{"id":2300,"date":"2018-06-18T14:00:01","date_gmt":"2018-06-18T16:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/06\/18\/especial-30-anos-bolivia-50-anos-a-beira-da-tomada-do-poder\/"},"modified":"2018-06-18T14:00:01","modified_gmt":"2018-06-18T16:00:01","slug":"especial-30-anos-bolivia-50-anos-a-beira-da-tomada-do-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/06\/18\/especial-30-anos-bolivia-50-anos-a-beira-da-tomada-do-poder\/","title":{"rendered":"Bol\u00edvia: 50 anos \u00e0 beira da tomada do poder"},"content":{"rendered":"<div style=\"background: white; line-height: 15pt;\">\n<p><em>H\u00e1 mais de 50 anos que na Bol\u00edvia se repete, com varia\u00e7\u00f5es, a mesma hist\u00f3ria. Por um lado, o movimento de massas, com a classe oper\u00e1ria \u00e0 cabe\u00e7a, se entrega em cheio, p\u00f5e o corpo, o sangue, a vida, desestabiliza e algumas vezes destr\u00f3i o regime burgu\u00eas.<\/em><\/p>\n<p>Por Alicia Sagra, publicado originalmente na revista Marxismo Vivo N\u00ba 8, 2004.<\/p>\n<p>Surgem organismos alternativos que praticamente t\u00eam o poder nas m\u00e3os e ao final, por responsabilidade das dire\u00e7\u00f5es, que terminam dando o apoio a algum setor patronal, tudo se frustra e sobrev\u00eam mais fome e mis\u00e9ria, muitas vezes acompanhadas de massacres cru\u00e9is. Podemos evitar que outra vez a hist\u00f3ria se repita?<\/p>\n<p><strong>1952: Quando o trotskismo poderia ter dirigido a tomada do poder<\/strong><\/p>\n<p>Uma s\u00e9rie de elementos se combinou para fazer com que em 1952 ocorresse na Bol\u00edvia o que mais se pareceu com a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917. Os trabalhadores mineiros encabe\u00e7aram uma insurrei\u00e7\u00e3o que derrotou e desarmou o ex\u00e9rcito, criaram sua pr\u00f3pria mil\u00edcia e um poder oper\u00e1rio alternativo, impuseram a nacionaliza\u00e7\u00e3o das minas, o sufr\u00e1gio universal, a reforma agr\u00e1ria e fizeram tudo isso defendendo um programa revolucion\u00e1rio (as Teses de Pulacayo) que prop\u00f5e a tomada do poder pelos trabalhadores.<\/p>\n<p>A Bol\u00edvia \u00e9 um exemplo vivo do desenvolvimento desigual e combinado e confirma a afirma\u00e7\u00e3o de Trotsky de que essa lei \u201cn\u00e3o se revela em parte alguma com a evid\u00eancia e complexidade com que demonstra o destino dos pa\u00edses atrasados. Castigados pelos a\u00e7oites das necessidades materiais, os pa\u00edses atrasados s\u00e3o obrigados a avan\u00e7ar aos saltos\u201d (Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, cap. 1). Assim, este pa\u00eds, fundamentalmente agr\u00e1rio, entra no s\u00e9culo XX com rela\u00e7\u00f5es semifeudais no campo, onde sua popula\u00e7\u00e3o (majoritariamente quechua e aymara) est\u00e1 despossu\u00edda de todo direito c\u00edvico e mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o de servid\u00e3o com os donos das grandes fazendas. Mas, ao mesmo tempo, uma extensa explora\u00e7\u00e3o mineira d\u00e1 origem, por um lado, a uma forte oligarquia mineira (os Pati\u00f1o, Hottschild, Aramayo) que est\u00e3o entre as maiores fortunas do mundo e, por outro lado, a um poderoso proletariado mineiro que est\u00e1 entre os mais combativos do planeta.<\/p>\n<p>Em meio a estas contradi\u00e7\u00f5es e de regimes liberais de sufr\u00e1gio restrito, combinados com ditaduras brutais, o movimento oper\u00e1rio vai saltando etapas.<\/p>\n<p>N\u00e3o passa pela Primeira, pela Segunda e nem pela Terceira Internacional. Tampouco tem \u00eaxito a tentativa do stalinismo e isso permite que o movimento mineiro avance em sua organiza\u00e7\u00e3o muito influenciado pelos trotskistas.<\/p>\n<p>Por outro lado, a extrema pobreza da economia boliviana faz fracassar a tentativa de conseguir um governo bonapartista, apoiado no movimento oper\u00e1rio, para resistir \u00e0 press\u00e3o norte-americana. A deplor\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica impede uma pol\u00edtica de fortes concess\u00f5es, como se deu na Argentina com Per\u00f3n, o que provoca um colossal desenvolvimento da influ\u00eancia trotskista e abre as portas para a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Como a revolu\u00e7\u00e3o foi sendo preparada<\/strong><\/p>\n<p>A rebeli\u00e3o do mundo colonial e semicolonial, com o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o chinesa em 1949, \u00e9 o marco mundial no qual se desenvolvem os acontecimentos revolucion\u00e1rios na Bol\u00edvia. Na Am\u00e9rica Latina havia surgido uma s\u00e9rie de regimes nacionalistas burgueses que resistiam \u00e0 entrada do imperialismo norte-americano. Para faz\u00ea-lo, apoiavam-se no movimento oper\u00e1rio e de massas em ascenso, ao qual faziam importantes concess\u00f5es e os controlavam com a amea\u00e7a do perigo imperialista. Foram os regimes que Trotsky (tomando o caso do cardenismo mexicano) definiu como \u201cbonapartismo sui generis\u201d (C\u00e1rdenas no M\u00e9xico, Per\u00f3n na Argentina, Vargas no Brasil, o APRA no Peru, Toro, Buhs, Villarroel na Bol\u00edvia).<\/p>\n<p>Neste per\u00edodo surgem na Bol\u00edvia os dois principais atores pol\u00edticos da revolu\u00e7\u00e3o de 52. Em 1940, nasce o Movimento Nacionalista Revolucion\u00e1rio (MNR) que se reivindica nacionalista, antiimperialista, antinorte-americano, no princ\u00edpio com claras simpatias pela Alemanha nazista. Seu fundador e principal dirigente foi Victor Paz Estenssoro. Por outro lado, em 1936 funda-se no ex\u00edlio (na Argentina) o POR (Partido Oper\u00e1rio Revolucion\u00e1rio), que evolui at\u00e9 o trotskismo e converte-se na se\u00e7\u00e3o boliviana da Quarta Internacional. Seus fundadores foram Aguirre e Marof, mas diante da morte acidental do primeiro e a sa\u00edda do segundo, a dire\u00e7\u00e3o cai em m\u00e3os de Guillermo Lora.<\/p>\n<p>Come\u00e7a uma sucess\u00e3o de governos populistas e golpes reacion\u00e1rios que n\u00e3o d\u00e3o respostas \u00e0s crescentes reivindica\u00e7\u00f5es das massas. Em julho de 1946 setores da classe oper\u00e1ria e do movimento de massas \u2014 com exce\u00e7\u00e3o dos mineiros \u2014 protagonizaram um levante insurrecional que culminou com a pris\u00e3o do presidente Gualberto Villarroel (em cujo governo participava o MNR) e seu enforcamento em um farol na Pra\u00e7a Murillo, em frente ao Pal\u00e1cio do Governo.