{"id":23538,"date":"2018-07-08T21:02:21","date_gmt":"2018-07-08T23:02:21","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=23538"},"modified":"2018-07-08T21:02:21","modified_gmt":"2018-07-08T23:02:21","slug":"tendencia-marxista-internacional-do-entrismo-permanente-ao-abandono-da-ditadura-do-proletariado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/07\/08\/tendencia-marxista-internacional-do-entrismo-permanente-ao-abandono-da-ditadura-do-proletariado\/","title":{"rendered":"Tend\u00eancia Marxista Internacional \u2013 Do entrismo permanente ao abandono da Ditadura do Proletariado"},"content":{"rendered":"<p><em>A hist\u00f3ria da Tend\u00eancia Marxista Internacional (TMI) confunde-se com a hist\u00f3ria de seu fundador, Ted Grant, considerado por seus apoiadores um dos maiores te\u00f3ricos marxistas e por trotskistas ingleses que n\u00e3o seguiram sua trajet\u00f3ria como objetivista e politicamente centrista.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Marcos Margarido<\/p>\n<p>Edward &#8220;<em>Ted<\/em>&#8221;\u00a0<em>Grant<\/em>\u00a0nasceu na \u00c1frica do Sul, mas passou a maior parte de sua vida militante na Inglaterra. Morreu em 20 de julho de 2006 com 93 anos. Foi fundador da Tend\u00eancia <em>Militant<\/em>, interna ao <em>Labour Party<\/em> (LP \u2013 Partido Trabalhista ingl\u00eas), e do <em>Socialist Appeal<\/em>, em 1992. No plano internacional, fundou a TMI.<\/p>\n<p>A melhor maneira de conhecer a TMI \u00e9 seguir os passos de Ted Grant e do principal partido onde ele militou, o <em>Militant<\/em>. Ele \u00e9 parte das primeiras gera\u00e7\u00f5es de trotskistas ingleses, como Gerry Healy, Bill Hunter, Dave Finch, Rachel Ryan, Millie Lee, Jock Haston e outros. Ap\u00f3s uma decis\u00e3o do RCP (Partido Comunista Revolucion\u00e1rio) de fazer entrismo no LP, em 1949, Grant, contr\u00e1rio \u00e0quela pol\u00edtica, deixa o partido<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a divis\u00e3o da IV Internacional, em 1953, devido \u00e0 pol\u00edtica revisionista de Michel Pablo e Mandel de praticar o chamado <em>entrismo sui generis<\/em> nos partidos comunistas<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, o trotskismo ingl\u00eas se junta ao SWP norte-americano no Comit\u00ea Internacional. Por\u00e9m, Ted Grant e Sam Bornstein fundam a <em>Revolutionary Socialist League<\/em> (RSL &#8211; Liga Socialista Revolucion\u00e1ria) em 1956, que se torna a se\u00e7\u00e3o da IV Internacional pablista na Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p>Grant, que em 1949 havia sido contra o entrismo t\u00e1tico no LP, para colocar o partido em contato com a classe oper\u00e1ria e construir a dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, agora concordava com o entrismo estrat\u00e9gico de Pablo, que previa for\u00e7as irresist\u00edveis que for\u00e7ariam o stalinismo a tomar o poder. Em fun\u00e7\u00e3o disso, os partidos trotskistas deveriam entrar nos partidos comunistas para acompanhar esta evolu\u00e7\u00e3o, que faria o stalinismo transformar-se em uma corrente revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Segundo o documento <em>Ascens\u00e3o e Queda do Stalinismo, <\/em>aprovado pelo IV Congresso da IV Internacional (1953):<\/p>\n<p>\u201c<em>Em pa\u00edses onde os PCs s\u00e3o majorit\u00e1rios na classe oper\u00e1ria, eles podem, sob condi\u00e7\u00f5es excepcionais (desintegra\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada das classes propriet\u00e1rias) e sob a press\u00e3o de um poderoso levante revolucion\u00e1rio das massas, ser levados a projetar uma orienta\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria contra as orienta\u00e7\u00f5es do Kremlin, sem abandonar sua bagagem te\u00f3rica e pol\u00edtica herdada do stalinismo. Nessas condi\u00e7\u00f5es, a desintegra\u00e7\u00e3o do stalinismo n\u00e3o deve ser entendida no est\u00e1gio imediatamente posterior como uma desintegra\u00e7\u00e3o organizativa desses partidos ou como um rompimento p\u00fablico com o Kremlim, <strong>mas como uma transforma\u00e7\u00e3o interna gradual<\/strong>, acompanhada por uma diferencia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em seu meio<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>Tudo o que os partidos trotskistas deveriam fazer era esperar o momento dessa transforma\u00e7\u00e3o interna e ganhar todo o partido stalinista para o trotskismo.<\/p>\n<p>Para Ted Grant, o mesmo racioc\u00ednio deveria ser aplicado em rela\u00e7\u00e3o ao Partido Trabalhista, que era majorit\u00e1rio na classe oper\u00e1ria inglesa. No documento <em>A Situa\u00e7\u00e3o e Nossas Tarefas<\/em>, publicado em 1957, a RSL afirma que situa\u00e7\u00f5es de crise na ind\u00fastria e de rea\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria atingiriam o LP, abrindo a possibilidade de um rompimento \u201c<em>se sua ala direita mantivesse o controle do aparato partid\u00e1rio. \u00c9, no entanto, mais prov\u00e1vel que a esquerda ganhe a maioria e <strong>transforme o LP em uma organiza\u00e7\u00e3o centrista de massas<\/strong>. Em qualquer caso, o trabalho dos marxistas revolucion\u00e1rios no per\u00edodo \u00e0 frente precisa ser o de prepara\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o dos quadros tendo em vista esta perspectiva<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Como o documento alertava que esta situa\u00e7\u00e3o de crise ainda n\u00e3o estava dada, a RSL deveria limitar-se a fazer propaganda e esperar o dia da transforma\u00e7\u00e3o do LP chegar. Ap\u00f3s 61 anos a pol\u00edtica continua a mesma.<\/p>\n<p>Fazendo uma retrospectiva, pode-se dizer que a pol\u00edtica de Ted Grant \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o da t\u00e1tica de entrismo <em>sui generis<\/em> de Pablo, por\u00e9m transformada em estrat\u00e9gia permanente de constru\u00e7\u00e3o, v\u00e1lida para todos os pa\u00edses e partidos e em qualquer situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Tinha raz\u00e3o Bill Hunter quando diz que a cria\u00e7\u00e3o da LSR baseava-se em \u201c<em>uma concord\u00e2ncia com as concep\u00e7\u00f5es mais importantes do pablismo. Havia um acordo sobre a natureza do entrismo na Gr\u00e3-Bretanha. Para n\u00f3s, era uma t\u00e1tica, dentro da estrat\u00e9gia de sair do isolamento e construir uma dire\u00e7\u00e3o trotskista para levar a classe oper\u00e1ria ao poder. Para Pablo [e Grant], era a participa\u00e7\u00e3o em for\u00e7as irresist\u00edveis que empurrariam o stalinismo e o centrismo para tomar o poder pela classe oper\u00e1ria<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>O desenvolvimento do <em>Militant<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Para explicar como mant\u00e9m essa perspectiva apesar da trajet\u00f3ria do LP que, ao contr\u00e1rio de suas previs\u00f5es, manteve-se um partido de sustenta\u00e7\u00e3o do capitalismo imperialista ingl\u00eas cada vez mais \u00e0 direita, a TMI desenvolveu uma explica\u00e7\u00e3o: o dia da transforma\u00e7\u00e3o tinha chegado, mas foi desperdi\u00e7ado pela pol\u00edtica sect\u00e1ria da maioria da dire\u00e7\u00e3o do <em>Militant<\/em>. Vejamos.<\/p>\n<p>A RSL<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> iniciou seu <em>entrismo sui generis<\/em> na organiza\u00e7\u00e3o de juventude do LP, a Labour Party Young Socialists (LPYS), em 1960 e chegou a ganhar a maioria de sua dire\u00e7\u00e3o em 1972, aproveitando-se do descontentamento da base do LP com o governo trabalhista ultraliberal de Harold Wilson (1964-1970). Foi fundamental para seu crescimento os anos de 1968-1969, quando em toda a Europa &#8211; e particularmente em Paris, em maio de 1968 &#8211;\u00a0 a juventude se rebelava contra o sistema capitalista, que come\u00e7ava a dar os primeiros sinais de esgotamento do boom do p\u00f3s-guerra. Nesse per\u00edodo a RSL lan\u00e7ou o jornal <em>Militant<\/em>, nome pelo qual o partido tornou-se conhecido em todo o mundo.<\/p>\n<p>Por dirigir a juventude do partido, o <em>Militant<\/em> teve um posto no Comit\u00ea Executivo Nacional do LP e, ao ter a orienta\u00e7\u00e3o acertada de ir \u00e0 classe trabalhadora a partir da juventude, conseguiram ter certa influ\u00eancia no movimento sindical. No congresso da 1982 da Associa\u00e7\u00e3o de Servidores P\u00fablicos (CPSA), um de seus membros foi eleito presidente e outros fizeram parte de sua executiva nacional. Tamb\u00e9m tinham membros nas dire\u00e7\u00f5es nacionais do <em>Transport and General Workers Union<\/em> (trabalhadores do setor de transporte), <em>Fire Brigades Union<\/em> (bombeiros), <em>National Local Government Workers Union<\/em> (funcion\u00e1rios p\u00fablicos municipais). Tamb\u00e9m elegeram tr\u00eas membros do Parlamento ingl\u00eas, os primeiros da hist\u00f3ria do trotskismo daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, essa influ\u00eancia pol\u00edtica \u2013 inclusive nas confer\u00eancias anuais do LP \u2013 tinha seu pre\u00e7o. Evitavam qualquer confronto direto com a dire\u00e7\u00e3o do partido para n\u00e3o correrem o risco de ser expulsos. Por exemplo, aceitavam que os documentos submetidos \u00e0s confer\u00eancias dos Jovens Socialistas fossem escritos pelo Departamento de Pesquisas do LP e n\u00e3o pela dire\u00e7\u00e3o da juventude<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. O mesmo ocorria nos sindicatos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fort\u00edssima burocracia sindical do TUC (Trades Union Congress, a central sindical brit\u00e2nica) que, na pr\u00e1tica, dava as cartas no Labour Party.