{"id":25089,"date":"2018-11-21T16:22:35","date_gmt":"2018-11-21T18:22:35","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=25089"},"modified":"2018-11-21T16:22:35","modified_gmt":"2018-11-21T18:22:35","slug":"porque-decidi-aderir-ao-pdac-e-a-lit-quarta-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/11\/21\/porque-decidi-aderir-ao-pdac-e-a-lit-quarta-internacional\/","title":{"rendered":"Porque decidi aderir ao PdAC e \u00e0 LIT-Quarta Internacional"},"content":{"rendered":"<p><em>Entrevista a Daniele Cofani, dirigente oper\u00e1rio da dura luta dos trabalhadores da Alitalia.<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Entrevista de Fabiana Stefanoni<\/p>\n<p>Daniele Cofani \u00e9 um trabalhador dos transportes, dentre os companheiros que dirigiram a dura luta dos trabalhadores e trabalhadoras da Alitalia. Uma luta que, como Daniele recorda nesta entrevista, gra\u00e7as \u00e0s greves e \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o a todo custo, conseguiu impedir o plano de liquida\u00e7\u00e3o [venda rebaixada] e demiss\u00f5es orquestrado pela empresa, o governo e as grandes burocracias sindicais. A decis\u00e3o de Daniele \u2013 assim como de outras importantes vanguardas oper\u00e1rias \u2013 de aderir ao nosso Partido e \u00e0 nossa Internacional nos enche de orgulho e confirma que estamos percorrendo o caminho certo: o da constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria internacional das lutas, que possa derrubar o capitalismo. Esse capitalismo que nos mostra, a cada dia mais, sua cara b\u00e1rbara e desumana: explora\u00e7\u00e3o selvagem, racismo, repress\u00e3o violenta das lutas, viol\u00eancia machista, escravid\u00e3o, guerras.<\/p>\n<p><em>\u2014<\/em><em> Daniele, voc\u00ea \u00e9 um dos companheiros que organizaram a extraordin\u00e1ria luta da Alitalia. Uma luta em que um sindicato de base combativo, o Cub Transportes, derrotou o governo, a empresa e os grandes burocratas sindicais. Pode nos resumir os principais momentos desta luta?<\/em><\/p>\n<p>\u2014 Sem d\u00favida, o bom resultado da luta dos trabalhadores da Alitalia se deve a uma soma de fatores, entre os quais prevaleceu, em primeiro lugar, a grande participa\u00e7\u00e3o e o compromisso de colegas, como nunca tinha ocorrido antes, que mudou totalmente o controle, por parte das grandes burocracias sindicais, de sua pr\u00f3pria base.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou no momento em que a dire\u00e7\u00e3o da Alitalia, em dezembro de 2016, decidiu fazer os trabalhadores pagarem, pela en\u00e9sima vez, o custo do fracasso da privatiza\u00e7\u00e3o da empresa, como j\u00e1 tinha acontecido em 2008 e 2014, quando milhares de companheiros foram demitidos e os sal\u00e1rios e direitos dos que continuavam trabalhando foram cortados. Naquele exato momento, a maioria dos trabalhadores, liberando-se das correntes do clientelismo, decidiu \u201cafiliar-se\u201d \u00e0 \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o sindical que nunca havia assinado os acordos que permitiram a privatiza\u00e7\u00e3o e os cortes, opondo-se a eles, nos anos anteriores. \u00c9 por isso que conseguimos conduzir um caminho vencedor, com greves, bloqueios e manifesta\u00e7\u00f5es, al\u00e9m do referendo. Um verdadeiro <em>tsunami<\/em> para a empresa, o governo e as burocracias sindicais.