{"id":23750,"date":"2018-08-01T13:14:26","date_gmt":"2018-08-01T15:14:26","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=23750"},"modified":"2018-08-01T13:14:26","modified_gmt":"2018-08-01T15:14:26","slug":"aborto-proibir-ou-legalizar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/08\/01\/aborto-proibir-ou-legalizar\/","title":{"rendered":"ABORTO: Proibir ou Legalizar?"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;Eu estava dando uma aula no per\u00edodo da noite. Chamei por Vani e houve sil\u00eancio. Vani trabalhava &#8220;em negro&#8221;(1) em uma oficina de costura. Fazia um grande esfor\u00e7o para terminar o ensino m\u00e9dio, como Mari, sua melhor amiga, empregada dom\u00e9stica ou Juan que, depois da aula, trabalhava em um forno de padaria. Mari levantou-se e disse com tristeza: &#8220;Morreu professora&#8221;. Desabei na cadeira: O que aconteceu? &#8216;- Foi operada e morreu com uma hemorragia&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: PSTU Argentina<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria fala do depoimento de uma professora sobre um aborto clandestino com final tr\u00e1gico. \u00c9 t\u00e3o crua como as estat\u00edsticas (2), que exp\u00f5em cerca de 500.000 abortos por ano, que cerca de 80.000 mulheres s\u00e3o hospitalizadas por complica\u00e7\u00f5es ap\u00f3s o aborto e que 100 ou mais morrem por pr\u00e1ticas inseguras.<\/p>\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas que os abortos mal realizados s\u00e3o a principal causa de morte materna em nosso pa\u00eds e em toda a Am\u00e9rica Latina. Sem contar outras mortes maternas associadas \u00e0 pobreza, desnutri\u00e7\u00e3o, infec\u00e7\u00f5es pulmonares ou diarreias, HIV\/AIDS, e que poderiam ser evitadas com alimentos, acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e atendimento m\u00e9dico.<\/p>\n<p><strong>D\u00favidas e certezas<\/strong><\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre o aborto ganhou as ruas, as TVs, redes sociais, jornais e o Congresso.<\/p>\n<p>Legaliza\u00e7\u00e3o ou descriminaliza\u00e7\u00e3o? Deveria ser legal, apenas em caso de gravidez devido a estupros ou se houver um risco para a sa\u00fade da m\u00e3e? \u00c9 inaceit\u00e1vel a partir do ponto de vista humano e\/ou convic\u00e7\u00f5es religiosas?<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que n\u00e3o \u00e9 um problema moderno. O aborto vem do tempo das cavernas. Atualmente, ocorre em todos os pa\u00edses e nenhuma proibi\u00e7\u00e3o conseguiu evit\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Por qu\u00ea? Para qualquer mulher pobre da cidade ou do campo, as gravidezes repetidas diminuem sua for\u00e7a f\u00edsica, sua sa\u00fade, o tempo que podem dedicar \u00e0 f\u00e1brica, \u00e0 colheita, \u00e0s tarefas na casa e implicam despesas para a economia familiar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Estado est\u00e1 ausente para a m\u00e3e trabalhadora: creches e escolas de educa\u00e7\u00e3o infantil s\u00e3o &#8220;luxos&#8221; que poucos podem pagar, a licen\u00e7a remunerada por gravidez e maternidade \u00e9 curta, e uma grande percentagem de trabalhadores informais n\u00e3o tem esse direito, o sal\u00e1rio-fam\u00edlia (pago por filho) e outros subs\u00eddios s\u00e3o totalmente insuficientes para atender \u00e0s necessidades b\u00e1sicas de um rec\u00e9m-nascido.<\/p>\n<p>Tudo isso ficou pior com Macri, com seus cortes nos servi\u00e7os p\u00fablicos e or\u00e7amentos do Estado e a promessa de reduzir ainda mais essas &#8220;despesas&#8221;, para atender \u00e0s exig\u00eancias do FMI e do G20.<\/p>\n<p>Nestas condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 estranho que uma gravidez possa ser recebida como um fardo. E que muitas mulheres trabalhadoras (apesar dos ditames do Estado e da Igreja e, apesar de n\u00e3o admitir por medo do &#8220;que v\u00e3o dizer as pessoas&#8221; ou a religi\u00e3o que seguem), com o objetivo de proteger suas fam\u00edlias, se exp\u00f5e a um aborto realizado por uma cl\u00ednica qualquer, uma parteira n\u00e3o profissional ou causado por elas pr\u00f3prias com p\u00edlulas ou instrumentos caseiros.