{"id":1892,"date":"2011-10-07T21:53:45","date_gmt":"2011-10-07T21:53:45","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2011\/10\/07\/trotsky-e-a-imprensa-operaria\/"},"modified":"2011-10-07T21:53:45","modified_gmt":"2011-10-07T21:53:45","slug":"trotsky-e-a-imprensa-operaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2011\/10\/07\/trotsky-e-a-imprensa-operaria\/","title":{"rendered":"Trotsky e a imprensa oper\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: left; line-height: normal;\" align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\nA imprensa revolucion\u00e1ria sempre teve um papel de suma import\u00e2ncia para os marxistas e para a constru\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio.<\/span><\/span><br \/>\n<!--more-->Por Cec\u00edlia Toledo<\/div>\n<div style=\"text-align: left; line-height: normal;\" align=\"left\">\n<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Mas como fazer com que o partido mantenha uma boa imprensa, um bom jornal, como ampliar o espa\u00e7o e a influ\u00eancia da imprensa revolucion\u00e1ria entre os trabalhadores, como escrever artigos claros e ao mesmo tempo atraentes, que prendam a aten\u00e7\u00e3o de nosso leitor, como disputar o espa\u00e7o na consci\u00eancia da classe trabalhadora com a imprensa burguesa? Essas e outras quest\u00f5es sempre fizeram parte das nossas preocupa\u00e7\u00f5es. Sempre procuramos descobrir o segredo de fazer um jornal que fosse uma ferramenta de aglutina\u00e7\u00e3o dos militantes, de enlace entre aqueles que estivessem dispostos a lutar pela revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: left; line-height: normal;\" align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: left; line-height: normal;\" align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Uma das melhores evid\u00eancias do papel essencial de uma boa imprensa revolucion\u00e1ria \u00e9 encontrada em Leon Trotsky. Para ele, a imprensa revolucion\u00e1ria era t\u00e3o fundamental que acabou se confundindo com a sua pr\u00f3pria vida militante. A cada passo em sua intensa trajet\u00f3ria de intelectual marxista e militante revolucion\u00e1rio existiu um jornal, \u00e0s vezes dois, at\u00e9 mesmo tr\u00eas. Fosse na pris\u00e3o, fosse no ex\u00edlio, na guerra ou dentro do trem blindado correndo em alta velocidade para combater a contrarrevolu\u00e7\u00e3o, Trotsky nunca perdeu a chance de escrever para um jornal.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: left; line-height: normal;\" align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Lenin, que considerava essa uma das tarefas mais dif\u00edceis do partido &#8211; criar um jornal popular -, viu na entrada de Trotsky no Partido Bolchevique a solu\u00e7\u00e3o para esse problema. Enfatizava o fato de que a cria\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o popular para esclarecer a pol\u00edtica do partido para as massas era uma tarefa que exigia uma grande experi\u00eancia. \u201c<i>Por isso o CC quer conseguir a colabora\u00e7\u00e3o do camarada Trotsky, que teve \u00eaxito na cria\u00e7\u00e3o de seu \u00f3rg\u00e3o popular R\u00fasskaya Gazeta<\/i>\u201d, dizia.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: left; line-height: normal;\" align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Mas, ao contr\u00e1rio de Lenin, Trotsky deixou poucos escritos sobre a quest\u00e3o do jornal. Um deles \u00e9 <i>O jornal e seu leitor<\/i> (em <i>Quest\u00f5es do Modo de Vida<\/i>), em que ele insiste no cuidado que devemos ter na apresenta\u00e7\u00e3o de nossos jornais. Mas se vamos investigando os seus passos, podemos encontrar boas pistas sobre seu trabalho nos jornais, suficientes para acreditar que n\u00e3o havia nenhum grande segredo nele, apenas uma boa dose de sensibilidade e uma confian\u00e7a absoluta na classe trabalhadora e na for\u00e7a das ideias revolucion\u00e1rias.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: left; line-height: normal;\" align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: left; line-height: normal;\" align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Obviamente que, desde o tempo em que Trotsky viveu e militou at\u00e9 hoje, a forma de fazer e distribuir um jornal oper\u00e1rio mudou muito. Mas o objetivo desse jornal continua praticamente o mesmo. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: left; line-height: normal;\" align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: left; line-height: normal;\" align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Os primeiros jornais<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O primeiro jornal feito por Trotsky chamava-se<i> Nashe Delo<\/i> (Nossa Causa). Era um jornal clandestino e circulava pelas f\u00e1bricas da cidade de Nikolaiev, na R\u00fassia, onde funcionava a Uni\u00e3o de Oper\u00e1rios do Sul da R\u00fassia. Essa organiza\u00e7\u00e3o foi fundada por Trotsky em 1897, junto com seus amigos estudantes e um grupo de oper\u00e1rios. Tinha cerca de 250 membros, a maioria trabalhadores manuais. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">\u00c9 bom enfatizar a import\u00e2ncia que Trotsky atribu\u00eda \u00e0 qualidade e \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica dos panfletos e jornais que faziam, e o extremo cuidado com que escrevia os textos. Ele conta: \u201c<i>Eu me sentava para escrever os panfletos ou os artigos, que depois eu mesmo me encarregava de copiar em letra de forma para o gr\u00e1fico. Ainda n\u00e3o sab\u00edamos que existiam as m\u00e1quinas de escrever.<\/i> <i>Me preocupava em tra\u00e7ar as letras com a maior meticulosidade, pois tinha o prurido de que nenhum oper\u00e1rio, ainda que s\u00f3 soubesse soletrar, deixasse de entender os panfletos e manifestos sa\u00eddos de nossa \u2018imprensa\u2019. Cada p\u00e1gina me custava duas horas pelo menos. \u00c0s vezes passava semanas inteiras com as costas dobradas e s\u00f3 me levantava da mesa para assistir a alguma reuni\u00e3o ou dar um curso para os oper\u00e1rios. Ficava feliz quando chegavam os informes das f\u00e1bricas e oficinas contando a ansiedade com que os oper\u00e1rios devoravam aquelas folhinhas misteriosas com letras em cor violeta, passando-as de m\u00e3o em m\u00e3o e discutindo acaloradamente seu conte\u00fado. Para eles, o autor desses panfletos devia ser um personagem importante e misterioso, que sabia penetrar em todas as ind\u00fastrias, que averiguava tudo o que ocorria entre os oper\u00e1rios e se adiantava aos acontecimentos por meio de uma folhinha nova ao cabo de vinte e quatro horas<\/i>.\u201d <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O <i>Nashe Delo<\/i> ia muito bem e tinha grande acolhida entre os oper\u00e1rios de Nikolaiev. Mas, em janeiro de 1898, Trotsky foi preso e deportado para a Sib\u00e9ria. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Um jornal atr\u00e1s do outro<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Em 1902, Trotsky fugiu da Sib\u00e9ria e foi para Londres, onde se filiou ao grupo de social-democratas russos dirigido por Lenin. A\u00ed, colaborou na reda\u00e7\u00e3o do <i>Iskra<\/i> (Fa\u00edsca), jornal encabe\u00e7ado por Lenin, Martov e Vera Zasulich.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">No processo revolucion\u00e1rio de 1905, ele teve uma participa\u00e7\u00e3o tanto te\u00f3rica quanto pr\u00e1tica. Fez trabalho de agita\u00e7\u00e3o e uma intensa atividade propagand\u00edstica. Escreveu em tr\u00eas jornais ao mesmo tempo: a pequena <i>Russkaya Gazeta<\/i> (Gazeta Russa), que publicava junto com Parvus, e que transformaram em um \u00f3rg\u00e3o de luta das massas. Em pouco tempo, o jornal passou de 30 mil para 100 mil exemplares vendidos, tendo atingido a tiragem de meio milh\u00e3o de exemplares nos primeiros dias de dezembro de 1905. Era feito em condi\u00e7\u00f5es bem prec\u00e1rias em rela\u00e7\u00e3o aos recursos gr\u00e1ficos. Em 13 de novembro de 1905, apareceu o <i>Nachalo<\/i> (In\u00edcio), \u00f3rg\u00e3o pol\u00edtico que fundou com os mencheviques.