<\/p>\n<p>Foram quatro greves imponentes (de fevereiro a abril de 2017), com centenas de voos cancelados e um rio de trabalhadores em passeata pelas ruas do aeroporto de Roma Fiumicino, bem como as muitas vig\u00edlias em frente aos Minist\u00e9rios dos Transportes e do Desenvolvimento Econ\u00f4mico. Trataram-se de momentos de luta nos quais os trabalhadores tomaram consci\u00eancia da pr\u00f3pria for\u00e7a e das pr\u00f3prias raz\u00f5es: gra\u00e7as \u00e0 luta, inclusive, amadureceram a decis\u00e3o de votar <em>n\u00e3o<\/em> no referendo e ao en\u00e9simo plano de cortes.<\/p>\n<p>Nitidamente, o referendo foi o \u00e1pice de tudo: n\u00f3s, como Cub Transportes, e os companheiros do <em>AirCrew Comit\u00e9 <\/em>(comit\u00ea de bagagens) institu\u00edmos o comit\u00ea do <em>n\u00e3o<\/em> indo contra todos, do governo \u00e0s outras organiza\u00e7\u00f5es sindicais e \u00e0 m\u00eddia. Acompanhamos, por cinco dias consecutivos, as sess\u00f5es eleitorais at\u00e9 a vota\u00e7\u00e3o do dia 24 de abril, que definiu a vit\u00f3ria do <em>n\u00e3o<\/em> com 68% dos votos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o referendo, ocorreram outras duas grandes iniciativas de luta, importantes pelo valor simb\u00f3lico da solidariedade e pelo seu grande \u00eaxito: a manifesta\u00e7\u00e3o para Roma do 27 de maio \u2013 no qual, junto aos trabalhadores da Alitalia, milhares de trabalhadores de outras empresas e setores sa\u00edram \u00e0s ruas \u2013 e do 16 de junho, dia em que, sempre em solidariedade, todos os setores do transporte entraram em greve, cada um com suas pr\u00f3prias reivindica\u00e7\u00f5es. Foi uma jornada memor\u00e1vel, o pa\u00eds parou e houve duras rea\u00e7\u00f5es por parte do governo e das burocracias sindicais.<\/p>\n<p><em>\u2014 Justamente durante a mobiliza\u00e7\u00e3o, a consigna da nacionaliza\u00e7\u00e3o cresceu como a \u00fanica resposta poss\u00edvel \u00e0 crise da companhia. Hoje, com o novo governo, qual \u00e9 a perspectiva vista pelos trabalhadores da Alitalia?<\/em><\/p>\n<p>\u2014 Nossa luta pela nacionaliza\u00e7\u00e3o parte de longe, dos primeiros anos da d\u00e9cada de 2000: enquanto todas as demais organiza\u00e7\u00f5es endossavam, al\u00e9m dos planos da empresa, tamb\u00e9m o arranjo social, at\u00e9 prever a total privatiza\u00e7\u00e3o da ex-companhia em 2009, n\u00f3s j\u00e1 reivindic\u00e1vamos a nacionaliza\u00e7\u00e3o como \u00fanica solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E hoje, com o novo governo, a perspectiva para os trabalhadores mudou, mas continua desalentadora. Os dois ministros que t\u00eam em m\u00e3os o dossi\u00ea da Alitalia s\u00e3o do partido Cinco Estrelas (no MISE e no MIT). Por\u00e9m, nem quando o Movimento Cinco Estrelas (M5S) estava em campanha eleitoral, e muito menos agora que \u00e9 governo, nunca teve em seu campo uma proposta real e concreta de reativa\u00e7\u00e3o da companhia. O ministro do Desenvolvimento Econ\u00f4mico, Di Maio, repete continuamente que uma participa\u00e7\u00e3o estatal na Alitalia n\u00e3o \u00e9 um tabu, mas n\u00e3o explica qual seria a entidade desta participa\u00e7\u00e3o e, sobretudo, que papel de decis\u00e3o e controle estrat\u00e9gico o Estado teria sobre a futura companhia.