{"id":24231,"date":"2018-09-08T12:17:32","date_gmt":"2018-09-08T14:17:32","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=24231"},"modified":"2018-09-08T12:17:32","modified_gmt":"2018-09-08T14:17:32","slug":"pela-reconstrucao-da-iv-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/09\/08\/pela-reconstrucao-da-iv-internacional\/","title":{"rendered":"Pela reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional"},"content":{"rendered":"<p><em>Ao longo de 2018, nossa p\u00e1gina publicou varios artigos dedicados aos 80 anos da funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional que abordaram o contexto e os objetivos de sua funda\u00e7\u00e3o, as causas da crise de 1953 e suas consequ\u00eancias na dispers\u00e3o das for\u00e7as trotskistas e os debates que a LIT \u2013QI mant\u00e9m com as outras organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicam trotskistas. Neste material queremos fazer uma revis\u00e3o desses artigos e suas conclus\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n<p>A funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional foi o resultado de longos anos de atividade e luta de Le\u00f3n Trotsky e das for\u00e7as que, j\u00e1 em 1938, se denominavam \u201ctrotskistas\u201d. Come\u00e7a desde o final de 1923 atrav\u00e9s da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda, com sua batalha dentro da URSS, o partido bolchevique e a III Internacional, contra a burocratiza\u00e7\u00e3o estalinista e suas consequ\u00eancias te\u00f3ricas e pol\u00edticas. Continua ap\u00f3s a expuls\u00e3o de Trotsky do partido bolchevique, da III Internacional e da pr\u00f3pria URSS, entre 1927 e 1929, quando estas for\u00e7as passam a denominar-se Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda Internacional dentro da Terceira. E se refor\u00e7a, a partir de 1933, depois que a pol\u00edtica criminosa do estalinismo, na Alemanha, contribuiu para o triunfo do nazismo e Trotsky conclui que a Terceira havia morrido como organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, s\u00e3o cinco anos de reagrupamento de for\u00e7as, de busca de acordos com outras organiza\u00e7\u00f5es, e de intensa elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-pol\u00edtica, como o livro <em>\u201cA Revolu\u00e7\u00e3o Tra\u00edda\u201d<\/em> e o \u201cPrograma de Transi\u00e7\u00e3o\u201d escrito como o documento central para ser votado na Confer\u00eancia de Funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Uma tarefa imprescind\u00edvel em um contexto muito dif\u00edcil<\/strong><\/p>\n<p>A IV Internacional nasce em um contexto muito desfavor\u00e1vel da luta de classes: o triunfo e a consolida\u00e7\u00e3o do estalinismo na URSS e o avan\u00e7o do nazi-fascismo na Europa. Nasce perseguida pelo imperialismo e, essencialmente, pelo estalinismo: milhares de trotskistas morriam nos campos de concentra\u00e7\u00e3o na Sib\u00e9ria, alguns dos colaboradores mais pr\u00f3ximos de Trotsky eram assassinados no exterior: seu filho Le\u00f3n Sedov e seu secretario Rudolf Klement, no pr\u00f3prio processo de prepara\u00e7\u00e3o da Conferencia de Funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este contexto determinou que a IV nascesse organizativamente d\u00e9bil. Eram menos de seis mil militantes, distribu\u00eddos da seguinte forma: Estados Unidos, 2.500; B\u00e9lgica, 800; Fran\u00e7a, 600; Pol\u00f4nia, 350; Alemanha, 200 (dos quais 120 estavam presos); Inglaterra, 170; Checoslovaquia, entre 150 e 200; Gr\u00e9cia, 100; Brasil, 50; Chile, 100, Cuba, 100; \u00c1frica do Sul, 100; Canad\u00e1, 75; Holanda, 50; Austr\u00e1lia, 50; Espanha, entre 10 e 30; M\u00e9xico, 150; mais um n\u00famero n\u00e3o definido de \u201cadeptos clandestinos\u201d na URSS.<\/p>\n<p>Tratava-se, entretanto, de uma tarefa imprescind\u00edvel: tinha que se defender no terreno te\u00f3rico e program\u00e1tico a heran\u00e7a do marxismo e a experiencia da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, que havia sido deformada at\u00e9 sua quase destrui\u00e7\u00e3o pelo estalinismo. Ao mesmo tempo, se tratava de lutar contra um novo fen\u00f4meno contrarrevolucion\u00e1rio no interior do movimento oper\u00e1rio: a burocracia estalinista e as terr\u00edveis consequ\u00eancias de sua a\u00e7\u00e3o para os trabalhadores e as massas. A IV tem, desde sua funda\u00e7\u00e3o, o mesmo objetivo estrat\u00e9gico da III: dirigir a classe oper\u00e1ria no processo da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista Mundial. Nesse caminho, agregava uma nova tarefa: a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para derrotar o regime estalinista na URSS e recuperar esse Estado oper\u00e1rio como alavanca da revolu\u00e7\u00e3o mundial. Era uma tarefa defensiva (manter um fio de continuidade) e, ao mesmo tempo, preparatoria de um embri\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o para os processos revolucion\u00e1rios que inevitavelmente viriam no futuro [1].<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 casual que Trotsky, que havia sido um dos grandes dirigentes da Revolu\u00e7\u00e3o Russa e tinha comandado milh\u00f5es de combatentes no Ex\u00e9rcito Vermelho, considerasse que reagrupar esses poucos milhares de militantes <em>\u201c\u00e9 o trabalho mais importante de minha vida; mais que o de 1917, o da guerra civil, ou qualquer outro\u201d.<\/em> E que seu papel nesse \u201ctrabalho\u201d era <em>\u201cindispens\u00e1vel\u201d<\/em>, porque em 1917 Lenin estava orientando a revolu\u00e7\u00e3o e agora somente ele podia lev\u00e1-la adiante [2].<\/p>\n<p><strong>O pablismo <\/strong><\/p>\n<p>Em agosto de 1940, Ram\u00f3n Mercader, um agente do estalinismo, assassinou Trotsky em sua casa de Coyoac\u00e1n (M\u00e9xico). Com este crime, o estalinismo buscava cortar o \u201cfio condutor\u201d com a heran\u00e7a marxista e a experi\u00eancia de Outubro que Trotsky representava. Ao mesmo tempo, deixava a jovem IV sem seu principal dirigente, o de n\u00edvel te\u00f3rico-pol\u00edtico e experiencia revolucion\u00e1ria qualitativos. A Segunda Guerra, ademais, diminuiu suas for\u00e7as militantes, com muitas de suas se\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias na mais dura clandestinidade, nos pa\u00edses ocupados pelos nazis, e com o SWP (j\u00e1 debilitado pela ruptura de uma ala pequeno burguesa, em 1940) perseguido por sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra.