{"id":2363,"date":"2012-08-20T21:04:56","date_gmt":"2012-08-20T21:04:56","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2012\/08\/20\/trotsky-no-mexico-1937-1940\/"},"modified":"2012-08-20T21:04:56","modified_gmt":"2012-08-20T21:04:56","slug":"trotsky-no-mexico-1937-1940","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2012\/08\/20\/trotsky-no-mexico-1937-1940\/","title":{"rendered":"Trotsky no M\u00e9xico (1937-1940)"},"content":{"rendered":"<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\nO presente artigo recupera a passagem do revolucion\u00e1rio Leon Trotsky por terras mexicanas, entre 1937 e 1940, procurando trazer a lume, ainda que de forma sum\u00e1ria, as principais contribui\u00e7\u00f5es que ele agregou ao marxismo ao longo desses anos.<\/span><\/span><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<div><strong>\u00a0<\/strong>Por\u00a0F\u00e1bio Queir\u00f3z<\/div>\n<div><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">1 &#8211;<strong> Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">H\u00e1 75 anos Leon Trotsky exilou-se no M\u00e9xico. \u00c9 uma oportunidade para que sejam lembradas as suas contribui\u00e7\u00f5es ao marxismo, tomando por par\u00e2metro essa sua passagem pela Am\u00e9rica Latina. Esse esfor\u00e7o j\u00e1 foi objeto da aten\u00e7\u00e3o de autores isolados e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que reivindicam o seu legado, mas sempre existe algo a ser acrescentado \u00e0s melhores contribui\u00e7\u00f5es. \u00c9 com esse esp\u00edrito que nos propusemos a escrever o presente artigo.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Lev Davidovitch Bronstein\/Trotsky talvez seja um dos \u00faltimos tit\u00e3s do marxismo cl\u00e1ssico que veio a falecer. Foi assassinado em Coyoac\u00e1n, M\u00e9xico, em 21 de agosto de 1940. A presente pesquisa pretende dar conta da passagem do velho revolucion\u00e1rio russo pela Am\u00e9rica Latina, tentando recompor a sua contribui\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio latino-americano para o desenvolvimento da teoria marxista. Conv\u00e9m lembrar que Leon Trotsky permaneceu por cerca de tr\u00eas anos e sete meses na regi\u00e3o, e durante esse per\u00edodo elaborou dois dos seus principais trabalhos: o Programa de Transi\u00e7\u00e3o e Em defesa do marxismo.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Esse esfor\u00e7o persecut\u00f3rio pressup\u00f5e um recuo a esse per\u00edodo de quase meia d\u00e9cada e objetiva responder a quest\u00f5es tais como: o que teria Trotsky acrescentado ao repert\u00f3rio marxista em sua passagem pela Am\u00e9rica Latina? Quais as principais produ\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas por ele desenvolvidas nesse intervalo de tempo? Haveria algum nexo entre as suas principais conclus\u00f5es e o continente americano?<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Desse modo, este trabalho tem por objeto o processo de elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica desenvolvido por Trotsky em sua curta e emblem\u00e1tica perman\u00eancia em territ\u00f3rio latino-americano e as suas implica\u00e7\u00f5es para o marxismo revolucion\u00e1rio.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">2 &#8211;\u00a0<strong>Trotsky na Am\u00e9rica Latina: marxismo, teoria e programa<\/strong><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Mal completou um lustro desde que o Centro de Estudios, Investigaciones y Publicaciones (CEIP) publicou uma miscel\u00e2nea de trabalhos do autor produzidos na Am\u00e9rica Latina. De fato, a obra \u201cEscritos latino-americanos\u201d d\u00e1 conta de uma parte expressiva da produ\u00e7\u00e3o intelectual do criador da teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente em terras americanas.<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_edn1\" name=\"_ednref1\"><span style=\"line-height: 115%;\">[1]<\/span><\/a> Na obra em tela, os organizadores levaram em conta n\u00e3o somente artigos produzidos por Trotsky, mas tamb\u00e9m cartas e entrevistas que d\u00e3o conta de um c\u00e9rebro inquieto que procurava acompanhar e responder \u00e0 mar\u00e9 montante da luta de classes.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A primeira parte da obra \u00e9 constitu\u00edda de 27 pe\u00e7as entre artigos, cartas e entrevistas de Leon Trotsky. Em seu bojo s\u00e3o observadas abordagens acerca dos mais diversificados temas: imprensa, sindicato, imperialismo, democracia, nacionalismo, fascismo, stalinismo, M\u00e9xico, Am\u00e9rica Latina etc. Destaca-se \u2013 por sua enorme atualidade \u2013 o artigo \u201cLos sindicatos en la era de la decadencia imperialista\u201d. A pedra angular do texto se traduz em uma aprecia\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica concreta do sindicato na \u00e9poca atual, demonstrando o que o fazia se sujeitar a m\u00e1quina do Estado e quais as tarefas que estavam colocadas para que o movimento sindical pudesse se livrar desse engenho que tanto seduzia incautos como arrivistas.<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A parte II do livro \u00e9 composta de artigos publicados por Trotsky na revista <em>Clave<\/em>. Ao todo, s\u00e3o 24 artigos versando tamb\u00e9m sobre assuntos diversos, dentre eles: liberdade de imprensa, nacionalismo, elei\u00e7\u00e3o, frente popular, stalinismo e personagens bastante d\u00edspares como o sindicalista Toledano, o pintor muralista Diego Rivera e o marxista peruano Jos\u00e9 Carlos Mari\u00e1tegui. Sobressai o artigo \u201cLibertad de prensa y la clase obrera\u201d, uma vez que inclina\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas de lideran\u00e7as pol\u00edticas latino-americanas no tocante a esse tema, em geral, ajuda a mant\u00ea-lo quase correntemente atual.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Outros tr\u00eas trabalhos s\u00e3o apresentados em anexo totalizando nos tr\u00eas blocos 54 produ\u00e7\u00f5es que revelam um militante antenado com o que se dava \u00e0 sua volta e comprometido com a transforma\u00e7\u00e3o dessa realidade circundante. N\u00e3o \u00e9 demais, todavia, recordar a bagagem te\u00f3rica e pr\u00e1tica que era carregada por Leon Trotsky. Uma grande guerra e tr\u00eas revolu\u00e7\u00f5es eram parte de um invej\u00e1vel invent\u00e1rio. Quando ele colocou os p\u00e9s no M\u00e9xico, j\u00e1 vivera toda essa experi\u00eancia.