{"id":2024,"date":"2011-12-27T07:29:43","date_gmt":"2011-12-27T07:29:43","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2011\/12\/27\/revolucao-e-contra-revolucao-no-egito\/"},"modified":"2011-12-27T07:29:43","modified_gmt":"2011-12-27T07:29:43","slug":"revolucao-e-contra-revolucao-no-egito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2011\/12\/27\/revolucao-e-contra-revolucao-no-egito\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o e contra-revolu\u00e7\u00e3o no Egito"},"content":{"rendered":"\n<p>\n\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"127\" hspace=\"4\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/2011_dec23_egito1.jpg\" style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; \" vspace=\"4\" width=\"200\" \/><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; \">A revolu&ccedil;&atilde;o no Egito demonstrou uma for&ccedil;a gigantesca ao derrubar Mubarak. Agora abre mais um cap&iacute;tulo ao questionar de frente o governo militar de turno. Est&aacute; em xeque o destino do pa&iacute;s mais populoso do Oriente M&eacute;dio e a estabilidade de toda a regi&atilde;o, o que inclui Israel.<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; \">Revolu&ccedil;&atilde;o e contra-revolu&ccedil;&atilde;o se enfrentam nas ruas do Cairo em lances acompanhados em todo o mundo. A revolu&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia marcou o in&iacute;cio de 2011 e foi um de seus s&iacute;mbolos mais importantes. Um momento excepcional de um ano excepcional, que nunca ser&aacute; esquecido, pela jun&ccedil;&atilde;o afinal da crise econ&ocirc;mica com o ascenso de massas. A revolu&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia tem uma base material nas conseq&uuml;&ecirc;ncias sociais da crise econ&ocirc;mica centrada na Europa. E alimenta os sonhos e o ide&aacute;rio de uma nova gera&ccedil;&atilde;o de lutadores em todo o mundo. N&atilde;o por acaso a ocupa&ccedil;&atilde;o da pra&ccedil;a Tahrir se transformou em um exemplo reproduzido nas pra&ccedil;as de todo o mundo, como os &quot;indignados&quot; de Madrid, &quot;Ocupy Wall Street&quot;. Os seus resultados ter&atilde;o um enorme valor para os rumos da economia e pol&iacute;tica de todo o planeta.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Uma revolu&ccedil;&atilde;o em curso <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Como todas as grandes revolu&ccedil;&otilde;es, a eg&iacute;pcia coloca grandes temas em debate para os revolucion&aacute;rios de todo o mundo. O primeiro &eacute; se &eacute; realmente uma revolu&ccedil;&atilde;o. Alguns setores da esquerda ainda insistem em classificar o que se passa como uma &quot;rebeli&atilde;o&quot;. Trotsky no pr&oacute;logo de seu livro &ldquo;<i>Hist&oacute;ria da Revolu&ccedil;&atilde;o Russa&rdquo; dizia:<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-left: 0cm; margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-left: 0cm; margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">&ldquo;O tra&ccedil;o<i> caracter&iacute;stico mais indiscut&iacute;vel das revolu&ccedil;&otilde;es &eacute; a interven&ccedil;&atilde;o direta das massas nos acontecimentos hist&oacute;ricos. Em tempos normais o Estado, seja mon&aacute;rquico ou democr&aacute;tico, est&aacute; por cima da na&ccedil;&atilde;o; a hist&oacute;ria corre nas m&atilde;os dos especialistas deste of&iacute;cio (&hellip;). Mas nos momentos decisivos, quando a ordem estabelecida se faz insuport&aacute;vel para as massas, estas rompem as barreiras que as separam da pol&iacute;tica, derrubam a seus representantes tradicionais e, com sua interven&ccedil;&atilde;o, criam um ponto de partida para o novo regime (&#8230;). A hist&oacute;ria das revolu&ccedil;&otilde;es &eacute; para n&oacute;s, por cima de tudo, a hist&oacute;ria da irrup&ccedil;&atilde;o violenta das massas no governo de seus pr&oacute;prios destinos&rdquo;.<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-left: 0cm; margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-left: 0cm; margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No Egito as massas &ldquo;irromperam violentamente&rdquo; para &ldquo;intervir nos acontecimentos hist&oacute;ricos&rdquo;. Mais ainda, se fortaleceram nessa primeira batalha, cujo s&iacute;mbolo maior &eacute; a Pra&ccedil;a <i>T<\/i>ahrir. E depois da derrubada de Mubarak , recorrem sistematicamente na reocupa&ccedil;&atilde;o da Pra&ccedil;a para lutar por suas reivindica&ccedil;&otilde;es.&nbsp; Enquanto essa for&ccedil;a n&atilde;o for anulada, a estabilidade burguesa n&atilde;o retornar&aacute; ao Egito.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>O primeiro passo: uma revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica vitoriosa<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Trata-se de uma revolu&ccedil;&atilde;o em curso. Mas o que aconteceu na queda de Mubarak? Caiu o governo ou tamb&eacute;m o regime? E porque isso caracteriza uma revolu&ccedil;&atilde;o? &nbsp;A pol&ecirc;mica agora &eacute; sobre o car&aacute;ter da pr&oacute;pria revolu&ccedil;&atilde;o, ou de como se liga a tarefa democr&aacute;tica com a estrat&eacute;gia socialista.