<\/p>\n<p>Nesse marco, em 1948 realizou-se o II Congresso, que reagrupou as for\u00e7as trotskistas. O SWP dos Estados Unidos era o partido trotskista mais forte e o que contava com os quadros mais experimentados (varios deles educados pelo pr\u00f3prio Trotsky), mas padecia de um desvio que o levaria a n\u00e3o assumir como sua tarefa central ser o eixo de constru\u00e7\u00e3o da Internacional. Seus dirigentes viam a IV como uma federa\u00e7\u00e3o de partidos e n\u00e3o como uma dire\u00e7\u00e3o internacional centralizada. Desta forma, a centraliza\u00e7\u00e3o foi assumida pelo grego Michel Raptis (Pablo) e o belga Ernest Mandel, acompanhados por um grupo de dirigentes muito jovens e de pouca experiencia, como o argentino Nahuel Moreno e o franc\u00eas Pierre Lambert.<\/p>\n<p>Esta dire\u00e7\u00e3o d\u00e9bil e inexperiente viu-se submetida a duras press\u00f5es e provas sem a presen\u00e7a de Trotsky. Por um lado, a guerra produziu, de acordo com os progn\u00f3sticos pr\u00e9vios de Trotsky, um grande ascenso revolucion\u00e1rio na Europa e outras regi\u00f5es do mundo, e o surgimento de novos Estados oper\u00e1rios que se somavam \u00e0 URSS. Mas, por outro, contra esses progn\u00f3sticos, a IV n\u00e3o ganhou peso de massas e incid\u00eancia nesses processos e continuou sendo um pequeno n\u00facleo. Pelo contrario, foi o estalinismo, que havia dirigido a derrota do nazi-fascismo e construido novos Estados oper\u00e1rios, quem se converteu na dire\u00e7\u00e3o indiscut\u00edvel do movimento oper\u00e1rio e de massas mundial.<\/p>\n<p>Neste contexto, a nova dire\u00e7\u00e3o da IV (Pablo e Mandel) n\u00e3o passou a prova e (a partir do III Congresso, em 1951) adotou um curso cada vez mais oportunista, baseado nas caracteriza\u00e7\u00f5es impressionistas e totalmente equivocadas (a \u201cinevitabilidade da Terceira Guerra Mundial\u201d entre o imperialismo e a URSS, processo em que a burocracia estalinista desempenharia um papel \u201cobjetivamente revolucion\u00e1rio\u201d), adotou a linha de que os trotskistas deviam fazer um \u201centrismo de longo prazo\u201d dentro dos partidos comunistas estalinizados[3].<\/p>\n<p>Entre as consequ\u00eancias pol\u00edticas desta linha, chegaram ao c\u00famulo de recusar-se a defender a retirada do Ex\u00e9rcito Vermelho quando explodiram as revolu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em Berlim Oriental (1953) e na Hungria (1956).<\/p>\n<p>Esta caracteriza\u00e7\u00e3o e esta pol\u00edtica de capitula\u00e7\u00e3o se estenderam aos movimentos nacionalistas burgueses e a outras correntes de origem n\u00e3o estalinista, como o castrismo. O SWP, Moreno e Lambert opuseram-se a estas caracteriza\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas.<\/p>\n<p><strong>A trag\u00e9dia da Bol\u00edvia em 1952 <\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0\u201cA consequ\u00eancia mais tr\u00e1gica dessa pol\u00edtica foi a trai\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o boliviana. Em 1952, na Bol\u00edvia se d\u00e1 uma t\u00edpica revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria. Os trabalhadores organizam mil\u00edcias, derrotam militarmente a pol\u00edcia e o ex\u00e9rcito, e surge a COB (Central Oper\u00e1ria Boliviana) como organismo de poder dual. As minas s\u00e3o nacionalizadas e estoura a revolu\u00e7\u00e3o camponesa, que invade os latif\u00fandios e ocupa as terras. At\u00e9 1954, a principal for\u00e7a armada da Bol\u00edvia eram as milicias oper\u00e1rias dirigidas pela COB.<\/em><\/p>\n<p><em>Desde a d\u00e9cada de 1940 a organiza\u00e7\u00e3o trotskista boliviana (POR) vinha ganhando enorme influencia no movimento oper\u00e1rio. Tinha em suas fileiras importantes dirigentes mineiros, fabris e camponeses. Seu principal dirigente, Guillermo Lora, foi o redator das Teses de Pulacayo, uma adapta\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade boliviana, votadas pela Federa\u00e7\u00e3o de Mineiros.[\u2026]Na revolu\u00e7\u00e3o de \u201952, o POR codirigiu as milicias e foi cofundador da COB. Tinha peso de massas na Bol\u00edvia.<\/em><\/p>\n<p><em>Lamentavelmente, o POR, seguindo a orienta\u00e7\u00e3o do Secretariado Internacional [SI] da IV, encabe\u00e7ado por Pablo, n\u00e3o levantou a pol\u00edtica de que a COB tomasse o poder. Ao contrario, deu seu apoio cr\u00edtico ao governo burgu\u00eas do MNR (movimento nacionalista burgu\u00eas). Sem a orienta\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, o movimento de massas foi sendo desarmado e desmobilizado, e a revolu\u00e7\u00e3o foi desmontada em poucos anos\u201d <\/em>[4]. Nahuel Moreno e sua organiza\u00e7\u00e3o na Argentina combateram duramente esta linha do SI propondo que se impulsionasse a linha de \u201cTodo poder \u00e0 COB\u201d.<\/p>\n<p><strong>A crise de 1953<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m destes grav\u00edssimos erros pol\u00edticos, a dire\u00e7\u00e3o internacional dirigida por Pablo utilizou um m\u00e9todo nefasto: interveio na se\u00e7\u00e3o francesa, destituiu a maioria de sua dire\u00e7\u00e3o (que n\u00e3o tinha acordo com sua pol\u00edtica), e tentou formar uma fra\u00e7\u00e3o secreta no SWP norteamericano. A maioria dos trotskistas franceses (dirigidos por Pierre Lambert), ingleses (dirigidos por Gerry Healy), o SWP dos EEUU, e parte dos trotskistas sulamericanos, encabe\u00e7ados por Nahuel Moreno, romperam com o Secretariado Internacional (SI) dirigido por Pablo e criaram em 1953 o Comit\u00ea Internacional (CI).<\/p>\n<p>Vieram anos de dispers\u00e3o, pois, apesar de que as for\u00e7as que ficaram com Pablo e Mandel eram minorit\u00e1rias, a maioria nunca se organizou de forma centralizada como a \u201cverdadeira IV\u201d para reverter a dispers\u00e3o, especialmente por responsabilidade do SWP. Novamente coube a Nahuel Moreno combater este desvio \u201cfederalista\u201d do SWP.