<\/p>\n<p>Em 1982 o <em>Militant<\/em> dizia ter entre 4000 e 5000 membros, com forte presen\u00e7a em Liverpool. Foi nessa cidade que a pol\u00edtica de entrismo <em>sui generis<\/em> mostrou sua limita\u00e7\u00e3o. Na elei\u00e7\u00e3o municipal de 1983 o <em>Militant<\/em> elegeu 15 dos 51 conselheiros municipais do LP<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, atraindo a aten\u00e7\u00e3o nacional. Foi uma vit\u00f3ria eleitoral in\u00e9dita para um partido trotskista, mas devido \u00e0 sua estrat\u00e9gia o <em>Militant<\/em> passou a participar do governo da cidade como membros leais do LP, procurando dar respostas administrativas e fazer manobras jur\u00eddicas para enfrentar os ataques do governo Thatcher. Recusaram-se a fazer cortes no or\u00e7amento social e aumentar os impostos municipais, mas n\u00e3o ofereceram uma alternativa revolucion\u00e1ria, que s\u00f3 poderia ser recorrer aos trabalhadores em uma luta nacional contra o governo conservador.<\/p>\n<p>Um exemplo bastante ilustrativo foi a pol\u00edtica de demitir todos os funcion\u00e1rios p\u00fablicos ante o bloqueio financeiro promovido pelo governo central. A ideia era \u201csimples\u201d: os trabalhadores passariam a receber um sal\u00e1rio desemprego por algumas semanas devido \u00e0 demiss\u00e3o coletiva. Terminado esse per\u00edodo, eles seriam recontratados e pagos com o dinheiro economizado naquelas semanas. Foram emitidas 31 mil cartas de demiss\u00e3o, mas o sindicato da categoria negou-se a aceitar essa medida, que n\u00e3o p\u00f4de ser efetivada<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Ao inv\u00e9s de chamarem os funcion\u00e1rios p\u00fablicos e todos os trabalhadores \u00e0 luta contra o governo nacional, preferiram uma manobra jur\u00eddica que s\u00f3 serviu para jogar confus\u00e3o na classe e bloquear sua mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ficava claro que governar uma cidade como parte de um partido reformista, aceitando defender sua pol\u00edtica, mesmo que com uma pol\u00edtica de \u201cesquerda\u201d, s\u00f3 poderia levar ao reformismo e n\u00e3o a uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica tinha um fio condutor, o mesmo seguido por Ted Grant em toda sua vida militante: esperar pela transforma\u00e7\u00e3o do LP e pela expuls\u00e3o de sua ala de direita pr\u00f3-capitalista. Mas a ala esquerda era igualmente pr\u00f3-capitalista, como a burocracia sindical da Gr\u00e3-Bretanha, na qual o <em>Militant<\/em> identificava um aliado.<\/p>\n<p>Em 1968 Grant previa que uma nova crise econ\u00f4mica levaria os sindicatos \u2013 isto \u00e9, a burocracia sindical &#8211; e o LP a um giro \u00e0 esquerda e que o setor parlamentar do partido iria se dividir, com a ala direita juntando-se aos Tories (o Partido Conservador). Por isso, era necess\u00e1rio, permanecer no LP a todo custo.<\/p>\n<p>Em 1985, logo ap\u00f3s a confer\u00eancia nacional do LP que aprovou a expuls\u00e3o de oito militantes e abriu o per\u00edodo de \u201cca\u00e7a \u00e0s bruxas\u201d contra o <em>Militant<\/em> &#8211; medida que recebeu o decisivo apoio da burocracia sindical &#8211; um encontro nacional da organiza\u00e7\u00e3o aprovou a palavra de ordem \u201c<em>Depois de Kinnock, nossa vez<\/em>\u201d, estampada como campanha central da organiza\u00e7\u00e3o na edi\u00e7\u00e3o seguinte de seu jornal. Neil Kinnock era o l\u00edder nacional do LP. O motivo era que naquela mesma confer\u00eancia nacional foi aprovada a chamada \u201cressele\u00e7\u00e3o\u201d dos candidatos do partido ao Parlamento. Isto \u00e9, os atuais parlamentares deveriam ser referendados em encontros locais de sua jurisdi\u00e7\u00e3o eleitoral (na Gr\u00e3-Bretanha vigora o sistema de elei\u00e7\u00e3o distrital), sem poderem se candidatar automaticamente \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o. Segundo o <em>Militant<\/em>, isto significava que o dom\u00ednio da direita do partido, exercido por Kinnock, estava com os dias contados e bastava esperar pela ressele\u00e7\u00e3o que a vez deles chegaria.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, o entrismo permanente em um partido reformista ou &#8211; como dizia Lenin referindo-se ao LP &#8211; em um partido burgu\u00eas-oper\u00e1rio, s\u00f3 poderia resultar em uma enorme ilus\u00e3o parlamentar. Mesmo ap\u00f3s a experi\u00eancia frustrada em Liverpool essa ilus\u00e3o continuou. Para Grant, todos os partidos trotskistas que atuavam fora do LP estavam afastados do movimento de massas e eram seitas. Ele escreveria que \u201c<em>a praga das pequenas seitas, resultantes de rupturas de seitas maiores, como o IMG, o SWP e o WRP, desenvolveu-se como consequ\u00eancia de seus erros&#8230; Conforme o marxismo torna-se uma for\u00e7a importante na classe oper\u00e1ria e ganha seu apoio, as seitas far\u00e3o menos danos do que fizeram no passado<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. O problema desse racioc\u00ednio \u00e9 que o \u00fanico marxismo, para Ted Grant, \u00e9 o seu pr\u00f3prio, e a \u00fanica pol\u00edtica marxista \u00e9 o entrismo permanente em partidos reformistas e nacionalistas burgueses.<\/p>\n<p><strong>A ruptura do <em>Militant<\/em> <\/strong><\/p>\n<p>O <em>Militant<\/em> sofreu uma ruptura importante em 1992, que teve como resultado a expuls\u00e3o de Ted Grant da organiza\u00e7\u00e3o. Ele discordou da decis\u00e3o de terminar o entrismo no Labour Party, mas foi seguido por uma pequena minoria em n\u00edvel nacional, embora tenha levado a maioria dos militantes em pa\u00edses como a Espanha e o Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>A ruptura foi precedida por um dos mais r\u00e1pidos crescimentos de um partido de tradi\u00e7\u00e3o trotskista na hist\u00f3ria, durante a campanha contra o Poll Tax, que levou o partido a ter entre sete a oito mil militantes segundo seus dirigentes e, com uma pol\u00edtica correta, poderia ter avan\u00e7ado ainda mais.<\/p>\n<p>Margaret Thatcher resolveu estabelecer um <em>Community Charge<\/em> (imposto sobre a comunidade), conhecido como Poll Tax, que estabelecia um valor igual para cada adulto do pa\u00eds. Evidentemente esse imposto pesava mais sobre as fam\u00edlias mais numerosas e mais pobres. O imposto come\u00e7aria a ser cobrado na Esc\u00f3cia e, depois de um ano, seria implantado no resto do Reino Unido.<\/p>\n<p>O <em>Militant<\/em> lan\u00e7ou uma campanha de desobedi\u00eancia civil, que teve uma ades\u00e3o de massas. No dia da introdu\u00e7\u00e3o do Poll Tax na Inglaterra e no Pa\u00eds de Gales, 31 de mar\u00e7o de 1990, a Federa\u00e7\u00e3o Nacional Contra a Poll Tax, dirigida pelo <em>Militant<\/em>, organizou um ato em Londres, do qual participaram 250 mil pessoas, e outro em Glasgow, com 50 mil<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. No fim de 1990 cerca de 18 milh\u00f5es de pessoas estavam boicotando o imposto, que finalmente foi cancelado devido \u00e0 rea\u00e7\u00e3o do movimento de massas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o <em>Militant<\/em>, preso em sua pr\u00f3pria armadilha de associar a crise do capitalismo com a \u201ctransforma\u00e7\u00e3o\u201d dos partidos reformistas, n\u00e3o percebeu que a luta contra o Poll Tax estava ultrapassando os muros da legalidade burguesa e amea\u00e7ava os dez anos de repress\u00e3o ao movimento de massas sob o comando de Thatcher. Assim, jogaram todas suas fichas exclusivamente na luta pelo fim do imposto, sem oferecer uma perspectiva estrat\u00e9gica de continuidade da luta contra o sistema capitalista, e n\u00e3o contra apenas um de seus males.<\/p>\n<p>O ato de Londres foi um marco dessa armadilha de manuten\u00e7\u00e3o da legalidade, que punha em jogo sua manuten\u00e7\u00e3o no LP. O <em>Militant<\/em> previa a presen\u00e7a de 20 mil pessoas no ato de Londres em seus documentos internos<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>, mas havia centenas de grupos independentes organizados pela juventude pobre dos bairros de periferia que foram ao ato conformando uma frente \u00fanica contra o Poll Tax, que passava por fora do controle do <em>Militant<\/em>. Esses grupos enfrentaram a repress\u00e3o policial, que tentava manter 250 mil pessoas em uma pra\u00e7a \u2013 Trafalgar Square \u2013 onde s\u00f3 cabiam 60 mil. A resist\u00eancia transformou o ato em uma rebeli\u00e3o, conhecida como a Batalha de Trafalgar, que resultou em mais de 500 presos e um n\u00famero n\u00e3o calculado de feridos, entre os quais 77 policiais.