{"id":20869,"date":"2019-11-07T12:00:00","date_gmt":"2019-11-07T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=20869"},"modified":"2019-11-07T12:00:00","modified_gmt":"2019-11-07T14:00:00","slug":"outubro-de-2019-102-anos-da-revolucao-russa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/11\/07\/outubro-de-2019-102-anos-da-revolucao-russa\/","title":{"rendered":"Outubro de 2019: 102 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa"},"content":{"rendered":"<p>Aos 102 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, reproduzimos o artigo de Mart\u00edn Hernandez, escrito em 2017<\/p>\n<p><em>Em 1917, no dia seguinte ao triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, Lenin, seu grande dirigente, come\u00e7ou seu discurso no Congresso Pan-Russo dos Sovietes com as seguintes palavras: \u201cPassemos agora \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o da ordem socialista\u201d.<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Por:\u00a0Mart\u00edn Hern\u00e1ndez<\/p>\n<p>Setenta anos depois, em 1987, j\u00e1 n\u00e3o restava nada daquela ordem socialista. A burguesia havia recuperado o poder e, com isso, o capitalismo come\u00e7ava a ser restaurado.<\/p>\n<p>Essa realidade provocou e continua provocando \u2013 como n\u00e3o poderia ser \u2013 enormes d\u00favidas na esquerda de todo o mundo, pois os fatos pareciam demonstrar o fracasso do socialismo ou, no m\u00ednimo, do caminho adotado pelos nossos mestres para chegar a el<\/p>\n<p><strong>I \u2013 O direito \u00e0 vit\u00f3ria do socialismo<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s, marxistas, elaboramos nossas opini\u00f5es a partir da an\u00e1lise da realidade. Nesse caso, n\u00e3o poderia ser diferente. A restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo na R\u00fassia e no resto dos ex-estados oper\u00e1rios nos obrigam a tirar conclus\u00f5es, mas, para faz\u00ea-lo, \u00e9 necess\u00e1rio estudar cuidadosamente o que realmente ocorreu na R\u00fassia, o ber\u00e7o da maior revolu\u00e7\u00e3o socialista da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Russa iniciou o caminho em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo. Isso \u00e9 um fato. Esse caminho n\u00e3o culminou no socialismo. Isso tamb\u00e9m \u00e9 um fato. Mas n\u00e3o basta apontar os fatos. Temos de explic\u00e1-los. Por que esse caminho n\u00e3o levou ao socialismo? Foi porque o caminho estava mal tra\u00e7ado ou foi porque, ainda que bem tra\u00e7ado, foi interrompido?<\/p>\n<p>Essas duas perguntas s\u00e3o decisivas n\u00e3o s\u00f3 para entender o passado, mas tamb\u00e9m para atuar em dire\u00e7\u00e3o ao futuro, porque se o caminho fosse mal tra\u00e7ado, n\u00f3s que aspiramos a conquistar o socialismo estaremos obrigados a buscar novos caminhos. Pelo contr\u00e1rio, se o caminho estava bem tra\u00e7ado e foi interrompido, trata-se de remover os obst\u00e1culos que o interromperam para retom\u00e1-lo.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>O socialismo, um velho ideal<\/strong><\/p>\n<p>Muitas vezes, considera-se que a ideia de uma sociedade socialista ou comunista (que, apesar de serem ideias diferentes, no imagin\u00e1rio popular s\u00e3o sin\u00f4nimos) corresponde a Marx e a Engels. Mas isso n\u00e3o \u00e9 assim.<\/p>\n<p>Esse ideal \u00e9 muito antigo. J\u00e1 Plat\u00e3o, 380 a.C., referia-se a ele em sua obra <em>A Rep\u00fablica<\/em>. Mais ainda, possivelmente foi Plat\u00e3o o primeiro a falar de uma sociedade \u201ccomunista\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, a ideia do comunismo se desenvolveu entre os primeiros crist\u00e3os e teve, por meio das v\u00e1rias centenas de anos, diferentes express\u00f5es e formula\u00e7\u00f5es, como foram as de Tom\u00e1s Moro que, em seu livro <em>A utopia<\/em>, escrito no distante 1516, afirmava: \u201cMe parece que al\u00e9m de onde rege a propriedade privada, onde o dinheiro \u00e9 a medida de todas as coisas, \u00e9 muito dif\u00edcil que se chegue a estabelecer um regime pol\u00edtico fundado na justi\u00e7a e na prosperidade\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, como corrente de opini\u00e3o claramente socialista (\u00e9 importante lembrar que, por exemplo, Plat\u00e3o defendia um comunismo com escravos), possivelmente a que alcan\u00e7ou mais desenvolvimento foi a que ocorreu no final do s\u00e9culo 18 e in\u00edcio do s\u00e9culo 19, com os chamados socialistas ut\u00f3picos: Charles Fourier, Robert Owen, Saint-Simon, Etienne Cabert, Pierre Leroux e o grande divulgador dessas ideias, Victor de Considerant.