<\/p>\n<p>Apesar de uma tentativa de reagrupamento parcial, em 1963 (ao redor da caracteriza\u00e7\u00e3o de Cuba como um novo Estado oper\u00e1rio), a crise n\u00e3o foi superada e a dispers\u00e3o das for\u00e7as que se reivindicavam trotskistas acentuaram-se. Por isso, hoje a IV Internacional n\u00e3o existe como organiza\u00e7\u00e3o unificada ainda que suas propostas program\u00e1ticas tenham passado pela hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>A estrat\u00e9gia da LIT \u00e9 reconstruir a IV<\/strong><\/p>\n<p>A corrente morenista integrou-se em 1964 ao SU (Secretariado Unificado) que tinha se formado um ano antes [5]. Demorou em faz\u00ea-lo porque considerava que essa reunifica\u00e7\u00e3o devia fazer-se sobre a base de um balan\u00e7o muito cr\u00edtico do pablismo, que n\u00e3o se realizou. Durante sua permanencia no SU, sempre combateu os sucessivos desvios e capitula\u00e7\u00f5es que a maioria da dire\u00e7\u00e3o impulsionava, agora encabe\u00e7ada somente por Ernst Mandel (o \u201cmandelismo\u201d) [6], como o guerrilherismo, o vanguardismo e a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa [7].<\/p>\n<p>Em 1979, a corrente morenista estava organizada como Fra\u00e7\u00e3o Bolchevique (FB) dentro do SU. Nesse momento se desenvolvia o debate pol\u00edtico sobre o car\u00e1ter da Frente Sandinista de Libera\u00e7\u00e3o Nacional (FSLN) nicaraguense e seu governo (e a pol\u00edtica a ter ante ele). A FSLN prende e expulsa os integrantes da Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar (BSB), que havia sido impulsionada pela FB, e os entrega \u00e0 pol\u00edcia panamenha, que os tortura. O SU mandou uma delega\u00e7\u00e3o \u00e0 Nicar\u00e1gua, apoiou a decis\u00e3o do governo, e n\u00e3o defendeu os integrantes da BSB (entre eles, militantes e dirigentes de sua organiza\u00e7\u00e3o internacional). A isto se soma, a resolu\u00e7\u00e3o do SU de proibir a constru\u00e7\u00e3o de partidos trotskistas em Cuba e Nicar\u00e1gua. A FB rompeu com o SU. Ap\u00f3s uma fracassada tentativa de fus\u00e3o internacional com a corrente de Pierre Lambert, em 1982 fundou-se a LIT-QI com as for\u00e7as da FB e setores latinoamericanos provenientes do lambertismo [8].<\/p>\n<p><em>Desde sua pr\u00f3pria funda\u00e7\u00e3o e seus estatutos, a LIT-QI (apesar de ser nesses anos a corrente trotskista mais forte e din\u00e2mica) nunca se autoproclamou \u201ca IV\u201d, e sempre colocou sua pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o da tarefa estrat\u00e9gica de reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional:<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u201cA Liga Internacional dos Trabalhadores (Quarta Internacional) \u2013 LIT(QI), tem como prop\u00f3sito fundamental superar a crise de dire\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio mundial e construir a Quarta Internacional com influ\u00eancia de massas. Somente assim, resolvendo a crise de dire\u00e7\u00e3o do proletariado, a permanente mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e explorados do mundo contra o imperialismo e a burguesia, poder\u00e1 culminar com a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o socialista internacional e com a implanta\u00e7\u00e3o da ditadura revolucion\u00e1ria do proletariado\u201d <\/em><em>[9]<\/em><em>.<\/em><em> Para a LIT-QI, essa \u00e9 a \u201cm\u00e3e de todas as tarefas\u201d, a tarefa priorit\u00e1ria que apresentamos aos revolucion\u00e1rios do mundo. N\u00e3o a propomos somente aos que se reivindicam trotskistas, mas tamb\u00e9m \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es de lutadores.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Como fazer esta reconstru\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Desde sua funda\u00e7\u00e3o, a LIT-QI tentou diversas aproxima\u00e7\u00f5es com outras organiza\u00e7\u00f5es internacionais e nacionais para explorar a possibilidade de unifica\u00e7\u00e3o. Algumas deram resultado, mas v\u00e1rias outras fracassaram. Quais s\u00e3o os criterios com que fizemos estas aproxima\u00e7\u00f5es no passado e continuaremos fazendo no futuro?<\/p>\n<p><em>\u00a0\u201cTemos defendido sempre que os processos de unifica\u00e7\u00e3o devem ser s\u00f3lidos, preparados e discutidos com profundidade e, se necess\u00e1rio, lentos. Neste sentido, propomos criterios claros. O primeiro \u00e9 que a reconstru\u00e7\u00e3o da IV deve estar baseada <strong>ao redor de um programa<\/strong>\u201d<\/em>, o que implica uma compreens\u00e3o comum da realidade mundial e uma estrat\u00e9gia comum frente a ela [10].<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m ter acordo nas posi\u00e7\u00f5es sobre os principais fatos da luta de classes, especialmente nos processos revolucion\u00e1rios, para poder desenvolver uma a\u00e7\u00e3o militante comum sobre eles. Caso contr\u00e1rio, a coincidencia program\u00e1tica fica s\u00f3 nas palavras.<\/p>\n<p>Um terceiro crit\u00e9rio imprescind\u00edvel \u00e9 que as rela\u00e7\u00f5es entre as organiza\u00e7\u00f5es devem ser honestas e sem manobras desleais, para delimitar diferen\u00e7as e inclusive at\u00e9 para chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma unifica\u00e7\u00e3o imediata mas que talvez possa dar-se no futuro. Este \u00faltimo deixa de fora desse processo as pequenas organiza\u00e7\u00f5es sect\u00e1rias ou as \u201cseitas trotskistas\u201d maiores (nacionais ou internacionais) para as quais \u201cvale tudo\u201d em fun\u00e7\u00e3o de parasitar as outras correntes e ganhar-lhes alguns militantes.<\/p>\n<p>Finalmente, como um aspecto muito importante: <em>\u201cDefendemos a moral oper\u00e1ria e revolucion\u00e1ria\u201d <\/em>que \u201c<em>para n\u00f3s, constituem um ponto do programa. A profunda degenera\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es trotskistas, produto da longa crise, das press\u00f5es do estalinismo no passado, e da \u201cenxurrada oportunista\u201d nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, produziu tamb\u00e9m uma degenera\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica e moral\u201d <\/em>[11]. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, assistimos a um aumento alarmante de lutas pelo aparato, roubo de sedes partid\u00e1rias e sindicais, mandatos parlamentares e dinheiro, acusa\u00e7\u00f5es sem provas e cal\u00fanias e, inclusive, agress\u00f5es f\u00edsicas entre organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicam revolucion\u00e1rias. Posicionamos-nos categoricamente contra estes m\u00e9todos que caracterizam uma profunda degrada\u00e7\u00e3o moral. A partir destes crit\u00e9rios, analisemos algumas das correntes que se reivindicam da IV Internacional.