{"id":24305,"date":"2018-09-13T17:00:15","date_gmt":"2018-09-13T19:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=24305"},"modified":"2018-09-13T17:00:15","modified_gmt":"2018-09-13T19:00:15","slug":"sobre-a-polemica-a-respeito-da-prostituicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/09\/13\/sobre-a-polemica-a-respeito-da-prostituicao\/","title":{"rendered":"Sobre a pol\u00eamica a respeito da prostitui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>A decis\u00e3o do governo de iniciar o processo de impugnar a constitui\u00e7\u00e3o do pretendido Sindicato OTRAS (Organiza\u00e7\u00e3o de Trabalhadoras Sexuais), depois que os seus estatutos foram publicados no Di\u00e1rio Oficial em 4 de agosto, n\u00e3o parou de causar inquieta\u00e7\u00e3o, ajudando a alimentar a pol\u00eamica e o debate sobre prostitui\u00e7\u00e3o. A inscri\u00e7\u00e3o no registro de OTRAS foi precedida pela cria\u00e7\u00e3o em julho da primeira se\u00e7\u00e3o sindical de &#8220;trabalhadoras sexuais&#8221; do Estado, dentro do sindicato IAC (Intersindical Alternativa da Catalunha).<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Laura- Corriente Roja<\/p>\n<p>Considerar a prostitui\u00e7\u00e3o como um \u00e2mbito de trabalho e exigir que esta seja, portanto, suscet\u00edvel de se sindicalizar, \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o defendida por parte do feminismo, associa\u00e7\u00f5es de prostitutas, alguns sindicatos e at\u00e9 mesmo v\u00e1rias ONGs como APDHA. Todos s\u00e3o defensores de um discurso regulacionista.<\/p>\n<p>O principal argumento e com o qual todos concordam, \u00e9 que isso trar\u00e1 melhores condi\u00e7\u00f5es, direitos trabalhistas e mais autonomia para as pessoas que exercem a prostitui\u00e7\u00e3o. Alguns argumentam que as mulheres t\u00eam o &#8220;direito de escolher e fazer com nossos corpos o que quisermos&#8221;, e mesmo que a prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica de &#8220;resist\u00eancia e liberta\u00e7\u00e3o sexual&#8221; das mulheres contra normas sexuais e preceitos morais tradicionais que tradicionalmente serviram para controlar e subjugar as mulheres.<\/p>\n<p><strong>Rela\u00e7\u00e3o sexual consensual entre adultos? Outra mentira do capitalismo<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s, de Corriente Roja, de acordo com a vis\u00e3o marxista, consideramos a prostitui\u00e7\u00e3o uma forma extrema de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o sexual, que mercantiliza e coisifica o corpo de quem a exercem, majoritariamente mulheres. Isso confirma que as mulheres podem ser consumidas pelos homens para satisfazer seus apetites sexuais. Na prostitui\u00e7\u00e3o, a mulher n\u00e3o &#8220;oferece um servi\u00e7o sexual&#8221; como pretendem convencer-nos, mas vende o corpo inteiro. As rela\u00e7\u00f5es sexuais s\u00e3o uma forma de relacionamento humano em que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dissociar o corpo da mente, daquilo que somos, sentimos ou pensamos sob pena de acabar se tornando uma aut\u00f4mata e se anular como pessoa. A prostitui\u00e7\u00e3o faz parte da cultura do estupro.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que algumas pessoas a exer\u00e7am voluntariamente ou acreditem que assim o fa\u00e7am e se considerem a si mesmas &#8220;putas empoderadas&#8221;. Mas essa n\u00e3o \u00e9 a realidade que vive a grande maioria delas.<\/p>\n<p>Na Alemanha, cora\u00e7\u00e3o do imperialismo, onde a prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 legal desde 2002 e uma mulher governa, as prostitutas s\u00e3o &#8220;oferecidas&#8221; em an\u00fancios publicit\u00e1rios junto com salsichas e cerveja. E pior: dezesseis anos depois, mais da metade, a maioria estrangeira, trabalham de forma ilegal e depois de um per\u00edodo de prostitui\u00e7\u00e3o, acabam fisicamente e emocionalmente destru\u00eddas.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o somos a favor de sua legaliza\u00e7\u00e3o ou regulariza\u00e7\u00e3o. Exigimos que os governos cumpram sua obriga\u00e7\u00e3o de perseguir e punir aqueles que praticam o recrutamento e tr\u00e1fico de seres humanos para fins de explora\u00e7\u00e3o sexual. Denunciamos todas as formas de viol\u00eancia e criminaliza\u00e7\u00e3o contra as pessoas que se prostituem e defendemos seu direito \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o digna e prote\u00e7\u00e3o social contra todas as formas de viol\u00eancia e maltrato e aos recursos e ferramentas que lhes permitam sair da prostitui\u00e7\u00e3o. Se para esse fim se organizam, estamos dispostos a apoi\u00e1-las.