<\/p>\n<p>A resposta do <em>Militant <\/em>n\u00e3o poderia ser pior. Do microfone, Tommy Sheridam, o principal dirigente da campanha na Esc\u00f3cia, atacava os ativistas que lutavam contra a pol\u00edcia e a tropa de choque, reclamando que era um ato pac\u00edfico. No dia seguinte, Steve Nally, secret\u00e1rio da Federa\u00e7\u00e3o Nacional Contra o Poll Tax, afirmou em um programa de TV que iria \u201cfazer uma investiga\u00e7\u00e3o e dar os nomes\u201d dos supostos desordeiros. Ambos eram membros da dire\u00e7\u00e3o do <em>Militant<\/em>.<\/p>\n<p>Quando um partido coloca sua legalidade acima da luta de classes, chegando ao ponto de atacar e amea\u00e7ar denunciar os ativistas que lutavam contra a pol\u00edcia \u2013 em atitude de autodefesa \u2013 porque havia feito um acordo pr\u00e9vio com as autoridades de realizar um ato pac\u00edfico, s\u00f3 uma conclus\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Os anos de milit\u00e2ncia no Labour Party, e a elei\u00e7\u00e3o de Parlamentares e de Conselheiros em Liverpool, fizeram do <em>Militant<\/em> uma organiza\u00e7\u00e3o defensora e adaptada ao regime democr\u00e1tico burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a Batalha de Trafalgar, o <em>Militant<\/em>, j\u00e1 em crise, perdeu seu papel de dire\u00e7\u00e3o da campanha e esta ficou fragmentada, resultando no refluxo do movimento.<\/p>\n<p>Rob Sewell, um ardoroso defensor de Ted Grant e atual dirigente da TMI, fez um balan\u00e7o da ruptura do <em>Militant<\/em><a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>, onde afirma que a campanha contra o poll Tax foi uma grande vit\u00f3ria, mas \u201c<em>havia s\u00e9rios problemas come\u00e7ando a se desenvolver na tend\u00eancia. Nosso trabalho na campanha contra o Poll Tax punha uma enorme press\u00e3o sobre os camaradas, principalmente nas regionais, e a carga, que aumentava, caia sobre cada vez menos ombros. N\u00f3s est\u00e1vamos come\u00e7ando a ser v\u00edtimas das limita\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica de \u2018eixo \u00fanico\u2019 e o trabalho estava cada vez mais desequilibrado. Isto teve consequ\u00eancias muito negativas<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Isto \u00e9, o <em>Militant<\/em> caia v\u00edtima de uma pol\u00edtica economicista, cujo eixo \u00fanico era a luta contra o Poll Tax. Para Sewell, \u201c<em>era necess\u00e1rio explicar aos camaradas as limita\u00e7\u00f5es da campanha e a necessidade de uma perspectiva planejada de como a Tend\u00eancia iria se desenvolver, n\u00e3o apenas hoje, mas tamb\u00e9m amanh\u00e3 e depois de amanh\u00e3<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Sewell falha completamente ao procurar as causas desse problema. Sua \u00fanica resposta foi a necessidade de educa\u00e7\u00e3o te\u00f3rica dos novos quadros dirigentes. Mas a educa\u00e7\u00e3o te\u00f3rica n\u00e3o pode ser abstrata, principalmente em meio ao turbilh\u00e3o de uma campanha que arrastava o partido e exigia respostas pol\u00edticas e program\u00e1ticas para enfrentar os novos desafios.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de tentar entender os erros pol\u00edticos eventualmente cometidos por seu partido e as limita\u00e7\u00f5es impostas por sua estrat\u00e9gia de entrismo, para ent\u00e3o desenvolver um programa que superasse os erros e limita\u00e7\u00f5es, Sewell preferiu acusar alguns militantes de cair em uma embriaguez pelo sucesso alcan\u00e7ado: \u201c<em>O problema foi que nossas vit\u00f3rias na campanha contra o Poll Tax subiram \u00e0s cabe\u00e7as de alguns camaradas. Para usar uma frase de Stalin, eles ficaram \u2018tontos com o sucesso<\/em>\u2019\u201d.<\/p>\n<p>O principal alvo de suas cr\u00edticas foi Peter Taaffe, o secret\u00e1rio geral da organiza\u00e7\u00e3o e atualmente o principal dirigente do <em>Socialist Party<\/em> (se\u00e7\u00e3o do CIO na Inglaterra). Para Sewell, ele \u201c<em>ficou obcecado com sua pr\u00f3pria import\u00e2ncia. Ele at\u00e9 revelou privadamente que o destino da revolu\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica estava inteiramente sobre seus ombros!<\/em>\u201d Frases desse tipo s\u00e3o desenvolvidas em v\u00e1rios par\u00e1grafos, para explicar que a crise do <em>Militant<\/em> seria resultado de uma disputa pelo poder e n\u00e3o das enormes press\u00f5es sofridas \u2013 e das respostas pol\u00edticas erradas dadas contra essa press\u00e3o &#8211; por estarem fazendo entrismo em um partido reformista, capitulando \u00e0 sua dire\u00e7\u00e3o, em um momento em que ela e a grande maioria de sua bancada parlamentar eram contr\u00e1rias \u00e0 campanha contra o Poll Tax.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o pr\u00f3prio Rob Sewell admite que a \u00fanica estrat\u00e9gia de seu setor era se manter no LP, ao afirmar:<\/p>\n<p>\u201c<em>Isto alienou de forma crescente outros setores da esquerda e trabalhadores comuns fieis ao LP. Isto n\u00e3o era preocupante para o grupo ao redor de Peter Taaffe. <strong>Eles acreditavam seriamente que n\u00f3s poder\u00edamos de alguma forma ignorar o Labour Party<\/strong>. Que n\u00f3s poder\u00edamos fazer tudo isso por conta pr\u00f3pria<\/em>.\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p>Ante um processo intenso de mobiliza\u00e7\u00f5es que poderia levar \u00e0 derrubada de Thatcher pelo movimento de massas e abrir o caminho a uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria no pa\u00eds, a pol\u00edtica dos precursores da TMI era de n\u00e3o enfrentar a dire\u00e7\u00e3o do LP, enquanto esta trabalhava para derrotar a campanha. O governo conservador teve que ceder, mas nove meses depois a situa\u00e7\u00e3o foi canalizada para a via eleitoral com a ren\u00fancia de Thatcher, pressionada pelo seu pr\u00f3prio partido, em um processo que foi afinal controlado pela burguesia, com a colabora\u00e7\u00e3o plena do LP.<\/p>\n<p><strong>A TMI<\/strong><\/p>\n<p>O fim do <em>Militant <\/em>foi provocado pela derrota de sua pol\u00edtica frente \u00e0s oportunidades abertas pelo movimento de massas na campanha do Poll Tax. Ao negar seus erros e explicar tudo como uma disputa pessoal pelo poder no partido, que sem d\u00favida existiu, os dirigentes da minoria<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> basearam sua nova organiza\u00e7\u00e3o internacional, a Tend\u00eancia Marxista Internacional, nas mesmas concep\u00e7\u00f5es e, portanto, nos mesmos erros que levaram \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do <em>Militant<\/em>.<\/p>\n<p>No entanto, a maioria do\u00a0<em>Militant<\/em>\u00a0decidiu sair do Labour Party por quest\u00f5es t\u00e1ticas, sem mudar sua estrat\u00e9gia pol\u00edtica.\u00a0<strong>A se\u00e7\u00e3o brasileira do CIO, a LSR, por exemplo, est\u00e1 no PSOL h\u00e1 v\u00e1rios anos.\u00a0<\/strong>\u00a0Na Inglaterra, o <em>Socialist Party<\/em> (Partido Socialista), embora fora do Labour Party, afirma que o \u201ccaminho para o socialismo\u201d est\u00e1 aberto com a elei\u00e7\u00e3o do reformista Jeremy Corbyn para a lideran\u00e7a do LP. Sua estrat\u00e9gia \u00e9 apoiar os candidatos do LP nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es gerais, em 2020, ou em elei\u00e7\u00f5es antecipadas, para que Jeremy Corbyn se torne primeiro ministro. Um futuro artigo sobre a trajet\u00f3ria do CIO ser\u00e1 publicado no especial de comemora\u00e7\u00e3o dos 80 anos da IV Internacional.<\/p>\n<p>O programa da TMI<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>, escrito por Ted Grant em 2004, prop\u00f5e-se a seguinte pergunta: \u201c<em>Como ent\u00e3o a Internacional ser\u00e1 constru\u00edda?<\/em>\u201d<\/p>\n<p>\u201c<em>N\u00f3s dissemos muitas vezes que na Gr\u00e3-Bretanha o movimento somente ser\u00e1 constru\u00eddo com base na realidade. Isto se aplica com pelo menos a mesma for\u00e7a para a quest\u00e3o da Internacional.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>E continua explicando, em detalhes, como \u00e9 de seu feitio, o futuro da constru\u00e7\u00e3o da Internacional. Tomemos um par\u00e1grafo de seu longo texto:<\/p>\n<p>\u201c<em>Sob as marteladas da realidade, o desenvolvimento de agrupamentos centristas de massas nos partidos socialdemocratas e stalinistas \u00e9 inevit\u00e1vel. Rupturas de massas dessas correntes estar\u00e3o na ordem do dia nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas. Acontecimentos na R\u00fassia podem transformar a situa\u00e7\u00e3o internacionalmente. Similarmente, nos Estados Unidos e em outros pa\u00edses industriais do ocidente. O desenvolvimento dos agrupamentos centristas de massas com muitos trabalhadores procurando por uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria ser\u00e1 um <strong>meio favor\u00e1vel ou uma estufa para a recep\u00e7\u00e3o de ideias marxistas<\/strong>. N\u00f3s precisamos tentar e alcan\u00e7ar estas pessoas internacionalmente com as ideias e m\u00e9todos de Trotsky.