{"id":1967,"date":"2011-11-20T03:48:25","date_gmt":"2011-11-20T03:48:25","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2011\/11\/20\/o-futuro-incerto-das-farc\/"},"modified":"2011-11-20T03:48:25","modified_gmt":"2011-11-20T03:48:25","slug":"o-futuro-incerto-das-farc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2011\/11\/20\/o-futuro-incerto-das-farc\/","title":{"rendered":"O futuro incerto das FARC"},"content":{"rendered":"\n<p>\n\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"150\" hspace=\"4\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/farc_el_futuro.jpg\" style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; \" vspace=\"4\" width=\"200\" \/><\/p>\n<p>\n\t<span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; \">A morte, em combate, de Alfonso Cano, chefe do Secretariado das FARC, desde o momento da morte natural de Manuel Marulanda V&eacute;lez, volta a colocar, em primeiro plano, a discuss&atilde;o de qual &eacute; o futuro dessa organiza&ccedil;&atilde;o, a validade de sua estrat&eacute;gia pol&iacute;tico-program&aacute;tica, e, inclusive, seu futuro militar.<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; \">Uma discuss&atilde;o s&eacute;ria neste terreno &eacute; v&aacute;lida e necess&aacute;ria, porque a a&ccedil;&atilde;o e a pol&iacute;tica das organiza&ccedil;&otilde;es guerrilheiras (notadamente a das FARC nestes &uacute;ltimos anos, dada sua for&ccedil;a militar) tem tido uma import&acirc;ncia significativa em muitos dos processos que afetam milh&otilde;es de explorados, que buscam um caminho para defender-se das estrat&eacute;gias e planos da grande burguesia, dos latifundi&aacute;rios e do imperialismo.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No nosso ponto de vista &ndash; oper&aacute;rio, socialista, revolucion&aacute;rio&ndash;, n&atilde;o se trata das especula&ccedil;&otilde;es superficiais sobre a reconfigura&ccedil;&atilde;o da nova linha de comando ou como cada uma das caracter&iacute;sticas dos sucessores pode incidir na orienta&ccedil;&atilde;o da nova organiza&ccedil;&atilde;o. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Trata-se de examinar o panorama de conjunto, sem se colocar ao lado da campanha midi&aacute;tica da grande burguesia contra a &ldquo;viol&ecirc;ncia guerrilheira&rdquo;, contra o &ldquo;fracasso da luta armada&rdquo;, que faz constantes chamados &agrave; desmobiliza&ccedil;&atilde;o, desarmamento e entrega. H&aacute; de buscar o caminho que permita que milhares de ativistas honestos que ainda olham a luta guerrilheira como a melhor op&ccedil;&atilde;o de enfrentamento &agrave; explora&ccedil;&atilde;o e &agrave; opress&atilde;o possam continuar sendo lutadores revolucion&aacute;rios, anti-imperialistas e inimigos da explora&ccedil;&atilde;o capitalista para al&eacute;m do que ocorra &agrave;s FARC e a sua dire&ccedil;&atilde;o no futuro.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>O poder n&atilde;o nasce do fuzil&hellip;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No terreno estritamente militar, quando se medem duas for&ccedil;as militares em um ambiente temporal e espacial muito delimitado, a m&aacute;xima do grande l&iacute;der da revolu&ccedil;&atilde;o chinesa triunfante em 1949, Mao Tse Tung, de que &ldquo;o poder nasce do fuzil&rdquo; &eacute; indiscutivelmente verdadeira. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No terreno pol&iacute;tico, no conjunto do processo revolucion&aacute;rio, no marco da luta de classes mais geral, nacional e internacional, &eacute; absolutamente falsa. Uma aprendizagem errada da m&aacute;xima mao&iacute;sta, traduzida em vers&otilde;es latino-americanas por interm&eacute;dio da experi&ecirc;ncia espec&iacute;fica da revolu&ccedil;&atilde;o cubana, deu origem &agrave; catastr&oacute;fica concep&ccedil;&atilde;o de que, em todo momento, tempo e lugar, est&aacute; posto o confronto armado com os exploradores e opressores. O mesmo se d&aacute; com a vers&atilde;o stalinista-colombiana (copiando absurdamente as formula&ccedil;&otilde;es leninistas) de combina&ccedil;&atilde;o constante e permanente de todas as formas de luta.