{"id":24393,"date":"2018-09-20T14:54:24","date_gmt":"2018-09-20T16:54:24","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=24393"},"modified":"2018-09-20T14:54:24","modified_gmt":"2018-09-20T16:54:24","slug":"africa-do-sul-as-rodas-estao-se-soltando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/09\/20\/africa-do-sul-as-rodas-estao-se-soltando\/","title":{"rendered":"\u00c1frica do Sul: As rodas est\u00e3o se soltando"},"content":{"rendered":"<p><em>H\u00e1 alguns anos atr\u00e1s um importante dirigente do CNA disse: &#8220;I fear the wheels are coming off&#8221; (temo que as rodas estejam saindo) ao se referir a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica da \u00c1frica do Sul. Ele n\u00e3o s\u00f3 tinha raz\u00e3o como as rodas continuam se soltando.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por:\u00a0Cesar Quiximba<\/p>\n<p>Nesses anos, em linhas gerais, podemos dizer que houve um violento processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o e com ele o aumento do desemprego, e os BRICS tem sido mais uma porta aberta contra os interesses nacionais. Ao mesmo tempo o movimento de massas vem mostrando sua for\u00e7a. As lutas dos estudantes universit\u00e1rios (#Fees must fall e #Rhodes Must Fall), mobiliza\u00e7\u00f5es contra o Massacre de Marikana, luta pelo fim do governo de Zuma e a greve geral no \u00faltimo m\u00eas de abril.<\/p>\n<p><strong>Uma economia em acelerado processo de decad\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos a \u00c1frica do Sul vem sofrendo um acelerado processo de decad\u00eancia econ\u00f4mica que se expressa no decl\u00ednio da taxa de crescimento econ\u00f4mico, nos d\u00e9ficits da balan\u00e7a de pagamentos e no baixo aumento na taxa de emprego, particularmente para trabalhadores menos qualificados e jovens. A chave para entender essa decad\u00eancia passa pelo processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o. Em 1994 a produ\u00e7\u00e3o industrial representava 21% do PIB e em 2016 estava em 13,3%. A minera\u00e7\u00e3o caiu de 13% para 7%.<\/p>\n<p>Desde a crise mundial de 2008 a situa\u00e7\u00e3o vem agravando-se e o crescimento anual da minera\u00e7\u00e3o e da ind\u00fastria tem sido insignificante. Economistas afirmam que considerando-se o est\u00e1gio de desenvolvimento da \u00c1frica do Sul, a contribui\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria na forma\u00e7\u00e3o do PIB deveria\u00a0 hoje estar entre 28 e 32%. Isso, teoricamente falando, teria criado entre 800 mil e 1,1 milh\u00e3o de empregos.<\/p>\n<p>De 1995 a 2016, a popula\u00e7\u00e3o cresceu de 45 milh\u00f5es para 55 milh\u00f5es, mas o desemprego cresceu de 3,7 milh\u00f5es para 7,7 milh\u00f5es. Desde 2008, apenas meio milh\u00e3o de empregos foram criados, a maioria dos quais no setor de servi\u00e7os e a maior parte em trabalhos prec\u00e1rios lan\u00e7ados pelo governo.<\/p>\n<p><strong>BRICS: peixe pequeno em rio de peixes grandes<\/strong><\/p>\n<p>Os sucessivos govenos do CNA comemoram o ingresso da \u00c1frica do Sul ao Bloco dos BRICS. Num rio de grandes peixes como Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China, a \u00c1frica do Sul \u00e9 o peixe pequeno a ser devorado pelos grandes. Um exemplo \u00e9 a cadeia produtiva do frango. Esse setor emprega entre trabalhadores diretos e indiretos, aproximadamente 100.000 postos de trabalho. Agora com o acordo dos BRICS, em funcionamento, come\u00e7aram a entrar frango brasileiro subsidiado e com taxas de importa\u00e7\u00e3o extremamente reduzidas.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que o frango brasileiro, mais barato, est\u00e1 levando a quebra esse setor e provocando mais desemprego. O exemplo do frango \u00e9 o mais emblem\u00e1tico, mas de conjunto o setor manufatureiro est\u00e1 se desestruturando. O a\u00e7\u00facar sul africano antes altamente competitivo tamb\u00e9m entra na roda da desindustriliza\u00e7\u00e3o. No \u00faltimo 25 de junho houve uma importante marcha de produtores em KwaZulu-Natal contra a importa\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar com pre\u00e7os reduzidos. O pr\u00f3prio governo reconheceu que &#8220;muito a\u00e7\u00facar entra no pa\u00eds e a ind\u00fastria est\u00e1 sangrando&#8221;.