<\/p>\n<p>Tenho a impress\u00e3o de que, por tr\u00e1s dos <em>slogans<\/em> do Cinco Estrelas, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma boa proposta, mas a amea\u00e7a de herdar do p\u00e9ssimo ex-ministro Calenda ou, em todo caso, manter a mesma proposta com poucas modifica\u00e7\u00f5es, amea\u00e7ando concluir, de qualquer maneira, com a venda da Alitalia (ou de uma grande parte dela) a um s\u00f3cio internacional. Mais uma vez, a bandeira e o controle estrat\u00e9gico do transporte a\u00e9reo italiano seriam transferidos a um comprador estrangeiro. Minha suspeita \u00e9 confirmada pelo fato de que Di Maio, apesar da \u201cbatalha\u201d pr\u00e9-eleitoral do M5S contra a nomea\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas comissionados por parte do governo anterior, decidiu, junto com a Liga, deix\u00e1-los em seus postos, embora eles tenham o objetivo preciso de redimensionar e vendar a Alitalia (ainda s\u00e3o 1.500 os trabalhadores suspensos injustamente do trabalho pela \u201c<em>cassa integrazione<\/em>\u201d, isto \u00e9, uma suspens\u00e3o do trabalho com o apoio econ\u00f4mico do Estado), tarefa que at\u00e9 agora levam adiante, passo a passo. Se as coisas est\u00e3o assim, pouco contar\u00e1 a eventual participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, que servir\u00e1 somente como caminho funcional \u00e0 reestrutura\u00e7\u00e3o da companhia e\/ou para garantir os investimentos dos futuros compradores.<\/p>\n<p>Desse modo, creio fortemente que a \u00fanica perspectiva para os trabalhadores da Alitalia \u00e9 a retomada, o quanto antes, da luta em larga escala, tentando desequilibrar isso tendo em conta as rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a: para a\u00ed que apontamos, colocando j\u00e1 no calend\u00e1rio iniciativas de mobiliza\u00e7\u00e3o e nos preparando para qualquer eventualidade.<\/p>\n<p><em>\u2014 Voc\u00ea v\u00ea analogias entre o conflito de voc\u00eas e o da [empresa sider\u00fargica italiana] Ilva?<\/em><\/p>\n<p>\u2014 O caso Ilva \u00e9, na minha opini\u00e3o, a prova de fogo: houve promessas de nacionaliza\u00e7\u00e3o, saneamentos, desenvolvimento, emiss\u00f5es zero e, em troca, nos deparamos com a reorganiza\u00e7\u00e3o do maior polo sider\u00fargico italiano, com 3.000 demiss\u00f5es, a venta a uma alian\u00e7a franco-chinesa, uma cidade como Taranto ainda condenada \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o e \u00e0 morte e o risco de monopoliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o por parte dos mesmos compradores privados.<\/p>\n<p>O que me preocupa \u00e9 que h\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es sindicais de base que, ap\u00f3s assinar o acordo na Ilva, est\u00e3o agora elogiando e tamb\u00e9m reivindicando o conflito da Alitalia. Falo dos representantes da Usb, que continuam defendendo nacionaliza\u00e7\u00f5es em toda parte, mas, em um tipo de bipolarismo sindical, endossam arranjos empresariais e privatiza\u00e7\u00f5es em todos os locais onde est\u00e3o presentes.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed onde encontro a maior analogia entre o conflito da Ilva e a tempestuosa hist\u00f3ria da Alitalia: na assinatura dos acordos por parte daqueles que, at\u00e9 o \u00faltimo minuto, se dizem paladinos da justi\u00e7a social, mas que ao final capitulam para garantir cargos e pequenos privil\u00e9gios para sua pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o. A analogia continua no conte\u00fado dos acordos: os temas dos acordos na Ilva s\u00e3o exatamente a c\u00f3pia dos utilizados para a privatiza\u00e7\u00e3o da ex-companhia de bandeira em 2009, na qual, por meio de uma lei <em>ad hoc <\/em>(Lei <em>Marzano<\/em>) advinda de Berlusconi (em nome da mudan\u00e7a&#8230;), foram \u201cdribladas\u201d todas as prote\u00e7\u00f5es para os trabalhadores na passagem de uma empresa a outra, obrigando-os a demitir-se para depois serem contratados (talvez) na nova sociedade.