{"id":23783,"date":"2018-08-03T10:08:06","date_gmt":"2018-08-03T12:08:06","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=23783"},"modified":"2018-08-03T10:08:06","modified_gmt":"2018-08-03T12:08:06","slug":"a-cupula-financeira-do-g20-como-sair-da-tormenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/08\/03\/a-cupula-financeira-do-g20-como-sair-da-tormenta\/","title":{"rendered":"A c\u00fapula financeira do G20: Como sair da \u201ctormenta\u201d?"},"content":{"rendered":"<p><em>Acaba de terminar a reuni\u00e3o de c\u00fapula dos ministros de Economia e Finan\u00e7as e presidentes dos bancos centrais dos pa\u00edses membros do G20, realizada em Buenos Aires. Uma consequ\u00eancia imediata de suas conclus\u00f5es foi a queda nas Bolsas da Europa e do Jap\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n<p>Como presidente do pa\u00eds anfitri\u00e3o, Mauricio Macri fez o discurso de encerramento da reuni\u00e3o. Nele, utilizou uma linguagem que um jornal argentino de oposi\u00e7\u00e3o, ligado ao kirchnerismo, qualificou de \u201c<em>clim\u00e1tico\/n\u00e1utico\/aeron\u00e1utico\u201d,<\/em> cheio de termos como \u201c<em>tormentas<\/em>\u201d, \u201c<em>turbul\u00eancias<\/em>\u201d e \u201c<em>\u00e1guas<\/em> <em>agitadas<\/em>\u201d [1].\u00a0Na realidade, tratou-se de um discurso muito mais destinado ao \u201cmercado interno\u201d, para explicar porque seu governo n\u00e3o tem culpa na desastrosa situa\u00e7\u00e3o atual da economia argentina, que para contribuir ao debate que tinham feito os economistas presentes. Entretanto, os termos que utilizou descrevem bem a situa\u00e7\u00e3o atual da economia mundial (\u201ctormentosa\u201d ou \u201cturbulenta\u201d).<\/p>\n<p>O documento final emitido pela c\u00fapula tamb\u00e9m se refere a esta realidade e \u00e0s suas consequ\u00eancias, com linguagem \u00e0s vezes enigm\u00e1tica e \u201cneutra\u201d que os economistas burgueses usam nestes casos: <em>\u201cO crescimento foi menos sincronizado recentemente e os riscos de curto e m\u00e9dio prazo aumentaram. Estes incluem as crescentes vulnerabilidades financeiras, o aumento das tens\u00f5es comerciais e geopol\u00edticas, os desequil\u00edbrios globais, a desigualdade, e o crescimento estruturalmente d\u00e9bil, particularmente em algumas economias avan\u00e7adas\u201d<\/em> [2].<\/p>\n<p>A que se referem? Sem nome\u00e1-la, o centro da declara\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u201cguerra comercial\u201d que o governo de Donald Trump iniciou ao aplicar tarifas \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de uma quantidade de mercadorias que os EUA importam, em especial, produtos industriais de origem chinesa. O governo chin\u00eas respondeu com a medida de taxar a importa\u00e7\u00e3o de produtos agr\u00edcolas estadunidenses, como soja e seus derivados.<\/p>\n<p>A batalha entre ambos os pa\u00edses (os grandes s\u00f3cios comerciais do mundo nas \u00faltimas d\u00e9cadas) tem a din\u00e2mica de agravar-se. Ao mesmo tempo, podem abrir-se outras frentes, j\u00e1 que a pol\u00edtica de taxa\u00e7\u00e3o de Trump come\u00e7a a afetar v\u00e1rios pa\u00edses e amea\u00e7a faz\u00ea-lo ainda mais (como taxar os carros de origem alem\u00e3, japonesa ou coreana), com a possibilidade de respostas iguais por parte deles. Em outras palavras, se a frente de tormenta j\u00e1 existente continuar crescendo, amea\u00e7a levar a economia capitalista a uma esp\u00e9cie de \u201cguerra mundial comercial\u201d.<\/p>\n<p><strong>Uma nova divis\u00e3o internacional do trabalho<\/strong><\/p>\n<p>As medidas de Trump s\u00e3o as que desencadearam a tormenta atual. Mas a \u201cacumula\u00e7\u00e3o de nuvens\u201d e fatores que incidem nela e a potencializam s\u00e3o muito mais profundos e gestados nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>O primeiro processo come\u00e7a com a profunda crise econ\u00f4mica mundial do final da d\u00e9cada de 1960 e in\u00edcio de 1970, que marcou o fim do \u201cboom econ\u00f4mico do p\u00f3s-guerra\u201d. Uma de suas express\u00f5es, em 1971, foi a decis\u00e3o unilateral por parte do presidente Nixon de acabar com a paridade ouro-d\u00f3lar vigente desde os acordos de Breton Woods (1944), base da estabilidade econ\u00f4mica mundial desses anos. O d\u00f3lar continuou sendo, de fato, a \u201cmoeda mundial\u201d, mas os mercados financeiros se tornaram fr\u00e1geis e vol\u00e1teis.