{"id":2049,"date":"2012-01-26T08:28:03","date_gmt":"2012-01-26T08:28:03","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2012\/01\/26\/nahuel-moreno-um-militante-pela-classe-operaria-pelo-socialismo-e-o-internacionalismo-2\/"},"modified":"2012-01-26T08:28:03","modified_gmt":"2012-01-26T08:28:03","slug":"nahuel-moreno-um-militante-pela-classe-operaria-pelo-socialismo-e-o-internacionalismo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2012\/01\/26\/nahuel-moreno-um-militante-pela-classe-operaria-pelo-socialismo-e-o-internacionalismo-2\/","title":{"rendered":"Nahuel Moreno, um militante pela classe oper\u00e1ria, pelo socialismo e o internacionalismo"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"163\" hspace=\"3\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/moreno_entierro.jpg\" vspace=\"3\" width=\"246\" \/> <\/span><\/span><br \/>\n\t<!--more--><br \/>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Na calorenta tarde de ver&atilde;o do s&aacute;bado, 26 de janeiro de 1987, uma compacta coluna de mais de dez mil pessoas marcha do centro de Buenos Aires at&eacute; o cemit&eacute;rio do bairro de Chacarita, acompanhando os restos de Nahuel Moreno. Portando numerosas bandeiras vermelhas, h&aacute; oper&aacute;rios industriais, professores, jovens estudantes e fam&iacute;lias inteiras provenientes dos bairros mais populares da Grande Buenos Aires.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Alguns passaram toda a noite no vel&oacute;rio realizado na sede central do MAS (Movimento ao Socialismo), outros chegaram de manh&atilde;, incluindo as delega&ccedil;&otilde;es do interior. Os companheiros de Neuqu&eacute;n (na long&iacute;nqua cordilheira patag&ocirc;nica) viajaram mais de 24 horas em &ocirc;nibus para estar presentes.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Sob um sol implac&aacute;vel, a tristeza dos participantes n&atilde;o podia ser ocultada: at&eacute; nos rostos mais duros e curtidos veem-se l&aacute;grimas. No entanto, a coluna, ao mesmo tempo em que avan&ccedil;a a passo lento, canta: &ldquo;Vamos record&aacute;-lo, vamos record&aacute;-lo, ao companheiro Moreno, construindo o MAS e a Internacional&rdquo;.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Os jornais de Buenos Aires informam perplexos a numerosa homenagem a um dirigente que era quase desconhecido publicamente. A estranheza aumenta ao saber que h&aacute; v&aacute;rias delega&ccedil;&otilde;es internacionais presentes e que de muitos locais do mundo chegaram condol&ecirc;ncias, incluindo as de centrais sindicais da Bol&iacute;via, Brasil, Col&ocirc;mbia e Espanha.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Em uma carta, o conhecido dirigente trotskista belga Ernest Mandel diz: &ldquo;Com ele desaparece um dos &uacute;ltimos representantes do grupo de quadros dirigentes que, ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial, mantiveram a continuidade da luta de Leon Trotsky em condi&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis&#8230;&rdquo;. Por sua vez, Hugo Blanco, que foi um grande dirigente dos camponeses de Cuzco, no Peru, expressa: &quot;Reconhe&ccedil;o nele o meu maior mestre do marxismo&rdquo;.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Muitos anos ap&oacute;s sua morte, Nahuel Moreno segue presente na vida pol&iacute;tica de importantes setores da esquerda latino-americana e mundial. Ao cumprir-se 20 anos do seu falecimento, o PSTU organizou em S&atilde;o Paulo, Brasil, um ato com cerca de 3.000 pessoas, entre as quais se contavam v&aacute;rias delega&ccedil;&otilde;es internacionais. Atualmente, numerosas organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas da Am&eacute;rica Latina e Europa reivindicam-se &ldquo;morenistas&rdquo;. Ao mesmo tempo, outras organiza&ccedil;&otilde;es trotskistas e de esquerda conformam o seu perfil pol&iacute;tico criticando (e &agrave;s vezes falsificando) suas posi&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Quem foi, ent&atilde;o, Nahuel Moreno, para merecer aquela homenagem de 1987 e esta presen&ccedil;a pol&iacute;tica atual? Tentaremos responder a esta pergunta neste artigo. O nosso objetivo n&atilde;o &eacute; escrever uma biografia, nem sequer um esbo&ccedil;o biogr&aacute;fico tradicional. J&aacute; existem trabalhos neste sentido e, em todo o caso, uma biografia completa ainda est&aacute; por ser escrita. Apresentaremos o que consideramos os principais elementos de sua longa trajet&oacute;ria militante e alguns crit&eacute;rios centrais que, desde o nosso ponto de vista, conformam o &ldquo;morenismo&rdquo; como uma corrente espec&iacute;fica na esquerda em geral e no trotskismo em particular.