{"id":2048,"date":"2012-01-26T08:22:00","date_gmt":"2012-01-26T08:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2012\/01\/26\/algumas-reflexoes-sobre-o-morenismo\/"},"modified":"2012-01-26T08:22:00","modified_gmt":"2012-01-26T08:22:00","slug":"algumas-reflexoes-sobre-o-morenismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2012\/01\/26\/algumas-reflexoes-sobre-o-morenismo\/","title":{"rendered":"Algumas reflex\u00f5es sobre o \u201cmorenismo\u201d"},"content":{"rendered":"\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b><i><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"250\" hspace=\"3\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/moreno_retrato.jpg\" vspace=\"3\" width=\"300\" \/>Publicado na revista Marxismo Vivo Especial (2007) com o t&iacute;tulo: Nahuel Moreno. A 20 anos de sua morte, algumas reflex&otilde;es sobre o &ldquo;morenismo&rdquo;. <\/i><\/b><\/span><\/span><br \/>\n\t<!--more-->\n<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Normalmente, dentro da esquerda, quando um determinado dirigente adquire uma grande proje&ccedil;&atilde;o e contribui com algo qualitativamente diferente de seus antecessores, seja isso positivo ou negativo, seus seguidores, ou mesmo seus inimigos, identificam o movimento ao qual o dirigente pertence com o seu nome. <\/span><\/span><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Assim, fala-se de marxismo, de leninismo, de stalinismo ou de trotskismo. Ainda em vida de Moreno, e principalmente depois de sua morte, alguns milhares de pessoas, organizadas inclusive em correntes distintas, se autodenominam <i>morenistas<\/i>, como forma de se identificar com as id&eacute;ias e o trabalho pr&aacute;tico do dirigente trotskista argentino Nahuel Moreno, morto h&aacute; 20 anos. Cabe-nos agora perguntar: &eacute; justa essa denomina&ccedil;&atilde;o? Existiu um &ldquo;morenismo&rdquo;? Moreno deixou contribui&ccedil;&otilde;es qualitativas que justifiquem falar de &ldquo;morenismo&rdquo;? Ou essa denomina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; mais do que a identifica&ccedil;&atilde;o carinhosa com um dirigente trotskista muito respeitado?<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A prop&oacute;sito desse tema dos nomes que os movimentos adquirem, &eacute; necess&aacute;rio observar que essas denomina&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o sempre justas. O pr&oacute;prio Moreno opinava que era injusto falar de &ldquo;marxismo&rdquo; porque essa denomina&ccedil;&atilde;o identifica uma determinada concep&ccedil;&atilde;o de mundo com o pr&oacute;prio Karl Marx quando, na realidade, ela era produto do trabalho pr&aacute;tico e intelectual de uma equipe formado por ele e por Friedrich Engels. Dessa forma, essa injusti&ccedil;a hist&oacute;rica, surgida provavelmente por limita&ccedil;&otilde;es idiom&aacute;ticas, condenou Engels a um papel auxiliar, de colaborador de Marx, quando ele era na verdade muito mais do que isso.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O caso do trotskismo tamb&eacute;m merece ser analisado. Nos primeiros anos da luta contra Stalin, nem Trotsky, nem seus seguidores, falavam de &ldquo;trotskismo&rdquo; para identificar seu movimento. Eles se autodenominavam &ldquo;bolcheviques\/leninistas&rdquo; e tinham raz&atilde;o. N&atilde;o era poss&iacute;vel falar de &ldquo;trotskismo&rdquo; porque, embora Trotsky tivesse desempenhado um papel brilhante na Revolu&ccedil;&atilde;o de Outubro e &agrave; frente do Ex&eacute;rcito Vermelho na Guerra Civil, n&atilde;o havia incorporado ao marxismo e ao leninismo algo que fosse qualitativo e que, portanto, merecesse identificar seu movimento com seu nome. Quem come&ccedil;ou a falar de trotskismo foi Stalin, com o objetivo de contrapor Trotsky e seus seguidores a Lenin e aos bolcheviques. Por isso, tanto Trotsky como seus companheiros, nesses primeiros anos, quando falavam de trotskismo, sempre punham a palavra entre aspas (&ldquo;trotskismo&rdquo;).<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">No entanto, com o passar do tempo, essa denomina&ccedil;&atilde;o cunhada por Stalin foi sendo incorporada pelos disc&iacute;pulos de Trotsky, n&atilde;o para diferenci&aacute;-lo de Lenin, mas de Stalin, e, nesse momento, essa denomina&ccedil;&atilde;o do movimento foi correta porque Trotsky, em sua luta contra Stalin, deu uma contribui&ccedil;&atilde;o qualitativa ao marxismo. Tratava-se da interpreta&ccedil;&atilde;o sobre a degenera&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica da URSS e da tarefa que dela se desprendia: a revolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Se analisarmos o &ldquo;morenismo&rdquo; com esses crit&eacute;rios, ter&iacute;amos que fazer uma dupla interpreta&ccedil;&atilde;o. Sem d&uacute;vida, Moreno trouxe contribui&ccedil;&otilde;es ao trotskismo, a maioria delas resumidas em seu trabalho <i>Atualiza&ccedil;&atilde;o do Programa de Transi&ccedil;&atilde;o<\/i>.