{"id":1896,"date":"2011-10-07T22:10:08","date_gmt":"2011-10-07T22:10:08","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2011\/10\/07\/o-que-e-o-jornal\/"},"modified":"2011-10-07T22:10:08","modified_gmt":"2011-10-07T22:10:08","slug":"o-que-e-o-jornal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2011\/10\/07\/o-que-e-o-jornal\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 o jornal"},"content":{"rendered":"\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"131\" hspace=\"3\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/pravda_opt.jpg\" vspace=\"3\" width=\"200\" \/>O v&iacute;deo em que Amanda Gurgel cala os deputados estaduais do Rio Grande do Norte foi visto por milh&otilde;es de pessoas no Youtube. Sua entrevista no Doming&atilde;o do Faust&atilde;o foi transmitida para aproximadamente 20 milh&otilde;es de telespectadores. Por outro lado, a edi&ccedil;&atilde;o do <b><i>Opini&atilde;o Socialista<\/i><\/b> que tinha a mesma Amanda na capa foi de 9 mil exemplares, um n&uacute;mero bastante reduzido, se comparado com os incr&iacute;veis indicadores da internet e da TV.<\/span><\/span><br \/>\n\t<!--more-->\n<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A pergunta que surge &eacute; inevit&aacute;vel: em um mundo dominado pelas &ldquo;novas m&iacute;dias&rdquo;, tem sentido a publica&ccedil;&atilde;o de um jornal de papel e ainda por cima com uma edi&ccedil;&atilde;o t&atilde;o pequena? N&atilde;o seria muito melhor abolir o jornal e investir todos os esfor&ccedil;os em um grande site ou na produ&ccedil;&atilde;o de v&iacute;deos &ldquo;virais&rdquo;, que se espalhassem rapidamente pela internet e levassem aos trabalhadores as ideias do partido? Por que, no in&iacute;cio do s&eacute;culo 21, os militantes do PSTU insistem em andar com um bolinho de jornais debaixo do bra&ccedil;o e oferec&ecirc;-los &agrave;s pessoas?<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Para responder a essas quest&otilde;es, &eacute; preciso entender o que &eacute; o jornal e qual o seu papel para um partido revolucion&aacute;rio.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Para que o jornal?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Qualquer oper&aacute;rio sabe que &eacute; imposs&iacute;vel trabalhar sem ferramentas. Por mais simples que seja a tarefa, ela n&atilde;o pode ser realizada sem a ajuda de algum tipo de instrumento: p&aacute;, enxada, prumo etc. Para um oper&aacute;rio, usar as ferramentas dispon&iacute;veis n&atilde;o &eacute; sinal de incapacidade ou inexperi&ecirc;ncia. Ao contr&aacute;rio, &eacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o de intelig&ecirc;ncia e bom senso. O que fariam, por exemplo, os oper&aacute;rios de uma obra se vissem que o jovem servente que acabou de ser contratado n&atilde;o quer utilizar nenhuma ferramenta? Ele quer medir a largura das aberturas das portas com seus pr&oacute;prios passos, ao inv&eacute;s de usar a trena; quer fazer o reboco das paredes &ldquo;no olho&rdquo;, ao inv&eacute;s de usar o prumo. Ora, &eacute; &oacute;bvio que os outros pedreiros iriam rir muito desse novo colega, e depois lhe dariam um conselho de amigo: &ldquo;experimente usar ferramentas!&rdquo;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Os oper&aacute;rios utilizam ferramentas por um motivo simples: porque querem fazer um bom trabalho e n&atilde;o uma gambiarra. &Agrave; medida que um trabalhador vai se qualificando em sua fun&ccedil;&atilde;o, ao inv&eacute;s de abandonar as ferramentas, ele faz exatamente o contr&aacute;rio: quer cada vez mais e melhores ferramentas. O mestre de obras j&aacute; n&atilde;o se contenta com o prumo normal. Ele sonha com o prumo eletr&ocirc;nico, ou quem sabe um dia o prumo a laser!<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Com a atividade militante, acontece a mesma coisa: o &ldquo;trabalho&rdquo; do militante &eacute; a disputa pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica na base em que ele atua (sua categoria, sua empresa, seu bairro etc.). O jornal do partido &eacute; a ferramenta para esse trabalho.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Uma ferramenta para a agita&ccedil;&atilde;o<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">&ldquo;Disputa pol&iacute;tica&rdquo; significa convencer as pessoas das ideias e propostas do partido revolucion&aacute;rio que n&atilde;o se resumem ao que acontece em uma empresa ou categoria. Ao contr&aacute;rio, elas dizem respeito, em primeiro lugar, &agrave; realidade nacional e internacional. Fora Palocci! Vamos barrar o novo C&oacute;digo Florestal! 