<\/p>\n<p>Esta insurrei\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea n\u00e3o p\u00f4de dar resposta pela positiva, o que foi aproveitado por setores da oligarquia pr\u00f3-EUA. A partir da\u00ed inicia-se o chamado sex\u00eanio \u201crosquero\u201d. Seis anos nos quais a oligarquia do estanho, a \u201crosca\u201d, governa ditatorialmente a favor do imperialismo americano. O antecessor do PC, o stalinista Partido de Esquerda Revolucion\u00e1ria (PIR) participa da \u201crosca\u201d com ministros no governo, com o argumento de que era \u201cantifascista\u201d por ser pr\u00f3-americano. Isto impede que o stalinismo ganhe peso nos mineiros, que rapidamente encabe\u00e7am a oposi\u00e7\u00e3o ao governo.<\/p>\n<p>Em 1944 havia sido fundada a Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores Mineiros da Bol\u00edvia (FSTMB) e em novembro de 1946 os representantes mineiros re\u00fanem-se em Pulacayo, onde, por unanimidade, aprovam as teses apresentadas pelos mineiros de Llallagua, redigidas por Guillermo Lora, principal dirigente do POR. Essas teses, denominadas \u201cprograma de reivindica\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias\u201d, colocavam, a partir da mobiliza\u00e7\u00e3o pelas reivindica\u00e7\u00f5es presentes, a necessidade do armamento dos trabalhadores para encarar a luta pelo poder.<\/p>\n<p>Este programa foi divulgado amplamente pela FSTMB e em especial pelos militantes trotskistas que foram ganhando peso e prest\u00edgio na base mineira. Isto se comprovou quando meses depois se forma, a partir da federa\u00e7\u00e3o dos mineiros, um Bloco entre dirigentes mineiros e dirigentes de esquerda para disputar as elei\u00e7\u00f5es. Apesar de que 90% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o votavam (s\u00f3 votavam os alfabetizados), o Bloco oper\u00e1rio ganha nos distritos mineiros e elege sete parlamentares (cinco deputados e dois senadores), entre eles Juan Lech\u00edn Oquendo, principal dirigente mineiro, ligado ao MNR, e Guillermo Lora, principal dirigente do POR.<\/p>\n<p>Esses parlamentares oper\u00e1rios, que ficaram conhecidos como o Bloco Mineiro Parlamentar, deram um grande exemplo de como utilizar o parlamento a servi\u00e7o das lutas oper\u00e1rias e da revolu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de colocar seus mandatos a servi\u00e7o das lutas, utilizaram os mesmos para desenvolver uma grande campanha pela destrui\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito e pela forma\u00e7\u00e3o das mil\u00edcias oper\u00e1rias. Isto fez com que perdessem seus mandatos, fossem presos e expulsos do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>A revolu\u00e7\u00e3o de 9 de abril<\/strong><\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1951, Victor Paz Estenssoro, do MNR, ganhou as elei\u00e7\u00f5es presidenciais com o voto dos oper\u00e1rios, fruto de sua propaganda antiimperialista e antigovernamental. Mas n\u00e3o lhe entregaram o governo. O presidente cujo mandato chegava ao final, Mamerto Urriolagoit\u00eda, deu um golpe (o \u201cmamertazo\u201d), anulou as elei\u00e7\u00f5es e entregou o poder a uma Junta Militar encabe\u00e7ada pelo general Ballivian, que instaurou um governo altamente repressivo.<\/p>\n<p>Em 9 de abril de 1952, a pol\u00edcia e um setor do ex\u00e9rcito, em acordo com o MNR, tentam um contragolpe que \u00e9 derrotado e seus chefes asilam-se em diferentes embaixadas. Mas o frustrado golpe atua como detonante de uma impressionante revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria que mudou o futuro do continente e da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria mundial.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia, ao ver-se derrotada pelos militares, entregou algumas armas aos trabalhadores fabris e ao povo de La Paz. Por sua vez, os mineiros de Oruro e Potos\u00ed, que j\u00e1 haviam tomado os regimentos, come\u00e7aram a marchar at\u00e9 La Paz. Os mineiros de Milluni (mina pr\u00f3xima a La Paz) capturam um trem militar que transportava armamentos. Em La Paz, os trabalhadores derrotam completamente sete regimentos e tomam suas armas.<\/p>\n<p>Assim, cai o governo ditatorial e os oper\u00e1rios insurrectos entregam o governo ao MNR. Paz Estenssoro volta do ex\u00edlio e assume a presid\u00eancia, enquanto a multid\u00e3o, na qual se destacava a presen\u00e7a dos contingentes de mineiros e trabalhadores fabris armados, grita: Viva o MNR!, Viva Paz Estenssoro!, Nacionaliza\u00e7\u00e3o das Minas!, Reforma agr\u00e1ria!<\/p>\n<p>Em 12 de abril, os militares que continuavam resistindo \u00e0s mil\u00edcias rendem-se. Os prisioneiros s\u00e3o obrigados a desfilar de cuecas por La Paz, custodiados pelas mil\u00edcias mineiras.<\/p>\n<p><strong>A funda\u00e7\u00e3o da COB: institucionaliza-se o duplo poder oper\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Em 16 de abril, apoiando-se nas mil\u00edcias oper\u00e1rias e nas organiza\u00e7\u00f5es sindicais, e com os trotskistas jogando um papel de primeira linha, funda-se a Central Oper\u00e1ria Boliviana (COB), que agrupou todas as mil\u00edcias e todas as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e camponesas da Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>A COB nasce no meio da explos\u00e3o revolucion\u00e1ria, brandindo as Teses de Pulacayo e com um importante peso dos trotskistas, apesar de nunca ter deixado de ser dirigida por Lech\u00edn, que sempre defendeu a pol\u00edtica do MNR.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, o peso do POR era importante, muito superior nesse momento ao do stalinismo. O historiador Dunkerley afirma que \u201cgrande parte do trabalho preparat\u00f3rio (de fundar a COB)foi empreendido pelos representantes do POR, Edwin M\u00f6ller, Miguel Alandia Pantoja e Jos\u00e9 Zegada (&#8230;)\u201d. (Rebelli\u00f3n in the Veins. Verso, Londres, 1984, p. 64.)<\/p>\n<p>A partir desse momento, concentram-se na COB as for\u00e7as do poder oper\u00e1rio, o que pela posi\u00e7\u00e3o de seus dirigentes, p\u00f5e-se a servi\u00e7o de sustentar o governo burgu\u00eas de Paz Estenssoro.