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>Uma terceira via<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Come&ccedil;aremos pelo mais evidente. Hugo Bressano Capacete nasceu em 1924, em um pequeno povoado da prov&iacute;ncia de Buenos Aires, Argentina. Muito jovem, aos 15 anos iniciou sua milit&acirc;ncia revolucion&aacute;ria nas fileiras do trotskismo e permaneceu nelas at&eacute; sua morte. Nos seus quase 50 anos de milit&acirc;ncia fundou, construiu ou orientou numerosas organiza&ccedil;&otilde;es na Argentina, Am&eacute;rica Latina e outros pa&iacute;ses, e tamb&eacute;m teve uma destacada milit&acirc;ncia internacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">No entanto, este brev&iacute;ssimo resumo n&atilde;o explica o significado nem a caracter&iacute;stica pr&oacute;pria dessa milit&acirc;ncia. Para faz&ecirc;-lo, vamos abordar os fatos de dois &acirc;ngulos. O primeiro refere-se ao processo vivido pelo movimento trotskista e pela IV Internacional no segundo p&oacute;s-guerra e a localiza&ccedil;&atilde;o de Moreno nesse contexto.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O pequeno n&uacute;cleo de quadros e militantes trotskistas agrupados na IV, ap&oacute;s o fim da Segunda Guerra Mundial, viu-se submetido a duras press&otilde;es e provas,&nbsp;com uma dire&ccedil;&atilde;o muito d&eacute;bil e inexperiente. E sem a presen&ccedil;a de Trotsky e sua grande experi&ecirc;ncia revolucion&aacute;ria acumulada.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Por um lado, a guerra produziu, de acordo aos progn&oacute;sticos pr&eacute;vios de Trotsky, um grande ascenso revolucion&aacute;rio na Europa e outras regi&otilde;es do mundo e o surgimento de novos Estados oper&aacute;rios que se somavam &agrave; URSS. Mas, por outro, contra aqueles progn&oacute;sticos, a IV n&atilde;o ganhou influ&ecirc;ncia de massas e incid&ecirc;ncia nesses processos, mas continuou sendo um pequeno n&uacute;cleo. Ao contr&aacute;rio, foi o stalinismo que os dirigiu. Algo que, somado ao papel da URSS na derrota do nazifascismo, converteu-o na dire&ccedil;&atilde;o indiscut&iacute;vel do movimento oper&aacute;rio e de massas mundial.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Neste contexto, a maioria da nova dire&ccedil;&atilde;o da IV n&atilde;o passou pela prova da luta de classes. Ante essa realidade, as organiza&ccedil;&otilde;es trotskistas tenderam a dividir-se em duas grandes correntes. Uma delas, que assumiu a dire&ccedil;&atilde;o da IV &#8211; encabe&ccedil;ada por Michel Pablo e Ernest Mandel &#8211; adotou um curso oportunista. No seu af&atilde; de intervir nos processos revolucion&aacute;rios em curso e unir-se a eles, capitulou &agrave;s suas dire&ccedil;&otilde;es burocr&aacute;ticas e pequeno-burguesas. Primeiro ao stalinismo, depois ao tito&iacute;smo (Iugosl&aacute;via), posteriormente aos movimentos nacionalistas burgueses, ao castrismo, etc. Em fun&ccedil;&atilde;o dessa capitula&ccedil;&atilde;o, criava &quot;teorias justificativas&quot; e abandonava os princ&iacute;pios e a estrat&eacute;gia. Chegaram ao c&uacute;mulo de se recusar a defender a retirada do Ex&eacute;rcito Vermelho quando explodiram as revolu&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas em Berlim Oriental (1953) e na Hungria (1956).