<\/p>\n<p>Outra express\u00e3o foi o forte aumento do pre\u00e7o do barril do petr\u00f3leo, impulsionado pela OPEP (Organiza\u00e7\u00e3o de Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo) para obter uma parte maior da renda petroleira. Isto gerou um aumento do custo da energia que a ind\u00fastria utilizava e levou os pa\u00edses imperialistas a transferir a produ\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias\u00a0 mais poluentes e de maior consumo de energia (como o a\u00e7o e o alum\u00ednio) para os pa\u00edses perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m come\u00e7aram a \u201cemigrar\u201d diversos ramos industriais, como t\u00eaxteis, pequena metalurgia e montagem de produtos eletr\u00f4nicos, para pa\u00edses com sal\u00e1rios muit\u00edssimos mais baixos e condi\u00e7\u00f5es de trabalho mais duras, como os Tigres da \u00c1sia (Mal\u00e1sia, Singapura, Taiwan e Hong Kong) e a \u00cdndia.<\/p>\n<p>Este processo d\u00e1 um salto na d\u00e9cada de 1990, com uma enormidade de investimentos imperialistas na China, pa\u00eds no qual o capitalismo j\u00e1 havia sido restaurado em 1976 e onde a ditadura do Partido \u201cComunista\u201d, logo ap\u00f3s derrotar a rebeli\u00e3o de Tiananmen, garantia uma s\u00f3lida \u201cestabilidade\u201d e um alt\u00edssimo n\u00edvel de extra\u00e7\u00e3o de mais-valia. A China foi se transformando na \u201cf\u00e1brica do mundo\u201d com produtos cada vez mais complexos, como celulares, computadores, autom\u00f3veis, maquin\u00e1rio de constru\u00e7\u00e3o e trens, que s\u00e3o exportados para todo o mundo, especialmente para os EUA.<\/p>\n<p>Assim desenhou-se uma nova divis\u00e3o internacional do trabalho. At\u00e9 esse processo, os pa\u00edses imperialistas concentravam a ind\u00fastria e os pa\u00edses semicoloniais forneciam as mat\u00e9rias primas, o combust\u00edvel e os alimentos. Agora continua havendo pa\u00edses semicoloniais que cumprem esta fun\u00e7\u00e3o provedora, mas o grosso da produ\u00e7\u00e3o industrial se faz na China e outros pa\u00edses asi\u00e1ticos (ou nas maquiladoras latino-americanas). Enquanto isso, os pa\u00edses e empresas imperialistas continuam controlando o processo, atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o de tecnologia e da cadeia de comercializa\u00e7\u00e3o, e assim obt\u00eam a parte do le\u00e3o da mais-valia. A economia mundial era impulsionada pelo que chamamos a \u201clinha de produ\u00e7\u00e3o EUA-China\u201d, com o primeiro como locomotiva dominante e a segunda como subordinada.<\/p>\n<p>Vejamos dois exemplos: em 2008, a cadeia estadunidense Walmart controlava cerca de 15% das exporta\u00e7\u00f5es chinesas (quase 225 bilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais), com uma produ\u00e7\u00e3o de artigos industriais de consumo, atrav\u00e9s de diversas empresas \u201cchinesas\u201d (como pequenos quadriciclos para cortar o gramado) que logo depois vendia nas lojas de sua cadeia mundial. Um IPod da marca Apple se comercializava internacionalmente por uns 200 d\u00f3lares.\u00a0 Este e outros produtos s\u00e3o fabricados na China pela gigantesca empresa Foxconn. Mas nesse pa\u00eds s\u00f3 fica uns 4% deste valor, o resto \u00e9 apropriado pelo imperialismo atrav\u00e9s do controle da tecnologia e da cadeia de comercializa\u00e7\u00e3o [3].<\/p>\n<p>Uma parte importante do funcionamento desta nova divis\u00e3o internacional do trabalho era o \u201clivre comercio\u201d sem barreiras alfandeg\u00e1rias, estabelecido atrav\u00e9s de acordos como a Uni\u00e3o Europeia, Nafta, o Tratado do Pac\u00edfico, Mercosul, e acordos bilaterais.<\/p>\n<p>Este processo mundial refletiu-se na \u201ccontabilidade macroecon\u00f4mica\u201d estadunidense atrav\u00e9s de um d\u00e9ficit estrutural e cr\u00f4nico muito alto na balan\u00e7a comercial com a China. Ao mesmo tempo, prejudicou alguns setores burgueses dos EUA e de outros pa\u00edses imperialistas (que n\u00e3o se elevaram \u00e0 \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o produtiva\u201d), que viram seu espa\u00e7o no mercado reduzido drasticamente. Como consequ\u00eancia, um setor da tradicional classe oper\u00e1ria branca estadunidense, ligado a estas ind\u00fastrias, tamb\u00e9m se viu prejudicado.