<\/p>\n<p>Esses autores, a maioria deles provenientes das classes altas da sociedade, constru\u00edram uma poderosa corrente de opini\u00e3o que, tendo nascido na Europa, se espalhou para outros continentes. Assim, na Am\u00e9rica Latina, mais particularmente na Argentina, ganhou peso na intelectualidade, sendo seu m\u00e1ximo exponente Esteban Echeverr\u00eda (1805-1851) autor do livro <em>O Dogma Socialista<\/em>.<\/p>\n<p>Os socialistas ut\u00f3picos acreditavam que suas ideias sobre uma sociedade igualit\u00e1ria, por serem muito belas (e realmente eram), acabariam sendo aceitas por toda a sociedade. N\u00e3o s\u00f3 pelos explorados, mas tamb\u00e9m pelos exploradores. A\u00ed residia justamente o car\u00e1ter ut\u00f3pico das mesmas.<\/p>\n<p>O papel de Marx e Engels n\u00e3o foi, portanto, ter elaborado uma teoria sobre a necessidade de uma sociedade socialista, mas ter fundamentado, cientificamente, o porqu\u00ea dessa necessidade e ter elaborado, tamb\u00e9m cientificamente, o caminho de sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Marx e Engels, a partir de um estudo profundo da sociedade capitalista, chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que o capitalismo, num processo irrevers\u00edvel, havia se convertido numa trava cada vez maior para o desenvolvimento da humanidade e que s\u00f3 a classe oper\u00e1ria, tomando o poder, destruindo o Estado capitalista e construindo seu pr\u00f3prio Estado, poderia iniciar o caminho de sua liberta\u00e7\u00e3o para, a partir da\u00ed, libertar o conjunto da humanidade de todas as travas que o capitalismo imp\u00f5e. Dessa forma, o caminho em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo, como primeira fase de uma sociedade comunista, estava tra\u00e7ado.<\/p>\n<p>O projeto de Marx e Engels <strong>no campo das ideias<\/strong> demonstrou-se vitorioso, como ficou provado quando o melhor da classe oper\u00e1ria, assim como muitos intelectuais honestos, construiu, com base no ide\u00e1rio de Marx e Engels, a II Internacional, que agrupou centenas de milhares de militantes em todo o mundo.<\/p>\n<p>Mas nem Marx nem Engels conseguiram ver suas ideias concretizadas. Essa tarefa coube ao Partido Bolchevique.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>A quest\u00e3o do poder da classe oper\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>A classe oper\u00e1ria russa, dirigida pelo Partido Bolchevique, enfrentou o desafio de testar na pr\u00e1tica as ideias de Marx e Engels.<\/p>\n<p>A Comuna de Paris j\u00e1 havia demonstrado, na vida de Marx e Engels, que os oper\u00e1rios podiam tomar o poder. Mas n\u00e3o conseguiram mant\u00ea-lo. Depois de dois meses, os comunardos foram massacrados pela burguesia.<\/p>\n<p>Os bolcheviques conseguiriam, \u00e0 frente da classe oper\u00e1ria, superar a experi\u00eancia da Comuna e se manterem no poder? Esse era o primeiro desafio, e n\u00e3o era f\u00e1cil de cumprir.<\/p>\n<p>A burguesia opinava que os bolcheviques n\u00e3o podiam superar esse primeiro desafio. Por isso, a imprensa burguesa, em outubro de 1917, se perguntava uma e outra vez: \u201cQuantos dias os bolcheviques ir\u00e3o se manter no poder?\u201d E a maioria da pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o do Partido Bolchevique se fazia a mesma pergunta. John Reed, em seu famoso livro sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, Dez dias que abalaram o mundo, apresenta um testemunho sobre essa realidade: \u201cCom exce\u00e7\u00e3o de Lenin e Trotsky, os oper\u00e1rios de Petrogrado e os soldados, ningu\u00e9m acreditava que os bolcheviques poderiam se manter por mais de tr\u00eas dias.\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/1071169051.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-20880 aligncenter\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/1071169051-300x162.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"162\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/1071169051-300x162.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/1071169051-768x415.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/1071169051-150x81.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/1071169051-696x377.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/1071169051.