<\/p>\n<p><strong>As mil\u00edcias e as For\u00e7as Armadas<\/strong><\/p>\n<p>A partir de 11 de abril, as mil\u00edcias, organizadas pelos sindicatos, eram a \u00fanica for\u00e7a armada do pa\u00eds e reuniam entre 50 e 100 mil homens. As FFAA est\u00e3o em um profundo processo de desintegra\u00e7\u00e3o e apenas em 24 de julho (mais de tr\u00eas meses depois) o governo lan\u00e7a um decreto de reorganiza\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito. Vejamos como descreve a situa\u00e7\u00e3o o general anticomunista Gary Pardo Salm\u00f3n: \u201cNos quart\u00e9is, a situa\u00e7\u00e3o era tensa porque os oficiais estavam divididos entre os que apoiavam e os que condenavam a revolu\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m fazia nada, exceto montar guarda de tal maneira que a maior parte do equipamento militar foi preservada da multid\u00e3o revolucion\u00e1ria. O sentimento de derrota, no entanto, piorava quando nos inteir\u00e1vamos dos detalhes do que havia ocorrido nos tr\u00eas dias de combate, confirmando que o ex\u00e9rcito havia sido vencido por todos os lados. A fuga do Alto Comando fez com que os oficiais se sentissem abandonados. Certo n\u00famero deles, temendo a repress\u00e3o, desertou de suas unidades imediatamente, e buscaram asilo nas embaixadas estrangeiras ou foram-se voluntariamente ao ex\u00edlio. Outros, esquecendo seu dever, foram para casa esperar os acontecimentos. Uns poucos permaneceram nos quart\u00e9is, tentando reagrupar suas unidades, controlar os soldados e manter uma apar\u00eancia de ordem e disciplina (&#8230;). Enquanto isso estava acontecendo (17 de junho de 1952), a COB adotou (&#8230;) uma proposta apresentada pelos mineiros que dizia: \u2018O Corpo Nacional de Mil\u00edcias Armadas da Central Oper\u00e1ria Boliviana ser\u00e1 organizado do seguinte modo: 1 \u2014 O Comando Nacional. 2 \u2014 Comandos Departamentais e especiais. O Comando consistir\u00e1 do L\u00edder Nacional, camarada Victor Paz Estenssoro, e o Comandante em chefe, Camarada Juan Lech\u00edn Oquendo (..) os comandantes das c\u00e9lulas ser\u00e3o eleitos pelos milicianos dos departamentos, pelos Centros Departamentais e pelo Comando Nacional da COB\u2019 (&#8230;) A an\u00e1lise dos comandos militares \u00e9 diferente. Pensavam que a resolu\u00e7\u00e3o era um ataque \u00e0 institui\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas e, pior, era humilhante. (&#8230;)\u201d. (Poder e For\u00e7as Armadas, 1949-1982, General Gary Prado Salm\u00f3n, Cochabamba, 1984.)<\/p>\n<p><strong>A nacionaliza\u00e7\u00e3o das minas<\/strong><\/p>\n<p>A nacionaliza\u00e7\u00e3o das minas era uma das principais bandeiras da revolu\u00e7\u00e3o. Paz Estenssoro, com a inestim\u00e1vel ajuda de Lech\u00edn, conseguiu evitar que os oper\u00e1rios ocupassem as minas e os convenceu a esperar o decreto de nacionaliza\u00e7\u00e3o, que se concretizou em 31 de outubro de 1952. Mas, apesar disso, a press\u00e3o revolucion\u00e1ria era tanta que o MNR teve que adotar a reivindica\u00e7\u00e3o de nacionaliza\u00e7\u00e3o sem compensa\u00e7\u00e3o (apesar de que depois foram pagas algumas indeniza\u00e7\u00f5es para n\u00e3o desagradar ao imperialismo) sob controle dos trabalhadores. Esta palavra de ordem do POR era levantada unanimemente pelos mineiros e sua conquista (independentemente que depois fosse sendo esvaziado o seu conte\u00fado) significou um grande triunfo revolucion\u00e1rio e um grande fortalecimento para o proletariado mineiro que por mais de 50 anos atuou como a vanguarda indiscut\u00edvel da classe oper\u00e1ria boliviana. A burguesia necessitou de mais de 30 anos para acabar totalmente com esta conquista.<\/p>\n<p><strong>A revolu\u00e7\u00e3o no campo<\/strong><\/p>\n<p>Os camponeses, em sua maioria quechuas e aymaras, eram no m\u00ednimo 70% da popula\u00e7\u00e3o e viviam uma situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel. Estavam \u00e0 margem da economia nacional, n\u00e3o tinham direito ao voto, n\u00e3o tinham acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, tinham que cumprir obriga\u00e7\u00f5es de servid\u00e3o com os grandes latifundi\u00e1rios, que atuavam como senhores feudais com todos os direitos, inclusive o de pernada. Esta situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia provocado algumas explos\u00f5es e as massas camponesas vinham despertando gradualmente e fazendo alguns avan\u00e7os em sua organiza\u00e7\u00e3o. Frente \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o nas cidades e o colapso do ex\u00e9rcito, surgiu um forte movimento de ocupa\u00e7\u00e3o de terra, centralmente no vale de Cochabamba e na zona do Lago Titicaca.<\/p>\n<p>O \u00f3dio acumulado por tantos anos de explora\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e humilha\u00e7\u00e3o, ficou evidente nestas ocupa\u00e7\u00f5es, muitas das quais foram muito violentas e provocaram o justi\u00e7amento dos fazendeiros e suas fam\u00edlias. O processo de ocupa\u00e7\u00f5es foi se massificando, at\u00e9 que, em 2 de agosto de 1953, o governo do MNR editou a lei de Reforma Agr\u00e1ria, simplesmente legalizando o que as massas camponesas haviam conseguido com sua a\u00e7\u00e3o direta.<\/p>\n<p>A reforma agr\u00e1ria n\u00e3o resolveu o problema do campo. A distribui\u00e7\u00e3o de terra n\u00e3o resolve todos os problemas dos camponeses e nem sequer garante um grande incremento no abastecimento de produtos aliment\u00edcios para o pa\u00eds. Para isto deve haver eletricidade, mecaniza\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o do setor agr\u00edcola, da mesma forma que uma melhoria nas comunica\u00e7\u00f5es e meios de interc\u00e2mbio dos produtos. O que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com a expropria\u00e7\u00e3o dos principais setores da economia e a extens\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o na arena internacional.<\/p>\n<p>No entanto, as conquistas obtidas foram enormes e mostram a profundidade da revolu\u00e7\u00e3o. A Lei de Reforma Agr\u00e1ria que se imp\u00f4s n\u00e3o s\u00f3 legaliza as ocupa\u00e7\u00f5es, dissolve as fazendas e entrega as terras \u00e0s comunidades origin\u00e1rias ou a novas comunidades formadas pelos ex-trabalhadores das fazendas, mas tamb\u00e9m estabelece que \u201cn\u00e3o se reconhece o latif\u00fandio\u201d, que \u201ca terra \u00e9 de quem nela trabalha\u201d e que, portanto, est\u00e1 fora do mercado. Esta \u00e9 uma conquista da revolu\u00e7\u00e3o que at\u00e9 hoje n\u00e3o puderam liquidar totalmente e que funciona como uma trava para o avan\u00e7o da explora\u00e7\u00e3o capitalista do campo.