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Doutro lado, j\u00e1 produzira e desenvolvera uma das suas principais contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas ao marxismo: a teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente, ainda que Marx a houvesse insinuado e coubesse a Parvus, na esteira da revolu\u00e7\u00e3o de 1905, na R\u00fassia, uma primeira e sumar\u00edssima elabora\u00e7\u00e3o desse postulado te\u00f3rico. Mas foi a Trotsky e n\u00e3o a outro a quem coube o m\u00e9rito irrefut\u00e1vel de definir com clareza o car\u00e1ter, a din\u00e2mica e as tarefas das revolu\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX \u00e0 luz da teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Assim, quando ele chegou ao M\u00e9xico, Marx falecera a mais de meio s\u00e9culo, Engels havia falecido h\u00e1 42 anos e L\u00eanin h\u00e1 13 anos. Por isso, fal\u00e1vamos que o seu assassinato significou praticamente o fim de um ciclo correspondente ao que Anderson (1999) intitulou marxismo cl\u00e1ssico.<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Com muitas raz\u00f5es, Isaac Deutscher o nomeou de profeta banido, tomando essa \u00e9poca como referencial, visto que fora expulso da URSS por decis\u00e3o de Josef St\u00e1lin e, desde fins dos anos 1920 e meados do dec\u00eanio seguinte, Trotsky perambulou pelo mundo transportando em sua mala um passaporte sem visto. A f\u00e9rrea vontade das na\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias em n\u00e3o aceit\u00e1-lo como exilado pol\u00edtico e a disposi\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro C\u00e1rdenas em receb\u00ea-lo no M\u00e9xico, de fato, o impulsionaram a vir residir em territ\u00f3rio mexicano.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Tivemos a oportunidade de nos referir \u00e0 sua bagagem te\u00f3rica e, aqui \u00e9 v\u00e1lido agregar o quanto essa foi vital em seus estudos acerca da Am\u00e9rica Latina. \u00c9 nesse contexto que surge o conceito de bonapartismo sui generis aplicado a governos latino-americanos \u2013 como o do pr\u00f3prio C\u00e1rdenas \u2013 que se v\u00ea comprimido entre as reivindica\u00e7\u00f5es populares e as press\u00f5es imperialistas. S\u00e3o governos que, em geral, oscilam entre essas linhas de for\u00e7as e, sob determinadas condi\u00e7\u00f5es, v\u00eaem-se compelidos a adotar medidas que os conduzem a choques moment\u00e2neos com o imperialismo.<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">O bonapartismo<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_edn2\" name=\"_ednref2\"><span style=\"line-height: 115%;\">[2]<\/span><\/a> surgiu para arbitrar conflitos que se estabeleceram sem encontrar uma solu\u00e7\u00e3o pelas vias representativas que a burguesia criara historicamente para dirimir quest\u00f5es que, direta ou indiretamente, lhes dizia respeito. O caso do sobrinho de Napole\u00e3o, examinado por Marx em o 18 brum\u00e1rio, \u00e9 sintom\u00e1tico dessa tend\u00eancia burguesa.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">De plano, fica uma pergunta no ar: qual o sentido do conceito acrescido da express\u00e3o sui generis? Para Trotski (2000), em linhas gerais, o regime bonapartista da Am\u00e9rica Latina encerrava la\u00e7os profundos com o seu cong\u00eanere cl\u00e1ssico, mas tinha uma particularidade que o distinguia do seu modelo europeu. Tratava-se de um momento em que o Estado tamb\u00e9m pairava acima das querelas de classe e por essa via assegurava a estabilidade pol\u00edtica necess\u00e1ria para a desenvolu\u00e7\u00e3o do capitalismo. Aplicava, por\u00e9m, uma estrat\u00e9gia que o impulsionava a uma situa\u00e7\u00e3o de relativo antagonismo com os interesses imperialistas.\u00a0 O exemplo emblem\u00e1tico, estudado pelo velho revolucion\u00e1rio russo, e como j\u00e1 anteriormente sugerido, foi o do general L\u00e1zaro C\u00e1rdenas Del Rio que, \u00e0 frente do Estado mexicano, aplicou uma pol\u00edtica nacionalista, entrando em rota de colis\u00e3o com o imperialismo brit\u00e2nico. Nas d\u00e9cadas seguintes \u2013 em pa\u00edses t\u00e3o diferentes como Brasil, Argentina e Peru \u2013 foram observados casos muito semelhantes de regimes semidemocr\u00e1ticos, isto \u00e9, bonapartistas sui generis, que se colocando acima da luta de classes, resistiam parcialmente \u00e0 domina\u00e7\u00e3o imperialista.<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_edn3\" name=\"_ednref3\"><span style=\"line-height: 115%;\">[3]<\/span><\/a><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Esse exemplo \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de como o velho revolucion\u00e1rio procurou aplicar criativamente a teoria e o m\u00e9todo de Marx. Tratava-se de tomar o modelo te\u00f3rico de forma male\u00e1vel e n\u00e3o como um saber irrespondivelmente talm\u00fadico. Ou seja: o car\u00e1ter t\u00edpico de um fen\u00f4meno \u00e9 t\u00edpico somente em rela\u00e7\u00e3o a uma determinada realidade. Em consequ\u00eancia, dever-se-ia admitir que Trotsky procurasse o desvelamento da particularidade da linha de evolu\u00e7\u00e3o do bonapartismo, um fen\u00f4meno que deixou de ser unicamente europeu, mas que ao transbordar as suas fronteiras adotou as formas t\u00edpicas que diziam respeito \u00e0 realidade de outras regi\u00f5es do planeta. Nesse sentido, \u00e9 suficientemente plaus\u00edvel a f\u00f3rmula do bonapartismo sui generis no que concerne \u00e0 Am\u00e9rica Latina.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Os benef\u00edcios particulares dessa an\u00e1lise \u00e9 que esta responde \u00e0 concretude de uma realidade dada e isso \u00e9 o que levou Trotsky, de modo intencional, a tornar a teoria mais operat\u00f3ria, aplicando-a sem desconsiderar a especificidade da Am\u00e9rica Latina, da sua cultura e das suas institui\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Nessa dire\u00e7\u00e3o, de caso pensado, o velho Trotsky utiliza parte dos artigos e cartas para discorrer sobre temas t\u00e3o ligados como o papel da burguesia latino-americana, as suas rela\u00e7\u00f5es com o imperialismo e a sua postura ante a possibilidade da a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Essas reflex\u00f5es, de modo veemente ou de forma mais mediada, encerram certo grau de utilidade em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, o que tentaremos demonstrar a partir de agora<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_edn4\" name=\"_ednref4\"><span style=\"line-height: 115%;\">[4]<\/span><\/a>.