{"id":2031,"date":"2012-01-09T12:34:36","date_gmt":"2012-01-09T12:34:36","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2012\/01\/09\/racismo-as-aparencias-enganam\/"},"modified":"2012-01-09T12:34:36","modified_gmt":"2012-01-09T12:34:36","slug":"racismo-as-aparencias-enganam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2012\/01\/09\/racismo-as-aparencias-enganam\/","title":{"rendered":"Racismo: as apar\u00eancias enganam?"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"125\" hspace=\"3\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Brasil-racismo.png\" vspace=\"3\" width=\"200\" \/>No final de dezembro, um menino negro foi jogado para fora de um restaurante frequentado pela classe m&eacute;dia alta de S&atilde;o Paulo. No in&iacute;cio do mesmo m&ecirc;s uma jovem foi assediada no emprego por ter cabelos crespos. Lament&aacute;veis exemplos de que vivemos num pa&iacute;s onde ser negro &eacute; igual a parecer marginal, e ser racista continua sendo um crime acobertado pela impunidade. <\/span><\/span><br \/>\n\t<!--more-->\n<\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Na tarde de 30 de dezembro, um garoto negro de seis anos foi retirado &agrave; for&ccedil;a do interior de um restaurante supostamente chique e jogado na rua. O fato ocorreu na pizzaria Nonno Paolo, que fica na zona sul de S&atilde;o Paulo. A hist&oacute;ria poderia ter passado despercebida, j&aacute; que a cena, lamentavelmente, est&aacute; longe de ser uma novidade. Afinal, segundo dados do Conselho Nacional dos Direitos da Crian&ccedil;a e do Adolescente (Conanda), somente no estado mais rico do pa&iacute;s existem cerca de 5 mil crian&ccedil;as, a maioria negra, vivendo em situa&ccedil;&atilde;o de rua. N&atilde;o &eacute; raro que elas sofram todo tipo de abuso e viol&ecirc;ncia por parte de seguran&ccedil;as e policiais.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Desta vez, contudo, para o azar dos propriet&aacute;rios, gerente e seguran&ccedil;as da pizzaria, a hist&oacute;ria ganhou as manchetes da imprensa (inclusive internacional) devido a um detalhe que estava al&eacute;m das apar&ecirc;ncias: o garoto em quest&atilde;o era um et&iacute;ope, adotado por um casal de turistas espanh&oacute;is, que o haviam deixado sozinho na mesa enquanto se serviam no buffet do restaurante.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Ao se dar conta de que o garoto n&atilde;o estava na mesa, a m&atilde;e, identificada apenas como Cristina, saiu para procur&aacute;-lo e o encontrou a um quarteir&atilde;o do restaurante, na rua, chorando. Depois de saber que seu filho havia sofrido a agress&atilde;o, a mulher registrou boletim de ocorr&ecirc;ncia no 36&ordm; DP, no bairro de Vila Mariana.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>A diferen&ccedil;a entre &ldquo;parecer marginal&rdquo; e &ldquo;ser racista&rdquo;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Como &eacute; de praxe, o racista negou o ocorrido e disse que tudo n&atilde;o se passava de um mal entendido. Um detalhe da explica&ccedil;&atilde;o do gerente para o qual a imprensa deu pouqu&iacute;ssima import&acirc;ncia, contudo, revela a profundidade de seu racismo. Segundo o sujeito, a confus&atilde;o toda s&oacute; ocorreu porque, naquele hor&aacute;rio (13h30), havia uma feira na rua, e o garoto et&iacute;ope foi confundido com um menino de rua.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Nada mais racista do que igualar a negritude &agrave; pobreza, &agrave; marginaliza&ccedil;&atilde;o e &agrave; criminalidade. Como, tamb&eacute;m, nada &eacute; mais asquerosamente t&iacute;pico da desumana ideologia dominante do que tentar justificar a agress&atilde;o brutal contra uma crian&ccedil;a com a desculpa de que ela se &ldquo;parecia com um menino de rua&rdquo;.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O pior &eacute; que, enquanto a simples &ldquo;apar&ecirc;ncia&rdquo; do garoto j&aacute; foi o suficiente para que ele fosse humilhado e punido, o mais do que evidente racismo dos respons&aacute;veis pelo restaurante ainda est&aacute; apenas sob suspeita. Pelo menos &eacute; esta a opini&atilde;o de M&aacute;rcio de Castro Nilson, delegado do 36&deg; DP, que declarou ao G1 que ainda est&aacute; avaliando se o caso deve ser encaminhado para a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intoler&acirc;ncia (Decradi). <i>&ldquo;Ainda n&atilde;o d&aacute; para dizer que &eacute; preconceito. Quero apurar os fatos. Em um primeiro momento, pelo menos um constrangimento ilegal houve. Mas em que circunst&acirc;ncias &eacute; preciso apurar, e at&eacute; quem cometeu&rdquo;<\/i>, disse.