&nbsp; <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Nahuel Moreno explicava porque a derrubada das ditaduras militares de Argentina, Bol&iacute;via e Peru tinham sido revolu&ccedil;&otilde;es:<i>&ldquo;Alguns sustentam que s&oacute; h&aacute; revolu&ccedil;&atilde;o quando o movimento de massas destr&oacute;i as For&ccedil;as Armadas de um Estado ou regime, como ocorreu na Nicar&aacute;gua. Outros definem que h&aacute; revolu&ccedil;&atilde;o quando muda o car&aacute;ter do Estado, ou seja, quando o poder passa &aacute;s m&atilde;os de outra classe, como aconteceu na R&uacute;ssia de 1917. Finalmente, outros ainda asseguram que a revolu&ccedil;&atilde;o se produz quando se expropria a classe dominante, como se deu, por exemplo, em Cuba, mais de um ano depois do triunfo castrista (&#8230;). <\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i>&nbsp;<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i>Reformas e revolu&ccedil;&otilde;es se produzem em tudo o que existe, pelo menos em tudo o que &eacute; vivo. &lsquo;Reforma&rsquo; , como o nome indica, significa melhorar, adaptar alguma coisa, para que continue existindo. J&aacute; &lsquo;revolu&ccedil;&atilde;o&rsquo; &eacute; o fim do velho, e o surgimento de algo completamente novo, diferente (&#8230;).<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i>&nbsp;<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i>Por&eacute;m entre essas revolu&ccedil;&otilde;es, ocorrem progressos, melhoramentos, ou seja, reformas. Como toda defini&ccedil;&atilde;o marxista ou cientifica, revolu&ccedil;&atilde;o e reforma s&atilde;o termos relativos ao segmento da realidade que estamos estudando (&#8230;). Para us&aacute;-las corretamente, n&atilde;o devemos esquecer seu car&aacute;ter relativo. Revolu&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a qu&ecirc;? Reforma em rela&ccedil;&atilde;o a qu&ecirc;? (&#8230;).<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i>&nbsp;<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i>Se nos referimos &agrave; estrutura da sociedade, &agrave;s classes sociais, a &uacute;nica revolu&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel &eacute; a expropria&ccedil;&atilde;o da velha classe dominante pela classe revolucion&aacute;ria (&#8230;). Se nos referimos ao Estado, a &uacute;nica revolu&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel &eacute; que uma classe destrua o Estado da outra; que a expulse e o tome nas m&atilde;os, construindo um Estado distinto (&#8230;). Sustentamos que a mesma lei se aplica em rela&ccedil;&atilde;o aos regimes pol&iacute;ticos.&rdquo; <\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i>&nbsp;<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i>Segundo Moreno, as revolu&ccedil;&otilde;es se d&atilde;o quando ocorrem duas condi&ccedil;&otilde;es. A primeira &eacute; o surgimento de crises revolucion&aacute;rias, ou seja, quando as institui&ccedil;&otilde;es do regime ficam completamente paralisadas. Quando o processo &eacute; de reformas n&atilde;o existe isso, portanto ocorrem mudan&ccedil;as graduais, planejadas.&nbsp; A segunda condi&ccedil;&atilde;o &eacute; que o regime anterior desaparece, e o que aparece posteriormente &eacute; &ldquo;absolutamente distinto&rdquo;. <\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No Egito, durante 18 dias, as massas ocuparam a Pra&ccedil;a Tahrir, transformando-a n&atilde;o s&oacute; no centro das lutas contra Mubarak, mas tamb&eacute;m em um poder alternativo ao do governo. Ali se centralizava a luta, se enviavam colunas de manifestantes para outros lugares, se organizava a defesa contra os ataques da pol&iacute;cia, cuidavam dos feridos. Um duplo poder se imp&ocirc;s. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O governo n&atilde;o controlava mais o pa&iacute;s. Os toques de recolher foram ignorados pelo povo. Para tentar reprimir as manifesta&ccedil;&otilde;es, a ditadura recorreu a policiais disfar&ccedil;ados de civis que n&atilde;o impediram a continuidade das manifesta&ccedil;&otilde;es. Para conseguir quebrar a rebeli&atilde;o seria necess&aacute;rio um banho de sangue, como o ocorrido na China de 1989. Mas para isso se precisava de um ex&eacute;rcito unificado, sob as ordens de Mubarak. E isso n&atilde;o existia. As For&ccedil;as Armadas estavam paralisadas pela crise.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A classe oper&aacute;ria, que at&eacute; ent&atilde;o participava das lutas dissolvida na popula&ccedil;&atilde;o, entrou em marcha como classe com uma onda de greves impressionante, juntando suas reivindica&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas com a luta pela queda da ditadura. Come&ccedil;ando pelos oper&aacute;rios do Canal de Suez, abarcando oper&aacute;rios t&ecirc;xteis, metal&uacute;rgicos, petroleiros, se ampliando para outras grandes cidades, e depois as pequenas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O governo estava encurralado. Tentou uma &uacute;ltima manobra, com um acordo com a oposi&ccedil;&atilde;o burguesa, com uma transi&ccedil;&atilde;o (uma reforma) mantendo Mubarak at&eacute; setembro. Ele pr&oacute;prio fez esse an&uacute;ncio pela televis&atilde;o. A rea&ccedil;&atilde;o das massas foi de f&uacute;ria. Quinze milh&otilde;es de pessoas ocuparam as pra&ccedil;as de todo o pa&iacute;s. A classe oper&aacute;ria caminhava em dire&ccedil;&atilde;o a uma greve geral. &nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Existiu uma crise revolucion&aacute;ria no Egito nesses dias, com as greves oper&aacute;rias, a mobiliza&ccedil;&atilde;o unificada ao redor da Pra&ccedil;a Tahrir, as For&ccedil;as Armadas paralisadas. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O imperialismo agiu ent&atilde;o para buscar uma alternativa por fora de Mubarak, que tinha sido sustentado at&eacute; ent&atilde;o. Entregou a cabe&ccedil;a do ditador para preservar o controle da situa&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s de um governo militar que se colocava como uma &ldquo;transi&ccedil;&atilde;o para elei&ccedil;&otilde;es em seis meses&rdquo;. As massas festejaram a vit&oacute;ria.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O regime, logo ap&oacute;s a queda de Mubarak, era muito diferente da ditadura de antes. &nbsp;A diferen&ccedil;a fundamental foi uma brusca mudan&ccedil;a na rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as, com as massas se sentindo vitoriosas e querendo seguir em busca de suas reivindica&ccedil;&otilde;es. O regime n&atilde;o se define somente pelas institui&ccedil;&otilde;es no poder, mas pela rela&ccedil;&atilde;o entre elas, por onde passa realmente o poder. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Antes Mubarak governava como express&atilde;o de uma ditadura militar. Assassinou milhares de pessoas e impediu por trinta anos qualquer oposi&ccedil;&atilde;o. Agora, a mesma institui&ccedil;&atilde;o- o ex&eacute;rcito- para governar tinha de se apoiar na negocia&ccedil;&atilde;o permanente com a oposi&ccedil;&atilde;o, em particular com a Irmandade Mu&ccedil;ulmana. E assumia uma claro mandato de transi&ccedil;&atilde;o, com o compromisso de realizar elei&ccedil;&otilde;es constituintes e presidenciais em seis meses.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No entanto, o elemento de continuidade tem uma grande import&acirc;ncia. A institui&ccedil;&atilde;o principal continua sendo o ex&eacute;rcito, com altas figuras do governo anterior, centralizadas pelo Marechal Hussein Tantawi. As For&ccedil;as Armadas, exatamente por sua paralisia na crise revolucion&aacute;ria, preservou sua autoridade perante as massas, angariadas nas guerras contra Israel. Com a queda de Mubarak, se manteve como o centro da contra-revolu&ccedil;&atilde;o, a base de apoio para o imperialismo e a burguesia eg&iacute;pcia para derrotar as massas rebeladas. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Mas o conte&uacute;do do regime &eacute; distinto da ditadura de antes. O governo militar n&atilde;o podia dispor da for&ccedil;a pr&oacute;pria da ditadura Mubarak. Tem de negociar com a oposi&ccedil;&atilde;o burguesa uma sa&iacute;da pol&iacute;tica.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Qual foi o resultado ent&atilde;o da primeira parte da revolu&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia. Caiu o regime (a ditadura militar) junto com Mubarak? &nbsp;Ou caiu o governo Mubarak&nbsp; e se manteve o regime? O que existe hoje: uma transi&ccedil;&atilde;o em dire&ccedil;&atilde;o a um regime bonapartista com formas democr&aacute;ticas? Ou para uma democracia burguesa com caracter&iacute;sticas bonapartistas? <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Aplicando os crit&eacute;rios definidos por Moreno, houve uma revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica vitoriosa. Houve uma crise revolucion&aacute;ria e o regime posterior &eacute; qualitativamente distinto do anterior. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Mas uma resposta categ&oacute;rica a essa pergunta, na verdade, s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel quando a transi&ccedil;&atilde;o se completar, depois das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais. A for&ccedil;a da revolu&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia; o ineditismo do conjunto da revolu&ccedil;&atilde;o no Oriente M&eacute;dio e norte da &Aacute;frica, as condi&ccedil;&otilde;es especiais da regi&atilde;o pela presen&ccedil;a de Israel; colocam muitos elementos novos na realidade que exigem paci&ecirc;ncia nas caracteriza&ccedil;&otilde;es. As duas hip&oacute;teses est&atilde;o colocadas. A pr&oacute;pria realidade nos revelar&aacute; a resposta.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Rea&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica no Oriente M&eacute;dio e Norte da &Aacute;frica?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Essa &eacute; uma regi&atilde;o na qual o imperialismo n&atilde;o aplicava a pol&iacute;tica da rea&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, ou seja, a utiliza&ccedil;&atilde;o da democracia burguesa para a conten&ccedil;&atilde;o do ascenso das massas. Existe uma polariza&ccedil;&atilde;o violenta entre revolu&ccedil;&atilde;o e contra-revolu&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o que levou o imperialismo at&eacute; agora a n&atilde;o utilizar como t&aacute;tica privilegiada a rea&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, como faz na Am&eacute;rica Latina. Na regi&atilde;o das maiores reservas de petr&oacute;leo do mundo, sacudida historicamente por guerras e revolu&ccedil;&otilde;es, &eacute; fundamental manter regimes est&aacute;veis. Por isso, a coloniza&ccedil;&atilde;o imperialista apoiou sempre monarquias e ditaduras repressoras. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Quando teve de se enfrentar com o nacionalismo burgu&ecirc;s, os governos imperialistas reagiram com uma contra-ofensiva militar. A express&atilde;o mais acabada dessa pol&iacute;tica foi a cria&ccedil;&atilde;o do Estado de Israel, um enclave militar a servi&ccedil;o da contra-revolu&ccedil;&atilde;o em toda a regi&atilde;o. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A democracia burguesa, no entanto, j&aacute; deu mostras de sua serventia para o capital para derrotar ascensos revolucion&aacute;rios. A realidade posterior a segunda guerra mundial demonstrou ampla utiliza&ccedil;&atilde;o da democracia burguesa, que serviu para per&iacute;odos de estabilidade como para derrotar ascensos revolucion&aacute;rios. &nbsp;Foi assim na revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa em 1975 e na revolu&ccedil;&atilde;o nicarag&uuml;ense em 1979. Com a crise das ditaduras latino americanas na d&eacute;cada de 80, foi a alternativa constru&iacute;da pelo capital para reestabilizar a regi&atilde;o. A democracia burguesa na Am. Latina, com todas as crises, j&aacute; subsiste h&aacute; 27 anos no Brasil, 30 na Argentina, 21 no Chile. Os planos neoliberais foram aplicados na Am&eacute;rica Latina pelos regimes democr&aacute;ticos e n&atilde;o por ditaduras (com exce&ccedil;&atilde;o do &quot;pioneiro&quot; Pinochet). E foi tamb&eacute;m a democracia burguesa que absorveu os governos frente populistas como Lula, Evo Moralez, etc. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Estamos iniciando um novo per&iacute;odo pol&iacute;tico que tem como base a crise econ&ocirc;mica internacional mais grave desde a depress&atilde;o de 29. Est&aacute; come&ccedil;ando uma nova s&eacute;rie de combina&ccedil;&otilde;es de crises e ascenso. Vamos ter pela frente situa&ccedil;&otilde;es e crises revolucion&aacute;rias em v&aacute;rios pa&iacute;ses, e sua resolu&ccedil;&atilde;o seja pela vit&oacute;ria ou derrota da revolu&ccedil;&atilde;o pode apresentar novas rela&ccedil;&otilde;es entre democracia e bonapartismo. O imperialismo tanto pode utilizar o bonapartismo para enfrentar o ascenso na Europa, como &nbsp;ser obrigado a utilizar a democracia burguesa para tentar derrotar a revolu&ccedil;&atilde;o no Oriente M&eacute;dio e manter seu controle econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico da regi&atilde;o. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A for&ccedil;a e ineditismo da revolu&ccedil;&atilde;o no Norte da &Aacute;frica e Oriente M&eacute;dio j&aacute; obrigou ao recurso da democracia na Tun&iacute;sia , em que o <span style=\"color:#333333\">Ennahda- <\/span>um partido isl&acirc;mico burgu&ecirc;s- ganhou as elei&ccedil;&otilde;es constituintes em outubro passado. J&aacute; existem elei&ccedil;&otilde;es anunciadas na L&iacute;bia. Esse recurso j&aacute; est&aacute; sendo usado no Egito, com elei&ccedil;&otilde;es parlamentares j&aacute; em curso e presidenciais anunciadas para julho de 2012. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>A revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica &eacute; s&oacute; um passo da revolu&ccedil;&atilde;o permanente<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Na concep&ccedil;&atilde;o da revolu&ccedil;&atilde;o permanente, o processo revolucion&aacute;rio pode come&ccedil;ar por tarefas democr&aacute;ticas (como no Egito) ou m&iacute;nimas, mas deve ser entendido como parte de uma revolu&ccedil;&atilde;o socialista que vai ter de derrubar o Estado, libertar o pa&iacute;s do imperialismo, e expropriar a propriedade capitalista. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Nessa &eacute;poca imperialista, a burguesia n&atilde;o assume a dire&ccedil;&atilde;o de mobiliza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias para a conquista de reivindica&ccedil;&otilde;es tradicionais das revolu&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas burguesas do passado, como a liberta&ccedil;&atilde;o do imperialismo, a reforma agr&aacute;ria. E nem mesmo a constitui&ccedil;&atilde;o de rep&uacute;blicas democr&aacute;tico burguesas. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A derrota de Mubarak foi um passo democr&aacute;tico, que desatou uma revolu&ccedil;&atilde;o que se enfrenta objetivamente contra a domina&ccedil;&atilde;o imperialista. Por isso &eacute; uma revolu&ccedil;&atilde;o socialista, ainda inconsciente. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A vit&oacute;ria foi produto de uma mobiliza&ccedil;&atilde;o popular gigantesca. Uma classe oper&aacute;ria e uma juventude fortalecidas pela vit&oacute;ria, com aspira&ccedil;&otilde;es de melhoras urgentes nas condi&ccedil;&otilde;es de vida.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A grande burguesia eg&iacute;pcia foi parte ativa da ditadura de Mubarak e retaguarda nas mobiliza&ccedil;&otilde;es que o derrotaram. Mas depois da vit&oacute;ria, se apresenta como um dos ganhadores. Seu objetivo fundamental &eacute; reestabilizar econ&ocirc;mica e politicamente o pa&iacute;s para retornar ao saqueio do pa&iacute;s.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No caso eg&iacute;pcio, a vit&oacute;ria democr&aacute;tica abre um curso posterior de fortes enfrentamentos. A crise econ&ocirc;mica do pa&iacute;s n&atilde;o apresenta sa&iacute;das de curto prazo. A import&acirc;ncia do pa&iacute;s na domina&ccedil;&atilde;o geopol&iacute;tica do imperialismo n&atilde;o permite uma independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica sem grandes enfrentamentos com Israel. N&atilde;o existe possibilidade de uma evolu&ccedil;&atilde;o linear. Cada um dos atores da primeira parte democr&aacute;tica da revolu&ccedil;&atilde;o tinha aspira&ccedil;&otilde;es distintas dos passos a seguir. A &quot;primavera &aacute;rabe&quot; teria necessariamente uma dura&ccedil;&atilde;o curta.