<\/p>\n<p><strong>O SU<\/strong><\/p>\n<p>Tal como temos assinalado, a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e o reconhecimento de Cuba como um novo Estado oper\u00e1rio impulsionaram em 1963 o reagrupamento de parte importante das for\u00e7as trotskistas no mundo, no Secretariado Unificado. Afastado Michel Pablo de suas fileiras, a figura que encabe\u00e7ou o SU foi Ernst Mandel.<\/p>\n<p>Mandel n\u00e3o tinha os m\u00e9todos autorit\u00e1rios de Pablo, mas manteve um elemento central do pablismo: suas an\u00e1lises e caracteriza\u00e7\u00f5es totalmente impressionistas e a elabora\u00e7\u00e3o de orienta\u00e7\u00f5es que se adaptavam \u00e0 \u201cmoda\u201d imperante, em cada momento, na vanguarda de esquerda e, a partir da\u00ed capitulavam a diversas dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e pequeno burguesas.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1960, isso levou o mandelismo a capitular \u00e0 dire\u00e7\u00e3o castrista cubana e \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es guerrilheiras, a impulsionar uma linha guerrilheirista e a colocar as se\u00e7\u00f5es latinoamericanas em aventuras que tiveram um alt\u00edssimo custo em vidas e militantes (como o PRT-ERP da Argentina e o POR-C da Bol\u00edvia). [12]. Nos anos \u201970 girou para uma posi\u00e7\u00e3o \u201cvanguardista\u201d em geral: a tarefa n\u00e3o era agitar as consignas surgidas das necessidades profundas dos trabalhadores e das massas e sim das campanhas que impactassem na \u201cnova vanguarda de massas\u201d [13]. Ambas as linhas foram combatidas pelo morenismo e pelo SWP.<\/p>\n<p>Na segunda metade da d\u00e9cada de 1970, este seguidismo tomou outro rumo: o \u201cdemocratismo\u201d como express\u00e3o do impacto que tinha na esquerda europ\u00e9ia o chamado \u201ceurocomunismo\u201d. Ante essa press\u00e3o, Mandel assumiu posi\u00e7\u00f5es democratistas.<\/p>\n<p>Em seu texto \u201cDemocracia socialista e ditadura do proletariado\u201d (1979), mais tarde aprovado pelo congresso do SU, apresentava um modelo de ditadura do proletariado que era uma capitula\u00e7\u00e3o ao eurocomunismo e \u00e0 socialdemocracia. Contra este material, Nahuel Moreno escreveu o livro <em>Ditadura Revolucion\u00e1ria do Proletariado<\/em>. Nele, al\u00e9m de analisar e defender a ess\u00eancia deste regime pol\u00edtico, fez um progn\u00f3stico: se Mandel e o mandelismo aprofundassem neste caminho, abandonariam o campo dos revolucion\u00e1rios e passariam ao do reformismo. Lamentavelmente, este progn\u00f3stico se cumpriria anos mais tarde.<\/p>\n<p>De modo quase simult\u00e2neo, o mandelismo voltou a expressar sua pol\u00edtica de capitula\u00e7\u00e3o \u00e0s dire\u00e7\u00f5es pequeno burguesas e burocr\u00e1ticas que encabe\u00e7avam um processo revolucion\u00e1rio, ao apoiar o governo burgu\u00eas nicaraguense da FSLN.(14)<\/p>\n<p><strong>Um salto de qualidade<\/strong><\/p>\n<p>O progn\u00f3stico de Moreno cumpriu-se cabalmente a partir do XIV Congresso do SU (1995). Quem deu o marco te\u00f3rico-pol\u00edtico foi Daniel Bensa\u00efd, que havia passado a ser seu principal dirigente. Em seu informe, Bensa\u00efd analisou que a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo na URSS e nos outros ex Estados oper\u00e1rios representava uma <em>\u201cgrande transforma\u00e7\u00e3o mundial\u201d<\/em>, uma verdadeira <strong><em>\u201cmudan\u00e7a de \u00e9poca\u201d<\/em><\/strong>. Para o SU havia finalizado a \u00e9poca definida por Lenin como de <em>\u201cguerras, crises e revolu\u00e7\u00f5es\u201d, <\/em>aberta com a Primeira Guerra Mundial e o Outubro russo (a \u00e9poca imperialista e revolucion\u00e1ria) [15]. Bensa\u00efd considerava que entr\u00e1vamos em uma \u00e9poca muito mais defensiva, com uma <em>\u201ccrise no projeto socialista\u201d<\/em>, que requeria <em>\u201cconstruir um novo programa\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Ao considerar que havia um <em>\u201ceclipse da raz\u00e3o estrat\u00e9gica\u201d<\/em>, o SU eliminou o eixo do Programa de Transi\u00e7\u00e3o escrito por Trotsky: a ditadura do proletariado. Nesse marco, entre outras consignas para impulsionar a mobiliza\u00e7\u00e3o, se propunham algumas como radicalizar a democracia [burguesa], democratizar a ONU, criar novas institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d, etc. O SU havia deixado de ser uma organiza\u00e7\u00e3o revisionista do trotskismo para passar a ser diretamente uma organiza\u00e7\u00e3o reformista cujo acionar se integrava como a \u201cperna esquerda\u201d do sistema capitalista e das institui\u00e7\u00f5es da democracia burguesa.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, a n\u00e3o participa\u00e7\u00e3o em governos burgueses deixava de ser um problema de princ\u00edpios para passar a ser um problema \u201ct\u00e1tico\u201d. Assim o expressou o pr\u00f3prio Bensa\u00efd em seu debate com a organiza\u00e7\u00e3o DS (Democracia Socialista, ent\u00e3o se\u00e7\u00e3o do SU) sobre se esta devia entrar ou n\u00e3o no governo burgu\u00eas de Lula, em 2003 [16]. Posteriormente, em 2014\/2015, a dire\u00e7\u00e3o do SU impulsionaria o apoio de seus militantes gregos ao governo burgu\u00eas do Syriza.<\/p>\n<p><strong>Um novo tipo de partido<\/strong><\/p>\n<p>Junto com esta mudan\u00e7a qualitativa e regressiva no terreno te\u00f3rico-pol\u00edtico, o SU abandonou a tarefa de construir partidos revolucion\u00e1rios segundo o modelo leninista. Sua principal organiza\u00e7\u00e3o, a Liga Comunista Revolucion\u00e1ria (LCR) francesa, se autodissolveu em 2009, para fundar nesse mesmo ano o Novo Partido Anticapitalista (NPA). Sua proposta geral passou a ser a constru\u00e7\u00e3o de \u201cpartidos amplos\u201d em comum entre \u201cos revolucion\u00e1rios e os reformistas honestos\u201d, o que implicava, com certeza, na aceita\u00e7\u00e3o do programa reformista.