<\/p>\n<p>A \u00fanica diferen\u00e7a entre a Alitalia em 2009 e a Ilva em 2018 est\u00e1 na gest\u00e3o das demiss\u00f5es: na Alitalia, aqueles que n\u00e3o foram recontratados receberam sete anos de licen\u00e7a do trabalho com ajuda do Estado; na Ilva, ser\u00e3o dados incentivos pr\u00f3ximos a 100.000 euros brutos (70.000 l\u00edquidos).<\/p>\n<p><em>\u2014 Voc\u00ea tamb\u00e9m sempre esteve empenhado na constru\u00e7\u00e3o de uma coordena\u00e7\u00e3o nacional e internacional das lutas do seu setor de trabalho. Este empenho se traduziu na colabora\u00e7\u00e3o ativa com a Frente de Luta <\/em>No Austerity <em>na It\u00e1lia e com a Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas [RISL] em n\u00edvel internacional. Conte-nos alguma experi\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p>Para falar a verdade, sempre quis me dedicar al\u00e9m do \u00e2mbito nacional, tamb\u00e9m no internacional, para tentar construir coordena\u00e7\u00f5es junto a outros companheiros de distintas realidades, n\u00e3o apenas do setor a\u00e9reo, com o objetivo de criar uma frente de trabalhadores a mais ampla e forte poss\u00edvel. Tudo isso tamb\u00e9m para buscar superar as diferen\u00e7as entre as organiza\u00e7\u00f5es sindicais que, muitas vezes, est\u00e3o distantes de seus trabalhadores de base: um exemplo s\u00e3o as gest\u00f5es das greves gerais do sindicalismo de base. O estouro do \u00faltimo conflito da Alitalia me deu a possibilidade de p\u00f4r em pr\u00e1tica, concretamente, esta minha propens\u00e3o de refor\u00e7as a coordena\u00e7\u00e3o das lutas.<\/p>\n<p>Como disse antes, a manifesta\u00e7\u00e3o do 27 de maio e a greve do 16 de junho foram muitos emocionantes, pois conseguimos conectar, em momentos unit\u00e1rios e sobre a base da solidariedade, lutas de trabalhadores de outras empresas e setores, cada um com as pr\u00f3prias reivindica\u00e7\u00f5es. No entanto, em tudo isso senti que faltava algo que desse corpo e continua\u00e7\u00e3o \u00e0 minha convic\u00e7\u00e3o e \u00e0 necessidade de trazer os trabalhadores de diferentes setores e empresas ao di\u00e1logo e \u00e0 discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Encontrei a resposta a estas necessidades na Frente de Luta <em>No Austerity<\/em>, a primeira verdadeira coordena\u00e7\u00e3o que, respeitando as diferen\u00e7as e afilia\u00e7\u00f5es sindicais, p\u00f5e como principal objetivo unir a classe contra os patr\u00f5es. A n\u00edvel internacional, encontrei a mesma resposta na Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas.<\/p>\n<p>Em particular, a respeito da experi\u00eancia internacional, a primeira foi em Roma com os companheiros da AirFrance, do sindicato Sud Ari\u00e9n, com os quais nos encontramos j\u00e1 em julho, ap\u00f3s o referendo. Foi uma reuni\u00e3o muito interessante, que encerrou com um texto p\u00fablico e o compromisso de seguir mantendo vivo o contato.<\/p>\n<p>Important\u00edssima, sem d\u00favida, e uma das experi\u00eancias mais belas da minha vida, foi o convite e minha participa\u00e7\u00e3o, em outubro de 2017, no Congresso da CSP-Conlutas no Brasil onde, diante de milhares de delegados procedentes de todo o pa\u00eds, foi-me dada a possibilidade de contar a luta que protagoniz\u00e1vamos na Alitalia. Em seguida, foi muito interessante participar tamb\u00e9m do I Encontro das Am\u00e9ricas, da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas, ocorrido em S\u00e3o Paulo; bem como foi inesquec\u00edvel fazer, depois, um <em>tour<\/em> pelas terras ocupadas e f\u00e1bricas em greve, onde pudemos levar nossa solidariedade.