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A crise econ&ocirc;mica internacional influi diretamente sobre a situa&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia e &eacute; por ela influenciada. As exporta&ccedil;&otilde;es para a Europa, parte fundamental da economia do pa&iacute;s, ca&iacute;ram dramaticamente de 33% a 15% entre 2008 e 2009.&nbsp; As remessas dos emigrantes eg&iacute;pcios ca&iacute;ram 17% em rela&ccedil;&atilde;o a 2008. O turismo (que ocupa 11% do PIB nacional) caiu rapidamente, deixando sem emprego uma parte da juventude. Os dividendos do canal de Suez, outra parte importante da economia do pa&iacute;s ca&iacute;ram 7,2% em 2009. O pa&iacute;s depende da importa&ccedil;&atilde;o de alimentos e o aumento dos pre&ccedil;os internacionais (18,1% em 2011) foi a gota d&#39;&aacute;gua de radicaliza&ccedil;&atilde;o das massas. (dados extra&iacute;dos de &quot;Egypt&rsquo;s Unfinished revolution&quot;,Sameh Naguib, <u>ISR<\/u>)<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Al&eacute;m disso, a pr&oacute;pria situa&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria &eacute; um fator importante na desarticula&ccedil;&atilde;o da economia,seja pelas greves, seja pela instabilidade pol&iacute;tica. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O proletariado, por outro lado, j&aacute; vinha em ascenso antes da revolu&ccedil;&atilde;o. A greve de ocupa&ccedil;&atilde;o dos oper&aacute;rios de Mahalla em 2006 foi seguida por um ascenso que atingiu o setor p&uacute;blico e privado da economia, conseguindo vit&oacute;rias parciais e enfrentando as leis da ditadura. Durante a revolu&ccedil;&atilde;o, a entrada em cena do proletariado como classe foi decisiva para a queda de Mubarak. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Fortalecidos pela vit&oacute;ria, os oper&aacute;rios ampliaram fortemente o n&uacute;mero de greves e organizaram novos sindicatos se livrando da burocracia ligada a ditadura. Querem melhores sal&aacute;rios, assim como afastar as dire&ccedil;&otilde;es das empresas p&uacute;blicas ligadas &agrave; ditadura. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A maior parte da juventude empregada e desempregada, um fator important&iacute;ssimo da revolu&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tem perspectivas na realidade econ&ocirc;mica atual do pa&iacute;s. Querem empregos e melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A burguesia eg&iacute;pcia n&atilde;o tem como fazer concess&otilde;es econ&ocirc;micas para os trabalhadores e a juventude, nem reverter a crise econ&ocirc;mica de imediato. Quer um regime que reestabilize politicamente o pa&iacute;s, garanta uma apar&ecirc;ncia democr&aacute;tica com elei&ccedil;&otilde;es regulares. Mas necessita impor o pagamento dos custos da crise em mais e mais medidas de austeridade contra os trabalhadores. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Por outro lado, a subordina&ccedil;&atilde;o da junta militar ao imperialismo norte-americano imp&otilde;e a manuten&ccedil;&atilde;o dos acordos com Israel, um forte elemento irritativo para o povo eg&iacute;pcio. Desde a derrubada de Mubarak em fevereiro, a situa&ccedil;&atilde;o objetiva s&oacute; piorou no pa&iacute;s. O Egito &eacute; um vulc&atilde;o j&aacute; em erup&ccedil;&atilde;o. Trata-se de uma situa&ccedil;&atilde;o social, pol&iacute;tica e militar&nbsp; mais grave e polarizada que as ocorridas durante as revolu&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas na Am&eacute;rica Latina, que foram sucedidas pela estabiliza&ccedil;&atilde;o da democracia burguesa. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A revolu&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia s&oacute; pode ser entendida como parte de uma revolu&ccedil;&atilde;o permanente. Nas condi&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s e da regi&atilde;o, isso significa que ou avan&ccedil;a com um conte&uacute;do anticapitalista e antiimperialista ou retrocede em termos democr&aacute;ticos. Da mesma forma no contexto internacional: ou a revolu&ccedil;&atilde;o no Oriente M&eacute;dio avan&ccedil;a sobre Israel ou inevitavelmente vai retroceder, seja por uma invas&atilde;o militar israelense ou pela rea&ccedil;&atilde;o (ou contra-revolu&ccedil;&atilde;o) interna. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>A especificidade das For&ccedil;as Armadas no Egito<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Em geral, a c&uacute;pula das for&ccedil;as armadas &eacute; parte das classes dominantes nos estados burgueses. No caso eg&iacute;pcio, essa realidade ganha contornos mais definidos. As for&ccedil;as armadas controlam uma parte consider&aacute;vel da economia, entre 20 e 30%, incluindo companhias de com&eacute;rcio, turismo, agricultura, etc. Al&eacute;m disso, t&ecirc;m uma subordina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e material fort&iacute;ssima com o imperialismo norte-americano. Recebem o segundo maior aux&iacute;lio militar do mundo (1,3 bilh&otilde;es de d&oacute;lares, s&oacute; inferior ao de Israel), e t&ecirc;m seus oficiais treinados diretamente nos EUA.