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No entanto, passavam os dias, as semanas e os meses, e os bolcheviques, \u00e0 frente da classe oper\u00e1ria, seguiam no poder.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, a burguesia russa e do resto do mundo deixou de se fazer perguntas para passar \u00e0 a\u00e7\u00e3o direta, com o objetivo de repetir a experi\u00eancia (massacre) da Comuna de Paris. Mas n\u00e3o conseguiram. Quatorze ex\u00e9rcitos invadiram a R\u00fassia para cumprir esse objetivo, os quais, <em>a posteriori<\/em>, se aliaram aos capitalistas russos para levar adiante uma guerra civil.<\/p>\n<p>Para defender-se, o novo Estado se viu obrigado a construir um ex\u00e9rcito e, para fazer isso, enfrentou um grande problema. No Partido Bolchevique, n\u00e3o havia generais, nem coron\u00e9is, nem nenhum tipo de especialista militar. Como fazer ent\u00e3o para construir um ex\u00e9rcito capaz de derrotar os ex\u00e9rcitos inimigos? Quem colocar \u00e0 frente dessa tarefa?<\/p>\n<p>O Partido Bolchevique nomeou para essa tarefa um dirigente pol\u00edtico, Leon Trotsky, que nunca havia usado uma arma em sua vida. Construir um ex\u00e9rcito parecia uma tarefa imposs\u00edvel. Ganhar a guerra, muito mais. No entanto, se os milagres n\u00e3o existem, uma revolu\u00e7\u00e3o com a classe oper\u00e1ria \u00e0 sua frente consegue fazer milagres. Trotsky organizou o Ex\u00e9rcito Vermelho com mais de cinco milh\u00f5es de pessoas, tornou-se um dos maiores especialistas militares do mundo e levou esse ex\u00e9rcito \u00e0 vit\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>O segundo e grande desafio<\/strong><\/p>\n<p>Com a vit\u00f3ria na guerra civil, a classe oper\u00e1ria, com sua dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, superou a experi\u00eancia da Comuna de Paris, o que demonstrou que Marx e Engels tinham raz\u00e3o: <strong>a classe oper\u00e1ria poderia assumir o poder<\/strong>. Entretanto, sendo este um desafio importante, n\u00e3o era o maior. O desafio mais importante era saber se a classe oper\u00e1ria poderia estar \u00e0 frente do Estado sem a burguesia, porque isso nunca havia ocorrido. Mais importante ainda era saber se a classe oper\u00e1ria, estando \u00e0 frente do Estado, seria capaz de fazer o que a burguesia havia se demonstrado incapaz de realizar: provocar um desenvolvimento superior na economia e na cultura. E a classe oper\u00e1ria russa, a partir da tomada do poder, conseguiu.<\/p>\n<p>Muito pouco tempo depois do triunfo da revolu\u00e7\u00e3o, alguns n\u00fameros come\u00e7aram a surpreender. Antes do triunfo da revolu\u00e7\u00e3o, havia na R\u00fassia 32 mil escolas e 10 mil bibliotecas. Um ano e meio depois havia 60 mil escolas e 100 mil bibliotecas.<\/p>\n<p>A R\u00fassia, um pa\u00eds extremamente atrasado, com 80% de sua popula\u00e7\u00e3o camponesa e 78% de analfabetos, precisava se converter numa pot\u00eancia em poucas d\u00e9cadas. Dessa forma, o pa\u00eds dos analfabetos se transformaria num dos poucos pa\u00edses do mundo sem analfabetos. \u00c9 necess\u00e1rio destacar que se falavam 147 l\u00ednguas diferentes no pa\u00eds, muitas das quais eram somente orais.<\/p>\n<p>O pa\u00eds que antes do triunfo da revolu\u00e7\u00e3o tinha 80% de camponeses chegou a ocupar o segundo lugar no que se refere \u00e0 produ\u00e7\u00e3o industrial, atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, tornar-se-ia o principal produtor de petr\u00f3leo, de a\u00e7o, de cimento e de tratores do mundo.<\/p>\n<p>A R\u00fassia, o pa\u00eds das grandes massas incultas, conseguiu proezas no campo da cultura que nenhum pa\u00eds capitalista na \u00e9poca (nem agora) alcan\u00e7ou. Em Moscou, chegaram a existir cerca de 300 teatros l\u00edricos, muitos dos quais funcionavam pela manh\u00e3, \u00e0 tarde e \u00e0 noite.<\/p>\n<p>Nas universidades, os alunos recebiam um sal\u00e1rio para estudar, enquanto os oper\u00e1rios que queriam faz\u00ea-lo tinham seus hor\u00e1rios de trabalho subordinados aos seus hor\u00e1rios de estudo nas faculdades. Eles tinham entre uma semana e um m\u00eas de licen\u00e7a pagos para se prepararem para os exames.