<\/p>\n<p>Em Portugal, s\u00e3o parte do Bloco de Esquerda que ap\u00f3ia o governo burgu\u00eas de Antonio Costa, no Estado Espanhol integram o Podemos, que se associou \u00a0ao governo burgu\u00eas de Pedro S\u00e1nchez P\u00e9rez-Castej\u00f3n, na It\u00e1lia, integraram Rifundazione Comunista,\u00a0 que apoiou o governo burgu\u00eas de Romano Prodi, e, na Gr\u00e9cia, como vimos, do Syriza. No Brasil, isto se expressou na constru\u00e7\u00e3o do PSOL. Em alguns casos, como na Gr\u00e9cia, isto provocou crise e debates com setores de militantes deles (a OKDE-Spartacus) e produziu-se tamb\u00e9m o desaparecimento da\u00a0 Rifundazione, na It\u00e1lia. Mas nunca fizeram um balan\u00e7o s\u00e9rio desta pol\u00edtica desastrosa e, de fato, continuam aplicando-a, como no Estado Espanhol, Portugal e Brasil. Esses partidos amplos passaram de \u201canticapitalistas\u201d para ser \u201cantiausteridade\u201d, em uma din\u00e2mica program\u00e1tica cada vez mais rebaixada e \u00e0 direita.<\/p>\n<p>O SU (hoje denominado Comit\u00ea Internacional da IV Internacional) j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o trotskista revolucion\u00e1ria. Portanto, n\u00e3o pode ser considerada como um poss\u00edvel participante de um processo de reconstru\u00e7\u00e3o de uma IV Internacional revolucion\u00e1ria, ainda que insista em apresentar-se como \u201ca continuidade\u201d da IV e em usurpar seu nome.<\/p>\n<p>Por outro lado, atua como um polo de reagrupamento de outras organiza\u00e7\u00f5es internacionais e nacionais (algumas das quais ainda se reivindicam trotskistas), que se aproximam assim de suas posi\u00e7\u00f5es e propostas reformistas. Acreditamos que aqueles que, dentro do SU ou de sua \u201cesfera de influencia\u201d, acreditam honestamente que assim se ajuda a \u201creconstruir a IV\u201d est\u00e3o profundamente equivocados: uma verdadeira reconstru\u00e7\u00e3o da IV somente pode vir de um dur\u00edssimo combate contra as posi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, program\u00e1ticas e pol\u00edticas do SU.<\/p>\n<p><strong>Os herdeiros da tend\u00eancia The Militant\u201d<\/strong><\/p>\n<p>The Militant foi uma tendencia interna do Partido trabalhista (Labour Party \u2013 LP) ingl\u00eas, fundada pelo trotskista Edward \u201cTed\u201d Grant (1913-2006), a partir de 1964 [17].<\/p>\n<p>Ap\u00f3s oscilar em suas posi\u00e7\u00f5es, acabou fundando a <em>Revolutionary Socialist League<\/em>\u00a0(RSL) que, em 1956, tornou-se a se\u00e7\u00e3o da IV Internacional pablista na Gr\u00e3 Bretanha. A RSL aderiu \u00e0 concep\u00e7\u00e3o e \u00e0 pol\u00edtica do \u201centrismo sui generis\u201d para aplic\u00e1-la no LP: em 1960 inicia primeiro um entrismo na juventude do trabalhismo e ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o do The Militant, como uma pol\u00edtica a longo prazo \u00e0 espera da \u201cradicaliza\u00e7\u00e3o\u201d do LP e de capitalizar suas \u201crupturas de massas\u201d.<\/p>\n<p>Ted Grant n\u00e3o entrou no SU quando se deu o reagrupamento de 1963, e come\u00e7ou a desenvolver sua pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o internacional: o Comit\u00ea por uma Internacional de Trabalhadores (CWI na sigla em ingl\u00eas). Uma de suas caracter\u00edsticas \u00e9, como vimos, transformar a t\u00e1tica de entrismo em organiza\u00e7\u00f5es de massas com dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas em uma estrat\u00e9gia permanente, ao estilo pablista [18]. Em 1992, o CWI definiu encerrar o entrismo no LP, mas Ted Grant op\u00f4s-se a isto e ficou ent\u00e3o fora dessa organiza\u00e7\u00e3o. Com uma minoria de militantes come\u00e7ou a constru\u00e7\u00e3o da Tend\u00eancia Marxista Internacional (IMT na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o pablista desta corrente levou Alan Woods, sucessor de Ted Grant como principal dirigente da IMT, a seguir o mesmo caminho que Pablo teve com a Frente de Libera\u00e7\u00e3o Nacional (FLN) argelina. Woods abandonou a luta pelo poder dos trabalhadores e se transformou em assessor do governo burgu\u00eas de Hugo Ch\u00e1vez na Venezuela. De fato, era o \u201ctrostkista oficial\u201d do castro- chavismo: por exemplo, \u00e9 o \u00fanico autor \u201ctrotskista\u201d que pode vender seus escritos na Feira do Livro de La Habana[19]. Hoje tomou certa dist\u00e2ncia do governo de Nicol\u00e1s Maduro, mas apoiou sua repress\u00e3o e continua reivindicando o \u201cprocesso bolivariano\u201d, apesar do desastre a que este conduziu.<\/p>\n<p>O setor que continuou como CWI, encabe\u00e7ado pelo ingl\u00eas Peter Taaffe, apesar de ter sa\u00eddo do LP na Inglaterra e de construir o Partido Socialista (SP na sigla em ingl\u00eas), mant\u00e9m como uma de suas pol\u00edticas essenciais o entrismo a longo prazo em organiza\u00e7\u00f5es reformistas e eleitoralistas com condu\u00e7\u00f5es pequeno burguesas e burocr\u00e1ticas, como o PSOL brasileiro. Chegaram ao limite de apoiar a candidatura de Bernie Sanders contra Hillary Clinton nas \u00faltimas prim\u00e1rias do imperialista Partido Democrata estadunidense.<\/p>\n<p>Outra diferen\u00e7a muito importante \u00e9 que, diante da luta do povo palestino, o CWI chama a formar uma alian\u00e7a com o \u201cproletariado israelense\u201d, quando este proletariado \u00e9 na realidade a base social do enclave sionista imperialista e sua ampla maioria \u00e9 pela defesa intransigente deste Estado genocida.<\/p>\n<p><strong>A FT-PTS<\/strong><\/p>\n<p>Tal como assinalamos em um dos artigos que lhe dedicamos dentro desta s\u00e9rie sobre os 80 anos da IV Internacional, <em>\u201cAs diferen\u00e7as com a Fra\u00e7\u00e3o Trotskista (FT) surgiram desde a pr\u00f3pria origem do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS), uma ruptura do MAS argentino e da LIT-QI, em 1988, que come\u00e7ou a constru\u00e7\u00e3o da FT com se\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Latina e alguns grupos na Europa\u201d<\/em> [20].<\/p>\n<p>As principais diferen\u00e7as do PTS\/FT se expressavam em uma dura cr\u00edtica \u00e0s elabora\u00e7\u00f5es de Nahuel Moreno que, baseado no estudo dos processos revolucion\u00e1rios da Segunda P\u00f3s Guerra, elaborou aportes cr\u00edticos a aspectos da formula\u00e7\u00e3o das Teses da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente, escritas pro Trotsky em 1930. Especialmente, sua revaloriza\u00e7\u00e3o das \u201crevolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas\u201d que derrubavam regimes ditatoriais ou liberavam col\u00f4nias do imperialismo.