<\/p>\n<p><strong>O crescimento da especula\u00e7\u00e3o e do parasitismo<\/strong><\/p>\n<p>A linha de produ\u00e7\u00e3o EUA-China se completava porque parte importante do saldo comercial favor\u00e1vel que a China obtinha era investido, pelo seu governo, na compra de b\u00f4nus do Tesouro estadunidense, para ter reservas monet\u00e1rias internacionais. Por parte dos EUA a venda de seus b\u00f4nus \u00e0 China e outros pa\u00edses (aumento de sua d\u00edvida p\u00fablica) tinha um duplo objetivo combinado. Por um lado, servia como \u201caspirador de mais-valia\u201d de todo o mundo, por outro, permitia bancar os gigantescos \u201cd\u00e9ficit g\u00eameos\u201d (comercial e fiscal) sobre os quais a economia estadunidense funcionava.<\/p>\n<p>Esta era a base sobre a qual se ampliava a tend\u00eancia do capitalismo imperialista estadunidense (e de todo o mundo) a ser cada vez mais especulativo e parasit\u00e1rio. Uma opera\u00e7\u00e3o real (como a compra de petr\u00f3leo ou de cereais) se transformava em uma opera\u00e7\u00e3o especulativa (\u201cmercado futuro\u201d) \u00a0aumentando artificialmente a demanda e apostando no aumento dos pre\u00e7os. Sobre a base de outra opera\u00e7\u00e3o real (a constru\u00e7\u00e3o e venda de im\u00f3veis e o cr\u00e9dito hipotec\u00e1rio para financiar a compra) se montavam numerosas \u201copera\u00e7\u00f5es derivadas\u201d que, de conjunto, chegavam a aumentar consideravelmente a base real.<\/p>\n<p>Assim se formavam \u201cbolhas\u201d que eram parte da constru\u00e7\u00e3o\u00a0de um \u201cedif\u00edcio financeiro\u201d artificial, em grande medida formado por capital fict\u00edcio (que n\u00e3o reflete \u00a0novo valor produzido) mas que disputa com outros capitais a mais-valia extra\u00edda na produ\u00e7\u00e3o. Inicialmente, este processo alentou a demanda e a din\u00e2mica da economia, mas esta passou a se sustentar sobre uma base muito mais fr\u00e1gil e vol\u00e1til. Em um ponto, uma bolha se \u201cespeta\u201d e come\u00e7a a \u201cesvaziar-se\u201d e, com isso, come\u00e7a a tremer todo o edif\u00edcio. Foi o que ocorreu ao espetar a bolha do mercado imobili\u00e1rio dos EUA em 2007, iniciando assim a crise econ\u00f4mica internacional cuja influencia ainda vivemos.<\/p>\n<p><strong>A crise agrava tudo<\/strong><\/p>\n<p>A crise n\u00e3o explodiu s\u00f3 por causas econ\u00f4mico-financeiras \u201cpuras\u201d. Teve como marco a derrota do projeto do \u201cNovo S\u00e9culo Americano\u201d e da pol\u00edtica da \u201cguerra contra o terror\u201d de George W.Bush, no Iraque e Afeganist\u00e3o. Esta derrota gerou, no terreno pol\u00edtico, o que os analistas chamaram \u201ca s\u00edndrome do Iraque\u201d, cuja express\u00e3o no terreno financeiro \u00e9 a \u201cfalta de confian\u00e7a de investimento\u201d da burguesia mundial.<\/p>\n<p>A crise havia entrado em uma din\u00e2mica de \u201cbola de neve em um plano inclinado\u201d e amea\u00e7ava com a quebra de todo o sistema banc\u00e1rio-financeiro mundial. A resposta dos governos imperialistas e de outros governos nacionais foi os \u201cmegapacotes\u201d de ajuda ao setor financeiro (as famosas \u201cinje\u00e7\u00f5es de liquidez\u201d). Atuaram como companhias de seguro cobrindo as perdas dos grandes especuladores. Mas o fizeram comprometendo as reservas monet\u00e1rias e sobreendividando-se.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que assim conseguiram evitar a quebra do sistema banc\u00e1rio-financeiro mundial e frearam a din\u00e2mica do plano inclinado. Mas conseguiram este objetivo mantendo intacto (melhor dizendo, recompondo) o excesso de capitais que tinha estado na origem da crise e assim preparam outras novas e superiores (hoje se fala de \u201cbolha de endividamento\u201d). Ao mesmo tempo, gastaram grande parte da \u201cmuni\u00e7\u00e3o\u201d que hoje precisariam para enfrentar um novo epis\u00f3dio aberto e agudo da \u201ctormenta\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, os governos e as empresas realizaram dur\u00edssimos ataques ao emprego, aos sal\u00e1rios, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho, e aos servi\u00e7os p\u00fablicos. Com estes ataques conseguiram muitas vit\u00f3rias e o n\u00edvel de vida dos trabalhadores e das massas cai de modo constante. Mas n\u00e3o conseguiram derrotar sua luta e sua resist\u00eancia permanente a esses ataques. Esta luta n\u00e3o apenas desgasta e deteriora os governos e regimes burgueses de todas as cores, como impediu a burguesia de conseguir o n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o que precisa para obter uma massa de mais-valia suficiente para valorizar satisfatoriamente o crescente volume de capitais existente.