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que todas essas conquistas foram conseguidas num pa\u00eds que sofreu como nenhum outro, no lapso de 30 anos, as consequ\u00eancias de tr\u00eas guerras devastadoras. A Primeira Guerra Mundial, a Guerra Civil e a Segunda Guerra Mundial. Nenhum outro pa\u00eds no mundo sofreu tanto as consequ\u00eancias das guerras. Para fazer uma compara\u00e7\u00e3o, os Estados Unidos, que participaram da Primeira Guerra Mundial, da invas\u00e3o da R\u00fassia e da Segunda Guerra Mundial, tiveram 600 mil mortos. A R\u00fassia, nessas tr\u00eas guerras, teve, no m\u00ednimo, quarenta milh\u00f5es de mortos.<\/p>\n<p>Cada uma dessas guerras provocou uma completa devasta\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Durante a Guerra Civil, morreram quatro milh\u00f5es de pessoas e, como consequ\u00eancia disso, <em>a posteriori<\/em>, morreram mais sete milh\u00f5es por doen\u00e7as, fome e frio. Tal foi o grau de destrui\u00e7\u00e3o provocado pela tentativa do capitalismo de acabar com o novo Estado, onde, naqueles anos, tornou-se bastante comum o canibalismo. Centenas de milhares de crian\u00e7as e jovens desamparados vagavam pelas ruas, e muitos deles se organizavam para atacar as pessoas, mat\u00e1-las e com\u00ea-las. Tamb\u00e9m era comum que as m\u00e3es amarrassem seus beb\u00eas para que, por causa da fome, n\u00e3o se mordessem.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Mas a Segunda Guerra Mundial superou muito os horrores da primeira e da Guerra Civil. S\u00f3 nos primeiros seis meses, desde o ataque surpresa de Hitler, morreram 2,5 milh\u00f5es de russos. S\u00f3 na batalha de Stalingrado, morreu um milh\u00e3o. Durante a Segunda Guerra Mundial, morreram, no m\u00ednimo, 26 milh\u00f5es de sovi\u00e9ticos.<\/p>\n<p><strong>Rumo ao socialismo<\/strong><\/p>\n<p>Como um pa\u00eds atrasado, de maioria camponesa, com quase 80% de analfabetos, poderia chegar em menos de vinte anos a tal crescimento econ\u00f4mico e cultural?<\/p>\n<p>Parecia um milagre. Mas n\u00e3o era. O milagre estava explicado pelo que dizia Trotsky em 1936, na apresenta\u00e7\u00e3o de seu trabalho <em>A revolu\u00e7\u00e3o tra\u00edda<\/em>: \u201cO mundo burgu\u00eas fingiu, em princ\u00edpio, que n\u00e3o observava os \u00eaxitos econ\u00f4micos do regime dos sovietes, ou seja, a <strong>prova experimental da viabilidade dos m\u00e9todos socialistas<\/strong>\u201d.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>E agrega depois no mesmo livro:<\/p>\n<p>Os imensos resultados obtidos pela ind\u00fastria, o come\u00e7o promissor de um florescimento da agricultura, o crescimento extraordin\u00e1rio das velhas cidades industriais, a cria\u00e7\u00e3o de outras novas, o r\u00e1pido aumento do n\u00famero de oper\u00e1rios, a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel cultural e das necessidades <strong>s\u00e3o os resultados indiscut\u00edveis da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro<\/strong>, na qual os profetas do velho mundo acreditaram ver a tumba da civiliza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 necessidade de discutir com os senhores economistas burgueses:<strong> o socialismo demonstrou seu direito \u00e0 vit\u00f3ria<\/strong>, n\u00e3o nas p\u00e1ginas de<em> O Capital<\/em>, mas numa arena econ\u00f4mica que constitui a sexta parte da superf\u00edcie do globo; n\u00e3o na linguagem da dial\u00e9tica, mas na do ferro, do cimento e da eletricidade. <strong>Ainda no caso de que a URSS, por culpa de seus dirigentes, sucumba aos golpes do exterior<\/strong> \u2013 coisa que esperamos firmemente n\u00e3o ver \u2013 ficaria, como mostra do que h\u00e1 por vir o fato indiscut\u00edvel de que <strong>a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria foi a \u00fanica coisa que permitiu a um pa\u00eds atrasado obter resultados sem precedentes na hist\u00f3ria<\/strong>.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Os fatos: o crescimento espetacular da economia e da cultura pareciam indicar que a R\u00fassia marchava em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo como passo pr\u00e9vio ao comunismo, no qual, segundo Marx, cada pessoa produziria de acordo com sua capacidade e receberia de acordo com sua necessidade. Ou seja, uma sociedade onde todas as necessidades dos seres humanos poderiam ser satisfeitas.<\/p>\n<p>Logicamente, a R\u00fassia n\u00e3o poderia chegar ao socialismo e muito menos ao comunismo se a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o triunfasse no resto do mundo, particularmente nos pa\u00edses mais avan\u00e7ados, pois pensar numa sociedade comunista no marco de uma economia mundial dominada pelo imperialismo era algo que n\u00e3o entrava na cabe\u00e7a de nenhum marxista.