<\/p>\n<p>Outras importantes iniciativas internacionais das quais tive o prazer de participar foram o III Encontro da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas, que ocorreu em Madri em janeiro de 2018, no qual, por meio de um documento sobre a situa\u00e7\u00e3o global do setor a\u00e9reo, conseguimos fazer \u201cdecolar\u201d uma coordena\u00e7\u00e3o internacional de realidades combativas do setor.<\/p>\n<p>Para terminar, uma experi\u00eancia para a qual dou muito valor \u00e9 ter sido convidado pelos oper\u00e1rios da Embraer para o seu congresso, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, sobre a defesa da nacionaliza\u00e7\u00e3o de sua empresa: contei sobre as consequ\u00eancias que sofremos com a privatiza\u00e7\u00e3o da Alitalia e a decorrente perda do car\u00e1ter p\u00fablico de um setor estrat\u00e9gico de nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p><em>\u2014 E agora sobre n\u00f3s! Sua decis\u00e3o de entrar no PdAC e na LIT nos enche de orgulho. Pode nos dizer quais foram os principais motivos que te convenceram a se unir a n\u00f3s?<\/em><\/p>\n<p>\u2014 Antecipo que, em 40 anos de vida e 15 de ativismo sindical, \u00e9 a primeira vez que decido entrar em um partido, mas n\u00e3o porque at\u00e9 agora estivesse desinteressado pelos fatos pol\u00edticos ou porque pensasse que a pol\u00edtica n\u00e3o reca\u00edsse diretamente sobre nossas vidas, ao contr\u00e1rio! Minha decis\u00e3o de n\u00e3o aderir a nenhuma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se assentava no fato de que, at\u00e9 aqui, ao longo do meu caminho, n\u00e3o encontrei nada que pudesse se aproximar minimamente do modo como eu compreendo a milit\u00e2ncia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m porque, at\u00e9 hoje, pagamos caro pelos horrores herdados do estalinismo, que ainda vivem e crescem em muitas organiza\u00e7\u00f5es, coisas que me distanciaram, por um longo tempo, da possibilidade de entrar em um partido definido \u201ccomunista\u201d. Para n\u00e3o falar do oportunismo eleitoral que surge em cada pleito: incansavelmente, alian\u00e7as \u00e0 esquerda nas quais apenas mudam os nomes das coaliz\u00f5es, mas nunca os candidatos e as organiza\u00e7\u00f5es aderentes, tudo com o \u00fanico objetivo de ganhar algum cargo no parlamento, iludindo os eleitores de que \u00e9 poss\u00edvel mudar o sistema por dentro.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 15 anos sou ativista e representante sindical da Cub Transportes na Alitalia, mas nestes anos foram muitos outros os conflitos que protagonizamos no aeroporto de Fiumicino, seja entre as sociedades de <em>handling <\/em>[bagageiros] ou em geral na Argol (limpeza, restaurantes&#8230;), e a principal atitude que sempre caracterizou nosso caminho foi o total recha\u00e7o a priorizar eventuais privil\u00e9gios, que poderiam ser alcan\u00e7ados com a assinatura de acordos e contratos, a despeito das reais necessidades dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Isso porque acreditamos, e estou plenamente convencido disso, que o \u00fanico caminho que realmente pode mudar o estado de coisas deve passar por uma agita\u00e7\u00e3o geral dos trabalhadores, que os uma na luta, superando at\u00e9 mesmo as fronteiras nacionais: os patr\u00f5es est\u00e3o bem organizados globalmente para atacar os trabalhadores e a resposta n\u00e3o pode deixar de ser internacional, n\u00e3o h\u00e1 alternativas e muito menos atalhos.