{"id":23886,"date":"2018-08-12T15:53:25","date_gmt":"2018-08-12T17:53:25","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=23886"},"modified":"2018-08-12T15:53:25","modified_gmt":"2018-08-12T17:53:25","slug":"e-necessaria-a-solidariedade-de-todos-os-povos-do-mundo-com-a-luta-do-povo-nicaraguense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/08\/12\/e-necessaria-a-solidariedade-de-todos-os-povos-do-mundo-com-a-luta-do-povo-nicaraguense\/","title":{"rendered":"\u00c9 necess\u00e1ria a solidariedade de todos os povos do mundo com a luta do povo nicaraguense"},"content":{"rendered":"<p><em>A hist\u00f3ria do povo nicaraguense por sua liberta\u00e7\u00e3o fez vibrar o mundo inteiro por quase um s\u00e9culo.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Liga Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional<\/p>\n<p>Em 1928, impulsionada pela Liga Anti-imperialista das Am\u00e9ricas (1), construiu-se o \u201cComit\u00e9 Manos Fuera de Nicaragua\u201d(Comit\u00ea M\u00e3os Fora da Nicar\u00e1gua), com sede no M\u00e9xico. Este foi um esfor\u00e7o unit\u00e1rio com o objetivo de proporcionar solidariedade pol\u00edtica, financeira e militar \u00e0 luta do \u201cpequeno ex\u00e9rcito louco\u201d, do<strong> Ex\u00e9rcito Defensor da Soberania Nacional da Nicar\u00e1gua<\/strong>, que combatia contra a interven\u00e7\u00e3o militar estadunidense na Nicar\u00e1gua. Nessa campanha atuaram dirigentes pol\u00edticos como o cubano Julio Antonio Mella, o peruano V\u00edctor Ra\u00fal Haya de la Torre, e os pintores mexicanos David Alfaro Siqueiros e Diego Rivera.<\/p>\n<p>Depois que Sandino foi tra\u00eddo e morto e se estabeleceu a ditadura da dinastia Somoza a ferro e fogo, novas campanhas de solidariedade foram necess\u00e1rias para apoiar a luta dos combatentes pela Liberdade. Em 1969-1970 foi necess\u00e1ria uma extensa campanha de solidariedade para evitar a deporta\u00e7\u00e3o e o seguro assassinato de Carlos Fonseca Amador, fundador da Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, nesse momento preso nos c\u00e1rceres da Costa Rica. Da campanha fizeram parte os intelectuais e Pr\u00eamio Nobel franceses Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre.<\/p>\n<p>O movimento de solidariedade a favor da luta do povo da Nicar\u00e1gua foi crescendo conforme a crise da ditadura da fam\u00edlia Somoza se aprofundava. Desde 1978 era \u00f3bvio que se incubava um levante popular contra a ditadura. Al\u00e9m do apoio pol\u00edtico e log\u00edstico que aumentava dia a dia, a revolu\u00e7\u00e3o nicaraguense recuperou uma not\u00e1vel tradi\u00e7\u00e3o internacionalista, a das Brigadas Internacionais de combatentes volunt\u00e1rios. Participaram da brigada costarriquense Carlos Luis Fallas e a panamenha Victoriano Lorenzo, al\u00e9m de imenso n\u00famero de volunt\u00e1rios individuais.<\/p>\n<p>Nossa corrente, a Liga Internacional dos Trabalhadores organizou tamb\u00e9m uma brigada de combatentes volunt\u00e1rios, a Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar, que combateu na liberta\u00e7\u00e3o de Bluefleds.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o nicaraguense de 1979 levantou uma nova onda de esperan\u00e7a internacional, logo depois da derrota militar estadunidense no Vietn\u00e3, novamente um pequeno pa\u00eds vencia militarmente uma ditadura sanguin\u00e1ria armada at\u00e9 os dentes com o financiamento do imperialismo. A revolu\u00e7\u00e3o parecia espalhar-se como um rastilho de p\u00f3lvora pelo resto da Am\u00e9rica Central, t\u00e3o oprimida e ultrajada como a Nicar\u00e1gua.<\/p>\n<p>A solidariedade internacional se concretizou nesse momento nas grandes jornadas de alfabetiza\u00e7\u00e3o, de reconstru\u00e7\u00e3o do campo e a partir de 1983 no combate contra a contrarrevolu\u00e7\u00e3o, ajudada e financiada pelo governo estadunidense.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">As massas nicaraguenses e centro-americanas fizeram tudo o que esteve ao seu alcance para derrotar o imperialismo, dezenas de milhares morreram e sacrificaram suas vidas, poucas guerras foram t\u00e3o sangrentas como a revolu\u00e7\u00e3o centro-americana de 1979-1990.