<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/p>\n<p>O in\u00edcio deste texto afirma que muitos caracterizavam Ted Grant como objetivista. O par\u00e1grafo acima mostra por que. Ele \u00e9 uma repeti\u00e7\u00e3o de suas ideias sobre o desenvolvimento do Labour Party, <em>sob as marteladas da realidade<\/em>, agora elevadas \u00e0 escala internacional.<\/p>\n<p>A realidade vai se encarregar de tudo, inclusive da constru\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio. Suas marteladas v\u00e3o gerar as massas \u201cdesenvolvidas dentro dessas organiza\u00e7\u00f5es\u201d que acudir\u00e3o para o partido revolucion\u00e1rio para ouvir suas ideias marxistas. A tarefa do partido revolucion\u00e1rio \u00e9 \u201cadubar\u201d estas massas, como em uma estufa, esperando que elas cres\u00e7am. Mas, para cuidar da estufa, segundo Grant, \u00e9 preciso estar dentro das organiza\u00e7\u00f5es stalinistas e socialdemocratas, desenvolvendo boas rela\u00e7\u00f5es com estes traidores abjetos e comportando-se lealmente frente a todas as trai\u00e7\u00f5es que esses partidos cometem, para n\u00e3o correr o risco de ser expulsos.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que em situa\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias sempre h\u00e1 um desprendimento das massas de suas dire\u00e7\u00f5es tradicionais, pois sem isso nenhuma revolu\u00e7\u00e3o seria poss\u00edvel. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que \u00e9 preciso aproveitar as oportunidades que as marteladas da realidade nos oferecem. A quest\u00e3o, no entanto, \u00e9 com que pol\u00edtica nos aproximamos das massas, pois sem a den\u00fancia permanente \u2013 combinada com exig\u00eancias &#8211; das dire\u00e7\u00f5es reformistas \u00e9 imposs\u00edvel construir o partido revolucion\u00e1rio. Em geral, apenas uma minoria das massas est\u00e1 organizada nos partidos reformistas. Elas seguem sua pol\u00edtica pela influ\u00eancia que estas organiza\u00e7\u00f5es adquiriram, e votam nesses partidos, mas em geral est\u00e3o fora deles. Est\u00e3o em sindicatos, em associa\u00e7\u00f5es de bairros, em ocupa\u00e7\u00f5es de terras e de casas, etc. \u00c9 uma obriga\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio militar nessas organiza\u00e7\u00f5es de massas, para estar junto a elas e disput\u00e1-las permanentemente apresentando nossa pol\u00edtica revolucion\u00e1ria contra a pol\u00edtica dos dirigentes traidores. Mas n\u00e3o se pode confundir estas organiza\u00e7\u00f5es sindicais e democr\u00e1ticas de frente \u00fanica, onde diferentes correntes pol\u00edticas atuam, com os partidos reformistas, controlados com m\u00e3o de ferro pela burocracia sindical ou pela bancada parlamentar e, no caso de partidos nacionalistas de massas, pela burguesia. \u00c9 um crime pol\u00edtico n\u00e3o estar nas organiza\u00e7\u00f5es de massas de frente \u00fanica, mas \u00e9 uma quest\u00e3o t\u00e1tica, e sempre de curta dura\u00e7\u00e3o, como nos ensinaram Lenin e Trotsky, entrar em partidos reformistas para ganhar uma parte de sua vanguarda mais ativa.<\/p>\n<p>Mas qualquer t\u00e1tica de entrismo s\u00f3 pode ser vitoriosa a partir da exist\u00eancia de um partido revolucion\u00e1rio consolidado, mesmo que pequeno, com total independ\u00eancia e conspirativo. O entrismo \u00e9 uma conspira\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios contra a dire\u00e7\u00e3o dos partidos reformistas, visando tirar deles seu setor mais avan\u00e7ado e destru\u00ed-los. N\u00e3o \u00e9 um acordo de cavalheiros de conviv\u00eancia pac\u00edfica no interior do partido reformista.<\/p>\n<p>A TMI faz o contr\u00e1rio disto. E, para justificar sua posi\u00e7\u00e3o, afirmam<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a> que Lenin aconselhou os comunistas ingleses a entrarem no Labour Party. O que n\u00e3o \u00e9 dito \u00e9 que aquele conselho era para um curto per\u00edodo durante as elei\u00e7\u00f5es gerais na Inglaterra em 1920. E, acima de tudo, que havia uma condi\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio da qual Lenin n\u00e3o abria m\u00e3o: \u201c<em>O Partido Comunista s\u00f3 pode afiliar-se ao LP sob a condi\u00e7\u00e3o de manter toda sua liberdade de criticar aquele partido e de conduzir sua pr\u00f3pria propaganda<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>.<\/p>\n<p>Quanto a isso, Lenin \u00e9 enf\u00e1tico:<\/p>\n<p>\u201c<em>Deve-se levar em conta que o LP ingl\u00eas est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o especial: \u00e9 um tipo de partido bem original ou, pelo menos, n\u00e3o \u00e9 um partido no sentido comum do termo. \u00c9 composto pelos membros de todos os sindicatos, com quatro milh\u00f5es de filiados, e permite uma liberdade relativa a todos os partidos pol\u00edticos afiliados. Inclui, ent\u00e3o, a imensa maioria dos trabalhadores ingleses que seguem a dire\u00e7\u00e3o dos piores elementos burgueses, os social-traidores, que s\u00e3o ainda piores que Scheidemann, Noske e gente desse tipo. Ao mesmo tempo, no entanto, o LP permite que o Partido Socialista brit\u00e2nico fique em suas fileiras, tenha seus pr\u00f3prios jornais, nos quais membros do pr\u00f3prio LP podem livremente e abertamente declarar que os l\u00edderes do partido s\u00e3o social-traidores<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/p>\n<p>Mas a TMI lembrou-se apenas do conselho de entrar no LP, e de forma permanente&#8230;<\/p>\n<p><strong>O confronto da TMI com a realidade<\/strong><\/p>\n<p>No par\u00e1grafo citado acima, Ted Grant afirma que \u201crupturas de massas dessas correntes [stalinistas e socialdemocratas] estar\u00e3o na ordem do dia nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas. Acontecimentos na R\u00fassia podem transformar a situa\u00e7\u00e3o internacionalmente\u201d.<\/p>\n<p>Apesar da data de publica\u00e7\u00e3o do texto na internet ser de 2004, fica claro que foi escrito \u2013 ao menos esta parte \u2013 antes dos grandes acontecimentos sintetizados pela derrubada do Muro de Berlim em 1989. Isto \u00e9, antes dos processos revolucion\u00e1rios que se deram ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o capitalista da ex-URSS e do Leste Europeu, que culminaram com a dos governos dos partidos comunistas que estiveram \u00e0 frente destas restaura\u00e7\u00f5es e com o fim do stalinismo como aparato contrarrevolucion\u00e1rio mundial centralizado pelo Kremlin.<\/p>\n<p>Os acontecimentos na R\u00fassia realmente transformaram a situa\u00e7\u00e3o internacionalmente. Ocorreu uma ruptura espetacular das massas com o aparato stalinista. Os partidos comunistas europeus foram praticamente varridos do mapa pol\u00edtico. Alguns deixaram de existir, como o PC italiano, o maior partido comunista da Europa ocidental.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, n\u00e3o se desenvolveram \u201cagrupamentos centristas de massas\u201d a partir da destrui\u00e7\u00e3o dos partidos comunistas. As massas oper\u00e1rias lutaram como nunca, mas a crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria cobrou seu pre\u00e7o. Foram lutas descoordenadas, sem uma dire\u00e7\u00e3o que pudesse centralizar os milh\u00f5es de trabalhadores que rompiam politicamente com o stalinismo. A falta de uma Internacional, da IV Internacional reconstru\u00edda como continuidade da III Internacional, foi fatal do ponto de vista de reorganiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria das massas. Mas estas n\u00e3o tinham mais um aparato mundial contrarrevolucion\u00e1rio que, em nome da conviv\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo, tra\u00edsse e derrotasse suas lutas.<\/p>\n<p>Ao adotar a estrat\u00e9gia de acompanhar as dire\u00e7\u00f5es reformistas, a TMI foi parte daqueles que, embora se reivindicassem trotskistas, contribu\u00edram (como o SU) para que n\u00e3o houvesse uma IV Internacional e nem partidos revolucion\u00e1rios com uma for\u00e7a maior para poder intervir nesses processos e aproveitar a colossal crise do stalinismo e da socialdemocracia.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f4mica mundial iniciada em 2008 mostrou isso com clareza. Surgiram processos revolucion\u00e1rios em v\u00e1rias partes do mundo, al\u00e9m de mobiliza\u00e7\u00f5es de massas contra a guerra social promovida pelo capitalismo contra a classe trabalhadora. Neste processo, as massas europeias tamb\u00e9m se desprenderam das organiza\u00e7\u00f5es socialdemocratas, mas n\u00e3o na forma de agrupamentos centristas de massas oriundos da transforma\u00e7\u00e3o das velhas organiza\u00e7\u00f5es reformistas.