{"id":23820,"date":"2018-08-06T16:45:27","date_gmt":"2018-08-06T18:45:27","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=23820"},"modified":"2018-08-06T16:45:27","modified_gmt":"2018-08-06T18:45:27","slug":"as-ruas-pelo-aborto-legal-seguro-e-gratuito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/08\/06\/as-ruas-pelo-aborto-legal-seguro-e-gratuito\/","title":{"rendered":"\u00c0s ruas pelo Aborto Legal, Seguro e Gratuito"},"content":{"rendered":"<p><em>Come\u00e7a a contagem regressiva para a vota\u00e7\u00e3o no Senado do Projeto de Interrup\u00e7\u00e3o Volunt\u00e1ria da Gravidez. Nas escolas, nas casas e nos locais de trabalho, mulheres e homens est\u00e3o debatendo o que acontecer\u00e1. A disjuntiva entre aborto legal, seguro e gratuito e aborto clandestino \u00e9 o que divide \u00e1guas. <\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: PSTU Argentina<\/p>\n<p>Percebe-se no ar que estamos arrancando uma conquista important\u00edssima e a Igreja, principal dirigente do setor mal chamado \u201cPr\u00f3 Vida\u201d lan\u00e7ou uma contraofensiva para reter seus fi\u00e9is sob o manto da hipocrisia. Por isso \u00e9 preciso continuar lutando pela separa\u00e7\u00e3o definitiva da Igreja do Estado.<\/p>\n<p>S\u00e3o mais de 500 mil abortos por ano em nosso pa\u00eds. As ricas, fazem em cl\u00ednicas de alta complexidade nas quais compram com dinheiro o sil\u00eancio e a seguran\u00e7a para continuarem vivas. As trabalhadoras e as pobres, muitas vezes confundidas pela culpa que a Igreja coloca, s\u00e3o as que caem nas m\u00e3os das matronas (parteiras) nos bairros. S\u00e3o as que pedem ajuda a amigos, vizinhos, fam\u00edlia para juntar moeda a moeda o suficiente para comprar misoprostol, se \u00e9 que conseguem. Recorrem a ervas medicinais e outros instrumentos para praticar um aborto \u201ccaseiro\u201d. Centenas delas morrem anualmente. Por isso, perpetuar o aborto clandestino, \u00e9 feminic\u00eddio estatal.<\/p>\n<p><strong>Um debate imposto com a luta<\/strong><\/p>\n<p>A Campanha pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito, apresenta o projeto de lei ao Congresso h\u00e1 anos. E inclusive, nos anos de governo kirchnerista, foi apresentado cinco vezes e se negaram a debat\u00ea-lo por ordem da pr\u00f3pria Cristina. Entretanto, a luta das mulheres combinou-se com um 2017 de lutas e resist\u00eancia crescente, com jornadas como as de 14 e 18 de dezembro. E o governo de Macri, para mostrar-se democr\u00e1tico e acalmar as \u00e1guas, abriu o debate. Por isso dizemos que conseguimos imp\u00f4-lo.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos enganam Macri, Bullrich, Vidal, Michetti, como ela mesma assinalou, est\u00e3o contra que as mulheres decidam o momento da maternidade. Foram acurralados pela situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. E pela resposta, ante essa situa\u00e7\u00e3o que eles mesmos provocaram, que tiveram os trabalhadores e o povo. No dia 13 de junho \u00e9ramos mais de um milh\u00e3o. E estamos vindo de meses de mobiliza\u00e7\u00f5es, paralisa\u00e7\u00e3o de mulheres, e diferentes lutas. Por isso arrancamos a meia san\u00e7\u00e3o (aprova\u00e7\u00e3o no congresso).<\/p>\n<p><strong>A resist\u00eancia continua<\/strong><\/p>\n<p>Os trabalhadores continuam defendendo-se dos ataques do Governo. Os docentes seguem sem render-se. Acabam de encurralar os dirigentes dos sindicatos para que n\u00e3o promovam as medidas de for\u00e7a. Nos bairros a popula\u00e7\u00e3o come\u00e7a a se organizar contra os aumentos das tarifas de luz e g\u00e1s e como em San Vicente, ateiam fogo nos escrit\u00f3rios das empresas que durante d\u00e9cadas levaram dinheiro. Os trabalhadores do Estaleiro Rio Santiago se organizam contra o esvaziamento<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> e defendem seus postos de trabalho unindo-se ao resto da comunidade.