<\/p>\n<p>Tudo isso para dizer que, desde o primeiro dia em que comecei a frequentar as atividades do partido, em que pude descobrir e aprofundar trajet\u00f3rias e posi\u00e7\u00f5es, tive a impress\u00e3o de me encontrar em um ambiente familiar, no qual encontrei as consignas sobre temas primordiais (estalinismo, opress\u00f5es, explora\u00e7\u00e3o, etc.), que desde sempre fazem parte do meu pr\u00f3prio DNA. Inclusive, para ser sincero, a fa\u00edsca que fez explodir em mim a decis\u00e3o de entrar no PdAC e consequentemente na LIT foi a pr\u00f3pria atividade internacional e o sonho de ver um dia uma Quarta Internacional forte e capaz de combater globalmente a barb\u00e1rie do capitalismo.<\/p>\n<p><em>\u2014 Voc\u00ea \u00e9 um companheiro que sempre esteve muito atento a todas as duplas opress\u00f5es, como o racismo e a viol\u00eancia contra a mulher. O que pensa do empenho do PdAC e da LIT neste terreno?<\/em><\/p>\n<p>\u2014 Absolutamente sim; as opress\u00f5es s\u00e3o um dos principais instrumentos \u00e0s m\u00e3os do capitalismo para reprimir e dividir a classe trabalhadora a fim de explor\u00e1-la e control\u00e1-la: temos amplos exemplos disso com o governo da Liga, que ataque e reprime ao som de declara\u00e7\u00f5es, decretos e propostas de leis contra os imigrantes, as mulheres e as LGBT.<\/p>\n<p>A respeito da dedica\u00e7\u00e3o do PdAC (e da LIT) neste terreno, me animo em dizer que est\u00e1 entre as poucas organiza\u00e7\u00f5es, at\u00e9 agora, que desenvolve a quest\u00e3o das opress\u00f5es do ponto de vista da classe trabalhadora e sobretudo do proletariado: o racismo e as opress\u00f5es de cada g\u00eanero s\u00e3o uma batalha de classe e n\u00e3o podem ser enfrentados sob uma \u00f3tica interclassista. O socialismo n\u00e3o admite nenhum tipo de divis\u00f5es, a n\u00e3o ser a que nos diferencia da burguesia.<\/p>\n<p>Por meio dos textos que li, produzidos pelo PdAC e por outras sess\u00f5es da LIT, sem d\u00favida pude melhorar minha consci\u00eancia e consequentemente tamb\u00e9m minhas atitudes a respeito dos imigrantes e sobretudo das mulheres: s\u00e3o absolutamente justas e necess\u00e1rias uma an\u00e1lise e uma eventual autocr\u00edtica das pr\u00f3prias vanguardas, que n\u00e3o s\u00e3o imunes a poss\u00edveis desvios. Seguramente o empenho neste terreno n\u00e3o dever\u00e1 acabar e n\u00e3o dever\u00edamos nunca colocar limites de balan\u00e7o e avan\u00e7os: neste sentido, fico feliz que no pr\u00f3ximo Congresso da LIT o tema das opress\u00f5es ser\u00e1 central.<\/p>\n<p><em>\u2014 Pr\u00f3ximos compromissos da luta nacional e internacional?<\/em><\/p>\n<p>\u2014 O conflito da Alitalia ser\u00e1 ainda, sem d\u00favida, o campo de batalha dos pr\u00f3ximos meses \u2013 e logo nesses dias em que respondo a esta entrevista, com as outras companheiras e companheiros do Cub Transportes, organizamos duas vig\u00edlias diante do Minist\u00e9rio de Desenvolvimento Econ\u00f4mico, em 5 e 12 de outubro.<\/p>\n<p>A segunda vig\u00edlia foi organizada em concomit\u00e2ncia com uma convocat\u00f3ria do Ministro a todas as organiza\u00e7\u00f5es sindicais, encontro no qual De Maio, em plen\u00e1rio, explicou o que tinha em mente para o futuro da Alitalia e seus trabalhadores. Declara\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias em rela\u00e7\u00e3o ao governo anterior, mas que se tornam iguais (empresa \u00fanica com participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, zero demiss\u00f5es, investimentos e desenvolvimento) enquanto n\u00e3o se saiba sua verdade e concretude. No entanto, s\u00e3o declara\u00e7\u00f5es que, em todo caso, alimentaram as ilus\u00f5es dos trabalhadores justo \u00e0s v\u00e9speras da dif\u00edcil greve geral que deflagar\u00edamos em 26 de outubro.