<\/p>\n<p>Existem hoje mais e melhores condi\u00e7\u00f5es de construir o partido mundial da revolu\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o dentro das organiza\u00e7\u00f5es reformistas tradicionais, que s\u00e3o cascas vazias de conte\u00fado. Tampouco dentro dos partidos neorreformistas, que surgiram no v\u00e1cuo deixado pelo fim do poderio eleitoral da socialdemocracia. O neorreformismo n\u00e3o surgiu como corrente centrista de trabalhadores sa\u00eddos dos aparatos reformistas, mas sim como novos aparatos eleitorais reformistas, sem base oper\u00e1ria, defensores do capitalismo e da Uni\u00e3o Europeia, que rapidamente perdem o prest\u00edgio adquirido perante as massas por suas trai\u00e7\u00f5es descaradas quando s\u00e3o eleitos. O exemplo mais acabado \u00e9 o Syriza, mas todo o \u201cPartido da Esquerda Europeia\u201d, esta reuni\u00e3o de pequenos aparatos neorreformistas europeus, segue pelo mesmo caminho. Basta ver o que faz o Bloco de Esquerda de Portugal, com seu apoio ao governo da \u201cGeringon\u00e7a\u201d que, segundo uma deputada do Bloco, \u00e9 geringon\u00e7a, mas funciona&#8230;<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o terem surgido correntes centristas de massas trabalhadoras em nenhum desses processos recentes, os partidos da TMI mant\u00eam, no entanto, a mesma pol\u00edtica de entrismo permanente nas organiza\u00e7\u00f5es reformistas esperando pelas marteladas da realidade. Cabe lembrar, mais uma vez, que o entrismo, como t\u00e1tica de curta dura\u00e7\u00e3o, continua inteiramente v\u00e1lido, mas com a condi\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel de que existam setores centristas girando \u00e0 esquerda nas organiza\u00e7\u00f5es reformistas.<\/p>\n<p><strong>As se\u00e7\u00f5es da TMI<\/strong><\/p>\n<p>Uma breve pesquisa na internet<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> revela este fato. Entre as 34 organiza\u00e7\u00f5es declaradas como se\u00e7\u00f5es da TMI, vinte fazem entrismo em algum partido de massas. Entre estes, chamam a aten\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina o MAS boliviano, a FMLN de El Salvador, o PSUV venezuelano. No Brasil, sua pequena se\u00e7\u00e3o ficou anos no PT e recentemente passou a fazer parte do PSOL, um partido eleitoral neorreformista.<\/p>\n<p>Isto \u00e9, na Am\u00e9rica Latina a TMI estava, no caso do Brasil, e continua, nos outros casos, militando em partidos atualmente no poder. O MAS, com Evo Morales, na Bol\u00edvia; a FMLN, com Salvador S\u00e1nchez Cer\u00e9n, em El Salvador; o PSUV, com Maduro, na Venezuela. Todos eles aplicam os planos neoliberais e pol\u00edticas antioper\u00e1rias receitados pelo imperialismo atrav\u00e9s de suas ag\u00eancias, como o Banco Mundial, o FMI e a ONU, para fazer com que os trabalhadores paguem pela crise econ\u00f4mica que atravessa o mundo. E a TMI comporta-se como um aliado fiel, dando conselhos sobre como estes governos burgueses poderiam adotar pol\u00edticas \u201csocialistas\u201d, como \u00e9 o caso da Venezuela. Ou seja, repete a pol\u00edtica traidora de Milerrand na Fran\u00e7a em 1899, dos socialdemocratas desde a I Guerra Mundial e dos stalinistas p\u00f3s 1935 com a orienta\u00e7\u00e3o da <em>Frente Popular<\/em>.<\/p>\n<p>O entrismo em partidos nacionalistas ou populistas burgueses torna-se, em alguns pa\u00edses, uma pol\u00edtica delirante. No Canad\u00e1, a se\u00e7\u00e3o da TMI faz entrismo no <em>New Democratic Party<\/em> (Novo Partido Democr\u00e1tico), um partido pr\u00f3-imperialista que j\u00e1 apoiou o primeiro ministro Pierre Trudeau (pai do atual primeiro ministro). No Paquist\u00e3o, militava no Partido Popular do Paquist\u00e3o (PPP), comandado pela fam\u00edlia Bhutto, at\u00e9 que perdeu a maioria de sua se\u00e7\u00e3o em 2015. Mas no Paquist\u00e3o essa pol\u00edtica teve consequ\u00eancia pr\u00e1ticas bem mais graves.<\/p>\n<p>Em 2007, no Paquist\u00e3o, a TMI n\u00e3o apoiou a luta pela derrubada da ditadura de Pervez Musharraf, que havia dado um golpe em 1999, e pretendia continuar no poder contando com a anu\u00eancia da Suprema Corte. Em 9 de mar\u00e7o de 2007, Musharraf removeu o Chefe de Justi\u00e7a Muhammad Chaudhry, sob a alega\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o, para garantir sua continuidade. Isso levou a um movimento de advogados, que lan\u00e7aram uma campanha chamada Ativismo Judicial pela manuten\u00e7\u00e3o do Chefe de Justi\u00e7a. Mas o movimento logo ultrapassou o objetivo inicial e enormes manifesta\u00e7\u00f5es contra o ditador estenderam-se pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>No entanto, a TMI, atrav\u00e9s de Alan Woods, argumentou que o movimento estava sem dire\u00e7\u00e3o, pois os advogados eram parte da classe m\u00e9dia, e criticou os partidos de oposi\u00e7\u00e3o burguesa por afirmarem que, se o ditador n\u00e3o renunciasse, ele seria derrubado do poder. Segundo Woods estas eram apenas palavras ao vento e o movimento iria acabar em um beco sem sa\u00edda.<\/p>\n<p>Ao criticar a dire\u00e7\u00e3o da campanha sem enxergar a din\u00e2mica que o movimento estava adquirindo, Woods capitulou completamente a esta dire\u00e7\u00e3o e, em vez de apesentar um programa dirigido aos trabalhadores para super\u00e1-la e colocar o movimento sob a dire\u00e7\u00e3o da classe, defendeu generalidades como a necessidade do socialismo e da nacionaliza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria sem lig\u00e1-las \u00e0 situa\u00e7\u00e3o concreta. Para a TMI, o movimento dos advogados, sem os trabalhadores, estava fadado ao fracasso, mas nada fez para levar aquele movimento muito progressista de derrubada da ditadura \u00e0 vit\u00f3ria. Ao contr\u00e1rio, sua pol\u00edtica apontava para a derrota.<\/p>\n<p>A se\u00e7\u00e3o paquistanesa da TMI, que fazia entrismo h\u00e1 v\u00e1rios anos no PPP, dizia que o desfecho do movimento poderia ser a vit\u00f3ria eleitoral daquele partido burgu\u00eas e caracterizava isso como positivo, pois iria aprofundar a crise e levar \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o. Para a TMI, a canaliza\u00e7\u00e3o de um movimento pela derrubada da ditadura para a via morta da democracia burguesa era uma grande vit\u00f3ria. A adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa n\u00e3o se restringia \u00e0 Inglaterra, j\u00e1 havia se estendido a todas as se\u00e7\u00f5es daquela corrente. Em fevereiro de 2008 ocorreram elei\u00e7\u00f5es gerais que resultaram, de fato, na vit\u00f3ria do PPP, apenas para que este se tornasse o novo algoz do povo paquistan\u00eas.<\/p>\n<p><strong>O abandono da defesa da ditadura do proletariado<\/strong><\/p>\n<p>O caso de entrismo no PSUV da Venezuela \u00e9 emblem\u00e1tico, pois a TMI, atrav\u00e9s de Alan Woods \u2013 hoje seu principal dirigente \u2013, alcan\u00e7ou um papel pol\u00edtico importante de \u201cconselheiro informal\u201d de Ch\u00e1vez e \u00e9 uma das maiores defensoras do \u201csocialismo do s\u00e9culo 21\u201d. Em seu \u00faltimo documento mundial<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> a TMI afirma que n\u00e3o pode \u201c<em>apoiar as pol\u00edticas do governo [Maduro], que levam diretamente ao desastre e \u00e0 derrota da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana<\/em>\u201d. Esta declara\u00e7\u00e3o contra a pol\u00edtica de Maduro se d\u00e1 no marco de manter o regime bolivariano inaugurado por Ch\u00e1vez, isto \u00e9, de manter um regime burgu\u00eas. Al\u00e9m disso, embora diga n\u00e3o concordar com a pol\u00edtica desenvolvida por Maduro, <strong>apoiou a repress\u00e3o ao povo venezuelano sob o pretexto de luta contra a oposi\u00e7\u00e3o burguesa<\/strong>.\u00a0 Tanto \u00e9 assim que, em seguida, joga suas esperan\u00e7as em Eduardo Saman, \u201c<em>um ex-ministro que se mostrou um grande defensor do controle oper\u00e1rio e oponente do grande capital e das multinacionais<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Em poucas linhas, Woods comete um enorme n\u00famero de erros graves. Mesmo nos tempos do \u201cgoverno revolucion\u00e1rio\u201d de Ch\u00e1vez nunca houve controle oper\u00e1rio, mas sim controle da burocracia sindical chavista sobre os oper\u00e1rios que, de alguma forma, resistiam \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es do governo. Por exemplo, h\u00e1 v\u00e1rios anos n\u00e3o h\u00e1 elei\u00e7\u00f5es sindicais no sindicato dos trabalhadores da PDVSA, a estatal de petr\u00f3leo da Venezuela, pois a burocracia chavista corre o risco de perder. O mesmo acontece na empresa metal\u00fargica estatizada Sidor. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 controle oper\u00e1rio sem a auto-organiza\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios em seus conselhos, constru\u00eddos por eles pr\u00f3prios, e n\u00e3o outorgados pelo ministro de um estado capitalista.