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Essa vida atribulada de Trotsky no calor da revolu\u00e7\u00e3o de 1905 \u00e9 descrita por Isaac Deutscher: \u201c<i>Das assembleias, Trotsky corria a seus escrit\u00f3rios nas oficinas de reda\u00e7\u00e3o, pois dirigia e codirigia tr\u00eas jornais. O Izvestia do Soviet aparecia em intervalos irregulares e era produzido com ing\u00eanua valentia (&#8230;). Al\u00e9m disso, Trotsky conseguiu, com a ajuda de Parvus, que vivia em Petersburgo, obter o controle do jornal liberal Russkaya Gazeta, que transformou em um \u00f3rg\u00e3o popular do socialismo militante. Pouco depois fundou com Parvus e Martov um jornal de grande circula\u00e7\u00e3o: Nachalo (In\u00edcio), visto como porta-voz do menchevismo. Na verdade, Nachalo era sobretudo o jornal de Trotsky, pois ele impunha as condi\u00e7\u00f5es aos mencheviques: o jornal defenderia a \u2018revolu\u00e7\u00e3o permanente\u2019<\/i>\u201d<i>.<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/pravdalenin_opt_(1).jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"278\" align=\"right\" border=\"0\" hspace=\"3\" vspace=\"3\" \/>Preso na repress\u00e3o \u00e0 insurrei\u00e7\u00e3o de 1905, Trotsky \u00e9 novamente deportado para a Sib\u00e9ria, em 1907, e novamente consegue fugir de l\u00e1. Passa a viver em Viena, na \u00c1ustria, de onde, a partir de outubro de 1908, come\u00e7ou a publicar em russo o jornal <i>Pravda<\/i> (A Verdade). O jornal aparecia duas vezes ao m\u00eas e estava destinado aos oper\u00e1rios, entre os quais teve muito sucesso. A publica\u00e7\u00e3o durou tr\u00eas anos e meio e, apesar de ser apenas bimestral, exigia um trabalho enorme e cansativo, porque a correspond\u00eancia secreta com a R\u00fassia levava muito tempo. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Quatro anos depois, os bolcheviques come\u00e7aram a publicar em S\u00e3o Petersburgo um jornal com o mesmo nome. Trotsky responsabilizou o bolchevismo pelo pl\u00e1gio, e deixou de publicar o <i>Pravda<\/i> em Viena. Mas depois passou a colaborar no <i>Pravda<\/i> publicado sob a dire\u00e7\u00e3o de Lenin.\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A partir de 1912, com a imin\u00eancia da Primeira Guerra Mundial, Trotsky come\u00e7a a trabalhar como jornalista no <i>Kievskaia Mysl<\/i> (O Pensamento de Kiev), que lhe ofereceu um cargo de correspondente de guerra nos B\u00e1lc\u00e3s. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Nos anos de 1912 e 1913, Trotsky se dedicou a estudar a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social na S\u00e9rvia, Bulg\u00e1ria e Rom\u00eania. A\u00ed ele aprendeu muito sobre a guerra, cujas li\u00e7\u00f5es lhe seriam \u00fateis n\u00e3o s\u00f3 em 1914, mas tamb\u00e9m em 1917. E o jornalismo foi a forma que ele encontrou para melhor expressar suas ideias, colocando suas mat\u00e9rias a servi\u00e7o da luta contra a guerra. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Isaac Deutscher lembra que, para falar da guerra, Trotsky narra as aventuras de um \u00fanico soldado, revelando por meio delas todo o horror dos campos de batalha. No texto intitulado <i>O S\u00e9timo Regimento de Infantaria da Epopeia Belga<\/i>, escrito em 1915, Trotsky descreve as experi\u00eancias de De Baer, um estudante de direito da Universidade de Lovaina que concentra em si mesmo todo o drama da B\u00e9lgica invadida e ocupada. Trotsky acompanha sua saga desde o in\u00edcio da guerra, as batalhas, os cercos, as escapat\u00f3rias, o nascimento do patriotismo entre o povo invadido, os absurdos da guerra. O estudante sofre espantosos tormentos nas trincheiras e, enviado a um hospital na Fran\u00e7a, descobre-se que ele \u00e9 muito m\u00edope para ser soldado e \u00e9 dispensado. Abandonado pelas for\u00e7as militares em um pa\u00eds estranho, n\u00e3o consegue emprego. E quando Trotsky o conhece, ele est\u00e1 passando fome e vestindo trapos. Com o foco centrado em De Baer, Trotsky reproduziu o drama vivido por milh\u00f5es de jovens soldados como ele e, com isso, n\u00e3o fez demagogia, apenas mostrou o absurdo da guerra.