<\/p>\n<p>Para o PTS\/FT estas elabora\u00e7\u00f5es eram uma concep\u00e7\u00e3o etapista ou semietapista que abandonava a teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente de Trotsky e levava \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es centristas. Por isso, tinha que romper com o morenismo e retomar a constru\u00e7\u00e3o de um \u201cverdadeiro trotskismo de Trotsky\u201d. No artigo j\u00e1 citado, respondemos extensamente a este debate com a FT.<\/p>\n<p>Eles consideram que n\u00e3o havia nenhuma diverg\u00eancia entre a realidade e a teoria. Tudo havia sido previsto nos escritos de Trotsky e n\u00e3o havia nada que preocupar-se, sobre que refletir, ou o que corrigir. O nascimento do PTS est\u00e1 intimamente associado a este m\u00e9todo que transforma o marxismo em \u201cdogma b\u00edblico\u201d e n\u00e3o uma ci\u00eancia viva que deve verificar de modo permanente suas constru\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas na realidade e, a partir da\u00ed, melhor\u00e1-las e\/ou modific\u00e1-las total ou parcialmente. Um m\u00e9todo que os levaria, anos mais tarde, a negar que o capitalismo j\u00e1 havia sido restaurado na China e que ainda nega que a restaura\u00e7\u00e3o se produziu totalmente em Cuba.<\/p>\n<p>Esta discuss\u00e3o te\u00f3rico-pol\u00edtica se tornou muito aguda em torno ao processo revolucion\u00e1rio no mundo \u00e1rabe, iniciado nos fins de 2010 com a derrota do ditator tunisiano Ben Ali, que depois se estendeu ao Egito, L\u00edbia e S\u00edria. A FT negou-se a qualificar esses processos como \u201crevolu\u00e7\u00f5es\u201d e a ter uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria concreta ante eles e \u00e0s guerras civis que se abriram na L\u00edbia e S\u00edria, ao propor n\u00e3o atuar dentro do campo militar que lutava contra as ditaduras de Kadafi e Assad.<\/p>\n<p><strong>Um giro de 180 graus <\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 este ponto do debate entre a LIT e a FT, esta organiza\u00e7\u00e3o nos criticava desde a \u201cesquerda\u201d e a \u201cultraortodoxia trotskista\u201d. Entretanto, nos debates mais recentes, a FT continua criticando-nos t\u00e3o duramente como antes, mas agora vemos que se localizou \u00e0 nossa \u201cdireita\u201d e utiliza argumentos antes impens\u00e1veis nela. O ponto de partida \u00e9 que adotou a \u201ccaracteriza\u00e7\u00e3o\u201d (comum \u00e0 maioria da esquerda internacional) de que no mundo existe uma \u201conda reacion\u00e1ria\u201d. Dado que a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as com o inimigo \u00e9 muito desfavor\u00e1vel, se imp\u00f5em essencialmente t\u00e1ticas unit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Muito ligado a isto, as se\u00e7\u00f5es mais importantes da FT giraram sua atividade para o eixo eleitoral-parlamentar como centro de sua atividade. Quem expressa isso, com muita nitidez, \u00e9 o MRT brasileiro, que pediu seu ingresso ao PSOL e apresenta candidatos por este partido [21]. Consequente com esta localiza\u00e7\u00e3o de \u201csat\u00e9lite\u201d do PSOL, um dos principais eixos de agita\u00e7\u00e3o do MRT e da FT \u00e9 a campanha por \u201cLula Livre\u201d e \u201cLula candidato presidencial\u201d.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica do MRT expressa a pol\u00edtica da FT em seu conjunto e, em especial, a de seu principal partido, o PTS da Argentina. Os \u201csintomas\u201d n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o evidentes como no MRT pelo maior peso da organiza\u00e7\u00e3o argentina (inclusive em estruturas oper\u00e1rias) e porque obteve \u00eaxitos eleitorais atrav\u00e9s da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT), que tenta manter um \u201cperfil trotskista\u201d. Entretanto, nitidamente j\u00e1 est\u00e3o ali: baseados nesses \u00eaxitos eleitorais, h\u00e1 varios anos que o PTS vem atuando como uma organiza\u00e7\u00e3o eleitoralista e parlamentarista [22].<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as te\u00f3rico-pol\u00edticas que temos com a FT s\u00e3o profundas. Mas, inclusive se elas diminu\u00edssem, esta organiza\u00e7\u00e3o tem um m\u00e9todo de relacionamento desleal (como a realiza\u00e7\u00e3o da t\u00e1tica de \u201centrismo secreto\u201d em outras organiza\u00e7\u00f5es trotskistas). Ainda que seja maior, a FT tem o m\u00e9todo das seitas parasit\u00e1rias. Isso torna hoje imposs\u00edvel qualquer aproxima\u00e7\u00e3o em bases s\u00e9rias e honestas. Mais ainda, determina que, nestas condi\u00e7\u00f5es, a FT somente pode desempenhar um papel negativo e destrutivo num processo de avan\u00e7o na reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional.<\/p>\n<p><strong>O \u00a0nacional-trotskismo<\/strong><\/p>\n<p>A partir da crise de 1953, come\u00e7ou a surgir um profundo desvio em algumas organiza\u00e7\u00f5es, que denominamos nacional-trotskismo: correntes cujos esfor\u00e7os se concentram quase que exclusivamente no desenvolvimento da organiza\u00e7\u00e3o nacional de origem e n\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de uma Internacional e sua equipe de dire\u00e7\u00e3o. Este processo se acentuou com aquelas organiza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o ingressaram no reagrupamento de 1963, como o Workers Revolutionary Party (WRP) da Gr\u00e3 Bretanha, encabe\u00e7ado por Gerry Heally, e o PCI franc\u00eas (depois OCI) de Pierre Lambert. Embora ambos desenvolvessem grupos em outros pa\u00edses, n\u00e3o eram verdadeiras internacionais e sim colaterais que giravam ao redor do \u201cpartido m\u00e3e\u201d e eram centralizadas ferreamente por sua dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estas organiza\u00e7\u00f5es nacional-trotskistas apresentam algumas caracter\u00edsticas comuns: se constroem ao redor de um \u201cdirigente infal\u00edvel\u201d e tem um m\u00e9todo de funcionamento interno sumamente burocr\u00e1tico. Por isso, qualquer diferen\u00e7a pol\u00edtica com esse dirigente e sua equipe acaba geralmente em expuls\u00f5es, com o argumento da \u201cdefesa da organiza\u00e7\u00e3o\u201d. A combina\u00e7\u00e3o deste funcionamento interno com a falta de controle de uma Internacional \u00e9 explosiva.