<\/p>\n<p>Os bolcheviques, conscientes disso, abriram dois caminhos com um mesmo objetivo: a vit\u00f3ria do socialismo. Por um lado, come\u00e7aram a tomar o poder na R\u00fassia e, ao mesmo tempo, utilizaram essa vit\u00f3ria para desenvolver a revolu\u00e7\u00e3o internacional impulsionando a constru\u00e7\u00e3o da III Internacional, o partido mundial da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Os bolcheviques, seguindo a tradi\u00e7\u00e3o de Marx e Engels, no meio da Guerra Civil, colocaram-se \u00e0 frente da funda\u00e7\u00e3o desta organiza\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Entre 1919 e 1922, a III Internacional realizou um congresso mundial por ano, os quais duravam cerca de um m\u00eas cada um. Neles, discutia-se os problemas mais candentes da revolu\u00e7\u00e3o mundial, assim como a situa\u00e7\u00e3o e a pol\u00edtica para cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>Document\u00e1rios da \u00e9poca mostram Lenin e Trotsky ovacionados por todos os delegados, abandonando suas tarefas para participar ativamente desses congressos. Lenin, do Estado; Trotsky, o comando do Ex\u00e9rcito Vermelho. Por outro lado, esses filmes tamb\u00e9m mostram que os congressos da III Internacional eram o acontecimento mais importante do pa\u00eds. Eram organizados desfiles e atos de massas para celebrar a abertura de um novo congresso. E \u00e9 importante destacar que os principais oradores desses atos n\u00e3o eram os dirigentes russos, mas os delegados dos diferentes pa\u00edses.<\/p>\n<p>A tomada do poder pela classe oper\u00e1ria, a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, o monop\u00f3lio do com\u00e9rcio exterior, a economia centralmente planificada por um lado e a constru\u00e7\u00e3o da III Internacional por outro foram o caminho adotado pelos bolcheviques para marchar em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo.<\/p>\n<p>No entanto, esse caminho iniciado pela Revolu\u00e7\u00e3o Russa foi bruscamente interrompido pelo stalinismo.<\/p>\n<p><strong>II \u2013 O stalinismo interrompeu o caminho ao socialismo<\/strong><\/p>\n<p>O atraso das massas russas, majoritariamente camponesas, o quase desaparecimento da classe oper\u00e1ria durante a guerra civil, o cansa\u00e7o das massas como produto dessa mesma guerra, a derrota da revolu\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e o refluxo da mobiliza\u00e7\u00e3o foram fortalecendo um esp\u00edrito conservador entre as massas. Dessa maneira, deu-se a base para o fortalecimento dos setores mais burocr\u00e1ticos e conservadores do Partido Bolchevique e do Estado. Junto a isso, a doen\u00e7a e a morte de Lenin potencializaram esse processo.<\/p>\n<p>Na vida de Lenin, pelas raz\u00f5es apontadas, existia a burocracia dentro do Estado e os desvios burocr\u00e1ticos dentro do Partido Bolchevique. Mas Lenin, com seu enorme prest\u00edgio, advertia e combatia isso desde 1919. Sua morte prematura significou n\u00e3o apenas uma diminui\u00e7\u00e3o qualitativa desse combate, mas tamb\u00e9m abriu o caminho para que a burocracia se apossasse do poder.<\/p>\n<p>\u00c0 frente desse processo, apareceu o mais med\u00edocre dirigente do Partido Bolchevique: Joseph Stalin, que havia cumprido um papel secund\u00e1rio na revolu\u00e7\u00e3o, mas acabou cumprindo um papel central quando chegou a hora de aprofundar o retrocesso e as derrotas, assim como a burocratiza\u00e7\u00e3o do Estado e do partido. Stalin, j\u00e1 em 1923 (quando Lenin estava prostrado por sua doen\u00e7a grave), elaborou uma teoria justificativa, que se apoiava no cansa\u00e7o e na desmobiliza\u00e7\u00e3o das massas. Ele a chamou de socialismo num s\u00f3 pa\u00eds e a complementou com uma pol\u00edtica: coexist\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo.<\/p>\n<p>Para as massas cansadas, dizia: paremos de lutar; n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria a revolu\u00e7\u00e3o mundial para chegar ao socialismo; n\u00f3s podemos fazer o socialismo sozinhos, em nosso pa\u00eds; para isso, basta que nos coloquemos de acordo com as pot\u00eancias imperialistas; vamos coexistir pacificamente com elas. Essa orienta\u00e7\u00e3o levou Stalin n\u00e3o s\u00f3 a deixar de lado a luta pelo triunfo da revolu\u00e7\u00e3o internacional, mas a assinar acordos com as mais importantes pot\u00eancias imperialistas para evitar que isso acontecesse.