10% do PIB j&aacute;! Todo apoio &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o &aacute;rabe! Temos a&iacute; alguns exemplos de ideias e propostas de nosso partido para a atual conjuntura. As propostas de um partido revolucion&aacute;rio para uma f&aacute;brica ou empresa s&atilde;o apenas o reflexo de suas ideias e propostas mais gerais.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Mas como eu sei quais s&atilde;o as principais propostas do partido para a atual conjuntura? Quem me diz isso &eacute; o jornal, sobretudo em suas p&aacute;ginas centrais e no seu editorial. Por isso, a primeira fun&ccedil;&atilde;o do jornal do partido &eacute; ser uma ferramenta para o militante fazer agita&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica sobre sua base. &ldquo;Agita&ccedil;&atilde;o&rdquo;, como o pr&oacute;prio nome diz, &eacute; a arte de entusiasmar as pessoas com duas ou tr&ecirc;s ideias centrais e convenc&ecirc;-las a agir: passar um abaixo assinado, fazer uma greve, montar barricadas nas ruas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Se vou para uma assembleia ou se minha categoria est&aacute; em greve, posso preparar minha fala em base aos principais artigos do jornal. Posso escolher dois ou tr&ecirc;s assuntos, ou me concentrar em apenas um. De qualquer forma, quem me diz quais s&atilde;o os temas mais atuais, mais importantes e quais as sa&iacute;das que o partido prop&otilde;e &eacute; o jornal.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Uma ferramenta para a propaganda<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Mas por que exatamente somos contra o novo c&oacute;digo florestal? Como assim Fora Palocci? De que jeito vamos tir&aacute;-lo de l&aacute;? Quem deve julg&aacute;-lo? Ser&aacute; mesmo poss&iacute;vel destinar 10% do PIB para a educa&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o ser&aacute; demais? N&atilde;o ser&aacute; melhor apoiar Kadafi para evitar que o imperialismo tome conta da L&iacute;bia? Como se v&ecirc;, cada ideia ou proposta pol&iacute;tica leva a novas ideias e novas propostas, algumas bastante complicadas, que exigem mais dados, mais reflex&atilde;o, mais informa&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"right\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"129\" hspace=\"3\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/opiniao16_opt_(1).jpg\" vspace=\"3\" width=\"192\" \/>Por isso, a segunda fun&ccedil;&atilde;o do jornal &eacute; fazer propaganda revolucion&aacute;ria. &ldquo;Propaganda&rdquo; significa explicar detalhadamente alguma ideia ou proposta. Em uma assembleia ou ato p&uacute;blico, onde as interven&ccedil;&otilde;es s&atilde;o curtas, ningu&eacute;m consegue explicar nada. Um militante s&oacute; tem tempo de saudar a luta, apontar alguns objetivos e propor duas ou tr&ecirc;s tarefas que ele considera importante. Mas ele tem uma sa&iacute;da: depois de falar no microfone, ele pode circular pelo plen&aacute;rio e oferecer o jornal do partido aos ativistas que o apoiaram ou demonstraram mais interesse. No jornal, esses ativistas encontrar&atilde;o uma an&aacute;lise mais profunda da situa&ccedil;&atilde;o e muito mais detalhada. Eles saber&atilde;o qual &eacute; o PIB do pa&iacute;s, quanto o governo destina desse PIB para a d&iacute;vida interna e externa e o que seria poss&iacute;vel fazer com esses 10% se eles fossem investidos na educa&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Assim, em base ao jornal, um oper&aacute;rio pode conversar sobre educa&ccedil;&atilde;o com um banc&aacute;rio e este pode conversar sobre a L&iacute;bia com uma professora; um nordestino pode conversar com um carioca sobre as enchentes em S&atilde;o Paulo e nas plataformas de petr&oacute;leo o assunto do momento pode ser a greve dos trabalhadores da CSN. O jornal torna-se, dessa forma, um elo pol&iacute;tico entre as distintas categorias e regi&otilde;es. O oper&aacute;rio, o banc&aacute;rio, a professora e o petroleiro entender&atilde;o que seus problemas s&atilde;o os de todos os trabalhadores e que seus inimigos s&atilde;o os mesmos em toda a parte: os governos de plant&atilde;o, a burguesia e o imperialismo.