<\/p>\n<p><strong>BRICS: a servi\u00e7o da desnacionaliza\u00e7\u00e3o da economia<\/strong><\/p>\n<p>Duas importantes empresas estatais da Africa do Sul, devastadas pela crise econ\u00f4mica e pelos processo de corrup\u00e7\u00e3o, precisaram de inje\u00e7\u00e3o de capitais. A Eskrom (empresa de energia el\u00e9trica) recebeu US$ 5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares da China e outros, US$ 2,4 bilh\u00f5es dos pa\u00edses membros do Brics; a Transnet (trens, terminais portu\u00e1rios e oleodutos) recebeu outros US$ 4 bilh\u00f5es do Banco Industrial e Comercial da China.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, o Tesouro e o governo t\u00eam sido extremamente relutantes em divulgar detalhes relacionados a esses empr\u00e9stimos. O PSA (Public Servants Association\/Associa\u00e7\u00e3o dos Servidores P\u00fablicos) apresentou mo\u00e7\u00e3o a Alta Corte para descobrir os detalhes dos empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>H\u00e1 um crescente clamor social em conhecer os detalhes dos empr\u00e9stimos chineses, especialmente \u00e0 luz da recente experi\u00eancia do Sri Lanka. Em 2010, essa na\u00e7\u00e3o insular \u00a0recebeu empr\u00e9stimos da China para construir um novo porto em Hambantota, no sudeste do pa\u00eds. Quando os empr\u00e9stimos n\u00e3o puderam ser atendidos, o governo foi obrigado a aceitar um arrendamento por 99 anos do porto a uma empresa chinesa. O PSA j\u00e1 antev\u00ea\u00a0 desnacionaliza\u00e7\u00e3o da Eskron e da Transnet.<\/p>\n<p><strong>A desesperante situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora<\/strong><\/p>\n<p>A taxa de desemprego na ordem de 26,7%, sendo que entre os jovens entre 15 a 24 anos, mais de 3 milh\u00f5es. Cerca de um em cada tr\u00eas jovens trabalhadores n\u00e3o est\u00e1 trabalhando. \u00c9 uma trag\u00e9dia para os trabalhadores, mas para os patr\u00f5es \u00e9 um fator para pressionar os trabalhadores para aceitarem as piores condi\u00e7\u00f5es. O sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 de 20 rands a hora. Uma servente escolar, por exemplo, ganha 4 mil rands por m\u00eas, ou mil rands na semana, ou 200 rands di\u00e1rios.<\/p>\n<p>O quilo de carne est\u00e1 em 100 rands, duas passagens de lota\u00e7\u00e3o custam 40 rands. Portanto, esse sal\u00e1rio alcan\u00e7a apenas o suficiente para pagar a passagem, um quilo de carne e sobra apenas 30% do ganho di\u00e1rio para outras despesas. \u00a0Em Cape Town, na zona das grandes f\u00e1bricas de confec\u00e7\u00e3o, \u00e9 comum ver mulheres sentadas na cal\u00e7ada na hora do almo\u00e7o fazendo a refei\u00e7\u00e3o. O almo\u00e7o em geral \u00e9 p\u00e3o com sardinha, salsinha ou p\u00e3o com abacate. Os acidentes de trabalho s\u00e3o uma constante.<\/p>\n<p>No final de julho 6 trabalhadores morreram em uma mina. Nos primeiros dias de setembro, foram outros 8 em uma ind\u00fastria. \u00a0N\u00e3o \u00e9 uma &#8216;fatalidade&#8217; como diz a nota da central sindical COSATU, \u00e9 parte da explora\u00e7\u00e3o capitalista e do abuso contra os trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>O Massacre de Marikana<\/strong><\/p>\n<p>A classe trabalhadora \u00e9 massacrada pelo desemprego, baixos s\u00e1larios e acidentes do trabalho. Em 2012 houve um outro tipo de massacre atrav\u00e9s do assassinato de 34 trabalhadores em greve.<\/p>\n<p>A empresa de minera\u00e7\u00e3o Lonmin, de capital ingl\u00eas, com 28 mil trabalhadores, enfrentou-se com um piquete de 3.000 pessoas que j\u00e1 durava uma semana. N\u00e3o foi a empresa que se enfrentou com os trabalhadores, foi o Estado sulafricano comandado pelo CNA\/Cosato\/Partido Comunista, que colocou a disposi\u00e7\u00e3o da empresa 400 homens armados de fuzil AR 15, carro de assalto, helic\u00f3pteros e pasmem: dois carros para transportar at\u00e9 10 cadaveres cada um.