<\/p>\n<p>A lei de reforma agr\u00e1ria foi imposta pela mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria das massas e desde o in\u00edcio o MNR tentou limitar seu alcance. Por exemplo, ao mesmo tempo em que n\u00e3o se reconhece o latif\u00fandio, se legaliza a grande propriedade sob a forma de empresa agr\u00edcola. Com isso, muitos latif\u00fandios foram mantidos gra\u00e7as ao expediente de mudar sua denomina\u00e7\u00e3o e passar a chamar-se Empresa Agr\u00e1ria. Apesar de ser uma grande conquista, a reforma agr\u00e1ria foi insuficiente: \u201centre 1954 e 1968 apenas cerca de 8 dos 36 milh\u00f5es de hectares de terra cultivada mudaram de m\u00e3os. Depois de 2 anos, 51% dos latif\u00fandios em La Paz, 49% em Chuquisaca e 76% em Oruro haviam sido afetados, mas em Tarija a cifra era de 33%, em Santa Cruz 36% e em Cochabamba apenas 16%, sendo o total nacional de 28,5%.\u201d (Rebelli\u00f3n in the Veins. Verso, p. 73)<\/p>\n<p><strong>Todo poder \u00e0 COB ou co-governo e apoio cr\u00edtico ao MNR?<\/strong><\/p>\n<p>Evidentemente se estava diante a uma situa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita: uma revolu\u00e7\u00e3o que liquida o ex\u00e9rcito burgu\u00eas e organiza seu pr\u00f3prio ex\u00e9rcito prolet\u00e1rio, que imp\u00f5e a nacionaliza\u00e7\u00e3o das minas e a reforma agr\u00e1ria, que cria um organismo de duplo poder nacional, centralizado e armado, com um programa trotskista.<\/p>\n<p>Logicamente que nem tudo era favor\u00e1vel. Lech\u00edn, um dos burocratas mais h\u00e1beis e sinistros da hist\u00f3ria, tinha a condu\u00e7\u00e3o da COB e, atrav\u00e9s dele, o governo e a rea\u00e7\u00e3o burguesa tentavam desmontar a revolu\u00e7\u00e3o. Mas haviam extraordin\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es para aplicar a pol\u00edtica que Lenin aconselhou nas Teses de Abril: convencer a maioria dos oper\u00e1rios organizados na COB e nas mil\u00edcias de que o governo de Paz Estenssoro n\u00e3o era o seu governo, com ele n\u00e3o viria a liberta\u00e7\u00e3o do imperialismo, nem o trabalho, nem o p\u00e3o, nem a terra e que para conseguir tudo isso a COB tinha de tomar o poder.<\/p>\n<p>Os trotskistas bolivianos estavam em muito boas condi\u00e7\u00f5es para encarar essa tarefa. Apesar de n\u00e3o terem conseguido consolidar organicamente sua influ\u00eancia, vinham ganhando muito prest\u00edgio pol\u00edtico. Seu papel nos acontecimentos de abril foi tal que inclusive um dos fundadores do partido stalinista reconheceu que \u201cEste levantamento armado foi dirigido e conduzido \u00e0 vit\u00f3ria pelo pessoal dirigente do MNR, Hern\u00e1n Siles Suazo, por Juan Lech\u00edn Oquendo, Edwin M\u00f6ller, Alandia Pantoja, Villegas e outros\u201d1. Isto \u00e9, o POR tinha \u00f3timas condi\u00e7\u00f5es para, com uma pol\u00edtica correta, lutar para ganhar a dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da COB e dirigir a luta pela tomada do poder.<\/p>\n<p>Mas o POR boliviano, seguindo os conselhos da dire\u00e7\u00e3o pablista da IV Internacional2, aplicou uma pol\u00edtica oposta \u00e0 de Lenin.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Lora reconhecia que \u201cA COB era o amo do pa\u00eds, e na realidade, durante um certo per\u00edodo, foi o \u00fanico centro do poder digno desse nome\u201d. (&#8230;) que \u201cPara a maioria das massas, a COB era seu \u00fanico l\u00edder e seu \u00fanico governo\u201d3. No entanto, n\u00e3o chamou as massas a desconfiar do governo burgu\u00eas e a lutar pelo poder da COB como \u00fanica forma de responder aos interesses dos oper\u00e1rios e camponeses. Pelo contr\u00e1rio, deu apoio cr\u00edtico e defendeu o co-governo, isto \u00e9, a participa\u00e7\u00e3o de ministros da COB no governo do MNR, confiando em que, dessa maneira, a COB poderia controlar o governo burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Nove dias depois do levante de 9 de abril, declaravam que \u201cna medida em que leva a cabo o programa prometido, o POR ap\u00f3ia o governo que surgiu da insurrei\u00e7\u00e3o popular de 9 de abril (&#8230;) que tinha dois ministros oper\u00e1rios no gabinete pequeno-burgu\u00eas, mas estava inteiramente controlado e ligado \u00e0s decis\u00f5es da COB\u201d.4 E nas resolu\u00e7\u00f5es de sua X Confer\u00eancia coloca: \u201cNo momento presente nossa t\u00e1tica consiste em agrupar nossas for\u00e7as, em aglutinar o proletariado e os camponeses em um s\u00f3 bloco para defender um governo que n\u00e3o \u00e9 o nosso\u201d.\u201cLonge de lan\u00e7ar a palavra de ordem de derrubada do regime de Paz Estenssoro, n\u00f3s o sustentamos para que resista \u00e0 investida da \u2018rosca\u2019(&#8230;) Esta atitude manifesta-se primeiro como press\u00e3o sobre o governo para que realize as aspira\u00e7\u00f5es mais sentidas dos oper\u00e1rios e camponeses\u201d.5<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o na Bol\u00edvia depois de 9-12 de abril de 1952 era similar \u00e0 da R\u00fassia depois da revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro de 1917. Havia dois poderes no pa\u00eds, mas o mais forte, o que tinha car\u00e1ter de massas, era o das organiza\u00e7\u00f5es populares e oper\u00e1rias que, devido \u00e0s suas dire\u00e7\u00f5es conciliadoras, entregaram o poder a um d\u00e9bil governo burgu\u00eas. A tomada do poder pelos sovietes e pela COB poderia ter ocorrido pacificamente. O velho aparato militar j\u00e1 havia entrado em colapso. O caminho estava aberto para o poder oper\u00e1rio, que tinha suas pr\u00f3prias armas e o povo atr\u00e1s dele, e poderia ter tomado o poder total. O \u00fanico obst\u00e1culo para que a COB e os sovietes russos fizessem isso era que suas dire\u00e7\u00f5es insistiam em resgatar a burguesia. Na R\u00fassia, esse obst\u00e1culo foi superado e os oper\u00e1rios tomaram o poder. Na Bol\u00edvia, n\u00e3o.<\/p>\n<p>A grande diferen\u00e7a foi a forma como o partido revolucion\u00e1rio agiu. Os Bolcheviques exigiram que os sovietes rompessem com o governo provis\u00f3rio burgu\u00eas e tomassem o poder em suas m\u00e3os, como \u00fanica forma de conseguir a paz, o p\u00e3o e a terra. O POR chamou a defesa do governo burgu\u00eas para que este \u201crealize as aspira\u00e7\u00f5es mais sentidas dos oper\u00e1rios e camponeses\u201d.