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Em termos categ\u00f3ricos, a burguesia latino-americana, e a brasileira, em particular, se estabelece social, pol\u00edtica e economicamente associada aos capitalistas dos pa\u00edses de economia central, j\u00e1 com esta devidamente assentada em uma ortodoxia petrificada: a da rea\u00e7\u00e3o em todos os planos. Antes, fatos e frases dialogavam, ainda que de modo quebradi\u00e7o; agora, tomam-se as frases por fatos. Em suma, a burguesia das economias dependentes \u2013 espremida entre o imperialismo e o proletariado \u2013 prefere se aliar com o latif\u00fandio, internamente, e, apesar de uma ou outra escaramu\u00e7a com o opressor externo, celebra com ele uma associa\u00e7\u00e3o da qual resulta um nexo hist\u00f3rico insidioso. Assim, a burguesia abor\u00edgine se deixa resignar aos limites impostos pela ordem imperialista vigente. Contenta-se com a fun\u00e7\u00e3o subalterna que cumpre. Explicitamente, n\u00e3o rege; deixa-se reger. Apraz-se em ser parte de uma orquestra sem ambicionar o lugar de solista ou regente.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">H\u00e1 de se argumentar, com justeza, que existiram alguns momentos de radicalidade no terreno das contendas das burguesias locais com o imperialismo, conforme ilustra o caso mexicano das primeiras d\u00e9cadas do \u00faltimo s\u00e9culo. Acontece que os burgueses mexicanos n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o conduziram a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias, como a fizeram retroceder at\u00e9 o limite de forjar, como o seu maior legado, o Partido Revolucion\u00e1rio Institucional (PRI), cujo DNA encerrava uma natureza institucional relativa combinada com a aus\u00eancia absoluta de cromossomos revolucion\u00e1rios. Na verdade, foram remanescentes do PRI que patrocinaram, pelo lado do M\u00e9xico, a ades\u00e3o deste pa\u00eds \u00e0 jaula de ferro da \u00c1rea de Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte (NAFTA). Outros casos, como o do Peronismo ou do Varguismo, patinaram, desceram ladeira abaixo e restringiram a sua assiduidade aos et\u00e9reos manuais de hist\u00f3ria sobre as trag\u00e9dias latino-americanas.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Das formula\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas do marxismo acerca do problema, as contribui\u00e7\u00f5es de Trotsky cont\u00eam um vigor facilmente explic\u00e1vel: o per\u00edodo em que ele esteve no M\u00e9xico e p\u00f4de examinar, in loco, as debilidades de um projeto revolucion\u00e1rio independente da burguesia regional. Examinando as quest\u00f5es a partir de uma localiza\u00e7\u00e3o privilegiada, uma vez que o M\u00e9xico era cen\u00e1rio de um processo em que a burguesia nativa conjugava acordos gerais com tens\u00f5es nada insignificantes em rela\u00e7\u00e3o ao imperialismo, o velho revolucion\u00e1rio russo, embebido da viv\u00eancia, conseguiu perceber, com maior precis\u00e3o, os desconcertantes paradoxos da burguesia latino-americana. Para ele, &#8220;<em>os burgueses abor\u00edgenes, por\u00a0<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\"><em>(sua) debilidade geral e sua atrasada apari\u00e7\u00e3o os impede alcan\u00e7ar um mais alto n\u00edvel de desenvolvimento que o de servir a um senhor imperialista contra outro. N\u00e3o podem lan\u00e7ar uma luta s\u00e9ria contra toda comina\u00e7\u00e3o imperialista e por uma aut\u00eantica independ\u00eancia nacional por temor a desencadear um movimento de massas dos trabalhadores do pa\u00eds, que por sua vez amea\u00e7aria sua pr\u00f3pria exist\u00eancia social<\/em>&#8221; (Trotsky, 2000, p.93) <\/span><a style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\" title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_edn5\" name=\"_ednref5\"><span style=\"line-height: 115%;\">[5]<\/span><\/a><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">. \u00a0\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Podemos constatar que a burguesia nativa, pelo temor de levantar internamente as massas trabalhadoras, n\u00e3o se lan\u00e7a de forma consequente em uma luta contra a domina\u00e7\u00e3o imperialista. Fazer frente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o adversa externa poderia vir a produzir, internamente, circunst\u00e2ncias concretas que escapariam de seu controle. Lutar contra o jugo do imperialismo \u00e9 uma tarefa nacional e democr\u00e1tica que, pelas raz\u00f5es enumeradas por Trotsky, a burguesia latino-americana n\u00e3o demonstra capacidade de tomar em suas m\u00e3os. Podemos, pois, nos referir, nos tempos atuais, a uma hipot\u00e9tica revolu\u00e7\u00e3o burguesa sem que n\u00e3o se cumpra essa tarefa?<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Al\u00e9m disso, a burguesia da periferia da Am\u00e9rica n\u00e3o se furta a uma acirrada competi\u00e7\u00e3o contra o proletariado e o campesinato pobre, aliando-se, em seu sentido mais profundo, \u00e0 esc\u00f3ria dos propriet\u00e1rios da terra: os latifundi\u00e1rios. Nesse rumo, o horizonte da revolu\u00e7\u00e3o burguesa mais do que nebuloso se torna um horizonte gangrenado. A burguesia aut\u00f3ctone se mostra incapaz, no plano externo, de conduzir a na\u00e7\u00e3o contra a sujei\u00e7\u00e3o imperialista e, internamente, exp\u00f5e \u00e0 vista a sua incapacidade de levar a cabo outra tarefa democr\u00e1tica essencial: a extin\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio da terra. Num certo n\u00edvel, o ajuste com os min\u00fasculos grupos de fazendeiros desvenda a escassez de disposi\u00e7\u00e3o para tornar real o que \u00e9 necess\u00e1rio e atesta a aus\u00eancia de compromisso com o usufruto democr\u00e1tico do solo. Em s\u00edntese: os processos locais n\u00e3o se revelam como revolu\u00e7\u00e3o, mas, com demasiada condescend\u00eancia, drama hist\u00f3rico protagonizado por uma classe impotente e, dessa maneira, manifesta-se na forma de um deplor\u00e1vel simulacro.