{"id":233,"date":"2006-01-17T00:00:00","date_gmt":"2006-01-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2006\/01\/17\/artigo141\/"},"modified":"2006-01-17T00:00:00","modified_gmt":"2006-01-17T00:00:00","slug":"artigo141","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2006\/01\/17\/artigo141\/","title":{"rendered":"Imperialismo julga e executa Saddam"},"content":{"rendered":"<p align=justify><span style=\"FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Georgia; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA\">Por volta das 6 horas da manh\u00e3 do dia 30 de dezembro, quando o corpo do ex-ditador Saddam Hussein ficou inerte ap\u00f3s ter se debatido por tr\u00eas minutos na forca, terminava em Bagd\u00e1 a farsa do julgamento comandado pelos EUA. A condena\u00e7\u00e3o do tribunal fantoche iraquiano foi proferida no dia 5 de novembro, impondo a pena de morte a Saddam pelo assassinato de 148 xiitas em 1982.<\/p>\n<p>A execu\u00e7\u00e3o, cuja tramita\u00e7\u00e3o foi acelerada por press\u00e3o direta dos EUA, transformou-se num verdadeiro espet\u00e1culo midi\u00e1tico. A TV estatal iraquiana filmou e divulgou os \u00faltimos momentos do ex-ditador, em meio a seus carrascos recebendo a corda em volta do pesco\u00e7o, assim como as imagens de seu cad\u00e1ver envolto em um len\u00e7ol branco, ap\u00f3s o enforcamento. <\/p>\n<p>O canal de not\u00edcias norte-americano Fox, porta-voz do governo Bush, transmitiu durante todo o dia imagens de Saddam ao lado de antigas filmagens de agress\u00f5es e assassinatos perpetrados por soldados iraquianos contra curdos e xiitas. O canal republicano tamb\u00e9m transmitiu por horas cenas de pequenos grupos de iraquianos festejando a morte do ex-ditador, &#8220;fechando&#8220; a imagem para que parecesse uma multid\u00e3o.<\/p>\n<p>O desfecho do teatro do julgamento revela a forma descarada como todo o processo foi dirigido por Washington. As tropas norte-americanas mantiveram a guarda de Saddam at\u00e9 o momento da aplica\u00e7\u00e3o da pena. Posteriormente, o corpo foi transportado \u00e0 cidade de Tikrit, cidade natal de Hussein, por um avi\u00e3o dos EUA. Al\u00e9m disso, a data do enforcamento coincidiu com o maior momento de <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags\" \/><st1:PersonName w:st=\"on\">cr<\/st1:PersonName>ise das tropas de ocupa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Saddam n\u00e3o foi executado por ser um ditador sanguin\u00e1rio. Isto \u00e9 apenas uma farsa a mais da propaganda de Bush. O imperialismo como um todo, e o norte-americano em particular, apoiou e ap\u00f3ia ditaduras em todo o mundo. Pinochet assassinou tr\u00eas mil pessoas ap\u00f3s um golpe comandado pela embaixada norte-americana. A ditadura militar argentina matou cinq\u00fcenta mil trabalhadores e estudantes. O estado sionista-fascista de Israel massa<st1:PersonName w:st=\"on\">cr<\/st1:PersonName>a palestinos cotidianamente com armas financiadas pelos governos imperialistas. O atual governo iraquiano, imposto e bancado por Bush, \u00e9 uma ditadura que tortura e assassina ainda mais que Saddam Hussein. <\/p>\n<p>O pr\u00f3prio ex-ditador iraquiano era apoiado integralmente pelo governo dos EUA, como um ponto de apoio contra a revolu\u00e7\u00e3o iraniana no passado. Como afirma em artigo publicado no jornal brit\u00e2nico The Independent, o jornalista Robert Fisk: <i>&#8220;Quem incentivou Saddam a invadir o Ir\u00e3 em 1980 &#8211; o maior <st1:PersonName w:st=\"on\">cr<\/st1:PersonName>ime de guerra que ele cometeu por levar \u00e0 morte um milh\u00e3o e meio de almas? Quem vendeu a ele os componentes para as armas qu\u00edmicas com as quais ele encharcou o Ir\u00e3 e os curdos? Fomos n\u00f3s&#8221;. <\/i><\/p>\n<p>O apoio do governo norte americano \u00e0 Saddam s\u00f3 terminou quando ele invadiu o Kwait na d\u00e9cada de <st1:metricconverter ProductID=\"80. A\" w:st=\"on\">80. A<\/st1:metricconverter> farsa do &#8220;julgamento do ditador&#8221; foi tamanha que o <st1:PersonName w:st=\"on\">cr<\/st1:PersonName>ime pelo qual Saddam foi executado foi cometido quando era apoiado pelos EUA. A execu\u00e7\u00e3o de Saddam Hussein tem uma enorme gravidade para os povos oprimidos da Terra. A verdade \u00e9 que o Iraque foi invadido para tomar seu petr\u00f3leo, e a morte de Saddam \u00e9 um alerta aos governos para que n\u00e3o se enfrentem com o &#8220;senhor do mundo&#8221;. De quebra, o governo Bush quer tentar reverter a onda de des<st1:PersonName w:st=\"on\">cr<\/st1:PersonName>\u00e9dito que <st1:PersonName w:st=\"on\">cr<\/st1:PersonName>esce nos EUA em rela\u00e7\u00e3o \u00e1 invas\u00e3o no Iraque.