&nbsp; <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Essa realidade material, somada &agrave;s circunst&acirc;ncias pol&iacute;ticas da queda de Mubarak (ainda com autoridade perante as massas), levam a que esse centro da contra-revolu&ccedil;&atilde;o queira manter seus privil&eacute;gios. A ditadura militar em sua configura&ccedil;&atilde;o anterior foi derrotada, mas sobrou uma institui&ccedil;&atilde;o com fortes la&ccedil;os com a burguesia e autoridade perante as massas. Nenhum setor privilegiado quer entregar suas vantagens.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No in&iacute;cio, o novo governo militar teve de se render a nova rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as determinada pela revolu&ccedil;&atilde;o. O primeiro ministro Essam Sharaf teve de ir at&eacute; a Plaza Tahrir buscar legitimidade, sendo carregado nos bra&ccedil;os da multid&atilde;o. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O governo militar n&atilde;o se apoiava s&oacute; na autoridade pol&iacute;tica das For&ccedil;as Armadas e sim em seu pr&oacute;prio car&aacute;ter de transi&ccedil;&atilde;o, com elei&ccedil;&otilde;es anunciadas para seis meses para um parlamento constituinte e de um novo governo. O novo governo se apoiava em uma negocia&ccedil;&atilde;o permanente com a oposi&ccedil;&atilde;o, em particular com a Irmandade Mu&ccedil;ulmana. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Essa organiza&ccedil;&atilde;o tem um papel particularmente importante agora e no futuro do Egito. Trata-se da organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de maior for&ccedil;a do pa&iacute;s, a express&atilde;o da oposi&ccedil;&atilde;o burguesa com a forma mu&ccedil;ulmana. Suas mesquitas mant&ecirc;m rela&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&oacute; religiosas como assistencialistas com a popula&ccedil;&atilde;o ocupando um espa&ccedil;o deixado aberto pelo estado.&nbsp; Durante a ditadura, negociava permanentemente com Mubarak, apesar de ilegalizada e reprimida quando interessava ao regime. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Em todo o per&iacute;odo da revolu&ccedil;&atilde;o manteve sempre uma distancia das mobiliza&ccedil;&otilde;es, s&oacute; entrando oficialmente em cena quando a realidade j&aacute; estava definida.&nbsp; Como ocorre muitas vezes em revolu&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas, no entanto, a Irmandade Mu&ccedil;ulmana entra no per&iacute;odo p&oacute;s Mubarak com grande autoridade pol&iacute;tica e como um elemento pol&iacute;tico essencial para a domina&ccedil;&atilde;o burguesa.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Logo depois da queda de Mubarak, o novo governo militar se enfrentou com as greves e novas mobiliza&ccedil;&otilde;es. Buscou criminaliz&aacute;-las e reprimi-las, mas n&atilde;o conseguiu evit&aacute;-las. Ao contr&aacute;rio, o n&uacute;mero de greves nesses meses foi maior do que em todo o ascenso anterior desde 2006. O governo acertou com a Irmandade Mu&ccedil;ulmana um calend&aacute;rio eleitoral confuso que aponta v&aacute;rias elei&ccedil;&otilde;es parlamentares (que come&ccedil;aram em 28 de novembro e seguem em 2012) e a presidencial para 2012 ou 2013, sem data definida. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O passo seguinte do governo foi tentar um pequeno golpe, moldando o novo regime que est&aacute; sendo constru&iacute;do com uma configura&ccedil;&atilde;o claramente bonapartista, semelhante ao antigo regime. O Conselho Supremo das For&ccedil;as Armadas (CSFA), como &eacute; chamado o governo militar, divulgou uma carta de princ&iacute;pios da nova Constitui&ccedil;&atilde;o na qual apresentou sua inten&ccedil;&atilde;o de tornar-se &ldquo;avalista da Constitui&ccedil;&atilde;o&rdquo; ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es. A carta prop&otilde;e que os membros do CSFA continuem atuando como &ldquo;&aacute;rbitros&rdquo;, usando um poder de veto sobre qualquer artigo da futura Constitui&ccedil;&atilde;o com o qual n&atilde;o concordem e gozando de liberdade irrestrita para definir o or&ccedil;amento das For&ccedil;as Armadas de maneira sigilosa. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Ou seja, a &ldquo;prote&ccedil;&atilde;o constitucional&rdquo; oferecida pela Junta Militar consiste em negar soberania pol&iacute;tica a um futuro parlamento. Estava, portanto, anunciado que o regime a ser constru&iacute;do seria o velho bonapartismo militar agora com uma democracia que seria um ap&ecirc;ndice do poder militar. Esse an&uacute;ncio foi feito alguns dias antes do in&iacute;cio das primeiras elei&ccedil;&otilde;es, com o objetivo expl&iacute;cito de evitar uma rea&ccedil;&atilde;o das massas pela expectativa eleitoral. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No entanto, esse an&uacute;ncio do governo se chocava com a rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as definida pela revolu&ccedil;&atilde;o. As organiza&ccedil;&otilde;es da juventude que estiveram na vanguarda da revolu&ccedil;&atilde;o, assim como os novos sindicatos se lan&ccedil;aram de novo &agrave; Pra&ccedil;a Tahrir. Desde 18 de novembro, um novo momento da revolu&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia est&aacute; em marcha, agora com a exig&ecirc;ncia da sa&iacute;da imediata dos militares e a passagem para um governo civil. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Desde ent&atilde;o enfrentamentos violentos se d&atilde;o ao redor da Pra&ccedil;a. Antes das elei&ccedil;&otilde;es, multid&otilde;es ocuparam a Pra&ccedil;a e se chocaram com os militares. A repress&atilde;o n&atilde;o conseguiu evacuar a Pra&ccedil;a, apesar de mais dos mortos e&nbsp; feridos. O governo encabe&ccedil;ado por Essam Sharaf, renunciou e a Junta Militar nomeou Kamal Ganzuri, ex-ministro de Mubarak, como novo chefe de gabinete, causando uma irrita&ccedil;&atilde;o ainda maior.