{"id":2499,"date":"2012-12-17T17:54:52","date_gmt":"2012-12-17T17:54:52","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2012\/12\/17\/a-crise-do-pao-um-produto-da-politica-neoliberal\/"},"modified":"2012-12-17T17:54:52","modified_gmt":"2012-12-17T17:54:52","slug":"a-crise-do-pao-um-produto-da-politica-neoliberal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2012\/12\/17\/a-crise-do-pao-um-produto-da-politica-neoliberal\/","title":{"rendered":"A crise do p\u00e3o: um produto da pol\u00edtica neoliberal"},"content":{"rendered":"\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"141\" hspace=\"4\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/home_graph.jpg\" vspace=\"4\" width=\"235\" \/>O jornal &ldquo;Almassae&rdquo; publicou em setembro um artigo intitulado &ldquo;O Marrocos se encaminha para uma crise do p&atilde;o e a patronal do setor se preocupa&rdquo;, no qual se diz que os padeiros alertam sobre uma poss&iacute;vel crise do p&atilde;o no Marrocos, e que o governo marroquino ter&aacute; dificuldades para prover o mercado de cereais durante o pr&oacute;ximo per&iacute;odo. A avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; baseada nos informes dos organismos internacionais, especialmente a Organiza&ccedil;&atilde;o para Alimenta&ccedil;&atilde;o e Agricultura (a FAO), e o Banco Mundial. Isto levou os analistas a considerar que &ldquo;a situa&ccedil;&atilde;o requer a&ccedil;&atilde;o urgente e preven&ccedil;&atilde;o, para evitar que o Marrocos volte a viver a mesma situa&ccedil;&atilde;o dos anos 80.&rdquo;<\/span><\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Isto &eacute; que se diz atualmente nos jornais, por&eacute;m, quando nos aproximamos do que est&aacute; acontecendo na realidade, h&aacute; uma clara piora da situa&ccedil;&atilde;o para a imensa maioria da sociedade, especialmente para a classe trabalhadora e os mais pobres. Basta observar o projeto de lei or&ccedil;ament&aacute;ria para o ano de 2013, e sua rela&ccedil;&atilde;o com a quest&atilde;o alimentar, para percebermos que as medidas adotadas nesta se&ccedil;&atilde;o refletem as novas op&ccedil;&otilde;es neoliberais, aplicadas pelo governo isl&acirc;mico moderado, no contexto da crise global do capitalismo.<br \/>\n\t<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O valor das importa&ccedil;&otilde;es de alimentos b&aacute;sicos no Marrocos em 1982 foi estimado em 3 bilh&otilde;es de dirhams AED (dos Emirados &Aacute;rabes Unidos), e se converteu em 26,7 bilh&otilde;es de dirhams em 2007, ano do estouro inicial da crise alimentar e do aumento dos pre&ccedil;os dos alimentos em n&iacute;vel mundial. O valor das importa&ccedil;&otilde;es de alimentos aumentou em mais de 45% entre 2007 e 2011, e viu-se um aumento de mais de 65% no pre&ccedil;o dos cereais, a&ccedil;&uacute;car, leite e ch&aacute;.<\/p>\n<p>\tPor outro lado, a pol&iacute;tica agr&iacute;cola no Marrocos se construiu sobre cultivos de exporta&ccedil;&atilde;o de menor import&acirc;ncia (c&iacute;tricos), que comp&otilde;em 30% das importa&ccedil;&otilde;es de alimentos nos &uacute;ltimos anos. Em 2011, se produziu uma diminui&ccedil;&atilde;o desta porcentagem, at&eacute; o n&iacute;vel do ano de 1982 (ano em que ocorreram as revoltas do p&atilde;o no pa&iacute;s).<\/p>\n<p>\tA pol&iacute;tica agr&iacute;cola no Marrocos tem uma forte correla&ccedil;&atilde;o com c&iacute;rculos imperialistas e com as empresas exportadoras mais importantes do mundo, que controlam em grande medida a pol&iacute;tica alimentar e a produ&ccedil;&atilde;o, para n&atilde;o falar da especula&ccedil;&atilde;o. A isto se somam os acordos de livre com&eacute;rcio, o que levou &agrave; perda da prote&ccedil;&atilde;o de nossos mercados a partir da invas&atilde;o dos produtos agr&iacute;colas e industriais imperialistas. Isto ocasionou a perda da soberania no que se refere &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o e &agrave; agricultura.<\/p>\n<p>\tOutro dado &eacute; que as terras mais f&eacute;rteis s&atilde;o propriedade da institui&ccedil;&atilde;o real e daqueles que giram ao seu redor. Para eles, a &uacute;nica fun&ccedil;&atilde;o da terra &eacute; produzir lucros que possam ser depositados nos para&iacute;sos fiscais. Este &eacute; outro aspecto da corrup&ccedil;&atilde;o que paralisa e reduz a economia do pa&iacute;s. <\/p>\n<p>\tA domina&ccedil;&atilde;o colonial direta do Marrocos (1912-1955), que deu lugar ao saque da riqueza e impediu a industrializa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, condenando-o ao atraso e &agrave; pobreza, continuou sob outras formas depois da independ&ecirc;ncia formal. A partir dela, o pa&iacute;s foi submetido &agrave; vontade das institui&ccedil;&otilde;es financeiras internacionais e &agrave; depend&ecirc;ncia completa dos polos imperialistas, que continuaram roubando as riquezas atrav&eacute;s de diferentes mecanismos (desequil&iacute;brio da balan&ccedil;a comercial, remessa de lucros para o exterior, extra&ccedil;&atilde;o de capital atrav&eacute;s do endividamento externo).