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Moreno p&ocirc;de acrescentar suas contribui&ccedil;&otilde;es ao marxismo porque sempre buscou um equil&iacute;brio entre a a&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica e o estudo, a reflex&atilde;o e a elabora&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica. No entanto, essas contribui&ccedil;&otilde;es, sendo muito importantes, n&atilde;o foram qualitativamente distintas das elabora&ccedil;&otilde;es de Marx, Engels, Lenin e Trotsky. Nesse sentido, n&atilde;o poder&iacute;amos falar da exist&ecirc;ncia de um &ldquo;morenismo&rdquo; como uma s&iacute;ntese superadora do marxismo. Contudo, se localizarmos Moreno no interior do movimento trotskista, poderemos falar de um &ldquo;morenismo&rdquo; como uma corrente diferenciada, com uma personalidade pr&oacute;pria em quase todos os terrenos. Diferente e, em muitos aspectos, oposta ao restante das correntes que integraram, e integram, o denominado movimento trotskista.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>O movimento trotskista: v&aacute;rias d&eacute;cadas na marginalidade<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Quando Trotsky construiu a IV Internacional, estava consciente de que &ldquo;nadava contra a corrente&rdquo;. Sua inten&ccedil;&atilde;o era a de que a IV fosse a continuidade da III Internacional da &eacute;poca de Lenin. Por&eacute;m, os contextos mundiais em que se constru&iacute;ram essas duas internacionais foram opostos. A III Internacional foi o subproduto do triunfo da maior revolu&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria: a Revolu&ccedil;&atilde;o de Outubro. A IV Internacional foi o subproduto do maior processo contra-revolucion&aacute;rio: o fascismo, de um lado, e o stalinismo, do outro.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Justamente por isso, a quest&atilde;o de construir ou n&atilde;o a IV Internacional foi t&atilde;o pol&ecirc;mica entre os revolucion&aacute;rios. Trotsky insistia em constru&iacute;-la e seus cr&iacute;ticos diziam-lhe que n&atilde;o havia nenhum acontecimento da luta de classes que o justificasse. Trotsky lhes respondia dizendo que havia dois grandes acontecimentos: o stalinismo e o fascismo.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Para Trotsky, se n&atilde;o se constru&iacute;sse a IV, o stalinismo e o fascismo acabariam com qualquer tipo de vest&iacute;gio de programa e organiza&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria. Quando, em 1938, Trotsky construiu a IV, n&atilde;o o fez com a esperan&ccedil;a de ganhar, nesse momento, as massas para esse programa, mas com o objetivo de poder intervir no pr&oacute;ximo e inevit&aacute;vel ascenso revolucion&aacute;rio com um programa e uma organiza&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria internacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Trotsky sabia perfeitamente que a IV Internacional estava isolada das grandes massas, mas pensava que essa situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o duraria muito tempo. A Segunda Guerra Mundial, em sua interpreta&ccedil;&atilde;o, abriria uma situa&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria e, da mesma forma como aconteceu com os bolcheviques durante a Primeira Guerra, essa situa&ccedil;&atilde;o levaria a IV se transformar em uma internacional de massas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Trotsky, em certo sentido, acertou. A derrota do fascismo durante a Segunda Guerra Mundial abriu uma situa&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria como nunca antes ocorrera. Mas isso n&atilde;o fortaleceu a IV Internacional, e sim o stalinismo, que usurpou as conquistas da Revolu&ccedil;&atilde;o de Outubro em seu proveito, e foi visto pelas massas como o basti&atilde;o da luta contra o fascismo. Essa realidade condenou a IV Internacional ao isolamento e, mais ainda, &agrave; marginalidade por v&aacute;rias d&eacute;cadas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O Movimento Trotskista foi her&oacute;ico por ter lutado durante muito tempo para manter vivo o programa da revolu&ccedil;&atilde;o prolet&aacute;ria contra aparatos t&atilde;o poderosos como o fascismo e o stalinismo. Mas, tal como assinalava Marx, &ldquo;a exist&ecirc;ncia determina a consci&ecirc;ncia&rdquo; e, no caso do trotskismo, uma exist&ecirc;ncia marginal levou, na maioria dos casos, a processos degenerativos e ao abandono, na pr&aacute;tica, do programa revolucion&aacute;rio.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Nahuel Moreno come&ccedil;ou a militar na Argentina, possivelmente em um dos lugares onde o trotskismo era mais marginal. Foi, talvez, essa realidade o que o levou durante toda a sua vida, apesar das condi&ccedil;&otilde;es objetivas adversas, a lutar duramente, de maneira quase desesperada, para encontrar, no marco do programa trotskista, o caminho das massas e romper, assim, com a marginalidade.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Moreno, em forma quase permanente, procurou explicar as causas e conseq&uuml;&ecirc;ncias da marginalidade do movimento trotskista do qual fazia parte. N&atilde;o conhecemos outro dirigente trotskista que se tenha preocupado com esse assunto. E isso n&atilde;o &eacute; casual. Tem a ver com a pr&oacute;pria marginalidade. Como Moreno repetiu tantas vezes: &ldquo;H&aacute; setores do movimento trotskista que s&atilde;o t&atilde;o marginais que n&atilde;o sabem que s&atilde;o marginais&rdquo;. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>Ao encontro das massas<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Muitas organiza&ccedil;&otilde;es trotskistas se adaptaram &agrave; marginalidade a tal ponto que, durante v&aacute;rias d&eacute;cadas, se constru&iacute;ram centenas de pequenos grupos que tiveram, e t&ecirc;m, como pr&aacute;tica central, procurar destruir outro grupo trotskista, na maioria das vezes t&atilde;o pequeno como os primeiros, para ganhar para seu &ldquo;partido&rdquo; um ou dois militantes da outra organiza&ccedil;&atilde;o. Para cumprir esse objetivo, normalmente se valem de qualquer expediente, desde manobrar, at&eacute; caluniar. Esse setor do &ldquo;trotskismo&rdquo;, v&iacute;tima da marginalidade, renunciou na pr&aacute;tica &agrave; eterna batalha de Trotsky: encontrar, com um programa revolucion&aacute;rio, o caminho das massas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Como diz&iacute;amos anteriormente, Nahuel Moreno se recusou a se adaptar &agrave; marginalidade. A obsess&atilde;o de toda sua vida foi encontrar o caminho para as massas e, em especial, em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; classe oper&aacute;ria. Moreno era obcecado por encontrar as palavras de ordem e as t&aacute;ticas que pudessem estabelecer uma ponte entre os trotskistas e as massas. Mas ser&iacute;amos injustos com o movimento trotskista se diss&eacute;ssemos que Moreno foi o &uacute;nico que buscou esse caminho. Isso n&atilde;o &eacute; verdade. Houve muitas organiza&ccedil;&otilde;es e dirigentes trotskistas que tamb&eacute;m buscaram. Mas, o que sim &eacute; verdade, &eacute; que Moreno foi um dos poucos que lutou para encontrar o caminho em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s massas no <b>marco do programa trotskista.<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A nova dire&ccedil;&atilde;o da IV Internacional depois da morte de Trotsky (Michel Pablo e Ernest Mandel) n&atilde;o atuou como uma seita marginal frente &agrave;s massas que, depois da Segunda Guerra Mundial, se agruparam em torno aos partidos comunistas. Pelo contr&aacute;rio, tentaram romper com a marginalidade, mas fizeram isso com uma orienta&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria ao programa trotskista. Convocaram os trotskistas a entrar nos partidos comunistas para atuar, na pr&aacute;tica, como conselheiros das dire&ccedil;&otilde;es stalinistas. A tal ponto foi assim que, em 1953, quando os oper&aacute;rios de Alemanha Oriental se levantaram contra o governo da burocracia, a dire&ccedil;&atilde;o de Pablo e Mandel, num primeiro momento, se colocou do lado do governo contra as massas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">No caso da Revolu&ccedil;&atilde;o Boliviana de 1952, o trotskismo tampouco foi marginal. Pelo contr&aacute;rio. No processo revolucion&aacute;rio, o Partido Oper&aacute;rio Revolucion&aacute;rio (POR), a se&ccedil;&atilde;o da IV Internacional, ganhou influ&ecirc;ncia de massas. Mais ainda, ocupou um papel de destaque &agrave; frente das mil&iacute;cias armadas que agrupavam mais de 100.000 oper&aacute;rios e camponeses. Mas a dire&ccedil;&atilde;o da IV Internacional, Pablo e Mandel, novamente procurou ir ao encontro das massas por fora do programa trotskista. Sua orienta&ccedil;&atilde;o foi dar apoio cr&iacute;tico ao governo burgu&ecirc;s do MNR. Foi a primeira trai&ccedil;&atilde;o do trotskismo a uma revolu&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Nessa &eacute;poca, o jovem Moreno teve uma posi&ccedil;&atilde;o oposta. Ele tamb&eacute;m buscou o caminho das massas, mas n&atilde;o a ponto de capitular &agrave; consci&ecirc;ncia atrasada delas, que apoiavam o governo burgu&ecirc;s do MNR. Moreno orientou a n&atilde;o ter nenhuma confian&ccedil;a no governo do MNR e afirmou que o poder deveria ser tomado pelo organismo que as massas tinham constru&iacute;do durante a revolu&ccedil;&atilde;o, a Central Oper&aacute;ria Boliviana (COB). Prop&ocirc;s, de forma coerente com o programa trotskista: <i>Todo o poder &agrave; COB!<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Na Nicar&aacute;gua, no final da d&eacute;cada de 70, as massas se insurgiram contra a ditadura de Somoza. &Agrave; sua frente se colocou a FSLN (Frente Sandinista de Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional). A Fra&ccedil;&atilde;o Bolchevique, dirigida por Moreno, lan&ccedil;ou como consigna: <i>Vit&oacute;ria &agrave; FSLN!<\/i> Diante desse mesmo fato, o SWP dos EUA, atuou como uma seita marginal. Dizia, com raz&atilde;o, que a FSLN era uma dire&ccedil;&atilde;o pequeno-burguesa, mas n&atilde;o teve pol&iacute;tica nenhuma ou, melhor dizendo, sua pol&iacute;tica se limitou a agitar essa caracteriza&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Moreno, pelo contr&aacute;rio, al&eacute;m de defender a palavra de ordem <i>Vit&oacute;ria &agrave; FSLN!<\/i> convocou a forma&ccedil;&atilde;o de uma Brigada Internacional (A Brigada Sim&oacute;n Bol&iacute;var) para intervir, junto com os sandinistas, na luta armada contra Somoza. A Brigada se formou, entrou na Nicar&aacute;gua, e participou dos combates que levaram &agrave; queda da ditadura Somoza.