{"id":23470,"date":"2018-06-29T13:09:45","date_gmt":"2018-06-29T15:09:45","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=23470"},"modified":"2018-06-29T13:09:45","modified_gmt":"2018-06-29T15:09:45","slug":"49-anos-de-stonewall-ta-na-hora-de-construir-uma-nova-rebeliao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/06\/29\/49-anos-de-stonewall-ta-na-hora-de-construir-uma-nova-rebeliao\/","title":{"rendered":"49 anos de Stonewall: t\u00e1 na hora de construir uma nova rebeli\u00e3o!"},"content":{"rendered":"<p><em>Dia 28 de Junho \u00e9 dia internacional do Orgulho LGBT. Essa data surgiu a partir da Revolta de Stonewall em 1969, nos Estados Unidos, que foi um marco important\u00edssimo para as LGBTs do mundo todo.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Diego Cruz<\/p>\n<p>Em 1969 as LGBTs estavam submetidos a um processo de extrema marginaliza\u00e7\u00e3o. Eram duramente perseguidos nas ruas e mesmo nos poucos espa\u00e7os em que se reuniam (bares espec\u00edficos para o p\u00fablico LGBT, conhecidos como guetos) eram submetidos \u00e0 viol\u00eancia policial, que realizava \u201cbatidas policiais\u201d frequentes, que na verdade tinham o intuito de coletar propina, mantendo clima de constante repress\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_23472\" style=\"width: 706px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Stonewall-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-23472\" class=\"wp-image-23472 size-full\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Stonewall-2.jpg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Stonewall-2.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Stonewall-2-300x143.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Stonewall-2-150x71.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-23472\" class=\"wp-caption-text\">A revolta de Stonewall fotografa em 1969<\/p><\/div>\n<p>O \u201cStonewall Inn\u201d, em Nova York, era um dos bares que as LGBTs mais pobres frequentavam. Acabou se transformando no palco de uma grande revolta quando, ap\u00f3s uma dessas batidas policiais, as LGBTs resolveram reagir e resistiram bravamente, num enfrentamento direto com a pol\u00edcia, que durou cerca de 4 dias.<\/p>\n<p>Nessa luta quem esteve \u00e0 frente foram principalmente as mulheres l\u00e9sbicas, as travestis negras e os gays imigrantes. Esse \u00e9 um dado interessante (e que atualmente a burguesia tenta esconder), pois nos mostra que a revolta de Stonewall, al\u00e9m de ser contra a viol\u00eancia policial, foi tamb\u00e9m contra toda a opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o que essas LGBTs pobres, negros e imigrantes sofriam cotidianamente.<\/p>\n<p>A revolta de Stonewall teve uma repercuss\u00e3o t\u00e3o grande que causou efervesc\u00eancia no mundo todo. No ano seguinte, em 28 de Junho de 1970, foi organizada a primeira Parada LGBT com mais de 10 mil pessoas nos Estados Unidos.<\/p>\n<p><strong>Copa do mundo: a viol\u00eancia contra as LGBTs entra em campo!<\/strong><\/p>\n<p>Todo mundo est\u00e1 vendo e acompanhando a Copa na R\u00fassia, mas o que poucos sabem \u00e9 que o pa\u00eds sede do evento possui leis que institucionalizam a repress\u00e3o e a viol\u00eancia contra as LGBTs. As LGBTs s\u00e3o duramente perseguidas pelo Estado e recentemente o presidente Putin deu declara\u00e7\u00f5es pedindo que os turistas n\u00e3o fizessem demonstra\u00e7\u00f5es homossexuais em p\u00fablico. Esse tipo de declara\u00e7\u00e3o e essas leis contribuem fortemente para o assassinato, a viol\u00eancia e os estupros contra as LGBTs. Por isso, vemos que a nossa luta n\u00e3o \u00e9 apenas no Brasil, mas em todos os pa\u00edses do mundo! O paradoxal, \u00e9 que nem sempre foi assim na R\u00fassia. A Revolu\u00e7\u00e3o Russa em 1917, que expropriou a burguesia, resultou em avan\u00e7os grandiosos. No que tange a luta dos setores oprimidos, foram conquistados avan\u00e7os que at\u00e9 hoje estamos longe de conquistar aqui no Brasil. Em 1918, por exemplo, o aborto foi legalizado. As leis que prendiam a mulher ao marido e ao lar foram extintas. Foram constru\u00eddas creches e lavanderias p\u00fablicas, como forma de libertar as mulheres do trabalho dom\u00e9stico. Todas as leis contra a homossexualidade foram derrubadas pelo novo governo revolucion\u00e1rio e o sexo consensual foi definido como um assunto privado. Em 1919, come\u00e7aram a ser feitas cirurgia de mudan\u00e7a de sexo nos hospitais.