<\/p>\n<p>No entanto, a revolu\u00e7\u00e3o centro-americana n\u00e3o foi derrotada fundamentalmente pela agress\u00e3o imperialista, esse foi um fator. O principal problema foi a concep\u00e7\u00e3o que a FSLN (Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional) e todas as organiza\u00e7\u00f5es castristas imprimiram\u00a0 ao processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>A FSLN desde a queda de Somoza concebia as tarefas da revolu\u00e7\u00e3o como a constru\u00e7\u00e3o de um governo de \u201cunidade nacional\u201d, isto \u00e9 de um governo burgu\u00eas, cuja tarefa fundamental era reconstruir o Estado, a pol\u00edcia e o ex\u00e9rcito burgu\u00eas, agora dominado pelos sandinistas. O governo cubano utilizou sua autoridade para dizer que a Nicar\u00e1gua n\u00e3o podia seguir o caminho da revolu\u00e7\u00e3o de Cuba de 1959, expropriando o capitalismo. Essa \u00e9 a origem das dire\u00e7\u00f5es do ex\u00e9rcito atual e dos atuais paramilitares.<\/p>\n<p>Da mesma forma a tarefa econ\u00f4mica era o desenvolvimento da \u201ceconomia mista\u201d, uma economia capitalista com interven\u00e7\u00e3o do Estado. N\u00e3o se deveria avan\u00e7ar at\u00e9 o socialismo e tamb\u00e9m n\u00e3o deveria avan\u00e7ar na reforma agraria. A revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria ser \u201cexportada\u201d, tinha que respeitar as fronteiras artificiais dos Estados nacionais.<\/p>\n<p>Ou seja, a revolu\u00e7\u00e3o foi desde cedo asfixiada e por fim estrangulada por sua dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Para conseguir estes objetivos, a FSLN, desde o principio, teve que transferir sua forma militar e sua forma de partido-ex\u00e9rcito para a sociedade. N\u00e3o permitia nenhuma oposi\u00e7\u00e3o, mesmo nas fileiras das for\u00e7as revolucion\u00e1rias. Primeiro expulsou a Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar e a entregou \u00e0 pol\u00edcia panamenha. Logo depois se encarregou de \u201cesterilizar\u201d o resto da esquerda comunista, trotskista e mao\u00edsta.<\/p>\n<p>O sandinismo s\u00f3 aceita subordina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou oposi\u00e7\u00e3o controlada, qualquer organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que se apresente seriamente para combater e competir com o sandinismo \u00e9 combatida at\u00e9 \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Como parte da cultura militar \u00e9 transferida ao movimento popular, ser\u00e1 sua pr\u00e1tica anexar e \u201cestatizar\u201d as organiza\u00e7\u00f5es sindicais e populares. Tanto a Central Sandinista dos Trabalhadores, como a Associa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores do Campo ou as federa\u00e7\u00f5es estudantis, foram transformadas em organiza\u00e7\u00f5es semiestatais, dominadas por burocracias totalit\u00e1rias e corrompidas.<\/p>\n<p>Estas caracter\u00edsticas ditatoriais foram justificadas durante a guerra, pelo rigor do enfrentamento contra os Estados Unidos e os \u201ccontra\u201d, mas o seguro \u00e9 que a asfixia do movimento de massas era funcional para a derrota da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O sandinismo abandona o governo em 1990, ap\u00f3s perder as elei\u00e7\u00f5es. A revolu\u00e7\u00e3o foi sepultada em meio aos acordos eleitorais e uma nova corrup\u00e7\u00e3o (a \u201cpi\u00f1ata\u201d)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> que abriu a constru\u00e7\u00e3o de uma nova burguesia sandinista.<\/p>\n<p>O sandinismo \u201cgoverna por baixo\u201d entre 1990-2006. Seu controle do movimento de massas lhe permite negociar lugares seguros para um novo processo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista. Vai centralizando as estruturas do Estado, a pol\u00edcia, o ex\u00e9rcito, os ju\u00edzes.<\/p>\n<p>O ascenso e apoio do chavismo, permite ao orteguismo desenvolver-se como uma nova ditadura familiar, repetindo a hist\u00f3ria do somozismo.<\/p>\n<p>Esvaziado o sandinismo hist\u00f3rico, eliminadas as oposi\u00e7\u00f5es de esquerda e direita, o dom\u00ednio privilegiado do Estado permitiu \u00e0 fam\u00edlia Ortega \u00a0construir uma nova dinastia familiar, vinculada \u00e0s empresas de comunica\u00e7\u00e3o e ao manejo do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>O governo de Daniel Ortega foi um governo aplaudido pelo FMI, pela igreja cat\u00f3lica, as igrejas pentecostais, o ex\u00e9rcito estadunidense, os grupos de minera\u00e7\u00e3o e os empres\u00e1rios centro-americanos. At\u00e9 que come\u00e7ou a crise pol\u00edtica de abril de 2018.<\/p>\n<p>Desde abril de 2018, iniciou-se um novo processo de rebeli\u00e3o popular, que continua o padr\u00e3o de um s\u00e9culo de rebeli\u00f5es. Um levante dos jovens e dos empobrecidos contra uma dinastia familiar, que garante os neg\u00f3cios dos grandes capitalistas, que se apoia na pol\u00edcia e no ex\u00e9rcito para governar, que manipula e mente.