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O prest&iacute;gio que a Brigada adquiriu na Nicar&aacute;gua foi muito grande, e foi usado, por orienta&ccedil;&atilde;o de Moreno, para organizar, depois da vit&oacute;ria, v&aacute;rias dezenas de sindicatos oper&aacute;rios. Essa pol&iacute;tica levou a um enfrentamento com a dire&ccedil;&atilde;o Sandinista, que acabou expulsando a Brigada da Nicar&aacute;gua e entregando-a a pol&iacute;cia do Panam&aacute;, que prendeu e torturou os brigadistas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O SWP dos EUA, que havia atuado como uma seita marginal, procurou ir ao encontro das massas, mas o fez de forma desastrosa. Parou de agitar a caracteriza&ccedil;&atilde;o de que a FSLN era uma dire&ccedil;&atilde;o pequeno-burguesa e passou a apoiar essa dire&ccedil;&atilde;o, no mesmo momento em que essa dire&ccedil;&atilde;o, que havia desempenhado um papel muito progressivo na luta contra Somoza, passava a desempenhar um papel regressivo, ao reorganizar o estado burgu&ecirc;s. Mas o SWP n&atilde;o se limitou a isso. Quando os sandinistas expulsaram a Brigada Sim&oacute;n Bol&iacute;var, a dire&ccedil;&atilde;o do SWP, em conjunto com o resto da dire&ccedil;&atilde;o do Secretariado Unificado da IV Internacional, formou uma delega&ccedil;&atilde;o que se encontrou com a dire&ccedil;&atilde;o Sandinista para lhe dar seu apoio e para denunciar os trotskistas da Brigada como ultra-esquerdistas. Foi uma nova trai&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A mesma hist&oacute;ria, embora com outros personagens, se repetiu no Brasil. Tamb&eacute;m no fim da d&eacute;cada de 70, Moreno prop&ocirc;s, como forma de ir ao encontro das massas, chamar a classe oper&aacute;ria e os dirigentes sindicais a construir um Partido dos Trabalhadores. Essa proposta foi tomada pelos dirigentes sindicais e pelos trabalhadores e assim o PT foi constru&iacute;do. Outra corrente trotskista, o lambertismo, em um primeiro momento respondeu a essa proposta como uma seita marginal. Denunciou, com raz&atilde;o, que &agrave; frente do projeto do PT estava um setor da burocracia e que o PT n&atilde;o seria um partido revolucion&aacute;rio, mas foram incapazes de ver, nesse momento, que esse partido oper&aacute;rio de massas abriria um campo importante para o trabalho dos revolucion&aacute;rios. Por essa raz&atilde;o, a pol&iacute;tica do lambertismo se limitava a denunciar Lula e sua corrente e a chamar a constru&ccedil;&atilde;o de sindicatos livres, sem a burocracia, que eram, na pr&aacute;tica, sindicatos dos militantes e simpatizantes lambertistas. Mas essa posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o durou muito tempo. Quando o lambertismo &ldquo;descobriu&rdquo; o PT, acreditou ter tocado o &ldquo;c&eacute;u com as m&atilde;os&rdquo; e passou ao outro extremo. Confundiram um fato enormemente progressivo: milhares e milhares de oper&aacute;rios, camponeses e jovens construindo um partido oper&aacute;rio, independente da burguesia, com algo sumamente regressivo: uma dire&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica, a de Lula e sua corrente, querendo construir um partido independente para colaborar com a burguesia. A partir da&iacute;, lan&ccedil;aram-se, corretamente, &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do PT, mas capitulando, aqui e ali, &agrave; dire&ccedil;&atilde;o do PT. Os resultados est&atilde;o &agrave; vista. Passados mais de 20 anos, o lambertismo continua fazendo parte do PT, enquanto este, no governo, n&atilde;o faz outra coisa a n&atilde;o ser administrar os neg&oacute;cios da burguesia. Por outro lado, 80% de seus militantes e dirigentes abandonaram suas fileiras para integrar o aparato controlado por Lula, a tal ponto que uma boa parte dos ministros e funcion&aacute;rios de confian&ccedil;a do governo Lula prov&eacute;m da corrente lambertista.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>O trotskismo oper&aacute;rio<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Mostramos anteriormente como a maioria do Trotskismo, em seu af&atilde; de romper com a marginalidade, procurou encontrar o caminho das massas rompendo com o programa trotskista. A marginalidade do trotskismo e o tremendo peso dos aparatos, em especial das novas dire&ccedil;&otilde;es (tito&iacute;smo, mao&iacute;smo, castrismo, PT&#8230;) provocaram essa situa&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m mostramos como Nahuel Moreno, em toda sua trajet&oacute;ria militante, se diferenciou da maioria do movimento trotskista. No entanto, n&atilde;o &eacute; nosso interesse canonizar Moreno. Se atu&aacute;ssemos assim, estar&iacute;amos sendo antimorenistas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Moreno tamb&eacute;m sofreu na pr&oacute;pria carne a marginalidade do trotskismo e n&atilde;o foi imune &agrave; press&atilde;o das novas dire&ccedil;&otilde;es. Assim, por exemplo, n&atilde;o p&ocirc;de escapar da influ&ecirc;ncia da dire&ccedil;&atilde;o cubana. Uma dire&ccedil;&atilde;o pequeno-burguesa, sem nenhuma rela&ccedil;&atilde;o com a classe oper&aacute;ria, contr&aacute;ria &agrave; democracia oper&aacute;ria, que se p&ocirc;s &agrave; frente de uma revolu&ccedil;&atilde;o e por isso provocou uma onda de simpatia na vanguarda e nas massas de todo o continente e no mundo.