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O governo militar, ao tentar recompor o novo regime com uma fei&ccedil;&atilde;o semelhante a antiga ditadura, se chocou com a rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as atual e perdeu o apoio de massas que tinha. A exig&ecirc;ncia do fim imediato do governo militar hoje &eacute; uma reivindica&ccedil;&atilde;o do povo eg&iacute;pcio. No curso de dez meses, a revolu&ccedil;&atilde;o passa a se chocar diretamente contra o centro da contra-revolu&ccedil;&atilde;o, agora sem os v&eacute;us que o encobriam. Mas os militares n&atilde;o t&ecirc;m apenas a repress&atilde;o como arma. As elei&ccedil;&otilde;es estavam se iniciando.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>A rea&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica em curso<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No dia 28 de novembro come&ccedil;aram as elei&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s. O governo militar, a burguesia, o imperialismo apostam na rea&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica para conter a revolu&ccedil;&atilde;o. Nessa primeira rodada se elegem parlamentares em um ter&ccedil;o dos distritos do pa&iacute;s. V&atilde;o ocorrer cinco elei&ccedil;&otilde;es semelhantes antes das presidenciais, agora marcadas para julho de 2012. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Uma parte importante do ativismo concentrado na Pra&ccedil;a Tahrir entendeu o perigo, ao ver a simultaneidade das elei&ccedil;&otilde;es e das condicionantes constitucionais definidas pela junta militar. A resposta correta da mobiliza&ccedil;&atilde;o na Pra&ccedil;a Tahrir se combinou com outra errada, de boicote &aacute;s elei&ccedil;&otilde;es. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">As massas eg&iacute;pcias votaram em peso. Era a primeira elei&ccedil;&atilde;o relativamente livre em suas vidas, e entendiam o voto como express&atilde;o de sua vit&oacute;ria na revolu&ccedil;&atilde;o. Mais de 60% de comparecimento eleitoral com dez mil candidatos. A maior parte das organiza&ccedil;&otilde;es que chamaram ao boicote teve de recuar e participar da vota&ccedil;&atilde;o. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A Irmandade Mu&ccedil;ulmana foi a grande vitoriosa no primeiro turno das elei&ccedil;&otilde;es, conseguindo quase 40% dos votos. Os salafistas (mu&ccedil;ulmanos fundamentalistas) conseguiram 25%, compondo uma maioria isl&acirc;mica importante. Aqui se reproduz o fen&ocirc;meno j&aacute; visto nas elei&ccedil;&otilde;es tunisianas, com vit&oacute;ria da oposi&ccedil;&atilde;o burguesa isl&acirc;mica. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Esse &eacute; um novo poder em forma&ccedil;&atilde;o, ao redor das elei&ccedil;&otilde;es, do parlamento e das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de julho pr&oacute;ximo. Um poder burgu&ecirc;s de grande import&acirc;ncia, um novo centro para a contra-revolu&ccedil;&atilde;o. Considerando o r&aacute;pido desgaste dos militares, n&atilde;o se pode desconsiderar a import&acirc;ncia dessa nova arma da burguesia e do imperialismo. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O governo militar tinha em fevereiro duas bases de apoio essenciais. Uma base pol&iacute;tica pelo apoio das massas, al&eacute;m da burguesia e do imperialismo. E a base essencial das armas. Perdeu o apoio das massas, mantendo o apoio das classes dominantes e o peso das armas. A for&ccedil;a da revolu&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia j&aacute; derrotou a ditadura de Mubarak em fevereiro. Mas as classes dominantes no Egito ainda t&ecirc;m a alternativa da rea&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, do novo poder que est&aacute; sendo constru&iacute;do.A repress&atilde;o militar n&atilde;o tinha conseguido evacuar a Pra&ccedil;a Tahrir. As elei&ccedil;&otilde;es conseguiram, mostrando o peso da rea&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Agora, novamente os conflitos recome&ccedil;aram. No momento em que este artigo estava sendo escrito, mobiliza&ccedil;&otilde;es voltaram a se enfrentar com o ex&eacute;rcito na Pra&ccedil;a, j&aacute; com dez novos mortos e centenas de feridos. O espancamento de uma mulher por soldados- uma imagem transmitida para todo o mundo- indignou ainda mais o povo eg&iacute;pcio.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Quais s&atilde;o as perspectivas?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Revolu&ccedil;&atilde;o e contra revolu&ccedil;&atilde;o se enfrentam novamente no Egito, em condi&ccedil;&otilde;es distintas de fevereiro. A revolu&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;a com a for&ccedil;a de sua classe oper&aacute;ria concentrada e uma juventude radicalizada fortalecidas pela queda de Mubarak. Recua pela contra-ofensiva da c&uacute;pula militar, dos aparatos de seguran&ccedil;a ainda preservados, da burguesia eg&iacute;pcia com todo apoio dos governos imperialistas. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A revolu&ccedil;&atilde;o mostra sua for&ccedil;a nas mobiliza&ccedil;&otilde;es e sua fraqueza pela aus&ecirc;ncia de uma dire&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria. O governo tenta com a repress&atilde;o reconquistar o controle de antes da derrubada de Mubarak, mas j&aacute; prepara o parlamento&nbsp; para frear a revolu&ccedil;&atilde;o pela rea&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Qual ser&aacute; a resultante desse novo choque? O movimento de massas vai novamente derrotar as For&ccedil;as Armadas, agora em sua nova cara governamental? A crise das For&ccedil;as Armadas, contida durante a queda de Mubarak, vai se reabrir pelo choque com as massas? <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A combina&ccedil;&atilde;o entre repress&atilde;o aberta e rea&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica vai resultar em um novo regime democr&aacute;tico burgu&ecirc;s com fortes elementos bonapartistas?&nbsp; A Irmandade Mu&ccedil;ulmana (ou outra forma&ccedil;&atilde;o burguesa) vai superar as desconfian&ccedil;as do imperialismo e comandar um novo governo, conciliando e mantendo os privil&eacute;gios dos militares? <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Ou um regime bonapartista vai se consolidar no Egito, ainda que com formas democr&aacute;ticas e elei&ccedil;&otilde;es? Os militares v&atilde;o seguir mandando no pa&iacute;s, tendo o novo&nbsp; governo e parlamento&nbsp; eleitos como ap&ecirc;ndices? Isso demonstraria a tese de que o regime n&atilde;o caiu com Mubarak, apenas se reciclou de forma vitoriosa. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Um programa para a revolu&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A palavra de ordem central para os dias de hoje no Egito &eacute; &quot;Abaixo o governo militar!&quot;. Essa &eacute; a consigna que move milh&otilde;es de pessoas e pode fazer avan&ccedil;ar a revolu&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia. Ela deve ir acompanhada da liberdade para os presos pol&iacute;ticos, destrui&ccedil;&atilde;o dos aparatos repressivos e puni&ccedil;&atilde;o dos torturadores. Devemos fazer um chamado sistem&aacute;tico para os soldados para que rompam a disciplina militar e se somem as mobiliza&ccedil;&otilde;es contra o governo militar. O eixo democr&aacute;tico se completa com a defesa de uma Assembl&eacute;ia Constituinte. Defendemos uma greve geral para por abaixo o governo das For&ccedil;as Armadas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Outro eixo program&aacute;tico deve estar centrado nas reivindica&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, a partir de aumentos salariais imediato; plano de obras p&uacute;blicas para abranger os desempregados; fim do controle militar sobre as empresas, que devem ficar sob controle oper&aacute;rio;&nbsp; sindicatos livres; expropria&ccedil;&atilde;o das empresas de Mubarak e seus c&uacute;plices e estatiza&ccedil;&atilde;o das multinacionais.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O outro eixo program&aacute;tico de grande import&acirc;ncia &eacute; anti-imperialista e contra Israel, centrado<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">na ruptura dos acordos com Israel e abertura da faixa de Gaza. Todo apoio &agrave; luta do povo s&iacute;rio contra a ditadura de Assad.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">&Eacute; preciso enfrentar a rea&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, buscando desenvolver a mobiliza&ccedil;&atilde;o concreta dos trabalhadores e sua desconfian&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao parlamento burgu&ecirc;s.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Nenhuma confian&ccedil;a nas dire&ccedil;&otilde;es -como a Irmandade Mu&ccedil;ulmana- que buscam um pacto com os militares, e se afastam das mobiliza&ccedil;&otilde;es. &Eacute; necess&aacute;rio fazer exig&ecirc;ncias a Irmandade para se some &aacute;s mobiliza&ccedil;&otilde;es do povo eg&iacute;pcio.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">&Eacute; preciso organizar um grande encontro, oper&aacute;rio e popular para preparar um plano de lutas dos trabalhadores para derrubar o governo que culmine em uma greve geral. Junto com isso deve se apresentar um plano econ&ocirc;mico dos trabalhadores que parta de suas reivindica&ccedil;&otilde;es imediatas e aponte para a expropria&ccedil;&atilde;o das grandes empresas e um Governo dos Trabalhadores.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A revolu&ccedil;&atilde;o no Egito demonstrou uma for&ccedil;a gigantesca ao derrubar Mubarak. Agora abre mais um cap&iacute;tulo ao questionar de frente o governo militar de turno. Est&aacute; em xeque o destino do pa&iacute;s mais populoso do Oriente M&eacute;dio e a estabilidade de toda a regi&atilde;o, o que inclui Israel.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":5836,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3770],"tags":[],"class_list":["post-2024","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-egito"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/2011_dec23_egito1.jpg","categories_names":["Egito"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2024","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2024"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2024\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5836"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2024"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2024"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2024"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}