<\/p>\n<p>Por fim, \u00e9 necess\u00e1rio questionar o que a TMI entende por revolu\u00e7\u00e3o, quando fala da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana. Em um longo artigo<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>, Alan Woods afirma que \u201c<em>uma transforma\u00e7\u00e3o pac\u00edfica da sociedade seria inteiramente poss\u00edvel <strong>se os dirigentes reformistas e sindicais usassem o poder colossal em suas m\u00e3os para mudar a sociedade<\/strong>&#8230; N\u00f3s nunca negamos a possibilidade de viol\u00eancia e guerra civil certa condi\u00e7\u00f5es&#8230; N\u00f3s deixamos bem claro que somos favor\u00e1veis a uma transforma\u00e7\u00e3o pac\u00edfica da sociedade, que estamos prontos para lutar por tal transforma\u00e7\u00e3o, mas, ao mesmo tempo, n\u00f3s avisamos que a classe dominante ir\u00e1 lutar para defender seu poder e privil\u00e9gios<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Convenhamos que esta \u00e9 uma forma bastante amb\u00edgua de defender a necessidade de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista, ou uma transforma\u00e7\u00e3o da sociedade, como dizem. Em primeiro lugar porque o reformismo e a burocracia sindical nunca v\u00e3o usar o poder que t\u00eam nas m\u00e3os para dirigir uma revolu\u00e7\u00e3o. O contr\u00e1rio \u00e9 verdadeiro: v\u00e3o usar este poder para desviar \u2013 ou esmagar, se necess\u00e1rio, como na revolu\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de 1918 \u2013 qualquer a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da classe oper\u00e1ria e seus aliados<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. O \u201creformismo do s\u00e9culo 21\u201d \u00e9, como foi no s\u00e9culo passado, contrarrevolucion\u00e1rio. Jogar ilus\u00f5es em reformistas e na burocracia sindical usando um \u201cse\u201d n\u00e3o \u00e9 uma atitude marxista. Em segundo lugar, se a burguesia ir\u00e1 \u201clutar\u201d \u2013 uma maneira muito suave para designar a guerra civil que a burguesia \u00e9 capaz de fazer &#8211; por seu poder, porque colocar esta quest\u00e3o de uma forma condicional?<\/p>\n<p>Alan Woods cita Marx, Engels, Lenin, Trotsky para defender sua tese de revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica. Lenin aventou a possibilidade, por um per\u00edodo curt\u00edssimo, entre fevereiro e julho de 1917, da transfer\u00eancia do poder do governo provis\u00f3rio aos sovietes. Mas se tratava exatamente disso: transfer\u00eancia do poder, n\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sobre essas possibilidades t\u00e1ticas que a luta de classes ofereceu e sempre vai oferecer aos revolucion\u00e1rios, mas de abordagem te\u00f3rica do problema. Assim, os mesmos que Woods clama para defend\u00ea-lo sempre analisaram teoricamente a revolu\u00e7\u00e3o como um epis\u00f3dio violento, pois nenhuma classe social abandona seu poder sem uma resist\u00eancia feroz. E, em todas as revolu\u00e7\u00f5es reais que aconteceram \u2013 n\u00e3o as imaginadas pela TMI \u2013 a viol\u00eancia sempre esteve presente, tanto do lado revolucion\u00e1rio quanto do contrarrevolucion\u00e1rio. Como dizia Engels:<\/p>\n<p>\u201c<em>Esses cavalheiros j\u00e1 viram uma revolu\u00e7\u00e3o na vida? Uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 certamente a coisa mais autorit\u00e1ria que existe; \u00e9 o ato pelo qual uma parte da popula\u00e7\u00e3o imp\u00f5e sua vontade sobre a outra parte por meio de rifles, baionetas e canh\u00f5es \u2013 meios autorit\u00e1rios, como nenhum outro; e se o lado vitorioso n\u00e3o quiser ter lutado em v\u00e3o, precisa manter esta regra por meio do terror que suas armas inspiram nos reacion\u00e1rios.<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a><\/p>\n<p>Voltando \u00e0 Venezuela, podemos entender que, quando Woods afirma que \u201c<em>&#8230;Ch\u00e1vez, de maneira confusa, buscava e era empurrado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a> ele est\u00e1 se referindo \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o pac\u00edfica da sociedade em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo. Como isso se daria?<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 necess\u00e1rio aprofundar um pouco mais este racioc\u00ednio de transforma\u00e7\u00e3o pac\u00edfica da sociedade, pelo menos para entender do se trata este tipo de transforma\u00e7\u00e3o. Em seu texto <em>Para Onde Vai a Revolu\u00e7\u00e3o Venezuelana<\/em><a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a> Woods afirma que \u00e9 necess\u00e1rio nacionalizar as grandes empresas, os bancos e os latifundi\u00e1rios para aprofundar a revolu\u00e7\u00e3o e iguala as nacionaliza\u00e7\u00f5es \u00e0 \u201c<em>democracia do povo trabalhador, baseada na propriedade coletiva da terra, dos bancos e da ind\u00fastria<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Isto \u00e9, a transfer\u00eancia da propriedade burguesa para as m\u00e3os do estado burgu\u00eas (as nacionaliza\u00e7\u00f5es) \u00e9 identificada, do ponto de vista econ\u00f4mico, com um sistema socialista (propriedade coletiva dos meios de produ\u00e7\u00e3o). Esta interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 corroborada pelo historiador Robert J. Alexander, quando comenta sobre o <em>Militant<\/em>. Segundo ele, \u201c<em>eles confiam em que, uma vez que todos os meios de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o sejam nacionalizados, n\u00e3o haveria mais o risco de que partidos como os Tories <\/em>[o Partido Conservador da Inglaterra]<em> sejam capazes de convencer os trabalhadores que o capitalismo deveria ser reestabelecido<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a>.<\/p>\n<p>Se o capitalismo n\u00e3o pode ser reestabelecido por causa da nacionaliza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a Gr\u00e3-Bretanha, no caso, j\u00e1 estaria em um sistema socialista, mas em um Estado capitalista!<\/p>\n<p>S\u00f3 h\u00e1 uma conclus\u00e3o poss\u00edvel. \u00c9 poss\u00edvel chegar ao socialismo pela via pac\u00edfica atrav\u00e9s da nacionaliza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o, sem que seja necess\u00e1ria uma revolu\u00e7\u00e3o social que exproprie a burguesia e sem destruir o estado capitalista. Tudo isso de maneira democr\u00e1tica e, quem sabe, atrav\u00e9s de elei\u00e7\u00f5es, como na Gr\u00e3-Bretanha, quando o Labour Party for \u201ctransformado\u201d e sua ala esquerda estiver no comando. Para a TMI, esta hora j\u00e1 tem data marcada. Afinal, a \u201crevolu\u00e7\u00e3o de Jeremy Corbyn\u201d, o atual l\u00edder do LP e tido como socialista, est\u00e1 a todo vapor e em 2020 haver\u00e1 elei\u00e7\u00f5es gerais no pa\u00eds&#8230;<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds como a Venezuela, que tinha \u00e0 sua frente um socialista confuso, mas revolucion\u00e1rio, bastava dar-lhe bons conselhos sobre a nacionaliza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, dos bancos e da terra para aprofundar a revolu\u00e7\u00e3o e, assim, chegar ao socialismo. Maduro estragou esta utopia, mas \u00e9 poss\u00edvel voltar \u00e0s origens do chavismo apoiando Eduardo Saman.<\/p>\n<p>Como vemos, este \u00e9 um abandono total da teoria marxista de Estado, embora a TMI nunca admita esse abandono. No entanto, ela \u00e9 franca em rela\u00e7\u00e3o a mudar a teoria.<\/p>\n<p>No texto <em>O Papel do Estado e a Socialdemocracia<\/em>, escrito para prefaciar uma edi\u00e7\u00e3o do <em>Estado e Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, de Lenin, Alan Woods afirma que:<\/p>\n<p>\u201c<em>Ao descrever o estado transicional entre capitalismo e socialismo, Marx falou da \u2018ditadura do proletariado\u2019. Este termo leva a uma grande confus\u00e3o. Hoje em dia, a palavra ditadura tem uma conota\u00e7\u00e3o desconhecida para Marx&#8230; Para Marx, a palavra ditadura veio da rep\u00fablica romana, onde significava uma situa\u00e7\u00e3o que, em tempo de guerra, as regras normais eram deixadas de lado por um per\u00edodo tempor\u00e1rio. A ideia de uma ditadura totalit\u00e1ria como a de Stalin na R\u00fassia, onde o estado oprimia a classe oper\u00e1ria para defender os interesses de uma casta privilegiada de burocratas, teria horrorizado Marx. Na realidade, a \u2018ditadura do proletariado\u2019 de Marx \u00e9 meramente outro termo para o dom\u00ednio pol\u00edtico da classe oper\u00e1ria ou uma democracia oper\u00e1ria<\/em>.