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>O poder nasce das massas&hellip;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Para a grande burguesia imperialista e nacional, para os latifundi&aacute;rios e para toda classe de exploradores, que s&atilde;o a absoluta minoria na sociedade atual, &ldquo;seu&rdquo; poder nasce, em primeira inst&acirc;ncia, antes de mais nada e sobretudo, do controle que t&ecirc;m do conjunto de meios de produ&ccedil;&atilde;o da mesma sociedade. Isto &eacute;, t&ecirc;m poder por ser a classe economicamente dominante, o que, por sua vez, lhes garante ser a classe politicamente dominante atrav&eacute;s do Estado e impor ao conjunto social seu dom&iacute;nio ideol&oacute;gico. Certamente, elemento decisivo e fundamental, as contradi&ccedil;&otilde;es que isso gera, a inocult&aacute;vel e permanente &ldquo;luta de classes&rdquo;, os obriga a ter &agrave; m&atilde;o, sempre dispon&iacute;vel e carregado, um fuzil. Mas buscam que esse &ldquo;fuzil&rdquo;, suas for&ccedil;as armadas e repressivas sejam aceitas e assumidas pelo conjunto da sociedade como pr&oacute;prias, incluindo as classes e os setores explorados e oprimidos.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Por outro lado, pela pr&oacute;pria estrutura e funcionamento da sociedade capitalista, o poder dos explorados e oprimidos se estabelece, antes de mais nada e sobretudo, por seu n&uacute;mero, por sua quantidade, por que, sem a atividade de todos eles, a sociedade n&atilde;o funciona. Essa for&ccedil;a os brinda com a possibilidade (isto &eacute;, &eacute; um poder potencial) de mudar a sociedade completa e totalmente. E essa for&ccedil;a em massa, quando consegue altos n&iacute;veis de organiza&ccedil;&atilde;o, de centraliza&ccedil;&atilde;o e &eacute; dirigida ou orientada conscientemente para o objetivo de derrotar o poder pol&iacute;tico da burguesia, de lhe expropriar o controle sobre os meios sociais de produ&ccedil;&atilde;o, nada a det&eacute;m, leva tudo de rold&atilde;o e n&atilde;o h&aacute; &ldquo;fuzil&rdquo; que a detenha. Ela mesma consegue colocar uma parte dos fuzis (via a divis&atilde;o do ex&eacute;rcito que ocorre praticamente em todo processo revolucion&aacute;rio) do lado da revolu&ccedil;&atilde;o e tem a capacidade para, rapidamente, se for necess&aacute;rio, organizar a sua pr&oacute;pria capacidade militar para lhe garantir o triunfo e, posteriormente, a defesa. O exemplo recente mais categ&oacute;rico tem sido o processo em curso no norte da &Aacute;frica, como o caso do Egito, que paralisou o Ex&eacute;rcito, na L&iacute;bia, o destruiu pela via de uma guerra civil e pela interessada interven&ccedil;&atilde;o imperialista atrav&eacute;s da Otan, e na S&iacute;ria o p&ocirc;s em xeque. Ou, pela negativa, o controle totalit&aacute;rio de Barheim nas m&atilde;os do ex&eacute;rcito saudita. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Esta verdade profunda, ignorada, esquecida ou que n&atilde;o &eacute; parte do m&eacute;todo e da concep&ccedil;&atilde;o program&aacute;tica de muitas organiza&ccedil;&otilde;es guerrilheiras leva a conceber o processo de luta revolucion&aacute;ria como um confronto entre aparatos militares, levando, cedo ou tarde, as organiza&ccedil;&otilde;es que assim t&ecirc;m atuado a um beco sem sa&iacute;da. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>O programa define-o todo&hellip; e delimita campos<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Se a for&ccedil;a reside nas massas e o fuzil &eacute; s&oacute; um elemento dessa for&ccedil;a num momento determinado, o elemento fundamental &eacute; o programa. Ele permite orientar, ser uma b&uacute;ssola para que os revolucion&aacute;rios n&atilde;o se percam no meio da espessa e perigosa selva da luta de classes, caindo nas mais variadas armadilhas que t&ecirc;m a burguesia. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Mesmo com dezenas de fuzis e explosivos, e um aparato militar bastante consistente, quando confrontados militarmente com um regime pol&iacute;tico reacion&aacute;rio, por exemplo, pode-se terminar no final do caminho convertidos em agentes, administradores e servidores da burguesia e do imperialismo. As &ldquo;solu&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas negociadas ao conflito social e armado&rdquo; s&atilde;o mais de uma vez uma via para isso. E isto n&atilde;o &eacute; s&oacute; um&nbsp; assunto individual. N&atilde;o nos referimos &uacute;nica e exclusivamente aos indiv&iacute;duos que foram dirigentes guerrilheiros &ldquo;radicais&rdquo; em um momento e que hoje s&atilde;o administradores diretos de estados burgueses ou de algumas de suas institui&ccedil;&otilde;es em diversos pa&iacute;ses.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O assunto olhado individual e superficialmente poderia levar a crer que estamos diante daquilo que chamamos &ldquo;traidores&rdquo;. Os exemplos n&atilde;o faltam: Dilma Rousseff no Brasil &ndash; da Vanguarda Armada Revolucion&aacute;ria Palmares, Jos&eacute; Mujica no Uruguai &ndash; dos Tupamaros&ndash;, Ortega na Nicar&aacute;gua &ndash; do FSLN&ndash;, o FMLN em El Salvador, Navarro e Petro na Col&ocirc;mbia &ndash; do M-19. Contudo o fundamental &eacute; que as organiza&ccedil;&otilde;es das quais esses traidores faziam parte fizeram tamb&eacute;m o mesmo trajeto, determinado completamente por seu programa exclusivo e unicamente democr&aacute;tico-burgu&ecirc;s. S&oacute; t&ecirc;m um car&aacute;ter revolucion&aacute;rio no enfrentamento a regimes burgueses ditatoriais, mas, quando a burguesia os integra a seu regime, tornam-se completamente reformistas e colaboracionistas. O exemplo hist&oacute;rico mais expressivo foi o desmonte do processo revolucion&aacute;rio centro-americano da d&eacute;cada de oitenta, que se iniciou com o triunfo sandinista na Nicar&aacute;gua e culminou com a assimila&ccedil;&atilde;o da Farabundo Mart&iacute; salvadore&ntilde;o &agrave; democracia burguesa. Essa &ldquo;primavera&rdquo; guerrilheira terminou com a derrota da revolu&ccedil;&atilde;o em todo o istmo e a frustra&ccedil;&atilde;o de toda uma gera&ccedil;&atilde;o de revolucion&aacute;rios. E para c&uacute;mulo dos paradoxos, a dire&ccedil;&atilde;o castrista cubana, que deveria ter sido o est&iacute;mulo da estrat&eacute;gia guerrilheira, foi agente de sua capitula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">&Eacute; que o programa, esse elemento de s&iacute;ntese, que assinala com precis&atilde;o qual classe da sociedade cada organiza&ccedil;&atilde;o e partido defende, determina que, se &eacute; s&oacute; reformista e democr&aacute;tico, mais adiante, depois de muitas idas e vindas, voltas e revoltas, termina colaborando, conciliando e participando da estrutura de explora&ccedil;&atilde;o e opress&atilde;o da sociedade burguesa.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>Beco com sa&iacute;da!<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Militarmente as FARC ainda podem declarar que n&atilde;o se encontram num beco sem sa&iacute;da. Sua capacidade militar e financeira lhes permite resistir a dur&iacute;ssimos golpes, como a perda sistem&aacute;tica de elementos chaves de sua c&uacute;pula militar e pol&iacute;tica. Mas, sem a menor d&uacute;vida, as sa&iacute;das de que disp&otilde;em est&atilde;o cada vez mais reduzidas, pelo menos no momento atual.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">N&atilde;o se trata unicamente dos caminhos e atalhos que lhes permitam evitar os riscos diante da persegui&ccedil;&atilde;o implac&aacute;vel das for&ccedil;as armadas da burguesia colombiana, assessoradas, financiadas e dirigidas estrategicamente pelo imperialismo. Trata-se de quais s&atilde;o as sa&iacute;das pol&iacute;ticas poss&iacute;veis, se &eacute; que n&atilde;o t&ecirc;m de terminar dedicadas fundamentalmente a sua &ldquo;pr&oacute;pria guerra&rdquo; ou como uma esp&eacute;cie de confedera&ccedil;&atilde;o de grupos armados de diversas &iacute;ndoles, alguns com uma relativa coes&atilde;o ideol&oacute;gica e outros dedicados a &ldquo;seu pr&oacute;prio neg&oacute;cio&rdquo;, combinando o sequestro, a extors&atilde;o e o controle de rotas e laborat&oacute;rios de diversas subst&acirc;ncias e minerais. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A &ldquo;negocia&ccedil;&atilde;o&rdquo;, que ocorria por debaixo do tapete nos &uacute;ltimos meses, encerrou-se temporariamente com a morte de Cano. Seria especular se a decis&atilde;o do bombardeio respondeu a uma estrat&eacute;gia de &ldquo;abrandamento&rdquo; por parte do governo ou se foi, pelo contr&aacute;rio, continuidade &ldquo;normal&rdquo; da estrat&eacute;gia de aceitar uma poss&iacute;vel negocia&ccedil;&atilde;o enquanto avan&ccedil;am no sentido de os debilitar militarmente.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Mas se o militar n&atilde;o &eacute; o decisivo na exist&ecirc;ncia e no car&aacute;ter do revolucion&aacute;rio, os revolucion&aacute;rios que militam dentro das FARC ou as olharam com simpatia, t&ecirc;m em vista outros pontos de refer&ecirc;ncia, mais capazes de dar duros golpes pol&iacute;ticos &agrave; burguesia e ao imperialismo que uma emboscada a uma patrulha militar.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A t&iacute;tulo de exemplo, as greves dos trabalhadores da Pacific Rubiales, a multinacional canadense petroleira, &eacute; um golpe mais forte no cora&ccedil;&atilde;o dos empres&aacute;rios capitalistas do que o sequestro de quatro t&eacute;cnicos de qualquer multinacional petroleira. E, o que &eacute; mais decisivo, constitui-se, para milhares de trabalhadores, um grande avan&ccedil;o do n&iacute;vel de organiza&ccedil;&atilde;o e de consci&ecirc;ncia, que, caso se consolide, pode dar mais pot&ecirc;ncia &agrave; luta oper&aacute;ria e popular do pa&iacute;s do que 50 ou 100 novos fuzis no meio da selva.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Da mesma forma, poder&iacute;amos dizer da maci&ccedil;a e expressiva luta do movimento estudantil que, mesmo que n&atilde;o tenha colocado em xeque o governo de Santos em rela&ccedil;&atilde;o a seu projeto de privatiza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, est&aacute; a ponto de conquistar uma nova correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as obrigando a retirada do dito projeto do Congresso. E isso &eacute; uma conquista pol&iacute;tica, em organiza&ccedil;&atilde;o, consci&ecirc;ncia e capacidade de luta milhares de vezes mais importante, ainda que seja s&oacute; no terreno democr&aacute;tico da defesa do direito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, do que colocar quatro bombas no oleoduto transandino.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; \">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Seguindo essa dire&ccedil;&atilde;o, est&aacute; a sa&iacute;da revolucion&aacute;ria ao beco que parecia n&atilde;o a ter sa&iacute;da.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Tradu&ccedil;&atilde;o: Suely Corvacho<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte, em combate, de Alfonso Cano, chefe do Secretariado das FARC, desde o momento da morte natural de Manuel Marulanda V&eacute;lez, volta a colocar, em primeiro plano, a discuss&atilde;o de qual &eacute; o futuro dessa organiza&ccedil;&atilde;o, a validade de sua estrat&eacute;gia pol&iacute;tico-program&aacute;tica, e, inclusive, seu futuro militar.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":5712,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-1967","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colombia"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/farc_el_futuro.jpg","categories_names":["Col\u00f4mbia"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1967","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1967"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1967\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5712"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1967"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1967"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1967"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}