<\/p>\n<p>Mas a contrarrevolu\u00e7\u00e3o stalinista iniciou per\u00edodo de retrocesso a esses direitos. Houve uma pol\u00edtica de retorno das mulheres ao lar e ser LGBT passou a ser considerado um \u201cdesvio pequeno burgu\u00eas\u201d da antiga sociedade. A restaura\u00e7\u00e3o completa do capitalismo na R\u00fassia s\u00f3 piorou a situa\u00e7\u00e3o das LGBTs, culminando nas leis absurdas existentes hoje.<\/p>\n<p>O PSTU reivindica as vit\u00f3rias conquistadas nos primeiros anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa e acredita que o caminho para a transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 a rebeli\u00e3o, assim como fizeram as LGBTs em Stonewall.<\/p>\n<p><strong>LGBTs no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Por aqui a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 menos pior. O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que mais mata LGBTs em todo o mundo. Sofremos com a viol\u00eancia lgbtf\u00f3bica, a falta de emprego, a marginaliza\u00e7\u00e3o e a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas que atendam aos nossos interesses, al\u00e9m de estarmos submetidas a estupros corretivos e \u00e0 expuls\u00e3o de casa. Tamb\u00e9m sofremos com a falta de lazer nas periferias.<\/p>\n<p>Os governos s\u00e3o coniventes com essa situa\u00e7\u00e3o e usam nossos direitos como moeda de troca durante as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mesmo com todos esses ataques e com essa situa\u00e7\u00e3o de precariza\u00e7\u00e3o, n\u00f3s estamos na luta. Somos parte da luta contra o governo, contra a reforma trabalhista e da previd\u00eancia, e contra os cortes nas \u00e1reas sociais. Estamos na linha de frente nas ocupa\u00e7\u00f5es das escola e, em 2017, lutamos nas ruas contra o projeto da \u201cCura Gay\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00f3s LGBTs trabalhadoras, devemos apenas confiar nas nossas pr\u00f3prias for\u00e7as, em unidade com o restante dos trabalhadores: s\u00f3 isso vai mudar nossa vida!<\/p>\n<p><strong>Doente \u00e9 o capitalismo!<\/strong><\/p>\n<p>Recentemente, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), deixou de considerar a transsexualidade como doen\u00e7a mental. Isso \u00e9 um avan\u00e7o, conquistado atrav\u00e9s de muita resist\u00eancia e luta das trans e travestis. Ainda assim, a OMS considera a transexualidade como \u201cincongru\u00eancia de g\u00eanero\u201d. Esse tipo de pol\u00edtica s\u00f3 favorece a viol\u00eancia e marginaliza\u00e7\u00e3o das trans e travestis. Na nossa sociedade, esse \u00e9 o setor mais invisibilizado e que sofre cotidianamente com a viol\u00eancia b\u00e1rbara do capitalismo. As trans, l\u00e9sbicas, bissexuais e homossexuais n\u00e3o s\u00e3o doentes! Doente \u00e9 a sociedade capitalista que oprime e explora os trabalhadores todo dia em troca de lucro para um punhado de empres\u00e1rios, banqueiros e latifundi\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Organizar uma nova rebeli\u00e3o!<\/strong><\/p>\n<p>O tema da parada LGBT de S\u00e3o Paulo em 2018 foi \u201cNosso voto, nossa voz: todo poder as LGBTs!\u201d. Ou seja, dizem explicitamente que as elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o a sa\u00edda para os problemas enfrentados pelas LGBTs. Os capitalistas tentam, atrav\u00e9s das paradas e do \u201cmercado pink\u201d, cooptar nossa luta. S\u00e3o essas mesmas empresas e bancos como Ita\u00fa, Burguer King, Doritos que tentam nos fazer acreditar que est\u00e3o ao lado dos LGBTs, pois querem que sejamos mercado consumidor de seus produtos. Mas todos eles n\u00e3o hesitam em explorar todos os trabalhadores, inclusive os LGBTs, e aplicar a reforma trabalhista para acabar com os direitos trabalhistas.<\/p>\n<p>S\u00f3 vamos mudar nossa vida atrav\u00e9s de uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o socialista, organizando os debaixo para derrubar os de cima! Por isso, chamamos a todas LGBTs trabalhadoras para que, ao lado do conjunto das trabalhadoras e trabalhadores, se organizem pra gente fazer uma grande rebeli\u00e3o! Temos que organizar os de baixo para derrubar os de cima e assim construir uma sociedade socialista que nos permita acabar com a opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o, tanto no Brasil como no mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia 28 de Junho \u00e9 dia internacional do Orgulho LGBT. 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