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A outra corrente tomou um curso sect&aacute;rio: como os processos n&atilde;o seguiam os progn&oacute;sticos de Trotsky, n&atilde;o eram consideradas revolu&ccedil;&otilde;es nem novos Estados oper&aacute;rios. Ao n&atilde;o os reconhecer, incapacitavam-se para intervir nesses novos processos revolucion&aacute;rios e se refugiaram em uma defesa propagand&iacute;stica do programa, da estrat&eacute;gia e dos princ&iacute;pios. Posteriormente, v&aacute;rias destas organiza&ccedil;&otilde;es (especialmente o healismo ingl&ecirc;s e o lambertismo franc&ecirc;s) separaram-se da constru&ccedil;&atilde;o centralizada da IV, transformando-se no que Moreno denominava nacional-trotskismo. No melhor dos casos, constru&iacute;ram d&eacute;beis organiza&ccedil;&otilde;es internacionais colaterais.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O SWP, ent&atilde;o o partido trotskista mais forte e o que contava com os quadros mais experimentados (v&aacute;rios deles educados pelo pr&oacute;prio Trotsky) apesar de que teve posi&ccedil;&otilde;es semelhantes &agrave;s de Moreno em rela&ccedil;&atilde;o tanto &agrave; defesa das revolu&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas na Hungria e Alemanha Oriental como no reconhecimento dos novos Estados oper&aacute;rios deformados no Leste e em Cuba, padecia de um desvio que o levaria a jogar um papel extremamente negativo na crise da IV. O SWP nunca assumiu a tarefa central de construir uma dire&ccedil;&atilde;o da IV, que lhe correspondia por seu peso e experi&ecirc;ncia. Os seus dirigentes n&atilde;o viam como sua grande tarefa ser o eixo de constru&ccedil;&atilde;o da Internacional e, de fato, viam a IV como uma federa&ccedil;&atilde;o de partidos e n&atilde;o uma dire&ccedil;&atilde;o internacional centralizada. Dessa forma, esse partido foi respons&aacute;vel por omiss&atilde;o pela crise vivida por esta organiza&ccedil;&atilde;o. E essa concep&ccedil;&atilde;o, finalmente, levou-o a revisar o pr&oacute;prio trotskismo e a se transformar em grandes capituladores ao stalinismo e ao castrismo nos anos 80.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Nesse contexto, Moreno tentou construir, por assim o dizer, uma &ldquo;terceira via&rdquo;. Manteve uma defesa intransigente dos princ&iacute;pios e da estrat&eacute;gia. Mas, ao mesmo tempo, procurou elaborar explica&ccedil;&otilde;es marxistas para os novos fen&ocirc;menos e realizou as necess&aacute;rias atualiza&ccedil;&otilde;es program&aacute;ticas. Ao mesmo tempo, teve sempre a obsess&atilde;o de que as organiza&ccedil;&otilde;es trotskistas, especialmente as que ele dirigia, interviessem e se constru&iacute;ssem nos processos concretos da luta das massas, aproveitando as oportunidades e superando a marginalidade que as caracterizava.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>Uma obsess&atilde;o pela interven&ccedil;&atilde;o e inser&ccedil;&atilde;o no movimento oper&aacute;rio<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Em sua longa trajet&oacute;ria, Moreno mostrou-se um &ldquo;mestre&rdquo; na arte de elaborar e propor t&aacute;ticas concretas para intervir na realidade, aproveitar as oportunidades que esta oferecia e construir organiza&ccedil;&otilde;es no seio do movimento de massas, especialmente na classe oper&aacute;ria. Provavelmente esta caracter&iacute;stica seja fruto de sua milit&acirc;ncia na Argentina; a necessidade de superar, ao mesmo tempo, a esterilidade do &ldquo;trotskismo de caf&eacute;&rdquo; imperante no seu pa&iacute;s nessa &eacute;poca e o obst&aacute;culo que o peronismo, um dos movimentos nacionalistas burgueses mais fortes da hist&oacute;ria, representava ao objetivo de difundir as ideias revolucion&aacute;rias entre a classe oper&aacute;ria.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Baseado em an&aacute;lises rigorosas das diferentes situa&ccedil;&otilde;es da Argentina e de outros pa&iacute;ses, as numerosas t&aacute;ticas propostas, &ldquo;poss&iacute;veis&rdquo; e &ldquo;aplic&aacute;veis&rdquo;, conformam, no seu conjunto, um verdadeiro &ldquo;cat&aacute;logo&rdquo; de constru&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria. Abrange desde as interven&ccedil;&otilde;es nos processos eleitorais e o aproveitamento da legalidade at&eacute; a milit&acirc;ncia na mais absoluta clandestinidade ou a luta armada contra as ditaduras, passando pela participa&ccedil;&atilde;o nas lutas e a organiza&ccedil;&atilde;o sindical dos trabalhadores.