<\/p>\n<p>Importante, ainda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 jornada do 12 de outubro, foi compartilhar a pra\u00e7a do Minist\u00e9rio com os companheiros do transporte p\u00fablico romano (Atac) em greve em solidariedade com uma ativista que sofreu uma forte repress\u00e3o, at\u00e9 sua demiss\u00e3o, por ter denunciado problemas de seguran\u00e7a nos meios de transporte.<\/p>\n<p>Concernente \u00e0s pr\u00f3ximas iniciativas internacionais, estamos justamente \u00e0s v\u00e9speras do I Encontro Internacional do sindicalismo combativo do setor a\u00e9reo<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, em que seremos h\u00f3spedes de trabalhadores da Iberia, do sindicato CGT. Participar\u00e3o do encontro companheiros do setor a\u00e9reo provenientes da Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Portugal, que neste ano e meio fizeram contato por meio de interc\u00e2mbios de solidariedade e informa\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m gra\u00e7as \u00e0 Rede Sindical Internacional, e que decidiram compartilhar posi\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias para criar uma coordena\u00e7\u00e3o que seja capaz de agregar o maior n\u00famero poss\u00edvel de realidades combativas, com o objetivo de conseguir organizar momentos de luta unit\u00e1ria. Cumprimento-os com a promessa de que os atualizarei com os resultados desta incr\u00edvel experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Artigo original publicado em <em>Progetto Comunista<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt;<u><a href=\"https:\/\/www.alternativacomunista.it\/politica\/perch%C3%A9-ho-deciso-di-aderire-al-pdac-e-alla-lit-quarta-internazionale\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.alternativacomunista.it\/politica\/perch%C3%A9-ho-deciso-di-aderire-al-pdac-e-alla-lit-quarta-internazionale<\/a><\/u>&gt;.<\/p>\n<p>Nota:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> O Encontro ocorreu de modo proveitoso e, entre outras coisas, aprovou uma mo\u00e7\u00e3o para exigir a liberdade imediata de Daniel Ruiz.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o ao portugu\u00eas: Isa P\u00e9rez<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista a Daniele Cofani, dirigente oper\u00e1rio da dura luta dos trabalhadores da Alitalia.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":25090,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[218,3588],"tags":[523,524,6725,6726,525,3611,3924,476,3511,192,3740],"class_list":["post-25089","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-italia","category-lit-qi-e-partidos","tag-alitalia","tag-daniele-cofani","tag-exploracao","tag-greve","tag-italia-2","tag-lit-qi","tag-opressoes","tag-pdac","tag-revolucao","tag-socialismo","tag-solidariedade-internacional"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/daniele_adesione_1.jpg","categories_names":["It\u00e1lia","Lit-QI e Partidos"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25089","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25089"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25089\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25090"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25089"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25089"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25089"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}