e7\u00f5es com direito a voto e o controle da maioria de sua diretiva. Por isso, \u00e9 apresentada como \u201cempresa estatal\u201d. Mas de fato passou a ser uma empresa de maioria de capitais privados (majoritariamente imperialistas) administrada pelo Estado. Ao mesmo tempo, suas contrata\u00e7\u00f5es e projetos tem sido uma fonte permanente de corrup\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos de todos os partidos burgueses [9].<\/p>\n<p>A resultante geral deste processo de avan\u00e7o do controle imperialista da economia brasileira se expressa na posse de entre 50% (petroqu\u00edmica e siderurgia) e 100% (empresas automotivas) dos principais ramos industriais do pa\u00eds. Umas trinta empresas dominam o setor do agroneg\u00f3cio, das quais 70% s\u00e3o multinacionais. Se considerarmos a composi\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, vemos que enquanto em 1993 62% eram manufaturas e 38% produtos b\u00e1sicos; em 2017, essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente a oposta.<\/p>\n<p><strong>M\u00e9xico<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o mexicana que derrubou o regime de Porfirio D\u00edaz (iniciada em 1910) e da guerra civil que a sucedeu, consolidou-se no M\u00e9xico um regime pol\u00edtico encabe\u00e7ado pelo PRI (Partido Revolucion\u00e1rio Institucional), de programa nacionalista burgu\u00eas. Realizou uma reforma agr\u00e1ria parcial, fundou diversos bancos estatais e tamb\u00e9m criou empresas estatais em ramos centrais da economia, em muitos casos ap\u00f3s estatizar companhias privadas (majoritariamente estrangeiras, mas tamb\u00e9m nacionais). Em uma lista resumida, a CFE (Comiss\u00e3o Federal de Eletricidade) foi fundada em 1937; a PEMEX (Petr\u00f3leos Mexicanos) em 1938, ap\u00f3s a nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo decretada pelo governo de L\u00e1zaro C\u00e1rdenas [10]; Telmex (telefonia) foi fundada em 1947 com a compra da Ericsson e a ITT por capitais privados mexicanos, e \u00e9 estatizada em 1972, etc.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, o esgotamento deste modelo nacionalista burgu\u00eas, a dificuldade cada vez maior de pagar a d\u00edvida externa adquirida na d\u00e9cada anterior, e uma forte crise banc\u00e1ria leva o governo de Jos\u00e9 L\u00f3pez Portillo a assinar uma \u201ccarta de inten\u00e7\u00e3o\u201d com o FMI em troca do refinanciamento da d\u00edvida. Inicia-se um claro giro na pol\u00edtica do PRI em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do que se chamavam \u201cpol\u00edticas neoliberais\u201d de privatiza\u00e7\u00f5es, \u201cabertura\u201d do comercio exterior, e \u201cmaior libera\u00e7\u00e3o\u201d da entrada de capitais estrangeiros [11]. Ao mesmo tempo, o governo estatizava os bancos privados quebrados (como o Multibanco Mercantil), os que, ap\u00f3s haverem se recuperado com os d\u00f3lares recebidos do FMI, voltaram a ser entregues ao capital privado em in\u00edcios dos \u201990.<\/p>\n<p>Estes ciclos de refinanciamentos e crises financeiras continuaram por mais de uma d\u00e9cada e, como vimos, acabaram derivando no \u201ctequilazo\u201d em 1995, ao qual j\u00e1 nos referimos. As privatiza\u00e7\u00f5es continuaram seu curso: a mais importante foi a da Telmex, vendida em 1990 a um consorcio formando pelo mexicano Carlos Slim, a France Telecom e a estadunidense Southwestern Bell Corporation (AT&amp;T). Sobre esta base, Slim se transformou no homem mais rico do M\u00e9xico e um dos mais ricos do mundo.<\/p>\n<p>O caso da Pemex merece aten\u00e7\u00e3o especial. \u00c9 a maior empresa do pa\u00eds, emprega 125.000 trabalhadores diretos (chegou a ter 150.000), fatura cifras que superam os PIB de v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos, e \u00e9 a principal fonte de receita do or\u00e7amento federal. \u00c9 indubitavelmente a \u201cjoia da coroa\u201d das empresas estatais. Ainda que n\u00e3o tenha sido formalmente privatizada, j\u00e1 foi separada em v\u00e1rios ramos e, a partir da aprova\u00e7\u00e3o da \u201creforma petroleira\u201d em 2013, se come\u00e7aram a entregar \u00e1reas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o privada, rompendo o velho monop\u00f3lio estabelecido pela Constitui\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, seu desmantelamento e entrega por partes.