\u201d<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\"><em><strong>[28]<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n<p>Alan Woods precisa realizar um jogo de palavras para renegar, de forma elegante, a ditadura do proletariado. \u00c9 evidente que Marx n\u00e3o poderia imaginar que um estado oper\u00e1rio (uma ditadura do proletariado), como a R\u00fassia sob o comando de Stalin, poderia degenerar a ponto de se transformar em um estado totalit\u00e1rio e que teria se oposto a tal monstruosidade. Mas n\u00e3o era a isso que Marx, quando analisou a Comuna de Paris, Engels, em v\u00e1rios de seus escritos, e Lenin em o <em>Estado e Revolu\u00e7\u00e3o<\/em> se referiam. Eles defendiam o estabelecimento de uma <strong>ditadura do proletariado<\/strong>, nos moldes da Comuna de Paris (Lenin falava de um estado-comuna) contra a <strong>ditadura da burguesia<\/strong>, cuja conota\u00e7\u00e3o Marx conhecia muito bem. O problema de Alan Woods \u00e9 que a ditadura do proletariado s\u00f3 pode ser instalada ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o do estado burgu\u00eas atrav\u00e9s de uma revolu\u00e7\u00e3o violenta<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a>.<\/p>\n<p>E defendiam a democracia oper\u00e1ria, mas sem nenhuma democracia para a burguesia. A ditadura do proletariado \u00e9 um estado mil vezes mais democr\u00e1tico do que a mais democr\u00e1tica das democracias eleitorais burguesas, porque \u00e9 a democracia da enorme maioria da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora contra a enorme minoria da ex-classe dominante. Parafraseando Marx, s\u00f3 come quem trabalha. A ditadura do proletariado \u00e9 uma for\u00e7a armada da maioria da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora para esmagar a rea\u00e7\u00e3o burguesa. Mas ditadura do proletariado e democracia oper\u00e1ria n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos, como Alan Woods quer nos fazer crer.<\/p>\n<p>Se Marx, Engels e Lenin n\u00e3o viveram o per\u00edodo da degenera\u00e7\u00e3o do estado oper\u00e1rio pela burocracia stalinista, Trotsky viveu. Mas a conclus\u00e3o \u00e0 qual chegou \u00e9 oposta \u00e0 da TMI. Ele n\u00e3o jogou o beb\u00ea junto com a \u00e1gua do banho. Trotsky defendeu at\u00e9 sua morte \u2013 violenta \u2013 a ditadura do proletariado, mesmo vendo toda sua fam\u00edlia e companheiros da Oposi\u00e7\u00e3o e Esquerda assassinados pelos agentes de Stalin. Trotsky, como tamb\u00e9m Marx ou Engels, n\u00e3o ficavam horrorizados com a viol\u00eancia. Contra o Estado oper\u00e1rio degenerado, ele defendia uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para derrubar sua superestrutura burocr\u00e1tica e substitui-la por uma superestrutura baseada nos sovietes regenerados ap\u00f3s a expuls\u00e3o da burocracia.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O abandono da defesa da ditadura do proletariado tem uma import\u00e2ncia concreta para os partidos marxistas revolucion\u00e1rios. N\u00e3o se trata de uma discuss\u00e3o acad\u00eamica, mas da pr\u00f3pria natureza de tais organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A primeira li\u00e7\u00e3o do materialismo hist\u00f3rico \u00e9 que as marteladas da realidade \u2013 para usar uma express\u00e3o de Ted Grant &#8211; transformam a consci\u00eancia, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. A segunda \u00e9 que essas transforma\u00e7\u00f5es acontecem atrav\u00e9s do tempo, isto \u00e9, s\u00e3o uma fun\u00e7\u00e3o da atividade concreta do partido, ou do indiv\u00edduo, na luta de classes.<\/p>\n<p>E, como essas transforma\u00e7\u00f5es s\u00e3o objetivas, isto \u00e9, independem da vontade do sujeito envolvido, n\u00e3o importa o grau de conhecimento marxista que esse sujeito, individual ou coletivo, tenha. Isso n\u00e3o quer dizer que o conhecimento marxista seja in\u00fatil no confronto com a realidade. Ao contr\u00e1rio, ele \u00e9 fundamental para sua transforma\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 o conhecimento em si que a transforma, mas sim sua aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica atrav\u00e9s da classe social objetivamente revolucion\u00e1ria, o proletariado, e de seu setor conscientemente revolucion\u00e1rio, o partido marxista.<\/p>\n<p>\u00c9 a pr\u00e1tica pol\u00edtica de adapta\u00e7\u00e3o aos aparatos reformistas e \u00e0 democracia burguesa que leva a TMI ao abandono da defesa da ditadura do proletariado. O conhecimento, agora dubiamente marxista, s\u00f3 serve para justificar este abandono.<\/p>\n<p>Tomemos como exemplo o Secretariado Unificado da IV Internacional (SU), que sempre foi alvo de uma cr\u00edtica avassaladora por parte de Ted Grant.<\/p>\n<p>Tanto o SU quanto a TMI t\u00eam como concep\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria o entrismo <em>sui generis<\/em> pablista. O SU com seu entrismo profundo nos partidos stalinistas europeus. A TMI com o entrismo permanente em partidos reformistas de massas, como o Labour Party ingl\u00eas. Sejamos justos, a TMI foi muito mais coerente no decorrer dos anos, enquanto o SU viveu de ziguezagues, pressionado pelo impressionismo pequeno-burgu\u00eas de Mandel.<\/p>\n<p>No fim da d\u00e9cada de 70 o SU come\u00e7ou sua adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa, ao capitular ao eurocomunismo<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a>, isto \u00e9, aos partidos stalinistas europeus j\u00e1 completamente integrados aos processos eleitorais e com bancadas enormes nos parlamentos europeus. Por\u00e9m, ainda defendia a ditadura do proletariado, embora com uma vis\u00e3o \u201cpacifista\u201d, enxergando apenas as virtudes da democracia oper\u00e1ria e esquecendo-se da necessidade de implantar \u201co terror que as armas inspiram nos reacion\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o fim do stalinismo como aparato mundial da contrarrevolu\u00e7\u00e3o, simbolizado pela queda do Muro de Berlim, o SU come\u00e7a a se dedicar a construir os partidos anticapitalistas, esta reuni\u00e3o de revolucion\u00e1rios e reformistas \u201chonestos\u201d. Come\u00e7am a militar e a se dissolver nesses partidos, como o NPA franc\u00eas, o Bloco de Esquerda de Portugal, o Podemos da Espanha, o Die Linke alem\u00e3o. Na Gr\u00e9cia, embora sua se\u00e7\u00e3o se recusasse a entrar no Syriza, a dire\u00e7\u00e3o do SU apoiou o DEA, que fazia entrismo no Syriza.<\/p>\n<p>Em 2006, seu principal dirigente, Daniel Bensa\u00efd escreveu:<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o do governo dos trabalhadores inevitavelmente nos trouxe de volta a quest\u00e3o da ditadura do proletariado. Uma confer\u00eancia da LCR decidiu por uma maioria de mais de dois ter\u00e7os remover a men\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura do proletariado de seus estatutos. Isso foi correto. Hoje, o termo ditadura lembra muito mais as ditaduras militares ou burocr\u00e1ticas do s\u00e9culo XX do que a vener\u00e1vel institui\u00e7\u00e3o romana de poderes tempor\u00e1rios de emerg\u00eancia devidamente mandatada pelo Senado. Como Marx viu a Comuna de Paris como \u2018a forma pol\u00edtica finalmente descoberta\u2019 da ditadura do proletariado, ser\u00edamos melhor compreendidos se invoc\u00e1ssemos a Comuna, os Sovietes, conselhos ou autogest\u00e3o, em vez de nos agarrarmos a um fetiche verbal que a hist\u00f3ria tornou uma fonte de confus\u00e3o.\u201d<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a><\/p>\n<p>A semelhan\u00e7a com a justificativa de Alan Woods \u00e9 total. Bensa\u00efd tamb\u00e9m recorre a um jogo de palavras para se desfazer da ditadura do proletariado. N\u00e3o se trata da forma com que vamos denomin\u00e1-la em nossos textos. Podemos utilizar o termo governo dos Sovietes, governo dos trabalhadores, conselhos populares em nossos textos p\u00fablicos, mas para explicar o conte\u00fado do conceito ditadura do proletariado, n\u00e3o para remov\u00ea-la de nossos estatutos e programas.<\/p>\n<p>Como vemos, a trajet\u00f3ria do SU de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa levou-o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de partidos neorreformistas e ao abandono da ditadura do proletariado. As se\u00e7\u00f5es da TMI militam nesses mesmos partidos. No Podemos, no Die Linke, no Syriza (at\u00e9 a trai\u00e7\u00e3o de Tsipras, e com o rompimento da se\u00e7\u00e3o), no <em>La France Insoumise<\/em>, de Melench\u00f3n, onde um setor do SU que rompeu com o NPA tamb\u00e9m milita, etc.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o \u00e9 surpresa que estas duas correntes, com concep\u00e7\u00f5es pol\u00edticas t\u00e3o diferentes, mas com pr\u00e1ticas t\u00e3o parecidas, abandonem a defesa da ditadura do proletariado. E, como dissemos no in\u00edcio, isso tem consequ\u00eancias concretas. Tal como o SU, a TMI hoje \u00e9 uma corrente totalmente adaptada \u00e0 democracia burguesa e de pr\u00e1ticas reformistas.