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Com um panorama como esse, o remate de Trotsky \u00e9 perempt\u00f3rio: A burguesia nativa \u201c<em>\u00e9 impotente de nascimento e organicamente ligada por um cord\u00e3o umbilical \u00e0 propriedade agr\u00e1ria e ao campo imperialista<\/em>\u201d e desse modo \u201c<em>incapaz de resolver as tarefas hist\u00f3ricas de sua revolu\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em> (2000, pp.273\/274)\u00a0<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_edn6\" name=\"_ednref6\"><span style=\"line-height: 115%;\">[6]<\/span><\/a>. Partindo da an\u00e1lise dos burgueses mexicanos, n\u00e3o \u00e9 estranho, portanto, que conclua acerca das burguesias latino-americanas:<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><em>Nascidas tardiamente, confrontadas a uma penetrac\u00e3o imperialista, e ao atraso do pa\u00eds, n\u00e3o podem resolver com exito as tarefas que suas equivalentes nos pa\u00edses avan\u00e7ados realizaram j\u00e1 faz muito tempo<\/em> (idem, p. 275)<span style=\"line-height: 115%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a>.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Sendo assim, na perspectiva marxista h\u00e1 uma n\u00edtida impossibilidade de falarmos de uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa tardia em pa\u00edses como o Brasil. Essa \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o preciosa nascida da pena de Trotsky e que carece de ser devidamente reconhecida. \u00c9 mister citar a sua reflexividade acerca desse tem\u00e1rio por que, \u00e0 \u00e9poca, prevalecia um ponto de vista diametralmente oposto e este, com efeito, esteve consignado nas pol\u00edticas dos partidos comunistas regionais e em suas desenfreadas buscas pelo elo perdido de uma burguesia a quem caberia cumprir um papel progressista no pat\u00edbulo da hist\u00f3ria latino-americana. Para Leon Trotsky, a etapa das revolu\u00e7\u00f5es burguesas, e, por conseguinte, da a\u00e7\u00e3o progressiva da burguesia, em geral, j\u00e1 estaria definitivamente vencida e sepultada. Real\u00e7ando a teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente, o velho revolucion\u00e1rio entendia que o papel de levar a cabo as tarefas da revolu\u00e7\u00e3o burguesa &#8211; indefinidamente adiada e relegada \u00e0s calendas gregas pelos pr\u00f3prios burgueses latino-americanos organizados em classe \u2013 caberia unicamente ao proletariado liderando as na\u00e7\u00f5es oprimidas. Os seus \u00faltimos textos somente refor\u00e7aram essas convic\u00e7\u00f5es. Por sua vez, as trag\u00e9dias hist\u00f3ricas e pol\u00edticas resultantes das pol\u00edticas dos PCs latino-americanos apenas corroboraram a justeza das teses trotskistas. Nesses termos, o golpe militar de 1964, no Brasil, \u00e9 um exemplo emblem\u00e1tico de como a f\u00e9 na consequ\u00eancia democr\u00e1tica de uma pretensa burguesia progressista tende a produzir verdadeiras cat\u00e1strofes hist\u00f3ricas.<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Al\u00e9m da carpintaria t\u00e9cnica dos textos (em geral, de irrefut\u00e1vel qualidade), verifica-se uma permanente contribui\u00e7\u00e3o do autor em tela a quest\u00f5es te\u00f3ricas, al\u00e9m de uma an\u00e1lise criteriosa do fluxo dos acontecimentos dos \u00faltimos anos da d\u00e9cada de 1930. Portanto, n\u00e3o se trata de um mirar melanc\u00f3lico ao passado, mas de um compromisso com o seu tempo, ainda que premido por um desejo e uma necessidade correntes de atualiza\u00e7\u00e3o e reafirma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica do marxismo. Pelos motivos indicados, deduz-se que a sua passagem pelo M\u00e9xico n\u00e3o se resume a uma concha vazia. H\u00e1 generosas contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 teoria marxista e \u00e0 compreens\u00e3o do seu tempo. Sem se negar ao exame pormenorizado dos principais fen\u00f4menos hist\u00f3ricos do per\u00edodo, notadamente o nazifascismo, Leon Trotsky colocou para si como particularmente importante um fino entendimento acerca das quest\u00f5es mais candentes da Am\u00e9rica Latina. As indica\u00e7\u00f5es acima sinalizam notadamente nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Mesmo quando o epicentro n\u00e3o era a Am\u00e9rica, esta, de alguma maneira, se fazia presente. Do ponto de vista dos princ\u00edpios mais gerais, no seu trabalho <em>Em defesa do Marxismo<\/em>, nota-se, um desejo irreprim\u00edvel de salvaguardar o arsenal te\u00f3rico marxista contra o empirismo e as press\u00f5es pequeno-burguesas e academicistas que, ent\u00e3o, contaminavam as discuss\u00f5es no interior da principal se\u00e7\u00e3o da IV Internacional nas Am\u00e9ricas: o <em>Socialist Workers Party<\/em> (SWP) dos EUA. A defesa do marxismo significou a defesa da URSS (\u00e0 \u00e9poca um Estado oper\u00e1rio) frente \u00e0 ret\u00f3rica ideol\u00f3gica do imperialismo e, at\u00e9 mesmo, do m\u00e9todo dial\u00e9tico contra os modismos que o achincalhavam como pura mistifica\u00e7\u00e3o. Pois bem, n\u00e3o obstante Leon Trotsky se orientasse por uma mirada mais abrangente, de certo modo, o continente que o abrigara n\u00e3o se ausentara completamente do seu raio de reflexividade, porquanto o <em>leitmotiv<\/em> da sua interven\u00e7\u00e3o te\u00f3rica estava localizado em uma das se\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias do continente. Este racioc\u00ednio tamb\u00e9m nos mostra que a constru\u00e7\u00e3o dos partidos da IV Internacional nas Am\u00e9ricas n\u00e3o se desvinculava dos temas que ent\u00e3o dividiam \u00e1guas na esquerda mundial: a ofensiva nazifascista e a defesa da URSS e do marxismo.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">O livro <em>Em defesa do Marxismo<\/em> foi publicado no Brasil, pela primeira vez, pela Proposta Editorial, provavelmente em come\u00e7os dos anos 1980. Essa primeira edi\u00e7\u00e3o da obra circulou nas livrarias de boa parte do pa\u00eds do come\u00e7o a meados da d\u00e9cada antes citada e sem data de publica\u00e7\u00e3o. Os seus temas centrais \u2013 marxismo, dial\u00e9tica, luta de classes, revolu\u00e7\u00e3o, composi\u00e7\u00e3o social do partido revolucion\u00e1rio, centralismo democr\u00e1tico, nazismo, guerra, e, principalmente, a defesa da URSS, &#8211; demonstram que Leon Trotsky, ainda que envolvido pela atmosfera das Am\u00e9ricas, jamais perdeu o fio do geral, relacionando dialeticamente as vicissitudes imediatas de uma temporada for\u00e7ada (ex\u00edlio) \u00e0s quest\u00f5es mais vastas da teoria e da pol\u00edtica.