{"id":24383,"date":"2018-09-19T17:26:49","date_gmt":"2018-09-19T19:26:49","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=24383"},"modified":"2018-09-19T17:26:49","modified_gmt":"2018-09-19T19:26:49","slug":"sobre-o-atentado-as-torres-gemeas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/09\/19\/sobre-o-atentado-as-torres-gemeas\/","title":{"rendered":"Sobre o atentado \u00e0s Torres G\u00eameas"},"content":{"rendered":"<p><em>Em 11 de setembro de 2001, tr\u00eas dos quatro avi\u00f5es comerciais previamente sequestrados foram direcionados a se chocar com os edif\u00edcios do complexo World Trade Center, incluindo as famosas Torres G\u00eameas, que acabaram desmoronando. Morreram 3.016 pessoas e mais de 6.000 ficaram feridas.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n<p>O governo Bush atribuiu este atentado suicida a organiza\u00e7\u00e3o Al Qaeda, encabe\u00e7ada pelo milion\u00e1rio saudita Osama Bin Laden. Posteriormente, diversas investiga\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas independentes dentro dos Estados Unidos conclu\u00edram que era muito prov\u00e1vel que os servi\u00e7os de intelig\u00eancia estadunidense sabiam de antem\u00e3o que o atentado ia ser cometido e o \u201cdeixaram ocorrer\u201d para que o governo de George W. Bush o aproveitasse a servi\u00e7o de seu projeto pol\u00edtico. Bush, inclusive era amigo da fam\u00edlia Bin Laden e tinham alguns neg\u00f3cios petroleiros.<\/p>\n<p><strong>A derrota do Novo S\u00e9culo Americano<\/strong><\/p>\n<p>Bush conseguiu ser a candidatura presidencial republicana para as elei\u00e7\u00f5es de 2000, representando um setor de dirigentes desse partido agrupados no projeto denominado Novo S\u00e9culo Americano. Esse setor considerava que o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI estava definido pela disputa pelo dom\u00ednio dos recursos naturais do mundo (especialmente o petr\u00f3leo) e, que se os Estados Unidos n\u00e3o garantissem sua hegemonia neste campo, retrocederiam como pot\u00eancia mundial.<\/p>\n<p>Para isso, era valido e necess\u00e1rio utilizar m\u00e9todos agressivos e b\u00e9licos contra outros pa\u00edses. A pol\u00edtica exterior aplicada por Clinton e os democratas se caracterizava como \u201cinsuficiente\u201d e \u201ct\u00edmida\u201d porque conduzia \u00e0 debilita\u00e7\u00e3o dos EUA e era necess\u00e1rio mudar. Ou seja, Bush e sua equipe propunham um giro: acabar com a chamada \u201cs\u00edndrome de Vietnam\u201d e a pol\u00edtica defensiva da rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e passar a ofensiva, retomando o garrote como elemento central.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o governo de Bush nasceu d\u00e9bil e questionado: havia obtido menos votos populares que o candidato democrata Al Gore e, s\u00f3 foi eleito, gra\u00e7as a uma controversa defini\u00e7\u00e3o da Corte Suprema, que o atribuiu os representantes da Fl\u00f3rida. Por isso, para poder levar adiante seu projeto, Bush aproveitou o efeito pol\u00edtico que produziu os atentados contra as Torres G\u00eameas de Nova York, em 11 de setembro de 2001.<\/p>\n<p>Depois do 11-S, n\u00e3o somente conseguiu o respaldo de setores centrais da burguesia imperialista, mas tamb\u00e9m apoio popular para sua pol\u00edtica, que j\u00e1 n\u00e3o parecia como agressivas e sim como \u201cnos est\u00e3o atacando e devemos nos defender\u201d. Prop\u00f4s lan\u00e7ar a \u201cguerra contra o terror\u201d contra o que chamou de \u201co eixe do mal\u201d: os governos de Afeganist\u00e3o, Iraque, S\u00edria, Coreia do Norte e Iram, entre outros.<\/p>\n<p>O primeiro epis\u00f3dio dessa guerra foi a invas\u00e3o no Afeganist\u00e3o para derrotar o governo Talib\u00e3 (acusado de ter ajudado os autores do 11-S), em outubro de 2001, com participa\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria de tropas da Gr\u00e3-Bretanha e outros pa\u00edses. O pr\u00f3ximo passo foi a invas\u00e3o no Iraque, em mar\u00e7o de 2003, para derrotar o governo de Sadam Hussein (acusado de possuir \u201carmas de destrui\u00e7\u00e3o em massa\u201d).<\/p>\n<p>Ambos os governos foram derrotados facilmente, mas o imperialismo se viu obrigado a manter ocupa\u00e7\u00f5es militares que tiveram que enfrentar guerras de libera\u00e7\u00e3o nacional de curso cada vez mais desfavor\u00e1vel, que terminaram objetivamente com sua derrota.<\/p>\n<p>As tropas invasoras j\u00e1 se retiraram do Iraque, mas no lugar de conseguir \u201ctranquilidade\u201d deixaram um pa\u00eds dividido (no m\u00ednimo em tr\u00eas), tomado por permanentes conflitos militares e, desde 2005, com a necessidade de se apoiar no regime iraniano (at\u00e9 pouco tempo um \u201cinimigo\u201d) para ter um governo central em Bagd\u00e1 e tentar evitar que a situa\u00e7\u00e3o piorasse ainda mais.