{"id":23313,"date":"2018-06-15T14:16:23","date_gmt":"2018-06-15T16:16:23","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=23313"},"modified":"2018-06-15T14:16:23","modified_gmt":"2018-06-15T16:16:23","slug":"a-profunda-crise-da-republica-centro-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/06\/15\/a-profunda-crise-da-republica-centro-africana\/","title":{"rendered":"A profunda crise da Rep\u00fablica Centro-Africana"},"content":{"rendered":"<p><em>A regi\u00e3o da atual Rep\u00fablica Centro-Africana \u00e9 habitada h\u00e1 mil\u00eanios. Mas foi o governo da Fran\u00e7a, com outros imperialismos, que constru\u00edram as fronteiras, criadas artificialmente, e escravizaram a popula\u00e7\u00e3o para trabalhos agr\u00edcolas, sobretudo no cultivo de caf\u00e9 e algod\u00e3o e a extra\u00e7\u00e3o de marfim e diamante.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Am\u00e9rico Gomes<\/p>\n<p>Devido \u00e0 explora\u00e7\u00e3o for\u00e7ada os nativos da \u00c1frica Central come\u00e7aram a se rebelar no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, como na Rebeli\u00e3o de Kongo-Wara (1928-1931), violentamente reprimida pelo imperialismo franc\u00eas.<\/p>\n<p>Depois de o pa\u00eds conquistar a independ\u00eancia, o governo da Fran\u00e7a apoiou uma s\u00e9rie de ditadores que garantiram a manuten\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o semicolonial. Entre eles o imperador Jean-B\u00e9del Bokassa em 1976, que cometeu atrocidades contra seu povo. Foi deposto em 1979.<\/p>\n<p>Um dos \u00faltimos desses ditadores foi Fran\u00e7ois Bozize (que deu um golpe de Estado em 2003), deposto em 2013 pela coaliz\u00e3o Seleka, fugindo para Camar\u00f5es. Ele foi respons\u00e1vel por desencadear uma guerra civil entre 2004 e 2012, com combates entre o governo, grupos armados mu\u00e7ulmanos e fac\u00e7\u00f5es crist\u00e3s. Com limpeza \u00e9tnica e religiosa, e deslocamentos populacionais massivos.<\/p>\n<p>A tomada do poder pelos Seleka, colocou no poder um mu\u00e7ulmano, Michel Djotodia, que desencadeou uma onda de viol\u00eancia direcionada contra a comunidade crist\u00e3. Um conflito sangrento com os chamados anti-Balaka. Antes de deixarem o poder, em 2014, mataram milhares, pilharam e queimaram casas, fazendo com que o pa\u00eds virasse uma terra sem lei. O pr\u00f3prio Djotodia tentou desmantelar a Seleka, mas v\u00e1rios dos seus membros criaram novas mil\u00edcias, conhecidas como ex-Seleka, que continuaram se enfrentando com os anti-Balaka e as tropas do governo.<\/p>\n<p>Estas fa\u00e7\u00f5es tomaram grandes partes do territ\u00f3rio, criando fronteiras, cobrando impostos e explorando os recursos naturais do pa\u00eds. Al\u00e9m disso, em 2008, o Lord\u2019s Resistance Army, do senhor da guerra Joseph Kony, entrou no pa\u00eds, fugindo de Uganda, atacando a popula\u00e7\u00e3o, com mais: morte, viola\u00e7\u00e3o, raptos, destrui\u00e7\u00e3o e pilhagem de aldeias. Soma-se a isso os mercen\u00e1rios do vizinho Chade e os temidos Janjaweed da regi\u00e3o de Darfur, no Sud\u00e3o, que constantemente atravessam a fronteira.<\/p>\n<p>Fran\u00e7ois Hollande, em dezembro de 2013, aumentou a presen\u00e7a militar francesa nas ex-col\u00f4nias, incluindo a Costa do Marfim e Mali. No ano seguinte, a pr\u00f3-imperialista Catherine Samba-Panza, a M\u00e3e Africana, assumiu a presid\u00eancia, ficando at\u00e9 2016. As tropas francesas, representando a ONU, foram denunciadas por estupros e abusos sexuais.