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Seria muito longo enumerar todas elas. Queremos destacar principalmente aqueles momentos em que as organiza&ccedil;&otilde;es orientadas por Moreno conseguiram &ldquo;romper o cerco&rdquo; da marginalidade e serem part&iacute;cipes destacadas de importantes processos da luta de classes.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Entre 1956 e 1958, o pequeno POR argentino edita, com ativistas oper&aacute;rios peronistas combativos, o jornal <i>Palavra Oper&aacute;ria,<\/i> do qual se vendiam milhares de n&uacute;meros. Sua influ&ecirc;ncia nas f&aacute;bricas permitiu que o POR tivesse um peso muito importante nas principais greves desses anos e codirigisse a Resist&ecirc;ncia Peronista contra a ditadura militar.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Nos primeiros anos da d&eacute;cada de 1960, Hugo Blanco (estudante peruano captado na Argentina pelo grupo de Moreno) volta ao Peru onde organiza e dirige os sindicatos e a luta dos camponeses de Cuzco pela reforma agr&aacute;ria. Transforma-se assim, segundo palavras do pr&oacute;prio Moreno, no &ldquo;mais importante dirigente de massas trotskista ap&oacute;s Trotsky&rdquo;.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Em 1979, o PST da Col&ocirc;mbia organiza a forma&ccedil;&atilde;o da Brigada Sim&oacute;n Bol&iacute;var que vai combater na Nicar&aacute;gua contra a ditadura de Anastasio Somoza, junto &agrave;s for&ccedil;as da FSLN. Nos combates, a Brigada tem tr&ecirc;s mortos e v&aacute;rios feridos. Desta forma, militantes e simpatizantes trotskistas t&ecirc;m o orgulho de intervir diretamente em um grande processo revolucion&aacute;rio e na derrubada de um dos mais sangrentos ditadores do continente latino-americano.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Nesse mesmo ano, os militantes da Converg&ecirc;ncia Socialista chamam a constru&ccedil;&atilde;o de um Partido dos Trabalhadores no Brasil. No IX Congresso dos Metal&uacute;rgicos do Estado de S&atilde;o Paulo, em Lins, Jos&eacute; Maria de Almeida prop&otilde;e um manifesto que prop&otilde;e que &quot;todos os trabalhadores brasileiros a unam-se na constru&ccedil;&atilde;o do seu partido, o Partido dos Trabalhadores&quot;. A mo&ccedil;&atilde;o &eacute; aprovada, apesar da posi&ccedil;&atilde;o de Lula naquele momento: participar no MDB, uma frente burguesa de oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; ditadura. Tamb&eacute;m foi levantada pelos morenistas a pol&iacute;tica de construir uma nova central, a CUT, para derrubar os burocratas pelegos. Assim, estiveram na vanguarda da constru&ccedil;&atilde;o de um dos maiores partidos oper&aacute;rios do mundo e da nova central, uma das mais din&acirc;micas e democr&aacute;ticas do mundo em sua origem. Gra&ccedil;as a isso foi poss&iacute;vel forjar uma s&oacute;lida inser&ccedil;&atilde;o dos morenistas brasileiros na classe oper&aacute;ria.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A partir de 1982, aproveitando as condi&ccedil;&otilde;es de legalidade eleitoral, sua participa&ccedil;&atilde;o nas lutas oper&aacute;rias e sua interven&ccedil;&atilde;o nas chapas sindicais antiburocr&aacute;ticas, o MAS argentino iria transformar-se no partido mais importante da esquerda do seu pa&iacute;s e no maior partido trotskista do mundo.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Independentemente do curso posterior destas experi&ecirc;ncias, elas ficam como importantes ensinamentos de que, com uma pol&iacute;tica correta e audaz, o trotskismo pode dar importantes saltos na sua constru&ccedil;&atilde;o, inclusive em momentos aparentemente muito dif&iacute;ceis.