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que o capitalismo imperialista consegue, \u00e0s vezes, que se veja um pedacinho de c\u00e9u e algum raio de sol, ent\u00e3o, proclama aos quatro ventos que \u201co pior j\u00e1 passou\u201d. Mas, a verdade \u00e9 que a frente de tormenta aberta em 2007 continua muito presente e amea\u00e7a expressar-se de formas muito piores.<\/p>\n<p><strong>O fator Trump<\/strong><\/p>\n<p>Nesse contexto aparece Donald Trump como presidente dos EUA, o pa\u00eds mais poderoso do mundo. O acesso de tal personagem a esse cargo t\u00e3o importante se deve a uma combina\u00e7\u00e3o de raz\u00f5es que analisamos na revista <em>Correio Internacional<\/em>\u00a0N<sup>o<\/sup>\u00a015 (Janeiro de 2017) e em numerosos artigos publicados nesta p\u00e1gina [4].<\/p>\n<p>Entre outros fatores, ele expressou setores da burguesia estadunidense que perderam peso na nova divis\u00e3o internacional do trabalho e se veem deslocados. N\u00e3o foi o \u00fanico caso: o mesmo se expressou nos setores burgueses brit\u00e2nicos que impulsionam o \u201cBrexit\u201d ou o crescimento dos partidos burgueses de direita \u201ceuroc\u00e9ticos\u201d.<\/p>\n<p>No caso de Trump, afirmou que os EUA \u201c<em>estavam se debilitando frente ao mundo<\/em>\u201d e que \u201c<em>outros pa\u00edses se aproveitam disso<\/em>\u201d. Era o momento de superar essa \u201cdebilidade\u201d; para ele, tinha que se reformular a nova divis\u00e3o internacional do trabalho e restringir o livre com\u00e9rcio com barreiras alfandeg\u00e1rias aos produtos que o pa\u00eds importa.<\/p>\n<p>Mas essas medidas de Trump v\u00e3o contra as tend\u00eancias atuais mais profundas do capitalismo imperialista em geral e do estadunidense em particular. Em especial, contra as grandes empresas multinacionais que tem f\u00e1bricas diretas ou associadas na China. Tamb\u00e9m contra a pol\u00edtica e a din\u00e2mica de outros setores e pa\u00edses imperialistas [5].<\/p>\n<p>Por isso, atua como \u201cum elefante num bazar\u201d no meio dos principais dirigentes do imperialismo e seus agentes mais importantes, n\u00e3o s\u00f3 no terreno econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m no pol\u00edtico. Suas propostas e medidas, somadas \u00e0 sua grosseria pessoal, conseguiram a inimizade de todos aqueles que deveriam ser os aliados naturais do imperialismo estadunidense, como a alem\u00e3 Angela Merkel, os governos brit\u00e2nicos, o governo chin\u00eas, o premier canadense\u2026<\/p>\n<p>Podemos dizer que o imperialismo vive uma \u201ccrise de dire\u00e7\u00e3o\u201d com sua c\u00fapula (os governos dos pa\u00edses que integram o G7) dividida e com Trump abrindo uma \u201cguerra comercial\u201d como a futura \u201ctormenta perfeita\u201d na economia mundial.<\/p>\n<p>Come\u00e7a a instalar-se um clima de \u201csalve-se quem puder\u201d. No final do ano passado, a Alemanha repatriou uma parte do estoque de ouro que estava depositado nos EUA \u201cpara se precaver\u201d (os Pa\u00edses Baixos e a \u00c1ustria seguiram seu exemplo) e teme o risco de taxas \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis alem\u00e3es (a principal fonte de lucros do pa\u00eds). A Alemanha tamb\u00e9m est\u00e1 sacando o ouro depositado na Fran\u00e7a\u00a0 [6]. O governo de Putin vendeu 85% de seus b\u00f4nus do tesouro estadunidense\u00a0 (passou de um estoque de 95 bilh\u00f5es de d\u00f3lares a 15 bilh\u00f5es) [7]. E tudo vai nessa din\u00e2mica.