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> Em 2015, um painel independente criado para analisar os casos de viola\u00e7\u00e3o e abuso sexual de crian\u00e7as pelos militares acusou a ONU de neglig\u00eancia grosseira no trato destas acusa\u00e7\u00f5es. Hoje existe a proposta que tropas brasileiras sejam enviadas \u00e0 Rep\u00fablica Centro-Africana<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es em 2016 levaram Faustin-Archange Touad\u00e9ra ao governo, sem diminui\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. Pelo menos 75% da popula\u00e7\u00e3o t\u00eam menos de 35 anos, com um desemprego juvenil oficial de 12,5%. O novo governo exerce seu poder praticamente s\u00f3 na capital, Bangui. As mil\u00edcias e fac\u00e7\u00f5es controlam 80% do campo com administra\u00e7\u00f5es paralelas. O centro e o leste do pa\u00eds s\u00e3o divididos pelos ex-Seleka e o anti-Balaka, e o sudeste pelo Lord\u2019s Resistance Army, de Kony. No noroeste, um conflito \u00e9tnico, cada vez mais violento coloca agricultores contra produtores de gado.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 12 meses cerca de 2.000 pessoas morreram em conflitos, um grau de viol\u00eancia somente visto durante a guerra civil.<\/p>\n<p><strong>Lucros imperialistas: explora\u00e7\u00e3o do sangue africano<\/strong><\/p>\n<p>Um dos exemplos contundentes dos danos feito pela explora\u00e7\u00e3o imperialista na Africa \u00e9 o que ocorreu, e ocorre, na Rep\u00fablica Centro-Africana. A explora\u00e7\u00e3o imperialista, em beneficio das grandes empresas capitalistas multinacionais, levou a um processo de desintegra\u00e7\u00e3o do Estado. Um conflito que fragmentou as comunidades que hoje continuam a ser armadas pelas empresas armamentistas dos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n<p>O pa\u00eds tem reservas de ur\u00e2nio, petr\u00f3leo, ouro, diamantes, madeira e energia hidrel\u00e9trica, bem como quantidades significativas de terras ar\u00e1veis, mas est\u00e1 entre os dez pa\u00edses mais pobres do mundo, com o mais baixo n\u00edvel de desenvolvimento humano, uma m\u00e9dia de vida de 51 anos e com metade dos cinco milh\u00f5es de habitantes necessitando de ajuda humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Mesmo com todos os esfor\u00e7os, muitas publica\u00e7\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o Europa\/\u00c1frica, n\u00e3o conseguem transmitir o dano que foi causado \u00e0 economia africana, aos povos e ao desenvolvimento continental o tr\u00e1fico de escravos e o colonialismo europeu, que destru\u00edram cidades, estados pr\u00e9-coloniais que dominavam sub-regi\u00f5es, controlavam rotas comerciais e mantinham estruturas de governo.<\/p>\n<p>A instabilidade na Rep\u00fablica Centro-Africana n\u00e3o \u00e9 fruto de conflitos \u00e9tnicos ou religiosos. H\u00e1 sem duvida, alguns destes elementos. Mas a base \u00e9 a mis\u00e9ria e a pobreza generalizada e por tr\u00e1s deles esta a presen\u00e7a de capital financeiro. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia o fato de que grupos armados controlem \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o e rotas de com\u00e9rcio transfronteiri\u00e7o.<\/p>\n<p>Somente um processo revolucion\u00e1rio das na\u00e7\u00f5es africanas, que exproprie estas multinacionais e expulse a presen\u00e7a imperialista do continente e coloque os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o pobre no poder, poder\u00e1 trazer o verdadeiro desenvolvimento econ\u00f4mico a estes povos e exterminar a viol\u00eancia e os conflitos armados.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a><a href=\"http:\/\/www.dw.com\/en\/samba-panza-i-have-accomplished-my-mission\/a-19051938\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0\u00a0\u00a0 http:\/\/www.dw.com\/en\/samba-panza-i-have-accomplished-my-mission\/a-19051938<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A regi\u00e3o da atual Rep\u00fablica Centro-Africana \u00e9 habitada h\u00e1 mil\u00eanios. 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