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>Um conselho muito profundo<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O segundo &acirc;ngulo de abordagem para interpretar o significado de Moreno e o morenismo refere-se a um conselho que ele dava &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es que orientava, especialmente em momentos de crise. Ele dizia que deviam tentar ser &ldquo;mais oper&aacute;rias, mais marxistas e mais internacionalistas que nunca&rdquo;. Nessa curta frase, resumia uma verdadeira orienta&ccedil;&atilde;o para a constru&ccedil;&atilde;o dessas organiza&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Em rela&ccedil;&atilde;o a ser &ldquo;mais oper&aacute;rias&rdquo; foi algo que come&ccedil;ou a aplicar desde o in&iacute;cio de sua milit&acirc;ncia, quando rompe com o &ldquo;trotskismo bo&ecirc;mio&rdquo; e muda-se, com o pequeno grupo de adolescentes que formava o GOM, para a Vila Pobladora, no cora&ccedil;&atilde;o mais oper&aacute;rio e industrial da Argentina da &eacute;poca.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Para ele, construir organiza&ccedil;&otilde;es trotskistas na classe oper&aacute;ria (embora pudessem e devessem aproveitar conjunturas de constru&ccedil;&atilde;o em outros setores, mas sempre para voltar depois com essas for&ccedil;as &agrave; classe oper&aacute;ria) surgia de duas raz&otilde;es muito profundas. A primeira &eacute; que, embora outros setores sociais pudessem ser mais din&acirc;micos e explosivos nas suas lutas, a classe oper&aacute;ria era bem mais s&oacute;lida e consequente em seu combate ao capitalismo. Por isso, o partido que criasse fortes ra&iacute;zes na classe oper&aacute;ria seria tamb&eacute;m bem mais s&oacute;lido e consequente, muito menos sujeito aos vaiv&eacute;ns conjunturais.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A segunda raz&atilde;o &eacute; profundamente estrat&eacute;gica. Ele assinalava que o nosso modelo de revolu&ccedil;&atilde;o socialista s&oacute; poderia ser levado adiante com a mobiliza&ccedil;&atilde;o autodeterminada e permanente da classe oper&aacute;ria. Embora demor&aacute;ssemos mais tempo, ali dev&iacute;amos construir-nos e impulsionar esse processo. N&atilde;o se podia enganar a hist&oacute;ria procurando atalhos e nos construindo como uma corrente camponesa ou plebeia urbana, porque isso nos levaria, inevitavelmente, a profundos desvios da nossa estrat&eacute;gia.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Em rela&ccedil;&atilde;o a ser &ldquo;mais marxistas&rdquo;, Moreno referia-se, por um lado, &agrave; necessidade de estudar com profundidade, baseados nas ferramentas te&oacute;ricas do marxismo, os novos fen&ocirc;menos e processos que n&atilde;o se enquadravam nos velhos esquemas e, se necess&aacute;rio, corrigir essas ferramentas te&oacute;ricas para que respondessem &agrave;s novas realidades. Por outro lado, tratava-se de estudar com profundidade as situa&ccedil;&otilde;es do mundo e de cada pa&iacute;s para, a partir da&iacute;, elaborar as pol&iacute;ticas e orienta&ccedil;&otilde;es corretas. Ele assinalava que se devia fazer pol&iacute;tica revolucion&aacute;ria como um bom m&eacute;dico, que s&oacute; indica um tratamento ap&oacute;s realizar os exames necess&aacute;rios e elaborar um cuidadoso diagn&oacute;stico. V&aacute;rias vezes criticou dirigentes nacionais da sua corrente e qualificou-os &ldquo;curandeiros&rdquo; por n&atilde;o cumprir este requisito e trabalhar s&oacute; em base a intui&ccedil;&otilde;es e golpes de vista que, inevitavelmente, ficavam sujeitos &agrave;s press&otilde;es, modas ou falsas apar&ecirc;ncias da realidade.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Em rela&ccedil;&atilde;o a ser &ldquo;mais internacionalista&rdquo;, no livro <i>Conversando com Moreno<\/i> (1985), ele assinala que o centro das preocupa&ccedil;&otilde;es de sua extensa atividade foi a interven&ccedil;&atilde;o nas diferentes organiza&ccedil;&otilde;es internacionais nas quais militou. Assim como Trotsky, ele considerava n&atilde;o haver milit&acirc;ncia ou organiza&ccedil;&atilde;o trotskista nacional se n&atilde;o fosse desenvolvida como parte da constru&ccedil;&atilde;o de uma organiza&ccedil;&atilde;o internacional. E desde 1948, ano em que participa como delegado do POR no II Congresso da IV Internacional, foi fiel a este princ&iacute;pio.