<\/p>\n<p>\tNeste sentido, o imperialismo fez tudo o que p&ocirc;de para acabar com as riquezas do pa&iacute;s, impondo um programa segundo a l&oacute;gica capitalista-imperialista, o que levou &agrave; quebra da economia, e aprofundou a depend&ecirc;ncia e o &ldquo;seguidismo&rdquo; do Marrocos aos centros do imperialismo e suas institui&ccedil;&otilde;es. Essa depend&ecirc;ncia traz repercuss&otilde;es e consequ&ecirc;ncias para todas as &aacute;reas sociais, aumentando a intensidade das crises, principalmente agora, frente &agrave; crise do capitalismo global.<\/p>\n<p>\tPor outro lado, o Estado marroquino, para obter a ben&ccedil;&atilde;o dos imperialistas, especialmente do FMI e do Banco Mundial, deu mais est&iacute;mulos para as grandes empresas, de capital nacional ou estrangeiro, atrav&eacute;s do que se conhece como &ldquo;apoio ou est&iacute;mulo para investimentos&rdquo;, e a liberaliza&ccedil;&atilde;o do Com&eacute;rcio exterior atrav&eacute;s da pol&iacute;tica de &ldquo;melhorar as rela&ccedil;&otilde;es empresariais para promover a confian&ccedil;a, aumentando o atrativo do pa&iacute;s para as invers&otilde;es diretas e para o capital estrangeiro; melhorar a oferta de exporta&ccedil;&otilde;es e uma maior liberaliza&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio exterior; simplificar as tarifas e criar zonas francas para a exporta&ccedil;&atilde;o&rdquo;, segundo suas pr&oacute;prias observa&ccedil;&otilde;es sobre a lei or&ccedil;ament&aacute;ria para 2013. Cabe assinalar aqui que esta pol&iacute;tica &eacute; a mesma que se aplicou nos programas de ajuste estrutural, no in&iacute;cio dos anos 80 do s&eacute;culo passado.<\/p>\n<p>\tTudo isto se faz atrav&eacute;s de um ataque &agrave;s conquistas da popula&ccedil;&atilde;o e da classe oper&aacute;ria, atrav&eacute;s de demiss&otilde;es, congelamento dos sal&aacute;rios, aumento dos pre&ccedil;os dos produtos b&aacute;sicos, ataque aos sistemas de pens&otilde;es e aposentadorias. Atualmente, as taxas do desemprego s&atilde;o alarmantes. Entre os jovens de menos de 30 anos, o desemprego chega a 62%. Presenciamos tamb&eacute;m um aumento da pobreza e da mis&eacute;ria, e uma alta taxa de analfabetismo, principalmente entre as mulheres. Para confirmar esses dados desanimadores, basta consultar os informes de v&aacute;rios organismos internacionais, que classificam o Marrocos entre os primeiros no ranking dos indicadores de abandono social e humano.<\/p>\n<p>\tSem d&uacute;vida, o povo marroquino n&atilde;o tem outra alternativa para conseguir crescimento econ&ocirc;mico e autossufici&ecirc;ncia alimentar, al&eacute;m da liberta&ccedil;&atilde;o frente ao capital estrangeiro e nacional, atrav&eacute;s da ruptura com as institui&ccedil;&otilde;es financeiras mundiais, e a constru&ccedil;&atilde;o de um programa ao calor das lutas dos trabalhadores e do povo, atrav&eacute;s de suas organiza&ccedil;&otilde;es independentes da burguesia, para sua emancipa&ccedil;&atilde;o da tirania pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em><span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Tradu&ccedil;&atilde;o: Thais Moreira <\/p>\n<p>\n\t<\/span><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornal &ldquo;Almassae&rdquo; publicou em setembro um artigo intitulado &ldquo;O Marrocos se encaminha para uma crise do p&atilde;o e a patronal do setor se preocupa&rdquo;, no qual se diz que os padeiros alertam sobre uma poss&iacute;vel crise do p&atilde;o no Marrocos, e que o governo marroquino ter&aacute; dificuldades para prover o mercado de cereais durante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":6901,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3688],"tags":[],"class_list":["post-2499","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-marrocos"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/home_graph.jpg","categories_names":["Marrocos"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2499"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2499\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6901"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}