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Os materiais que conformam a obra <em>Em defesa do Marxismo<\/em> foram elaborados entre os anos de 1939 e 1940, alcan\u00e7ando at\u00e9 praticamente dias que precederam o assassinato de Trotsky. Ao todo, h\u00e1 cerca de uma d\u00fazia de artigos (uns longos e outros de bastante brevidade) e uma infinidade de cartas trocadas n\u00e3o apenas com James Cannon, dirigente do SWP, mas com todo um grupo de oposi\u00e7\u00e3o que se forjou na se\u00e7\u00e3o norte-americana da IV Internacional, nomeadamente Max Shachtman, Martin Abern e James Burnham. Os missivistas s\u00e3o onze ao todo e com eles s\u00e3o tratados os assuntos mais diversificados que v\u00e3o desde a guerra \u00e0s disputas fracionais no seio do Socialist Workers Party. No miolo das celeumas, sem d\u00favida, estavam discuss\u00f5es ao redor da natureza da URSS e se essa, portanto, deveria ser ou n\u00e3o defendida frente \u00e0 ofensiva ideol\u00f3gica e militar do imperialismo. A oposi\u00e7\u00e3o, caracterizada como pequeno-burguesa pelo velho revolucion\u00e1rio, rompe com o SWP e os seus cardeais v\u00e3o girando cada vez mais \u00e0 direita at\u00e9 se integrarem ao status quo da filosofia pragm\u00e1tica e da pol\u00edtica conservadora norte-americana.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Os embates que se deram em volta \u00e0s quest\u00f5es j\u00e1 sugeridas revelam um dos tra\u00e7os da psicologia e da atividade pol\u00edtica de Trotsky: a verve polemista. Concomitantemente, o velho revolucion\u00e1rio n\u00e3o economiza energia na defesa dos princ\u00edpios, tradi\u00e7\u00f5es e m\u00e9todos marxistas. Nessa dire\u00e7\u00e3o, ele j\u00e1 aportara \u2013 no tocante a essa preocupa\u00e7\u00e3o \u2013 com um texto cl\u00e1ssico do trotskysmo: o chamado <em>Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/em> cujo subt\u00edtulo \u00e9 \u201cA agonia do capitalismo e as tarefas da IV Internacional\u201d.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">O <em>Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/em> foi aprovado em uma confer\u00eancia clandestina no sub\u00farbio de Paris (P\u00e9rigny); confer\u00eancia que deu origem ao Partido Mundial da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista \u2013 IV Internacional (setembro de 1938). Quando esta acontece, Trotsky est\u00e1 na Am\u00e9rica Latina e de l\u00e1 remete a proposta program\u00e1tica que ser\u00e1 aprovada pelos delegados conferencistas. Retrilhando as pegadas de Marx, ele oferece um horizonte program\u00e1tico que tem como os seus principais antecedentes o <em>Manifesto Comunista<\/em> e as resolu\u00e7\u00f5es dos quatro primeiros congressos da III Internacional, ocorridos com L\u00eanin ainda vivo. Tratava-se de salvar o legado marxista quando o mundo caminhava para uma nova cat\u00e1strofe belicista. Nas palavras de Josef Weil, <em>&#8220;e<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\"><em>ra a sistematiza\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, program\u00e1tica, e tamb\u00e9m um m\u00e9todo para a \u00e9poca imperialista, quando n\u00e3o era mais poss\u00edvel trabalhar como fazia a social-democracia, com um programa m\u00ednimo de reformas parciais, deixando para um futuro remoto a quest\u00e3o do socialismo e da derrubada do capitalismo. Era necess\u00e1ria uma plataforma de transi\u00e7\u00e3o entre as lutas m\u00ednimas e democr\u00e1ticas e a quest\u00e3o do poder<\/em>&#8221; (WEIL, 2004, p.6).<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Esta plataforma-programa \u00e9 composta de 20 pontos cujo projeto inicial Trotsky apresentou &#8211; provavelmente tr\u00eas meses antes da sua aprova\u00e7\u00e3o na Confer\u00eancia de P\u00e9rigny &#8211; em territ\u00f3rio americano. Esse epis\u00f3dio se traduziu em uma discuss\u00e3o com dirigentes do <em>Socialist Worker Party<\/em> (SWP), que viria a se tornar uma das principais se\u00e7\u00f5es da IV Internacional, o Partido Mundial da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista.<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">H\u00e1, por conseguinte, um encadeamento entre a sua presen\u00e7a em continente americano e o g\u00e9rmen do principal documento pol\u00edtico-program\u00e1tico do trotskysmo como corrente internacional: o <em>Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/em>. Nesse sentido, n\u00e3o estaria no rol das coisas inexistentes supor que a elabora\u00e7\u00e3o do mencionado texto program\u00e1tico deva haver se dado em territ\u00f3rio mexicano, ainda que a discuss\u00e3o-chave com os seus partid\u00e1rios tenha ocorrido no seio da futura se\u00e7\u00e3o norte-americana.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">De Coyoac\u00e1n (M\u00e9xico), em 07 de junho de 1938, ele escreveu \u201c<em>completar o programa e coloc\u00e1-lo em pr\u00e1tica<\/em>\u201d, dando a entender que a plataforma program\u00e1tica estava pronta, mas ainda permanecia aberta \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es. N\u00e3o a dava, portanto, como uma coisa fechada. Tratava-se, em \u00faltima an\u00e1lise, de um projeto de programa. Muitos dirigentes do SWP levantaram d\u00favidas e diverg\u00eancias com as quais Leon Trotsky n\u00e3o se furtou em debater. Ao final das discuss\u00f5es, o agrupamento norte-americano aprovou o projeto de programa, que seria posteriormente adotado como pe\u00e7a program\u00e1tica na confer\u00eancia internacional ocorrida na Fran\u00e7a, sem a presen\u00e7a de seu principal formulador.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">O Programa de Transi\u00e7\u00e3o, em sua parte I, come\u00e7a examinando \u201cas premissas objetivas da revolu\u00e7\u00e3o socialista\u201d e toca em suas partes intermedi\u00e1rias e finais \u2013 da nona \u00e0 d\u00e9cima parte &#8211; em temas variados como: a especificidade program\u00e1tica na \u00e9poca atual, sal\u00e1rios\/jornada de trabalho, os sindicatos, os comit\u00eas de f\u00e1brica, controle oper\u00e1rio, expropria\u00e7\u00e3o de certos grupos capitalistas, estatiza\u00e7\u00e3o dos bancos, piquetes, alian\u00e7a oper\u00e1rio-camponesa, imperialismo (e guerra), governo oper\u00e1rio-campon\u00eas, os sovietes, os pa\u00edses atrasados e fascistas, o oportunismo e o sectarismo, a juventude, as mulheres e a IV Internacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Politicamente, a chave do programa de transi\u00e7\u00e3o \u00e9 a supera\u00e7\u00e3o das no\u00e7\u00f5es de programa m\u00ednimo e programa m\u00e1ximo como etapas estanques. Surge a ideia de um programa transicional cuja defini\u00e7\u00e3o por Trotsky \u00e9 suficientemente elucidativa:<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><em>A