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Esteve em minoria nessas organiza&ccedil;&otilde;es durante longos per&iacute;odos. Assim ocorreu na IV Internacional at&eacute; 1953, no Comit&ecirc; Internacional at&eacute; 1963 e no SU entre 1963 e 1979. Mas nunca abandonou essa milit&acirc;ncia internacional nem deixou de participar ativamente das pol&ecirc;micas e debates que surgiam. Em 1979, come&ccedil;a a constru&ccedil;&atilde;o da sua pr&oacute;pria corrente internacional: primeiro a Fra&ccedil;&atilde;o Bolchevique (FB) e, a partir de 1982, a LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Ao mesmo tempo, apesar da LIT-QI haver se transformado na corrente trotskista internacional de maior desenvolvimento e mais din&acirc;mica, nunca caiu na tenta&ccedil;&atilde;o de autoproclam&aacute;-la &ldquo;a IV&rdquo;. Ao contr&aacute;rio, sempre p&ocirc;s esse desenvolvimento a servi&ccedil;o da reconstru&ccedil;&atilde;o da IV Internacional como alternativa de dire&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria para as massas, fato expresso em seus estatutos.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>Seus escritos<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Deter-nos-emos um pouco nos escritos de Moreno. A maioria dos seus trabalhos est&aacute; destinada a analisar, caracterizar e orientar processos pol&iacute;ticos concretos ou gerais e &eacute; neles onde desenvolve as quest&otilde;es te&oacute;ricas ou conceituais. Fa&ccedil;amos uma revis&atilde;o, seguramente incompleta, deles.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">H&aacute; dois que se destacam, escritos na forma de pol&ecirc;mica, contra as posi&ccedil;&otilde;es de Ernest Mandel. O primeiro &eacute; <i>O Partido e a Revolu&ccedil;&atilde;o<\/i> (tamb&eacute;m conhecido como &ldquo;O Morenazo&rdquo;), de 1973, que discute os desvios guerrilheirista, ultraesquerdista e vanguardista de Mandel. Alguns dos seus cap&iacute;tulos, como <i>Partido Leninista ou Partido Mandelista<\/i>, com sua an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o entre a&ccedil;&atilde;o, experi&ecirc;ncia e consci&ecirc;ncia, o m&eacute;todo para elaborar palavras de ordem e sua rela&ccedil;&atilde;o com o programa, educaram toda uma gera&ccedil;&atilde;o de quadros.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O segundo &eacute; <i>A Ditadura Revolucion&aacute;ria do Proletariado <\/i>onde critica um novo desvio de Mandel: a tentativa de adaptar o conceito de ditadura do proletariado ao conte&uacute;do da democracia burguesa. Com uma clara sistematiza&ccedil;&atilde;o do conceito de ditadura do proletariado e suas diferentes variantes, Moreno faz um progn&oacute;stico: se o SU aprofundar-se nesse caminho, acabar&aacute; abandonando o campo do trotskismo e dos revolucion&aacute;rios para passar ao do reformismo. O progn&oacute;stico lamentavelmente foi cumprido.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Seus trabalhos sobre a revolu&ccedil;&atilde;o boliviana de 1952, a revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa de 1974 e os textos de ruptura com o lambertismo (que cont&ecirc;m importantes elabora&ccedil;&otilde;es sobre a frente popular e a teoria dos &ldquo;campos&rdquo;) tamb&eacute;m est&atilde;o escritos de forma pol&ecirc;mica.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Seguramente, o seu trabalho mais ambicioso foi <i>Atualiza&ccedil;&atilde;o do Programa de Transi&ccedil;&atilde;o<\/i> (1980) no qual Moreno procura realizar uma sistematiza&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise dos novos fen&ocirc;menos e processos surgidos no segundo p&oacute;s-guerra e o seu reflexo no programa escrito por Trotsky em 1938.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Outros textos, particularmente os de seus &uacute;ltimos anos, adotam uma forma pedag&oacute;gica, como <i>As Revolu&ccedil;&otilde;es do S&eacute;culo XX<\/i>, <i>Conceitos Pol&iacute;ticos Elementares<\/i> e <i>Problemas de Organiza&ccedil;&atilde;o<\/i>. Refletiam a necessidade de formar e educar toda uma nova gera&ccedil;&atilde;o de milhares de quadros e militantes que ingressava no MAS e na LIT-QI.