<\/p>\n<p><strong>Algumas conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Esta realidade refletiu-se de modo atenuado na declara\u00e7\u00e3o emitida por esta reuni\u00e3o do G-20. Depois da an\u00e1lise da realidade, a declara\u00e7\u00e3o diz que n\u00e3o tem muito para fazer salvo \u201cmonitorar\u201d as consequ\u00eancias e tratar de atenu\u00e1-las. Diz, ao mesmo tempo, que continuar\u00e3o os ataques ao emprego, aos sal\u00e1rios, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do gasto em servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que n\u00f3s trabalhadores redobremos a luta contra estes ataques. Devemos aproveitar a crise e a divis\u00e3o de nossos inimigos a nosso favor, para lutar com mais for\u00e7a e derrot\u00e1-los.<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>[1]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pagina12.com.ar\/130274-macri-el-oso-carolina-de-la-economia-mundial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.pagina12.com.ar\/130274-macri-el-oso-carolina-de-la-economia-mundial<\/a><\/p>\n<p>[2]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ambito.com\/928232-estos-son-los-13-puntos-del-documento-de-la-cumbre-de-finanzas-del-g20\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.ambito.com\/928232-estos-son-los-13-puntos-del-documento-de-la-cumbre-de-finanzas-del-g20<\/a><\/p>\n<p>[3] Sobre este tema, ver:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/mundo\/asia\/china\/certezas-e-interrogantes-que-plantea-la-crisis-economica-en-china\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/mundo\/asia\/china\/certezas-e-interrogantes-que-plantea-la-crisis-economica-en-china\/<\/a><\/p>\n<p>[4] Ver, por exemplo:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/mundo\/norteamerica\/estados-unidos\/trump-y-la-burguesia-estadounidense\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/mundo\/norteamerica\/estados-unidos\/trump-y-la-burguesia-estadounidense\/<\/a><\/p>\n<p>[5] Ver:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/mundo\/norteamerica\/estados-unidos\/las-sanciones-comerciales-trump-china\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/mundo\/norteamerica\/estados-unidos\/las-sanciones-comerciales-trump-china\/<\/a>\u00a0y\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/economia\/esta-detras-la-amenaza-guerra-comercial-trump\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/economia\/esta-detras-la-amenaza-guerra-comercial-trump\/<\/a><\/p>\n<p>[6]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.hispantv.com\/noticias\/economia\/351492\/alemania-retirada-reservas-oro-extranjero\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.hispantv.com\/noticias\/economia\/351492\/alemania-retirada-reservas-oro-extranjero<\/a><\/p>\n<p>[7]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cronista.com\/finanzasmercados\/Putin-ordena-vender-el-stock-de-bonos-del-Tesoro-de-Estados-Unidos-20180723-0012.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cronista.com\/finanzasmercados\/Putin-ordena-vender-el-stock-de-bonos-del-Tesoro-de-Estados-Unidos-20180723-0012.html<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acaba de terminar a reuni\u00e3o de c\u00fapula dos ministros de Economia e Finan\u00e7as e presidentes dos bancos centrais dos pa\u00edses membros do G20, realizada em Buenos Aires. Uma consequ\u00eancia imediata de suas conclus\u00f5es foi a queda nas Bolsas da Europa e do Jap\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":23784,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[32,3789],"tags":[1551,5086,6283,6284,809,6285,20],"class_list":["post-23783","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","category-sem-categoria","tag-alejandro-iturbe","tag-crise-economica","tag-cupula-g20","tag-divisao-internacional-do-trabalho","tag-economia-2","tag-especulacao","tag-trump"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/download-3601-1.jpg","categories_names":["Economia","Sem categoria"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23783","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23783"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23783\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23784"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23783"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23783"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23783"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}