IV Internacional n\u00e3o rejeita as reivindica\u00e7\u00f5es do velho programa m\u00ednimo, \u00e0 medida que elas conservam alguma for\u00e7a vital. Defende incansavelmente os direitos democr\u00e1ticos dos oper\u00e1rios e suas conquistas sociais. Mas conduz este trabalho di\u00e1rio ao quadro de uma perspectiva correta, real, ou seja, revolucion\u00e1ria. \u00c0 medida que as velhas reivindica\u00e7\u00f5es parciais m\u00ednimas das massas se chocam com as tend\u00eancias destrutivas e degradantes do capitalismo decadente \u2013 e isto ocorre a cada passo \u2013 a IV Internacional faz avan\u00e7ar um sistema de reivindica\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias, cujo sentido \u00e9 dirigir-se, cada vez mais aberta e resolutamente, contra as pr\u00f3prias bases do regime burgu\u00eas. O velho programa m\u00ednimo \u00e9 constantemente ultrapassado pelo programa de transi\u00e7\u00e3o, cuja tarefa consiste numa mobiliza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das massas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria<\/em> (TROTSKY, 2004, p.14-15).<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Efetivamente, supera-se a parede que se colocava entre as lutas cotidianas das massas e a conquista do poder pol\u00edtico pelo proletariado. No lugar da parede, estende-se uma ponte. Essa ponte seria o <em>Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/em>. Esse enfoque supera a tradi\u00e7\u00e3o social-democrata em que o programa realizar-se-ia aos peda\u00e7os, ou seja, \u00e0 presta\u00e7\u00e3o. O <em>Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/em> seria a plataforma pol\u00edtica do proletariado \u00e0 \u00e9poca do imperialismo. Nesse sentido, n\u00e3o estar\u00edamos atribuindo falsamente a Leon Trotsky uma atualiza\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria marxista. Trata-se, de fato, de uma contribui\u00e7\u00e3o decisiva ao marxismo.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Esse talvez seja o derradeiro documento fundamental redigido pelo primeiro dirigente do ex\u00e9rcito vermelho. Nos poucos anos que ainda lhe restaram de vida ele n\u00e3o se deixou sucumbir \u00e0 rugosidade de um tempo vazado em moldes diferentes daquele que permitiu que ele se colocasse na linha de frente da vitoriosa revolu\u00e7\u00e3o de outubro de 1917. Esse novo tempo \u2013 tingido de aspereza e totalmente encrespado \u2013 n\u00e3o se fez em obst\u00e1culo absoluto \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. Os textos que compuseram o cl\u00e1ssico <em>Em defesa do Marxismo<\/em> s\u00e3o um demonstrativo cabal de determina\u00e7\u00e3o e uma coisa bem diversa de se curvar \u00e0 l\u00f3gica de um per\u00edodo impolido em que nem os seus principais algozes \u2013 nazifascismo e stalinismo \u2013 conseguiram silenci\u00e1-lo.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A despeito dessa resist\u00eancia, traduzida em centenas de textos os mais variados, os acontecimentos faziam a balan\u00e7a pender, cada vez mais, \u00e0s avessas dos desejos e esfor\u00e7os de Trotsky. A din\u00e2mica n\u00e3o era congruente com os seus planos, mas discordante, contrastava com o seu esp\u00edrito mais profundo. A tape\u00e7aria que se tecia era de uma est\u00e9tica tr\u00e1gica. Conforme a 2\u00aa Guerra Mundial se aprofundava, o isolamento do velho revolucion\u00e1rio ia sofrendo um processo de alargamento. Mais do que nunca, seguindo na contracorrente, \u00e9 assassinado em agosto de 1940, em Coyoac\u00e1n, com uma machadinha de quebrar gelo, despendida das m\u00e3os de um agente da GPU (Jaime Ram\u00f3n Mercader) &#8211; a mando de Joseph St\u00e1lin. Finalmente, o velho era silenciado. O marxismo revolucion\u00e1rio receberia assim um golpe decisivo. Momentaneamente, triunfaria o stalinismo \u2013 vulgata te\u00f3rica, program\u00e1tica e metodol\u00f3gica do marxismo.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">3 \u2013 <strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A derrota da revolu\u00e7\u00e3o socialista na Europa, a consolida\u00e7\u00e3o do stalinismo na ex-URSS e a expans\u00e3o do nazifascismo levaram a uma inflex\u00e3o no cerne do marxismo. A cren\u00e7a na tend\u00eancia revolucion\u00e1ria do proletariado e na possibilidade de \u00eaxito da estrat\u00e9gia socialista foi substitu\u00edda por um ceticismo pol\u00edtico e por um rebatimento culturalista que deram origem ao que Anderson (2009) nomeou de marxismo ocidental. Trotsky era quase a \u00faltima fronteira entre as inclina\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias da teoria marxista e os novos tempos: tempos de reveses.<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">No momento em que o programa e a estrat\u00e9gia do marxismo revolucion\u00e1rio eram abandonados, Leon Trotsky insistia em sua oportunidade e, ao mesmo tempo, procurava enriquec\u00ea-lo e atualiz\u00e1-lo.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Era imposs\u00edvel tomar o marxismo como um dogma ressequido. Essa foi a postura adotada por Lev Davidovich Bronstein. Os fen\u00f4menos do stalinismo e da burocratiza\u00e7\u00e3o do Estado sovi\u00e9tico, de um lado, e a ascens\u00e3o do nazifascismo, de outro, exigiam estudo, pesquisa e atualiza\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-program\u00e1tica. Esse trabalho come\u00e7ou a ser efetuado na Europa, mas seguiu e desenvolveu-se nos quase quatro anos em que Trotsky se fixou em terras mexicanas.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Os livros <em>Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>Em defesa do Marxismo<\/em> s\u00e3o as provas contundentes desse esfor\u00e7o de atualiza\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-program\u00e1tica. Esse processo, contudo, n\u00e3o se fez separado da energia despendida com vistas a dotar os marxistas revolucion\u00e1rios de uma sa\u00edda pol\u00edtico-organizativa ante a fal\u00eancia da III Internacional, primeiro stalinizada e depois simplesmente destru\u00edda. O <em>Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/em> era a plataforma para cria\u00e7\u00e3o de uma alternativa frente ao novo quadro hist\u00f3rico que ent\u00e3o se conformara: a IV Internacional. Esta surgiu com o seu inspirador vivendo na Am\u00e9rica latina, embora a maioria das suas representa\u00e7\u00f5es estivesse na Europa.