<\/p>\n<p>O primeiro foi com a Alemanha de Hitler. Um pacto de n\u00e3o agress\u00e3o e de divis\u00e3o de \u00e1reas de influ\u00eancia pelo qual Stalin se comprometia a n\u00e3o fazer nada diante da futura invas\u00e3o de Hitler \u00e0 Pol\u00f4nia para ocupar metade do seu territ\u00f3rio. Em compensa\u00e7\u00e3o, Hitler permitia que Stalin ocupasse a outra metade do territ\u00f3rio polaco.<\/p>\n<p>Depois, quando Hitler rompeu esse pacto e invadiu a URSS, Stalin se viu obrigado a entrar na Segunda Guerra Mundial em alian\u00e7a com os EUA e a Inglaterra. Essa alian\u00e7a culminaria num novo pacto de Stalin com seus novos aliados, com o mesmo car\u00e1ter contrarrevolucion\u00e1rio que ele havia assinado anteriormente com Hitler: coexist\u00eancia pac\u00edfica e divis\u00e3o de \u00e1reas de influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Como parte desse pacto, Stalin, por recomenda\u00e7\u00e3o do primeiro ministro ingl\u00eas Wiston Churchill, dissolve a III Internacional e entrega ao imperialismo, para manter a coexist\u00eancia pac\u00edfica, as revolu\u00e7\u00f5es na Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p><strong>A vit\u00f3ria do terror<\/strong><\/p>\n<p>Toda essa pol\u00edtica de Stalin, que come\u00e7ou a se desenvolver a partir de 1923, embora favorecida pela desmobiliza\u00e7\u00e3o e pelo cansa\u00e7o das massas russas, encontrou uma forte resist\u00eancia no Partido Bolchevique. Mas Stalin ganhou essa batalha. N\u00e3o no campo das ideias, mas no do terror.<\/p>\n<p>Os opositores de Stalin, a maioria dos quais haviam tido um papel destacado na Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro e na Guerra Civil, come\u00e7aram a ser caluniados, depois removidos dos cargos de responsabilidade para, a partir da\u00ed, serem expulsos do partido, levados presos e finalmente fuzilados. Dessa forma, stalinismo se imp\u00f4s na R\u00fassia e na ex-URSS.<\/p>\n<p>O que aconteceu na URSS na d\u00e9cada de 1930 foi o triunfo de uma contrarrevolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Da contrarrevolu\u00e7\u00e3o \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Muitas vezes, quando se fala da R\u00fassia, diz-se \u201cda revolu\u00e7\u00e3o socialista \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o capitalista\u201d, quando o correto seria dizer <strong>\u201cda contrarrevolu\u00e7\u00e3o stalinista \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o capitalista\u201d<\/strong>, porque \u00e9 justamente a partir do triunfo da contrarrevolu\u00e7\u00e3o stalinista que se interrompe o caminho em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo e se inicia um novo caminho, agora de retorno ao capitalismo, ainda que, nesses anos, a apar\u00eancia indicasse o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1930, apesar de todas as proezas contrarrevolucion\u00e1rias de Stalin, a economia e a cultura n\u00e3o paravam de crescer, a tal ponto que Stalin chegou a declarar que a R\u00fassia e a URSS j\u00e1 haviam chegado ao socialismo e caminhavam rumo ao comunismo. No entanto, a realidade era bem diferente. A pol\u00edtica de Stalin de colabora\u00e7\u00e3o com as pot\u00eancias imperialistas ia deixando a URSS cada vez mais isolada no marco de uma economia mundial dominada por essas pot\u00eancias imperialistas.<\/p>\n<p>Nesse sentido, se a URSS continuava crescendo, n\u00e3o era devido \u00e0 pol\u00edtica de Stalin, mas apesar dela. Continuava crescendo porque ainda se mantinha o impulso dado \u00e0 economia pelas principais medidas econ\u00f4micas tomadas a partir da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. Mas essa realidade, em fun\u00e7\u00e3o da condu\u00e7\u00e3o da burocracia stalinista do Estado, n\u00e3o se manteria por muito tempo.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que Trotsky, ao mesmo tempo em que reconhecia esse crescimento espetacular, apontava em 1938:<\/p>\n<p>O progn\u00f3stico pol\u00edtico tem um car\u00e1ter alternativo: ou a burocracia, convertendo-se cada vez mais no \u00f3rg\u00e3o da burguesia mundial no Estado oper\u00e1rio, derrubar\u00e1 as novas formas de propriedade e voltar\u00e1 a afundar o pa\u00eds no capitalismo ou a classe oper\u00e1ria derrubar\u00e1 a burocracia e abrir\u00e1 o caminho do socialismo.