{"id":23242,"date":"2018-06-10T14:24:03","date_gmt":"2018-06-10T16:24:03","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=23242"},"modified":"2018-06-10T14:24:03","modified_gmt":"2018-06-10T16:24:03","slug":"qual-lei-do-aborto-nos-trabalhadoras-necessitamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/06\/10\/qual-lei-do-aborto-nos-trabalhadoras-necessitamos\/","title":{"rendered":"Qual lei do aborto n\u00f3s trabalhadoras necessitamos?"},"content":{"rendered":"<p><em>Muitas companheiras est\u00e3o na primeira linha da luta em defesa da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto. Antes n\u00e3o se animavam e hoje participam com alegria e expectativa dos \u00a0pa\u00f1uelazos<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup><strong>[1]<\/strong><\/sup><\/a>(manifesta\u00e7\u00f5es do len\u00e7o verde, s\u00edmbolo da campanha) e das manifesta\u00e7\u00f5es que come\u00e7am a multiplicar-se pelos bairros e n\u00e3o somente em frente ao Congresso. O len\u00e7o verde, que deu in\u00edcio \u00e0 Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito, converteu-se em um s\u00edmbolo que representa o desejo de milhares de mulheres que querem decidir sobre o momento da maternidade. Se uma pessoa usa o len\u00e7o amarrado, est\u00e1 a favor do aborto.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Lorena C\u00e1ceres<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante que cada vez mais pessoas se pronunciem pelo direito ao aborto, que inclusive as atrizes e pessoas do mundo do espet\u00e1culo mostrem, para milh\u00f5es, o desejo de acabar com o aborto clandestino, mas \u00e9 fundamental debater que tipo de lei necessitamos n\u00f3s, mulheres trabalhadoras, para poder decidir realmente.<\/p>\n<p>N\u00f3s, do movimento Luta Mulher e do PSTU, apoiamos e impulsionamos todas as a\u00e7\u00f5es em defesa da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto. Estamos convencidas de que a massividade conquistada pela mais ampla unidade ao redor desse tema \u00e9 o caminho correto. Cantamos e caminhamos com alegria junto com as companheiras que temos diferen\u00e7as pol\u00edticas e nos enfrentamos em outras quest\u00f5es. Mas tamb\u00e9m dizemos que n\u00f3s trabalhadoras, necessitamos muito mais do que est\u00e1 na proposta de lei que foi acordada entre v\u00e1rio deputados que n\u00e3o s\u00e3o representantes da classe oper\u00e1ria, mas sim o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Nenhum \u201cconsenso\u201d com os patr\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p>A lei que apresenta a Campanha, junto com deputados da FIT (Frente de Esquerda dos Trabalhadores), defende a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez, derroga o artigo que a penaliza, e prop\u00f5e muitos avan\u00e7os na quest\u00e3o da autonomia das mulheres para decidir. Este projeto \u00e9 um avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o a atual situa\u00e7\u00e3o de clandestinidade, mas limitado como proposta integral de cuidado e respeito com a sa\u00fade da mulher. Acreditamos que \u00e9 um equivoco que a FIT (PO-PTS) assinem o projeto de lei acordado com deputados da patronal, que no \u201canseio de consenso\u201d e para poder votar no dia 13 de junho, est\u00e1 modificando o pr\u00f3prio projeto da campanha, fazendo com que o mesmo retroceda e limitando-o ainda mais.<\/p>\n<p>O lema que tantas vezes repetimos \u201ceduca\u00e7\u00e3o sexual para decidir, anticoncepcionais para n\u00e3o abortar, aborto legal para n\u00e3o morrer\u201d n\u00e3o se expressa de maneira contundente nesse projeto. Para que isso possa ser poss\u00edvel dever\u00edamos ter uma lei de aborto que inclua a obrigatoriedade da educa\u00e7\u00e3o sexual nas escolas, com controle de sua aplica\u00e7\u00e3o pelas trabalhadoras da educa\u00e7\u00e3o e das estudantes, ampliando o conceito de educa\u00e7\u00e3o sexual aos centros de sa\u00fade, com palestras abertas nos bairros, assim como nos locais de trabalho de maneira obrigat\u00f3ria e dirigida pelos sindicatos e delegados\/as sindicais, como j\u00e1 fazem os\/as trabalhadores\/as da sa\u00fade em muitos hospitais p\u00fablicos, sem a intromiss\u00e3o da patronal e do Estado.