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Em rela&ccedil;&atilde;o aos trabalhados mais afastados da pol&iacute;tica concreta, cabe mencionar dois de car&aacute;ter te&oacute;rico-hist&oacute;rico. <i>Quatro teses sobre a coloniza&ccedil;&atilde;o espanhola e portuguesa na Am&eacute;rica <\/i>(1948) combate a caracteriza&ccedil;&atilde;o do stalinismo e outras correntes de que a coloniza&ccedil;&atilde;o era feudal e n&atilde;o capitalista. Em <i>Bases para a interpreta&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da hist&oacute;ria argentina<\/i> sistematiza as etapas do desenvolvimento econ&ocirc;mico e social do pa&iacute;s e, ao mesmo tempo, realiza contribui&ccedil;&otilde;es ao sistema de categorias para a classifica&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses. No campo puramente te&oacute;rico, encontramos <i>L&oacute;gica marxista e ci&ecirc;ncias modernas<\/i>, escrito inicialmente como pref&aacute;cio a um livro do norte-americano George Novack (Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; L&oacute;gica Dial&eacute;tica) e depois publicado como brochura independente. Nas suas densas p&aacute;ginas, Moreno reivindica a influ&ecirc;ncia de Hegel em Marx, exp&otilde;e brevemente as leis da dial&eacute;tica, apresenta uma hist&oacute;ria das l&oacute;gicas e, entre elas, destaca a l&oacute;gica hipot&eacute;tico-dedutiva descoberta por Jean Piaget, a qual considera um sistema an&aacute;logo ao da l&oacute;gica marxista.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Finalmente, cabe assinalar que, embora nunca tenha escrito um trabalho espec&iacute;fico sobre economia, diferentes escritos, como <i>Atualiza&ccedil;&atilde;o<\/i> ou as <i>Teses de Funda&ccedil;&atilde;o<\/i> e o <i>Manifesto da LIT-QI<\/i> de 1984, cont&ecirc;m elabora&ccedil;&otilde;es imprescind&iacute;veis para compreender a atual crise econ&ocirc;mica.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>A capacidade de autocr&iacute;tica<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Outro tra&ccedil;o que queremos destacar de Nahuel Moreno &eacute; a sua capacidade de autocr&iacute;tica. Todos os que o conhecemos na milit&acirc;ncia, recordamos como, dias, meses ou anos ap&oacute;s ter defendido apaixonadamente uma posi&ccedil;&atilde;o, aparecia e dizia, ou escrevia, que tinha se equivocado e que devia corrigi-la.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Em v&aacute;rias ocasi&otilde;es, desde a sua juventude, expressou que estava cansado de conviver com &ldquo;g&ecirc;nios trotskistas&rdquo;, dirigentes para os quais bastava construir um grupo ou partido de algumas dezenas ou centenas de militantes para reivindicar o direito de serem considerados os leg&iacute;timos sucessores de L&ecirc;nin ou Trotsky.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Seguramente, a principal imagem que surgia na sua mente era a de J. Posadas, primeiro dirigente autocr&aacute;tico do pablismo na Am&eacute;rica Latina (o seu apelido era o &ldquo;vice-rei&rdquo;) e depois dirigente da sua pr&oacute;pria, em realidade bastante pequena, corrente internacional. Posadas pontificava nos seus artigos sobre &ldquo;o humano e o divino&rdquo;. Sem chegar a tais extremos, Mandel, a quem Moreno considerava um ser humano bem mais am&aacute;vel, jamais escreveu uma autocr&iacute;tica, apesar de ter feito giros de 180&ordm; nas suas posi&ccedil;&otilde;es por in&uacute;meras vezes.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Moreno, ao contr&aacute;rio, fez da autocr&iacute;tica uma ferramenta de milit&acirc;ncia. Na pol&ecirc;mica sobre a revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa, por exemplo, defendia que o essencial para a constru&ccedil;&atilde;o de um partido nos processos revolucion&aacute;rios era um n&uacute;cleo fundacional e uma pol&iacute;tica correta. Mandel e a dire&ccedil;&atilde;o do SWP responderam-lhe que os ritmos de constru&ccedil;&atilde;o do partido revolucion&aacute;rio estavam limitados e condicionados pela quantidade de quadros que se conseguisse captar e educar. Anos depois, em <i>Problemas de Organiza&ccedil;&atilde;o<\/i>, Moreno reconheceu seu equ&iacute;voco sem nenhuma ambig&uuml;idade e o acerto de Mandel e do SWP. Ou quando sempre contava que uma das grandes linhas implementadas durante a Resist&ecirc;ncia Peronista (a tomada de f&aacute;bricas com ref&eacute;ns) surgiu da proposta de um companheiro oper&aacute;rio de base &agrave; qual ele era contr&aacute;rio inicialmente.