<\/p>\n<p>E quando, como n\u00e3o poderia ser de outro modo, o governo de Paz Estenssoro come\u00e7ou seu giro \u00e0 direita, encontraram outra variante burguesa em quem depositar suas esperan\u00e7as: a esquerda do MNR, encabe\u00e7ada por Lech\u00edn. Em sua confer\u00eancia nacional, de novembro de 1952, declararam que \u201co POR apoiar\u00e1 a esquerda do MNR em sua luta contra a direita do partido\u201d e em agosto de 1953, depois de uma crise ministerial, afirmavam: \u201cO \u00fanico resultado pol\u00edtico da situa\u00e7\u00e3o presente: o deslocamento da direita do MNR do poder pela esquerda. Todo o poder \u00e0 esquerda!\u201d6.<\/p>\n<p>A ala esquerda do MNR n\u00e3o tinha um car\u00e1ter diferente, apesar de que sua principal figura era Lech\u00edn; era apenas a ala esquerda de um partido burgu\u00eas. O POR n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o enfrentava as ilus\u00f5es das massas, como estava prisioneiro de seus pr\u00f3prios desejos. Assim, passou de confiar em que Paz Estenssoro avan\u00e7asse at\u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o e o trotskismo7, depositando todas as ilus\u00f5es na \u201cala esquerda\u201d, em especial em Juan Lech\u00edn Oquendo, a quem considerava sob sua influ\u00eancia. Em uma de suas an\u00e1lises da revolu\u00e7\u00e3o, Lora diz: \u201cLech\u00edn n\u00e3o fez mais que operar sob a poderosa press\u00e3o das massas e do POR. Nos discursos dos l\u00edderes oper\u00e1rios desse per\u00edodo (refere-se a 52-53) e nos planos apresentados ao gabinete de Paz Estenssoro pode ser encontrada a marca do POR\u201d.8A partir da pol\u00edtica do astuto burocrata de usar o POR (assim como depois usou outras organiza\u00e7\u00f5es) para que lhe escrevessem os discursos vermelhos que lhe permitiram maquiar-se diante das massas radicalizadas, Lora caiu na ilus\u00e3o de que eles dirigiam Lech\u00edn. Na Quarta Internacional chegou-se a dizer que Lech\u00edn era um \u201cmilitante clandestino do POR\u201d. Quando se deram conta de que, pelo contr\u00e1rio, era o POR que inconscientemente estava militando para a pol\u00edtica contra-revolucion\u00e1ria de Lech\u00edn, j\u00e1 pouco se podia fazer.<\/p>\n<p>Como era de se esperar, a esquerda do MNR n\u00e3o deu nenhuma sa\u00edda revolucion\u00e1ria \u00e0 situa\u00e7\u00e3o. O que fez foi dar o tempo necess\u00e1rio para que o governo reconstru\u00edsse o ex\u00e9rcito e as mil\u00edcias gastassem sua muni\u00e7\u00e3o e ficassem com as armas praticamente inserv\u00edveis.9<\/p>\n<p>S\u00f3 quatro anos depois do in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o, o POR percebeu qual era a verdadeira situa\u00e7\u00e3o. Em uma resolu\u00e7\u00e3o de seu Comit\u00ea Executivo, de maio de 1956, afirmou: \u201cFortalecendo e desenvolvendo todos os organismos de poder, frente aos choques com o governo, com a burguesia, com a oligarquia e com o imperialismo, frente ao parlamento e \u00e0s tentativas de tirar a influ\u00eancia dos sindicatos por parte do governo de Siles, n\u00f3s estimularemos a tend\u00eancia das massas reivindicando: Que a COB resolva todos os problemas! Todo o poder \u00e0 COB!\u201d10 Finalmente, propunha a sa\u00edda revolucion\u00e1ria! Era uma vit\u00f3ria dos que haviam defendido essa pol\u00edtica dentro das fileiras da Quarta Inter\u00adnacional, como foi o caso de nossa corrente. Mas era uma vit\u00f3ria tardia. Tantos anos com a pol\u00edtica equivocada de semear ilus\u00f5es no governo burgu\u00eas e na burocracia lechinista teve seus frutos. Esta proposta do POR ficou em total minoria dentro da COB. Havia se deixado passar o momento em que os trotskistas poderiam ter dirigido a tomada do poder na Bol\u00edvia. Isto foi reconhecido pelo pr\u00f3prio Lora em 1963, em uma das poucas autocr\u00edticas que se conhece dele e que depois nunca mais voltou a mencionar: \u201cO POR usou estes acontecimentos para lan\u00e7ar a palavra de ordem de \u2018controle total do gabinete pela esquerda\u2019 (&#8230;) A palavra de ordem, no entanto, continha os sinais de um erro ideol\u00f3gico enorme: acreditar que os trabalhadores podiam alcan\u00e7ar o poder via Lech\u00edn. Teria sido mais correio mobilizar as massas com a palavra de ordem de \u2018todo o poder \u00e0 COB\u2019 (&#8230;) O lema de \u2018todo o poder \u00e0 COB\u2019 poderia ter conduzido \u00e0 vit\u00f3ria dos trabalhadores em duas ocasi\u00f5es excepcionalmente favor\u00e1veis. A primeira foi quando a agita\u00e7\u00e3o em torno da nacionaliza\u00e7\u00e3o imediata das minas sem compensa\u00e7\u00e3o e sob o controle oper\u00e1rio alcan\u00e7ou seu ponto mais alto (primeira metade de 1952). A segunda surgiu com a derrota do golpe de Estado de 6 de janeiro de 1953. N\u00e3o tomar a devida vantagem destas oportunidades e ficar atr\u00e1s, vociferando as palavras de ordem da esquerda do MNR, foram os maiores erros do POR\u201d.11<\/p>\n<p><strong>O desmonte e a derrota da revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Como era de se esperar, o governo come\u00e7ou a ter uma pol\u00edtica para responder a um dos problemas centrais que a revolu\u00e7\u00e3o havia colocado: o armamento. O j\u00e1 citado General Gary Prado explica uma dessas t\u00e1ticas: \u201cCom este objetivo (o de ter um grau de controle sobre as mil\u00edcias), por meio do engano, o chefe do quartel general, Germ\u00e1n Armando Fort\u00fan, ofereceu ministrar \u00e0 COB todos os conselhos necess\u00e1rios para melhorar a organiza\u00e7\u00e3o das mil\u00edcias armadas, tais como nomear instrutores para dar aos milicianos atitudes disciplinadas, treinamento militar b\u00e1sico e responsabilidade, entendendo de que as mil\u00edcias seriam, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a reserva das For\u00e7as Armadas da Na\u00e7\u00e3o (&#8230;) A oferta do Quartel General foi ardorosamente aceita pela COB (&#8230;) deste modo teve \u00eaxito, em certa medida, o tratamento do problema das mil\u00edcias, pelo menos para impedir que tivessem uma estrutura que as convertessem em um ex\u00e9rcito paralelo. O Comando Nacional das mil\u00edcias nunca funcionou apropriadamente\u201d.12<\/p>\n<p>Assim, o governo de Paz Estenssoro, com o apoio das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, foi submetendo as mil\u00edcias oper\u00e1rias ao ex\u00e9rcito burgu\u00eas. Em vez de lutar para faz\u00ea-las cada vez mais independentes e op\u00f4-las \u00e0s for\u00e7as armadas burguesas, a dire\u00e7\u00e3o de Lech\u00edn \u201cardorosamente aceitou\u201d a proposta do Alto Comando do ex\u00e9rcito genocida, que havia sido derrotado pela revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir da reconstru\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito v\u00e3o se sucedendo diferentes governos do MNR (em um deles Lech\u00edn foi vice-presidente) que se moveram com o mesmo objetivo: ir pouco a pouco desmontando o duplo poder. \u00c9 falso o que se dizia (para justificar a capitula\u00e7\u00e3o aos governos do MNR) que, nesse momento, o imperialismo estava preparando um golpe. Pelo contr\u00e1rio, o imperialismo deixou que o MNR e a burocracia lechinista cumprissem a tarefa de desmontar a revolu\u00e7\u00e3o. E o MNR (assim como Lech\u00edn) preocuparam-se em fazer tudo certo para conseguir o apoio do imperialismo. A fa\u00admosa viagem de Lech\u00edn (como vice-presidente) \u00e0 China Nacionalista de Chiang Kai Shek foi parte disso.