<\/p>\n<p><strong>Sem verba n\u00e3o existe aborto legal.<\/strong><\/p>\n<p>Repete-se, e com raz\u00e3o, que a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica. Nesse sentido, \u00e9 necess\u00e1rio que seja garantido o acesso por parte dos\/as trabalhadores\/as e dos setores populares, assim como dos\/as estudantes, aos m\u00e9todos contraceptivos mais convenientes e que cada pessoa deseja, de maneira gratuita e sem restri\u00e7\u00f5es. Os hospitais e centros de sa\u00fade dos bairros carecem de todo tipo de materiais e medicamentos, sem verbas n\u00e3o t\u00eam nem mesmo contraceptivos dispon\u00edveis para aqueles que necessitam.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez deve ser feita com profissionais capacitados, em condi\u00e7\u00f5es de higiene e com todo o material necess\u00e1rio nos hospitais p\u00fablicos. Se a lei n\u00e3o exige verbas espec\u00edficas e n\u00e3o diz de onde tirar o dinheiro para garanti-la, ser\u00e1 letra morta. Porque as trabalhadoras ter\u00e3o que fazer fila \u00e0s 3 da manha para conseguir uma senha, como fazem agora para qualquer consulta no hospital, porque cada vez temos menos m\u00e9dicos, enfermeiras e trabalhadores\/as da sa\u00fade e n\u00e3o d\u00e3o conta do volume de trabalho.<\/p>\n<p>Porque n\u00e3o existem materiais, medicamentos, nem condi\u00e7\u00f5es de higiene frente \u00e0 falta de manuten\u00e7\u00e3o. Porque tamb\u00e9m n\u00e3o existem equipes de triagem, acompanhamento e aux\u00edlio \u00e0s mulheres que passam por essa situa\u00e7\u00e3o. Porque n\u00e3o existem programas de capacita\u00e7\u00e3o e de combate ao machismo, para que paremos de sofrer viol\u00eancia obst\u00e9trica ou repres\u00e1lias por parte dos\/as profissionais que n\u00e3o est\u00e3o a favor do aborto.<\/p>\n<p><strong>A luta \u00e9 o caminho<\/strong><\/p>\n<p>A nossa lei, a das trabalhadoras e pobres, deveria contemplar esses pontos, seria necess\u00e1rio ter uma comiss\u00e3o de controle a cargo das organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadoras e de mulheres, para garantir que a lei seja cumprida. Deveria exigir, dentro dos seus pontos, as verbas necess\u00e1rias para realiza\u00e7\u00e3o de abortos nos hospitais p\u00fablicos, obrigando tamb\u00e9m a aumentar as verbas para sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, dizendo que esse dinheiro deve vir do pagamento da d\u00edvida externa e dos impostos progressivos das grandes multinacionais e fazendeiros.<\/p>\n<p>Mas, acima de tudo, se a lei das trabalhadoras \u00e9 apresentada assim no parlamento, sem mobiliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o conseguir\u00e1 ser aprovada. Para conseguir que seja votada e aplicada \u00e9 necess\u00e1rio a luta do povo trabalhador nas ruas, com as companheiras na linha de frente. Porque n\u00e3o podemos depositar nossa confian\u00e7a nesse Congresso corrupto nem no governo de Macri e o Imperialismo que aplicam os ajustes.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> http:\/\/www.anred.org\/?p=72928<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas companheiras est\u00e3o na primeira linha da luta em defesa da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto. Antes n\u00e3o se animavam e hoje participam com alegria e expectativa dos \u00a0pa\u00f1uelazos[1](manifesta\u00e7\u00f5es do len\u00e7o verde, s\u00edmbolo da campanha) e das manifesta\u00e7\u00f5es que come\u00e7am a multiplicar-se pelos bairros e n\u00e3o somente em frente ao Congresso. 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