<\/p>\n<p>Foi impressionante a raiva que gerou o decreto que Macri assinou para colocar os militares nas ruas. E ainda que os dirigentes tentassem desviar a raiva, o povo foi \u00e0s ruas para dizer que n\u00e3o esquecemos, n\u00e3o perdoamos e n\u00e3o nos reconciliamos. E continuamos buscando justi\u00e7a por Rafael Nahuel e Santiago Maldonado. \u00c9 preciso unificar as lutas no 8A (dia 8 de agosto). Impor esta conquista nos deixar\u00e1 em melhores condi\u00e7\u00f5es para todas as lutas que vierem.<\/p>\n<p><strong>Redobrar a luta e radicalizar as medidas<\/strong><\/p>\n<p>Impor o aborto legal \u00e9 uma batalha. E devemos lutar com todas nossas armas. Na m\u00eddia se diz que ganharia o N\u00e3o, que fariam reformas ao Projeto para continuar um ping-pong parlamentar. Algo que n\u00e3o \u00e9 do interesse das trabalhadoras que continuam morrendo, vivendo maternidades for\u00e7adas, sem poder ter acesso aos anticoncepcionais e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sexual. O destino dos trabalhadores n\u00e3o pode estar nas m\u00e3os de quem votou a reforma da previd\u00eancia. De quem decide entregar-nos de bandeja aos especuladores do FMI e do G20. N\u00e3o temos nenhuma confian\u00e7a no Congresso. Somos n\u00f3s quem definimos nosso destino. Que os senadores nem pensem em votar contra, porque vamos continuar nas ruas e redobrar as medidas at\u00e9 conseguir! E se voltarem a enviar o Projeto aos deputados, seremos milh\u00f5es para n\u00e3o dar nem um passo atr\u00e1s. Que ningu\u00e9m se confunda. Chegamos aonde chegamos lutando e ningu\u00e9m vai nos deter, aconte\u00e7a o que acontecer na vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Imponhamos o aborto nas ruas<\/strong><\/p>\n<p>Os burocratas da CGT tiveram que retratar-se de suas afirma\u00e7\u00f5es diante do n\u00edvel de raiva que gerou nos locai de trabalho. Mas uma coisa \u00e9 certa. Se os hospitais, e nossas obras sociais continuam no estado em que est\u00e3o, a lei ser\u00e1 somente letra morta. Temos que exigir que se deixe de pagar a D\u00edvida e esse dinheiro seja investido em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e contra a viol\u00eancia machista. Impostos \u00e0s grandes fortunas, e estatiza\u00e7\u00e3o sob o controle de seus trabalhadores dos laborat\u00f3rios para garantir anticoncepcionais e aborto seguro.<\/p>\n<p>Neste 8 de agosto as ruas tem que ser nossas. Os estudantes j\u00e1 est\u00e3o organizando ocupa\u00e7\u00f5es, pernoita\u00e7os, falta\u00e7os, debates nas salas de aulas, entre outras medidas. Devemos seguir esse exemplo. Nos locais de trabalho e nos bairros devemos organizar o debate. Juntar-nos para ir \u00e0 pra\u00e7a dos dois Congressos nesta quarta-feira. Pendurar cartazes, len\u00e7os e faixas nas pra\u00e7as. Que todo o mundo saiba o que o povo quer.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos assembleias nos locais de trabalho, nas escolas, nos setores terci\u00e1rios e universidades. Que as centrais nos garantam paralisa\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o para o 8 de agosto encurralar o Senado. Devemos ser milh\u00f5es. Para que n\u00e3o haja mais maternidade for\u00e7ada nem mortes por abortos clandestinos. Para poder escolher o momento de serem m\u00e3es: educa\u00e7\u00e3o sexual para decidir, anticoncepcionais para n\u00e3o abortar e aborto legal, seguro e gratuito para n\u00e3o morrer.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Endividamento e vendas dos bens de uma empresa, para ficar com o dinheiro e deixar que ela quebre.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7a a contagem regressiva para a vota\u00e7\u00e3o no Senado do Projeto de Interrup\u00e7\u00e3o Volunt\u00e1ria da Gravidez. Nas escolas, nas casas e nos locais de trabalho, mulheres e homens est\u00e3o debatendo o que acontecer\u00e1. 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