<\/p>\n<p>No entanto, tudo indica que a malfadada execu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 um tiro pela culatra. A farsa do julgamento foi t\u00e3o gritante que at\u00e9 mesmo importantes setores dos EUA se posicionaram contra a pena capital. O jornal The New York Times e o Washignton Post <st1:PersonName w:st=\"on\">cr<\/st1:PersonName>iticaram a medida, assim como a revista brit\u00e2nica The Economist. Os principais aliados de Bush tamb\u00e9m n\u00e3o respaldaram a execu\u00e7\u00e3o. O \u00fanico pa\u00eds a apoiar integralmente os EUA foi Israel.<\/p>\n<p>Nem mesmo todos que sofreram barbaramente sob a ditadura de Hussein apoiaram a execu\u00e7\u00e3o. A morte do ex-ditador impede, por exemplo, que ele seja julgado por seus <st1:PersonName w:st=\"on\">cr<\/st1:PersonName>imes contra os curdos. Representantes da etnia chegaram a tentar, sem sucesso, que a execu\u00e7\u00e3o fosse adiada para que Hussein respondesse pelos seus <st1:PersonName w:st=\"on\">cr<\/st1:PersonName>imes. J\u00e1 os pa\u00edses isl\u00e2micos repudiaram de conjunto a medida, realizada, inclusive, em meio a um feriado religioso.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a principal conseq\u00fc\u00eancia da medida \u00e9 que impede que o ex-ditador seja julgado por seu pr\u00f3prio povo, que sofreu durante 30 anos os ausp\u00edcios de uma brutal ditadura.<\/p>\n<p><b>Re<st1:PersonName w:st=\"on\">cr<\/st1:PersonName>udesce a resist\u00eancia<\/b><br \/>Ao contr\u00e1rio do que poderia <st1:PersonName w:st=\"on\">cr<\/st1:PersonName>er o imperialismo, a condena\u00e7\u00e3o e morte de Saddam n\u00e3o fortaleceram a ocupa\u00e7\u00e3o. Dezembro foi um dos meses mais violentos para os EUA, cujas tropas sofreram 109 baixas. S\u00f3 no dia 30, oito marines foram mortos. Desde o in\u00edcio da invas\u00e3o, morreram 2.998 soldados americanos, n\u00famero que j\u00e1 supera as v\u00edtimas do atentado do 11 de Setembro.<\/p>\n<p>A degradante situa\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o impediu at\u00e9 mesmo que a morte de Hussein fosse comemorada. <i>&#8220;Primeiro foram as armas de destrui\u00e7\u00e3o <st1:PersonName ProductID=\"em massa. Ent\u00e3o\" w:st=\"on\">em massa. Ent\u00e3o<\/st1:PersonName>, quando n\u00e3o foi encontrada nenhuma, a quest\u00e3o era encontrar Saddam. A\u00ed o encontramos. Pois bem, agora que ele est\u00e1 morto, qual ser\u00e1 a pr\u00f3xima hist\u00f3ria que v\u00e3o contar para nos manter aqui?&#8220;<\/i>, reclamou o soldado Thomas Sheck \u00e0 imprensa, expressando o estado de \u00e2nimo das tropas ianques.<\/p>\n<p>Leia no <em>Correio Internacional<\/em>, de novembro de <st1:metricconverter ProductID=\"2006, A\" w:st=\"on\">2006, <span class=movmattitle1><i style=\"mso-bidi-font-style: normal\"><span style=\"FONT-WEIGHT: normal; COLOR: windowtext; FONT-FAMILY: Georgia; mso-bidi-font-weight: bold; mso-ansi-font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">A<\/span><\/i><\/span><\/st1:metricconverter><span class=movmattitle1><i style=\"mso-bidi-font-style: normal\"><span style=\"FONT-WEIGHT: normal; COLOR: windowtext; FONT-FAMILY: Georgia; mso-bidi-font-weight: bold; mso-ansi-font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt\"> farsa do julgamento de Saddam Hussein<\/span><\/i><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por volta das 6 horas da manh\u00e3 do dia 30 de dezembro, quando o corpo do ex-ditador Saddam Hussein ficou inerte ap\u00f3s ter se debatido por tr\u00eas minutos na forca, terminava em Bagd\u00e1 a farsa do julgamento comandado pelos EUA. 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