{"id":24119,"date":"2018-08-29T23:02:38","date_gmt":"2018-08-30T01:02:38","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=24119"},"modified":"2018-08-29T23:02:38","modified_gmt":"2018-08-30T01:02:38","slug":"29-de-agosto-e-dia-da-visibilidade-lesbica-e-bissexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/08\/29\/29-de-agosto-e-dia-da-visibilidade-lesbica-e-bissexual\/","title":{"rendered":"29 de agosto \u00e9 dia da Visibilidade L\u00e9sbica e Bissexual"},"content":{"rendered":"<p><em>Vivemos num dos pa\u00edses que mais mata LGBT\u2019s no mundo.<\/em><\/p>\n<p><em>Para as mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais, cis e trans, a lesbofobia se combina com o machismo e a explora\u00e7\u00e3o, e muitas vezes com o racismo, para formar um coquetel explosivo. Elas s\u00e3o expulsas de casa, sofrem \u201cbullying\u201d nas escolas, n\u00e3o encontram atendimento especializado na rede p\u00fablica de sa\u00fade e nenhum tipo de amparo dos poderes p\u00fablicos para combater a lesbofobia.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por:\u00a0Denise Mega, de Salvador\/BA &#8211; Brasil<\/p>\n<p>Somos v\u00edtimas de crimes com requintes de crueldade. S\u00e3o muitos os casos de viol\u00eancia psicol\u00f3gica, ass\u00e9dio moral e sexual, espancamentos, estupros corretivos e assassinatos, por\u00e9m os dados oficiais s\u00e3o escassos e incompletos j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 tipifica\u00e7\u00e3o do crime de lesbofobia em nosso C\u00f3digo Penal. Assim, esses crimes ficam invisibilizados e na maioria absoluta das vezes os culpados ficam impunes.<\/p>\n<p>Os dados compilados pelo Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos atrav\u00e9s da an\u00e1lise das comunica\u00e7\u00f5es feitas no seu canal de den\u00fancia, o Disque 100, demonstram que houve 1720 den\u00fancias sobre viol\u00eancia homof\u00f3bica em 2017, sendo que pelo menos 31% delas envolveram mulheres.<\/p>\n<p>Segundo a publica\u00e7\u00e3o do Senado \u201cPanorama da viol\u00eancia contra as mulheres no Brasil\u201d, em 2016 foram registrados pelo sistema de sa\u00fade brasileiro 101.218 casos de viol\u00eancia f\u00edsica contra mulheres e 27.059 casos de viol\u00eancia sexual. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o aos registros de ocorr\u00eancias de atos violentos contra mulheres (excluindo os estados de Sergipe, Pernambuco, S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1), foram registrados 21.728 estupros.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 dados dispon\u00edveis sobre quantas destas mulheres s\u00e3o l\u00e9sbicas ou bissexuais, mas as informa\u00e7\u00f5es recolhidas pelos grupos LGBT\u2019s nos permitem ter uma id\u00e9ia deste quadro.<\/p>\n<p>Segundo o \u201cDossi\u00ea sobre o lesboc\u00eddio no Brasil\u201d, do Grupo de Pesquisa Lesboc\u00eddio do N\u00facleo de Inclus\u00e3o Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro; entre 2014 e 2017 tivemos 126 l\u00e9sbicas assassinadas ou que se suicidaram no Brasil, a maioria jovens entre 20 e 24 anos. Ainda segundo o grupo, apenas nos primeiros dois meses de 2018, foram registrados mais 26 casos de assassinatos de mulheres l\u00e9sbicas.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Grupo Gay da Bahia (GGB) registrou 445 homic\u00eddios de LGBT\u2019s em 2017, sendo 43 l\u00e9sbicas. Isso significa que a cada 19 horas uma LGBT \u00e9 assassinada ou se suicida v\u00edtima da \u201cLGBTfobia\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m enfrentamos o machismo, que se expressa, por exemplo, na fetichiza\u00e7\u00e3o e objetifica\u00e7\u00e3o das l\u00e9sbicas e bissexuais, que tem suas rela\u00e7\u00f5es erotizadas para satisfazer os desejos dos homens. Isso faz com que as l\u00e9sbicas estejam mais vulner\u00e1veis aos casos de \u201cestupro corretivo\u201d, aquele que \u00e9 praticado com a desculpa cruel de \u201cfaz\u00ea-la gostar de homens\u201d.