<\/p>\n<p>O WRP havia se transformado, na primeira metade da d\u00e9cada de 1970, na principal organiza\u00e7\u00e3o tortskista do mundo (mais de 5.000 militantes), com peso em importantes estruturas oper\u00e1rias. Em 1985, Healy recebeu uma grav\u00edssima acusa\u00e7\u00e3o moral: assediar e obrigar v\u00e1rias militantes do partido a ter rela\u00e7\u00f5es sexuais com ele. A maioria da dire\u00e7\u00e3o saiu em sua defesa e o partido acabou explodindo em numerosas e pequenas fra\u00e7\u00f5es [23].<\/p>\n<p>No caso da OCI lambertista, primeiro se adaptou profundamente aos aparatos sindicais burocr\u00e1ticos franceses (especialmente a For\u00e7a Oper\u00e1ria) e depois capitulou completamente ao governo burgu\u00eas de frente popular de Fran\u00e7ois Mitterrand (desde 1981) [24]. A OCI conseguiu certo desenvolvimento mas ap\u00f3s sucessivas expuls\u00f5es e rupturas ficou muito reduzida. Nesse processo, adotou o nome de PT, com um programa muito rebaixado. Sua corrente internacional quase desapareceu.<\/p>\n<p>Atualmente, uma organiza\u00e7\u00e3o claramente nacional-trotskista \u00e9 o Partido Oper\u00e1rio (PO) da Argentina, organiza\u00e7\u00e3o de origem lambertista que nunca deu importancia nem dedicou seus esfor\u00e7os \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma Internacional. \u00c0s caracter\u00edsticas que assinalamos aqui (dirigente \u201cinfal\u00edvel\u201d e burocratismo interno), devemos agregar-lhe seu burocratismo no pr\u00f3prio movimento de massas e suas organiza\u00e7\u00f5es. A respeito de sua pol\u00edtica cotidiana, o PO (ainda que tente manter um perfil trotskista e militancia nas estruturas) tamb\u00e9m se transformou em uma organiza\u00e7\u00e3o cujo eixo \u00e9 a atividade eleitoral-parlamentar.<\/p>\n<p><strong>Algumas conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 a d\u00e9cada de 1970, Nahuel Moreno caracterizava que existia um \u201cmovimento trotskista\u201d. Definiu que, para al\u00e9m de suas diferen\u00e7as, era <em>\u201cuma corrente independente dos aparatos burocr\u00e1ticos ainda que n\u00e3o tivesse unidade organizativa\u201d<\/em>. Esse movimento j\u00e1 n\u00e3o existe como tal: como parte da \u201cenxurrada oportunista\u201d que arrasou a esquerda desde a d\u00e9cada de 1990, setores importantes desse movimento \u201ccruzaram a linha\u201d e abandonaram o campo revolucion\u00e1rio, transformando-se em correias de transmiss\u00e3o (e vivendo \u00e0s expensas) da democracia burguesa e parlamentar, dos fundos do Estado, ou de aparatos sindicais burocr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Alguns o fizeram de modo expl\u00edcito, como o SU. Outros, de modo mais vergonhoso: continuam ainda reivindicando-se trotskistas, mas avan\u00e7am (mais lento ou mais r\u00e1pido) nessa dire\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m das diferen\u00e7as te\u00f3ricas que temos com elas, tamb\u00e9m apresentam diferen\u00e7as incompat\u00edveis nas pol\u00edticas frente aos processos concretos. Muitas dessas organiza\u00e7\u00f5es capitularam ao chavismo venezuelano, ao Syriza na Gr\u00e9cia, ao PT e a Lula no Brasil (e continuam). Basta ver, por exemplo, que no Brasil, a grande maioria das correntes que se reivindicam trotskistas est\u00e3o dentro do PSOL, fazem campanha por \u201cLula Livre\u201d , e criticam o PSTU por \u201csect\u00e1rio\u201d quando se op\u00f5e a esta linha. Com v\u00e1rias delas, al\u00e9m disso, nos separa seu m\u00e9todo de relacionamento desleal e ado\u00e7\u00e3o da moral do \u201cvale-tudo\u201d.<\/p>\n<p>Somos totalmente conscientes que a LIT-QI tamb\u00e9m sofreu as consequencias da \u201cenxurrada oportunista\u201d e, depois da morte de Nahuel Moreno, passou por uma profunda crise que quase levou a seu desaparecimento. Mas analisando autocriticamente seus erros e buscando corrigi-los, vai superando essa crise, e suas se\u00e7\u00f5es e militantes buscam intervir e construir-se ativamente nos processos reais da luta de classes. Com uma pol\u00edtica trotskista revolucion\u00e1ria, suas se\u00e7\u00f5es e militantes desempenham um papel de primeira linha nos processos de reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio e de massas, como a CSP-Conlutas, no Brasil, CoBas no Estado Espanhol, No Austerity na It\u00e1lia, o Sitrasep na Costa Rica, entre outros. Al\u00e9m disso, como consideramos que o marxismo n\u00e3o \u00e9 um dogma e sim uma ci\u00eancia viva que se enriquece com o estudo dos novos fatos da realidade, estamos em um processo de atualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Objetivamente, por seu funcionamento centralista-democr\u00e1tico, por seu programa e pela manuten\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia da ditadura do proletariado, por sua pol\u00edtica concreta diante dos processos e por sua defesa da moral revolucion\u00e1ria, a LIT-QI \u00e9 hoje, com todas suas debilidades, a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria trotskista internacional que merece tal nome. \u00c9 uma constata\u00e7\u00e3o, em grande medida dolorosa, da realidade das \u201cfor\u00e7as trotskistas\u201d.<\/p>\n<p>No contexto que analisamos, propor um poss\u00edvel reagrupamento estrat\u00e9gico de modo imediato com outras for\u00e7as que se reivindicam trotskistas seria equivocado e, ao mesmo tempo, irrespons\u00e1vel. Talvez no futuro, a luta de classes permita essa aproxima\u00e7\u00e3o com algumas das organiza\u00e7\u00f5es que analisamos, ou com outras. Quando essa possibilidade aconte\u00e7a na realidade, atuaremos como j\u00e1 temos feito no passado: com seriedade, honestidade e lealdade, para tentar concretiz\u00e1-la. E faremos com os crit\u00e9rios que j\u00e1 assinalamos neste mesmo artigo. Por isso, consideramos que uma verdadeira reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional passa atualmente pela constru\u00e7\u00e3o da LIT-QI.