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Enquanto a guerra assolava a Europa, Trotsky escreveu em Zurique o folheto <i>A Guerra e a Internacional,<\/i> um dos primeiros documentos marxistas de car\u00e1ter antibelicista. Nesse texto, dirigido em primeiro lugar contra os social-democratas alem\u00e3es, ele explica que o dever dos socialistas era defender uma paz democr\u00e1tica, sem anexa\u00e7\u00f5es ou indeniza\u00e7\u00f5es, pela autodetermina\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es oprimidas. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Em janeiro de 1917, Trotsky vai para Nova Iorque, nos Estados Unidos. L\u00e1 colabora com a reda\u00e7\u00e3o do <i>Novy Mir<\/i> (O Novo Mundo), que tinha como redatores Nikolai Bukarin, Alessandra Kolontai e V. Volodarsky. Escreve uma s\u00e9rie de artigos analisando a revolu\u00e7\u00e3o russa. Comparando esses artigos de <i>Novy Mir<\/i> com as cartas que Lenin escreveu na mesma \u00e9poca (as <i>Cartas de Longe<\/i>), que enviava de Zurique a Petrogrado, percebe-se a concord\u00e2ncia com a an\u00e1lise e as perspectivas da revolu\u00e7\u00e3o russa.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Em mar\u00e7o de 1917, Trotsky volta para a R\u00fassia e publica artigos no seman\u00e1rio que fundou: <i>Vperiod<\/i> (Adiante), \u00f3rg\u00e3o dos membros da Organiza\u00e7\u00e3o Interdistrital. O jornal apareceu at\u00e9 que a organiza\u00e7\u00e3o dos internacionalistas ingressou no Partido Bolchevique, tendo atingido os 16 n\u00fameros.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Vitoriosa a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, Trotsky \u00e9 nomeado ministro da Guerra e passa grande parte do tempo viajando por todo o pa\u00eds num trem blindado. No trem, al\u00e9m das atividades militares, ele escreveu muito e publicou um jornal chamado <i>V Puti<\/i> (No Caminho), em que diariamente se noticiava as a\u00e7\u00f5es e as batalhas ocorridas. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Servindo ao leitor <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Os jornais de Trotsky sempre faziam muito sucesso. \u201c<i>Isso n\u00e3o surpreende a ningu\u00e9m que revise as cole\u00e7\u00f5es dos jornais e os compare: os jornais de Trotsky tinham muito mais brilho e for\u00e7a de express\u00e3o<\/i>\u201d, diz Deutscher em <i>O Profeta Armado<\/i>. Mas por que seus jornais atra\u00edam tanto os leitores?<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Logicamente, s\u00e3o in\u00fameros os fatores que podem nos levar a fazer um jornal atraente e escrever belos textos. No entanto, um deles \u00e9 imprescind\u00edvel: a sensibilidade para com os problemas humanos. Trotsky gostava de dizer que seus jornais n\u00e3o serviam para explicar nada ao leitor, mas, sim, <i>serviam ao leitor<\/i>. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Acostumados a serem tratados pela imprensa burguesa como ignorantes, objetos descart\u00e1veis, imbecis que precisam ser educados, os trabalhadores, quando encontram um jornal que os trata como o que realmente s\u00e3o &#8211; sujeitos -, tendem a ouvir melhor as suas ideias e a sentir que ali est\u00e1 algu\u00e9m que se interessa por eles. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">\u201c<i>Caros colegas jornalistas: o leitor lhes suplica que evitem dar-lhes li\u00e7\u00f5es, fazer serm\u00f5es ou serem agressivos, mas, sim, que descrevam clara e inteligivelmente o que se passou, onde e como. As li\u00e7\u00f5es e as exorta\u00e7\u00f5es ressaltar\u00e3o por si mesmas<\/i>\u201d, aconselha.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A preocupa\u00e7\u00e3o em escrever de forma clara, saber relacionar os fatos entre si e baixar tudo \u00e0 terra, com exemplos concretos, eram outros atributos do jornalismo de Trotsky. Ele n\u00e3o usava o jornal apenas como agitador, no sentido de abrir suas p\u00e1ginas para noticiar fatos ou agitar bandeiras. Seus jornais eram fundamentalmente \u00f3rg\u00e3os de propaganda. Ele escrevia artigos que tinham uma carga explicativa muito grande. <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Em s\u00edntese: para Trotsky, \u00e9 preciso fazer um jornal para um leitor vivo, desperto para a luta di\u00e1ria pela vida e para os problemas pol\u00edticos. O leitor tem necessidade de que se manifeste interesse por ele, ainda que nem sempre ele saiba exprimir esse desejo. Foi movido por essa ideia e com esse leitor em mente que Trotsky conseguiu fazer jornais socialistas que se esgotavam no ato, disputados avidamente por oper\u00e1rios, soldados e camponeses, estivessem onde estivessem.