<\/p>\n<p>Nas escolas temos a opress\u00e3o disfar\u00e7ada de \u201cbullying\u201d (um nome pomposo para o preconceito). Jovens l\u00e9sbicas e bissexuais sofrem enquanto os governos vetam a discuss\u00e3o de g\u00eanero nas escolas, o que seria essencial para permitir o debate sobre orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero com a juventude de forma a combater a lesbofobia.<\/p>\n<p>Na sa\u00fade, n\u00e3o encontramos atendimento espec\u00edfico para a mulher l\u00e9sbica. N\u00e3o h\u00e1 discuss\u00e3o sobre m\u00e9todos de preven\u00e7\u00e3o de DST\u2019s. A invisibilidade de nossas demandas espec\u00edficas deixa l\u00e9sbicas a merc\u00ea de profissionais completamente despreparados e que muitas vezes s\u00e3o tamb\u00e9m opressores. H\u00e1 diversos casos de estupros durante atendimentos m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>A criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto faz com que mulheres desesperadas se vejam obrigadas a recorrer \u00e0s cl\u00ednicas clandestinas ou mesmo a m\u00e9todos caseiros e extremamente perigosos, correndo risco de vida. Muitas destas mulheres s\u00e3o l\u00e9sbicas ou bissexuais.<\/p>\n<p>No mercado de trabalho estamos destinadas \u00e0 superexplora\u00e7\u00e3o e ao subemprego, e n\u00e3o s\u00e3o poucos os casos de ass\u00e9dio. As mulheres trans praticamente s\u00f3 encontram meios de subsist\u00eancia na prostitui\u00e7\u00e3o e para elas resta uma expectativa de vida m\u00e9dia de apenas 35 anos.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o estamos caladas. L\u00e9sbicas e bissexuais est\u00e3o na luta e nas ruas para reivindicar melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Estamos vendo crescer os movimentos LGBT\u2019s em luta pelos seus direitos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos as conquistas que obtivemos foram arrancadas nas ruas. Foi assim com a derrota do projeto de \u201ccura gay\u201d e com a conquista da uni\u00e3o civil homoafetiva.<\/p>\n<p>As l\u00e9sbicas tamb\u00e9m est\u00e3o presentes nas lutas das mulheres, como vimos nos atos em favor da descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto e em defesa da vida das mulheres, que levaram milhares \u00e0s ruas na Argentina e aconteceram tamb\u00e9m aqui no Brasil. Ouvia-se nos atos nacionais a palavra de ordem: Que contradi\u00e7\u00e3o! Aborto \u00e9 crime, homofobia n\u00e3o!<\/p>\n<p>O mercado e os capitalistas tentam cooptar esses movimentos, atrav\u00e9s das empresas \u201cgay friendly\u201d, o que na teoria significa a busca de uma identifica\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel com os LGBT\u2019s atrav\u00e9s de produtos espec\u00edficos para consumidores gays e l\u00e9sbicas, mas que na pr\u00e1tica representa apenas a tentativa dessas empresas de aumentar seus lucros vendendo produtos para esse mercado consumidor. De nada adiantam camisetas com o s\u00edmbolo do arco-\u00edris, se estas s\u00e3o muitas vezes fabricadas usando trabalho escravo e vendidas em grandes lojas que superexploram e discriminam suas trabalhadoras l\u00e9sbicas e que s\u00e3o localizadas em shoppings que protagonizam epis\u00f3dios de lesbofobia.<\/p>\n<p>Essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o voltadas para aumentar o consumo entre as LGBTs da burguesia, enquanto as l\u00e9sbicas e bissexuais trabalhadoras e da periferia continuam com medo at\u00e9 mesmo de expressar afeto em p\u00fablico.<\/p>\n<p>N\u00e3o queremos clubinhos fechados que cobrem uma fortuna por baladas LGBT\u2019s, lucrando com o medo da viol\u00eancia a que estamos submetidas. Queremos o direito de andar de m\u00e3os dadas em qualquer lugar p\u00fablico sem nos tornarmos v\u00edtimas da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Agora nesse per\u00edodo de elei\u00e7\u00f5es, v\u00e1rios candidatos disputam nosso voto.