<\/p>\n<p>Como dizia Trotsky, \u201cao abandonar a ideia de uma ditadura do proletariado, Kautsky transforma a quest\u00e3o da conquista do poder pelo proletariado em uma quest\u00e3o de ganhar a maioria de votos pelo partido socialdemocrata em uma das campanhas eleitorais do futuro\u201d<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a>. \u00c9 exatamente esta a concep\u00e7\u00e3o de conquista do poder da TMI atualmente, como pudemos ver no caso da Gr\u00e3-Bretanha, com Corbyn, e da Venezuela, com Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>A LIT-QI, ao contr\u00e1rio, continua acreditando que \u201co homem que repudia a ditadura do proletariado repudia a revolu\u00e7\u00e3o socialista, e cava a sepultura do socialismo\u201d<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Segundo Bill Hunter, em <em>Lifelong Apprenticeship<\/em>, ele foi expulso pelo seu n\u00facleo por inatividade. A dire\u00e7\u00e3o nacional do RCP revogou a expuls\u00e3o, mas ele nunca voltaria ao partido.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ver Jos\u00e9 Welmowicki, <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/especiais\/80-anos-da-quarta\/a-luta-pela-reconstrucao-da-iv-internacional-e-o-papel-do-su-parte-i\/\"><em>A Luta pela reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional e o Papel do SU \u2013 Parte 1<\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Bill Hunter, Lifelong Apprenticeship, Porcupine Press, pag, 322<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Idem, pag. 321<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Ocorreu uma ruptura na RSL neste per\u00edodo, que seria a predecessora do IMG, se\u00e7\u00e3o do SU na Inglaterra.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Robert J. Alexander, <em>International Trotskyism, 1929-1985<\/em>, Duke University Press, p. 489<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Segundo Jon Nordheimer, jornalista do <em>New York<\/em><em> Times<\/em>. O conselheiro municipal \u00e9 similar a um vereador, mas, nas cidades onde n\u00e3o h\u00e1 a figura do prefeito (a maioria das cidades menores), o Conselho Municipal assume as fun\u00e7\u00f5es executivas. Era o caso de Liverpool na \u00e9poca.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Bill Hunter, <em>1985:<\/em> <em>The Chickens Came Home to Roost<\/em>, The Workers Press, 6 de setembro de 1986, p. 5.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Conforme John Callaghan, <em>British <\/em>Trotskyism; <em>Theory and Practice, <\/em>Basil Blackwell, London, 1984, page 185<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Rob Sewell, <a href=\"http:\/\/www.marxist.com\/militant-built-destroyed101004.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>How The militant Was Built \u2013 And How It Was Destroyed<\/em><\/a>, acessado em 27\/06\/2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Entrevista com Martin Ralph<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Rob Sewell, <a href=\"http:\/\/www.marxist.com\/militant-built-destroyed101004.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>How The militant Was Built \u2013 And How It Was Destroyed<\/em><\/a>, acessado em 27\/06\/2018. Todas as cita\u00e7\u00f5es relativas ao balan\u00e7o do <em>Militant<\/em> feito por Rob Sewell pertencem a este documento.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Idem<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Entre eles estavam Ted Grant, Alan Woods e Rob Sewell.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Ted Grant, <a href=\"http:\/\/www.marxist.com\/program-international-ted-grant.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Program of the International<\/em><\/a>, acessado em 28\/06\/2018<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Idem<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.marxist.com\/history-marxist-tendency.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>A Brief History of the International Marxist Tendency<\/em><\/a>, acessado em 28\/06\/2018<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Lenin, Discurso no II Congresso da III Internacional, 1920, em <em>Lenin and Britain<\/em>, p. 70.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Idem, p. 74.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Wikipedia, <a href=\"..\/..\/..\/ASUS\/Downloads\/en.wikipedia.org\/wiki\/International_Marxist_Tendency\">International Marxist Tendency<\/a>, acessado em 29\/06\/2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.marxist.com\/world-perspectives-2018-a-year-of-capitalist-crisis.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">World Perspectives: 2018 \u2013 A Year of Capitalist Crisis<\/a>, acessado em 30\/06\/2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a>\u00a0 Alan Woods, <a href=\"https:\/\/www.marxist.com\/marxism-and-the-state-part-one.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Marxism and the State<\/em><\/a>, acessado em 30\/06\/2018<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Aqui n\u00e3o levamos em conta a possibilidade excepcional levantada por Trotsky no Programa de Transi\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o \u00e9 disso que o texto de Alan Woods trata.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Engels, <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/archive\/marx\/works\/1872\/10\/authority.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>On Authority<\/em><\/a>, acessado em 02\/07\/2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.marxist.com\/world-perspectives-2018-a-year-of-capitalist-crisis.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">World Perspectives: 2018 \u2013 A Year of Capitalist Crisis<\/a>, acessado em 30\/06\/2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Alan Woods, <a href=\"http:\/\/www.marxist.com\/where-is-the-venezuelan-revolution-going.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Where Is the Venezuelan Revolution Going?<\/a>, acessado em 30\/06\/2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> Robert J. Alexander, <em>International Trotskyism, 1929-1985<\/em>, Duke University Press, p. 491<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> Alan Woods, <a href=\"https:\/\/www.marxist.com\/role-state-and-social-democracy.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Role of The State and Social Democracy<\/a>, acessado em 30\/06\/2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> Para os marxistas, o conceito de revolu\u00e7\u00e3o violenta significa a tomada revolucion\u00e1ria do poder contra o poder da classe dominante exploradora pelo uso da for\u00e7a e contra sua vontade, inclusive enfrentando-a em uma guerra civil, se necess\u00e1rio. A TMI pinta a viol\u00eancia revolucion\u00e1ria como uma caricatura de \u201csangue jorrando\u201d e de \u201cguerra civil\u201d para justificar sua capitula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> Ver Jos\u00e9 Welmowicki, <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/especiais\/80-anos-da-quarta\/a-luta-pela-reconstrucao-da-iv-internacional-e-o-papel-do-su-parte-ii\/\"><em>A Luta pela reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional e o Papel do SU \u2013 Parte 2<\/em><\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> Daniel Bensa\u00efd, <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/archive\/bensaid\/2006\/08\/polstrat.htm#p4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>On the return of the politic-strategic question<\/em><\/a>, acesso em 30\/06\/2018<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> Trotsky, <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/archive\/trotsky\/1920\/terrcomm\/ch02.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Terrorism and Communism<\/em><\/a>, cap\u00edtulo 2.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> Idem<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria da Tend\u00eancia Marxista Internacional (TMI) confunde-se com a hist\u00f3ria de seu fundador, Ted Grant, considerado por seus apoiadores um dos maiores te\u00f3ricos marxistas e por trotskistas ingleses que n\u00e3o seguiram sua trajet\u00f3ria como objetivista e politicamente centrista.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":23539,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[6061,4200],"tags":[6202,6203,1075,1492,1493],"class_list":["post-23538","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-80-anos-da-quarta","category-81-anos-sem-trotsky","tag-80-anos-da-quarta-internacional","tag-liga-socialista-revolucionaria","tag-marcos-margarido","tag-ted-grant","tag-tendencia-marxista-internacional"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/deanes-ted.jpg","categories_names":["80 anos da Quarta","81 anos sem Trotsky"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23538","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23538"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23538\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23539"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}