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1] Sobre o tema da funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional como continuidade da III Internacional, ver o artigo de Alicia Sagra, em: <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/especial\/80-anos-de-la-cuarta\/reconstruir-la-iv-continuidad-la-iii-internacional\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/especial\/80-anos-de-la-cuarta\/reconstruir-la-iv-continuidad-la-iii-internacional\/<\/a><\/p>\n<p>[2]\u00a0 Citado por Eduardo Almeida, em: <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/historia\/defensa-la-cuarta-internacional\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/historia\/defensa-la-cuarta-internacional\/<\/a><\/p>\n<p>[3] Sobre este processo, ver <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/especial\/80-anos-de-la-cuarta\/la-lucha-la-reconstruccion-la-iv-internacional-papel-del-parte-i\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/especial\/80-anos-de-la-cuarta\/la-lucha-la-reconstruccion-la-iv-internacional-papel-del-parte-i\/<\/a><\/p>\n<p>[4] Idem.<\/p>\n<p>[5] Ver <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/historia\/defensa-la-cuarta-internacional\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/historia\/defensa-la-cuarta-internacional\/<\/a><\/p>\n<p>[6] Pablo op\u00f4s-se \u00e0 reunifica\u00e7\u00e3o de 1963, passou a atuar como assessor do governo burgu\u00eas da FLN argelino, e come\u00e7ou a construir uma pequena organiza\u00e7\u00e3o internacional. Foi formalmente expulso do SU em 1964.<\/p>\n<p>[7] Sobre alguns desses debates, recomendamos ler os livros de Nahuel <em>O partido e a revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, de 1973 (conhecido como \u201cMorenazo\u201d) e <em>Ditadura revolucion\u00e1ria do proletariado<\/em>, de 1980, ambos reeditados pela Editora Lorca, 2010.<\/p>\n<p>[8] Ver <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/historia\/nahuel-moreno-nuestra-experiencia-con-el-lambertismo\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/historia\/nahuel-moreno-nuestra-experiencia-con-el-lambertismo\/<\/a><\/p>\n<p>[9] <a href=\"http:\/\/phl.bibliotecaleontrotsky.org\/arquivo\/estatutosLIT.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/phl.bibliotecaleontrotsky.org\/arquivo\/estatutosLIT.pdf<\/a><\/p>\n<p>[10] Sobre estes crit\u00e9rios e as bases deste programa, ver: <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/el-proyecto-estrategico-de-la-lit-ci-es-reconstruir-la-iv-internacional\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/el-proyecto-estrategico-de-la-lit-ci-es-reconstruir-la-iv-internacional\/<\/a><\/p>\n<p>[11] Idem.<\/p>\n<p>[12] O PRT-ERP foi reconhecido como se\u00e7\u00e3o oficial argentina do SU em 1969, em detrimento da organiza\u00e7\u00e3o morenista (PRT-La Verdad).Rompeu com o SU e o trotskismo em 1973.<\/p>\n<p>[13] Em debate com estas posi\u00e7\u00f5es e com um balan\u00e7o da experiencia guerrilheira, Nahuel Moreno escreveu e apresentou ao X Congresso o documento j\u00e1 citado, conhecido como \u201cMorenazo\u201d e logo reeditado como <em>O partido e a revolu\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>[14] Declara\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>Fra\u00e7\u00e3o Bolchevique<\/em> (1979).<\/p>\n<p>[15] Para uma an\u00e1lise mais profunda deste tema, ver: <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/especial\/80-anos-de-la-cuarta\/la-lucha-la-reconstruccion-la-iv-internacional-papel-del-parte-ii\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/especial\/80-anos-de-la-cuarta\/la-lucha-la-reconstruccion-la-iv-internacional-papel-del-parte-ii\/<\/a><\/p>\n<p>Para consultar diretamente os textos de Daniel Bensa\u00efd, ver: <a href=\"http:\/\/www.internationalviewpoint.org\/spip.php?rubrique4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.internationalviewpoint.org\/spip.php?rubrique4<\/a>\u00a0 y <a href=\"http:\/\/danielbensaid.org\/Uma-nova-epoca-historica?lang=fr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/danielbensaid.org\/Uma-nova-epoca-historica?lang=fr<\/a><\/p>\n<p>[16] Sobre este tema, ver: <a href=\"http:\/\/danielbensaid.org\/Carta-a-Democracia-Socialista?lang=fr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/danielbensaid.org\/Carta-a-Democracia-Socialista?lang=fr<\/a><\/p>\n<p>[17] Sobre a trajet\u00f3ria de Ted Grant, The Militant e sua corrente, ver: <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/especial\/80-anos-de-la-cuarta\/tendencia-marxista-internacional-tmi-del-entrismo-permanente-al-abandono-la-dictadura-del-proletariado\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/especial\/80-anos-de-la-cuarta\/tendencia-marxista-internacional-tmi-del-entrismo-permanente-al-abandono-la-dictadura-del-proletariado\/<\/a><\/p>\n<p>[18] Idem.<\/p>\n<p>[19] Ver o artigo \u201cAlan Woods: o \u2018trotskista oficial\u2019\u201d em <em>Correio Internacional<\/em> N<sup>o<\/sup> 14 (dezembro de 2015).<\/p>\n<p>[20] <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/especial\/80-anos-de-la-cuarta\/fraccion-trotskista-pts-del-sectarismo-propagandistico-al-oportunismo-electoralista-parte-i\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/especial\/80-anos-de-la-cuarta\/fraccion-trotskista-pts-del-sectarismo-propagandistico-al-oportunismo-electoralista-parte-i\/<\/a><\/p>\n<p>[21] Sobre esta parte do debate com a FT\/PTS, ver: <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/especial\/80-anos-de-la-cuarta\/fraccion-trotskista-pts-del-sectarismo-propagandistico-al-oportunismo-electoralista-parte-ii\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/especial\/80-anos-de-la-cuarta\/fraccion-trotskista-pts-del-sectarismo-propagandistico-al-oportunismo-electoralista-parte-ii\/<\/a><\/p>\n<p>[22] Idem.<\/p>\n<p>[23] Uma delas, encabe\u00e7ada por Bill Hunter, ingressou na LIT-CI e formou a Internacional Social League (ISL).<\/p>\n<p>[24] Ver o artigo sobre o lambertismo citado na nota 8.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo de 2018, nossa p\u00e1gina publicou varios artigos dedicados aos 80 anos da funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional que abordaram o contexto e os objetivos de sua funda\u00e7\u00e3o, as causas da crise de 1953 e suas consequ\u00eancias na dispers\u00e3o das for\u00e7as trotskistas e os debates que a LIT \u2013QI mant\u00e9m com as outras 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