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p>Os acordos de Stalin com o imperialismo teriam um alto custo para a URSS. Em 1941, a URSS esteve muito pr\u00f3xima de ser destru\u00edda quando Hitler, unilateralmente, rompeu o pacto com Stalin e invadiu a URSS.<\/p>\n<p>Depois da Segunda Guerra Mundial, havia planos dos EUA para fazer o mesmo que Hitler, mas a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as n\u00e3o permitiu. No entanto, isso n\u00e3o facilitou as coisas para a URSS.<\/p>\n<p>O atraso tecnol\u00f3gico em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses mais avan\u00e7ados por um lado e, por outro, a condu\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica fizeram com que j\u00e1 no final dos anos 1950 o crescimento econ\u00f4mico come\u00e7asse a diminuir. A economia continuava crescendo, mas num ritmo bastante inferior.<\/p>\n<p>Entre os anos de 1963 e 1968, em todo o Leste Europeu foram levadas adiante reformas profundas para tentar superar a situa\u00e7\u00e3o. Essas reformas que, por um lado, pretendiam modernizar a gest\u00e3o e, por outro, aumentar o com\u00e9rcio exterior para trazer novas tecnologias, terminaram num grande fracasso, n\u00e3o s\u00f3 na URSS, mas no conjunto dos pa\u00edses do Leste Europeu, que come\u00e7aram a entrar numa crise econ\u00f4mica sem sa\u00edda.<\/p>\n<p>Por um lado, a pr\u00f3pria burocracia, ao tentar aplicar os novos planos de gest\u00e3o, resistiu a eles, porque via seus interesses questionados. Todos estavam a favor desses planos, desde que n\u00e3o fossem aplicados em seu setor. Por outro lado, o aumento do com\u00e9rcio exterior (essa etapa foi conhecida como a \u201cIdade de Ouro do Com\u00e9rcio Leste-Oeste\u201d) terminou numa crise brutal, porque foi um com\u00e9rcio \u2013igual o imperialismo faz com suas col\u00f4nias\u2013 desigual.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima fase das dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas foi a tentativa de sair da crise por meio dos empr\u00e9stimos tomados do imperialismo. Dessa forma, as economias do Leste Europeu ficaram presas pela d\u00edvida externa com o imperialismo, o que os levou a uma crise terminal.<\/p>\n<p>A burocracia governante, culpada de ter isolado a URSS com sua pol\u00edtica de coexist\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo, descarregava a crise nas costas dos trabalhadores. Alguns n\u00fameros mostram isso com nitidez. Na URSS, a educa\u00e7\u00e3o, que na d\u00e9cada de 1950 consumia 10% da renda nacional, no in\u00edcio dos anos 1980 consumia s\u00f3 6%. E algo mais tr\u00e1gico: a expectativa de vida, que naquele per\u00edodo aumentava em todo o mundo, na URSS diminu\u00eda de forma alarmante. Em 1972, era de 70 anos. No in\u00edcio dos anos 1980, havia ca\u00eddo para 60 anos.<\/p>\n<p>Dessa forma, a par\u00f3dia stalinista do socialismo num s\u00f3 pa\u00eds, que na verdade era \u201clonga vida ao imperialismo\u201d, chegava ao seu fim.<\/p>\n<p>A URSS e o resto dos estados oper\u00e1rios tinham s\u00f3 uma alternativa para sair da crise econ\u00f4mica terminal que o imperialismo havia imposto a eles: apelar \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o mundial. Mas eles n\u00e3o estavam dispostos a recorrer a esse caminho. Preferiram se oferecer como s\u00f3cios menores do imperialismo e foi isso o que fizeram. Da m\u00e3o de seus amos, restauraram o capitalismo em todos esses Estados.<\/p>\n<p>Assim, os burocratas governantes levaram at\u00e9 o fim a pol\u00edtica de Stalin e se converteram nos coveiros das poucas conquistas restantes da gloriosa Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro.<\/p>\n<p><strong>III \u2013 Novos caminhos para o socialismo?<\/strong><\/p>\n<p>Em nome de um suposto realismo, est\u00e3o os que dizem que o socialismo fracassou porque era uma utopia de Marx e Engels. Est\u00e3o tamb\u00e9m os que afirmam que n\u00e3o era uma utopia, mas que se trata de buscar novos caminhos para o socialismo, pois o que fracassou \u00e9 o caminho adotado pelos bolcheviques. Ambas ideias est\u00e3o equivocadas.<\/p>\n<p>De qual utopia se pode falar quando, com os m\u00e9todos socialistas, um pa\u00eds atrasado como a R\u00fassia conseguiu, em menos de vinte anos, transformar esse pa\u00eds em pot\u00eancia mundial no campo da economia e da cultura? Por que pensar em novos caminhos para o socialismo se foi o caminho tra\u00e7ado pelos bolcheviques (o caminho de Marx e Engels) que possibilitou esses primeiros e triunfantes passos em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo?<\/p>\n<p>O socialismo e o comunismo n\u00e3o s\u00e3o uma utopia. Os fatos demonstraram isso. O que \u00e9 uma utopia \u00e9 pensar que o capitalismo pode libertar a humanidade da fome, da explora\u00e7\u00e3o, da opress\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o da natureza.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de buscar novos caminhos. O stalinismo j\u00e1 buscou um novo caminho: chegar ao socialismo sobre a base dos acordos com o imperialismo em n\u00edvel internacional e chegar ao socialismo, em cada pa\u00eds, sobre a base de governos de concilia\u00e7\u00e3o de classe, os chamados governos de frente popular.<\/p>\n<p>Trata-se de retomar o caminho que Marx e Engels formularam, que os bolcheviques concretizaram, e os stalinistas interromperam.<\/p>\n<p>Trata-se de remover os obst\u00e1culos que se colocaram nesse caminho, o que possibilitou que, ao inv\u00e9s de chegar ao socialismo, retornasse o capitalismo.<\/p>\n<p>As massas do Leste Europeu, ao derrubar o aparato stalinista em n\u00edvel internacional (ou no m\u00ednimo feri-lo de morte), removeram, em grande medida, esse obst\u00e1culo. Trata-se agora de culminar essa tarefa removendo da consci\u00eancia da vanguarda oper\u00e1ria as ideias que o putrefato aparato stalinista deixou em suas cabe\u00e7as e que est\u00e3o vivas no programa de todos aqueles que hoje, em nome do realismo, falam de novos caminhos.<\/p>\n<p>Trata-se de acabar com a ideia de que se pode chegar ao socialismo conciliando com a burguesia; que podemos chegar ao socialismo sem democracia oper\u00e1ria ou que \u00e9 poss\u00edvel chegar ao socialismo sem construir o partido mundial da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O caminho de Marx e Engels, o caminho dos bolcheviques, o caminho dos primeiros anos da III Internacional, \u00e9 o caminho que abre as possibilidades da vit\u00f3ria. O caminho do stalinismo, que at\u00e9 hoje \u00e9 adotado pelos novos e velhos reformistas, \u00e9 o caminho da derrota. De novas e novas trag\u00e9dias. \u00c9 necess\u00e1rio estudar a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. \u00c9 necess\u00e1rio aprender com a Revolu\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Lenin recomendou este livro por considerar que tra\u00e7ava \u201c&#8230; <em>um quadro exato e extraordinariamente vivo dos acontecimentos<\/em>&#8230;\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ver a respeito o estudo de Wendy Z. Goldman: \u201cA mulher, o Estado e a revolu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> TROTSKY, Leon. <em>La Revoluci\u00f3n Traicionada<\/em>. Editorial Fontamara, p. 27.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, pp. 33-34.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> TROTSKY, Leon. <em>Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 102 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, reproduzimos o artigo de Mart\u00edn Hernandez, escrito em 2017 Em 1917, no dia seguinte ao triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, Lenin, seu grande dirigente, come\u00e7ou seu discurso no Congresso Pan-Russo dos Sovietes com as seguintes palavras: \u201cPassemos agora \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o da ordem socialista\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":30368,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3696,8,7925],"tags":[7921,7922,827,3760,655,7923,3697,7924,7926,7927],"class_list":["post-20869","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especial-revolucao-russa","category-historia","category-stalinismo-e-restauracao","tag-100-anos-da-revolucao-russa","tag-classe-operaria-e-o-poder","tag-martin-hernandez","tag-marx-e-engels-socialismo-cientifico","tag-marxismo-vivo","tag-revolucao-e-contra-revolucao","tag-revolucao-russa","tag-socialismo-ou-stalinismo","tag-stalinismo-e-restauracao-capitalista","tag-utopia-ou-materialismo-dialetico"],"fimg_url":false,"categories_names":["Especial Revolu\u00e7\u00e3o Russa","Hist\u00f3ria","Stalinismo e Restaura\u00e7\u00e3o"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20869","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20869"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20869\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}