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">No que tange aos novos desafios e dificuldades, Trotsky n\u00e3o optou pelo ceticismo epistemol\u00f3gico ou pol\u00edtico, muito menos pelas variantes t\u00edpicas do marxismo ocidental; ousou em tempos dif\u00edceis e nem o seu assassinato mostrou-se capaz de apagar as suas contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, estribadas em Marx, Engels e L\u00eanin, mas sem ignorar os embara\u00e7os de um novo cen\u00e1rio desconforme com a etapa anterior da luta de classes. Esse cen\u00e1rio \u00e0s avessas requeria n\u00e3o apenas se referenciar no arsenal te\u00f3rico existente e consagrado, mas renov\u00e1-lo \u00e0 luz dos novos fen\u00f4menos. Essa foi a atitude do principal inspirador da IV Internacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Na introdu\u00e7\u00e3o a esse trabalho fizemos tr\u00eas perguntas: o que teria Trotsky acrescentado ao repert\u00f3rio marxista em sua passagem pela Am\u00e9rica Latina? Quais as principais produ\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas por ele desenvolvidas nesse intervalo de tempo? Haveria algum nexo entre as suas principais conclus\u00f5es e o continente americano?<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Acreditamos ser poss\u00edvel respond\u00ea-las quase que sumariamente e, ao mesmo tempo, tecer as nossas considera\u00e7\u00f5es finais. Em terras americanas, o principal legado de Leon Trotsky ao marxismo foi provavelmente a elabora\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o \u2013 uma plataforma e um m\u00e9todo para a\u00e7\u00e3o do proletariado em uma etapa divergente e impertinentemente contrarrevolucion\u00e1ria. A teoria e o programa, na \u00f3tica marxista, n\u00e3o constituem elementos que n\u00e3o conhe\u00e7am modifica\u00e7\u00f5es. A realidade \u00e9 mais rica e sempre exige uma correspondente atualiza\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 uma equival\u00eancia m\u00fatua entre preservar e renovar. Trotsky procede a essa renova\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-program\u00e1tica \u2013 Programa de Transi\u00e7\u00e3o \u2013 preservando os princ\u00edpios fundamentais da teoria-programa marxista, posicionamento tamb\u00e9m admitido e adotado na obra <em>Em defesa do Marxismo<\/em>. Simultaneamente, esse exerc\u00edcio de modifica\u00e7\u00e3o te\u00f3rica sem se afastar da rota trilhada pelo marxismo cl\u00e1ssico, encontra outro exemplo arquet\u00edpico no uso criativo do conceito de bonapartismo no estudo da realidade latino-americana.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Esses exemplos que revelam sua contribui\u00e7\u00e3o ao marxismo s\u00e3o quase sim\u00e9tricos \u00e0s suas principais produ\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas: o <em>Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/em> (cujo esbo\u00e7o Trotsky escreveu em abril de 1938) e <em>Em Defesa do Marxismo<\/em> (cujo texto-base \u201cuma oposi\u00e7\u00e3o pequeno-burguesa no SWP\u201d foi redigido em fins de 1939). Nesse \u00ednterim, contudo, ele escreveu sobre diversos assuntos, dentre os quais as rela\u00e7\u00f5es entre St\u00e1lin-Hitler, burocracia sovi\u00e9tica e situa\u00e7\u00e3o mundial carregadamente belicista (O Kremlin e a pol\u00edtica mundial, O pacto germano-sovi\u00e9tico etc.); os acontecimentos ligados \u00e0 guerra civil espanhola (A li\u00e7\u00e3o de Espanha e Classe, partido, dire\u00e7\u00e3o \u2013 por que foi derrotado o proletariado espanhol<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_edn8\" name=\"_ednref8\"><span style=\"line-height: 115%;\">[8]<\/span><\/a>); n\u00e3o se furtou tamb\u00e9m de redigir um artigo cujo centro era os 90 anos da publica\u00e7\u00e3o do Manifesto comunista (aqui, a dial\u00e9tica atualidade-atualiza\u00e7\u00e3o assume uma visibilidade palp\u00e1vel) e outro, em parceria com o surrealista Andr\u00e9 Breton, celebrando a liberdade art\u00edstica como princ\u00edpio indel\u00e9vel. O texto \u2013 intitulado <em>Manifesto por uma arte revolucion\u00e1ria independente<\/em> \u2013 mant\u00e9m, passados mais de 70 anos, uma surpreendente atualidade.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Todos esses trabalhos, parodiando James Cannon, s\u00e3o pe\u00e7as extraordin\u00e1rias da literatura bolchevique, e, episodicamente, tiveram os seus destinos cruzados com as Am\u00e9ricas. N\u00e3o se deve esquecer que, num primeiro momento, Trotsky solicitou ex\u00edlio nos EUA, sendo negado o visto por Franklin Delano Roosevelt por duas vezes. O desterro no M\u00e9xico, de fato, era o \u201cplano b\u201d. Nesse sentido, nem os EUA, nem o M\u00e9xico e nem a Am\u00e9rica Latina de conjunto estiveram separados dos seus esfor\u00e7os de elabora\u00e7\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos EUA, o governo Roosevelt, as rela\u00e7\u00f5es entre o programa revolucion\u00e1rio e a maior pot\u00eancia capitalista; as nacionaliza\u00e7\u00f5es mexicanas, os seus significados e os seus limites; o movimento sindical latino-americano no contexto do sindicalismo mundial (lembremos sempre do seu texto cl\u00e1ssico \u201cOs sindicatos na era da decad\u00eancia imperialista&#8221;, escrito em agosto de 1940, \u00e0s v\u00e9speras do seu assassinato); os limites da democracia no continente e o futuro da Am\u00e9rica latina; todos esses temas est\u00e3o no \u00e2mago dos seus textos produzidos no per\u00edodo. Por isso, circunstancialmente, debaixo do olhar de Trotsky, os destinos do mundo, em geral, e particularmente, do continente americano, encontravam-se em \u00edntima conex\u00e3o. Tendo em vista esse caso, os seus escritos, quase que inapelavelmente, t\u00eam a ver com essa parte do mundo que lhe deu o seu \u00faltimo abrigo em um planeta (dominado pelo capital) que em un\u00edssono lhe negara um simples visto.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">No dia 22 de agosto o seu corpo era cremado depois de haver sido acompanhado por mais de 200 mil pessoas. Al\u00e9m das cinzas ficaram os pap\u00e9is escritos ilustrando uma das mais fecundas contribui\u00e7\u00f5es ao legado marxista.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Notas<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br clear=\"all\" \/> <\/span><\/span><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div id=\"edn1\">\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_ednref1\" name=\"_edn1\"><span style=\"line-height: 115%;\">[1]<\/span><\/a> Efetivamente, os textos que comp\u00f5em essa compila\u00e7\u00e3o foram publicados anteriormente em Leon Trotsky \u2013 escritos, de Editorial Pluma, correspondendo a uma cole\u00e7\u00e3o de textos que, embora muit\u00edssimo mais ampla, tamb\u00e9m abarcava a passagem do revolucion\u00e1rio ucraniano pela Am\u00e9rica latina, atrav\u00e9s da sua obra.