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Beneficiados por esta &ldquo;d&uacute;vida&rdquo; e, consequentemente, livres da pris&atilde;o sem direito &agrave; fian&ccedil;a (o que seria assegurado caso tivessem sido enquadrados na j&aacute; h&aacute; muito desacreditada lei anti-racismo), os donos do restaurante vieram a p&uacute;blico, atrav&eacute;s do advogado Jos&eacute; Eduardo da Cruz, para acrescentar mais uma desculpa esfarrapada ao lado da justificativa estapaf&uacute;rdia: <i>&ldquo;Ele <\/i>[o dono] <i>se dirigiu ao garoto e ele n&atilde;o respondeu. Ele imaginou que fosse mais um dos meninos de rua da feira, e a crian&ccedil;a saiu do local espontaneamente. Em hip&oacute;tese alguma houve racismo&rdquo;<\/i>.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Esta desculpa n&atilde;o resiste sequer &agrave; constata&ccedil;&atilde;o de que, se realmente tivesse tentado falar com o garoto, o sujeito teria descoberto que ele n&atilde;o fala ou entende uma &uacute;nica palavra em portugu&ecirc;s. Diante de todos estes descalabros, a fam&iacute;lia, que j&aacute; retornou para a Espanha, promete entrar na Justi&ccedil;a caso a investiga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o prossiga.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Como todos sabem, a hist&oacute;ria s&oacute; seguir&aacute; adiante se houver muita press&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; por parte da fam&iacute;lia, mas tamb&eacute;m e principalmente, por parte dos que realmente est&atilde;o comprometidos na luta contra a discrimina&ccedil;&atilde;o racial. Algo mais do que necess&aacute;rio num pa&iacute;s no qual ser negro &eacute; sempre igual a &ldquo;parecer marginal&rdquo;, enquanto sempre sobram desculpas e impunidade para aqueles que s&atilde;o, efetiva e inegavelmente, racistas. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>Outra hist&oacute;ria envolvendo racismo e &ldquo;apar&ecirc;ncias&rdquo;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O caso do menino et&iacute;ope ocorreu apenas algumas semanas depois de outro envolvendo apar&ecirc;ncias, racismo e ambientes de classe-m&eacute;dia. No dia 6 de dezembro, a estagi&aacute;ria Ester Elisa da Silva Ces&aacute;rio, 19 anos, fez uma grav&iacute;ssima den&uacute;ncia de racismo contra seu local de trabalho, o Col&eacute;gio Internacional Anhembi Morumbi, no Brooklin (zona sul de SP), onde a diretora, identificada como Dea de Oliveira, quis for&ccedil;&aacute;-la a alisar os cabelos para &ldquo;manter boa apar&ecirc;ncia&rdquo;. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A hist&oacute;ria toda come&ccedil;ou no primeiro dia de trabalho de Ester, em 1&ordm; de novembro, como assistente de marketing da escola. Segundo ela, assim que contratada, a diretora do col&eacute;gio a chamou numa sala particular e reclamou de uma flor em seu cabelo, pedindo para mant&ecirc;-los presos. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Nas semanas seguintes, o ass&eacute;dio racista continuou nas mais diferentes formas: houve uma nova reclama&ccedil;&atilde;o sobre os cabelos e a suposta educadora chegou a dizer que compraria camisas mais longas para que a funcion&aacute;ria escondesse seus quadris, al&eacute;m de ter solicitado que Ester evitasse circular pelos corredores. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A gota d&rsquo;&aacute;gua que levou Ester a registrar um boletim de ocorr&ecirc;ncia na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intoler&acirc;ncia (Decradi) foi uma segunda conversa, ocorrida no dia 24 de novembro e relatada pela estagi&aacute;ria: <i>&ldquo;Ela disse: &lsquo;como voc&ecirc; pode representar o col&eacute;gio com esse cabelo crespo? O padr&atilde;o daqui &eacute; cabelo liso&rsquo;. Ent&atilde;o, ela come&ccedil;ou a falar que o cabelo dela era ruim, igual o meu, que era armado, igual o meu, e ela teve que alisar para manter o padr&atilde;o da escola.&rdquo; <\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Se isso n&atilde;o bastasse, Ester ainda sofreu amea&ccedil;as depois de falar sobre a conversa aos demais funcion&aacute;rios do col&eacute;gio, que demonstraram solidariedade ao v&ecirc;-la chorando no banheiro. Dessa vez, o racismo da diretora se misturou com puro ass&eacute;dio moral: <i>&ldquo;Ela me parou na porta e disse: &#39;cuidado com o que voc&ecirc; fala por a&iacute; porque eu tenho vinte anos aqui no col&eacute;gio e voc&ecirc; est&aacute; come&ccedil;ando agora. A vida &eacute; muito dif&iacute;cil, voc&ecirc; ainda vai ouvir muitas coisas ruins e vai ter que aguentar&rsquo;.&rdquo; <\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>Ruim &eacute; o racismo!<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O epis&oacute;dio foi seguido das costumeiras desculpas por parte da institui&ccedil;&atilde;o, sem que isso, inclusive, deixasse transparecer sua coniv&ecirc;ncia com as pr&aacute;ticas racistas. Muito pelo contr&aacute;rio. Na nota que emitiu para justificar a &ldquo;aus&ecirc;ncia&rdquo; de preconceitos na escola e defender que n&atilde;o houve racismo e que a diretora n&atilde;o teve inten&ccedil;&atilde;o de causar qualquer constrangimento, a Anhembi-Morumbi afirma que <i>&ldquo;o col&eacute;gio zela pela sua imagem e, ao pregar a &lsquo;boa apar&ecirc;ncia&rsquo;, se refere ao uso de uniformes e cabelo preso&rdquo;.