<\/p>\n<p>O golpe veio mais tarde, depois que o MNR completara o trabalho sujo e come\u00e7ara seu desgaste. A a\u00e7\u00e3o cada vez mais reacion\u00e1ria do MNR custou-lhe bastante caro. Abriu uma grande crise em sua rela\u00e7\u00e3o com o movimento de massas que se expressou em diversas rupturas (Walter Guevara Arze funda o PRA, Lech\u00edn cria o PRIN, Hern\u00e1n Siles Suazo, segunda figura do partido, constitui o MNR de esquerda).<\/p>\n<p>Com a perda de for\u00e7a do MNR, o centro do poder foi passando gradualmente para o ex\u00e9rcito reconstru\u00eddo. E, em novembro de 1964, sai vitorioso o golpe encabe\u00e7ado pelos generais Ren\u00e9 Barrientos Ortu\u00f1o e Alfredo Ovando Candia.<\/p>\n<p>Em meados de 1965 o governo militar desata uma ofensiva para liquidar os restos do duplo poder. O Ex\u00e9rcito ocupa as minas e derrota uma greve geral chamada pela COB. Os bairros oper\u00e1rios de La Paz rebelam-se sem nenhuma dire\u00e7\u00e3o. O Ex\u00e9rcito e a Avia\u00e7\u00e3o usaram todas as armas para destruir as barricadas oper\u00e1rias e conseguiram seu objetivo. Assim se enterrou a grande revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria de 1952.<\/p>\n<p><strong>A pol\u00eamica na IV Internacional: duas pol\u00edticas frente \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o boliviana<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 correntes que opinam que o trotskismo de conjunto fracassou ao n\u00e3o ser capaz de manter uma pol\u00edtica bolchevique na Bol\u00edvia em 1952. Entre eles, por exemplo, o argentino Liborio Justo.13 Esta posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem respaldo na realidade. Primeiro, porque n\u00e3o \u00e9 certo que ningu\u00e9m questionou a pol\u00edtica que se estava aplicando na Bol\u00edvia. E, segundo, porque a realidade \u00e9 que, na IV Internacional, n\u00e3o houve uma, mas sim duas pol\u00edticas frente a revolu\u00e7\u00e3o boliviana.<\/p>\n<p>A responsabilidade sobre a pol\u00edtica do POR boliviano, que n\u00e3o apenas foi um erro, mas uma trai\u00e7\u00e3o, recai centralmente na dire\u00e7\u00e3o pablista da Quarta Internacional, que ganhou para a sua pol\u00edtica \u00e0 jovem e inexperiente se\u00e7\u00e3o boliviana. J\u00e1 antes do in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o, desde a dire\u00e7\u00e3o internacional, havia se dado a orienta\u00e7\u00e3o de apoio ao MNR: \u201cpor outro lado, em caso de mobiliza\u00e7\u00e3o de massas sob o impulso da influ\u00eancia preponderante do MNR, nossa se\u00e7\u00e3o boliviana deve sustentar com todas as suas for\u00e7as o movimento, n\u00e3o se abster, mas pelo contr\u00e1rio intervir energicamente para lev\u00e1-la o mais longe poss\u00edvel, compreendendo isto at\u00e9 a tomada do poder pelo MNR, sobre a base do programa progressivo da frente \u00fanica antiimperialista\u201d.14 Um ano depois da revolu\u00e7\u00e3o diziam: \u201cO POR come\u00e7ou com um apoio justo mas cr\u00edtico ao governo do MNR\u201d.15<\/p>\n<p>Mas estas n\u00e3o eram as \u00fanicas vozes sobre a revolu\u00e7\u00e3o boliviana que se ouviam na IV Internacional. Houve quem pedisse explica\u00e7\u00f5es; foi o caso da tend\u00eancia californiana do SWP dirigida por Vern e Ryan (que depois saiu do trotskismo), que denunciou que a pol\u00edtica do POR era menchevique, centralmente por n\u00e3o se opor ao governo burgu\u00eas, mas apoi\u00e1-lo \u201ccriticamente\u201d. Mas, al\u00e9m disso, houve quem defendeu incansavelmente uma proposta alternativa \u00e0 da dire\u00e7\u00e3o da Quarta e do POR boliviano. Foi o caso de nossa corrente encabe\u00e7ada por Nahuel Moreno.16<\/p>\n<p>A corrente dirigida por Moreno foi precisando sua pol\u00edtica na medida em que avan\u00e7ava em seu conhecimento da realidade boliviana, mas desde o primeiro momento chamou a enfrentar o governo burgu\u00eas do MNR. Em maio de 1952, contrapondo-se ao apoio cr\u00edtico do governo do MNR, Frente Prolet\u00e1ria, o jornal do POR argentino, dizia: \u201ca vanguarda oper\u00e1ria boliviana deve ser consciente de que sua luta est\u00e1 apenas come\u00e7ando e que est\u00e1 no momento crucial para determinar por seu pr\u00f3prio e decisivo peso se ganha avan\u00e7ando pelo caminho revolucion\u00e1rio at\u00e9 o poder autenticamente oper\u00e1rio ou se perde pelo caminho da concilia\u00e7\u00e3o e da esperan\u00e7a passiva nos quadros dirigentes do MNR\u201d.17Em 26 de julho de 1952, diante da reorganiza\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito, sob o t\u00edtulo de \u201cPaz Estenssoro quer desarmar a revolu\u00e7\u00e3o\u201d, diz\u00edamos: \u201cHoje, como nunca, a palavra de ordem \u2018Quadros oper\u00e1rios armados!\u2019 deve fazer se concretizar para enfrentar o governo de Estenssoro que prepara o caminho da trai\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Desde maio\/junho de 52, o POR argentino come\u00e7a a propor o controle do governo pela COB e a denunciar Juan Lech\u00edn Oquendo como agente do governo na central oper\u00e1ria. Finalmente, em janeiro de 1953, denunci\u00e1vamos o car\u00e1ter traidor da dire\u00e7\u00e3o da COB, afirmando que \u201cLech\u00edn serve \u00e0 Rosca\u201d, ao mesmo tempo em que, com total clareza, levant\u00e1vamos a palavra de ordem \u201cTodo o poder \u00e0 COB\u201d.18<\/p>\n<p>Durante todo esse per\u00edodo n\u00e3o se encontra nem uma linha onde a dire\u00e7\u00e3o pablista da Quarta, que definia a situa\u00e7\u00e3o como de \u201ckerenskismo muito avan\u00e7ado\u201d19, chame o poder da COB e das mil\u00edcias. Em 1954, diante do giro \u00e0 direita do MNR, a dire\u00e7\u00e3o pablista prop\u00f5e um programa democr\u00e1tico: elei\u00e7\u00f5es gerais, voto universal, assembl\u00e9ia constituinte e a apresenta\u00e7\u00e3o de chapas oper\u00e1rias nessas elei\u00e7\u00f5es, como forma de provocar uma diferencia\u00e7\u00e3o no seio do MNR. Moreno (utilizando a mesma t\u00e1tica de Lenin em 1917) responde: \u201cA linha seria perfeita com um acr\u00e9scimo: para garantir tudo isso (constituinte, elei\u00e7\u00f5es etc.) \u00e9 necess\u00e1rio que a COB tome o poder\u201d.