{"id":25107,"date":"2018-11-22T15:58:02","date_gmt":"2018-11-22T17:58:02","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25107"},"modified":"2018-11-22T15:58:02","modified_gmt":"2018-11-22T17:58:02","slug":"25n-basta-de-violencia-contra-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/11\/22\/25n-basta-de-violencia-contra-as-mulheres\/","title":{"rendered":"25N &#8211; Basta de viol\u00eancia contra as mulheres"},"content":{"rendered":"<p><em>Em 25 de Novembro de 1960 as irm\u00e3s Mirabel eram assassinadas por enfrentar a ditadura de Trujillo na Rep\u00fablica Dominicana, passados 40 anos de sua morte, a ONU decreta essa data como Dia Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia Contra as Mulheres. Longe de ficar nos almanaques e nas universidades, o 25N passou a servir como um dia de luta para denunciar e exigir dos governos e da sociedade medidas concretas para garantir \u00e0s mulheres uma vida livre da viol\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Secretaria de Mulheres da LIT-QI<\/p>\n<p>Lamentavelmente, no pr\u00f3ximo 25 de novembro as mulheres n\u00e3o t\u00eam nada o que comemorar. Primeiro porque o machismo e a viol\u00eancia, longe de retroceder, aumenta sistematicamente, vitimando mais e mais mulheres. Dados das ag\u00eancias internacionais como ONU e OMS apontam que 1 em cada 3 mulheres no mundo j\u00e1 sofreu viol\u00eancia f\u00edsica e\/ou sexual e 60 mil mulheres morrem por ano, v\u00edtimas de feminic\u00eddios; quase metade delas, pelos pr\u00f3prios parceiros ou algum homem da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Por outro lado, cerca de 120 milh\u00f5es de garotas em todo o mundo foram v\u00edtimas de abuso sexual em algum momento de suas vidas, situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia que \u00e9 compartilhada por mulheres que vivem tanto em pa\u00edses ricos como pobres. \u00a0A Am\u00e9rica Latina apresenta a maior taxa de viol\u00eancia sexual contra as mulheres fora de um relacionamento e a segunda maior por parte do parceiro atual ou anterior. Essa regi\u00e3o, ali\u00e1s, \u00e9 a mais violenta do mundo para mulheres fora de um contexto de guerra, segundo a ONU.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o significa que em outras partes do mundo elas est\u00e3o seguras. Na Uni\u00e3o Europeia, metade das mulheres j\u00e1 sofreu algum tipo de ass\u00e9dio sexual desde os 15 anos, e o que \u00e9 ainda mais grave, 1 em cada 3 europeus, acha que o abuso sexual tem justificativas em alguns casos. Na \u00c1frica Central e Meridional 40% das jovens se casam antes dos 18 anos e 14% antes dos 15. Em 34 pa\u00edses o casamento com a v\u00edtima \u00e9 motivo de perd\u00e3o em casos de abuso sexual contra menores. Como se pode ver a viol\u00eancia contra as mulheres \u00e9 end\u00eamica e demonstra o machismo arraigado na sociedade e em todo o mundo.<\/p>\n<p><strong>A viol\u00eancia do sistema contra as mulheres<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m das agress\u00f5es f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas e os feminic\u00eddios, os estupros, incluindo estupros corretivos contra as LBTs, e outras formas de ass\u00e9dio; as mutila\u00e7\u00f5es genitais, os matrim\u00f4nios for\u00e7ados e o tr\u00e1fico de pessoas para a explora\u00e7\u00e3o sexual s\u00e3o os tipos de viol\u00eancias mais comuns cometidas contra mulheres, \u00e9 importante ressaltar, entretanto, que a viol\u00eancia se apresenta de muitas formas, qualquer conduta &#8211; a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o &#8211; de discrimina\u00e7\u00e3o, agress\u00e3o ou coer\u00e7\u00e3o, ocasionada pelo simples fato de a v\u00edtima ser mulher e que cause dano, morte, constrangimento, limita\u00e7\u00e3o, sofrimento f\u00edsico, sexual, moral, psicol\u00f3gico, social, pol\u00edtico ou econ\u00f4mico ou perda patrimonial, seja ela no espa\u00e7o privado ou p\u00fablico, \u00e9 uma viol\u00eancia contra a mulher.