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o as mobiliza\u00e7\u00f5es populares e os bloqueios das estradas contra o governo de Daniel Ortega n\u00e3o se detiveram. E o governo de Ortega, como toda ditadura, respondeu com um banho de sangue que j\u00e1 ultrapassa 450 mortos, milhares de feridos e centenas de desaparecidos. Iniciou-se uma nova onda de refugiados pol\u00edticos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Costa Rica. A ditadura foi particularmente cruel no uso da viol\u00eancia policial e paramilitar para enfrentar as mobiliza\u00e7\u00f5es e os bloqueios das estradas.<\/p>\n<p>Os empres\u00e1rios e a igreja cat\u00f3lica que durante muitos anos toleraram o tirano, n\u00e3o tiveram outra sa\u00edda que come\u00e7ar a opor-se. Da mesma forma, o governo estadunidense e seus organismos internacionais.<\/p>\n<p>Diferente do que disse o castrismo e o Foro de Sao Paolo, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma conspira\u00e7\u00e3o em curso na Nicar\u00e1gua, e sim uma autentica rebeli\u00e3o popular.<\/p>\n<p>E como em outras revolu\u00e7\u00f5es que a Nicar\u00e1gua viveu, h\u00e1 for\u00e7as que conspiram contra sua vit\u00f3ria. Em primeiro plano o governo cubano, os partidos comunistas e o PT do Brasil, que apoiam o massacre do povo nicaraguense, em defesa do governo \u201cprogressista\u201d de Ortega.<\/p>\n<p>Depois os empres\u00e1rios, o governo dos Estados Unidos e os organismos internacionais, que protegeram Daniel Ortega durante muito tempo e agora que perderam o controle, o criticam para poder recompor a situa\u00e7\u00e3o. As palavras vociferantes contra o regime n\u00e3o escondem que a pol\u00edtica do Departamento de Estado e da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA) \u00e9: di\u00e1logo com a ditadura e elei\u00e7\u00f5es antecipadas.<\/p>\n<p>Para derrotar a ditadura o povo nicaraguense precisa da solidariedade internacional como precisou no passado, precisa tamb\u00e9m organizar sua autodefesa para enfrentar a ditadura e lutar de maneira independente dos organismos do imperialismo e dos empres\u00e1rios que s\u00f3 buscam reconduzir a luta at\u00e9 um pacto com a tirania. Para triunfar \u00e9 necess\u00e1ria a mais ampla solidariedade das organiza\u00e7\u00f5es sociais, especialmente da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que os sindicatos e as demais organiza\u00e7\u00f5es deem seu apoio pol\u00edtico e material \u00e0 luta do povo nicaraguense por sua liberta\u00e7\u00e3o da ditadura e pela constru\u00e7\u00e3o de um novo Estado sob o dom\u00ednio e controle dos trabalhadores e suas organiza\u00e7\u00f5es, com nacionaliza\u00e7\u00e3o das principais empresas, planifica\u00e7\u00e3o da economia e o controle estatal do comercio exterior, para que a riqueza produzida seja destinada \u00e0s necessidades do povo, e para que desta vez a luta leve \u00e0 vit\u00f3ria definitiva do povo nicaraguense.<\/p>\n<p>(1) Uma especie de \u201cfrente \u00fanica antimperialista\u201d impulsionada pelos primeros zigs zags da Internacional Comunista.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Entre 29 de abril e 02 de mar\u00e7o de 1990, a FSLN aprovou as leis 85 a 87, conhecidas como La Pi\u00f1ata, que permitiu seus dirigentes da FSLN se apropriassem de milhares de propriedades.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do povo nicaraguense por sua liberta\u00e7\u00e3o fez vibrar o mundo inteiro por quase um s\u00e9culo.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":23979,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3610],"tags":[6312,6313,1049,6314],"class_list":["post-23886","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-declaracao-lit-qi","tag-fora-ortega","tag-lit_qi","tag-nicaragua","tag-solidariedade-internacional-a-nicaragua"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/mundo-protestos-nicaragua-20180601-0001.jpg","categories_names":["Declara\u00e7\u00f5es"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23886","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23886"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23886\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23979"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23886"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23886"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23886"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}