<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O problema &eacute; que todos sabem exatamente o que se entende por boa apar&ecirc;ncia num mundo racista e preso aos padr&otilde;es de beleza machistas e elitistas impostos pela classe dominante: mulheres loiras, altas, magras de olhos claros e padr&otilde;es europeus de vestimenta e comportamento.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Diante disso, cabe ressaltar a importante iniciativa tomada por ativistas do movimento negro, particularmente da Uni&atilde;o de N&uacute;cleos de Educa&ccedil;&atilde;o Popular para Negros(as) e Classe Trabalhadora (Uneafro), que, no dia 13 de dezembro, atrav&eacute;s de uma convoca&ccedil;&atilde;o pelo Facebook, reuniram cerca de 50 pessoas nos port&otilde;es do col&eacute;gio para realizar um ato de solidariedade a Ester, em protesto contra o racismo e em defesa da implanta&ccedil;&atilde;o da Lei 10.639, que determina o ensino da cultura afrobrasileira nas escolas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O inspirado tema do ato foi &ldquo;Soltem os crespos, prendam os racistas&rdquo;. Os manifestantes portavam faixas com dizeres como &ldquo;Ruim &eacute; o racismo&rdquo; (em refer&ecirc;ncia &agrave; malfadada hist&oacute;ria do &ldquo;cabelo ruim&rdquo;).<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A resposta do Col&eacute;gio foi das piores. Segura da impunidade que cerca esse tipo de situa&ccedil;&atilde;o, a dire&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de negar o evidente racismo envolvido no epis&oacute;dio, transferiu Ester, que tamb&eacute;m &eacute; estudante de Pedagogia, para o setor de arquivos que, por acaso, fica exatamente na porta da diretoria. Ou seja, al&eacute;m de colocar Ester num lugar em que ela s&oacute; pode compartilhar sua &ldquo;indesej&aacute;vel apar&ecirc;ncia&rdquo; com caixas e pap&eacute;is velhos, os feitores da Anhembi Morumbi ainda criaram sua pr&oacute;pria e moderna vers&atilde;o para os pelourinhos que, s&eacute;culos atr&aacute;s, eram usados para &ldquo;reeducar&rdquo; os negros e negras rebeldes.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>Quem venha 2012!<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Hist&oacute;rias como a de Ester e do garoto et&iacute;ope s&atilde;o provas lament&aacute;veis de que, passadas mais de duas d&eacute;cadas da aprova&ccedil;&atilde;o da lei anti-racista, ainda &eacute; preciso muita luta para que ela seja implementada. Vale lembrar que estas situa&ccedil;&otilde;es absurdas ocorrem num pa&iacute;s que tem um governo eleito com ampla maioria dos negros, negras e suas organiza&ccedil;&otilde;es, muitas delas atualmente encasteladas nos gabinetes do Planalto e numa secretaria ministerial, o Seppir, que deveria se dedicar integralmente para a elimina&ccedil;&atilde;o do racismo e n&atilde;o o faz por uma combina&ccedil;&atilde;o lastim&aacute;vel de falta de vontade pol&iacute;tica e de investimentos concretos.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Diante disso, n&atilde;o s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel ter a certeza de que hist&oacute;rias como essa, infelizmente, voltar&atilde;o a se repetir, como tamb&eacute;m que s&oacute; com muita luta ser&aacute; poss&iacute;vel virar o jogo e fazer com que tenhamos um pa&iacute;s onde seja poss&iacute;vel punir exemplarmente algu&eacute;m por ser racista e n&atilde;o continuar vendo jovens e crian&ccedil;as serem humilhados e agredidos por serem negros e, diante dos olhos nublados pela ideologia dominante, &ldquo;parecerem marginais.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><i>Fonte: <\/i><a href=\"http:\/\/WWW.pstu.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><font color=\"#0000ff\">www.pstu.org.br<\/font><\/i><\/a><i>, de 05\/01\/2012<\/i><\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final de dezembro, um menino negro foi jogado para fora de um restaurante frequentado pela classe m&eacute;dia alta de S&atilde;o Paulo. No in&iacute;cio do mesmo m&ecirc;s uma jovem foi assediada no emprego por ter cabelos crespos. Lament&aacute;veis exemplos de que vivemos num pa&iacute;s onde ser negro &eacute; igual a parecer marginal, e ser racista [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":5850,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[121],"tags":[],"class_list":["post-2031","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Brasil-racismo.png","categories_names":["Brasil"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2031","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2031"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2031\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5850"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2031"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2031"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2031"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}