<\/p>\n<p>Sabemos que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel erradicar este flagelo social facilmente. N\u00e3o vamos acabar com a prostitui\u00e7\u00e3o apenas declarando que \u00e9 &#8220;ilegal&#8221;. Abolir a prostitui\u00e7\u00e3o significa acabar com as bases materiais sobre as quais repousa. Com a mis\u00e9ria, a degrada\u00e7\u00e3o moral, a desigualdade e a viol\u00eancia que provoca o capitalismo, que se sustenta em uma explora\u00e7\u00e3o cada vez mais selvagem e que utiliza o machismo, o racismo e outras formas de opress\u00e3o para se perpetuar.<\/p>\n<p><strong>Pela verdadeira liberdade sexual: por um mundo novo, sem opress\u00e3o ou explora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Quem considera a prostitui\u00e7\u00e3o como &#8220;trabalho sexual&#8221; e defendem sua regulariza\u00e7\u00e3o como uma maneira para que as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de prostitui\u00e7\u00e3o possa obter direitos ou mesmo como uma forma de &#8220;liberta\u00e7\u00e3o da mulher&#8221; esquecem o papel social sempre desempenhou a prostitui\u00e7\u00e3o em todas as sociedades de classes. A prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 <em>o outro lado da moeda<\/em> da institui\u00e7\u00e3o familiar patriarcal (necess\u00e1ria para assegurar ao homem a filia\u00e7\u00e3o de seus descendentes e a transfer\u00eancia de propriedade privada). Uma institui\u00e7\u00e3o opressora para as mulheres, com sua heterossexualidade e sua monogamia imposta (na pr\u00e1tica apenas para elas). A prostitui\u00e7\u00e3o nem sempre foi a mesma, tomou uma forma espec\u00edfica em cada sociedade, mas \u00e9 o capitalismo que a estendeu a limites extremos, mercantilizando totalmente o corpo da mulher para fazer neg\u00f3cios com ele, mantendo as mulheres como objetos sexuais a servi\u00e7o do homem.<\/p>\n<p>A prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 baseada em um sistema de classes sociais e uma desigualdade estrutural entre mulheres e homens, que s\u00e3o 99% dos clientes. Nela se estabelece uma rela\u00e7\u00e3o que \u00e9 de domina\u00e7\u00e3o. \u00c9 \u00f3bvio que a burguesia que \u00e9 a classe dominante tenta nos convencer, a partir de uma perspectiva neoliberal e culto extremo ao individualismo que \u00e9 poss\u00edvel <em>ser livres em uma sociedade desigual<\/em>, onde tudo pode ser comprado e vendido, especialmente os corpos das mulheres. Essa ideia que \u00e9 aceita por uma parte da sociedade esconde que, por tr\u00e1s da prostitui\u00e7\u00e3o, a pornografia ou a barriga de aluguel, h\u00e1 empresas lucrando.<\/p>\n<p>Neste sistema econ\u00f4mico, a grande maioria de n\u00f3s \u00e9 for\u00e7ada a vender nossa for\u00e7a de trabalho e, portanto, n\u00e3o podemos escapar da &#8220;escravid\u00e3o assalariada&#8221; e da aliena\u00e7\u00e3o que isso produz. Mas a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nos resignarmos a submeter TUDO ao dom\u00ednio do mercado, transformando as rela\u00e7\u00f5es sexuais em mais uma mercadoria, mas lutar por uma sociedade livre de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de qualquer esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel em uma sociedade em que os meios de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o estejam nas m\u00e3os de poucos, mas perten\u00e7am a toda a sociedade e em que as mulheres participem plenamente da produ\u00e7\u00e3o social, ou seja, em uma sociedade socialista, na qual como coloca Marx no Manifesto Comunista: <strong><em>&#8220;\u00c9 evidente, por outro lado, que, com a aboli\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o atuais, desaparecer\u00e1 a comunidade das mulheres que delas derivam, ou seja, a prostitui\u00e7\u00e3o oficial e privada\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Somente uma sociedade baseada em uma nova ordem social e em uma economia socialista, ir\u00e1 definir as bases para que flores\u00e7a rela\u00e7\u00f5es humanas novas que liberadas de todo preconceito, hipocrisia, dupla moral ou depend\u00eancia material, permitam rela\u00e7\u00f5es sexuais verdadeiramente livres e consentidas.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o do governo de iniciar o processo de impugnar a constitui\u00e7\u00e3o do pretendido Sindicato OTRAS (Organiza\u00e7\u00e3o de Trabalhadoras Sexuais), depois que os seus estatutos foram publicados no Di\u00e1rio Oficial em 4 de agosto, n\u00e3o parou de causar inquieta\u00e7\u00e3o, ajudando a alimentar a pol\u00eamica e o debate sobre prostitui\u00e7\u00e3o. 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