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia das duas pol\u00edticas contrapostas \u00e9 indiscut\u00edvel. Por isso, o problema n\u00e3o \u00e9 o trotskismo em geral. Foi a pol\u00edtica da dire\u00e7\u00e3o pablista (baseada na convic\u00e7\u00e3o de que havia que entrar ou apoiar os PCs, partidos socialistas ou nacionalistas burgueses, de onde sairiam as correntes centristas que dirigiriam a revolu\u00e7\u00e3o), aplicada por Lora, que fracassou na Bol\u00edvia e frustrou a grande oportunidade que a revolu\u00e7\u00e3o abriu para o trotskismo latino-americano.<\/p>\n<p><strong>As li\u00e7\u00f5es da revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o boliviana de 52 foi a maior, mais perfeita e cl\u00e1ssica revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria que ocorreu depois da russa de 1917. Foi t\u00e3o profunda que, apesar de derrotada, foi preciso derrotar outra revolu\u00e7\u00e3o (a de 1985) para terminar de reverter suas conquistas. E algumas, como a reforma agr\u00e1ria, ainda n\u00e3o foram eliminadas totalmente.<\/p>\n<p>Mas estas grandes conquistas da revolu\u00e7\u00e3o &#8211; a nacionaliza\u00e7\u00e3o com controle oper\u00e1rio, a reforma agr\u00e1ria -, ao n\u00e3o serem seguidas pela conquista superior que estava colocada &#8211; a tomada do poder pelos trabalhadores -, foram se esvaziando de conte\u00fado e come\u00e7aram a ser utilizdas a favor do poder burgu\u00eas. Assim, as empresas nacionalizadas serviram para o enriquecimento dos administradores do MNR e foi se formando uma nova burguesia que substituiu a velha oligarquia mineira desalojada pela revolu\u00e7\u00e3o. O controle oper\u00e1rio institucionalizou-se na forma dos diretores oper\u00e1rios da Comibol20 que, ao final, s\u00f3 serviram para fortalecer o poder da burocracia sindical. A Lei da Reforma Agr\u00e1ria foi burlada, e os latif\u00fandios voltaram a existir, com a manobra de redenominarem-se \u201cempresas agr\u00edcolas\u201d, e a realidade \u00e9 que 2 milh\u00f5es de fam\u00edlias camponesas (em sua grande maioria pertencentes aos povos origin\u00e1rios) trabalham 5 milh\u00f5es de hectares de terra, enquanto que menos de 100 fam\u00edlias possuem os 27 milh\u00f5es de hectares restantes de terras cultiv\u00e1veis.<\/p>\n<p>Mas a principal conseq\u00fc\u00eancia negativa da derrota da revolu\u00e7\u00e3o de 52 tem a ver com a crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Em 52 surgiu a possibilidade de come\u00e7ar a se reverter essa crise. Se na Bol\u00edvia tivesse ocorrido a luta pelo poder oper\u00e1rio encabe\u00e7ada pelo partido trotskista (sem falar se tivesse triunfado), teria se aberto a possibilidade de que a Quarta Internacional ganhasse influ\u00eancia de massas, como m\u00ednimo na Am\u00e9rica Latina. Isto poderia mudar o destino de nosso continente. Imaginemos o que poderia ter ocorrido se em 1959 a revolu\u00e7\u00e3o cubana tivesse encontrado uma Internacional revolucion\u00e1ria com peso de massas, com capacidade e vontade de estender a revolu\u00e7\u00e3o a n\u00edvel continental!<\/p>\n<p>Mas esta possibilidade se frustrou. E essa frustra\u00e7\u00e3o veio da pior maneira. N\u00e3o pela superioridade do inimigo, mas porque o partido revolucion\u00e1rio n\u00e3o esteve \u00e0 altura das circunst\u00e2ncias. N\u00e3o se prop\u00f4s a lutar pelo poder oper\u00e1rio, mas capitulou ao governo de concilia\u00e7\u00e3o de classes. A partir da\u00ed, na Bol\u00edvia cumpriu-se a anunciada lei de Engels: \u201cum partido revolucion\u00e1rio que perde sua oportunidade desaparece por toda uma \u00e9poca hist\u00f3rica\u201d.<\/p>\n<p>O POR entrou em uma crise muito profunda e entrou em um processo de sucessivas divis\u00f5es que levaram \u00e0 dispers\u00e3o do trotskismo boliviano, que nunca mais voltou a recuperar o peso de massas que teve em 52 e assim abriu espa\u00e7o para o desenvolvimento do stalinismo, que at\u00e9 este momento n\u00e3o havia podido fincar ra\u00edzes na classe oper\u00e1ria boliviana.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 1956, o candidato apoiado pelos setores nos quais se havia dividido o POR teve 2.239 votos para presidente, contra 786.729 de Siles Suazo do MNR e 12.273 do stalinismo.<\/p>\n<p><strong>Por mais duas vezes a hist\u00f3ria volta a se repetir<\/strong><\/p>\n<p>A classe oper\u00e1ria boliviana tem uma capacidade de recupera\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria. Assim, depois de passar por ditaduras e fortes repress\u00f5es, ocorrem outros dois importantes processos revolucion\u00e1rios, em 1971 e 1985 que, apesar de menor magnitude que o de 1952, voltam a colocar o problema do poder. Nos dois casos, a COB dirige e centraliza os enfrentamentos e sua dire\u00e7\u00e3o (encabe\u00e7ada ainda por Lech\u00edn) nega-se a lutar pelo poder, dando (expl\u00edcita ou implicitamente) o apoio a alguma variante burguesa. Posi\u00e7\u00e3o que, de fato, \u00e9 fortalecida pelos diversos setores da esquerda que, com diferentes argumentos (a COB n\u00e3o \u00e9 um soviete, \u00e9 s\u00f3 um sindicato; \u00e9 dirigida por uma burocracia), negam-se a exigir de sua dire\u00e7\u00e3o que rompa com a burguesia e tome o poder para aplicar o programa oper\u00e1rio da COB.