\u00a0 Isto significa que antes da opera\u00e7\u00e3o j\u00e1 se previa o massacre.<\/p>\n<p>\u00c0 epoca, um dos executivos da Lonmin era Cyril Ramaphosa, velho quadro sindical e da dire\u00e7\u00e3o do CNA, atualmente \u00e9 o presidente da Rep\u00fablica. Durante as investiga\u00e7\u00f5es foram encontrados diversos emails de Ramaphosa defendendo uma li\u00e7\u00e3o exemplar!<\/p>\n<p><strong>Desnutri\u00e7\u00e3o e fome: cotidiano dos trabalhadores\u00a0<\/strong><b>sul africanos<\/b><\/p>\n<p>As formas mais cru\u00e9is do massacre contra os trabalhadores e o povo pobre sul africano \u00e9 a da fome e a da desnutri\u00e7\u00e3o. A \u00c1frica do Sul produz calorias suficientes para alimentar seus 53 milh\u00f5es de habitantes. No entanto, uma em cada quatro pessoas passa fome e mais da metade da popula\u00e7\u00e3o corre o risco de passar fome, segundo dados do org\u00e3o estatal Stats SA (Statistics\u00a0<em>South Africa<\/em>). \u00a0O n\u00famero de pessoas afetados pela fome est\u00e1 estimado em cerca de 13 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A desnutri\u00e7\u00e3o se d\u00e1 quando o indiv\u00edduo n\u00e3o pode mais manter suas capacidades corporais naturais como crescimento, gravidez, lacta\u00e7\u00e3o, habilidade de aprendizado, trabalho f\u00edsico e resist\u00eancia, al\u00e9m da supera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as. O desnutrido pode estar abaixo do peso ou com sobrepeso. A desnutri\u00e7\u00e3o infantil na \u00c1frica do Sul est\u00e1 na casa de 26,5%, os n\u00edveis de obesidade est\u00e3o entre os mais altos do mundo e se apresenta em 42% das mulheres.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es para esse quadro s\u00e3o os baixos sal\u00e1rios e o desemprego, em primeiro lugar. Mas tamb\u00e9m tem muita import\u00e2ncia a concentra\u00e7\u00e3o de capital na medida em que os cinco grandes varejistas de alimentos controlam 60% do mercado, promovendo alimentos processados \u200b\u200bde baixa qualidade, quebrando os varejistas menores e os comerciantes informais, e como se fosse pouco, revendem os alimentos vencidos para cadeias menores que os vendem nas regi\u00f5es mais pobres.<\/p>\n<p><strong>As rodas come\u00e7am a se soltar e come\u00e7a a surgir uma nova dire\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Depois de quase 25 anos de governo tripartite dos partidos CNA (<em>African National Congress)<\/em>,\u00a0 PC da \u00c1frica do Sul e da central sindical COSATU (Congress of\u00a0<em>South African<\/em>\u00a0Trade Unions) a experi\u00eancia das massas se acelera. O desgaste do \u00faltimo presidente eleito Zuma era tal que o pr\u00f3prio CNA na condi\u00e7\u00e3o de for\u00e7a majorit\u00e1ria no Congresso imp\u00f4s a renuncia de Zuma e a ascens\u00e3o de um novo presidente, Cyril Ramaphosa, celebre por seu papel no Masacre de Marikana.\u00a0J\u00e1 desde 2010 mais ou menos uma fra\u00e7\u00e3o da COSATU come\u00e7ou a diferenciar-se da maioria da dire\u00e7\u00e3o e a construir seus pr\u00f3prios sindicatos.<\/p>\n<p>Em Marikana foi constru\u00eddo um sindicato alternativo e quando este conseguiu afiliar a 51% dos trabalhadores, chamou a greve. A primeira repress\u00e3o \u00e0 greve, com dois mortos, foi provocada pela pr\u00f3pria burocracia. Depois a burocracia sindical juntou-se com a empresa e com o Estado para reprimir e matar os outros 32 trabalhadores. A\u00ed entrou a figura do Cyril Ramaphosa, ex dirigente sindical mineiro e naquele momento diretor da empresa \u00a0Lonmin.<\/p>\n<p>Em 2012, o sindicato nacional de metal\u00fargicos &#8211; NUMSA (National Union of Metalworks of South Africa) &#8211; se negou a apoiar as candidaturas do CNA\/PC e por essa atitude foram expulsos da Central Sindical COSATU. Em 2013, o NUMSA em seu congresso extraordin\u00e1rio lan\u00e7a a ideia de construir um partido de trabalhadores o qual recebe o nome de Works Revolutionary Socialist Party. \u00a0Em 2017, foi fundada a SAFTU (South African Federation of Trade Unions), com mais de 20 sindicatos nacionais afiliados, rompendo o isolamento do NUMSA.