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Chegou a elaborar, embora nunca tenha escrito, uma hist&oacute;ria da corrente morenista na Argentina, na qual as diferentes etapas de constru&ccedil;&atilde;o eram analisadas, n&atilde;o com base nos acertos e avan&ccedil;os (que em quase todos os per&iacute;odos existiam), mas com base nos desvios de cada uma delas: nacional-trotskismo entre 1944 e 1948, obreirismo raivoso at&eacute; 1952, movimentismo entre 1952 e 1959, desvio pr&oacute;-castrista at&eacute; 1967, sectarismo contra a esquerda peronista no PST, etc.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Em um momento no qual a esquerda continua povoada de &ldquo;pequenos g&ecirc;nios&rdquo; (trotskistas ou n&atilde;o), queremos reivindicar esta caracter&iacute;stica de Moreno, utilizada por ele como uma ferramenta de aprendizagem e constru&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>Algumas considera&ccedil;&otilde;es finais<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O movimento trotskista que Moreno conheceu e no qual militou (ao qual definiu como &ldquo;uma corrente ou movimento independente dos aparelhos burocr&aacute;ticos, embora sem unidade organizativa&rdquo;) j&aacute; n&atilde;o existe como tal. Num verdadeiro &ldquo;vendaval oportunista&rdquo;, setores importantes desse movimento cruzaram &ldquo;a fronteira&rdquo; e abandonaram o campo revolucion&aacute;rio, transformando-se em correias de transmiss&atilde;o (e vivendo &agrave; custa) da democracia burguesa e parlamentar, dos fundos do Estado ou de aparelhos burocr&aacute;ticos sindicais.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">V&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es nacional-trotskistas e tamb&eacute;m numerosas seitas, em geral bastante est&eacute;reis, que se reivindicam &ldquo;trotskistas&rdquo;, continuam existindo. Mas &eacute; imposs&iacute;vel esperar que delas surja a reconstru&ccedil;&atilde;o da IV Internacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A LIT-QI tamb&eacute;m sofreu as consequ&ecirc;ncias do &ldquo;vendaval oportunista&rdquo; e, ap&oacute;s a morte de Nahuel Moreno, passou por uma profunda crise que quase levou ao seu desaparecimento. Mas, tentando seguir os seus conselhos, superou essa crise e seguiu em frente. Hoje, no quadro da pior crise econ&ocirc;mica internacional desde 1929, que desmente claramente o triunfo ou a superioridade do capitalismo, suas se&ccedil;&otilde;es e militantes procuram intervir ativamente nos processos reais da luta de classes.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O legado de Moreno e sua principal constru&ccedil;&atilde;o &#8211; a LIT-QI &#8211; est&aacute; de p&eacute; e em combate. Mas, tal como ele nos ensinou, n&atilde;o se &ldquo;autoproclama&rdquo; a IV. A LIT deve estar a servi&ccedil;o da reconstru&ccedil;&atilde;o da IV Internacional como alternativa de dire&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria para as massas, em momentos em que isto &eacute; cada vez mais necess&aacute;rio.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">* Alejandro Iturbe &eacute; editor da revista da LIT-QI <i>Correio Internacional<\/i><\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":13,"featured_media":5896,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[8074],"class_list":["post-2049","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","tag-massacre-de-bogota"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/moreno_entierro.jpg","categories_names":["Uncategorized"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2049"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2049\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5896"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}