<\/p>\n<p>As principais paradas LGBT\u2019s deste ano trouxeram o tema \u201cnosso voto nossa voz\u201d, chamando LGBT\u2019s a votarem em candidatos LGBT\u2019s. Por\u00e9m cabe a pergunta se isto ajuda na conquista das nossas demandas.<\/p>\n<p>Passamos pelos governos de FHC, de Lula, de Dilma e de Temer sem que nenhuma conquista do movimento viesse desses governos ou do congresso corrupto.<\/p>\n<p>Esses pol\u00edticos nos oferecem migalhas durante as elei\u00e7\u00f5es e quando s\u00e3o eleitos negociam com nossas exig\u00eancias, a fim de manter o poder em suas m\u00e3os. Foi isso que fez Dilma, quando acabou com o projeto do kit anti-homofobia nas escolas para atender aos interesses de setores evang\u00e9licos, com sua \u201cCarta ao povo de Deus\u201d.<\/p>\n<p>O PT se elegeu apoiando-se no voto das LGBT\u2019s e as abandonou \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Os n\u00edveis de viol\u00eancia s\u00f3 aumentaram e nenhuma pol\u00edtica p\u00fablica efetiva que atacasse a lesbofobia foi implementada.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 piorou com as reformas de Temer. A reforma trabalhista precarizou nossos direitos e permitiu aos patr\u00f5es aumentar a explora\u00e7\u00e3o sobre as trabalhadoras em geral e tamb\u00e9m sobre as l\u00e9sbicas e bissexuais, agora menos protegidas do ass\u00e9dio moral e mais sujeitas ao desemprego crescente.<\/p>\n<p>O sistema capitalista precisa da opress\u00e3o para aumentar seus lucros. N\u00e3o basta eleger uma l\u00e9sbica que se proponha a manter as coisas como est\u00e3o, pois nada vai mudar. \u00c9 preciso uma rebeli\u00e3o para romper com esse sistema e abrir espa\u00e7o para conquistas concretas.<\/p>\n<p>Enquanto perdurar esse sistema, os governos v\u00e3o tentar retirar nossos direitos assim que surgir a primeira \u201cmarolinha\u201d de crise.<\/p>\n<p><strong>Precisamos de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>As l\u00e9sbicas e bissexuais trabalhadoras conhecem bem as mazelas da opress\u00e3o, mas tamb\u00e9m sentem na pele as consequ\u00eancias da explora\u00e7\u00e3o capitalista. Nossas demandas espec\u00edficas se somam \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es das demais trabalhadoras e trabalhadores, pois nossa classe hoje trabalha para sustentar uma meia d\u00fazia de empres\u00e1rios que ganham milh\u00f5es \u00e0s nossas custas, enquanto recebemos sal\u00e1rios de fome e sofremos com todo tipo de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>O aprofundamento da mis\u00e9ria aprofunda tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es de vida dos setores mais oprimidos.\u00a0 Por isso chamamos as l\u00e9sbicas trabalhadoras e das periferias a unificarem suas revoltas para dizer um basta \u00e0 lesbofobia.<\/p>\n<p>Precisamos de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista para acabar com esse sistema que n\u00e3o tem nada a nos oferecer.<\/p>\n<p>Nossa luta precisa ser coletiva e com um objetivo comum: o de um projeto socialista que nos liberte das amarras da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sair da posi\u00e7\u00e3o de oprimidas e exploradas e passar para a posi\u00e7\u00e3o de exploradoras. Nossa liberta\u00e7\u00e3o est\u00e1 em se juntar aos demais explorados e oprimidos para lutarmos por uma sociedade sem explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o! Uma sociedade socialista!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos num dos pa\u00edses que mais mata LGBT\u2019s no mundo. Para as mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais, cis e trans, a lesbofobia se combina com o machismo e a explora\u00e7\u00e3o, e muitas vezes com o racismo, para formar um coquetel explosivo. 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