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"edn2\">\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_ednref2\" name=\"_edn2\"><span style=\"line-height: 115%;\">[2]<\/span><\/a> O bonapartismo tem uma particularidade que parece contrariar a teoria marxista das classes, uma vez que a correspond\u00eancia entre a domina\u00e7\u00e3o de classes e o Estado parece prescindir do mais diminuto sentido. No fundo, trata-se de uma modalidade pol\u00edtica pr\u00f3pria de momentos de crise quando a irresolu\u00e7\u00e3o se instaura de permeio entre as diversas fac\u00e7\u00f5es das classes dominantes. Por isso, ele \u00e9 um regime pol\u00edtico de exce\u00e7\u00e3o. N\u00e3o nega o capitalismo, mas o defende por m\u00e9todos menos convencionais, prescindindo, por exemplo, das sutilezas e elasticidade do regime democr\u00e1tico-burgu\u00eas. No caso espec\u00edfico da Am\u00e9rica Latina, o bonapartismo sui generis se apresenta, em larga medida, associado a um regime pol\u00edtico semidemocr\u00e1tico. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"edn3\">\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_ednref3\" name=\"_edn3\"><span style=\"line-height: 115%;\">[3]<\/span><\/a> O conceito de bonapartismo aplicado \u00e0 realidade latino-americana \u2013 aqui suscitado de modo francamente breve \u2013 \u00e9 uma retomada de uma discuss\u00e3o que levei a cabo em minha Tese de Doutorado tomando por baliza os estudos acerca dos regimes militares que varreram Am\u00e9rica do sul e Am\u00e9rica central, notadamente entre os anos 1960 e 1980. Aqui, em larga medida, mantenho as minhas conclus\u00f5es fundamentais, ainda que sem desenvolv\u00ea-las.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"edn4\">\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_ednref4\" name=\"_edn4\"><span style=\"line-height: 115%;\">[4]<\/span><\/a> Nos pr\u00f3ximos seis par\u00e1grafos nos apoiaremos em um estudo que fizemos acerca do conceito de revolu\u00e7\u00e3o em Caio Prado J\u00fanior e Florestan Fernandes e cujos resultados foram apresentados em um artigo publicado pela revista Outubro.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"edn5\">\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_ednref5\" name=\"_edn5\"><span style=\"line-height: 115%;\">[5]<\/span><\/a> Essa cita\u00e7\u00e3o foi por mim diretamente traduzida de uma passagem da miscel\u00e2nea de textos de Trotsky \u201cEscritos latino-americanos\u201d, lida diretamente do espanhol. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"edn6\">\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_ednref6\" name=\"_edn6\"><span style=\"line-height: 115%;\">[6]<\/span><\/a> Idem. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"edn7\">\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_ednref7\" name=\"_edn7\"><span style=\"line-height: 115%;\">[7]<\/span><\/a> Procedimento similar aos dos itens 5 e 6.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"edn8\">\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Rodrigo Ricupero\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/Temporary Internet Files\/Low\/Content.IE5\/XOLAFNQP\/A%20\u00faltima%20fronteira-%20o%20marxismo%20aporta%20na%20AL.1[1].doc#_ednref8\" name=\"_edn8\"><span style=\"line-height: 115%;\">[8]<\/span><\/a> Esse texto cl\u00e1ssico de Trotsky, em geral, \u00e9 publicado na Am\u00e9rica latina no bojo da obra Bolchevismo y stalinismo (vide bibliografia).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b><span style=\"line-height: 150%;\">REFER\u00caNCIAS<\/span><\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 12pt 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">ANDERSON, Perry. <b>Considera\u00e7\u00f5es sobre o marxismo ocidental<\/b>. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1999.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 12pt 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">TROTSKY, Leon. Bolchevismo e stalinismo \u2013 clase, partido y direcion\/a prop\u00f3sito del frente \u00fanico, Buenos Aires, Argentina: Yunque Editora, 1975.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 12pt 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">______. Em defesa do marxismo, Brasil: Proposta Editorial, S\/D.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 12pt 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">______. Escritos latino-americanos, Buenos Aires, Argentina: CEIP, 2000.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 12pt 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">______. Programa de transi\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo: Instituto Jos\u00e9 Lu\u00eds e Rosa Sundermann, 2004.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 12pt 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">WEIL, Josef. Pr\u00f3logo. In: <b>Programa de transi\u00e7\u00e3o<\/b>. S\u00e3o Paulo: Instituto Jos\u00e9 Lu\u00eds e Rosa Sundermann, 2004.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 12pt 0cm; text-align: justify;\">* \u00a0<strong>F\u00e1bio Queir\u00f3z \u00e9 professor da Universidade Regional do Cariri &#8211; URCA<\/strong><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presente artigo recupera a passagem do revolucion\u00e1rio Leon Trotsky por terras mexicanas, entre 1937 e 1940, procurando trazer a lume, ainda que de forma sum\u00e1ria, as principais contribui\u00e7\u00f5es que ele agregou ao marxismo ao longo desses anos.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":6587,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8073,10],"tags":[],"class_list":["post-2363","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-75-anos-sem-trotsky","category-teoria"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/fig32.jpg","categories_names":["75 Anos sem Trotsky","TEORIA"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2363","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2363"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2363\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6587"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}