<\/p>\n<p><strong>Legaliza\u00e7\u00e3o, para que tenha menos mortes e menos abortos!<\/strong><\/p>\n<p>Cecilia Ousset um ginecologista de Mendoza explicou pelas redes sociais as raz\u00f5es pelas quais defende o aborto legal, seguro e gratuito, apesar de sua f\u00e9 cat\u00f3lica, e por que \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica, que n\u00e3o tem nada a ver com a Igreja ou convic\u00e7\u00f5es pessoais: <em>&#8220;(&#8230;) Me repugna um pa\u00eds onde ap\u00f3s um aborto, as ricas se confessem e as pobres morrem, (&#8230;) [ou] ficam expostas em um registro policial (&#8230;) A discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sobre o aborto sim ou aborto n\u00e3o (&#8230;) [\u00e9] Para que as pobres n\u00e3o sejam mulheres de segunda ou terceira categoria. Para que as pobres tamb\u00e9m continuem vivas (&#8230;) Para que a sociedade seja menos hip\u00f3crita (&#8230;) &#8220;<\/em><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em pa\u00edses onde o aborto \u00e9 legal \u00e9 quase nula as mortes maternas e <u>h\u00e1 menos abortos<\/u>, j\u00e1 que os governos foram obrigados a implementar melhores pol\u00edticas para a educa\u00e7\u00e3o sexual e preven\u00e7\u00e3o da gravidez.<\/p>\n<p>N\u00f3s do PSTU lutamos e chamamos a lutar pela legaliza\u00e7\u00e3o. As mulheres trabalhadoras t\u00eam o direito de n\u00e3o serem for\u00e7adas \u00e0 maternidade. Mas tamb\u00e9m queremos ser m\u00e3es em condi\u00e7\u00f5es dignas, se quisermos. Reivindicamos a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, que transformou a antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o primeiro pa\u00eds que teve o aborto legal em 1920. Mas isso foi considerado um avan\u00e7o inacabado se n\u00e3o se concretizassem medidas de prote\u00e7\u00e3o da maternidade e da inf\u00e2ncia, que reduziria no futuro as causas e taxas de abortos.<\/p>\n<p>Nesse sentido, na Argentina temos uma enorme tarefa que n\u00e3o far\u00e1 o governo de Macri, nem qualquer governo patronal, ligados \u00e0 voracidade imperialista. N\u00e3o far\u00e1 o Congresso e nem a justi\u00e7a, que \u00e9 para poucos. N\u00f3s mulheres tamb\u00e9m n\u00e3o vamos fazer isso sozinhas. Quem vai fazer \u00e9 a luta da classe oper\u00e1ria com as mulheres trabalhadoras \u00e0 frente, assim como na Revolu\u00e7\u00e3o Russa. \u00c9 por isso que devemos continuar nos organizando e nas ruas.<\/p>\n<p>(1) trabalho em &#8220;negro&#8221; rela\u00e7\u00e3o de trabalho sem registro, tamb\u00e9m conhecida, na Argentina, como trabalho clandestino.<\/p>\n<p>(2)De acordo com um estudo encomendado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em 2005. Chequeado.com, 20-02-2018<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Eu estava dando uma aula no per\u00edodo da noite. Chamei por Vani e houve sil\u00eancio. Vani trabalhava &#8220;em negro&#8221;(1) em uma oficina de costura. Fazia um grande esfor\u00e7o para terminar o ensino m\u00e9dio, como Mari, sua melhor amiga, empregada dom\u00e9stica ou Juan que, depois da aula, trabalhava em um forno de padaria. Mari levantou-se e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":23751,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[94,3493],"tags":[3833,1626],"class_list":["post-23750","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-argentina","category-mulheres","tag-legalizacao-do-aborto","tag-pstu-argentina"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Dd5ZzEEVAAACDtQ.jpg","categories_names":["Argentina","Mulheres"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23750"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23750\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23751"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}