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Moreno chegou a identificar Fidel Castro e Che Guevara como a sua dire&ccedil;&atilde;o e a considerar que por fora do castrismo n&atilde;o existia &ldquo;&#8230; outra corrente revolucion&aacute;ria na Am&eacute;rica&rdquo;. Entretanto, diferente da maioria das outras correntes do movimento trotskista, Moreno n&atilde;o levou essas id&eacute;ias at&eacute; as &uacute;ltimas conseq&uuml;&ecirc;ncias. Pelo contr&aacute;rio, &agrave; medida que os fatos demonstravam a realidade, Moreno foi desnudando e denunciando o car&aacute;ter burocr&aacute;tico e pequeno-burgu&ecirc;s da dire&ccedil;&atilde;o castrista e o crescente car&aacute;ter contra-revolucion&aacute;rio de sua pol&iacute;tica.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Por que Moreno, apesar de suas opini&otilde;es iniciais, n&atilde;o se transformou, como a maioria das correntes trotskistas, em um porta-voz do castrismo? Como p&ocirc;de reorientar sua posi&ccedil;&atilde;o e a posi&ccedil;&atilde;o da corrente que dirigia? Porque, apesar de suas d&uacute;vidas e confus&otilde;es moment&acirc;neas, sempre se manteve fiel &agrave; classe oper&aacute;ria, a seus interesses e suas lutas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A rela&ccedil;&atilde;o de Nahuel Moreno com a classe oper&aacute;ria surgiu em seus primeiros anos de milit&acirc;ncia. Ele foi ganho para o trotskismo argentino em 1939 (quando Trotsky ainda estava vivo). O trotskismo argentino n&atilde;o era apenas marginal. Era pior que isso. Como Moreno bem assinalava, o trotskismo argentino daquela &eacute;poca &ldquo;era uma festa&rdquo;. Ser trotskista significava participar de reuni&otilde;es intermin&aacute;veis, de intelectuais pequeno-burgueses, que se reuniam em distintos bares de Buenos Aires para debater sobre os mais diversos temas pol&iacute;ticos. Por isso, n&atilde;o deixa de ser curioso que Moreno tenha sido ganho para o trotskismo por um dos poucos oper&aacute;rios que existiam nesse movimento: um trabalhador mar&iacute;timo chamado Faraldo.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Foi justamente esse oper&aacute;rio mar&iacute;timo quem o colocou em contato pela primeira vez, em 1941, com os oper&aacute;rios da f&aacute;brica t&ecirc;xtil Alpargatas, uma das mais importantes do pa&iacute;s. Foi nessa f&aacute;brica que Moreno conheceu um dirigente oper&aacute;rio boliviano chamado Fidel Ortiz Saavedra, por quem sentia grande admira&ccedil;&atilde;o. Fidel era semi-analfabeto, mas tinha um alto n&iacute;vel pol&iacute;tico e era um grande orador.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Fidel Ortiz Saavedra ajudou Moreno a ganhar para o trotskismo um grupo de jovens oper&aacute;rios com os quais, no ano de 1943, formou o GOM (Grupo Oper&aacute;rio Marxista).<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Foi essa rela&ccedil;&atilde;o com Faraldo, com os oper&aacute;rios da f&aacute;brica Alpargatas, com Fidel Ortiz Saavedra, com o dirigente dos oper&aacute;rios da madeira Mateo Fossa (que se encontrou com Trotsky), com os jovens oper&aacute;rios do GOM, que fizeram Moreno chegar a uma conclus&atilde;o fundamental: n&atilde;o h&aacute; trotskismo fora da classe oper&aacute;ria. De tal forma que no primeiro documento pol&iacute;tico que Moreno escreveu (em 1943), intitulado &ldquo;O Partido&rdquo;, assinala: &ldquo;[A necessidade] mais urgente, mais imediata, hoje como ontem &eacute;: aproximar-nos da vanguarda prolet&aacute;ria, sempre que isso se apresente como uma tarefa poss&iacute;vel, e recha&ccedil;ar como oportunista toda inten&ccedil;&atilde;o de nos desviar dessa linha&rdquo;. Conseq&uuml;ente com essa conclus&atilde;o, em 1945 a maioria dos militantes do GOM, com Moreno &agrave; cabe&ccedil;a, rompeu definitivamente com o trotskismo dos bares de Buenos Aires. Foram morar na <i>Villa Pobladora<\/i>, que era a principal concentra&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria do pa&iacute;s e que se transformaria em uma &ldquo;fortaleza trotskista&rdquo;.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Essa orienta&ccedil;&atilde;o de Moreno, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; classe oper&aacute;ria, que manteve at&eacute; sua morte, o diferenciou profundamente n&atilde;o de todos, mas da maioria dos outros dirigentes trotskistas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A prop&oacute;sito dessa rela&ccedil;&atilde;o com a classe oper&aacute;ria, Moreno afirmou em um de seus &uacute;ltimos trabalhos: &ldquo;<i>Ao longo de minha vida pol&iacute;tica, depois, por exemplo, de<b> observar com simpatia o regime que surgiu da revolu&ccedil;&atilde;o Cubana<\/b>, cheguei &agrave; conclus&atilde;o de que &eacute; necess&aacute;rio continuar com a pol&iacute;tica revolucion&aacute;ria de classe, ainda que atrase a tomada do poder em vinte ou trinta anos ou quanto tempo seja necess&aacute;rio. N&oacute;s queremos que a classe oper&aacute;ria chegue verdadeiramente ao poder, por isso queremos dirigi-la<\/i>.