<\/p>\n<p>Considera-se que <em>\u201cEsta \u2018moderniza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria petroleira\u2019 se converter\u00e1 no esp\u00f3lio para contratistas nacionais e estrangeiros [\u2026]Os principais agentes da reforma petroleira s\u00e3o as multinacionais: Standard Oil, Texaco Oil, Shell Royal Dutch, British Petroleum Company, Mobil Oil, Gulf Oil Corporation, ARAMCO, Halli Burton e Total Repsol\u201d\u00a0<\/em>[12]. A reforma foi impulsionada pelo governo de Enrique Pe\u00f1a Nieto do PRI (o mesmo partido que no passado havia criado PEMEX e seu monop\u00f3lio). Pe\u00f1a Nieto passeou sua \u201coferta de venda\u201d pelo mundo e pelos foros imperialistas como Davos.<\/p>\n<p><strong>Os tratados de livre comercio<\/strong><\/p>\n<p>Outro aspecto muito importante do avan\u00e7o da semicoloniza\u00e7\u00e3o no M\u00e9xico foi sua integra\u00e7\u00e3o ao Tratado de Livre Comercio da Am\u00e9rica do Norte, junto com os EUA e Canad\u00e1 (TLCAN ou NAFTA pela sigla em ingl\u00eas) em 1994, durante o governo de Carlos Salinas de Gortari. Este tratado eliminava as barreiras alfandeg\u00e1rias e facilitava a circula\u00e7\u00e3o de mercadoria e do fluxo de capitais. O Tratado teve duas consequ\u00eancias centrais no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 que o pa\u00eds perdeu parte importante de sua \u201csoberania aliment\u00edcia\u201d, em 1994, importava dos EUA apenas 18% dos alimentos consumidos no pa\u00eds; atualmente, importa 50% (principalmente arroz, milho e feij\u00e3o). A segunda foi a instala\u00e7\u00e3o de numerosas ind\u00fastrias nos Estados e cidades do norte do pa\u00eds, fronteiri\u00e7as com os EUA, para aproveitar a m\u00e3o de obra muito mais barata e as mat\u00e9rias primas a menores pre\u00e7os, e assim baixar seus custos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As principais benefici\u00e1rias foram as multinacionais, especialmente as estadunidenses, que come\u00e7aram a transferir plantas at\u00e9 o sul de sua fronteira. Por um lado, isto provocou a quebra de muitas pequenas e m\u00e9dias empresas mexicanas; por outro, uma expans\u00e3o desse novo setor industrial dominado pelo imperialismo. Por exemplo, as automotivas passaram uma parte de sua produ\u00e7\u00e3o ao M\u00e9xico. Um estudo do Economist Policy Institute de Washington estima que nestes anos, cerca de 700.000 postos de trabalho se transferiram dos EUA ao M\u00e9xico [13]. Outros estudos, como o da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio dos EUA (USCC na sigla em ingl\u00eas) estimam que considerando os empregos indiretos que a ind\u00fastria gera deve elevar esta cifra a cinco milh\u00f5es [14].<\/p>\n<p>Este fato, somado ao fato formal de que o M\u00e9xico apresenta um \u201csuper\u00e1vit\u201d comercial de quase 71 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, levaram Donald Trump a dizer que o TLCAN era\u00a0<em>\u201co pior acordo comercial assinado\u201d<\/em>\u00a0 pelo seu pa\u00eds, e a buscar sua renegocia\u00e7\u00e3o. Afirmamos que se trata de um \u201csuper\u00e1vit formal\u201d j\u00e1 que enquanto os Estados Unidos aumentou suas exporta\u00e7\u00f5es de alimentos, tecnologia, servi\u00e7os e entretenimento, grande parte do que compra do M\u00e9xico s\u00e3o na realidade \u201cauto importa\u00e7\u00f5es\u201d de empresas estadunidenses, a servi\u00e7o de seus lucros.<\/p>\n<p>Trump finalmente conseguiu seu objetivo e o TLCAN acaba de ser substitu\u00eddo por um acordo bilateral com o M\u00e9xico, assinado pelo governo de Pe\u00f1a Nieto (j\u00e1 \u201cde sa\u00edda\u201d, e com a aprova\u00e7\u00e3o do atual presidente, L\u00f3pez Obrador) [15]. O acordo \u00e9 ainda mais favor\u00e1vel aos Estados Unidos, porque prioriza e favorece a produ\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria estadunidense (inclu\u00eddas as empresas provedoras de sementes transg\u00eanicas) em detrimento do agro mexicano.<\/p>\n<p>No caso das automotivas e autope\u00e7as, seu efeito pode ser mais contradit\u00f3rio no M\u00e9xico. Por um lado, estabelece que o sal\u00e1rio m\u00ednimo que devem receber os trabalhadores das ind\u00fastrias, em ambos os lados da fronteira, para n\u00e3o pagar taxas de importa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de 15 d\u00f3lares (muito mais alto ao que hoje se paga no M\u00e9xico, que \u00e9 em m\u00e9dia 2,6).