<\/p>\n<p>Mas, de todas as viol\u00eancias cometidas contra as mulheres, a principal \u00e9 a do pr\u00f3prio sistema. O capitalismo decadente vem impondo \u00e0 classe trabalhadora condi\u00e7\u00f5es de vida cada vez piores, sendo que a degrada\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es humanas fruto desse sistema apodrecido resulta num aprofundamento do machismo e da viol\u00eancia, fazendo das mulheres trabalhadoras as principais v\u00edtimas. Os governos e pol\u00edticos burgueses, longe de reverter essa situa\u00e7\u00e3o, a agravam com seus planos de ajuste que atacam direitos sociais e trabalhistas, gerando desemprego e precariza\u00e7\u00e3o, cortando gastos sociais, flexibilizando direitos e privatizando servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O conjunto dos trabalhadores tem sentido os efeitos da crise econ\u00f4mica, mas as consequ\u00eancias para as mulheres trabalhadoras s\u00e3o particularmente cru\u00e9is, pois a combina\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o que j\u00e1 nos coloca numa situa\u00e7\u00e3o de desigualdade na sociedade, nos transforma em alvo preferencial dos ataques, sendo que as que mais sofrem s\u00e3o as mulheres pobres, as negras e as imigrantes refugiadas. A crise humanit\u00e1ria atual e suas consequ\u00eancias para as mulheres refugiadas \u00e9 a comprova\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de que o capitalismo decadente n\u00e3o soluciona a desigualdade entre homens e mulheres, mas a aprofunda.<\/p>\n<p>A atitude indiferente por parte de todos os governos e pol\u00edticos burgueses (muitos deles inclusive envolvidos em esc\u00e2ndalos de viol\u00eancia e ass\u00e9dio) para proteger os direitos das mulheres e meninas n\u00e3o pode ser visto como um simples descuido. Sua falta de vontade pol\u00edtica e coniv\u00eancia tem a ver com o fato de que o capitalismo se beneficia desse estado de viol\u00eancia e opress\u00e3o para dividir os trabalhadores e submet\u00ea-los ainda mais, \u00e0 servi\u00e7o da explora\u00e7\u00e3o de toda a classe e da superexplora\u00e7\u00e3o de parcelas inteiras delas, como as mulheres. N\u00e3o h\u00e1 mostra mais evidente disso como o fato de que ainda que governem mulheres (Dilma, Cristina, Bachelet, Merkel), a viol\u00eancia aumenta.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia social, da pior esp\u00e9cie, ali\u00e1s, condena as mulheres trabalhadoras e seus filhos e fam\u00edlias \u00e0 fome, doen\u00e7a e pobreza, por\u00e9m n\u00e3o \u00e9 denunciada pela ONU nem pelas ag\u00eancias do imperialismo, adeptas das estat\u00edsticas, porque \u00e9 provocada, justamente, pelo sistema capitalista que defendem e sustentam. Nesse sentido a luta contra a viol\u00eancia machista se n\u00e3o for combinada com a luta contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista, est\u00e1 fadada a ser derrotada, pois \u00e9 funcional ao sistema e jamais ser\u00e1 tomada a s\u00e9rio por aqueles que det\u00e9m o poder, sejam homens ou mulheres.<\/p>\n<p><strong>Pelo fim da viol\u00eancia machista e da explora\u00e7\u00e3o capitalista <\/strong><\/p>\n<p>Mas essa situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia das mulheres n\u00e3o tem passado em v\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, tem gerado uma enorme resposta e inclusive servido de impulso ao conjunto da classe trabalhadora para lutar contra os governos e seus ataques. As ruas est\u00e3o se transformando cada vez mais num palco onde o grito das mulheres de basta de machismo, viol\u00eancia e retirada de direitos ecoa com enorme for\u00e7a e se transforma em motor de novas lutas.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental cerrarmos fileiras em torno desse movimento e impulsion\u00e1-lo, por isso desde a LIT-CI fazemos um chamado a toda a classe trabalhadora para, no pr\u00f3ximo domingo, 25 de novembro, marcharmos junto \u00e0s mulheres para exigir o fim da viol\u00eancia, do machismo, e da explora\u00e7\u00e3o capitalista, firmes na compreens\u00e3o de que para unificar a classe e colocar as mulheres em p\u00e9 de igualdade para lutar contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 preciso que os trabalhadores de conjunto (mulheres e homens) se coloquem decididamente contra o machismo e a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Basta de viol\u00eancia contra as mulheres. A luta contra o machismo e toda forma de opress\u00e3o \u00e9 uma luta de toda a classe trabalhadora!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 25 de Novembro de 1960 as irm\u00e3s Mirabel eram assassinadas por enfrentar a ditadura de Trujillo na Rep\u00fablica Dominicana, passados 40 anos de sua morte, a ONU decreta essa data como Dia Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia Contra as Mulheres. 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