&rdquo;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>Moreno e a Internacional<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Trotsky deu tanta import&acirc;ncia &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da Internacional que o genial dirigente da Revolu&ccedil;&atilde;o de Outubro, construtor e dirigente do vitorioso Ex&eacute;rcito Vermelho, considerava que sua contribui&ccedil;&atilde;o mais importante &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o havia sido a constru&ccedil;&atilde;o da pequena e fr&aacute;gil IV Internacional. Trotsky mantinha essa opini&atilde;o por uma simples raz&atilde;o. Porque quando encabe&ccedil;ou a constru&ccedil;&atilde;o da IV, n&atilde;o havia outra pessoa que pudesse empreender essa tarefa e porque considerava que era imposs&iacute;vel construir um partido revolucion&aacute;rio, em n&iacute;vel nacional, se n&atilde;o fosse como parte de uma internacional. Entretanto, apesar dos esfor&ccedil;os de Trotsky, hoje a IV Internacional est&aacute; destru&iacute;da e isso merece algumas considera&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Sempre houve muitas organiza&ccedil;&otilde;es trotskistas, em n&iacute;vel nacional, que acreditavam que ser internacionalista &eacute; simplesmente apoiar as lutas que ocorrem em outros pa&iacute;ses, mesmo n&atilde;o fazendo parte de uma organiza&ccedil;&atilde;o internacional. Tamb&eacute;m sempre houve, e h&aacute;, importantes organiza&ccedil;&otilde;es nacionais que se autodefinem como trotskistas, mas que consideram que n&atilde;o est&atilde;o dadas as condi&ccedil;&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o de um partido mundial. H&aacute; outros grupos trotskistas que est&atilde;o a favor da constru&ccedil;&atilde;o de um partido revolucion&aacute;rio em n&iacute;vel internacional, mas que entendem essa &ldquo;internacional&rdquo; como uma soma de partidos nacionais subordinados a um partido nacional maior, que seria uma esp&eacute;cie de &ldquo;partido m&atilde;e&rdquo;.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Por fim, na hist&oacute;ria do movimento trotskista existiu uma s&eacute;rie de organiza&ccedil;&otilde;es, e de dirigentes, que estando a favor, teoricamente, da constru&ccedil;&atilde;o da Internacional tiveram uma atitude irrespons&aacute;vel frente &agrave; mesma. N&atilde;o dedicaram o grosso de seus esfor&ccedil;os &agrave; sua constru&ccedil;&atilde;o e inclusive n&atilde;o tiveram maiores problemas em romper com ela em fun&ccedil;&atilde;o de uma diferen&ccedil;a nacional ou circunstancial.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Todas essas organiza&ccedil;&otilde;es, que constituem a ampla maioria do movimento trotskista, nunca compreenderam, ou n&atilde;o estiveram de acordo, com algo que foi o centro do pensamento de Trotsky e dos bolcheviques: que a revolu&ccedil;&atilde;o tem um car&aacute;ter mundial, que por isso &eacute; necess&aacute;rio um partido mundial e que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel construir um partido revolucion&aacute;rio em n&iacute;vel nacional se ele n&atilde;o faz parte de uma Internacional. Nesse sentido, o trabalho internacionalista de Nahuel Moreno aparece como uma das poucas exce&ccedil;&otilde;es no interior do movimento trotskista.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A primeira organiza&ccedil;&atilde;o criada por Moreno, o GOM da Argentina, de 1943 at&eacute; 1948, tinha uma pr&aacute;tica &ldquo;internacionalista&rdquo; similar &agrave; que teve e tem uma boa parte do movimento trotskista. O GOM apoiava as lutas dos trabalhadores de todo o mundo, e, mais ainda, reivindicava a IV Internacional, mas n&atilde;o estava comprometido com sua constru&ccedil;&atilde;o. Essa realidade mudou a partir de 1948, quando Moreno participou como delegado do II Congresso da IV Internacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Desde ent&atilde;o, o objetivo central de Moreno n&atilde;o foi construir um partido, ou v&aacute;rios partidos nacionais, mas sim uma internacional que os agrupasse. &Eacute; interessante observar que Moreno, por levar adiante uma luta conseq&uuml;ente em defesa do programa trotskista, sempre teve muitas dificuldades em sua atua&ccedil;&atilde;o no interior da IV Internacional. No entanto, as diferen&ccedil;as, os enfrentamentos, e mesmo as tremendas injusti&ccedil;as, nunca o levaram a ter uma atitude irrespons&aacute;vel e muito menos autoproclamat&oacute;ria de romper formando sua pr&oacute;pria internacional como lamentavelmente muitos dirigentes fizeram.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Moreno n&atilde;o defendeu a ruptura com a Internacional quando, em 1951, o III Congresso Mundial reconheceu como se&ccedil;&atilde;o oficial na Argentina o grupo dirigido J. Posadas, um dirigente que al&eacute;m de capitular abertamente ao peronismo e ao stalinismo, desprestigiou toda a IV Internacional com suas pol&iacute;ticas delirantes, como o chamado a que a URSS lan&ccedil;asse a bomba at&ocirc;mica contra os EUA ou sobre a necessidade de formar comit&ecirc;s de recep&ccedil;&atilde;o para os OVNIS.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Quando a Internacional se dividiu, em 1953, e se formou o Comit&ecirc; Internacional, encabe&ccedil;ado pelo SWP dos EUA, que agrupava os setores que se opunham &agrave; capitula&ccedil;&atilde;o de Pablo ao stalinismo, Moreno n&atilde;o prop&ocirc;s romper com esse Comit&ecirc;, apesar de que este, em dez anos, n&atilde;o convocou um &uacute;nico congresso mundial.