<\/p>\n<p>No Afeganist\u00e3o, ainda se mant\u00e9m tropas, mas os pr\u00f3prios comandos militares estadunidenses reconhecem que foram derrotados. Essas tropas s\u00f3 servem para manter o controle das \u00e1reas centrais de Cabul (a capital) enquanto o resto do pa\u00eds \u00e9 dominado pelas for\u00e7as do Taliban ou por chefes tribais regionais. Enquanto isso buscam uma negocia\u00e7\u00e3o com os rebeldes para conseguir uma retirada um pouco mais digna. De modo colateral, a instabilidade (de fato a pr\u00f3pria guerra) se estendeu ao vizinho Paquist\u00e3o (at\u00e9 poucos anos um solido aliado dos EUA) e, tamb\u00e9m \u00e0 guerra civil na S\u00edria.<\/p>\n<p><strong>A \u201cs\u00edndrome de Iraque\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Dizemos que, objetivamente, o projeto de Bush foi derrotado em ambas as guerras e assim o reconhece a maioria dos analistas pol\u00edticos burgueses e os pr\u00f3prios chefes militares estadunidenses. Surgiu assim o que se denominou a \u201cs\u00edndrome de Iraque\u201d: ao inv\u00e9s de conseguir terminar com a \u201cs\u00edndrome de Vietnam\u201d, a derrota do projeto Bush havia criado um novo, muito mais recente.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que essas derrotas n\u00e3o aparecem, numa primeira vista, t\u00e3o n\u00edtidas e evidentes como a do Vietnam. Por exemplo, n\u00e3o deram origem a um estado oper\u00e1rio como no Vietnam. Tamb\u00e9m ficaram um pouco ocultas pelo caos que ficou no Iraque ou pelo fato de que ainda controlam Cabul no Afeganist\u00e3o. Mas, mesmo assim, n\u00e3o s\u00e3o derrotas de menor envergadura.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria burguesia imperialista e sua imprensa n\u00e3o se enganaram: elaboraram o conceito de \u201cs\u00edndrome do Iraque\u201d (em analogia com a do Vietnam) para caracterizar a situa\u00e7\u00e3o resultante e a necessidade de voltar direcionar as r\u00e9deas rumo a rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>O Iraque e o Afeganist\u00e3o n\u00e3o foram as \u00fanicas derrotas do projeto Bush. Devemos considerar como parte delas o fracasso do golpe contra Hugo Ch\u00e1vez na Venezuela, em 2002 e a clara derrota da invas\u00e3o israelense ao L\u00edbano em 2005.<\/p>\n<p><strong>De Obama a Trump<\/strong><\/p>\n<p>Bush deixou uma \u201cpesada heran\u00e7a\u201d, com uma situa\u00e7\u00e3o defensiva do imperialismo estadunidense. Nesse contexto, os setores mais l\u00facidos da burguesia imperialista impulsionaram uma nova mudan\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o para retomar a aplica\u00e7\u00e3o plena da pol\u00edtica de pactos e negocia\u00e7\u00f5es (a \u201crea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d) e a Obama como a melhor figura para implementar essa mudan\u00e7a, em 2008. Obama obteve algumas conquistas importantes (apoiado na crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e na capitula\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00f5es traidoras), mas n\u00e3o conseguiu estabilizar o mundo. Essa \u00e9 a realidade atual para o imperialismo estadunidense.<\/p>\n<p>No meio dessa situa\u00e7\u00e3o, Donald Trump, de modo um tanto inesperado, chega \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos e come\u00e7a a modificar muitas das pol\u00edticas implementadas por Obama no terreno pol\u00edtico e econ\u00f4mico. Entre elas, a estrat\u00e9gia negociadora para o Ir\u00e3 e o regime dos aiatol\u00e1s, substituindo pela volta das san\u00e7\u00f5es, ou sua interven\u00e7\u00e3o na guerra civil S\u00edria.<\/p>\n<p>O faz com todo o poder que tem sendo o presidente dos Estados Unidos e com a mesma aspira\u00e7\u00e3o que Bush: voltar a uma situa\u00e7\u00e3o em que a voz do imperialismo estadunidense seja incontest\u00e1vel. Mas, se choca com v\u00e1rios elementos centrais da realidade. O principal \u00e9 a \u201cs\u00edndrome do Iraque\u201d a debilidade relativa que isso imp\u00f5e para a\u00e7\u00f5es militares. Por isso, muitas vezes vai e vem com suas amea\u00e7as, como ocorreu com a Coreia do Norte. O certo \u00e9 que gerou uma forte crise no bloco de pa\u00edses imperialistas e seus governos que, com certeza sentem falta das \u201cboas \u00e9pocas\u201d de Obama.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: T\u00falio Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 11 de setembro de 2001, tr\u00eas dos quatro avi\u00f5es comerciais previamente sequestrados foram direcionados a se chocar com os edif\u00edcios do complexo World Trade Center, incluindo as famosas Torres G\u00eameas, que acabaram desmoronando. 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