<\/p>\n<p>O resultado era previs\u00edvel: a derrota da revolu\u00e7\u00e3o. No primeiro caso, esta se produz por meio do golpe dirigido pelo general Banzer que inaugura 7 anos de uma repressiva ditadura. No segundo caso, a derrota se d\u00e1 de forma \u201cpac\u00edfica\u201d. Lech\u00edn convence os 10 mil mineiros armados com dinamite, que por 16 dias ocuparam a cidade de La Paz, a voltar a suas cidades porque n\u00e3o tinham armas. A burguesia, com a media\u00e7\u00e3o da Igreja, adianta as elei\u00e7\u00f5es para substituir o agonizante governo de frente popular, encabe\u00e7ado por Siles Suazo. Os oper\u00e1rios, profundamente desmoralizados por ver fracassar aquele que acreditavam ser o seu governo, v\u00eaem como o velho conhecido Paz Estenssoro surge como novo presidente. Ironicamente ele, que fora imposto pela revolu\u00e7\u00e3o de 52, \u00e9 quem aplica o plano neoliberal de desmonte do que sobrara das conquistas dessa revolu\u00e7\u00e3o. Esta derrota, que foi muito menos violenta que as anteriores, foi a mais profunda de todas elas. Os trabalhadores, influenciados pelo Partido Comunista e por outras organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, acreditavam que haviam chegado ao poder por meio do governo de frente popular e agora sentiam que haviam fracassado no cumprimento do objetivo hist\u00f3rico que apontavam as teses socialistas da COB. Isto provocou uma desmoraliza\u00e7\u00e3o generalizada, agravada com as conseq\u00fc\u00eancias da aplica\u00e7\u00e3o do plano neoliberal: privatiza\u00e7\u00f5es, fechamento de minas, demiss\u00e3o em massa de trabalhadores.<\/p>\n<p>Mas, honrando sua tradi\u00e7\u00e3o, mais uma vez a classe oper\u00e1ria boliviana, com sua gloriosa central oper\u00e1ria, encabe\u00e7ando aos camponeses e demais setores populares, volta a p\u00f4r em cheque o poder burgu\u00eas. E responsabilidade dos revolucion\u00e1rios bolivianos e latino-americanos fazer todos os esfor\u00e7os para construir a dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que impe\u00e7a que, uma vez mais, a hist\u00f3ria volte a se repetir.<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Mem\u00f3rias do primeiro ministro oper\u00e1rio, Waldo \u00c1lvares, La Paz, 1986, p. 188. M\u00f6ller e Alandia Pantoja eram militantes do POR.<\/li>\n<li>A IV Internacional sai muito debilitada da Segunda Guerra. Trotsky havia sido assassinado e grande parte de seus quadros haviam sofrido a persegui\u00e7\u00e3o e a morte nas m\u00e3os do nazismo e do stalinismo. A dire\u00e7\u00e3o que assume (Michel Pablo e Ernest Mandel), muito jovem e inexperiente, impressiona-se com as expropria\u00e7\u00f5es que foram feitas pelo Ex\u00e9rcito Vermelho. Caracterizam que vem a terceira guerra mundial (entre a URSS e o imperialismo) e que isso far\u00e1 com que os PCs radicalizem. Aconselham o \u201centrismo sui generis\u201d nos PCs (para orientar a sua dire\u00e7\u00e3o at\u00e9 uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria) e nos movimentos nacionalistas nos pa\u00edses coloniais ou semicoloniais.<\/li>\n<li>Guillermo Lora, Hist\u00f3ria do Movimento Oper\u00e1rio Boliviano.<\/li>\n<li>Luta Oper\u00e1ria, jornal do POR. 18.IV.1952, p. 2. Os ministros eram Lech\u00edn e Butr\u00f3n.<\/li>\n<li>Teses da X Confer\u00eancia do POR, citadas por Liborio Justo em Bol\u00edvia: a revolu\u00e7\u00e3o derrotada, Rojas Ara\u00fajo editor, Cochabamba, 1967, p. 223.<\/li>\n<li>Boletim interno do POR, citado por Liborio Justo em Bol\u00edvia: a revolu\u00e7\u00e3o derrotada.<\/li>\n<li>\u201cSeu discurso (o de Paz Estenssoro) de 21 de julho (1952) \u00e9 bastante claro. N\u00e3o s\u00f3 ofereceu \u2018nacionalizar as minas e levar a revolu\u00e7\u00e3o ao campo sem ter em conta as conseq\u00fc\u00eancias\u2019, mas que prometeu \u2018armar os mineiros e os trabalhadores fabris\u2019, de tal modo que puderam defender a revolu\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio modo\u201d.Lucha Obrera, 5\/8\/52. \u201cO presidente, revisando o conjunto de sua atitude pol\u00edtica passada, aponta objetivos anticapitalistas e n\u00e3o meramente antiimperialistas e antifeudais para a revolu\u00e7\u00e3o. Este discurso pode muito facilmente ser considerado como trotskista (&#8230;)\u201d.Lucha Obrera, 5\/8\/53.<\/li>\n<li>A Revolu\u00e7\u00e3o Boliviana: An\u00e1lise cr\u00edtica, Guillermo Lora, La Paz, 1963, p. 254.<\/li>\n<li>Uma das pol\u00edticas de Paz Estenssoro foi mudar o calibre das armas do ex\u00e9rcito, deixando de importar as muni\u00e7\u00f5es para o calibre anterior.<\/li>\n<li>Resolu\u00e7\u00e3o do CE do POR boliviano de maio de 1956, citado por Liborio Justo e por Nahuel Moreno em O Partido e a Revolu\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Guillermo Lora, La revoluci\u00f3n Boliviana: An\u00e1lise Critico, La Paz, 1963.<\/li>\n<li>Poder y Fuerzas Armadas, General Gary Prado Salm\u00f3n.<\/li>\n<li>Liborio Justo (Quebracho). Um dos fundadores do trotskismo argentino, autor de um dos melhores trabalhos sobre a revolu\u00e7\u00e3o de 52 (Bol\u00edvia: la revoluci\u00f3n derrotada). Abandonou o trotskismo e a IV Internacional e passou a defender a constru\u00e7\u00e3o da V.<\/li>\n<li>\u201cTarefas espec\u00edficas e gerais do movimento prolet\u00e1rio marxista revolucion\u00e1rio na Am\u00e9rica Latina\u201d, Terceiro Congresso da IV Internacional, agosto 1951 &#8211; Citado em O Partido e a Revolu\u00e7\u00e3o, Nahuel Moreno.<\/li>\n<li>Revista Quatri\u00e8me Internationale, abril, 1953.<\/li>\n<li>Nahuel Moreno, trotskista argentino, fundador e principal dirigente da LIT-QI, em 1952 dirigia o POR argentino de onde participou na pol\u00eamica sobre a revolu\u00e7\u00e3o de 52, junto a outros trotskistas latino-americanos com os quais havia formado o SLATO (Secretariado Latino-Americano de Trotskismo Ortodoxo).<\/li>\n<li>Frente Prolet\u00e1ria, n\u00ba 73, 29 de maio de 1952.<\/li>\n<li>Frente Prolet\u00e1ria, n\u00ba 107, 15 de janeiro de 1953. Citado em O trotskismo oper\u00e1rio e internacionalista na Argentina.<\/li>\n<li>Quatri\u00e8me Internationale, julho, 1953, Citado por N. Moreno em O Partido e a Revolu\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Empresa Estatal Mineira<\/li>\n<\/ol>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Raymundo Alves<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"background: white; line-height: 15pt;\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de 50 anos que na Bol\u00edvia se repete, com varia\u00e7\u00f5es, a mesma hist\u00f3ria. Por um lado, o movimento de massas, com a classe oper\u00e1ria \u00e0 cabe\u00e7a, se entrega em cheio, p\u00f5e o corpo, o sangue, a vida, desestabiliza e algumas vezes destr\u00f3i o regime burgu\u00eas. 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