\u00a0\u00a0 Ainda que n\u00e3o esteja claro quantos trabalhadores realmente ser\u00e3o alcan\u00e7ados por esta medida no M\u00e9xico, \u00e9 poss\u00edvel que algumas empresas retornem suas plantas aos Estados Unidos (e Trump conseguir\u00e1 mostrar que sua pol\u00edtica de <em>America First<\/em>\u00a0 est\u00e1 sendo levada adiante).<\/p>\n<p>Por outro lado, se estabelece uma \u201cregra de origem\u201d que aumenta a porcentagem de pe\u00e7as produzidas nos pa\u00edses signat\u00e1rios do acordo, que devem montar os autom\u00f3veis. Limitam-se, ent\u00e3o, as importa\u00e7\u00f5es de autope\u00e7as da China, do Jap\u00e3o e da Europa, algo que favorece tanto as empresas fabricantes j\u00e1 radicadas no M\u00e9xico como as que est\u00e3o nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o governo de L\u00f3pez Obrador j\u00e1 entendeu que <em>\u201co aumento salarial dos trabalhadores do setor automotivo vai requerer inexoravelmente, subs\u00eddios do governo federal e um grande apoio da ind\u00fastria que \u00e9 a principal geradora de divisas para o pa\u00eds\u201d<\/em> [16]. Isto \u00e9, vai subsidiar os custos e os lucros das multinacionais automotivas radicadas no M\u00e9xico. Digamos que o governo de Trump n\u00e3o \u00e9, na realidade, um \u201chonesto\u201d defensor do <em>America First<\/em>. Seus membros s\u00e3o parte beneficiada do novo acordo: seu secretario de Com\u00e9rcio, o multimilion\u00e1rio Wilbur Ross \u00e9 propriet\u00e1rio de uma ind\u00fastria de autope\u00e7as no M\u00e9xico, com 2.700 trabalhadores.<\/p>\n<p>Nos detemos no TLCAN e em sua renegocia\u00e7\u00e3o porque \u00e9 uma n\u00edtida mostra do significado dos \u201cacordos de livre comercio\u201d que impulsiona a burguesia imperialista estadunidense desde a d\u00e9cada de 1990. Embora teve que retroceder na proposta global da ALCA (que abarcava toda a Am\u00e9rica), estabeleceu v\u00e1rios acordos regionais como o pr\u00f3prio TLCAN, o CAFTA-RD (Am\u00e9rica Central e\u00a0 Rep\u00fablica Dominicana) e numerosos acordos bilaterais que o favorecem. Inclusive o Mercosur (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), que n\u00e3o integra formalmente, est\u00e1 a servi\u00e7o das empresas e bancos imperialistas.<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>[1] N\u00e3o se trata aqui de \u201cembelezar\u201d os primeiros governos peronistas. Suas profundas limita\u00e7\u00f5es de classe fizeram com que este projeto ficasse sem sa\u00edda. Por exemplo, n\u00e3o tocou em um s\u00f3 hectare da poderosa classe latifundi\u00e1ria agropecu\u00e1ria, que seria um dos setores que se aliaram aos ianques para impulsionar a derrubada do governo de Juan Per\u00f3n.<\/p>\n<p>[2]\u00a0<u><a href=\"https:\/\/www.clarin.com\/economia\/Solo-tercio-empresas-grandes-argentinas_0_rJhEl3PTD7x.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.clarin.com\/economia\/Solo-tercio-empresas-grandes-argentinas_0_rJhEl3PTD7x.html<\/a><\/u><\/p>\n<p>[3]\u00a0<a href=\"http:\/\/perfilesla.flacso.edu.mx\/index.php\/perfilesla\/article\/viewFile\/23\/4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/perfilesla.flacso.edu.mx\/index.php\/perfilesla\/article\/viewFile\/23\/4<\/a>, p. 119.<\/p>\n<p>[4] \u00eddem, p. 120.<\/p>\n<p>[5] Os dados sobre o Brasil foram tomados do artigo de Nazareno Godeiro \u201cBrasil, submetr\u00f3pole industrial do imperialismo na Am\u00e9rica Latina\u201d, publicando em <em>Marxismo Vivo Nova \u00c9poca n.\u00b0 10<\/em>. S\u00e3o Paulo, Brasil: Edi\u00e7\u00f5es Marxismo Vivo, 2017.<\/p>\n<p>[6] Dados extra\u00eddos de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vale.com\/PT\/investors\/information-market\/annual-reports\/20f\/20FDocs\/Vale_20F_2017_p.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.vale.com\/PT\/investors\/information-market\/annual-reports\/20f\/20FDocs\/Vale_20F_2017_p.pdf<\/a><\/p>\n<p>[7] Um exemplo neste sentido foi a ruptura da represa do munic\u00edpio de Mariana (Minas Gerais), em novembro de 2015.Ver:\u00a0<a href=\"https:\/\/acervo.oglobo.globo.com\/em-destaque\/maior-desastre-ambiental-do-brasil-tragedia-de-mariana-deixou-19-mortos-20208009\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/acervo.oglobo.globo.com\/em-destaque\/maior-desastre-ambiental-do-brasil-tragedia-de-mariana-deixou-19-mortos-20208009<\/a><\/p>\n<p>[8] Ver o artigo de Edmar Luiz Fagundes de Almeida e Michel Vieiria Lapin, \u201cO papel da\u00a0 Petrobr\u00e1s na integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica da Am\u00e9rica Latina\u201d, no livro\u00a0<em>Dos modelos de integraci\u00f3n energ\u00e9tica en Am\u00e9rica<\/em>, editado pela Universidad Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico (2007), en:\u00a0<a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/books.google.com.br\/books<\/a><\/p>\n<p>[9] Sobre esta corrup\u00e7\u00e3o e a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato que a investiga, ver, entre varios artigos publicados nesta p\u00e1gina:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/opinion\/brasil-argentina-todos-somos-odebrecht\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/opinion\/brasil-argentina-todos-somos-odebrecht\/<\/a>\u00a0y\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/mundo\/latinoamerica\/brasil\/debate-significado-la-prision-lula\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/mundo\/latinoamerica\/brasil\/debate-significado-la-prision-lula\/<\/a><\/p>\n<p>[10] Sobre este tema, \u00e9 interessante ver o artigo de Le\u00f3n Trotsky: \u201cM\u00e9xico y el imperialismo brit\u00e1nico\u201d, inclu\u00eddo na compila\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Escritos Latinoamericanos<\/em>\u00a0em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/ceip\/latin\/15.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/ceip\/latin\/15.htm<\/a><\/p>\n<p>[11] Sobre este tema, ver o artigo \u201cLas empresas estatales y el desarrollo de M\u00e9xico\u201d, de Armando Javier S\u00e1nchez D\u00edaz e Patricia Carmina Inzunza Mej\u00eda,\u00a0em:\u00a0<a href=\"http:\/\/scielo.sld.cu\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0252-85842015000200013\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/scielo.sld.cu\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0252-85842015000200013<\/a><\/p>\n<p>[12]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sopitas.com\/266406-maquina-del-tiempo-recordando-las-privatizaciones-en-mexico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.sopitas.com\/266406-maquina-del-tiempo-recordando-las-privatizaciones-en-mexico\/<\/a><\/p>\n<p>[13] Ver estudo em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.epi.org\/about\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.epi.org\/about\/<\/a><\/p>\n<p>[14] Ver estudo em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uschamber.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.uschamber.com\/<\/a><\/p>\n<p>[15] Ver\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-45323852\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-45323852<\/a><\/p>\n<p>[16] Diario \u201cEl Universal\u201d, 13\/8\/2018, em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.eluniversal.com.mx\/columna\/mario-maldonado\/cartera\/guinos-entre-amlo-y-trump-sobre-el-tlcan?fb_comment_id=1805230269565400_1805563662865394\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.eluniversal.com.mx\/columna\/mario-maldonado\/cartera\/guinos-entre-amlo-y-trump-sobre-el-tlcan<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na primeira parte deste artigo analisamos a defini\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter semicolonial dos pa\u00edses latino-americanos e expusemos o papel que a d\u00edvida externa desempenha neste sentido. Agora veremos outros aspectos desse dom\u00ednio imperialista, concentrando-nos nos pa\u00edses de maior PIB do subcontinente.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":25125,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[5620,3519],"tags":[1551,6737,6738,6739],"class_list":["post-25124","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-latina","category-eua","tag-alejandro-iturbe","tag-america-latina-e-imperialismo","tag-dominio-imperialista","tag-preivatizacoes"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/25200922.jpg","categories_names":["Am\u00e9rica Latina","Estados Unidos"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25124","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25124"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25124\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25125"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25124"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25124"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25124"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}