<\/p>\n<p>Em 2018, os dirigentes sindicais resolveram impulsionar a constru\u00e7\u00e3o do Workers Party.\u00a0As compara\u00e7\u00f5es com o PT brasileiro na sua origem s\u00e3o inevit\u00e1veis e at\u00e9 estimuladas. Para n\u00f3s h\u00e1 pontos de contato, mas tamb\u00e9m importantes diferen\u00e7as. Primeiro por que o PT na sua origem estava respaldado num enorme ascenso de massas e os grupos de esquerda tinham um importante peso nas disputas com a burocracia sobre os rumos do PT.<\/p>\n<p>O Workers Party, \u00e9 verdade que ganha um importante impulso com a queda do presidente Zuma e a greve geral do \u00faltimo m\u00eas de abril, mas est\u00e1 muito longe do ascenso brasileiro do in\u00edcio do PT. \u00a0A aus\u00eancia de fortes grupos de esquerda impede que haja um contraponto \u00e0s posi\u00e7\u00f5es mais reformistas. E como se n\u00e3o bastasse, na articula\u00e7\u00e3o do Workers Party h\u00e1 a presen\u00e7a inclusive de ONGs financiadas por organiza\u00e7\u00f5es que defendem um capitalismo humanizado.\u00a0O programa deve ser a s\u00edntese das posi\u00e7\u00f5es que se expressam no interior do movimento sindical, das ONGs e de alguns grupos marxistas de pouco peso.<\/p>\n<p>Um dos sindicatos mais importantes, o da alimenta\u00e7\u00e3o, FAWU (Food and Allied Workers Union), por exemplo, \u00e9 parte da campanha nacional contra a importa\u00e7\u00e3o de frango. Fazer a campanha \u00e9 correto. O incorreto \u00e9 construir uma frente \u00fanica permanente com os empres\u00e1rios. Andar de m\u00e3os dadas com o inimigo nunca foi uma boa alternativa para os trabalhadores. \u00a0Os sindicatos que est\u00e3o por tr\u00e1s das articula\u00e7\u00f5es do Workers Party somam por volta de 800 mil trabalhadores. Um n\u00famero significativo na atual conjuntura.<\/p>\n<p><strong>Uma grande desafio para a esquerda marxista<\/strong><\/p>\n<p>No final dos 80 e come\u00e7o dos 90 do s\u00e9culo passado a classe trabalhadora deu grandes batalhas pelo fim do sistema de segrega\u00e7\u00e3o, conhecido como Apartheid. A principal figura desse processo foi Nelson Mandela que havia passado 27 anos na pris\u00e3o.\u00a0 A heroica vida de Mandela pelo fim do Apartheid n\u00e3o pode ser confundida com suas op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Mandela foi libertado gra\u00e7as \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es de massas, mas aceitou imposi\u00e7\u00f5es como a abertura da economia, a competi\u00e7\u00e3o desigual e o fechamento de centenas de empresas com o consequente desemprego. Ali\u00e1s, a mesma pol\u00edtica foi aplicada por Menen na Argentina e Collor no Brasil.<\/p>\n<p>Passado quase 25 anos, os trabalhadores e o povo pobre v\u00e3o rompendo com a heran\u00e7a pol\u00edtica de Mandela e v\u00e3o as ruas em manifesta\u00e7\u00f5es, lutas juvenis, nos bairros e, mais que tudo, com a greve geral de abril de 2018. Dessa maneira v\u00e3o recompondo suas for\u00e7as.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo s\u00e3o necess\u00e1rios novos organismos de luta e assim vai sendo formada uma nova central sindical, SAFTU e um novo partido, o Workers Party. Ambas as organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o as mais importantes ferramentas no processo de reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. Esse \u00e9 um fen\u00f4meno raro de acontecer e a \u00faltima vez foi h\u00e1 30 anos. Cabe aos grupos marxistas saberem aproveitar essa oportunidade, construindo fra\u00e7\u00f5es nessas organiza\u00e7\u00f5es e disputando-as politicamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns anos atr\u00e1s um importante dirigente do CNA disse: &#8220;I fear the wheels are coming off&#8221; (temo que as rodas estejam saindo) ao se referir a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica da \u00c1frica do Sul. 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