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><i>* Jornalista e integrante das reda\u00e7\u00f5es dos jornais Versus, Converg\u00eancia Socialista e Opini\u00e3o Socialista<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: left; line-height: normal;\" align=\"left\">\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Saiba mais<\/b><\/span><\/span>\n<\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><i>\u00a0<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Para saber mais, recomendamos as seguintes leituras:<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><i>Quest\u00f5es do Modo de Vida<\/i> (Leon Trotsky) <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><i>Minha Vida <\/i>(Leon Trotsky)<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><i>O Profeta Armado <\/i>(Isaac Deutscher)<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><i>Lenin &#8211; Obras Completas <\/i>(tomo 32) <\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><i>Trotsky en el Espejo de la Historia<\/i> (Gabriel Garc\u00eda Higueras)<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Fonte: <em>Opini\u00e3o Socialista<\/em>, n\u00ba 425, de 08 a 29 de junho de 2011.<\/span><\/span><!-- [if gte mso 9]><xml>\n<w:WordDocument>\n<w:View>Normal<\/w:View>\n<w:Zoom>0<\/w:Zoom>\n<w:HyphenationZone>21<\/w:HyphenationZone>\n<w:PunctuationKerning\/>\n<w:ValidateAgainstSchemas\/>\n<w:SaveIfXMLInvalid>false<\/w:SaveIfXMLInvalid>\n<w:IgnoreMixedContent>false<\/w:IgnoreMixedContent>\n<w:AlwaysShowPlaceholderText>false<\/w:AlwaysShowPlaceholderText>\n<w:Compatibility>\n<w:BreakWrappedTables\/>\n<w:SnapToGridInCell\/>\n<w:WrapTextWithPunct\/>\n<w:UseAsianBreakRules\/>\n<w:DontGrowAutofit\/>\n<\/w:Compatibility>\n<w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w:BrowserLevel>\n<\/w:WordDocument>\n<\/xml><![endif]--><!-- [if gte mso 9]><xml>\n<w:LatentStyles DefLockedState=\"false\" LatentStyleCount=\"156\">\n<\/w:LatentStyles>\n<\/xml><![endif]--><!-- [if !mso]><object classid=\"clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D\" id=ieooui><\/object>\n\n\n<style>\nst1\\:*{behavior:url(#ieooui) }\n<\/style>\n\n<![endif]--><br \/>\n<!-- [if gte mso 10]>\n\n\n<style>\n \/* Style Definitions *\/\ntable.MsoNormalTable\n{mso-style-name:\"Tabela normal\";\nmso-tstyle-rowband-size:0;\nmso-tstyle-colband-size:0;\nmso-style-noshow:yes;\nmso-style-parent:\"\";\nmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;\nmso-para-margin:0cm;\nmso-para-margin-bottom:.0001pt;\nmso-pagination:widow-orphan;\nfont-size:10.0pt;\nfont-family:\"Times New Roman\";\nmso-ansi-language:#0400;\nmso-fareast-language:#0400;\nmso-bidi-language:#0400;}\n<\/style>\n\n<![endif]-->\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imprensa revolucion\u00e1ria sempre teve um papel de suma import\u00e2ncia para os marxistas e para a constru\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":5536,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8073,3861,10],"tags":[8074],"class_list":["post-1892","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-75-anos-sem-trotsky","category-especial-cecilia-toledo","category-teoria","tag-massacre-de-bogota"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/trotsky_opt.jpg","categories_names":["75 Anos sem Trotsky","Especial Cec\u00edlia Toledo","TEORIA"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1892","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1892"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1892\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5536"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1892"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1892"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1892"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}