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Quando, em 1963, a Internacional se reunificou e Moreno se op&ocirc;s &agrave; reunifica&ccedil;&atilde;o devido &agrave; falta de qualquer balan&ccedil;o, um ano depois defendeu a ades&atilde;o, para n&atilde;o ficar fora desse marco internacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Finalmente, em 1969, quando o IX Congresso da Internacional, votou que a se&ccedil;&atilde;o oficial da Argentina era o PRT (O Combatente), uma organiza&ccedil;&atilde;o que estava rompendo com o trotskismo (coisa que se concretizou pouco tempo depois), Moreno n&atilde;o prop&ocirc;s a ruptura com a IV Internacional. Pelo contr&aacute;rio, foi um defensor intransigente da internacional, lutando em seu interior para dot&aacute;-la de um programa revolucion&aacute;rio.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Moreno s&oacute; defendeu a ruptura com o SU em 1979, isto &eacute;, depois de quase 30 anos de luta contra as v&aacute;rias dire&ccedil;&otilde;es pablistas e neopablistas. S&oacute; defendeu a ruptura quando a luta de classes nos colocou em trincheiras opostas. A dire&ccedil;&atilde;o do SU se solidarizou com a dire&ccedil;&atilde;o da FSLN da Nicar&aacute;gua quando esta reprimiu a Brigada Sim&oacute;n Bol&iacute;var, ao mesmo tempo em que proibia a constru&ccedil;&atilde;o de partidos trotskistas na Nicar&aacute;gua e em v&aacute;rios pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Central.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Mas Moreno n&atilde;o rompeu com o SU para abandonar a luta pela IV Internacional, nem para autoproclamar uma nova Quarta. Quando rompeu, se aproximou de outras correntes internacionais (o lambertismo e uma corrente do SU) com as quais encarou a tarefa de construir o Comit&ecirc; Internacional &#8211; Quarta Internacional (CI-QI) que tinha, como seu principal objetivo, reconstruir a IV, e foi apenas quando essa experi&ecirc;ncia fracassou (a partir da capitula&ccedil;&atilde;o de Lambert &agrave; Frente Popular da Fran&ccedil;a) que Moreno chamou a constru&ccedil;&atilde;o da LIT-QI a partir de sua pr&oacute;pria corrente.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Moreno ficou &agrave; frente da LIT e pouco tempo depois ficou tamb&eacute;m &agrave; frente do MAS (a se&ccedil;&atilde;o argentina da LIT). Os resultados dessa atividade foram impressionantes. Quando Moreno morreu a LIT se convertera, de longe, na corrente mais din&acirc;mica do trotskismo em n&iacute;vel internacional e o MAS era o maior partido da esquerda argentina e o maior partido trotskista do mundo.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Na hist&oacute;ria do movimento trotskista, em v&aacute;rias oportunidades, tamb&eacute;m se deram saltos importantes em n&iacute;vel de uma determinada se&ccedil;&atilde;o ou de uma corrente internacional. Como esses saltos se davam no marco da marginalidade, na maioria dos casos, ajudaram a confundir os dirigentes que estavam &agrave; frente deles e, dessa forma, esses avan&ccedil;os alimentaram projetos de &ldquo;partidos-m&atilde;e&rdquo;, ao mesmo tempo em que v&aacute;rias IV Internacionais foram autoproclamadas. Moreno fez exatamente o contr&aacute;rio.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Moreno, estando &agrave; frente da corrente mais din&acirc;mica do trotskismo, n&atilde;o autoproclamou a LIT como a IV Internacional reconstru&iacute;da. N&atilde;o foi por casualidade que a &uacute;ltima tarefa internacional que levou adiante antes de morrer foi viajar &agrave; Inglaterra para tentar construir uma organiza&ccedil;&atilde;o em comum com os dirigentes do <i>Workers Revolutionary Party<\/i> desse pa&iacute;s. Moreno atuava assim porque n&atilde;o via a LIT como um objetivo em si mesmo, mas como um instrumento a servi&ccedil;o da reconstru&ccedil;&atilde;o da IV Internacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Por outro lado, Moreno, que se apoiou muito no MAS argentino para construir a LIT, nunca considerou essa organiza&ccedil;&atilde;o como um &ldquo;partido m&atilde;e&rdquo;. Pelo contr&aacute;rio. Para Moreno, o MAS era s&oacute; uma parte de uma organiza&ccedil;&atilde;o internacional, que era a LIT-QI, e insistia sempre em que a mais poderosa e provada dire&ccedil;&atilde;o nacional &eacute; inferior a mais d&eacute;bil das dire&ccedil;&otilde;es internacionais. Essa concep&ccedil;&atilde;o est&aacute; concretizada mesmo nos estatutos da LIT-QI, que n&atilde;o permitem que um partido nacional, por maior que seja, tenha mais de tr&ecirc;s membros na dire&ccedil;&atilde;o internacional, da mesma forma que n&atilde;o permitem que as duas maiores se&ccedil;&otilde;es juntas possam ter mais da metade dessa mesma dire&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Essas foram as &uacute;ltimas li&ccedil;&otilde;es que Moreno nos deixou e elas contrastam notavelmente com aquelas deixadas pela maioria dos dirigentes de sua gera&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>Existe, legitimamente, uma corrente morenista<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Por tudo o que se disse anteriormente, estaremos fazendo justi&ccedil;a se dissermos que Moreno construiu uma corrente com um perfil pr&oacute;prio, denominada <i>morenismo<\/i>, que n&atilde;o &eacute; diferente do movimento trotskista da &eacute;poca de Trotsky, mas que foi, e &eacute;, muito diferente da maioria do movimento trotskista surgido depois da morte de Trotsky. Isso &eacute; assim em quase todos os terrenos. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; teoria, ao programa, &agrave;s massas, &agrave; classe oper&aacute;ria, &agrave; internacional&#8230;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">H&aacute; v&aacute;rios dirigentes que se reivindicam trotskistas que procuram mostrar a fal&ecirc;ncia de Moreno e do Morenismo. Entre eles se destacam notavelmente o PO (Partido Oper&aacute;rio) e o PTS, ambos da Argentina.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Essas organiza&ccedil;&otilde;es utilizam um m&eacute;todo curioso, mas certamente nada original. A destrui&ccedil;&atilde;o do MAS, depois da morte de Moreno, seria a prova mais evidente da fal&ecirc;ncia de Moreno e do morenismo. Se esse tipo de racioc&iacute;nio fosse v&aacute;lido, a restaura&ccedil;&atilde;o do capitalismo no Leste europeu seria uma prova categ&oacute;rica da fal&ecirc;ncia do marxismo, da mesma maneira que a degenera&ccedil;&atilde;o stalinista da ex-URSS, do Partido Comunista da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e da III Internacional seriam uma prova da fal&ecirc;ncia do bolchevismo.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Mas essas correntes cometem um erro a mais. Analisam a trajet&oacute;ria de um dirigente internacional e levam em considera&ccedil;&atilde;o apenas sua atividade nacional, sem levar em conta o que era para Moreno sua atividade central: a constru&ccedil;&atilde;o da Internacional. Por isso analisam a destrui&ccedil;&atilde;o do MAS e n&atilde;o se referem &agrave; situa&ccedil;&atilde;o da LIT-QI.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A LIT, da mesma forma que o MAS, passou por uma importante crise e para isso contribu&iacute;ram fatores subjetivos e objetivos: a morte do pr&oacute;prio Moreno e as confus&otilde;es criadas a partir dos processos do Leste europeu. Mas, desde alguns anos, a LIT n&atilde;o s&oacute; deu um salto qualitativo na supera&ccedil;&atilde;o de sua crise como hoje em dia &eacute; uma refer&ecirc;ncia para um n&uacute;mero importante de organiza&ccedil;&otilde;es, dos mais variados pa&iacute;ses, que v&ecirc;em a necessidade de construir uma organiza&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria, centralizada democraticamente, em n&iacute;vel internacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Evidentemente a atual dire&ccedil;&atilde;o da LIT tem seu m&eacute;rito nessas conquistas, mas, na realidade, nosso verdadeiro m&eacute;rito, foi ter seguido tr&ecirc;s conselhos b&aacute;sicos de Moreno para superar a crise das organiza&ccedil;&otilde;es trotskistas: tornar-nos mais marxistas do que nunca, nos ligar cada vez mais &agrave; classe oper&aacute;ria e ser mais internacionalistas do que nunca.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Sem d&uacute;vida, nos &uacute;ltimos anos, avan&ccedil;amos na tarefa de construir a LIT, mas n&atilde;o podemos ser conformistas. Porque nem para Moreno, nem para n&oacute;s, a constru&ccedil;&atilde;o da LIT foi um objetivo em si mesmo. Constru&iacute;mos a LIT com o objetivo de reconstruir a IV Internacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Esse &eacute; o momento hist&oacute;rico para encarar essa tarefa. Porque as massas est&atilde;o se sublevando e porque as revolu&ccedil;&otilde;es do Leste europeu feriram o stalinismo mortalmente. N&atilde;o h&aacute;, portanto, mais raz&otilde;es objetivas para novas e longas d&eacute;cadas de marginalidade.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Reconstruir a IV Internacional &eacute; nosso objetivo estrat&eacute;gico. Se no pr&oacute;ximo per&iacute;odo avan&ccedil;armos nessa tarefa, estaremos fazendo honra ao t&iacute;tulo de morenistas, com o qual s&oacute; queremos dizer que somos trotskistas (de Trotsky). Essa ser&aacute; nossa melhor homenagem, pr&aacute;tica, n&atilde;o s&oacute; a Moreno, mas a todos os revolucion&aacute;rios que deram o melhor de suas vidas para que a Internacional fosse constru&iacute;da.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">* Mart&iacute;n Hern&aacute;ndez &eacute; membro do Comit&ecirc; Executivo Internacional da LIT-QI<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado na revista Marxismo Vivo Especial (2007) com o t&iacute;tulo: Nahuel Moreno. A 20 anos de sua morte, algumas reflex&otilde;es sobre o &ldquo;morenismo&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":5894,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[8074],"class_list":["post-2048","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","tag-massacre-de-bogota"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/moreno_retrato.jpg","categories_names":["Uncategorized"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2048","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2048"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2048\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5894"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2048"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2048"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}