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Uma ferramenta para construir e organizar o partido<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Ao unificar o trabalho de agita&ccedil;&atilde;o e propaganda, o jornal assume uma terceira e important&iacute;ssima fun&ccedil;&atilde;o: a de &ldquo;organizador coletivo&rdquo;, como dizia Lenin, de ferramenta para a constru&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Se quero ganhar uma pessoa para o partido, lhe ofere&ccedil;o o jornal e a procuro para saber o que achou, quais s&atilde;o suas d&uacute;vidas, de quais campanhas est&aacute; disposta a participar. Se tenho tr&ecirc;s ou quatro leitores fi&eacute;is e que concordam com o partido, posso propor a eles nos reunirmos uma vez por semana para discutir o jornal e organizar alguma atividade. J&aacute; formei um novo n&uacute;cleo. A partir da&iacute; o jornal ser&aacute; ainda mais importante. &Eacute; ele que me diz por onde devo come&ccedil;ar minha reuni&atilde;o, quais s&atilde;o as campanhas nas quais o partido est&aacute; engajado, quais as tarefas que o movimento est&aacute; realizando e como meu n&uacute;cleo pode ajudar.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Em base a algum artigo do jornal, surge uma bela conversa na hora do almo&ccedil;o, na sala de aula ou mesmo ao p&eacute; da m&aacute;quina. Como nessa conversa eu n&atilde;o soube responder a v&aacute;rias perguntas que meu colega me fez, volto para a reuni&atilde;o de n&uacute;cleo e tiro minhas d&uacute;vidas, me preparo com novos argumentos para uma nova conversa. Torno-me um militante ativo, influencio pessoas, organizo meus companheiros. Com aqueles que n&atilde;o concordam comigo, continuo mantendo boas rela&ccedil;&otilde;es e tamb&eacute;m vendo o jornal. Quem sabe um dia concordem. O partido cresce, se estrutura. Ao final, me torno aquilo que todo o militante revolucion&aacute;rio deve querer ser: um porta-voz dos oprimidos e explorados, uma refer&ecirc;ncia pol&iacute;tica, um l&iacute;der do povo.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Uma ferramenta para a educa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e ideol&oacute;gic<\/b>a<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Em quarto lugar, o jornal pode e deve cumprir um papel de educador pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico. A burguesia ensina aos trabalhadores tudo que &eacute; necess&aacute;rio para que eles cumpram suas tarefas: matem&aacute;tica, qu&iacute;mica, geometria, f&iacute;sica, planilha excel etc. Ela sabe que os trabalhadores podem compreender e utilizar os mais modernos mecanismos da tecnologia, operar as mais complexas e perigosas m&aacute;quinas. Mas ao mesmo tempo ela enfia na cabe&ccedil;a deles que eles s&atilde;o incapazes de entender a sociedade em que vivem: que a filosofia &eacute; chata, que a hist&oacute;ria &eacute; in&uacute;til, que a economia &eacute; complicada demais.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Um jornal revolucion&aacute;rio pode e deve falar de tudo isso. Ele deve ser um instrumento para propagar as ideias do socialismo, que &eacute; a ideologia da classe oper&aacute;ria, a ci&ecirc;ncia de sua liberta&ccedil;&atilde;o. No jornal de um partido revolucion&aacute;rio os trabalhadores devem encontrar respostas para as perguntas mais profundas de nossa vida social: como eles s&atilde;o explorados, por que acontecem as crises econ&ocirc;micas, qual a raz&atilde;o dos conflitos no Oriente M&eacute;dio.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>O verdadeiro significado do jornal<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A influ&ecirc;ncia ou o tamanho da tiragem do jornal depende da influ&ecirc;ncia e do tamanho do pr&oacute;prio partido. N&atilde;o h&aacute; m&aacute;gica ou jogada de marketing que transforme, do dia para a noite, o jornal de um partido revolucion&aacute;rio em um fen&ocirc;meno editorial. O caminho para a influ&ecirc;ncia de massas &eacute; longo e penoso, repleto de fracassos, saltos, avan&ccedil;os e paradas. Para que o jornal conquiste milh&otilde;es de leitores, o pr&oacute;prio partido precisa conquistar milh&otilde;es de cora&ccedil;&otilde;es e mentes. Isso s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel com um &aacute;rduo e paciente trabalho de agita&ccedil;&atilde;o, propaganda, constru&ccedil;&atilde;o, organiza&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Dissemos que o jornal &eacute; uma ferramenta. Mas essa defini&ccedil;&atilde;o &eacute; incompleta. Se o jornal faz tanta coisa, ele &eacute; muito mais do que um simples instrumento. Se divulgar o jornal &eacute; divulgar o partido; se agitar as palavras de ordem do jornal &eacute; agitar as palavras de ordem do partido; se organizar meus companheiros em torno ao jornal &eacute; organiz&aacute;-los em torno ao partido; se a alma do partido exala de suas p&aacute;ginas, ent&atilde;o a conclus&atilde;o &eacute; transparente como &aacute;gua e descobrimos com isso a verdadeira ess&ecirc;ncia do jornal: ele &eacute; o pr&oacute;prio partido.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Os outros partidos e seus jornais<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">No passado, cada partido da classe trabalhadora tinha o seu jornal. O que aconteceu com essas publica&ccedil;&otilde;es? Se o jornal &eacute; t&atilde;o importante, por que, ent&atilde;o, o PSTU &eacute; praticamente a &uacute;nica organiza&ccedil;&atilde;o de esquerda que mant&eacute;m um jornal regular?<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">As organiza&ccedil;&otilde;es reformistas e burocr&aacute;ticas, como o PT e o PCdoB, n&atilde;o publicam jornais porque n&atilde;o se preocupam em elevar a consci&ecirc;ncia pol&iacute;tica e o n&iacute;vel de combatividade dos trabalhadores, porque se adaptaram aos gabinetes parlamentares, aos aparatos sindicais burocratizados e ao Estado burgu&ecirc;s. Ora, para que discutir Iraque e Afeganist&atilde;o se isso n&atilde;o me ajuda e eleger deputados e vereadores? Para que explicar aos trabalhadores o caso Palocci se isso questiona o governo Dilma, que &ldquo;me deu um carguinho e me paga um dinheirinho?&rdquo;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Outras organiza&ccedil;&otilde;es, como o PSOL, por exemplo, n&atilde;o t&ecirc;m jornal por um motivo distinto: porque s&atilde;o formadas por um amontoado de correntes que quase nunca concordam em nada entre si. Um jornal editado pelo PSOL n&atilde;o poderia se posicionar sobre a situa&ccedil;&atilde;o em Cuba, sobre as trai&ccedil;&otilde;es da CUT ou sobre a legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, porque dentro desse partido n&atilde;o h&aacute; acordo sobre esses assuntos, e nenhuma das correntes aceita se submeter &agrave; vontade da maioria. Ele seria mudo diante dos principais fatos da luta de classes.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Assim, onde muitas vozes se calaram, e onde outras jamais se levantaram, o <b><i>Opini&atilde;o <\/i><\/b>continua emitindo seus acordes dissonantes. E isso h&aacute; 15 anos!<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Lenin e o Jornal <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Em seu livro <i>Que Fazer?<\/i>, em 1902, Lenin formulou as principais ideias a respeito do jornal do partido revolucion&aacute;rio. Suas ideias se davam numa luta implac&aacute;vel contra as tend&ecirc;ncias sindicalistas e reformistas que se expressavam em v&aacute;rios c&iacute;rculos social-democratas da &eacute;poca (os chamados &ldquo;economicistas&rdquo;). Para Lenin, era essencial a cria&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;&oacute;rg&atilde;o central&rdquo; de propaganda, agita&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o em todo o pa&iacute;s. Funcionando como um verdadeiro intelectual coletivo, o jornal do partido criaria as condi&ccedil;&otilde;es para uma pr&aacute;tica pol&iacute;tica verdadeiramente revolucion&aacute;ria, superando as tend&ecirc;ncias economicistas. &ldquo;<i>Sem este &oacute;rg&atilde;o de imprensa, o trabalho local continuar&aacute; sendo um trabalho &lsquo;artesanal&rsquo; estreito. A forma&ccedil;&atilde;o do partido, &lsquo;se n&atilde;o se organiza um jornal determinado, que represente acertadamente este partido&rsquo;, se reduzir&aacute; em grau consider&aacute;vel a simples palavras.<\/i>&rdquo; (Lenin &#8211; <i>Acerca de la prensa<\/i>).<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Fonte: <i>Opini&atilde;o Socialista<\/i> n&ordm; 425, de 08 a 29 de junho de 2011.<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O v&iacute;deo em que Amanda Gurgel cala os deputados estaduais do Rio Grande do Norte foi visto por milh&otilde;es de pessoas no Youtube. Sua entrevista no Doming&atilde;o do Faust&atilde;o foi transmitida para aproximadamente 20 milh&otilde;es de telespectadores. 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